Conduta ética e moral no ambiente de trabalho
Amanda Caroline de Almeida Lopes (Faculdade União) [email protected] Letícia Baggio (Faculdade União) [email protected]
Resumo: As pessoas passam a maior parte da sua vida no ambiente de trabalho, convivendo com pessoas de personalidades e estilos diferentes, que ao passar do tempo fazem parte da rotina diária dos trabalhadores. Para que se possa ter um convívio sadio neste ambiente, é necessário treinar a conduta ética e moral das pessoas, assim observando-se os limites de respeito e liberdade mutuamente. Por conta disso, este artigo teve como objetivo identificar quais fatores morais e éticos estão mais ausentes no contexto profissional, especificamente buscou-se também identificar quais destes fatores oferecem maior percepção negativa dos entrevistados e quais o próprio entrevistado comete no seu dia a dia de trabalho. Para tanto realizou-se pesquisa com 24 entrevistados, e os resultados demonstraram que fofocas sobre colegas e falar mal da chefia são as opções mais lembradas quando se refere a situações de assédio moral que ocorrem na empresa em que trabalham. Com relação ao que os entrevistados consideram mais grave percebeu-se maior porcentagem com relação a humilhação e constrangimento, agressões verbais e abuso de poder. Quando perguntado aos entrevistados sobre ações que eles próprios cometem, voltam a aparecer as questões de fofocas sobre colegas e falar mal da chefia.
Palavras chave: Ética, Moral, Ambiente profissional.
Ethic and moral behavior in environment work
Abstract: People pass the most of their live in environment work, living with persons of different personality and styles, which with the pass the time take part in workers daily routine. So that to have a healthy conviviality it’s necessary to train the persons ethic and moral conduct, thus watching oneself the limits of individual freedom and mutual respect. In a roundabout way this article had as objective identify which these factors offer major negative perception from the interview and which the particular interview commit in his work day to day. So that archieved research with 24 interview, and the results proved that malicious gossip about co-workers and gossip behind the boss are the options more remembered when refere to moral siege situations which happen in their jobs. About what the interview consider more serious perceived bigger percentage with relation to humiliation and constraint, verbal aggression and authority power. When asked the interview about action that thenself commit, turn over to appear the questions about malicious gossip about co-workers and gossip behind the boss.
Key words: Ethic, Moral, Professional environment.
1 Introdução
Os profissionais passam a maior parte do seu dia no ambiente de trabalho, uma parte menor em repouso e lazer e outra entre deslocamentos que dependendo do lugar poderá representar parte significativa do tempo. Por conta disso, o trabalho representa parte fundamental da vida das pessoas agregando não apenas ocupação, mas também valor intelectual, reconhecimento e valorização.
No trabalho, convive-se com pessoas de estilos e personalidades diferentes mas que fazem parte da rotina diária de cada trabalhador. Tais aspectos justificam a importância creditada ao bom relacionamento no ambiente profissional, visto que é lá que se passa a maior parte do tempo ativo.
Dessa forma, para que se tenha um convívio sadio é necessário treinar constantemente a conduta ética e moral, para que os limites de respeito e liberdade sejam mutuamente respeitados. Tal procedimento evita transtornos para a empresa, como perda de produtividade, desmotivação dos funcionários, conflitos, comprometimento da imagem organizacional entre outros. Evita também desgastes aos próprios colaboradores pois trabalhar em um ambiente harmonioso torna o próprio trabalho mais agradável e produtivo.
Neste contexto, pode-se perceber condutas antiéticas no dia a dia das empresas, como práticas desleais, conflitos de interesse, assédio moral e outras condutas equivocadas. Em razão disso, embora pareça impossível controlar a conduta ética de cada colaborador, é necessário esclarecê-los a respeito da linha de conduta considerada adequada pela empresa.
A ética é um dos assuntos mais lembrados ao se falar em negócios, política e relacionamentos humanos. Isto diz respeito ao posicionamento ético ou moral das pessoas (REVISTA JURIDICA VIRTUAL, 2011).
Diante disso, o presente estudo encontra sua justificativa na importância dedicada ao estudo da ética e moral no ambiente profissional, visto que as empresas buscam ser transparentes e ofertar produtos que não reservem surpresas aos seus consumidores. É coerente, portanto, que as pessoas envolvidas em todos os processos, sejam eles, fabricação ou venda desses bens, também sejam transparentes e não reservem surpresas.
Assim sendo, o objetivo deste trabalho é identificar quais fatores morais e éticos estão mais ausentes no contexto profissional analisado. Especificamente buscou-se também identificar quais destes fatores oferecem maior percepção negativa dos entrevistados e quais o próprio entrevistado comete no seu dia a dia de trabalho.
Para atingir estes objetivos buscou-se no decorrer do presente estudo conceituar teoricamente ética e moral e identificar condutas antiéticas dentro das organizações através de uma pesquisa aplicada.
2 Ética
Tradicionalmente a ética é entendida como um estudo ou uma reflexão, científica ou filosófica sobre o comportamento humano; é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Nada mais que o estudo das ações e costumes humanos. “A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja,é a ciência de uma forma específica de comportamento humano” (VÁZQUEZ, 2000, p.23).
Há séculos, a humanidade vem buscando normatizações que possam dar aos cidadãos igualdade e que dessa maneira possuam um estado de direitos e deveres iguais. O fato é que está cada vez mais difícil saber o que é correto e o que não é; este fato traz insegurança e tensão nas relações sociais.
Segundo Boff (2004), a ética possui princípios e valores que orientam pessoas e sociedades, quando uma pessoa se orienta por princípios e convicções pode-se dizer que tem caráter e boa índole, é uma pessoa ética.
“Os conceitos éticos são extraídos da experiência e do conhecimento da humanidade”
(MOREIRA, 2002, p.21).
Ainda segundo Moreira (2002), há pelo menos cinco teorias a respeito da formação dos conceitos éticos; são elas:
a) teoria do fundamentalismo propõe que os conceitos sejam extraídos de fontes externas, por exemplo um livro, como a Bíblia. Os críticos dessa teoria dizem que ela não permite que o ser humano encontre o certo e o errado por si mesmo.
b) teoria do utilitarismo baseia-se nas idéias de Jeremy Bentham (1748 - 1832) e John Stuart Mill (1806 - 1873), é a idéia de “maior bem” para a sociedade, o bem deve ser mensurado pelo seu tamanho e não pelo número de pessoas que beneficia. A crítica ao utilitarismo destaca a dificuldade de avaliar em cada caso o “bem maior para a sociedade”.
c) teoria do dever ético, teoria Kantiana, de Emanuel Kant (1724-1804), onde cada um deve se comportar de acordo com princípios universais. É um princípio universal aquele que determina a quem assume uma obrigação o dever de cumpri-la. O padrão ético deve valer para todos sem exceções. Só se deve exigir dos outros o que exigimos de nós mesmos. A crítica sobre essa teoria está na dificuldade em mensurar quais são os princípios universais.
d) teoria contratualista baseia-se em ideias de John Locke (1632 – 1704) e Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778), parte da obrigação do ser humano em se comportar de acordo com regras morais para poder conviver em sociedade. Os críticos baseiam-se na mutabilidade das regras morais aplicáveis.
e) teoria do relativismo onde cada indivíduo deve comportar-se de acordo com seu próprio pensamento sobre o certo e o errado, assim sendo, o que é ético para um pode não ser para outro. A principal crítica se fundamenta em que, a teoria pode ser usada para justificar ações que não são compatíveis com a ideia coletiva de moral.
O saber ser ético é necessário, devido ao convívio em sociedade, por maior que sejam as diferenças entre as teorias, deve-se analisá-las e chegar a um conceito geral sobre todas elas, aproveitando o que se encontra de melhor em cada uma. Deve-se conhecer seus limites, direitos e deveres para assim basear-se em um princípio ético. “Não existem verdades absolutas ou exatas em matéria de ética. A reflexão permanente é requerida” (MOREIRA, 2002, p. 23).
As doutrinas éticas fundamentais nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens, e, em particular, pelo seu comportamento moral efetivo. Por isto, existe uma estreita vinculação entre os conceitos morais e a realidade humana, social, sujeita historicamente à mudança. Por conseguinte, as doutrinas éticas não podem ser consideradas isoladamente, mas dentro de um processo de mudança e de sucessão que constitui propriamente sua história (VÁZQUEZ, 2000, p.267).
Moral e Ética, às vezes, são palavras empregadas como sinônimos. Ética pode significar Filosofia da Moral, portanto, um pensamento reflexivo sobre os valores e as normas que regem as condutas humanas. Em outro sentido, Ética pode referir-se a um conjunto de princípios e normas que um grupo estabelece para seu exercício profissional (por exemplo, os códigos de ética dos médicos, dos advogados, dos psicólogos, etc.) (CUNHA, 2009).
Para Vázquez (2000) a ciência do comportamento humano pode trazer uma contribuição para a ética como ciência moral, também a teoria do direito pode trazer uma contribuição semelhante, devida a estreita relação com a ética, tendo como base que as duas estudam o comportamento do homem como comportamento normativo, embora na esfera da moral as normas não são impostas de maneira repressiva.
É visto que a ética existe em todas as sociedades humanas, e sua principal função é a de orientar, guiar, as pessoas que vivem nestas sociedades, ela é a investigação geral sobre aquilo que é bom, tem por objetivo facilitar a realização das pessoas. A Ética se ocupa e pretende a perfeição do ser humano.
2.1 Moral
A moral pode ser entendida como um conjunto de valores, de normas e de noções sobre o que é certo e o que é errado, conceito este inserido dentro de certa sociedade ou cultura. Trata-se da forma como uma pessoa se comporta dentro da sociedade, devidamente educada por seu histórico de cultura. A prática desse conjunto, que pode se denominar de código de normas, pelas pessoas inseridas nessa sociedade ou cultura, é fundamental para evitar uma situação de caos, onde cada pessoa lutaria para o atendimento de sua vontade. A moral tem um caráter normativo, visto que esses valores regem a ação humana, enquanto inseridas em sociedade.
Segundo Boff (2004) a moral trata da prática real das pessoas, as quais agem conforme os costumes e valores consagrados em sua sociedade ou cultura. Uma pessoa pode ser moral, mas não necessariamente ética.
Para Araújo (2007) recentemente percebe-se um aumento da diversidade moral, referindo-se ao multiculturalismo, que tem propiciado o incremento dos pontos de vista morais e das posições culturais em um mesmo espaço geopolítico, e também ao fenômeno da globalização, que converteu todas as posturas culturais e morais da humanidade na definição de uma maneira comum de viver. Fica certo que um paradigma cultural acaba com o tempo entrando em crise e com ela criando condições para sua transcendência. Considerando que hoje, o desafio moral é aprender a viver, aprender a ser, conviver, participar e habitar no mundo. A moral exige certa consciência por parte das pessoas, não apenas que elas se relacionem com os demais; para que possam se comportar de acordo com as normas e valores de sua comunidade social. Neste sentido: “A moral é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, que regulam o comportamento individual e social dos homens”
(VÁSQUEZ, 2000, p.63).
2.2 Relacionamento Interpessoal no ambiente de trabalho
Atualmente, o processo seletivo nas empresas, está mais voltado para a parte comportamental do que para a parte técnica. Isto acontece porque a parte técnica bem estruturada, consegue se aprimorar, ja o relacionamento é mais difícil.
As relações interpessoais tiveram como um de seus primeiros pesquisadores o psicólogo Kurt Lewin. Mailhiot (1976), ao se referir a uma das pesquisas realizadas por esse psicólogo, afirma que ele chegou à constatação de que “A produtividade de um grupo e sua eficiência estão diretamente relacionadas não somente com a competência de seus membros, mas sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais”.
Schutz, outro psicólogo citado pelo mesmo autor, trata de uma teoria das necessidades interpessoais: necessidade de ser aceito pelo grupo, necessidade de responsabilizar-se pela existência e manutenção do grupo, necessidade de ser valorizado pelo grupo.
Ao discorrer acerca da humanização no ambiente de trabalho, Costa (2002) aponta as relações interpessoais como um dos elementos que contribuem para a formação do relacionamento real na organização:
É mister observar a operação real da organização, aqui incluídas as relações interpessoais, que constituem a sua seiva vital. Os elementos formais (estrutura administrativa) e informais (relacionamento humano, que emerge das experiências do dia-a-dia) integram-se para produzir o padrão real de relacionamento humano na organização: como o trabalho é verdadeiramente executado e quais as regras comportamentais implícitas que governam os contatos entre as pessoas – esta é a estrutura de contatos e comunicações humanas a partir da qual os problemas de política de pessoal e de tomada de decisões podem ser compreendidos e tratados pelos administradores (COSTA 2002, p. 21).
Destaca-se portanto, a necessidade e a importância das pessoas dentro da organização. Quanto melhor for o relacionamento interpessoal, melhor será o rendimento da equipe, e como consequência, mais facilidade para gerenciar e prosperar em metas individuais ou coletivas.
2.3 O assédio moral
O assédio moral no trabalho é tratado na literatura sobre diferentes visões, de acordo com cada cultura e cada contexto. Na visão de Barreto (2004), o assédio moral é revelado por atos e comportamentos agressivos que visam a desqualificação e desmoralização profissional e a desestabilização emocional e moral do(s) assediado(s), tornando o ambiente de trabalho desagradável, insuportável e hostil.
É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias, em que predominam condutas negativas, relações desumanas, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego. A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.
Segundo assédio moral.org apud Barreto, (2000) é importante ressaltar que o assédio moral se caracteriza pelo abuso de poder de forma repetida e sistematizada, um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este pressupõe, repetição sistemática; intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego); direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório); temporalidade (durante a jornada, por dias e meses) e degradação deliberada das condições de trabalho
Para um executivo, o que pesa é a possibilidade de desenvolvimento futuro e o apoio de quem está em cima. Você quebra um profissional arrebentando com esses dois fatores:
as perspectivas e o reconhecimento. A tática é terrível. Meu chefe parou de me cumprimentar, me deixava esperando por horas a fio, me fazia sentir invisível. Eu não tinha mais informações de que precisava trabalhar. Numa situação dessas, os que estão a sua volta começam a perceber o que está acontecendo e rapidamente todo mundo se reposiciona. Você caiu em desgraça. Acabei com lesão no rim esquerdo por causa da hipertensão. Em seis meses, tive três entradas na emergência por picos de pressão e engordei quase 10 quilos. Hoje tomo uma medicação fortíssima contra estresse e depressão. Sei que fiz um trabalho excepcional, tanto que, quando saí, esse mesmo
chefe se apropriou de todas as minhas ideias. A intenção deliberada dele era de me humilhar. Você se prepara para competir com seu colega do lado, mas não com seu chefe. O triste é que, na atual crise de emprego, a gente acaba engolindo esses sapos por mais tempo. Para cada um que sai, há cinquenta esperando. Stadler (2008, p. 67 apud Revista Veja, Matéria: “Cale a Boca, Incompetente!”, 31 out. 2001)
Na visão de Hirigoyen (2002), apesar dos fatos isolados não parecerem violências, o acúmulo deles é que geram a verdadeira agressão. Geralmente estes fatos surgem em relações hierárquicas desumanas e sem ética, marcadas pelo abuso de poder e manipulações.
3 Metodologia
Este estudo se desenvolveu através de uma pesquisa de natureza aplicada. Para Marconi e Lakatos (2002, p. 20), a pesquisa aplicada “caracteriza-se por seu interesse prático, isto é, que os resultados sejam aplicados ou utilizados, imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade”. A pesquisa classifica-se ainda como sendo exploratória em razão do levantamento teórico necessário ao aprofundamento do tema e descritiva em virtude da descrição das diversas características que se relacionam com o objeto em estudo.
Trata-se de um estudo multi caso aplicado com 24 empresas da cidade de Ponta Grossa, escolhidas através de critério aleatório.
A coleta de dados se deu através de aplicação de questionário estruturado. Para Marconi e Lakatos (2002, p. 98) o questionário “é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”.
4 Apresentação de dados
A fim de identificar quais fatores morais e éticos estão mais ausentes no contexto profissional analisado assim como identificar quais destes fatores oferecem maior percepção negativa nos entrevistados e quais o próprio entrevistado comete no seu dia a dia de trabalho foi realizada uma pesquisa prática através de questionário, o qual continha três perguntas fechadas com respostas múltiplas. O questionário foi aplicado a uma amostra de 24 participantes, escolhidos aleatoriamente. Os dados coletados estão apresentados a seguir, seguido de análise descritiva.
a) Assinale aquela(s) alternativas que ocorrem na empresa em que você trabalha.
Nesta questão solicitou-se aos pesquisados que indicassem, dentre as alternativas disponibilizadas, quais as ações que ocorrem na sua empresa. A este respeito obteve-se que:
Opções Quantidade %
Fofocas sobre colegas 20 83,3%
Falar mal da chefia 19 79,2%
Humilhação e Constrangimento 8 33,3%
Diferenciação por sexo 4 16,7%
Indução a pedido de demissão 4 16,7%
Abuso de poder 4 16,7%
Agressões Verbais 4 16,7%
Perseguições 2 8,3%
Diferenciação por opção sexual 0 0,0%
Diferenciação por raça ou cor 0 0,0%
Fonte: Elaborado pela autora
Tabela 1 – Alternativas que ocorrem na empresa em que o entrevistado trabalha
Nota-se que a maior porcentagem dos entrevistados respondeu que em seu ambiente de trabalho acontecem situações de fofocas sobre colegas e falar mal da chefia, com 83,3% e 79,2% respectivamente. Uma porcentagem significativa de 33,3% diz que acontecem situações de humilhação e constrangimento. Em porcentagem menor foram relatados casos de diferenciação por sexo, indução a pedido de demissão, abuso de poder, agressões verbais e perseguições. Em contrapartida nenhum dos pesquisados indicou a ocorrência de diferenciação por opção sexual, por raça ou cor.
b) Assinale aquela(s) alternativas que você considera mais graves.
Em seguida, os pesquisados foram solicitados a indicar, dentre aqueles mesmos fatores, os que o pesquisado considera mais graves, segundo a sua percepção. A este questionamento foi informado que:
Opções Quantidade %
Humilhação e Constrangimento 20 83,3%
Agressões Verbais 12 50,0%
Abuso de poder 10 41,7%
Fofocas sobre colegas 8 33,3%
Diferenciação por sexo 8 33,3%
Perseguições 6 25,0%
Falar mal da chefia 4 16,7%
Indução a pedido de demissão 4 16,7%
Diferenciação por opção sexual 0 0,0%
Diferenciação por raça ou cor 0 0,0%
Fonte: Elaborado pela autora
Tabelas 2 – Alternativas que o entrevistado considera mais graves
Nesta questão percebe-se claramente que a alternativa que mais preocupa os entrevistados refere-se a humilhação e constrangimento, com 83,3%. Também aparecem com porcentagem elevada, agressões verbais, com 50%, abuso de poder, com 41,7%, fofocas sobre colegas e diferenciação por sexo, ambas com 33,3%. Em porcentagem menor tem-se perseguições, falar mal da chefia, indução a pedido de demissão. Não foi citado como fatores considerados graves a diferenciação por opção sexual, por raça e por cor.
c) Assinale aquela(s) alternativas que você, mesmo que involuntariamente comete no ambiente de trabalho.
Por fim, os pesquisados foram questionados a respeito de ações que eles próprios cometem, de onde se obteve os seguintes resultados:
Opções Quantidade %
Fofocas sobre colegas 18 75,0%
Falar mal da chefia 14 58,3%
Diferenciação por sexo 2 8,3%
Perseguições 2 8,3%
Humilhação e Constrangimento 0 0,0%
Diferenciação por opção sexual 0 0,0%
Diferenciação por raça ou cor 0 0,0%
Indução a pedido de demissão 0 0,0%
Abuso de poder 0 0,0%
Agressões Verbais 0 0,0%
Fonte: Elaborado pela autora
Tabelas 3 – Alternativas que o entrevistado comete mesmo que involuntariamente
Já nesta questão a qual se refere a alternativas que o entrevistado comete, nota-se que a maioria, com porcentagem elevada de 75% e 58,3% respectivamente faz fofocas sobre colegas e fala mal da chefia. Também foram assinalados pela minoria as opções de diferenciação por sexo e perseguições, já as outras opções não foram marcadas.
5 Conclusão
O presente artigo teve como objetivo identificar quais fatores morais e éticos estão mais ausentes no contexto profissional analisado. Especificamente buscou-se também identificar quais destes fatores oferecem maior percepção negativa dos entrevistados e quais o próprio entrevistado comete no seu dia a dia de trabalho. Para atingir estes objetivos buscou-se no decorrer do presente estudo conceituar teoricamente ética e moral e identificar condutas antiéticas dentro das organizações através de uma pesquisa aplicada.
A pesquisa prática fez uso de aplicação de questionário realizada junto a 24 entrevistados. Os principais resultados demonstraram que fofocas sobre colegas e falar mal da chefia se sobressaem quando foi perguntado sobre situações que ocorrem nas empresas em que o entrevistado trabalha, também se destaca a opção humilhação e constrangimento, percebe-se que opções consideradas um tanto quanto comuns em organizações, como abuso de poder, agressões verbais, diferenciação por sexo, por raça ou opção sexual, ou não foram marcadas ou ficaram com uma porcentagem abaixo do esperado para essa pergunta.
Já na segunda questão, foi investigado a respeito da opinião do entrevistado com relação a gravidade das opções relacionadas, e notou-se que a maioria acredita nas opções, humilhações e constrangimentos, agressões verbais e abuso de poder como sendo as mais graves situações que podem vir a ocorrer dentro do contexto de assédio moral. Fato interessante está em que as opções diferenciação por raça ou cor e diferenciação por opção sexual não foram assinaladas nesta questão, concluindo que para os entrevistados elas não são consideradas graves.
Novamente as opções fofocas sobre colegas e falar mal da chefia aparecem com alto percentual na terceira questão realizada, a qual se referia a situações de assédio moral que o próprio entrevistado comete mesmo que involuntariamente. Nesta questão foram também citadas as opções diferenciação por sexo e perseguições.
Assim sendo, o presente trabalho cumpriu com os objetivos a que se propôs e identificou quais são os fatores morais e éticos que estão mais ausentes no ambiente de trabalho.
Conforme destacado no corpo do trabalho, o colaborador passa a maior parte do seu tempo ativo na empresa, por esta razão faz-se cada vez mais necessário que exista um ambiente de trabalho agradável e saudável. O resultado da pesquisa demonstrou que alguns fatores específicos e localizados estão mais ausentes nas empresas, com destaque para as questões de fofocas e hábitos de falar mal de colegas e da própria chefia. Tais fatores são comportamentais e relacionados a aspectos de educação pessoal e cultura da empresa. A correção dos mesmos pode ocorrer por meio de treinamentos de relacionamento, regras de urbanismo e técnicas de comunicação empresarial.
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