I NSTI TUTO DE ALTOS ESTUDOS MI LI TARES
CURSO DE ESTADO MAI OR
(1999 - 2001)
TRABALHO I NDI VI DUAL DE LONGA DURAÇÃO
DOCUMENTO DE TRABALHO
O TEXTO CORRESPONDE A TRABALHO FEI TO DURANTE A FREQUÊNCI A DO CURSO NO I AEM SENDO DA RESPONSABI LI DADE DO SEU AUTOR, NÃO CONSTI TUI NDO ASSI M DOUTRI NA OFI CI AL DO EXÉRCI TO PORTUGUÊS.
LOGÍ STI CA CONJUNTA DAS FORÇAS ARMADAS MODALI DADES E PERSPECTI VA DE EVOLUÇÃO
AGRADECI MENTOS
É com enor me e sincer o pr azer que agr adeço a t odos aqueles, cuj o valioso cont r ibut o t or nou possível a r ealização dest e Tr abalho I ndividual de Longa Dur ação (TI LD) int it ulado "LOGÍ STI CA CONJ UNTA DAS FORÇAS ARMADAS - MODALI DADES E PERSPECTI VA DE EVOLUÇÃO".
Na impossibilidade de agr adecer a t odos aqueles que me auxiliar am, gost ar ia de dest acar os que mais cont r ibuír am par a a r ealização dest e TI LD.
Pelos esclar eciment os pr est ados dur ant e a f ase de invest igação e pela document ação bibliogr áf ica f acult ada, agr adeço ao Sr . Tenent e-Gener al Far ia Ravar a, assessor de S.Ex.a o Minist r o da Def esa Nacional, ao Sr . Maj or -Gener al Cor deir o, da EMPORDEF, ao Sr . Cor onel Ver melho Mor eir a, do Comando da Logíst ica, ao Sr . Cor onel Machado J oaquim, Dir ect or das Of icinas Ger ais de Far dament o e Equipament o (OGFE), ao Sr . Cor onel Domingos Andr é, Dir ect or das Of icinas Ger ais de Mat er ial de Engenhar ia (OGME), ao Sr . Cor onel J aime Neves, Dir ect or da Manut enção Milit ar (MM), ao Sr . Tenent e-Cor onel J oaquim Mar ques, Subdir ect or do Labor at ór io Milit ar de Pr odut os Químicos e Far macêut icos (LMPQF) e ao Sr . Tenent e-Cor onel Tm (Eng.º) Henr ique Macedo, da Dir ecção Ger al de Ar mament o e Equipament os de Def esa (DGAED) do Minist ér io de Def esa Nacional.
Os meus agr adeciment os, t ambém aos meus camar adas do Cur so de Est ado-Maior 1999 - 2001, com quem discut i os assunt os r elacionados com est e t ema.
NOTA PRÉVI A
O t r abalho que nos f oi pr opost o levant ou-nos, inicialment e, algumas dif iculdades
pelo enunciado do t ít ulo impost o, em vir t ude de não est ar def inido qual o campo de
acção da Logíst ica Conj unt a: Logíst ica de Alt o Nível ou Logíst ica Oper acional?
Como sabemos, a Logíst ica, quant o ao campo de acção, pode classif icar -se em
Logíst ica Pur a ou Teór ica e Logíst ica Aplicada, sendo a segunda, a que f az a aplicação
das t eor ias, pr incípios e leis da Logíst ica Pur a à r esolução pr át ica dos pr oblemas
logíst icos. Por seu t ur no, a Logíst ica Aplicada pode dividir -se em:
• Logíst ica de Alt o Nível, Económica ou de Pr odução;
• Logíst ica Oper acional ou de Consumo.
Enquant o a Logíst ica de Alt o Nível, Económica ou de Produção est á int er essada
no est udo dos pr oblemas logíst icos que se apr esent am à escala nacional e cor r esponde
ao lado indust rial da logíst ica, a Logíst ica Oper acional ou de Consumo est uda os
pr oblemas que se apr esent am ao nível da f or ças oper acionais.
Um t r abalho dest a nat ur eza, limit ado em t empo e em dimensão por um lado, e
pelas limit ações do aut or por out r o, não poder ia ser , em nossa opinião, demasiado
abr angent e sem cor r er o r isco de ser demasiado super f icial e assim per der alguma
obj ect ividade.
Assim, opt ámos por limit ar o âmbit o do nosso t r abalho apenas à Logíst ica de
Alt o Nível, Económica ou de Produção. A escolha deveu-se à necessidade de
est r eit ar o campo de análise e ao f act o de act ualment e j á exist ir um Manual de
Dout r ina Logíst ica Conj unt a Nacional elabor ado pela Divisão de Recur sos/ Repar t ição
Logíst ica do Est ado-Maior Gener al das For ças Ar madas, ainda em f ase de apr ovação.
det alhando os pr incípios e polít icas da logíst ica conj unt a, do pont o de vist a do nível
oper acional, a f im de pr omover a compr eensão e o planeament o logíst ico em
cooper ação ent r e o est ado-maior conj unt o, os Ramos e out r os or ganismos do
Minist ér io de Def esa Nacional. No essencial, o manual r ef er ido cor r esponde à adopção
do AJ P-4 (A) - Allied J oint Logist ic Doct r ine (Thir d Dr af t ) de J aneir o de 2000,
publicação base do pont o de vist a dout r inár io na logíst ica de consumo na OTAN.
O Aut or
Í NDI CE
AGRADECI MENTOS………. i
NOTA PRÉVI A………. ii
Í NDI CE………. iii
I NTRODUÇÃO………. vii
CAPÍ TULO I - ORI ENTAÇÕES PARA UMA LOGÍ STI CA CONJUNTA DAS FORÇAS ARMADAS……… 11
1. Da Lei de Def esa Nacional e das Forças Armadas……… 11
2. Do Conceit o Est rat égico de Def esa Nacional………. 11
3. Do Programa do XI V Governo Const it ucional……….. 13
4. Da Resolução do Conselho de Minist ros n. º 180/ 96………. 13
5. Das Grandes Opções do Plano Nacional para 2001……… 16
6. Do Despacho Conj unt o n. º 341/ 99, de 8 de Abril (Comissão Permanent e de Cont rapart idas)………. 16
7. Modernização das Forças Armadas - FA 2010……….. 17
8. Sínt ese Conclusiva……… 17
CAPÍ TULO I I - A LOGÍ STI CA DE ALTO NÍ VEL NOUTROS PAÍ SES……….. 19
1. A I ndúst ria de Def esa Europeia……… 19
2. A I ndúst ria de Def esa da França……… 20
3. A I ndúst ria de Def esa no Reino Unido………. 21
CAPÍ TULO I I I - SI TUAÇÃO ACTUAL DA LOGÍ STI CA DE
PRODUÇÃO……… 24
1. I nt rodução………. 24
2. A EMPORDEF………. 25
3. O Arsenal do Alf eit e……… 30
4. Os Est abeleciment os Fabris do Exércit o………. 30
4. 1 A Manut enção Milit ar……… 31
4. 2 As Of icinas Gerais de Fardament o e Equipament o……… 33
4. 3 Laborat ório Milit ar de Produt os Químicos e Farmacêut icos….. 36
4. 4 As Of icinas Gerais de Mat erial de Engenharia………. 40
CAPÍ TULO I V - SI TUAÇÃO ACTUAL DA LOGÍ STI CA DE AQUI SI ÇÃO……… 43
1. I nt rodução………. 43
2. A Lei de Programação Milit ar……… 43
3. O Conselho de Logíst ica das Forças Armadas……….. 46
CAPÍ TULO V - CONCLUSÕES………. 48
CAPÍ TULO VI - LOGÍ STI CA CONJUNTA - QUE CAMI NHO?……… 57
B - ANTECEDENTES DOS ESTABELECI MENTOS FABRI S DAS
FORÇAS ARMADAS………. 82
C - O PLANEAMENTO DE DEFESA NACI ONAL E A LEI DE
PROGRAMAÇÃO MI LI TAR……….. 94
D - PRI NCI PAI S CARACTERÍ STI CAS DA EMPORDEF……… 101 E - PRI NCI PAI S CARACTERÍ STI CAS DAS I NDÚSTRI AS DE
DEFESA EM PORTUGAL………. 102
F - PARTI CI PAÇÃO PORTUGUESA NA I NVESTI GAÇÃO E
DESENVOLVI MENTO DE DEFESA NO QUADRO DO
WESTERN EUROPEAN ARMAMENT GROUP (WEAG) ………. 103
G - ANÁLI SE DE VENDAS POR CLI ENTES DOS
ESTABELECI MENTOS FABRI S DO EXÉRCI TO……… 108
H - LOGÍ STI CA DE AQUI SI ÇÃO NO REI NO UNI DO - SMART
PROCUREMENT………. 109
I - ESTRUTURA DO "OBJECTI VO DE ARMAMENTO"………. 111
GLOSSÁRI O
I NTRODUÇÃO
O conf lit o do Kosovo, veio demonst r ar , que a União Eur opeia por si só, sem colabor ação da OTAN e dos Est ados Unidos da Amér ica (EUA), não t em capacidade milit ar par a oper ações daquela dimensão. Os EUA, ef ect uar am cer ca de 60% das saídas aér eas, 80% dos at aques aér eos, 90% das missões de Guer r a Elect r ónica, 90% das missões de r econheciment o, dispar ar am 95% das munições "int eligent es" de pr ecisão e 95% dos mísseis de cr uzeir o.
As "lições ext r aídas do Kosovo" per mit ir am ident if icar as capacidades milit ar es dos países eur opeus em que se det ect ar am maior es car ências e vulner abilidades, nomeadament e: inf or mação est r at égica, t r anspor t e est r at égico, Guer r a Elect r ónica e equipament os C31. No ent ant o, t alvez a maior de t odas as lições do Kosovo, t enha sido a necessidade de a Eur opa t er f or ças imediat ament e disponíveis, capazes de ser em empr egues numa sit uação de não ar t .º 5º, mas com r equisit os que per mit am desempenhar missões de ar t .º 5º.
Est a necessidade de t er f or ças milit ar es eur opeias, com capacidade aut ónoma de def esa, vem, desde ent ão, sendo manif est ada nas vár ias pr esidências eur opeias. Cont udo, f oi o t r abalho r ealizado por iniciat iva da Pr esidência Alemã2 que per mit iu dar um passo decisivo no sent ido de dot ar a União Eur opeia de meios e capacidades, consent âneos com o seu r eal desej o de desempenhar um papel mais impor t ant e na cena int er nacional. Par a isso f oi decidido, f oment ar a r eest r ut ur ação das indúst r ias de def esa eur opeias, t r abalhar no sent ido de uma ef ect iva colabor ação indust r ial mais unida e ef icaz e, pr ogr edir na har monização de r equisit os milit ar es e no planeament o e apr ovisionament o em ar mament o.
Dur ant e a pr esidência Finlandesa, no sent ido de se desenvolver em as capacidades eur opeias, os Est ados-Membr os est abelecer am o Obj ect ivo Pr ior it ár io3, que pr econiza a cr iação de condições par a posicionar r apidament e e mant er f or ças capazes de desempenhar t odo o t ipo de missões de Pet er sber g4, def inidas no Tr at ado de Amst er dão.
Apesar de j á t er em sido anunciadas as cont r ibuições nacionais, ser á apenas no Conselho de Nice, que ir ão ser apr esent adas of icialment e pelos Chef es de Est ado e de Gover no, as r espect ivas cont r ibuições.
A Eur opa encont r a-se num moment o de vir agem em t er mos de cooper ação milit ar . Se a Eur opa pr et ende t er uma capacidade de def esa aut ónoma, como j á demonst r ar am publicament e os líder es eur opeus, t er á necessar iament e que invest ir na I nvest igação e Desenvolviment o (I &D) e nas I ndúst r ias de Def esa. Mas de moment o não exist e nenhum Est ado Eur opeu com capacidade par a o f azer sozinho, à semelhança do gigant e nor t e-amer icano, a única super pot ência com capacidade de def esa aut ónoma, que t em nor t eado a sua polít ica de indúst r ias de def esa no sent ido de r acionalizar at r avés de gr andes f usões e aquisições de empr esas, t ambém os Eur opeus t er ão que t r ansf or mar um mer cado eur opeu de def esa f r agment ado pelos vár ios cent r os de decisão nacionais e pr osseguir numa polít ica de f usões.
Face a est a nova r ealidade, que é a cr iação das For ças Milit ar es Eur opeias, est ão colocados novos desaf ios a Por t ugal, às For ças Ar madas (FA) e às I ndúst r ias de Def esa, nest e início do século XXI .
3 Headline Goal
4 Na Declar ação de Pet er sber g de 19 de J unho de 1992 os Est ados-Membr os da UEO colocar am à disposição da UEO unidades
Devemos r ef lect ir sobr e o que é pr eciso par a não f icar mos de f or a nest e pr ocesso. Se não acompanhar mos a evolução agor a, ser á muit o mais dif ícil int egr ar mo-nos mais t ar de, quando t udo est iver r epar t ido e decidido.
Nest e cont ext o é lícit o per gunt ar .
Est ar ão as I ndúst r ias de Def esa à alt ur a dest e desaf io? O que t er á de mudar ? O que ser ão as I ndúst r ias de Def esa no f ut ur o? Dever ão as FA t er Logíst ica de Pr odução? Ser á que algum dos Est abeleciment os Fabr is das For ças Ar madas, se poder á const it uir como um pólo aglut inador , capaz de f or necer os out r os Ramos das For ças Ar madas? Ou ser á que só f az ef ect ivament e sent ido f alar de Logíst ica conj unt a, ao nível da Logíst ica de Aquisições?
São est as quest ões que nos pr opomos t ent ar r esponder nas pr óximas páginas, conscient es de que não esgot ar emos o assunt o, muit o longe disso, mas t ent ando cont r ibuir de uma f or ma modest a, par a a clar if icação de uma mat ér ia, que por var iadas r azões, de uma maneir a ger al, não é muit o discut ida no âmbit o das FA.
Nest a per spect iva, o nosso t r abalho f oi est r ut ur ado por f or ma a inicialment e, no capít ulo I , pr ocur ar mos no supor t e legislat ivo quais as or ient ações exist ent es que possam conduzir à def inição de uma Logíst ica Conj unt a.
Na sequência do t r abalho, no capít ulo I I , abor dar emos out r as r ealidades, no sent ido de per spect ivar como é a logíst ica de alt o nível nout r os países eur opeus.
No capít ulo I I I , ir emos descr ever a sit uação act ual da Logíst ica de Pr odução e no capít ulo I V a sit uação da Logíst ica de Aquisições.
O capít ulo V ser á dedicado às conclusões r esult ant es da análise dos capít ulos I I I e I V. Finalment e, no capít ulo VI , pr ocur ar emos apont ar event uais soluções decor r ent es das conclusões apr esent adas, deixando, quiçá, algumas int er r ogações que às quais não soubemos r esponder .
CAPÍ TULO I
ORI ENTAÇÕES PARA UMA LOGÍ STI CA CONJUNTA DE ALTO
NÍ VEL
1. Da Lei de Def esa Nacional e das Forças Armadas
O document o base enquadr ant e da polít ica de def esa nacional é a Lei n.º 29/ 82, de 11 de Dezembr o - Lei de Def esa Nacional e das For ças Ar madas (LDNFA), que no ar t .º 6º at r ibui caráct er permanent e e global à polít ica de def esa nacional, abr angendo uma component e milit ar e component es não milit ares, e âmbit o minist erial. No ar t .º 8º est abelece que no cont ext o da polít ica de def esa nacional ser á apr ovado pelo Gover no o conceit o est rat égico de def esa nacional.
2. Do Conceit o Est rat égico de Def esa Nacional
O Conceit o Est r at égico de Def esa Nacional est abelece os aspect os f undament ais da est r at égia global adopt ada pelo Est ado par a a consecução dos obj ect ivos da polít ica de def esa nacional. Pelo seu int er esse par a a def inição de uma logíst ica comum, dest aca-se o seguint e:
• "3 - Conceit o de acção est r at égica
b) Or ient ação par as as est r at égias ger ais 2 - No plano polít ico int er no:
c) Ciência e t ecnologia - ref orçar a base cient íf ica e t ecnológica nacional por via do alar gament o da comunidade cient íf ica, do r obust eciment o das unidades de invest igação e do est ímulo da par t icipação das empr esas;
…
Desenvolver as capacidades criadoras e produt ivas nacionais num quadro
de int erdependência económica e f inanceir a int ernacional, por f or ma a r eduzir t ant o quant o possível as f ont es de vulner abilidades em sect or es est r at égicos da economia;
…
f ) I ndúst r ia e ener gia …
Desenvolver acções visando uma maior ligação com ór gãos int er nacionais no âmbit o da OTAN (Or ganização do Tr at ado do At lânt ico Nor t e) e da UEO (União da Eur opa Ocident al), visando o acesso a proj ect os de cooperação em invest igação, desenvolviment o e produção, de int eresse para a
def esa nacional.
…
Prosseguir o processo de reest rut uração das indúst rias de def esa ligadas ao sect or público, como f orma de racionalização e viabilização de uma est rut ura indust rial de reconhecido int eresse est rat égico;
3 - No plano milit ar …
g) Obser var , no âmbit o do r eequipament o, medidas de normalização e operacionalidade ent re os Ramos e com os aliados e gar ant ir a necessár ia capacidade de sust ent ação das f or ças em per íodos de conf lit o pr olongado, incluindo a const it uição das apr opr iadas r eser vas de guer r a;"
3. Do Programa do XI V Governo Const it ucional
É t ambém no pr ogr ama do XI V Gover no Const it ucional, mais pr ecisament e nas medidas de acção gover nat iva no que concer ne à Def esa Nacional, que encont r amos mais uma "linha or ient ador a" par a a def inição de uma logíst ica conj unt a (Alt o Nível), nomeadament e:
• "Desenvolviment o de um sist ema de produção e aquisição de mat erial e
equipament os cent ralizado de modo a gar ant ir não apenas o obj ect ivo de coordenação e acção conj unt a, mas t ambém uma redução de cust os";
• "Pr osseguiment o do pr ocesso de reest rut uração das indúst rias de def esa,
at r avés da r acionalização da est r ut ur a empr esar ial vocacionada par a o sect or e da pr ocur a de par cer ias est r at égicas que per mit am a Por t ugal par t icipar no pr of undo pr ocesso de r ef or mulação das indúst r ias de def esa ";
• "Melhor ia do modelo def inido no sent ido do ent rosament o ent re iniciat iva
pública e a privada valor izando os pr odut os de duplo uso (civil/ milit ar ) e as par cer ias (designadament e no cont ext o da negociação de cont r apar t idas de aquisições de equipament os) que nos per mit am explor ar nichos de mer cado aos quais possamos t r azer valor acr escent ado t ant o no plano t ecnológico como no plano da I nvest igação e Desenvolviment o".
4. Da Resolução do Conselho de Minist ros n. º 180/ 96 de 10 de Out ubro sobre a
Reest rut uração das I ndúst rias de Def esa
"No plano empr esar ial, o esf or ço f inanceir o elevado, a diver sidade e complexidade dos pr oblemas exist ent es e a pr of undidade das acções necessár ias implicam a exist ência de um cent r o de decisão único, act uando segundo pr incípios de r igor osa gest ão empr esar ial . Est e obj ect ivo deve ser prosseguido at ravés da criação de uma sociedade "holding", com est at ut o de SGPS5,…, que será o cent ro de implement ação das decisões est rat égicas relat ivas à indúst ria de def esa…"
"Est e modelo de gest ão dever á complet ar -se com a cr iação de uma est r ut ur a que per mit a o diálogo e har monização ent re os int eresses ligados às necessidades de def esa nacional, os const rangiment os impost os pela polít ica orçament al do Governo
e as exigências da "racionalidade empresarial" e em que deverão est ar
represent ados os dif erent es sect ores da Administ ração Pública ligados aos pr oblemas do sect or e as Forças Armadas. "
"Par t e impor t ant e da capacidade nacional nest e sect or encont r a-se ainda inser ida na est r ut ur a das For ças Ar madas, const it uindo os Est abeleciment os Fabr is das For ças Ar madas (EFFA).
Também r elat ivament e a eles…se impõe a concr et ização das act uações indicadas no Pr ogr ama do Gover no, visando avaliar a sua j ust if icação, viabilidade, est at ut o j urídico e modelo de gest ão. Assim dever á ser cr iada uma comissão…a Comissão de Reor ganização das Act ividades I ndust r iais de Def esa (CRACI D)…"
"2 - Como or ient ação par a os t r abalhos da CRACI D relat ivament e aos EFFA est abelecem- se as seguint es linhas de acção:
a) A f unção arsenal dever á cont inuar , em pr incípio, a ser pr osseguida no âmbit o das FA
b) Out r as act ividades com nat ur eza de apoio logíst ico apenas dever ão mant er -se no caso de não haver respost a alt ernat iva na iniciat iva privada.
c) As act ividades de apoio social dever ão ser enquadradas pelos or ganismos vocacionados par a t al, designadament e o I nst it ut o de Acção Social das Forças Armadas.
d) As act ividades de nat ureza comercial e indust rial não abrangidas nas alíneas a) e b) devem ser pr osseguidas sob uma nat ur eza j ur ídica que coloque t ais ent idades f ora do âmbit o inst it ucional das FA."
"4 - A r eest r ut ur ação das act ividades ligadas à def esa nacional dever á obedecer às seguint es or ient ações:
a) Concent r ação pr ogr essiva das act ividades e r ecur sos r edundant es em empr esas específ icas e cr iação de oper ador es especializados nas ár eas de negócios com viabilidade, visando o aument o da pr odut ividade par a níveis compet it ivos.
b) Cr iação de empr esas par a desenvolver as act ividades que apr esent am viabilidade e capacidade par a compet ir no mer cado.
c) Selecção de par ceir os est r at égicos e def inição dos modelos adequados de t r ansf er ência de t ecnologia.
d) I nt er nacionalização. (Resolução do Conselho de Minist r os n.º 61/ 97 de 13 de Mar ço)
e) Ut ilização do or çament o de aquisições das FA par a assegur ar uma base de act ividade est ável a médio prazo, incluindo a cont r at ualização da manut enção das capacidades est r at égicas.
5. Das Grandes Opções do Plano Nacional para 2001
……
"I V. GRANDES OPÇÕES DO PLANO PARA 2001 E PRI NCI PAI S LI NHAS DE ACÇÃO GOVERNATI VA
1ª Opção - Af ir mar a ident idade nacional no cont ext o eur opeu e mundial ……
Def esa Nacional
Medidas Or ganizacionais no âmbit o da Def esa Nacional
Prossecução da Modernização da I ndúst ria da Def esa no quadro do
desenvolviment o da I ndúst ria Europeia de Def esa."
"PRI NCI PAI S I NVESTI MENTOS EM 2001
Os invest iment os pr evist os par a o ano 2001 decor r em dos pr ogr amas incluídos na pr opost a de PI DDAC e da dot ação da Lei de Pr ogr amação Milit ar par a o pr óximo ano."
6. Do Despacho Conj unt o n. º 341/ 99, de 8 de Abril (Comissão Permanent e de
Cont rapart idas)
"O quadr o em que se pr ocessa o r eequipament o e a moder nização das For ças Ar madas t eve subst anciais alt er ações nos últ imos anos…
Acr esce que a nova Lei de Pr ogr amação Milit ar abr e novas pot encialidades no campo das cont r apar t idas…"
"Const at a-se assim a crescent e int erdependência ent re as indúst rias relacionadas com a def esa, a act ividade indust rial no seu conj unt o e as
indúst r ia por t uguesa e r ef or ce a dinâmica de int egr ação das indúst r ias r elacionadas com a def esa na cadeia de valor acr escent ado eur opeia."
7. Da "Modernização das Forças Armadas - FA 2010"
Mas não é apenas ao nível gover nament al que encont r amos r ef er ências a est a mat ér ia.
Ao nível do Est ado-Maior Gener al das For ças Ar madas (EMGFA), no document o "Moder nização das For ças Ar madas FA 2010", o ex Gener al Chef e do Est adoMaior -Gener al das For ças Ar madas (CEMGFA) r ef er e como obj ect ivos de moder nização "melhor ar as component es oper acional e t er r it or ial do sist ema de f or ças nacional, nos seus sist emas e capacidade, por f or ma a sat isf azer em as missões at r ibuídas, r eduzindo pr ogr essivament e as suas vulner abilidades, melhor ando o ciclo de vida dos seus equipament os pr incipais ou pr ocedendo à sua subst it uição".
As acções a desenvolver par a at ingir est e desider at o, segundo o Gener al Espír it o Sant o passam pela I ndúst ria Nacional, no sent ido de est a sat isf azer as necessidades de r eequipament o das For ças Ar madas.
8. Sínt ese Conclusiva
As or ient ações par a uma logíst ica de pr odução, não exist em mat er ializadas num document o único, lacuna que em nosso ent ender dever ia ser r esolvida. Dever ia ser elabor ado um document o único com as or ient ações par a uma logíst ica de pr odução numa per spect iva de longo pr azo.
est e pr ocesso a pr esença da I ndúst r ia Nacional, nomeadament e no pr ocesso de r eequipament o milit ar , que deve obser var medidas de nor malização e int er oper abilidade ent r e os Ramos das For ças Ar madas e os nossos aliados.
CAPÍ TULO I I
A LOGÍ STI CA DE ALTO NÍ VEL NOUTROS PAÍ SES
1. A I ndúst ria de Def esa Europeia
Após a queda do mur o de Ber lim e com o f im da Guer r a Fr ia, a gr ande maior ia dos gover nos ocident ais, por pr essão da opinião pública, f or am obr igados a r eduzir os or çament os de def esa, t r ansf er indo ver bas par a out r os sect or es pr ior it ár ios t ais como a saúde, o invest iment o público ou a educação.
Como em qualquer out r a act ividade económica, quando a pr ocur a decr esce, há que pr oceder a r eest r ut ur ações, par a f azer f ace a novos desaf ios.
Os EUA f or am os pr imeir os a aper ceber em-se dest a nova r ealidade e, em 1993 implement ar am um plano est r at égico, que t inha por obj ect ivo incent ivar a r acionalização e a consolidação da indúst r ia de def esa, at r avés de mecanismos de f usão e aquisições de empr esas. Simult aneament e pr ocur ar am novas opor t unidades de negócio na Eur opa, Ásia e Médio Or ient e, t endo par a o ef eit o r emovido algumas das r est r ições ant er ior ment e impost as a det er minados países.
Nest e cont ext o, a Eur opa não podia cont inuar com o seu mer cado eur opeu, f r agment ado e dividido. A palavr a de or dem passou a ser , r eest r ut ur ar .
Podemos assim af ir mar , que a r est r ut ur ação da I ndúst r ia de Def esa eur opeia f oi impulsionada pela r edução dos or çament os de def esa e pela necessidade de concor r ência com a indúst r ia nor t e-amer icana.
gover nos a acompanhar e a or ganizar a pr ocur a e a cr iar mecanismos inst it ucionais de apoio (Agência Eur opeia de Ar mament o, Mer cado Eur opeu de Equipament os de Def esa, Fundo Comum par a I &D, Pr ogr amas Conj unt os)"6.
Mas se são os gr andes países eur opeus a t omar a iniciat iva, qual é o papel r eser vado par a os pequenos países, como Por t ugal, no que r espeit a às suas empr esas ligadas à def esa?
Ser á que cor r emos o r isco de ser mos obr igados a encer r ar a nossa indúst r ia ligada à def esa e, compr ar mat er ial eur opeu sem uma compensação de par t e do r et or no do invest iment o ef ect uado?
A r espost a a est as quest ões t em de ser a nível do Est ado e, em nossa opinião, em t er mos mer ament e concept uais, como vimos no capít ulo ant er ior , exist e uma polít ica global. Ver emos no capít ulo seguint e se a pr át ica acompanha a t eor ia.
2. A I ndúst ria de Def esa da França
A Fr ança ao invés dos EUA e do Reino Unido e da Alemanha, não t em most r ado gr ande apet ência par a r eest r ut ur ar ou pr ivat izar a sua indúst r ia de def esa.
A indúst r ia f r ancesa per t ence em gr ande maior ia ao Est ado e r ecebe gr andes subsídios est at ais par a se mant er r ent ável. A indúst r ia de def esa é par t e int egr ant e da sua est r at égia nacional, mer ecendo por isso um apoio incondicional em t er mos f inanceir os, mesmo que par a isso t enha que compr ar equipament o par a as suas For ças Ar madas, não t ão evoluído como ser ia desej ável.
A maior empr esa f r ancesa do sect or aer oespacial é a empr esa Aer ospat iale,
membr o líder do consór cio Air bus, de onde pr ovém a maior par t e das suas r eceit as. Em 1996 f oi anunciada a f usão ent r e a Aer ospat iale e a Dassault (pr ivada) e em 1998 o gover no f r ancês pr ivat izou a Aer ospat iale, com r eceio de que a empr esa não int egr asse
os gr upos económicos que se est avam a f or mar , na Eur opa, na ár ea da def esa aer oespacial.
Também em 1996 f oi anunciada a pr ivat ização do gr upo Thompson, S.A., cuj a or ient ação pr incipal é a elect r ónica.
Também f azendo par t e das indúst r ias de def esa, encont r am-se a Mat r a
(pr odut or a de mísseis e especialist a em comunicações por sat élit e, a Giat, na ár ea da const r ução e manut enção de veículos blindados, a SNECMA, na ár ea das cent r ais eléct r icas e a Dir ect ion de Const r ut ions Navales (DCN) na ár ea da const r ução de navios de guer r a.
3. A I ndúst ria de Def esa no Reino Unido
No Reino Unido a indúst r ia de def esa r epr esent a uma par cela signif icat iva da economia, cont r ibuindo par a os r esult ados económicos, I &D e expor t ações, na medida em que empr ega cer ca de 400 000 t r abalhador es e r ende ao país cer ca de 5 biliões de libr as em expor t ação de mat er ial de def esa por ano7.
Do pont o de vist a das aut or idades do Reino Unido as indúst r ias de def esa são vit ais par a a aquisição de equipament o milit ar par as FA a pr eços compet it ivos.
Dur ant e a pr esidência da Sr a. Mar gar et Tat cher , f or am pr ivat izadas a maior par t e das indúst r ias de def esa, t endo sido int r oduzido o conceit o da separ ação ent r e f or necedor e compr ador , passando a ser cr it ér io de aquisição, o melhor f uncionament o do equipament o.
Desde 1990, muit as empr esas desapar ecer am, passando o sect or da def esa a f icar dominado por duas gr andes empr esas, a GEC (Gener al Elect r ic Company) e a BAe
(Br it ish Aer ospace). Est as duas empr esas r epr esent am cer ca de 70% do volume de vendas de mat er ial de def esa do Reino Unido.
A GEC t em como or ient ação pr incipal, as t elecomunicações, elect r ónica de def esa e engenhar ia de pot ência. Nos últ imos anos t em expandido a sua act ividade par a a ár ea dos navios de guer r a e submar inos.
A BAe t em duas act ividades pr incipais, a aer oespacial de def esa e a civil. É consider ada a maior empr esa da Eur opa na ár ea da def esa e a quar t a maior do mundo. Na sua component e de def esa, as suas act ividades est ão cent r adas nos aviões milit ar es, ar mas guiadas, sist emas de ar t ilhar ia, navais e de manut enção.
Relat ivament e às FA, o Reino Unido, por iniciat iva do Secr et ar y of St at e f or Def ence , Geor ge Rober t son (act ual Secr et ár io-Ger al da OTAN), iniciou em 1998 um
pr of undo est udo sobr e a moder nização e r est r ut ur ação das FA, t endo em vist a os desaf ios do século XXI . O f oco dest e est udo incidiu, sobr et udo, na necessidade de maior coor denação das act ividades dos t r ês Ramos de modo a evit ar duplicações e desper dícios de ver bas. O cor olár io dest a apr oximação ent r e os Ramos r esult ou na cr iação das J oint Rapid React ion For ces, que ser ão o par adigma das FA do Reino Unido par a o século XXI .
No âmbit o do nosso t r abalho mer ece uma especial r ef er ência o modo como as aut or idades com r esponsabilidades na def esa encar am a logíst ica conj unt a. Na incessant e pr ocur a de uma maior ef icácia dos r ecur sos post os à disposição das FA pelos cont r ibuint es, cr iar am o Chief of Def ence Logist ics, ent idade que ser á r esponsável por t oda a logíst ica das FA.
Out r a alt er ação signif icat iva pr ende-se com a ut ilização de moder nas t écnicas de gest ão comer cial aplicadas à obt enção de equipament o de def esa, que com a colabor ação da empr esa McKinsey r esult ou num novo pr ocesso de aquisição, denominado Smar t Pr ocur ement8.
4. Sínt ese conclusiva
As t endências act uais sobr e a r acionalização das indúst r ias de def esa apont am no sent ido da cr iação de um mer cado único de def esa eur opeu, suf icient ement e compet it ivo par a f azer f ace ao domínio nor t e-amer icano.
Est e mer cado único eur opeu t er á que ser f eit o, à semelhança do pr ocesso de r eest r ut ur ação da indúst r ias de def esa nor t e-amer icanas, at r avés de f usões de empr esas e de r ealização de par cer ias.
O est abeleciment o de "j oint vent ur es", de f usões e de alianças per mit ir á que se cr iem mecanismos de int er dependências ao nível das empr esas, seguindo-se as int er dependências ent r e os gover nos e os países.
A Alemanha e o Reino Unido, dois países com uma f or t e indúst r ia de def esa, par ecem t omar a lider ança dest e pr ocesso, sobr et udo no sect or aer oespacial da def esa.
CAPÍ TULO I I I
SI TUAÇÃO ACTUAL DA LOGÍ STI CA DE PRODUÇÃO
1. I nt rodução
Segundo o Tenent e-Gener al Cabr al Cout o é ao nível das est r at égias ger ais que se sit ua a char neir a ent r e a concepção e a execução, ou segundo as suas palavr as "…ent r e aquilo que se quer ou deve f azer e aquilo que as condições t écnicas e as possibilidade mat er iais per mit em f azer ."9.
Ainda segundo o mesmo aut or , pode-se dist inguir na Est r at égia "…os aspect os oper acionais…., os aspect os genét icos (relacionados com a geração e criação de novos meios) e os aspect os est r ut ur ais……"10. Est a est r at égia genét ica, t ambém chamada de logíst ica, t em como obj ect ivo, a invenção, const r ução ou obt enção de novos meios e, vai ser vir de base à logíst ica de pr odução ou de gr andes aquisições. Assim, a logíst ica de pr odução pr essupõe a exist ência de uma base indust r ial r elacionada com a def esa nacional, ou sej a, indúst r ias de def esa ou ligadas à def esa.
Mas o que são indúst r ias de def esa?. Segundo o Tenent e-Gener al Cr avo da Silva «…indúst r ia de def esa é t oda aquela, que pr oduz ar t igos obedecendo a especif icações f ixadas pelas For ças Ar madas»11. O cidadão comum, nor malment e, associa as indúst r ias de def esa à pr odução de ar mas, ou sist emas de ar mas sof ist icados e complexos como aviões, navios de guer r a, bocas de f ogo, et c. Na opinião dest e aut or , t al ideia é r edut or a do conceit o de indúst r ias de def esa. Act ividades vár ias, desde o f abr ico de f ar dament o milit ar at é ao f abr ico de pão, segundo especif icações que podem ir desde
9Tenent e-Gener al Cabr al Cout o, Element os de Est r at égia, pag. 230. 10I dem, I bidem
a composição at é à f or ma, dever ão t ambém ser consider adas indúst r ias de def esa ou ligadas à def esa.
Est a ideia é de cer t o modo cor r obor ada pelo Cor onel Themudo Bar at a, que sust ent a que uma indúst r ia pode adj ect ivar -se de milit ar por duas r azões dist int as12:por per t encer à est r ut ur a das For ças Ar madas, ou pelo t ipo de mat er ial f abr icado, independent ement e do seu pr opr iet ár io.
Em nossa opinião t er á que haver um equilíbr io ent r e est as duas sit uações, e est amos de acor do com a af ir mação do cor onel Themudo Bar at a de que "…a not a car act er íst ica dever á ser , obviament e, o int er esse par t icular e r elevant e que t ais act ividades r epr esent em par a o bom f uncionament o da est r ut ur a milit ar ou, em t er mos mais ger ais, par a a def esa do país".
Est a ideia t r aduz, em nossa opinião, o conceit o mais lat o e act ual de "indúst r ia ligada à def esa", car act er izada por f abr icar pr odut os vir ados par a as necessidades de def esa, int egr ados nout r o t ipo de pr odut os, ao invés de indúst r ias de def esa, uma vez que j á não exist em empr esas a t r abalhar exclusivament e par a as For ças Ar madas (except uando os Est abeleciment os Fabr is das For ças Ar madas, como ver emos de seguida).
Vej amos ent ão quais as empr esas por t uguesas que desenvolvem as suas act ividades na ár ea da def esa.
2. A EMPORDEF
A EMPORDEF - Empresa Port uguesa de Def esa (SGPS), S. A., cr iada em Dezembr o de 1996, iniciou a sua act ividade em Mar ço de 1997. A cr iação dest a empr esa "r esult ou da necessidade de r elançar e apr of undar o pr ocesso de
r eest r ut ur ação das indúst r ias de def esa nacionais"13. Par a a cr iação da EMPORDEF, cont r ibuiu o f act o do conj unt o das empr esas de def esa, à dat a, OGMA e Gr upo I NDEP, apr esent ar em, em 1995, pr ej uízos super ior es a 4,1 milhões de cont os.
Sem capacidade de obt er f inanciament o no mer cado, a sua sobr evivência er a assegur ada, pelo r ecur so sist emát ico ao Or çament o do Est ado.
Tr at a-se de uma sociedade anónima de capit ais exclusivament e públicos14, cuj o obj ect o social é a gest ão de par t icipações sociais det idas pelo Est ado em sociedades ligadas, dir ect a ou indir ect ament e, às act ividades de def esa.
A act uação est r at égica da EMPORDEF, def inida pelo Gover no15 é a seguint e:
•
Colabor ação ent r e o sect or público e o sect or pr ivado;•
Act ividade de duplo uso, vir ada simult aneament e par a os sect or es civil e milit ar ;•
Pr eocupação cent r al com o mer cado, nomeadament e no âmbit o int er nacional;•
Cont r ibuição par a o desenvolviment o, a inovação t ecnológica e a moder nização dos mét odos de gest ão empr esar ial.As empr esa do gr upo são as OGMA, I NDEP, I DD e SPEL., t endo como empr esas associadas a EI D, EDI SOFT, NAVAL-ROCHA e SUBLOC.
As empr esas mais signif icat ivas são as OGMA, I NDEP, EI D e EDI SOFT.
O Anexo D apr esent a as pr incipais car act er íst icas da EMPORDEF e das suas empr esas par t icipadas.
O r esult ado líquido em 1999 apr esent ou um pr ej uízo de cer ca 700 mil cont os, sendo no ent ant o, subst ancialment e inf er ior aos pr ej uízos de 1997 e 1998, com 1345 e 3935 milhar es de cont os, r espect ivament e. Par a est e r esult ado cont r ibuír am os r esult ados líquidos posit ivos alcançados pelas OGMA (684 mil cont os) e pela EI D (110
13 EMPORDEF - Relat ór io e Cont as/ 1999.
14 O Est ado Por t uguês det ém, at r avés da Dir ecção Ger al do Tesour o, 99%. Os r est ant es 1% do capit al social são det idos pelo I PE
- I nvest iment os e Par t icipações Empr esar iais, S.A., nos t er mos do cont r at o de compr a e venda celebr ado ent r e a EMPORDEF e o Est ado Por t uguês, em 31 de J ulho de 1997.
mil cont os), e o r esult ado igualment e posit ivo da EDI SOFT, como t em vindo a ser habit ual desde 1996.
As OGMA - I ndúst ria Aeronáut ica de Port ugal, S. A.16, t êm como act ividade pr incipal a ár ea da manut enção aer onáut ica, designadament e na ár ea das f uselagens, mot or es, sist emas elect r ónicos e mecânicos. O volume da act ividade global at ingiu em 1999 os 19 milhões de cont os e f oi or ient ado sobr et udo par a mer cados mais exigent es e compet it ivos. A nível ext er no, a Eur opa cont inua a r epr esent ar mais de 50% do mer cado, apar ecendo o mer cado amer icano em segundo lugar , com mais de um t er ço do volume de negócios. A nível int er no a pr est ação de ser viços à For ça Aér ea Por t uguesa, às oper ador as r egionais e o desenvolviment o de par cer ias com a TAP Air Por t ugal, const it ui a sua pr incipal act ividade. Acompanhando as t endências das est r at égias eur opeias do sect or , que apont am no sent ido da ut ilização de t ecnologia aer onáut ica pelas ár eas civil e milit ar e na cooper ação ent r e inst it uições de invest igação, as OGMA par t icipam em vár ios pr oj ect os que cont am com a int er venção de diver sos membr os do West er n Eur opean Ar mament s Gr oup (WEAG)17.
A I NDEP - I ndúst rias e Part icipações de Def esa, S. A.18, f abr ica essencialment e munições par a ar mas ligeir as. De acor do com a EMPORDEF f oi decidido desinvest ir na pr odução de munições de ar t ilhar ia e de mor t eir o, em vir t ude de a pr ocur a a nível mundial t er sof r ido uma f or t íssima r edução. O volume de vendas em 1999 ascendeu a 1,58 milhões de cont os, e o r esult ado liquido apur ado cif r ou-se num pr ej uízo de 1 100 mil cont os, sendo no ent ant o est e valor f or t ement e inf luenciado pelo mont ant e das r escisões labor ais (cer ca de 500 mil cont os). A I NDEP encont r a-se numa f ase de moder nização indust r ial, por f or ma a aument ar a capacidade de r espost a em
16 Decr et o-Lei n.º42/ 94, de 14 de Fever eir o de 1994.
17 ANEXO F - PARTI CI PAÇÃO PORTUGUESA NA I NVESTI GAÇÃO E DESENVOLVI MENTO DE DEFESA NO QUADRO DO
WESTERN EUROPEAN ARMAMENT GROUP (WEAG).
quant idade, qualidade e pr azo. Relat ivament e à pr odução de ar mas, exist e a expect at iva de um plano de r ear mament o par a as For ças Ar madas e For ças Milit ar izadas19. Exist e igualment e a hipót ese de penet r ação nos mer cados das munições par a ar mas de caça e despor t o. À semelhança das OGMA, par t icipa em vár ios pr oj ect os do âmbit o do WEAG20.
A EI D - Empresa de I nvest igação e Desenvolviment o de Elect rónica, S. A., dedica-se ao est udo, invest igação, pr odução e comer cialização de equipament os e sist emas de ar mas nas ár eas das comunicações e inf or mações, r ádio, pr ocessament o de imagem, t elegest ão e cont r olo indust r ial e, aut omação e cont r olo. Est a empr esa desenvolveu e f abr icou vár ios equipament os par a o Exér cit o, o Sist ema I nt egr ado de Comunicações (SI CC) par a as f r agat as, o sist ema SI NCOMAR par a a Mar inha, o SI COM par a as FA, ent r e out r os pr oj ect os igualment e impor t ant es. O desenvolviment o do novo r ádio milit ar , em par cer ia com a ROHDE&SCHWARZ, aliment a expect at ivas r elat ivament e ao seu f ut ur o a nível do mer cado int er nacional. O ano de 1999 cor r espondeu à maior f act ur ação de sempr e, apr esent ando um r esult ado líquido de 10 mil cont os. Par t icipa t ambém em pr oj ect os do âmbit o do WEAG21.
A EDI SOFT - Empresa de Serviços e Desenvolviment o de Sof t ware, S. A., f oi cr iada ao abr igo das cont r apar t idas of er ecidas pela SI GNNAL a pr opósit o do f or neciment o dos sist emas par a as f r agat as da classe Vasco da Gama. A sua act ividade pr incipal desenvolve-se sobr et udo na ár eas de Sist emas de Def esa e de Sist emas de Tr anspor t e. A explor ação da ár ea de Sist emas Empr esar iais e Or ganizacionais começa agor a a f azer -se com alguma r egular idade. No ano de 1999, o volume de negócios ult r apassou 460 mil cont os, apr esent ando um r esult ado líquido de 58 mil cont os.
19 Decor r em est udos, ao nível do MDN, MAI , Ramos e GNR, sobr e a aquisição conj unt a de ar mament o par a os Ramos das FA e
For ças Milit ar izadas.
20 ANEXO F - PARTI CI PAÇÃO PORTUGUESA NA I NVESTI GAÇÃO E DESENVOLVI MENTO DE DEFESA NO QUADRO DO
WESTERN EUROPEAN ARMAMENT GROUP (WEAG).
A I DD - I ndúst rias e Part icipações de Def esa, S. A., t eve um nível de act ividade bast ant e r eduzido em 1999, em vir t ude de não t er sido possível iniciar a act ividade de desmilit ar ização das munições obsolet as e em f im de vida das FA. Est e f act o f icou a dever -se, por um lado ao at r aso no pr ocesso de legalização da act ividade indust r ial no âmbit o do Decr et o-Lei n.º369/ 98 e, por out r o lado ao at r aso na assinat ur a do cont r at o de aquisição de equipament o de dest r uição de munições. Assim a act ividade em 1999, r esumiu-se ao pr ocesso de aquisição do equipament o de dest r uição de munições, t r ansf er ência, aquisição e inst alação do equipament o par a descar r egament o de munições. Est a empr esa pr evê est abelecer cont r at os com o Minist ér io da Def esa Nacional com vist a ao apoio, ao invest iment o pr evist o, na LPM 1998-2003 e o ar r anque da adj udicação de t r abalhos de desmilit ar ização por par t e do MDN/ DGAED.
A SPEL - Sociedade Port uguesa de Explosivos S. A., em 1999, cent r ou a sua act ividade na pr odução e venda de explosivos par a uso civil e no pr oj ect o, em cur so, de t r ansf er ência par a Alcochet e. O r esult ado negat ivo de 555 mil cont os t eve como or igem a queda da act ividade de obr as públicas, a descida dos pr eços nos mer cados, os aj ust ament os r esult ant es da eliminação da ár ea da def esa e os encar gos com indemnizações com a r edução de post os de t r abalho.
A NAVAL- ROCHA - Sociedade de Const rução e Reparações Navais, S. A., f oi cr iada em Out ubr o de 1999, ent r e a EMPORDEF, o Gr upo SOCARMAR, a LI SNAVE e os Est aleir os Navais de Viana do Cast elo, com vist a à explor ação das inf r a-est r ut ur as e de algum equipament o que int egr avam a ant er ior concessão à LI SNAVE, at r avés de um cont r at o de concessão com a Administ r ação do Por t o de Lisboa.
empr esa f oi pr ecedida da alt er ação à lei n.º 64/ 98 (lei quadr o das leis de pr ogr amação milit ar ) por f or ma a t or nar possível a locação de mat er ial de def esa.
3. O ARSENAL DO ALFEI TE
O Ar senal do Alf eit e (AA) é um est abeleciment o f abr il, embor a r egulado por legislação pr ópr ia, na dir ect a dependência do Super int endent e dos Ser viços de Mat er ial.
A sua cuj a concepção apont ou mais par a uma per spect iva de const r ução do que r epar ação naval. A pr ópr ia legislação que est abeleceu a sua cr iação indicava como pr imeir o obj ect ivo o pr oj ect o e const r ução de navios e só depois a r epar ação.
Act ualment e a act ividade desenvolvida nos últ imos anos t em incidido pr incipalment e na ár ea da manut enção pr event iva e nas acções de manut enção cor r ect iva, ao abr igo do cont r at o de pr est ação de ser viços e de f or neciment o de mat er iais de est aleir o ent r e o AA e a Dir ecção de Navios.
Em 1997 o AA cont ava com 2097 t r abalhador es civis e 130 milit ar es.
As vendas em 1997 at ingir am cer ca de 5,8 milhões de cont os, t endo-se r egist ado um decr éscimo de 454 mil cont os em r elação ao ano de 1996. Apr esent ou um r esult ado líquido negat ivo de cer ca de 357 mil cont os.
O volume de vendas á Mar inha, seu pr incipal client e, r epr esent ou cer ca de 99% da f act ur ação t ot al.
4. OS ESTABELECI MENTOS FABRI S DO EXÉRCI TO
Of icinas Ger ais de Far dament o e Equipament o (OGFE), o Labor at ór io Milit ar de Pr odut os Químicos e Far macêut icos (LMPQF) e as Of icinas Ger ais de Mat er ial de Engenhar ia (OGME).
4. 1 A Manut enção Milit ar
À MM compet e:
•
Apoiar pr ior it ar iament e e em per manência o Exér cit o, at r avés de act ividades f abr is e de apoio logíst ico nas classes de víver es, combust íveis e lubr if icant es, ar t igos de cant ina, expedient e e impr essos;•
Apoiar em segunda pr ior idade os r est ant es Ramos das For ças Ar madas, as For ças de Segur ança e o Ser viço Nacional de Pr ot ecção Civil;•
Apoiar as act ividades de pesquisa e inst r ução no âmbit o do Ser viço de I nt endência;•
Assegur ar a manut enção e f uncionament o das Messes Milit ar es do Exér cit o;•
Apr oveit ar a capacidade sobr ant e par a apoio a or ganismos não milit ar es e par a expor t ação com pr ior idade aos novos países de expr essão of icial por t uguesa;•
Const it uir r eser vas de mat ér ias pr imas e víver es que gar ant am a labor ação e apoio logíst ico.A act ividade da MM desenvolve-se em duas ár eas f undament ais. A ár ea de Depósit o Ger al de Víver es e Combust íveis e de Depósit o Ger al de Mat ér ias Pr imas (Víver es) e a ár ea de apoio pr est ado at r avés dos ser viços de Messes às FA e à Família Milit ar . A MM é o único ór gão do Exér cit o e das FA, capaz de desempenhar est a dupla f unção.
elabor ados pelos Ser viços Comer ciais. O equipament o f abr il t em muit os anos de uso, pelo que exige gr andes cuidados de conser vação e encont r a-se t ecnologicament e desact ualizado.
A act ividade pr odut iva no ano de 1999 não r egist ou um aument o signif icat ivo, f ace aos valor es r egist ados no ano de 1998, cif r ando-se em 10 519 t oneladas cont r a as 10 263 t oneladas pr oduzidas em 1998.
O volume de vendas do ano de 1999 cif r ou-se em 8 955 mil cont os, r evelando-se um aument o de cer ca de 2,2% compar ado com o mont ant e at ingido no ano ant er ior . Da análise de vendas por gr andes client es, ver if icamos que o Exér cit o r epr esent a a maior par cela do volume de vendas da MM, com cer ca de 75%. A per cent agem de vendas aos out r os Ramos das FA é pr at icament e nula, cor r espondendo apenas a 18 mil cont os.
Segundo o Dir ect or da MM, Cor onel J aime Neves, par a est a sit uação concor r em diver sos f act or es. Por um lado, os pr eços pr at icados pela MM, que r ef lect em t oda uma est r ut ur a dimensionada par a uma r ealidade bem dist int a da act ual, de que é par adigma o complexo de Fr io do Car r egado, dos encar gos de pr ot ecção e acção social (assist ência na doença) decor r ent es da inexist ência de um est at ut o dos t r abalhador es dos est abeleciment os f abr is e ainda dos cust os associados à dist r ibuição, que são ext r emament e elevados22.
Por out r o lado, os out r os Ramos das FA, apesar de não dispor em de ór gãos com est as car act er íst icas, manif est am pouca apet ência par a aquisição de pr odut os à MM em vir t ude do seu ef ect ivo ser manif est ament e inf er ior ao do Exér cit o e, com uma implant ação t er r it or ial r eduzida e localizada, per mit indo uma maior diver sidade na aquisição.
Por últ imo, mas não menos impor t ant e, o peso f inanceir o com as Messes. Com ef eit o o esf or ço f inanceir o ef ect uado com as messes milit ar es é cada vez maior , não sendo acompanhado por uma act ualização dos pr eços pr at icados.
De acor do com o Relat ór io e Cont as de 1999, a aut onomia f inanceir a da MM apont a par a uma ligeir a melhor ia, sendo no ent ant o consider ado f undament al, pela Dir ecção da MM, par a o saneament o f inanceir o, a alienação do complexo de Fr io do Car r egado que, como at r ás f oi r ef er ido, encont r a-se sobr edimensionado par a as act uais necessidades da MM.
4. 2 As Of icinas Gerais de Fardament o e Equipament o
Act ualment e às OGFE compet e, em especial o seguint e:
•
Or ganizar -se par a pr est ar apoio logíst ico ao Exér cit o (classes I I e VI I ), t endo em cont a a missão dest e e, par t icular ment e, sat isf azer as necessidades ainda não pr eenchidas r esult ant es da sua moder nização;•
Pr est ar o apoio logíst ico, event ualment e, a out r os Ramos das For ças Ar madas, às For ças de Segur ança, ao Ser viço Nacional de Pr ot ecção Civil, a out r as ent idades, aos PALOP e a For ças Nacionais em t er r it ór io est r angeir o;•
Pr omover as acções convenient es par a a ocupação da capacidade de pr odução excedent ár ia, t endo em vist a mant er a sua labor ação em bases económicas;•
Const it uir r eser vas de mat ér ias pr imas que lhes gar ant am uma labor ação de, no mínimo, dois meses, em sit uação de campanha;•
Apoiar os Ser viços de I nt endência e de Mat er ial no desenvolviment o de acções de pesquisa e est udo e em act ividades logíst icas e de inst r ução;•
For necer aos milit ar es ar t igos de unif or me e de ut ilidade par t icular , pr oduzidos ou não nas suas f ábr icas.O enquadr ament o do pessoal das OGFE é f eit o por milit ar es, cuj o ef ect ivo em 31 de Dezembr o de 1999 er a de 10 of iciais e 2 sar gent os, exist indo um "déf icit " de 11 element os f ace ao Quadr o Or gânico de Pessoal Milit ar das OGFE apr ovado pelo Decr et o-Lei n.º 49 188 de 13 de Agost o de 1969, o que segundo o seu Dir ect or , Cor onel Machado J oaquim, j unt ament e com a r ot at ividade do pessoal, poder á t r azer consequências na ef iciência da gest ão das OGFE.
Não se t êm ver if icado quaisquer admissões de pessoal civil, t endo apenas sido r egular izado a sit uação de empr egados que passar am de Cont r at o Tr abalho a Ter mo Cer t o (CTTC) a Cont r at o Sem Ter mo (CST), por decisão do Tr ibunal do Tr abalho de Lisboa. As OGFE cont am com 509 t r abalhador es, cor r espondendo a um quadr o de ef ect ivo médio anual de 515, dos quais 49% com idade super ior a 40 anos e 67% do sexo f eminino.
A act ividade indust r ial das OGFE r epar t e-se sobr et udo pelas f ábr icas/ of icinas de: Conf ecções, Equipament os, Met alomecânica, Calçado, Alf aiat ar ia e Obr as de Const r ução Civil. O planeament o na ár ea indust r ial cont inua a ser af ect ado, f undament alment e pela inexist ência de dados est at íst icos e pelos planos de "Cooper ação" que obr igam a alt er ações const ant es à planif icação est abelecida, t or nando ext r emament e dif ícil mant er um planeament o adequado.
A act ividade pr odut iva r egist ada no ano de 1999 r egist ou um aument o de +159%, f ace aos valor es r egist ados no ano de 1998, at ingindo cer ca de 2 milhões de cont os. Par a gar ant ir a qualidade dos pr odut os, as OGFE t em desenvolvido vár ios est udos t endo em vist a a int r odução de novas t ecnologias, de modo a melhor ar os r equisit os específ icos de alguns mat er iais.
Relat ivament e à act ividade comer cial, o volume de vendas em 1999 ult r apassou os 5.6 milhões de cont os, cor r espondendo cer ca de 78% dest e valor ao "Apoio Logíst ico e Expor t ação"23. O maior client e das OGFE cont inua a ser o Exér cit o (90% das vendas), aument ando cer ca de 56% em r elação ao ano de 1998. O "Mer cado Expor t ação" const it ui-se como o segundo melhor client e apesar de a cot a alcançada t er ainda pouco signif icado comer cial (4.8%). A Mar inha e a For ça Aér ea r epr esent am apenas 2.4% das vendas t ot ais, o que, em nossa opinião, mer ece uma r ef lexão.
Não exist indo nos out r os Ramos nenhum est abeleciment o f abr il que se dedique ao t ipo de act ividades pr at icado pelas OGFE, qual a r azão de ser de t ão pequena cot a nas vendas t ot ais?
A explicação par a est a, apar ent ement e, est r anha sit uação est á nos pr eços pr at icados pelas OGFE, que são, nor malment e, mais elevados do que os pr at icados pelas empr esas civis na r espect iva ár ea de act ividade.
Segundo o Cor onel Machado J oaquim, par a est a sit uação concor r em diver sos f act or es. O pr imeir o est á r elacionado com a alt a t axa de abst encionismo (cer ca de 13.38% de TNP (Tempo Nor mal Possível - "dias" )) r emuner ado e não r emuner ado do pessoal civil. Devido à sua nat ur eza j ur ídica, os encar gos com os t r abalhador es ausent es por doença são supor t ados pelas OGFE, agr avando assim os cust os com os encar gos sociais. Por out r o lado, uma alt a t axa de absent ismo, sobr et udo no sect or das
f ábr icas/ of icinas, pr ovoca uma quebr a na act ividade pr odut iva. O segundo f act or , pr ende-se com o nível dos salár ios que, em média, é super ior , aos pr at icados pelas empr esas concor r ent es, sobr et udo na ár ea das conf ecções24, encar ecendo assim o pr odut o f inal.
Assim, as OGFE, quando concor r em a Concur sos Públicos lançados pelos out r os Ramos das FA e out r as ent idades (For ças Milit ar izadas), f azem-no numa sit uação de manif est a desigualdade cont r a out r as empr esas concor r ent es, que t êm cust os de pr odução subst ancialment e mais baixos, sendo, invar iavelment e, o r esult ado, a adj udicação dos cont r at os a essas empr esas.
Os r esult ados líquidos das OGFE elevar am-se, em 1999, a cer ca de 89 mil cont os, evidenciando um cr esciment o de 377 mil cont os f ace ao r esult ado negat ivo apur ado no ano ant er ior (cer ca de 288 mil cont os).
Segundo o Cor onel Machado J oaquim, as OGFE t êm capacidade ef ect iva par a se t or nar em num ór gão logíst ico com capacidade indust r ial par a f or necer , nos seus vár ios sect or es de pr odução, os out r os Ramos das FA e For ças Milit ar izadas, desde que, ef ect ivament e, possa compet ir em igualdade de cir cunst ancias com out r as empr esas civis do sect or .
4. 3 O Laborat ório Milit ar de Produt os Químicos e Farmacêut icos
Ao LMPQF compet e:
•
Execut ar o apoio logíst ico no r eabast eciment o de medicament os, mat er ial médico-f ar macêut ico e r eagent es par a análises clínicas ao Exér cit o, em par t icular , e às For ças Ar madas, em ger al;•
Const it uir r eser vas est r at égicas par a sit uações de emer gência;
•
Pr est ar ser viços na ár ea dos cuidados pr imár ios de saúde (análises clínicas) e de âmbit o sanit ár io (análises de águas, desinf ecções, desinf est ações e desr at izações);•
Pr omover a invest igação e desenvolviment o f ar macêut ico e f ar macêut ico-milit ar e f or mar quadr os milit ar es;•
Pr est ar apoio f ar macêut ico aos milit ar es e à "Família Milit ar ", em medicament os e análises clínicas;O Labor at ór io Milit ar desenvolve t ambém out r as act ividades f ar macêut ico-milit ar es de gr ande int er esse, designadament e:
•
Na ár ea dos medicament os e out r os pr odut os f ar macêut icos (embor a r eduzida à pr odução de alguns medicament os "genér icos" e os do gr upo a que a Or ganização Mundial de Saúde chama de "medicament os ór f ãos", de gr ande int er esse t er apêut ico e de absolut a necessidade, mas que não ger am lucr os por que a sua pr odução não é r endível, r azão pela qual o Labor at ór io Milit ar é um dos r ar os, se não mesmo o único pr odut or nacional);•
No campo do sanit ar ismo e da saúde pública;•
Em r elação aos meios auxiliar es de diagnóst ico (por que dispõe de gr ande capacidade de at endiment o, execut ando t odo o t ipo de análises, desde as clássicas às hor monais e aos mais r ecent es mar cador es t umor ais, est á apt o a liber t ar , os Hospit ais Milit ar es de Lisboa da sobr ecar ga das análises de r ot ina e do ambulat ór io;•
Execut a as t écnicas analít icas necessár ias ao despist e de t oxicodependências;or ganiza dif er ent es "complet os sanit ár ios base" e r espect ivos "módulos de sust ent ação");
•
No apoio f ar macêut ico aos milit ar es e seus f amiliar es;•
No campo do ensino (designadament e na ESSM, nos t ir ocínios par a Of iciais Far macêut icos, na cooper ação com as Faculdades de Far mácia e com o I nst it ut o Super ior de Ciências da Saúde;•
Na invest igação f ar macêut ica.O enquadr ament o do pessoal do LMPQF é f eit o por milit ar es, cuj o ef ect ivo em 31 de Dezembr o er a de 20 milit ar es.
No ano de 1999 f oi r esolvida uma das sit uações mais pr eocupant es em t er mos de pessoal, uma vez que t odos os cont r at ados a t er mo f or am conver t idos em cont r at ados sem t er mo, por despacho do MDN. Const it ui t ambém pr eocupação da Dir ecção, o f act o de o Est at ut o do Pessoal Civil dos EFE cont inuar por publicar .
O LMPQF cont a com 110 t r abalhador es, com um nível et ár io médio de 40 anos. A act ividade do LMPQF desenvolve-se em 3 gr andes ár eas:
• logíst ica de pr odução;
• logíst ica de dist r ibuição;
• ser viços t écnicos especializados.
A logíst ica de dist r ibuição é concr et izada no r eabast eciment o de medicament os e mat er ial, nas f ases de selecção, adj udicação e aquisição; ar mazenagem; cont r olo de qualidade e dist r ibuição.
Os ser viços t écnicos especializados são ef ect uados na ár ea de cuidados de saúde pr imár ios (análises clinicas) e na ár ea do sanit ar ismo (desinf est ações de aquar t elament os, cont r olo de ambient es e na análise de águas).
Apesar de em 1999 não t er havido invest iment os par a aquisição de novos equipament os indust r iais, é int enção da Dir ecção do LM, moder nizar o equipament o pr odut ivo nas dif er ent es ár eas de act ividade com a f inalidade de diminuir a mão de obr a, mant endo a capacidade pr odut iva.
Relat ivament e à act ividade comer cial, o volume de vendas em 1999, f oi cer ca de 2 658 mil cont os, cor r espondendo 91% à venda de mer cador ias, 7% à pr est ação de ser viços e apenas 2% a pr odut os do labor at ór io milit ar .
O maior client e é o Exér cit o com cer ca de 82% das vendas t ot ais. A per cent agem de vendas à Mar inha e à For ça Aér ea é pr at icament e nula. Est es Ramos das FA pr ef er em compr ar a empr esas pr ivadas, a pr eços super ior es aos pr at icados pelo LM.
À semelhança de out r os EFE, t ambém o LM apr esent a uma t axa de abst encionismo na or dem dos 10%.
4. 4 As Of icinas Gerais de Mat erial de Engenharia
O Decr et o-Lei n.º 41892 de 3 de Out ubr o de 1958, que def ine as nor mas or gânicas dos est abeleciment os milit ar es est abelece uma missão às OGME, que por f or ça da evolução da pr ópr ia or ganização, f oi r est abelecida, não se encont r ando r egulament ada em qualquer diploma legal, e que é a seguint e:
•
Repar ação de viat ur as pesadas, blindadas e mecanizadas;•
Repar ação de ar mament o pesado;•
Repar ação de conj unt os/ subconj unt os;•
Repar ação de equipament o indust r ial de f r io e calor ;•
Fabr ico de sobr esselent es e component es par a apoio à manut enção;•
Fabr ico de at r elados e cont ent or es (shelt er ' s);•
Par t icipação em pr oj ect os de I &D;•
Par t icipação em acções de cooper ação t écnico-milit ar com os Países Amigos de Língua Of icial Por t uguesa (PALOP).O enquadr ament o do pessoal é f eit o por milit ar es, cuj o ef ect ivo em Set embr o de 2000 er a de 8 of iciais e 4 sar gent os, exist indo um "déf icit " de 6 element os f ace ao Quadr o Or gânico de Pessoal Milit ar das OGME apr ovado pelo Decr et o-Lei n.º 44332 de 3 de Maio de 1962.
o que poder á pr ovocar alguma inst abilidade a médio pr azo, se não houver ingr essos nos quadr os.
O par que indust r ial levant a alguns pr oblemas de desact ualização t ecnológica, em vir t ude de não t er em sido f eit o invest iment os nos últ imos anos, devido à sit uação económico-f inanceir a exist ent e. Par a se obt er compet it ividade ser á necessár io a cur t o/ médio pr azo a subst it uição do equipament o of icinal por out r o mais moder no.
O pr incipal client e das OGME é o Exér cit o, at r avés da DSM (85,6% da act ividade pr odut iva, cor r espondendo a 537 mil cont os), par a as t ar ef as de r epar ação ger al de viat ur as especiais, nomeadament e CC M60A3, A3TTS e VBTP 113; r epar ação de viat ur as t áct icas pesadas e f abr ico e r epar ação de at r elados, aguar dando-se um ligeir o aument o por par t e de out r os client es, designadament e a DSI (14% da act ividade pr odut iva, cor r espondendo a 88 mil cont os), at r avés da r epar ação ger al de mat er ial de int endência, designadament e cozinhas indust r iais e lavandar ias.
A DSE e DST r epr esent am ainda uma cot a pr at icament e insignif icant e (0,4% da act ividade pr odut iva, cor r espondendo a 2,5 mil cont os). A pr est ação de ser viços a out r os Ramos das FA e For ças Milit ar izadas não t em qualquer expr essão, sendo consider ada inexist ent e.
Apesar das OGME t r abalhar em essencialment e par a o Exér cit o Por t uguês, não t êm alt er nat ivas no mer cado civil nacional; por ém, devido ao seu est at ut o de aut onomia administ r at iva e f inanceir a, as OGME podem est abelecer cont r at os com ent idades públicas e pr ivadas, nacionais ou est r angeir as.
Par a os act uais índices de pr odut ividade concor r em, segundo o Cor onel Domingos Andr é, um conj unt o de f act or es negat ivos, que a ser em cor r igidos per mit ir ão aument ar a pr odut ividade e consequent ement e a compet it ividade das OGME.
Relat ivament e aos pr imeir os, a ausência de uma adequada gest ão de st ocks, r esult ant e de planeament os ant er ior es de manut enção/ r eabast eciment o or iginar am uma exist ência anor mal de mat er iais em ar mazém, por vezes obsolet os, um elevado valor de imobilizado e necessidades de gr andes espaços de ar mazenagem.
Por out r o lado, a alt a t axa de absent ismo, que at é J ulho de 2000 apr esent ou um valor bast ant e elevado, cer ca de 2165 dias (cor r espondendo a cer ca de 12% TNP), sendo do t ot al de f alt as, 1033 dias (cor r espondendo a cer ca de 48% das f alt as) r espeit ant es a doenças, at est ados e consult as ext er nas. Devido à sua nat ur eza j ur ídica, os encar gos com os t r abalhador es ausent es por doença são supor t ados pelas OGME, agr avando assim os cust os com os encar gos sociais. Por out r o lado, uma alt a t axa de absent ismo, sobr et udo no sect or f abr il, pr ovoca uma quebr a na act ividade pr odut iva.
Relat ivament e à sit uação económica e f inanceir a, per spect ivam-se r esult ados sat isf at ór ios, f ace ao volume de vendas ef ect uadas e aos encar gos ver if icados.
A manut enção da sit uação da est abilidade económica depender á do volume de t r abalhos que vier em a ser af ect ados no âmbit o da Lei de Pr ogr amação Milit ar , at r avés dos pr incipais client es, DSM e DSI .
CAPÍ TULO I V
SI TUAÇÃO ACTUAL DA LOGÍ STI CA DE AQUI SI ÇÃO
1. I nt rodução
Compet e aos Est ados, at r avés dos seus legít imos gover nos, def inir a sua polít ica de def esa nacional, t endo par a isso de possibilit ar , às For ças Ar madas, enquant o r esponsáveis pela component e milit ar da def esa nacional, os meios necessár ios par a o cumpr iment o da sua missão.
Algumas nações possuem indúst r ias de pr odução de ar mament o, cent r alizadas, a nível gover nament al, como a Fr ança, enquant o out r as, como o Reino Unido compr am o equipament o de def esa que necessit am às indúst r ias nacionais ou est r angeir a, só par a cit ar dois exemplos r ef er idos ant er ior ment e. Ou sej a, independent ement e das or ganizações de que f açam par t e, r egionais ou globais, os países, seguem as suas pr ópr ias polít icas de aquisição, conf or me os seus int er esses nacionais.
Vej amos agor a quais os mecanismos legais que as For ças Ar madas Por t uguesas dispõem par a adquir ir em o mat er ial de def esa de que necessit am.
2. A Lei de Programação Milit ar
Analogament e e em par alelo com o ciclo de planeament o de def esa da OTAN, as For ças Ar madas Por t uguesas desenvolvem o seu pr ópr io ciclo bienal de Planeament o de For ças (CBPF) que t em como f inalidade def inir os Obj ect ivos de For ça Nacionais e f or necer or ient ações, de modo a gar ant ir o enquadr ament o e compat ibilidade dos Sist emas de For ças e Disposit ivo com:
•
Lei de Pr ogr amação Milit ar ;•
Polít ica de I nf r a-Est r ut ur as;•
Polít ica de Pessoal;•
Polít ica Financeir a.assim como ser vir de supor t e ao Planeament o Civil de Emer gência, na sua acção pr imor dial de apoio às For ças Ar madas em t empo de cr ise ou conf lit o.
Podemos assim af ir mar que o quadr o legal def inidor da polít ica de reequipament o encont r a-se no ciclo bienal de Planeament o de For ças or ient ado pela publicação da Dir ect iva Minist er ial de Def esa Milit ar e, pelo Conceit o Est r at égico Milit ar25 (CEM).
Assim, seguindo as or ient ações da Dir ect iva Minist er ial de Def esa Milit ar (DMDM99), o EMGFA, a Mar inha, o Exér cit o e a For ça Aér ea devem apr esent ar pr opost as - em t er mos de f or ças, equipament o, ar mament o e inf r aest r ut ur as - designadas por Propost as de Forças do EMGFA e dos Ramos. Est as Pr opost as de For ças, depois de apr ovadas t r ansf or mar -se-ão em Obj ect ivos de Forças Nacionais. Est abelecidos os Obj ect ivos de For ças Nacionais, est ão cr iadas as condições par a a elabor ação dos Planos de Est r ut ur a necessár ios ao seu cumpr iment o ao longo do ciclo pr evist o, e que ir ão vigor ar por um pr azo de dois anos, at é ao início de um novo Ciclo Bienal de Planeament o de For ças.
Os pr ogr amas de r eequipament o e de inf r a-est r ut ur as necessár ios à r ealização do Plano de For ças decor r ent e do pr ocesso de planeament o de médio pr azo ant er ior ment e expost o, bem como a pr ogr amação dos encar gos f inanceir os necessár ios à r espect iva mat er ialização, são inscr it os na Lei de Programação Milit ar (LPM).
À LPM cabe ainda a quase t ot alidade das ver bas par a invest iment o, apesar das f ont es de f inanciament o das FA t er em sido, nos últ imos anos, diver sif icadas,
25 O CEM é elabor ado nos t er mos est abelecidos na LDNFA. No ent ant o, decor r ent e da avaliação da sit uação polít ica, económica e