TRANSFORMAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ 1
1 – INTRODUÇÃO
2 - CONDIÇÕES PARA CONSEGUIR O AUXÍLIO-DOENÇA 3 - CONDIÇÕES PARA CONSEGUIR O AUXÍLIO-ACIDENTE 4 - CONDIÇÕES PARA CONSEGUIR A APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
5 - POSSIBILIDADE DE ENTRAR COM AÇÃO PARA
TRANSFORMAR O AUXÍLIO-DOENÇA EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ OU AUXÍLIO-DOENÇA
6 - EFEITOS DA ENTRADA DA AÇÃO
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TRANSFORMAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ 3 Este artigo deseja explicar ao segurado que recebe o benefício de auxílio- -doença acerca do pedido judicial de conversão desse benefício em aposen- tadoria por invalidez ou até mesmo no benefício de auxílio-acidente.
Primeiramente serão expostas quais as condições necessárias para alte- ração do benefício de auxílio-doença, auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez. A seguir, qual a diferença entre esses benefícios; a entrada da ação para a mudança do auxílio-doença em auxílio-acidente ou aposentadoria por invalidez.
1 - INTRODUÇÃO
As principais condições são:
Cumprir carência de 12 contribuições mensais – a perícia médica do INSS avaliará a dispensa da carência para doenças previstas na Portaria Intermi- nisterial MPAS/MS nº 2998/2001, doenças profissionais, acidentes de traba- lho e acidentes de qualquer natureza ou causa;
Ter qualidade de segurado (caso tenha perdido, deverá cumprir metade da carência de 12 meses a partir da nova filiação à Previdência Social – Lei nº 13.457/2017);
Comprovar, em perícia médica, doença/acidente que o torne temporaria- mente incapaz para o seu trabalho;
Para o empregado em empresa: estar afastado do trabalho há pelo me- nos 15 dias (corridos ou intercalados dentro do prazo de 60 dias se pela mesma doença).
Quanto à forma estabelecida pela lei para que o empregado em empresa se afaste do trabalho há pelo menos 15 dias (corridos ou intercalados dentro do prazo de 60 dias se pela mesma doença), é importante citar o artigo 59 da Lei nº 8.213/91 que estabelece o seguinte:
Art. 59. O auxílio-doença será dado ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido nesta Lei, ficar incapa- citado para o seu trabalho ou para a sua atividade normal por mais de 15 (quinze) dias seguidos.
Assim, o auxílio-doença é benefício temporário destinado ao amparo do
2 - CONDIÇÕES PARA OBTER O AUXÍLIO-DOENÇA
de trabalho diárias. É importante lembrar, que o fato decisivo para a permis- são do benefício não é o fato do segurado estar doente, e sim incapacitado de realizar suas atividades em razão da doença e deverá ser pago ao segu- rado enquanto permanecer incapacitado para realizar seu trabalho.
No caso do segurado se considerar sem condições de retornar ao trabalho ao final do auxílio-doença, poderá pedir a prorrogação nos últimos 15 dias do auxílio-doença, através do telefone 135, pela internet ou comparecendo a uma agência do INSS (A Instrução Normativa PRES/INSS nº 90/2017, instituiu novos procedimentos para agendamento de perícia relativa à solicitação de prorrogação de auxílio-doença).
O médico perito do INSS, ao realizar a perícia de pedido de prorrogação, pode tomar as seguintes providências: 1) prorrogar o benefício por mais um período; 2) parar o benefício e determinar o retorno ao trabalho do segura- do; 3) transformar o auxílio-doença em auxílio-acidente ou aposentadoria por invalidez.
Na maioria dos casos, o perito do INSS interrompe o benefício de auxílio- -doença mesmo quando o segurado ainda se encontra incapacitado para retornar ao trabalho e o segurado deve se apresentar na empresa para reto- mar as suas atividades de trabalho.
Pode ocorrer do médico do trabalho ao qual o segurado é submetido an- tes de retornar à empresa, constatar que o trabalhador ainda não está ca- pacitado para retornar ao trabalho.
Infelizmente tal fato causa enorme prejuízo ao segurado que permanece sem renda, pois não recebe o benefício e não recebe o salário da empresa.
Os efeitos de decisões diferentes entre a empresa e o INSS quanto à capa- cidade do empregado para o trabalho não podem ser simplesmente trans- feridos a ele, sob pena de impor-se ao empregado situação de total inse- gurança e de necessitade dos meios para seu sustento, em clara afronta ao principio da dignidade da pessoa constitucionalmente assegurado.
TRANSFORMAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ 5 Previsto no artigo 86 da Lei nº 8.213/91, o auxílio-acidente é um be-
nefício de caráter indenizatória pago ao segurado do INSS quando, em decorrência de acidente, apresentar sequela permanente que diminua sua capacidade para o trabalho. Essa situação é avaliada pela perícia médica do INSS.
Como se trata de uma indenização, não impede o cidadão de continu- ar trabalhando.
Tem direito ao auxílio-acidente: o empregado (urbano, rural e domés- tico), o trabalhador avulso e o segurado especial. Não têm direito ao recebimento do auxílio-acidente: o contribuinte individual e o segurado facultativo.
Quatro são os requisitos para a permissão do benefício de auxílio- -acidente: qualidade de segurado; ter sofrido um acidente de qualquer natureza; a redução parcial e definitiva da capacidade para o trabalho normal, e; o nexo causal entre o acidente e a redução da capacidade.
Lembrando que a legislação vigente não estabelece grau, índice ou per- centual mínimo da incapacidade para o auxílio-acidente.
Portanto, havendo limitação da capacidade de trabalhar, ainda que em grau mínimo, é devida a liberação do benefício.
Vale lembrar que a liberação de auxílio-acidente independe de carên- cia, conforme o artigo 26, inciso I da Lei nº 8.213/91.
Diferente do auxílio-doença que determina uma incapacidade tem- porária e do auxílio-acidente que determina uma incapacidade parcial, conforme demonstrado acima, a aposentadoria por invalidez exige uma incapacidade total e permanente.
Assim, a aposentadoria por invalidez é um benefício concedido ao tra- balhador permanentemente incapaz de exercer qualquer atividade re- lacionada o trabalho e que também não possa ser reabilitado em outra profissão, de acordo com a avaliação da perícia médica do INSS.
O benefício é pago enquanto persistir a invalidez e o segurado pode ser reavaliado pelo INSS a cada dois anos.
3 – TERMOS DA CONTRATAÇÃO
4 - CONDIÇÕES PARA CONSEGUIR A APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
Os Tribunais vêm entendendo que o empregador deve responder pelo pa- gamento dos salários devidos no período em que o empregado esteve à disposição da empresa (art. 4º da CLT), principalmente diante do seu com- parecimento para retorno ao trabalho.
Está previsto no artigo 60 da Lei nº 8.213/91 – que dispõe sobre os Pla- nos de Benefícios da Previdência Social – que o Auxílio-Doença será con- cedido ao segurado empregado a contar do 16º dia do afastamento do trabalho, e nos casos dos demais segurados, a contar da data do início da incapacidade para o trabalho e deverá ser pago enquanto esta inca- pacidade permanecer.
Assim, o benefício de Auxílio-Doença poderá ser pago por um período indeterminado e não haverá conversão ou transformação automática em Aposentadoria por Invalidez.
A transformação do Auxílio-Doença em Aposentadoria por Invalidez só é realizada se em perícia médica o perito (médico) do INSS examinar e ver que realmente o segurado, antes incapaz temporariamente, tornou-se permanente, não podendo mais exercer atividades de trabalho, sendo, portanto, liberado o benefício de Aposentadoria por Invalidez.
Na prática esta conversão ou transformação nem sempre é realizada pelo perito do INSS e muitos segurados chegam a receber o benefício de Auxílio-Doença por anos sem ter a conversão em Aposentadoria por In- validez.
Por outro lado, não existe nenhuma proibição legal estabelecendo que o segurado deva aguardar a interrupção do benefício de auxílio-doença
5 - POSSIBILIDADE DE ENTRAR
COM AÇÃO PARA TRANSFORMAR O AUXÍLIO-DOENÇA EM
APOSENTADORIA POR
INVALIDEZ OU AUXÍLIO-DOENÇA
Estabelece o artigo 42 da Lei nº 8.213/91:
Art. 42. A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida, quando for o caso, a carência exigida, será dado ao segurado que, estando ou não desfrutando de auxílio-doença, for considerado incapaz e definitivamen- te sem condições de reabilitação para desenvolver eu trabalho, que lhe garantirá estabilidade, e será pago a ele, enquanto permanecer nesta condição.
Inicialmente o cidadão deve solicitar um auxílio-doença, que possui as mesmo condições da aposentadoria por invalidez. Caso a perícia médica constate incapacidade permanente para o trabalho, sem possibilidade de reabilitação para outra função, a aposentadoria por invalidez será indicada.
Assim como ocorre com o auxílio-acidente, não existe na lei um pro- cedimento para solicitar o benefício de aposentadoria por invalidez. O segurado deve agendar a perícia para requerimento de auxílio-doença e na perícia médica o perito pode constatar a incapacidade total e perma- nente do segurado e conceder diretamente esse benefício.
Porém, na prática isso não acontece. Quase todas as aposentadorias por invalidez concedidas pelo INSS antecedem da permissão do auxílio- -doença, pois o perito tem o cuidado de constatar se depois de deter- minado tempo afastado do trabalho, o segurado terá ou não condições clínicas de recuperar a saúde para retornar ao trabalho.
Necessário frisar que, em nenhum dos três benefícios a lei estabelece a gravidade da doença como forma de avaliar se o segurado deve re- ceber ou não o benefício. Independentemente da gravidade clínica do segurado, o único critério que é utilizado para liberação dos benefícios por incapacidade é a incapacidade laboral (de exercer atividade de tra- balho). Dessa forma, independentemente da doença que o segurado tem, o perito do INSS fará uma análise se essa doença incapacita o segurado de retornar ao trabalho ou não.
TRANSFORMAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ 7 aposentadoria por invalidez ou concessão de auxílio-acidente.
Muitas vezes o perito do INSS realiza um diagnóstico errado e não iden- tifica, de forma certa, o tipo de incapacidade que o segurado está aco- metido, se total e permanente ou se parcial e permanente, determinando o pagamento, de forma errada, do auxílio-doença quando na verdade o segurado já deveria estar aposentado ou recebendo o auxílio-acidente.
Nestes casos é necessário entrar com pedido judicial de conversão de Auxílio-Doença em Aposentadoria por Invalidez, onde o segurado será avaliado pelo perito judicial que analisará a existência de incapacidade total e permanente.
A ação judicial não se confunde com o pedido administrativo de be- nefício no INSS. Em juízo o objetivo é provar a incapacidade total e per- manente para o segurado conseguir o benefício de Aposentadoria por Invalidez. Já administrativamente no INSS, o objetivo é a manutenção (continuação) do recebimento do Auxílio-Doença ao qual o perito, na maioria das vezes, apenas prorroga a liberação do benefício por mais alguns meses.
O fato de o segurado entrar com o pedido judicial de Aposentadoria por Invalidez não traz nenhuma consequência negativa, assim como não gera nenhum prejuízo em relação ao recebimento do atual benefício de Auxílio-Doença, pois enquanto são tomadas as medidas para o anda- mento do processo, o segurado permanece recebendo o auxílio, desde que constatado pelo perito do INSS as condições básicas necessárias para a manutenção.
Se o segurado entende que a sua incapacidade é total e permanente ou parcial e permanente, deve entrar com a ação de conversão, pois, du- rante o andamento do processo ele permanece recebendo o auxílio-do- ença e assim não fica sem renda para o seu sustento.
Na hipótese do pedido judicial não ser aceito e a ação onde foi reque- rida a conversão ou transformação do benefício de Auxílio-Doença em Aposentadoria por Invalidez for julgada ilógica, isto não causará a libe- ração do recebimento do benefício de Auxílio-Doença pelo segurado no INSS, assim como não impedirá de no futuro o perito do INSS constatar que a incapacidade é total e permanente e conceder em sede adminis- trativa o benefício de Aposentadoria por Invalidez.