José Lem os
M onteiro
MEDITAÇÃO E CRIATIVIDADE
DCBA
t ' o n c e i t o d e m e d i t a ç ã o
A dificuldade de estabelecer um a definição precisa do processo
I
m editar decorre talvezda própria
natureza
do estado m editativo,
11I
que cessa
qualquer referência à interação
pensam
ento-língua-11\e,
portanto,
parece im possível
de
ser
traduzido
em
pala-VI I •
A lém disso, há um a
sériede term os correlatos
que em
geral
confundem ,
em bora signifiquem experiências
de níveis desiguais.
U m inventário desses l rrnos e a delim itação
de seus valores
-m ânticos
torna-se
aqui de pouca
utilidade.
M as,
pelo
m enos,
convém
salientar que a m editação não é um
sim ples ato
de
con-.ntração
(em
que a energia m ental
converge para
um só ponto)
ou de contem plação (em qu
existe um
enlevo, um a
absorção
nas
qualidades
do objeto). M uito m enos se com para ao devaneio,
onde
ocorre a dispersão das idéia e, em conseqüência,
a perda
do
con-trole
do sujeito.
Para os m ísticos, a m ditação
é um
estado
de
ausência
da
m ente. A lgo freqüentem enledesignado com o "vacuidade"
ou "vazio
m ental",
algo que transcende a m ente.
Enquanto
há
pensam entos,
sensações ou desejos, falecem as condições para que se instaure
a
m editação. Ela surge apena quando
cessam todas as contingências,
a tem poralidade,
as dúvidase questionam entos.
LKJIHGFEDCBA
Éo silêncio total.
D ito dessa form a, algum as pessoas concluem por certo que se
trata de pura alienação ou alucinação. N a verdade, é o pólo oposto
à alienação,
porque a consciência brota em todo o seu esplendor.
A alienação, sem dúvida,
COI1iste num a quase inconsciência, na
auto-m atização
do com portam ento hum ano.
A o contrário,
na m editação,
atinge-se a essência na plenitude da consciência,
no
dom ínio com
-pleto do aqui-e-agora.
Por outro lado, é provável que se deduza a inviabilidade
de se
chegar a esse estado. Se alguém se esforçar durante
apenas um m
nut? p~ra n~o pensar, logo verá que os pensam entos afluirão com
~~~or m t~nsldade, num contínuo vaivém . C om o deter o fluxo d s
idéias a fim de se ter. a p~rcepç~o do vazio m ental? Isto parece
real!D ente absurdo e jam ais sera conseguido através do esforço
J\ssIm send~,
é
difícil a~reditar que certos indivíduos, enquant~V IV O S, adquiram esse sentido de m editação.DCBA
2 . C o m p r e e n s ã o d a m e n t e
. A ~.ente, concebida com o o repositório dos pensam entos não
se IdentifIca. com o céreb~o hu~a.no. C onstitui um a abstração e,
por conse?u!nte, su~ realidade e Ilusória. Pode-se com pará-Ia com
u::;a m ul~ldao., A nalIsapdo b~m : a. m ultidão não existe, as pessoas
a~ 0n;era as .e _que tem existência, Se elas forem em bora, onde
e::..tara a m ultidão? D e m odo análogo, se os pensam entos e
sensa-çoes desaparecerem ,.. que, . restará da m ente?
LKJIHGFEDCBA
. S ó o vazio ,SIo 'IAenclO.que se vrvencia na prática da m editação.
, . Essa concepção niilista da m ente pode ser reforçada por outro
sím ile: a m ente
é
com o um espelho. C om efeito, é fácil adm itirque um . espelho revela a própria essência por sua vacuidade Se
ele contIves~e algu!D ~ coisa, deixaria de ser espelho. D essa fo~a
s~a verdadeI.ra existência consiste na sua não-existência. N ão s~
tJ.~ta de sofism a. O e.spelho não
é
o m aterial, pouco im porta ques:Ja u~ pedaço de vidro ou a superfície de um lago. Sua
essên-C Ia reside ~penas na função de refletir.
d A partir dessa constatação,
é
possível com preender a naturezaa m ente ~um ar:a. Se o espelho estiver im aculado, tudo nele a
a-rece ~em distorções, se~ deform ações. Ele não discrim ina nem jul a
as C O Isas. R eflete-as tais com o são na realidade. Tanto faz ser u~
sapo asqueroso ou .um rosto belo de m ulher que se coloquem diante
dele. A presenta-os Igualm ente, sem qualquer preferência por um ou
por outro.
C om a m ente em estado puro deve acontecer exatam ente do
~esm o. m odo. Ela percebe a realidade sem nenhum a deform ação
distanciando-seI ., assim da m ente pensante . Esta em i e't' JU gam entos
1
'
se eC lo~~, ~nalIsa o que apreende, projeta seus próprios valores E~
consequ_encla, tU ?O se torna li~itado. e deform ado. A s coisas,' tais
com o sao percebidas, apenas evidenciam o estado em que a m ente
se encontra.
Se a superfície de um espelho estiver m anchada as jm
se proj etarãao fragm en ta as, semd b .nlho. N o caso da m ente' pensanteim agens
as m anchasI sãodios condicionam entos "passaos traum as todo o d 'o
que ~e a se s~ im enta, quase a im pedindo de exercer a função de
refletir a realidade. Q uanto m ais poeira sobre um espelho
ele funcio. n ra.a' Quan o m aist . tum u 1tuada estiver a m ente, m enos' m enosela
l ipuz de m editar, de existir no aqui-e-agora. Estará oculta,
passado, sufocada pelo lixo existencial, sendo
necessá-terapia para libertar-se do peso dos
condicio
O s e s t a d o s d e c o n s c i ê n c i a
uando nos encontram os acordados, exercendo nossas
ativida-dl' diárias há um crescente bom bardeio de inform ações, um a
liga-\ 1 0 sujeito~m undo, operada na base de perce~ções e aná~is.es, de
.n 'ações e pensam entos. C once~e:se um a dual~da~e necessana,.
su-i
-ito e objeto são entidades dlstm tas. Tudo e V IStO pelo pnsm adu dualidade, de tal form a que parece inviável assim ilar um
con-cito, por banal que seja, sem estabelecer oposições. Esse
é
oes-tudo de vigília, em que se experim entam as tensões, o acúm ulo das
im pressôes sensoriais. O cérebro trabalha em onda beta, de 14 a
30 ciclos por segundo.
N o sono profundo, estado diam etralm ente oposto ao de vigília,
há um a espécie de desligam ento e!D relação, ~o m u~do dO ~Ao~jetos
m ateriais. Por esta razão, tudo cal no dom ínio da m consciencia. E
com o se nada m ais existisse para o indivíduo que dorm e
profunda-m ente ou, em sentido inverso, com o se ele estivesse m orto para as
coisas existentes.
N o sonho, a m ente libera im agens que de certa form a se
as-sociam às im pressões captadas na vigília, porém se fundem a outras
que jazem esquecidas, num sim bolism o difícil de ser analisado. A s
coordenadas de tem po e espaço se desfazem e tudo passa a ser
pro-duzido com o se o universo adquirisse outras dim ensões, sem padrões
de lógica e organização.
Finalm ente, fala-se na experiência de um quarto estado de
cons-ciência caracterizado pela fusão sujeito-objeto, pela percepção da
to-talidade. A qui já não há fronteiras para a consciência, as
dualidn-des se dissolvem , o princípios da unidade
é
tudo o que existe. EStieé
o estado da ilum inação, da pura transcendência ou m editação, daconsciência cósm ica.
U m confronto entre o universo dos sonhos e o da vigília p
'r-m ite um a reflexão sobre a relatividade do real. Se há
traduçã
I I Iterm os de linguagem , quem pode assegurar que os sím bol 'u p lu
dos no sonho não sejam reais? N o instante em que se prece t i l i
sonho, as coisas parecem tão reais com o na vigília. E um a 11I t . t l l
de referencial. Para o estado de ilum inação, a
vigília
r pr 111 1 11sono profundo. E com o se as pessoas, enquanto nao utin 'I '111 11
grau de consciência cósm ica, estivessem dorm indo (1I1h I I l I h , \
vida na terra seria realm ente um sonho, no sentido lil\ rui di 11 1
lavra. O u maya (ilusão), conform e dizem os m í tico I t i l l d l l ,
4 . A e n e r g i a c r i a t i v a d a m e n t e
utsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
A atitude
h~m ana
diante do
m undo
consiste
em perceber
e
~ansform a.r
as C O Isas. A
existência
inteira
é um
esforço
contínuo
LKJIHGFEDCBA
>
e ~prendlzage~.
M as, se há um nível em que a m ente
se unifica
~ at1O ge.a_ to~ahd~de, tudo nela está contido:
a m ente é onisciente.
b um a
visao?d~ahsta,
aprender
nada
m ais é que
recordar,
relem-!ar,
fazer V Ir a tona o que jaz oculto nas profundezas
do
incons-C iente.
Por essa razão,
o processo
de criatividade
não
funciona
so-m ente ~o estado de vigília. O s artistas e cientistas testeso-m unhaso-m
que
l'ev~l~çoes e des~~bertas
incríveis
surgem
através
dos
sonhos
ou
est~glO s ,de
consciênciaalterada.
À s vezes, um
problem a
perm
ane-ce 1O ~oluvel durante
m eses ou anos a fio, sim plesm ente
porque
a
s?]uçao
depende
da quietação
m ental.
D e repente,
quando
for
ex-tinto todo o esforço e preocupação,
ocorre o
i n s i g h t ,a intuição,
a
re~posta surpreendente,
provocando
o deslum bram ento
ou êxtase
o
grito de
e u r e k a . 'A c~'pacidade ~ria!iva é u~
dos traços distintivos
do hom em
em
re~a~ao. aos am ?I~ls. Ela e tam bém
um fator determ inante
da
sobrevivência _
da
frágilespéci~ hum ana.
N a realidade,
trata-se
de
um ~ propensao
natur~l que dinam iza
e orienta
a vida.
E,
sendo
aSSIm , deve ser canahzada
para
a evolução,
para o bem
com um .
C ontudo,
n~m . s.em pre se usam
procedim entos
adequados
para
desenv~lver a cr~atlV ldade. A aprendizagem ,
algo estritam ente
pes-so~l ~ intransferível,
p_assou a ~e.r c~ncebida
com o um
objetivo
a
at1O ~r e, por ~ss~ r~z_ao, adquiriu
sistem atização
e lógica,
concen-tran
o-se
p a ~
instituições escolares, onde sofre a opressão
dos m
é-todos e
técnicasque em geral operam
na base de condicionam
en-tos. Longe de despertar
a criatividade,
a m ente
oprim ida
funciona
segundo
certos
preconceitos
e valores
e, conform e
analogia
do
es-pelh? m anchado,
o conhecim ento
expresso
será sem pre
um a
defor-m açao _do real, e~tando. sujeito a revisões perpétuas.
N ao ~e. deseja aqui pregar
a inutilidade
ou nocividade
da
es-c?la. A . crítica
sobre os m étodos
de condicionam ento
constitui
em
SI um }u!ga.m ~nto questionável com o qualquer
outro. O que se
pre-tende ~ insistir sobre a. im portância
de novas atitudes
m entais face
a.o fenom eno
da aprendizagem , no sentido de liberar a energia
cria-tJ~a. Se a
m ~nte é onisciente,
se tudo nela se
encontra,
por que
uao centrar
ai ~ foco das atenções do processo educativo?
Sob outro angulo, essas posturas
m entais
não oferecem o risco
de
tran~fo~a:
os alunos
em filósofos ou
m ísticos. A
experiência
da
m editação ~l1:m estado
de graça, acontece
a poucos
predestina-d?s. M as as tecn~c~s que se usam para criar
condições de m
edita-çao podem ser utilizadas
com proveito
por qualquer
pessoa. E, sem
94
E d u c a ç ã o e m D e b a te , F o r t. ( 1 0 ) J u lh o /D e z e m b r o : 1 9 8 5dúvida, contribuem
para um a aprendizagem m enos repetitiva e m ai
Inventiva.
Tudo depende
de aproveitar ao m áxim o a energia m ental,
exer-cendo sobre ela o controle da consciência.
A s técnicas de
relaxa-n.cnto
e de concentração
aos poucos m odificarão certos conceitos e
hábitos
que dificultam
a livre
expressão e transform am
o ~to de
conhecer num sim ples am ontoado de inform ações. O ra, esse
típode
saber de nada vale para
o indivíduo e lhe é inclusive
prejudicial,
um a vez que o leva
a pensar e agir
de acordo
com a ori~ntação
transm itida,
im pedindo-o
de ver ou aceitar
outras
perspectlV as:
Esem pre um conhecim ento
parcial,
cujo efeito m ais desastrosO e o
de fechar
a m ente para os m últiplos
possíveis enfoques que
neces-sariam ente existem . C om isso, a capacidade m ental fica esclerosada,
esvazia-se a energia
criativa.
5 . M e d i t a ç ã o e a m p l i a ç ã o d a c o n s c i ê n c i a
A m ente tem
poderes ilim itados.
Todavia,
se ela
se m antiver
bloqueada
em virtude
de hábitos
e preconceitos,
sua força não
é
ativada.
Q uanto
m ais livre
e aberta
estiver, m ais
flexível será
a
m ente. E a flexibilidade constitui, a par da originalidade
e da
fluên-cia, um dos com ponentes essenciais da criatividade.
C aracteriza-se
a flexibilidade
m ental pela propriedade
de gerar
inúm eras respostas diferentes
para um a dada situação. U m teste
bas-tante conhecido
foi proposto
por G uilford
e consiste em se
pergun-tar o que é possível fazer
com o tijolo. Q uem
é pouco
inventivo
dirá que o tijolo é indispensável
na construção
de casas, edifícios,
escolas etc.
O u seja,
um a série
de variações
da
m esm a resposta.
A o contrário,
outro
indivíduo
produzirá
um leque im enso
de
pos-sibilidades
se disser que o tijolo serve,
por
exem plo, para:
derru-bar frutas
ou quebrar vidraças;
sustentar um a porta;
funcionar com
assento;
calçar
um a m esa
ou poltrona;
ser um a arm a
de
defesa;
escrever ou riscar; escorar um pneu num declive; tapar um buraco;
form ar
m ódulos
(estantes, porta-discos
etc.);
ser utilizado
em
de-coração (cinzeiro,
quadro,
etc.); im provisar
um fogareiro;
ser
chu-tado ou causar um tropeço;
pregar um a peça (sendo oferecido com o
presente);
representar
um retângulo;
bater um
prego;
descansar a
cabeça;
ser transform ado
em pó;
espantar
um
anim al;
fazer m
a-cum ba;
lim itar espaços; esfregar os pés; esculpir algo; treinar
kara-tê; ser guardado
com o lem brança;
substituir
um a
tam pa
de filtro;
funcionar
com o peso
de balança;
arrom bar
um a
porta;
irritar o
vizinho:
assustar um ladrão;
fazer m alabarism os;
praticar
h ltcres;
cbservar
seus detalhes;
desviar o curso d'água;
fazer
um canteiro
ou cam inho
sobre a gram a
num jardim ;
polir
jóias;
c locar
em
cim a o . ferro de engom ar para esfriar; fazer redem oinho
(atiran-do-o no no); ser usado com o brinquedo pelas crianças; construir
calç.adas, m ~ros, fornos, cacim bas, barragens, pisos, tanques, quadras
de JO ~o,. caixa d'água, túm ulos, pias, m esas, cam as, fossas,
coradou-ros, piscinas, placas, balcões, estradas, batentes, palanques, cham inés,
ram pas, colunas, altares, lareiras, churrasqueiras, pontes torres
tronos, pedestais, etc. etc. etc. ' ,
D eduz-se então que as m odalidades de atuação face a um
de-term i~a~<: probl~m a, divergem segundo os esquem as_ m entais. Q uando
a !l~xlblhdade e m irum a, as soluções propostas sao em geral
este-reotípos ou repetições. Este é o procedim ento estim ulado pela
edu-caçao form al. Se o aluno se com porta de m odo diverso do que é
esperado, será. !ogo punido. Suas opiniões têm que ser iguais às que
for~~ tr~nsm ltIdas pelo professor, suas respostas têm que atestar a
assI~lllla~ao dos conteúdos expostos, sem contestação, sem incentivo
a vísualizar as coisas por outros enfoques.
C om tal procedim ento, a escola m odela as m entes num a só
direção, cerceando a liberdade de criação. A difusão do saber ocorre
de ac?rdo com certos padrões culturais, os quais categorizam os
co.n~e.ltos em certos ou errados, válidos ou inoperantes, segundo
cn~enos de coerência e lógica. Elim ina-se, com esses artifícios, a
acei-t~çao ou, pelo m enos, o exam e de inúm eras possibilidades de
refle-xoes sob angulos novos. E o pior: estim ula-se a configuração de
~n;.a m ente conservadora e preconceituosa, bloqueada para todas as
I~elas que conflitem com os pontos de vista usualm ente
estabele-cidos.
. A s pessoas que relutam em m udar suas opiniões, que vêem as
C O Isas sem pre de um m esm o ângulo, tendem a m anter a m ente
Fe-c~~da, a preservar e defender certos conceitos que lhes parecem
vahdos e verdadeiros, considerando os dem ais falsos e prejudiciais.
Incorporam ~s idéias a tal ponto que passar a m anter em relação a
el_as um se?tIm ento de possessividade, sofrendo m uito se alguém
~ao. as aceita. E com o se a percepção do ego se circunscrevesse aos
lim ites do pensar.
O ra, o hom em não deve identificar-se com as idéias que passam
por ~ua. m ente. O s pensam entos vêm e vão, num fluxo constante, c
a pru~elr~ tarefa do m editador é a de observá-Ios de m odo im
passí-vel., N ao. Im porta que espécie de im agem apareça, a única atitude
cabível e a de pura observação, sem julgam entos ou análises. A ssim ,
c?A m e~a a operar-se a desidentificação do eu, a am pliação da
cons-ciencia, Ela deixa de confinar-se a determ inados enfoques e se torna
un: esp~lho em que o pensar adquire um a nova natureza, já que
existe sim ultaneam ente com essa atividade a própria consciência do
processo.
LKJIHGFEDCBA
Experim enta-se, pois, um desapego com respeito às idéias, vistas
a partir de então com o algo passageiro e provisório. Se a m ente
fun-ciona no sentido de acum ular desejos e im pressões, em oções e
pen-sam entos, estes aí perm anecem e se fossilizam . Se, ao contrário, a
atitude é a de observá-Ias, há um a perene renovação da energia
m ental.um a percepção diferente.
Sem dúvida, o que acontece com um indivíduo altam ente
cria-tivo é algo sem elhante. Ele está pronto a renovar-se a cada instante,
a conceber as coisas de m odo diversificado, a adotar posturas até
im previsíveís, a m udar freqüentem ente de opiniões. C opiar os outros
ou a si m esm o é indício de falta de criatividade.
M as a m editação conduz o praticante a um a visão
essenciali-zante das coisas. C om a am pliação da consciência, surge a
percep-ção da unidade, a indistinção entre os opostos. E, por isso m esm o,
os valores ou conceitos são redim ensionados. N ão se trata m ais de
distinguir o certo do errado, o falso do verdadeiro. A s idéias em
si não são boas nem m ás, os atributos não passam de convenções
hum anas. D aí, dessa atitude de observação ou plena aceitação,
pe-netra-se no cam inho da visualização de planos m ais elevados da
consciência.DCBA
6 . A s v i a s d a m e d i t a ç ã o
E paradoxal que o hom em procure sistem atizar ou adotar
es-tratégias para a obtenção do estado m editativo. N a realidade,
qualquer m étodo é ineficaz, um a vez que não constitui causa de
um processo cujo resultado final seja previsível. D ito de outra m
a-neira, a consciência pode am pliar-se subitam ente, sem recurso a
nenhum a técnica ou, ao inverso, continuar inalterada apesar de
serem usados os m ais difíceis ou torturantes rituais de iniciação.
C ontudo, se as estratégias não têm com o efeito necessário o
es-tado m editativo, elas criam condições que facilitam o seu
apareci-m ento, se de fato tiver que acontecer. A lém do m ais, desenvolvem
certas capacidades m entais que possibilitam um a atuação decisiva
dos processos criativos.
E nesse ponto que a aplicação das técnicas de concentração
deveria ser am plam ente estim ul~da pela escola. N ão se pretende,
conform e já ficou atrás esclarecido, que os estudantes atinjam o
nível de consciência cósm ica ou se tornem m ísticos e ascetas. O u
seja: não se traça com o m eta a aquisição do estado m editativo, d
vazio m ental. O que interessa no caso é apenas o processo, e c te
realm ente pode trazer resultados surpreendentes para a m elhoria du
aprendizagem . .
B asta que se pense na utilidade do dom ínio da
conccntraçã
.
C om efeito, o grande obstáculo que m uitos alunos enfrentam
é
tam ente a falta de controle ou dispersão das idéias. Se estão lend
LKJIHGFEDCBA
Iou escrevendo, o pensam ento vagueia em m il outras direções,
ti
m odo que nada conseguem assim ilar. N as aulas, essa dispersão truz
um sentim ento de desânim o. C om o podem aprender, se são incap I
zes de fixar a m ente num só assunto?
O ra, todas as técnicas de m editação enfatizam essa necessidad
de levar a consciência a deter-se na observação, no aqui-e-agora.
A ssim ocorre, por exem plo, noDCBAz a - z e n , no estar-sentado, em atitude
im passível. Q ualquer desvio da concentração deve ser logo
perce-bido e rem ediado.
M as existem m últiplas vias da m editação. N esse ponto, o
ori-ente tem oferecido grande contribuição ao ocidente, subitam ente
ansioso por obsorver um a sabedoria m ilenar que raia os dom ínios
da fantasia. A cada ano, essa invasão se torna m ais abrangente e
lá se constata, em algum as instituições escolares, a prática de
exer-cícios de ioga em seus m ais diversos aspectos.
Para citar só alguns cam inhos relacionados à ioga, fazem -se
experiências de concentração em
mantra-yoga
(o poder do som ), eml a y a - y o g a (a dissolução da m ente), em t a n t r a - y o g a (a suprem a com
-preensão) e, principalm ente, nos estágios da senda óctupla de
Pa-tânjali, cujo pico se denom ina s a m a d h i ou im ersão total, na qual
desaparecem as distinções entre sujeito e objeto e afirm a-se a
per-cepção da unidade da consciência.
7 . C o n c l u s ã o
U m a das preocupações básicas dos educadores é a de
encon-trar estratégias capazes de favorecer o processo da aprendizagem .
A s teorias m etodológicas convergem para duas linhas centrais, um a
voltada para um ensino program ado e repetitivo, outra definida pela
ênfase nos m ecanism os de desenvolvim ento da criatividade.
Entretanto, em qualquer direção, as experiências nem sem pre
geram resultados eficazes, talvez porque sofrem o ajustam ento ao
contexto educacional, em larga m edida conservador e obsoleto. A s
m udanças de perspectiva em geral se resum em em sim ples
propó-sitos e, por isso, a escola continua cada vez m enos cum prindo as
duas funções, transm itindo um a visão fragm entária e setorial do
conhecim ento sobre a realidade.
M ais grave, porém , é o fato de que as m etodologias
educacio-nais são entraves ao funcionam ento do potencial inventivo dos
alunos, drasticam ente forçados a um grau de dependência que os
im pede de aprender de form a plenam ente consciente. C om isso, a
capacidade criativa é bloqueada e o poder de concentração se anula.
O ra, se é um truísm o afirm ar que o ato de aprender exige
reflexão e envolvim ento, pouco se tem feito no intuito de que os
98
E d u c a ç ã o e m D e b a te , F o r t. ( 1 0 ) J u lh o /D e z e m b r o : 1 9 8 5. . C om o então obter um
rendi-lim o se. torn:l?- m enos dlspe.rsl~~~tal se' desga;ta no esforço de
111 II\U satlsfatono, s~ a energla _ eduz a um foco de atenção
1 \ nnilar um conheclfiento ?ue n:~ase d~ntro sem nenhum a atitude
\,"1 que, de resto, vem de ora P
.k
Iceitação? endiza em deve ser um ato deSe se com preender 5u~ a ~pr arec; fora de propósito adotar
1"' 'ntificação da consciencie,, . oluçoes~ao paraP o problem a o em prego de
1 1 1 1 1 1 0 um a das pos~lV elsC s m a-se verificar que os exercícios de
11 -nicas de m edltaçao. os~u lm ente o poder de abstração, a
\ \lllcentraç~o am püam O conslderave danças efetivas no com portam
en-II.uldade lfiagm atlva. correm . m u . if'cados
" • A • descortm a novos Slgn 1 •
\0, a propna e~stencla 1 ' atestado por m uitos praticantes e
Esse cresclm ento ~~ss~a e eito M as seria o caso de,
uté
já se fizeram expene!lclas a .~s~i~:~~es ~ue poderiam advir, denum a prim eira fa.s~,. an~hsar ~~e: r~tações fantasistas ainda
existen-depurar ou desm l~lhca~ a~ d'~ação deve insentar-se do interesse
leso Em sum a, o convite a anorm ais conquanto estes possam surgir
pela ativação de poterâs par~nl para' os objetivos instrucionais,
é
ouleatoriam ente. O ~n a~:n ~~z m aior do ato de concentração. A s
controle e_ a duraçao ca das indiscrim inadam ente, sob pena de
técnicas nao. podem s~r. usa ue se retende. Por isso, antes de
produzir :feltos ~o?tranos ah~ 6teses / organizar um m odelo. Tudo
tudo ser a necessano testar lP.
com ~ requer o figurino educaciO nal.