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Rev. adm. empres. vol.53 número3

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Academic year: 2018

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©RAE n S ã o P a u l o n v . 5 3 n n . 3 n m a i o / j u n . 2 0 1 3 2 2 3 I S S N 0 0 3 4 - 7 5 9 0

EDITORIAL

N

a busca constante pelo aperfeiçoamento de seus processos editoriais e pela melhoria da qualidade dos artigos que publica, com o objetivo de con-tribuir com a comunidade acadêmica de Adminis-tração de Empresas, a RAE tem desenvolvido vários estudos sobre seu acervo cinquentenário. O último deles, disponibi-lizado na íntegra em www.fgv.br/rae, é sobre a meia-vida dos artigos publicados na revista entre 1997 e 2002.

A meia-vida de um artigo diz respeito ao tempo decor-rido para que ele receba metade de todas as citações que terá ao longo de toda a sua existência. É claro que é um conceito baseado em uma estimativa, pois, em teoria, um artigo pode continuar a receber citações indefinidamente. Na prática, entretanto, a maioria dos artigos começa a receber citações a partir do ano de sua publicação (ano zero), e, se for um artigo realmente relevante, a comunidade o reco-nhecerá como tal, aumentando gradativamente o número de citações, até atingir um pico, em um determinado ano, a partir do qual esse número começa a declinar, ano a ano, até passar a ser citado apenas episodicamente.

Como os critérios de avaliação da relevância dos pes-quisadores e dos periódicos são construídos com base no que se convencionou chamar de “impacto”, ou seja, sua capacidade de ser citado por outros, entender o conceito de meia-vida de artigos é essencial. Particularmente porque, hoje, uma das medidas mais importantes dessa relevância está associada ao conceito de “fator de impacto”, em espe-cial àquele calculado por uma empresa que mantém em sua base alguns dos periódicos reconhecidos como referências entre as várias áreas do conhecimento.

Interessante notar que a meia-vida de artigos das áre-as de Ciênciáre-as Sociais é significativamente maior do que a daqueles das áreas conhecidas como hard sciences. Física, Engenharias e áreas biológicas possuem, em geral, meia-vida abaixo dos cinco anos. Áreas de Ciências Sociais possuem, por sua vez, meia-vida acima de oito anos. Isso significa que os artigos das áreas que possuem meia-vida mais longa só ficam “maduros” e atingem seu pico de citações mais tarde. Entretanto, o cálculo do fator de impacto de todas as áreas,

hard ou soft sciences, tem como base a mesma “janela de tempo”. O resultado é que as áreas hard possuem, invaria-velmente, fator de impacto maior do que as áreas soft. Isso quer dizer que, independente da sua importância, a forma de cálculo as favorece.

O cálculo da meia-vida dos artigos da RAE comprova o perfil da área em que está inserida, pois ficou em 8,25 anos, na média, para o período analisado. Por isso, também, só foi calculada a meia-vida para artigos publicados até 2002, pois os mais recentes ainda não teriam atingido a sua “ma-turidade” em termos de citações.

Esse cenário, entretanto, pode estar mudando. Um ou-tro índice é o percentual de artigos citados no ano de sua publicação, que indica a velocidade com que os artigos são incorporados por outros pesquisadores em seus trabalhos. Dos 45 artigos publicados pela RAE em 2012, 18% foram citados no mesmo ano. Para fazermos uma comparação, em 2002, apenas 8% dos artigos publicados foram citados no

mesmo ano. Há três fenômenos que podem ajudar a explicar essa mudança. Em primeiro lugar, a adoção do acesso aberto e imediato ao conteúdo dos artigos publicados pela RAE, política adotada a partir de 2004. Em segundo lugar, a polí-tica de diversos periódicos, inclusive da RAE, de demandar que os artigos incluam referências recentes (normalmente, dos últimos cinco anos) em sua revisão de literatura. Tam-bém pode estar contribuindo para a mudança a pressão por publicação a que os autores têm sido submetidos, o que induz à constante atualização em um ambiente acadêmico cada vez mais competitivo.

Futuramente, poderemos avaliar o impacto dessas mu-danças no cálculo da meia-vida dos artigos da RAE. Pretende-mos voltar a analisar esses cálculos no futuro, para permitir que pesquisadores façam estudos mais aprofundados sobre o efeito de políticas científicas sobre o comportamento dos pesquisadores e o seu resultado no impacto dos periódicos. Saberemos, então, se a meia-vida dos artigos da área de Ciências Sociais terá se tornado mais comparável a outras áreas acadêmicas com mais tradição nas métricas científicas.

Nesta edição da RAE, publicamos seis artigos inéditos. “Representações do trabalho: estudo sobre confinamento na indústria petrolífera” é um artigo exploratório sobre a influência do sistema de trabalho confinado nas represen-tações do contexto organizacional e nos comportamentos sociais dentro e fora do ambiente de trabalho. “Ajustamento intercultural de executivos japoneses expatriados no Brasil: um estudo empírico” verifica o ajustamento intercultural de executivos vindos do Japão, por meio de pesquisa qualitativa com 37 profissionais em 21 empresas de diversos setores no Brasil. “Paradoxo de inovação no cluster do vinho: o caso da Região Demarcada do Douro” investiga a problemática da inovação no âmbito do cluster de uma região vitivinícola europeia tradicional, caracterizada pelo chamado modelo vitivinícola do terroir. “Legitimidade, governança corporativa e desempenho: análise das empresas da BM&F Bovespa” avalia como a legitimidade, em especial por meio da adesão ao Novo Mercado, condiciona o valor das empresas listadas na Bovespa. “Percepción sobre el desarrollo sostenible de las MYPE en el Perú” apresenta um levantamento da percepção de estudantes de graduação em relação a atividades de res-ponsabilidade social implementadas por micro e pequenas empresas no Peru. “Análisis del credit scoring” aborda a capacidade de previsão de três modelos de credit scoring, sendo dois paramétricos e um não paramétrico.

Completam esta edição a pensata “The five informa-tion technology blind spots of economists”, assinada pelo professor da Erasmus University de Rotterdam, Eric van Heck; uma resenha da professora Isleide Fontenelle sobre o livro “Rituais de sofrimento”; e as indicações bibliográfi-cas sobre “Rotinas organizacionais” e “Desastres e logística humanitária”.

Tenham uma boa leitura!

Eduardo Diniz

Referências

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