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Aula 02 O RENASCIMENTO E A PSICOLOGIA

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Academic year: 2022

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Aula 02

O RENASCIMENTO E A PSICOLOGIA

Nesta aula daremos continuidade a segunda parte da relação da Psicologia com as contribuições da Filosofia e, principalmente, das ideias do Renascimento. Isso se faz ne- cessário para a formação do profissional, dando visibilidade as raízes que deram origem ao conhecimento Psicológico. O longo período histórico que marcam as bases do conhecimento tem surgimento no Renascimento e justifica-se na variedade de pensamentos e abordagens que a Psicologia toma como forma de investigação e que serão tratadas nas aulas posteriores.

É importante destacar que a evolução da Psicologia acompanha as mudanças que ocorrem no mundo e consequentemente na organização da sociedade, uma vez que se interes- sa pela compreensão do homem, e este por sua vez revela com seu comportamento o mundo que vive. Sendo assim para construir o entendimento do tortuoso caminho que a Psicologia teve que percorrer, precisamos nos atentar para elementos da historia do homem que são fundamentais: como por exemplo, a cultura, acontecimento socioeconômicos, a politica e a religião com já foi visto na aula passada. Deste modo marcamos como imprescindível o movimento do Renascimento.

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O movimento da Renascença ou do Renascimento começa por volta de 1300 a 1600 d.c, e foi um movimento cultural que marcou a fase de transição dos valores e das tradições medievais para um mundo totalmente novo, em que os códigos cavalheirescos cedem lugar à afetação burguesa, às máscaras sociais desenvolvidas pela burguesia emergente. Esta impor- tante etapa histórica predominou no Ocidente entre os séculos XV e XVI, principalmente na Itália, centro irradiador desta revolução nas artes, na literatura, na política, na religião, nos aspectos socioculturais. (FREIRE, 2014)

SEÇÃO 1 - O renascimento e sua contribuição à Psicologia

Deste polo cultural, o Renascimento se propagou pela Europa, especialmente pela Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e com menos ênfase em Portugal e Espanha. Na concep- ção do renascentismo, o homem é a peça principal, agora ocupando o lugar antes impensável do próprio Criador. Este aspecto antropocentrista, ou seja, o homem no centro se prolonga por pelo menos um século em toda a Europa Ocidental.

Além do Antropocentrismo, no Renascimento há a busca do máximo prazer no mo- mento presente, como tesouro maior do Homem – e individualistas – a exaltação do indivíduo e de sua suprema liberdade dentro do grupo social -, bem como o otimismo e o racionalismo.

Aqui a história da Psicologia ganha um marco, pois a ideia é de que o homem gover- na o próprio homem, portanto, tem em si as condições necessárias para existência e não mais uma dependência de fatores religiosos, ou de cunho místico. (BOCK, et al. 2009).

Pouco mais de II séculos após a morte de São Tomás de Aquino, tem início uma época de transformações radicais no mundo europeu. O movimento da mercadoria, ou seja, o mercantilismo leva à descoberta de novas terras, também a expansão das frotas marítimas, o contato com povos e cultura diferentes, bem como as trocas entre elas. Alguns fatos his- tóricos afetaram diretamente para a compreensão da interioridade do homem. (GOODWIN, 2010)

Segundo Bock et al, (2009) as ciências também conheceram um grande avanço em 1543, ano em que Copérnico causa uma revolução no conhecimento humano revelando que o nosso planeta não é o centro do universo. Este fato produz uma importante influencia no homem, que percebe que algumas ideias não podem ser tomadas como verdade, ou seja, é necessário investigação para que determinado conhecimento seja considerado válido.

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Para Freire (2014), um dos fatores de maior relevância para a história da Psicolo- gia foi o papel de Nicolau Copérnico 1473-1543 que desenvolveu A teoria heliocêntrica1 , empreendimento essencialmente matemático, estimulado pela veneração da matemática neo- platônica, o que foi possível pelo reavivamento da matemática na Europa. Copérnico estava devidamente equipado com as ferramentas essenciais para sua teoria revolucionária e, como observou Burtt, ‘a transformação da visão do novo mundo não foi nada além da redução ma- temática, sobre o platonismo revisto da época, de um complexo labirinto geométrico para um belo e simples e harmonioso sistema’. Levou, é claro, algum tempo para a visão de Copérni- co, que desalojou a Terra do centro da Criação, substituir a antiga visão, e não foi até 1838 que a verificação decisiva da paralaxe estelar ser registrada pelo astrônomo Bessell. Todavia o empreendimento de Copérnico indiscutivelmente marcou a chegada da nova era, e todo o pano de fundo imaginativo da existência humana foi transformado.

Nesse sentido ocorre também um processo de valorização do homem. As transfor- mações ocorrem em todos os setores da atividade humana, inclusive na ciência. Esse avanço na produção de conhecimentos propicia o início da sistematização do conhecimento cientí- fico, no qual a Psicologia começa a ser pensada numa lógica centrada pela razão e começa a se afastar das ideias de alma, apontando com uma proposta de organização de conhecimento que dê conta de explicar o comportamento deste homem renascentista.

SEÇÃO 2 - A relação corpo e mente

Figura 2 http://coolreferat.com/ref-0_178816478-37326.jpg. Acesso 12.1.2017

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onde René Descartes (1596-1959) filosofo francês, ocupa privilegiado lugar. Descartes foi um dos que mais contribuiu para o avanço da ciência. Ele postula a separação entre mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o homem possui uma substância material e uma substância pensante, e que o corpo, desprovido do espírito, é apenas uma máquina. Esse du- alismo mente-corpo torna possível o estudo do corpo humano morto, o que era impensável nos séculos anteriores (o corpo era considerado sagrado pela Igreja, por ser a sede da alma), e também possibilita o estudo da Anatomia e da Fisiologia, que iria contribuir em muito para o progresso da própria Psicologia.

A questão de suma importância encontrada em Descartes (1856) é a lógica de que homem não tem alma, principalmente na obra “O Discurso do Método”, que expõe uma su- peração da emoção da mente pela razão. A obra clássica do autor era dividida em seis partes e a partir dela, Descartes afirmava que somente por meio da razão é que se pode chegar à verdade das coisas.

A maior contribuição de Descartes à Psicologia foi a de introduzir o problema mente e corpo e concentrou sua atenção na dualidade físico-psicológica, possibilitando, assim, o redirecionamento dos pesquisadores, que passaram do conceito teológico abstrato da alma para o estudo científico da mente e de seus processos. O conhecido cogito cartesiano que era a relação entre mente e corpo, tinha como proposta estudar com ênfase as reações fisiológicas ligadas ao pensamento e vice-versa.

De acordo com a teoria de Descartes, a mente é de natureza imaterial, ou seja, não tem forma, peso ou medida, porém, é provida de capacidade de pensamentos e de outros pro- cessos cognitivos (cognição é a capacidade de adquirir um conhecimento), proporcionando ao ser humano informações sobre o mundo exterior. Essa capacidade de pensamento separa a mente de todo o mundo físico. Portanto, para estudá-la é necessário separar as reações físicas das emocionais. Como a mente possui as capacidades de pensamento, percepção e vontade, ela influencia o corpo e é por ele influenciada. Por exemplo, quando pensamos em executar alguma ação, essa decisão influencia os músculos para execução da ação desejada. (GOO-

Figura 3 Fonte:http://drupal-multisite-s3.s3-us-west-2.amazonaws.com/.jpg. Acesso em 12.1.2017

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DWIN, 2010)

Assim, através do ato puro e simples de pensar, Descartes provou a existência do pensamento, sem que ninguém pudesse duvidar disso. Imagine qualquer coisa e verá que ela pode ser posta em dúvida, mas o pensamento não, pois o ato de pensar, por si mesmo prova a existência do pensamento. Daí surgiu a célebre frase de Descartes: “Penso, logo, existo”.

Seguindo esse raciocínio, o pensamento é a única verdade que não tem como ser contestada.

A teoria da interação mente-corpo de Descartes precisou passar pela pesquisa sobre o ponto exato em que ocorre essa interação, antes de ser completada. Para ele, a mente era uma unidade e, por isso, deveria interagir com o corpo em um único ponto. (CHAUÍ, 1995).

Sua pesquisa o levou a acreditar que esse ponto era o cérebro, pois percebeu que sen- sações viajavam até ele, onde surgiam os movimentos. Estava claro para ele que o cérebro era o ponto central das funções da mente e a única estrutura cerebral unitária seria o corpo pineal (glândula localizada atrás da terceira cavidade do cérebro) ou conarium2 . Descartes considerou esse ponto como o centro da interação mente-corpo.

Descartes ainda utilizou os conceitos do mecanicismo para descrever a interação mente-corpo. Propôs que o movimento do espírito animal (como era denominada a essên- cia da vida, a alma) nos tubos nervosos provoca uma impressão no conarium e daí a mente produz a sensação. Em outras palavras, a quantidade de movimentos físicos, produz uma quantidade mental ou sensações. O contrário também ocorre: a mente cria uma impressão no conarium e essa impressão provoca o fluxo do espírito animal até os músculos, resultando no movimento corporal. (FREIRE, 2014)

Figura 4 http://3.bp.blogspot.com/-aciQCcE603Y/renascimento.jpg. Acesso 12.1.2017

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A partir deste momento da história as portas do conhecimento se alargam para co- meçar a recolocar o homem, sua constituição social e, principalmente, a razão em evidência.

A discussão de corpo-mente principalmente sobre o que seria mais importante, oca- sionando sempre uma separação entre elas, é colocada em xeque. A logica é pensar um como extensão do outro na lógica de Descartes e isso ocasiona possibilidade de aprofundar a rela- ção em material e imaterial, entre bios e a psique. Sem a compreensão desta parte da Psicolo- gia haveria uma impossibilidade de compreensão dos avanços tanto nas pesquisas quanto no campo das formulações teóricas.

SUGESTÕES DE LEITURAS, SITES E FILMES LEITURA

Chauí, M. (1995) Convite à filosofia (3a. ed.). São Paulo: Ática SITE

http://www.ufrgs.br/museupsi FILME

Rainha Margot; (drama) Descartes

Danton – O Processo da revolução

Atividades da Aula 02

Após terem realizado uma boa leitura dos assuntos abordados, na Pla- taforma do CEAD “Atividades” estão disponíveis os arquivos com as atividades referentes a esta aula, que deverão ser respondidas e envia- das por meio do Portfólio - ferramenta do ambiente de aprendizagem UNIGRAN Virtual.

Referências

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