COMPORTAMENTO DE BUBALINOS A PASTO FRENTE À DISPONIBILIDADE DE SOMBRA E ÁGUA PARA IMERSÃO
BEHAVIOUR OF GRAZING WATER BUFFALOES DEPENDING ON THE AVAILABILITY OF SHADE AND WATER FOR IMERSION
DENISE DE SOUZA ABLAS1; EVALDO ANTONIO LENCIONI TITTO2; ALFREDO MANUEL FRANCO PEREIRA3; CRISTIANE GONÇALVES TITTO4; CAMILA
RAINERI4; ELIANE GIL GATTO4; THAYS MAYRA DA CUNHA LEME5 1
Zootecnista, MSc, Fatec do Brasil - São Paulo, SP.
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Prof. Dr. Depto. de Zootecnia da Fac. Zootecnia e Eng. de Alimentos – FZEA – USP, Lab. Biometeorologia e Etologia. E.mail: [email protected].
3
Prof. Dr. Depto. de Zootecnia, Universidade de Évora-Portugal.
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Zootecnista, Mestranda da FZEA – USP, Lab. Biometeorologia e Etologia – Pirassununga, SP.
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Graduanda de Zootecnia da FMVZ – UNESP – Botucatu, SP.
RESUMO
Os búfalos são particularmente intolerantes à radiação solar direta. Durante os períodos quentes do dia, os animais procuram poças de água ou lama para se refrescar e usualmente pastejam apenas nas horas mais frescas. O presente trabalho propõe estudar soluções de manejo através de respostas comportamentais. O ensaio utilizou 10 búfalas, observadas a pasto por três dias (das 06h00min às 18h00min h) em cada tratamento: com sombra natural e artificial (S); com sombra artificial e água para imersão (SA); com água para imersão (A), quanto à sua posição, postura e atividade. Os animais passaram mais de 60% do tempo ao sol, mormente pastejando. Na sombra e na água os principais comportamentos foram ruminação e ócio. O uso da água foi notadamente preferencial. Os resultados revelam a necessidade do uso de recursos de proteção contra a radiação solar para búfalos em dias quentes e que, quando disponível, a oferta de água para imersão deve ser priorizada.
PALAVRAS-CHAVE: bubalinos, etologia, conforto térmico, pastejo. SUMMARY
KEY WORDS: water buffaloes, ethology, welfare, grazing. INTRODUÇÃO
O calor é um dos principais fatores restritivos na produção animal nos trópicos, causando o estresse térmico mudanças drásticas nas funções biológicas e conseqüente prejuízo do desenvolvimento do animal (Marai & Habeeb, 1998). Os mamíferos ajustam processos físicos, bioquímicos e psicológicos na tentativa de conter os efeitos negativos do estresse, o que envolve dissipação do calor para o ambiente e redução da produção do calor metabólico (Titto, 1998; Titto et al., 1998; Silanikove, 1992, 2000), resultando na limitação de crescimento, produção de leite e reprodução (Igono et al., 1992; Jacobsen, 1996; Silva, 2000). O búfalo (Bubalus bubalis) adapta-se facilmente aos ambientes mais inóspitos, porém necessita de recursos para proteção contra a radiação solar direta, principal estressor da espécie. É necessário conhecer a influência dos recursos de conforto térmico a pasto sobre os búfalos, avaliando suas respostas fisiológicas e comportamentais, para adaptar a atividade ao nosso meio. Anil & Thomas (1996) afirmam que aspersão de água, água ou lama para imersão e qualquer mecanismo que propicie ao búfalo resfriamento por evaporação parecem ser os melhores para auxiliar a termólise e mantença da homeotermia. Este trabalho pretendeu apresentar soluções simples e baratas para o bubalinocultor tropical aumentar o conforto dos animais, através da identificação das respostas termorreguladoras e comportamentais de bubalinos com ou sem acesso à sombra natural e à água para imersão em criação a pasto.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi realizado em piquetes do Laboratório de Biometeorologia e Etologia, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo, Campus de Pirassununga, com altitude de 634 m, apresentando clima do tipo Cwa, segundo Köeppen (Oliveira & Prado, 1984).
Dez búfalas de aproximadamente 24 meses, com tamanhos e pesos semelhantes, foram marcadas individualmente e submetidas a três sistemas de manejo a pasto:
P1: disponibilidade de sombra natural e artificial (S);
P2: disponibilidade de sombra artificial e de água para imersão (SA); P3: disponibilidade de água para imersão (A).
As variáveis climáticas (temperatura do ar, umidade relativa, e temperaturas de globo negro ao sol e à sombra) foram registradas, através de Estação Meteorológica Eletrônica Campbell©. Utilizou-se o Índice de Temperatura de Globo Negro e Umidade (ITGU), como indicativo da condição estressante (Buffington et al, 1981). O delineamento estatístico utilizado foi o inteiramente casualizado. A análise estatística foi realizada no programa Statistical Analisis System (SAS®), através do procedimento “mixed”, com comparação de médias de acordo com o teste de Tukey.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Figura 1 mostra a homogeneidade das variáveis climáticas. A Figura 2 demonstra os valores do índice de temperatura de globo negro e umidade (ITGU) observados durante o período. 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00
SA1 SA2 SA3 S1 S2 S3 A1 A2 A3
Temperatura Umid Relativa G sombra G sol
Figura 1. Médias de temperatura (ºC), umidade relativa (%), globo negro à sombra (ºC) e globo negro ao sol (ºC) para os dias de coleta de dados (1, 2 e 3) e tratamentos.
85,29 87,0289,05 86,92 86,21 88,47 86,21 85,89 87,35 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 100,00 SA S A SA S A SA S A 1 2 3 ITGU
Figura 2. Índices de Temperatura de Globo Negro e Umidade para cada dia de coleta de dados (1, 2 e 3), e cada tratamento.
minutos) e depois pelo tratamento SA (455,41 minutos). As Figuras 3 e 4 demonstram, respectivamente, o tempo gasto com cada atividade ao sol e à sombra.
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 Pastando Ócio SA S 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 300,0 350,0 400,0 Pastando Ócio SA S A Ruminando Outras
Figura 3. Distribuição média, em minutos, das atividades ao sol.
Ruminando Outras
Figura 4. Distribuição média, em minutos, das atividades à sombra.
O tempo de uso do recurso água foi diferente para os dois tratamentos que possuíam a lagoa (p>0,05): 237,67 minutos para o tratamento SA contra 205,17 minutos para o tratamento A. O que se observa nos três tratamentos é que os recursos de proteção contra o calor são usados nas horas mais quentes do dia. Não necessariamente na hora de temperatura máxima, mas sim no momento em que o animal, tendo ficado exposto à radiação solar direta por muito tempo, começa a sentir os efeitos do calor.
A busca por sombra, especialmente durante os períodos quentes do dia já foi relatada por Finch (1984) e Silanikove (1992) e a utilização de água para imersão nesses mesmos períodos foi observada por Pathak (1992) e Ford (1992). Nos tratamentos SA e S, observou-se que a maioria dos animais começou a utilizar um recurso de proteção contra o calor a partir das 10h00min h (para o tratamento A, esse uso foi a partir das 11h00min h, aproximadamente). E para os dois primeiros tratamentos, a saída da água da maioria dos animais se deu próximo às 15h00min h (para o terceiro tratamento, essa saída se deu às 14h00min h). Esses dados são muito semelhantes aos de Ford (1992), que verificou, na Austrália, pastejo regular até às 10h00min h, horário em que vão para a água e ficam até às 14h00min h ou 15h00min h, momento em que voltam ao pasto.
CONCLUSÕES
A utilização de algum tipo de proteção contra o calor nas horas mais quentes do dia, por todas as búfalas, bem como sua preferência pela água para imersão demonstra a real necessidade de proteção contra a radiação solar para búfalos em dias quentes. Demonstra também que, quando disponível, a oferta de água para imersão deve ser priorizada. O comportamento de evitar a exposição à radiação solar direta, pastando apenas nas horas mais frescas é uma forma de manter o conforto térmico dos bubalinos, sendo válida a utilização de lagoas ou açudes para imersão ou mesmo sombreamento natural nas pastagens.
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LITERATURA CITADA
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