BA U M G Ä RT N ER , L .V .; R IS TO W , L .; D es af io s e m et od ol og ia s n a a tu aç ão d os p ro fe ss or es d o c ur so d e e du ca çã o f ís ic a no c on te xt o d e p an de m ia C O V ID -1 9. C ol eçã o P es qu is a e m E du ca çã o F ís ica , V ár ze a P au lis ta , v .2 0, n .0 3, p .5 7-64 , 2 02 1. I SS N ; 1 98 1-43 13 .
Artigo original Recebido em: 25/06/2021 Parecer emitido em: 26/07/2021
DESAFIOS E METODOLOGIAS NA ATUAÇÃO DOS PROFESSORES
DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO CONTEXTO DE
PANDEMIA COVID-19
Lucas Vitor Baumgärtner¹ Leonardo Ristow² Universidade Regional de Blumenau¹ Centro Universitário de Brusque²
RESUMO
O ano de 2020 foi marcado pela pandemia do covid-19. Inúmeros foram os prejuízos trazidos para todos os setores do mundo. O setor da Educação, mas especificamente a Educação Superior foi escolhido para ser analisado neste estudo. Identificar os desafios e as metodologias utilizadas por professores dos cursos de graduação de Educação Física. Realizou-se uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter descritivo. Utilizou-se como instrumento para coleta dos dados um questionário com perguntas abertas e fechadas. A partir da análise de conteúdo destaca-se diversos desafios para a realização das aulas remotas considerando que o curso demanda de uma quantidade carga horária prática. É preciso estipular de forma rigorosa o processo de trabalho (home office) para evitar sobrecarga no trabalho e demais problemas físicos a frente. A motivação é outro desafio enfrentado pelos docentes, manter os alunos conectados de verdade sempre será uma incógnita. Entre as metodologias, destaca-se o uso de tecnologias para a aula remota e como instrumentos avaliativos ressaltou-se os seminários e provas (quiz).
Palavras-chave: Educação Física. Metodologias. Tecnologias da Informação. Desafios. Pandemia.
CHALLENGES AND METHODOLOGIES IN THE PERFORMANCE
OF PHYSICAL EDUCATION TEACHERS IN THE PANDEMIC
CONTEXT COVID-19
ABSTRACT
2020 was marked by the covid-19 pandemic. Countless losses were brought to all sectors of the world. The Education sector, but specifically Higher Education was chosen to be analyzed in this study. Identify the challenges and methodologies used by Physical Education undergraduate teachers. A qualitative and descriptive research was carried out. A questionnaire with open and closed questions was used as an instrument for data collection. Based on the content analysis, several challenges are highlighted for the realization of remote classes considering that the course demands a practical amount. It is necessary to strictly stipulate the work process (home office) to avoid work overload and other physical problems ahead. Motivation is another challenge faced by teachers, keeping students truly connected will always be an unknown. Among the methodologies, the use of technologies for remote classes stands out and as evaluation tools, seminars and tests (quiz) were highlighted.
INTRODUÇÃO
No ano de 2020, marcado por um momento pandêmico mundialmente conhecido como COVID-19 (vulgo novo Coronavírus). Doença essa, que está em estudo por pesquisadores com o intuito de descoberta de um tratamento eficaz. Uma das formas de controle em massa encontradas deste vírus foi o distanciamento social, o uso de mascarás e a utilização do álcool em gel. Este, corresponde a um conjunto de ações coletivas que possibilitam diminuir a propagação das doenças contagiosas (SPIESS; MATTEDI; LUDWIG, 2020).
Entre as medidas de controle pandêmico, foi o cancelamento das aulas presenciais, ou seja, aulas conhecidas como face to face tornaram-se atividades remotas com o auxílio das multitecnologias. Este cancelamento é derivado de duas hipóteses: “a) alunos e professores são vetores de contágio (casa-universidade/universidade-casa); b) as atividades de educação podem ser majoritariamente feitas por práticas on-line” (SPIESS; MATTEDI; LUDWIG, 2020, p.1). Neste sentido, são “[...] os estudantes o grupo social mais exposto aos efeitos emergentes do Distanciamento Social” (SPIESS; MATTEDI; LUDWIG, 2020, p.1). E também, professores que fazem parte do grupo de risco.
A partir desse cenário as ações educacionais em todos os níveis de ensino, foram adequadas para um ensino remoto ou por aulas mediadas com auxílio das tecnologias. Dessa forma a mediação pedagógica foi potencializada por meios eletrônicos diversos, como ferramentas do tipo: Skype, WhatsApp, Microsoft Teams, Google Meet, entre outras. “A adesão foi massiva e envolveu a adaptação, supreendentemente rápida, de alunos, professores e da própria instituição” (SPIESS; MATTEDI; LUDWIG, 2020, p.1).
Uma das facilidades foi o uso das redes de internet que já ofertavam um suporte adequado para a nova organização ampla dos modelos de o uso em aulas mediadas por tecnologias, envolvendo altas quantidades de pessoas e conectadas a longas distâncias (PRETTO; PINTO, 2006). Embora, saibamos que o acesso a internet de qualidade ainda não é uma realidade universal aos estudantes e professores.
Nesse contexto de pandemia (COVID-19), essa pesquisa tem como objetivo (a) Identificar os desafios e as metodologias utilizadas por professores dos cursos de graduação de Educação Física durante a pandemia COVID-19 de uma Instituição Comunitária de Santa Catarina. Sabe-se que a Educação Superior e os outros setores do mundo todo foram afetados. Logo, a maioria destes estão se remodelando com intuito de atender as novas demandas de distanciamento social impostas pela Organização Mundial da Saúde e os respectivos governos (união, estado e município). Não sendo diferente para a Educação Superior, em que os professores e alunos precisam se adaptar na forma de ensinar e aprender. Com isso, partimos do pressuposto que há inúmeros desafios enfrentados pelos professores e alunos dos cursos de Educação Superior.
Para abordamos sobre essa temática dialogamos com os seguintes autores: Kenski (Educação e Tecnologias), Moreira e Schlemmer (Tecnologias) e Uberman (Ciclo de vida dos professores). Nesse trabalho, nós definimos o termo ferramentas de comunicação em duas compreensões: a comunicação ao vivo e comunicação extraclasse. A comunicação ao vivo é entendida como ferramenta utilizada para estar “on-line” com os alunos em um determinado período de tempo; A comunicação extraclasse é compreendida como a ferramenta utilizada para contactar os professores em outros momentos, não sendo no período da aula.
Consideramos que um dos desafios está na abordagem das aulas práticas no curso de Educação Física, pois as mesmas são necessárias para a formação deste profissional, sendo que, o movimento precisa ser direcionado, observado e corrigido para evitar lesões corporais e atingir o objetivo proposto inicialmente. METODOLOGIA
Como escolha metodológica, adotou-se a abordagem qualitativa, que segundo Biklen e Bogdan (1994) tem como características: ser realizada em um contexto natural, expressões escritas pelos participantes serem vitais, os dados são analisados de forma indutiva e os resultados expressados em forma de palavras. O presente estudo apresenta um caráter descritivo, que segundo Denzin e Lincoln (2006) tem o intuito de descrever os aspectos significativos das informações expressadas pelos participantes. Ainda, foram adotados procedimentos de estudo de casos múltiplos. Este tipo favorece a compreensão de fenômenos sociais complexos através da descrição das percepções dos participantes (YIN, 2010).
Foram selecionados de forma intencional não-probabilística (YIN, 2010), treze professores dos cursos de Graduação em Educação Física de duas Instituições de Ensino Superior comunitárias do interior de Santa Catarina, a partir dos seguintes critérios de inclusão: (a) possuir ao menos o título de mestre ou doutor; (b) estar ministrando ao menos uma disciplina no curso de Graduação em Educação Física no segundo semestre de 2020; (c) possuir vinculo empregatício com a IES; e (d) ter disponibilidade e motivação para participar da pesquisa.
Foram utilizados para a coleta de dados, um questionário misto com perguntas abertas e fechadas, constituído por uma série de perguntas que devem ser respondidas pelo sujeito sem interferência do pesquisador. É uma técnica muito utilizada quando os dados empíricos são voltados a: percepção, opinião, preferências e posicionamento dos participantes (GIL, 2008).
Como procedimentos de coleta de dados, quinze professores foram convidados a participar da pesquisa por e-mail, destes, treze aceitaram. Para estes, foi enviado o questionário com o auxílio da ferramenta Google Forms. Após o recebimento, os dados foram transferidos para um arquivo do Microsoft Word e tratados qualitativamente com o auxílio do programa NVIVO, versão 10.
Para a análise dos dados, foi utilizada a técnica da análise de conteúdo. De acordo com Bardin (2011, p. 47), compreende em um “um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando a obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”. As categorias foram determinadas a priori: (a) Perfil Docente; (b) Formação Inicial e o uso das tecnologias; (c) Procedimentos metodológicos e avaliativos; (d) Principais desafios. Destacamos que este estudo atendeu recomendações existentes na Resolução nº 466/12, do Conselho Nacional de Saúde (CNS), sobre pesquisa com seres humanos. RESULTADOS
A apresentação dos resultados foi organizada na seguinte ordem: Descrição dos participantes, Perfil Docente, Formação Inicial e o uso das tecnologias, Procedimentos metodológicos e avaliativos, principais desafios.
Descrição dos professores
O professor 1 (P1) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre aulas mediadas por plataformas online. Lecionou para cursos na modalidade EaD e produziu materiais didáticos-pedagógicos, nas quais: Cadernos de estudos, roteiros de estudo e atividades, material instrucional e estudos dirigidos.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem, em específico o Moodle. Utiliza o e-mail eletrônico para conversação extraclasse com seus alunos. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “manter os estudantes atentos e conectados” (P1). Ressalta que “o ambiente de insegurança tem afetado os alunos” (P1). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como muito bom.
O professor 2 (P2) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) não utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Utiliza o Google Meet como ferramenta para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “[...] que as disciplinas que leciono, tem uma carga grande de práticas em local específico” (P2). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como satisfatório.
O professor 3 (P3) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre a plataforma Moodle e Google Meet.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem, em específico o Moodle. Utiliza o e-mail eletrônico e o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “conseguir superar o aumento da carga de trabalho para a preparação das aulas e aumento de tarefas a corrigir” (P3). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como muito bom.
O professor 4 (P4) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre Dança e novas tecnologias, formação do Microsoft Office e sobre a utilização do AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem). Lecionou para cursos na modalidade EaD e produziu materiais didáticos-pedagógicos.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) nunca utilizou as tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Utiliza o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Google Meet, Microsoft Teams e Skype como ferramentas para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é a “motivação pessoal e dos estudantes que tem outras preocupações para além das aulas” (P4). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como bom.
O professor 5 (P5) tem mais de 7 a 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Não realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias. Lecionou para cursos na modalidade EaD e produziu materiais didáticos-pedagógicos, nas quais: Cadernos pedagógicos e Unidades de aprendizagem.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem, em específico o Moodle. Utiliza o e-mail eletrônico e WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Google Meet como ferramentas para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “referente as aulas teóricas, acredito que as ferramentas disponíveis conseguem estabelecer quase a mesma dinâmica das salas de aula. Principalmente aplicativos de videoconferência. Para o curso de Educação Física, acredito que o principal desafio é referente as disciplinas práticas. Ainda não há tecnologia que supre a necessidade de estar em contato com os professores e demais colegas. Diferente das aulas teóricas (onde com apenas um dispositivo conectado à internet é possível fazer interações), nas práticas são necessários ambientes adequados, com materiais adequados e, dependendo da modalidade, deve haver o contato com outros praticantes” (P5). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como bom.
O professor 6 (P6) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre o uso do Microsoft Teams. Não lecionou para cursos na modalidade EaD e não produziu materiais didáticos-pedagógicos.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) não utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Utiliza o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Microsoft Teams como ferramenta para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é que “por mais interação que possamos buscar nas aulas, não tem como sabermos o que acontece do outro lado da tela, faz muita falta o olho no olho. Muitos acadêmicos não abrem a câmera, não gostam.” (P6). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como muito bom.
O professor 7 (P7) tem mais de 5 a 7 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre tutorias online, e o uso de tecnologias. Lecionou para cursos na modalidade EaD e produziu materiais didáticos-pedagógicos, nas quais: Disciplinas de História da Educação Física e Pedagogia do Esporte.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia, mas optou por vídeos e desenhos para a interação prática. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “lidar com o esgotamento psicológico de todos os envolvidos” (P7). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como muito bom.
O professor 8 (P8) tem menos de 3 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre o uso do Microsoft Teams, Google Meet e sobre a plataforma Educacim. Não lecionou para cursos na modalidade EaD e não produziu materiais didáticos-pedagógicos. Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Utiliza o e-mail eletrônico e o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Skype, Teams, Meet como ferramenta para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia, mas optou por vídeos para a interação prática. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é o “desânimo e insegurança dos alunos” (P8). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como satisfatório.
O professor 9 (P9) tem de 3 a 5 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, disponibilizadas pela instituição e tutorias disponíveis na rede educacional municipal. Não lecionou para cursos na modalidade EaD e não produziu materiais didáticos-pedagógicos.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem, em específico o Moodle. Utiliza o e-mail eletrônico e o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Teams, Meet como ferramentas para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia, mas optou por vídeos para a interação prática. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “manter a interação e minimizar as perdas em relação às atividades práticas e saídas a campo.” (P9). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como muito bom.
O professor 10 (P10) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre o uso do Moodle, Skype for Business e Teams. Lecionou para cursos na modalidade EaD e produziu materiais didáticos-pedagógicos, nas quais: Cadernos de estudos. Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem, em específico o Moodle. Utiliza o e-mail eletrônico e o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Skype, Teams como ferramentas para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia, mas optou por vídeos para a interação prática. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é definir “horários disponíveis para atendimento aos alunos. Aumento da carga na preparação das aulas” (P10). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como bom.
O professor 11 (P11) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Não realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias. Não lecionou para cursos na modalidade EaD e não produziu materiais didáticos-pedagógicos.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Utiliza o e-mail eletrônico e o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Teams, Meet como ferramentas para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia, mas optou por vídeos para a interação prática. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “procurar metodologias adequadas para a atual situação” (P11). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como satisfatório.
O professor 12 (P12) tem mais de 5 a 7 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre o uso do Teams e sobre o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Não lecionou para cursos na modalidade EaD e não produziu materiais didáticos-pedagógicos.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) não utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem. Utiliza o WhatsApp para conversação extraclasse com seus alunos e o Teams como ferramentas para o desenvolver das aulas remotas. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é “deixar os alunos motivados, tanto pela situação atual de pandemia quanto ao ensino mediado via Teams” (P11). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como muito bom.
O professor 13 (P13) tem mais de 10 anos de experiência com a docência na Educação Superior. Leciona para o curso de Licenciatura em Educação Física. Já realizou formações continuadas sobre o uso de multitecnologias, neste caso, sobre o uso do Moodle. Não lecionou para cursos na modalidade EaD e não produziu materiais didáticos-pedagógicos.
Durante as aulas presenciais (antes da pandemia) já utilizava tecnologias digitais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem, em específico o Moodle. Utiliza o e-mail eletrônico para conversação extraclasse com seus alunos. Sobre as aulas práticas, destacou que não ocorreram devido a pandemia. A partir destas considerações, o mais difícil das aulas mediadas por tecnologias (aula remota) é fornecer mais “capacitação para os professores com relação as tecnologias fornecidas pela Instituição” (P13). Avalia seu trabalho didático-pedagógico como bom.
Perfil docente
Dos professores participantes da pesquisa, 62% tem experiência na Educação Superior a cima de 10 anos, 8% de 7 a 10 anos de profissão, 15% de 5 a 7 anos de experiência e 15% de zero a 5 anos. Destes professores, 92% trabalham em ambos os cursos de Educação Física (Licenciatura e Bacharelado), outros 8% apenas na Licenciatura. Sendo assim, pode-se perceber que são professores experientes atuando nos cursos de Educação Física desta instituição. Segundo Huberman (2000), o Ciclo de vida dos professores é dividido em entrada, estabilização, diversificação, serenidade e desinvestimento. Características dos
professores participantes desta pesquisa é na faixa etária de 8 a 10 anos que aos olhares dos outros e dos professores começam a perceber sua profissão de professor. É nessa etapa da carreira em que os professores se estabilizam, em média, na profissão. A libertação e emancipação são fenômenos desenvolvidos pelos professores nessa idade profissional.
Ainda em relação ao perfil docente, perguntamos se os professores já lecionaram ou produziram materiais para aulas em EaD. Entre os participantes, 62% disseram que sim, e 38% disseram que não tiveram essa experiência de aulas. Em relação aos materiais produzidos para aulas em EAD, os professores, destacam que elaboraram Cadernos de Estudos (Material instrucional).
Embora a pesquisa não trata dessa modalidade de ensino, consideramos relevante identificar se os docentes tiveram alguma experiência no uso de tecnologias para desenvolver aulas em EAD. Diante desse questionamento percebe-se que mais da metade dos professores tiveram essa experiência, o que pode, de certa forma, ter contribuído na experiência de aulas remotas nesse contexto.
Formação continuada e o uso das tecnologias
Os participantes da pesquisa também responderam em relação a formação continuada com o tema de multitecnologias. Entre os respondentes 8 5% dos professores realizaram algum tipo de formação com esse tema e 15% não participaram de uma formação com essa temática.
Dos que participaram da formação, indagamos qual tipo de formação e, foi possível identificar 2 temas de formações: Sobre Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA (Moodle) e Ferramentas de comunicação (Teams, Skype e Google Meet). De acordo com Kenski, “falta conhecimento dos professores para o melhor uso pedagógico das tecnologias, seja ela nova ou velha. Na verdade, os professores não são formados para o uso pedagógico das tecnologias (KENSKI, 2007, p.47).
Constatou-se nessa pesquisa que 70% dos professores, já utilizavam o AVA como tecnologia digital de aprendizagem nas suas aulas presenciais (antes do momento pandêmico), e 30% não usaram esse ambiente nas aulas presenciais. Dentre os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), 60% utilizam o Moodle e 40% utilizam outros modelos de Ambientes Virtuais de Aprendizagens.
Indagou-se ainda sobre a utilização de ferramentas de comunicação que estão presentes na comunicação extraclasse e o desenvolver das aulas online. Em relação as ferramentas de comunicação ao vivo, dos 13 professores, 5 utilizam o Google Meet, 6 o Teams, 1 o Skype e 1 o Google Hangouts. As ferramentas de comunicação extraclasse foram equivalentes para utilização tanto do E-mail e WhatsApp. Segundo Kenski (2007, p.46), “cada tecnologia tem a sua especificidade e precisa ser compreendida como um componente adequado no processo educativo”.
Procedimentos metodológicos e avaliativos
Em relação as metodologias utilizadas os professores participantes revelam que predominou as aulas expositivas dialogadas, leituras de textos e vídeos do YouTube. Entretanto, outr os professores descrevem que usaram seminários e lives.
Já para as aulas práticas, foram utilizados vídeos ao vivo ou gravados pelo professor, uso de desenhos para explanação da prática. Alguns professores ressaltam que não realizaram aulas práticas no primeiro semestre da pandemia. Pois, justificaram que “[...] devido às restrições impostas a nível dos contatos físicos nos territórios geográficos entre as comunidades educativas” (MOREIRA; SCHLEMMER, 2020, p.5).
Quanto aos instrumentos de avaliação utilizados pelos professores 46,2% predominou a realização de seminários, 30,8% relato de observação e 23% prova (avaliação).
Dos 13 professores, a grande maioria ainda utiliza instrumento avaliativo que era utilizado tradicionalmente nas aulas presenciais, pois, “a tecnologia sozinha não muda as práticas pedagógicas [...]. Não é uma utopia considerar as tecnologias como uma oportunidade de inovação [...], mas esta realidade exige uma mudança de paradigma” (MOREIRA; SCHLEMMER, 2020, p.4).
Na opção outros, nos ressaltam a utilização de outros instrumentos, sendo eles: questionários, elaboração e apresentação de plano de aula, produção de vídeos, estudo dirigido, pesquisa conceitual, apresentação de aulas práticas (gravadas) e mapa conceitual.
Principais desafios
Ao fim, as perguntas eram voltadas para autoavaliação e os desafios dos seus trabalhos desenvolvidos nesse período de pandemia. A autoavaliação mostra que quase 50% dos professores qualificam como muito bom seus trabalhos, 30% como bom e 23% como satisfatório.
Os professores foram indagados sobre os principais desafios enfrentados para o desenvolver de suas aulas e, as explanações dos professores fazem relações entre elas. Separamos em marcadores como: motivação, aumento da carga horária de trabalho e aulas práticas.
Para as motivações, um dos grandes desafios para os professores é de “manter os estudantes atentos e conectados” (P1); Lidar com o “desânimo e insegurança dos alunos” (P2); Conseguir “manter a interação” (P3); “Lidar com o esgotamento psicológico de todos” (P4); “Motivação pessoal e dos estudantes que tem outras preocupações para além das aulas” (P8); “Deixar os alunos motivados, tanto pela situação atual de pandemia quanto ao ensino mediado via Teams” (P9); “Por mais interação que possamos buscar nas aulas, não tem como sabermos o que acontece do outro lado da tela, faz muita falta o olho no olho. Muitos acadêmicos não abrem a câmera, não gostam” (P7).
Em relação a carga horária de trabalho, ressaltam não “conseguir superar o aumento da carga de trabalho para a preparação das aulas e aumento de tarefas a corrigir” (P5); Faltam “horários disponíveis para atendimento aos alunos. Aumento da carga na preparação das aulas” (P6).
As aulas práticas são outro desafio para os professores, principalmente aos professores que lecionam disciplinas com alta carga horária de atividades práticas. Como descreve P11, “vejo que as disciplinas que leciono, tem uma carga grande de práticas em local específico”; Conseguir “minimizar as perdas em relação às atividades práticas e saídas a campo” (P3) tão comuns para o curso de Educação Física. O P13 em sua escrita, ressalta o grande e principal desafio para os cursos de graduação que contenham alta carga horária de atividades práticas.
Referente as aulas teóricas, acredito que as ferramentas disponíveis conseguem estabelecer quase a mesma dinâmica das salas de aula. Principalmente aplicativos de videoconferência. Para o curso de Educação Física, acredito que o principal desafio é referente as disciplinas práticas. Ainda não há tecnologia que supre a necessidade de estar em contato com os professores e demais colegas. Diferente das aulas teóricas (onde com apenas um dispositivo conectado à internet é possível fazer interações), nas práticas são necessários ambientes adequados, com materiais adequados e, dependendo da modalidade, deve haver o contato com outros praticantes (P13).
A última indagação do questionário é em contraponto a questão anterior, quais sugestões os professores dariam para os desafios descritos. Esses dados, respondem muitos dos problemas encontrados pelos professores do curso de Educação Física em relação ao uso das tecnologias, carga horária de trabalho, motivação e aulas práticas.
Com relação ao desafio de usar as novas tecnologias o P8 defende uma “maior capacitação dos professores com relação as tecnologias fornecidas pela Universidade”. Para a carga horária de trabalho é preciso “determinar horários específicos para não extrapolar as funções” (P7). Para a motivação, é “importante inspirar confiança” (P1); Em conjunto com os “alunos, buscar novos métodos de processo Ensino aprendizagem remoto, pois, eles terão que enfrentar no dia a dia e isso fará parte da Evolução de ensino para o futuro!” (P5); “Dialogar frequentemente com as alunas e alunos, instigando-as/os” (P6). Para as aulas práticas:
infelizmente, ou felizmente, até o prezado momento (até onde eu sei), não existe tecnologia disponível que gere interação tal qual a uma aula prática. A sugestão para esses problemas seria a criação de aplicativos de realidade aumentada. Onde o acadêmico, de casa, usando um óculo de realidade virtual, “entraria” no mesmo ambiente e conseguiria praticar determinada modalidade em conjunto com os demais (P4).
Uma possibilidade encontrada pelo pesquisador responsável deste estudo em relação as aulas práticas seria a utilização de videogames (jogos esportivos, jogos anatômicos, etc.) para fazer com que os discentes não percam tanto com o cancelamento das aulas práticas.
Mas para isso, consideramos que o professor precisa de suporte e formações continuadas constantemente. O professor não poderá resolver todos os problemas que ele mesmo citou no questionário, muitos desses é necessário apoio da instituição de ensino. O professor poderá se adequar de modo a minimizar os impactos desse novo modelo de aula remota.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do cenário atual, a Educação Superior conseguiu se remodelar (com certas fragilidades) rapidamente as novas demandas sociais, devido as redes de internet já estarem preparadas para assegurar
essa mudança. Os acadêmicos, a universidades e as instituições de Educação Superior se organizaram de maneira muito rápida evitando ademais problemas.
É preciso capacitar o professor constantemente. É prec iso estipular de forma rigorosa o processo de trabalho (home office) para evitar sobrecarga no trabalho e demais problemas físicos a frente. São variadas as ferramentas tecnológicas utilizadas para comunicação ao vivo e extraclasse. As aulas teóricas se encaixam mais fácil no modelo não presencial. Para as práticas nesse mesmo modelo, é um grande desafio para a realização das aulas pelos diferentes cursos que demandam de uma quantidade carga horária de práticas, devido a esse período de distanciamento social. A motivação precisa ser constante por parte da instituição para coordenação do curso, da coordenação para com os professores e dos professores para os alunos, pois, tudo é novo e a novidade é diferente, e, para tudo que é diferente, demandasse um certo tempo para adaptação.
Acreditamos que essas mudanças bruscas irão fazer com que o corpo administrativo e pedagógico das instituições de ensino superior reflita sobre as novas possibilidades metodológicas, a otimização do tempo de trabalho, a organização da matriz curricular e entre outras ações.
REFERÊNCIAS
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FINANCIMENTO
Este estudo teve apoio financeiro do Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior (FUMDES).
Universidade Regional de Blumenau - FURB. R. Antônio da Veiga, 140 Itoupava Seca Blumenau/SC 89030-903