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Luciana Deotti Rodrigues

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Academic year: 2022

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Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Tecnologia e Ciências

Faculdade de Engenharia

Luciana Deotti Rodrigues

Proposta de implantação de telhado verde para captação e uso de águas de chuvas em área de relevância ambiental: Ilha Grande/RJ

Rio de Janeiro

2013

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Luciana Deotti Rodrigues

Proposta de implantação de telhado verde para captação e uso de águas de chuvas em área de relevância ambiental: Ilha Grande/RJ

Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Thereza Chistina de Almeida Rosso

Rio de Janeiro 2013

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CATALOGAÇÃO NA FONTE

UERJ / REDE SIRIUS / BIBLIOTECA CTC/B

Autorizo, apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação, desde que citada a fonte.

Assinatura Data

R696 Rodrigues, Luciana Deotti.

Proposta de implantação de telhado verde para captação e uso de águas de chuvas em área de relevância ambiental: Ilha Grande/RJ / Luciana Deotti Rodrigues. - 2013.

132 f.

Orientadora: Thereza Chistina de Almeida Rosso.

Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Engenharia.

1. Engenharia Ambiental. 2. Recursos hídricos – Dissertação.

3. Telhados Verdes, Ilha Grande (RJ) - Dissertação. I. Rosso, Thereza Chistina de Almeida. II. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. III. Título.

CDU 502.51

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Luciana Deotti Rodrigues

Proposta de implantação de telhado verde para captação e uso de águas de chuvas em área de relevância ambiental: Ilha Grande/RJ

Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos

Aprovada em: 30 de abril de 2013.

Banca Examinadora:

_____________________________________________________________

Prof.ª Dr. Thereza Chistina de Almeida Rosso Faculdade de Engenharia - UERJ

_____________________________________________________________

Prof. Dr. Gandhi Giordano Faculdade de Engenharia - UERJ

Rio de Janeiro 2013

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AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer minha orientadora, professora Thereza Rosso, pela oportunidade de atuar no Projeto MAPLU – Manejo de Águas Pluviais, que me trouxe condições de concretizar minha dissertação. Agradeço também a professora Márcia Marques, pela contribuição, sobretudo, na finalização deste trabalho.

Meus agradecimentos vão também para minha família, principalmente ao meu pai e à minha mãe, pelo apoio, incentivo e colaboração e aos meus amigos pela ajuda e motivação. E, sobretudo, a Deus, pela oportunidade de realizar mais este trabalho.

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RESUMO

RODRIGUES, Luciana Deotti. Proposta de implantação de telhado verde para captação e uso de águas pluviais em área de relevância ambiental: Ilha Grande/RJ. 2013. 132 f.

Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) – Faculdade de Engenharia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2013.

Visando minimizar os impactos causados pelas ações antrópicas sobre o meio ambiente, mais especificamente sobre os recursos hídricos, torna-se imprescindível a busca por fontes alternativas para suprir as crescentes demandas de água para os mais diversos fins.

Medidas como o reuso da água e a captação e aproveitamento de água das chuvas são fundamentais no contexto atual de busca por modelos sustentáveis de gestão dos recursos hídricos. No presente trabalho foi realizada extensa pesquisa bibliográfica sobre como o uso de telhados verdes pode contribuir para o uso racional da água potável e para a redução da ocorrência de enchentes. A área de estudo em questão foi Ilha Grande, localizada no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, uma Área de Preservação Permanente que, dentre outras Unidades de Conservação da Natureza, abriga o Parque Estadual de Ilha Grande. Para se analisar a viabilidade de implantação de um telhado verde na região, mais especificamente na Vila Dois Rios (23o11’S, 44o12’W), foi realizado o levantamento das séries históricas de chuvas da última década na região. Espécies vegetais compatíveis para uso em telhado verde foram encontradas na Ilha e, além disso, foram identificadas as premissas construtivas e operacionais relevantes. Para promover a conscientização dos visitantes e moradores locais foi elaborada uma cartilha informativa ilustrativa. Por fim, concluiu-se que existe a viabilidade de implantação de um telhado verde para captação e aproveitamento das águas das chuvas em Ilha Grande.

Palavras-chave: Telhado verde, gestão sustentável dos recursos hídricos, sistema de captação e aproveitamento de água de chuva, área de preservação ambiental, Ilha Grande/RJ.

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ABSTRACT

In order to minimize the impacts of human actions on the environment, specifically on water resources, it is essential to search for alternative sources to meet the growing demand of water for various purposes. Initiatives such as water reuse, uptake and utilization of rainwater are critical in the attempt to find models for sustainable water resource management. This work presents thorough research on how the use of green roofs can contribute to the rational use of water and to reduce flood occurrences. The area of study in question was Ilha Grande, located on the southern coast of the State of Rio de Janeiro, a Permanent Preservation Area which, among other Nature Conservation areas, is home to the Ilha Grande State Park. To assess the feasibility of implementing a green roof in the region, specifically in Vila Dois Rios (23o11'S, 44o12'W), we analyzed the historical rainfall record for the last decade in the region.

Plant species suitable for use in green roof were found on the island. Additionally, relevant constructive and operational assumptions were identified. To raise awareness among visitors and locals, an illustrative informative booklet was prepared. Finally, it was concluded that it is viable to implement a green roof to capture and use rainwater on Ilha Grande.

Keywords: Green roof; Sustainable water resource management; Permanent preservation area, Ilha Grande/RJ.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 Cobertura Verde Intensiva ... 55

Figura 2 Cobertura Verde Extensiva ... 55

Figura 3 Telhado verde em camadas ... 56

Figura 4 Localização de Ilha Grande (RJ)... 68

Figura 5 Mapa de Ilha Grande (RJ) ... 69

Figura 6 Formas construtivas de sistemas de aproveitamento de água de chuva ... 107

Figura 7(a) Grade instalada nas calhas ... 108

Figura 7(b) Grelha para saída da calha ... 108

Figura 8 Descarte da primeira água de chuva utilizando tonel ... 109

Figura 9 Desenho esquemático de aproveitamento de água de chuva ... 110

Figura 10 Reservatório de auto-limpeza com bóia de nível ... 110

Figura 11 Dispositivo comercial de rejeição de água de limpeza do telhado ... 111

Figura 12 Dispositivo de rejeição da água de limpeza do telhado utilizado na Austrália ... 112

Figura 13(a) Filtro VF1 de água da chuva ... 112

Figura 13(b) Filtro VF1 (vista interna) ... 112

Figura 14 Tubo de entrada com “amortecedor de água 3P Calmet” ... 113

Figura 15(a) Filtro Rainus... 113

Figura 15(b) Filtro Rainus (vista interna) ... 113

Figura 16 Estação experimental UFES – sistema de captação de água de chuva ... 114

Figura 17 Separador de Água de Chuva de Baixo Custo ... 116

Figura 18 Passo-a-passo do separador de baixo custo ... 116

Figura 19 Separador de águas de chuva de baixo custo ... 117

Figura 20 Separador de águas de chuva ... 117

Figura 21 Mini-cisterna para armazenamento de águas de chuva ... 117

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Comparação entre telhado verde e telhado convencional... 67

Tabela 2 Listagem das espécies vegetais de Ilha Grande compatíveis com o sistema de telhados verdes... 73

Tabela 3 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2002 ... 93

Tabela 4 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2003 ... 93

Tabela 5 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2004 ... 94

Tabela 6 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2005 ... 94

Tabela 7 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2006 ... 95

Tabela 8 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2007 ... 95

Tabela 9 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2008 ... 96

Tabela 10 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2009 ... 96

Tabela 11 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2010 ... 97

Tabela 12 Precipitação e Temperatura – Região de Ilha Grande – ano de 2011 ... 97

Tabela 13 Comparação da composição química entre Ilha Grande e a Região Metropolitana do Rio de Janeiro... 102

Tabela 14 Listagem de materiais e respectivos custos ... 105

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LISTA DE SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ABRH Associação Brasileira de Recursos Hídricos

ANA Agência Nacional de Águas

CEADS Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável CEAP Centro de Estudos Ambientais e Paisagísticos

CETESB Companhia Ambiental do Estado de São Paulo

CEEIBH Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas CMMD Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente

EPA US Environmental Protection Agency

FIESP Federação da Indústrias do Estado de São Paulo IBI Instituto Brasileiro de Impermeabilização

LEED Leadership in Energy and Environmental Design MMA Ministério do Meio Ambiente

PIB Produto Interno Bruto

PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PROCONVE Programa de Poluição do Ar por Veículos Automotores SABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo

SINDUSCON Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo SINGREH Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos

SISNAMA Sistema Nacional de Meio Ambiente

SNUC Sistema Nacional de Unidades de Conservação SRH Secretaria de Recursos Hídricos

UNESCO Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura

(11)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 13

1 REFERENCIAL TEÓRICO ... 17

1.1 Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil ... 17

1.1.1 Breve Histórico... 17

1.1.2 Principais Pressões e Impactos sobre os Recursos Hídricos ... 18

1.1.3 Recursos Hídricos no Contexto Ambiental Mundial ... 19

1.1.4 Aspectos Legais Relacionados aos Recursos Hídricos ... 24

1.2 Uso Sustentável dos Recursos Hídricos ... 29

1.2.1 Ciclo Hidrológico ... 31

1.2.1.1 Precipitação Atmosférica ... 33

1.2.2 Manejo de Águas Pluviais ... 34

1.2.2.1 Fatores que Contribuem para a Ocorrência de Enchentes ... 34

1.2.2.2 Aspectos de Saúde relacionados ao Manejo de Águas Pluviais e Enchentes ... 36

1.3 Sistemas de Captação e Aproveitamento de Águas de Chuvas ... 38

1.3.1 Breve Histórico... 38

1.3.2 Aspectos Legais Relacionados ... 39

1.3.3 Qualidade da Água de Chuva ... 40

1.3.3.1 Fatores que Influenciam na Qualidade da Água da Chuva ... 41

1.3.3.2 Parâmetros de Qualidade ... 42

1.3.4 Metodologia para Sistemas de Coleta e Aproveitamento de Águas Pluviais ... 42

1.3.5 Componentes Básicos de um Sistema de Aproveitamento da Água de Chuva ... 43

(12)

1.3.5.1 Área de Captação... 44

1.3.5.2 Calhas e Condutores ... 45

1.3.5.3 Dispositivo de Descarte da Primeira Água ... 45

1.3.5.4 Reservatório de Armazenamento ... 46

1.3.6 Tratamento para a Água de Chuva Coletada e Armazenada ... 47

1.3.7 Dimensionamento do Reservatório para Água de Chuva ... 48

1.3.8 Viabilidade dos Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais ... 49

1.3.9 Possibilidades de Usos não potáveis das Águas Pluviais ... 50

1.4 Telhados Verdes ... 52

1.4.1 Breve Histórico... 52

1.4.2 Definição e Classificação ... 54

1.4 3 Detalhes Construtivos... 56

1.4.3.1 Espécies Vegetais ... 57

1.4.3.2 Substrato ... 59

1.4.3.3 Filtro ... 60

1.4.3.4 Camada de Drenagem ... 60

1.4.3.5 Camada antiraízes... 61

1.4.3.6 Camada de Separação ... 61

1.4.3.7 Camada de Impermeabilização ... 61

1.4.3.8 Suporte Estrutural ... 62

1.4.4 Benefícios ... 62

1.4.4.1 Conforto Térmico ... 64

1.4.4.2 Retenção de Água das Chuvas ... 65

(13)

1.5 Telhados Verdes associados a Sistemas de Aproveitamento de Água da

Chuva ... 66

2 PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DE TELHADO VERDE PARA CAPTAÇÃO E USO DE ÁGUAS DE CHUVAS EM ÁREA DE RELEVÂNCIA AMBIENTAL: ILHA GRANDE/RJ ... 68

2.1 Área de Estudo... 68

2.1.1 Ilha Grande ... 68

2.1.1.1 Caracterização ... 68

2.1.1.2 Relevância Ambiental ... 69

2.2 Espécies Vegetais de Ilha Grande com Potencial de Uso em Telhado Verde .... 72

2.2.1 Levantamento de Espécies Compatíveis ... 72

2.2.2 Descrição das Famílias Botânicas ... 74

2.3 Caracterização das Chuvas na Área de Estudo ... 91

2.3.1 Séries Históricas de Chuvas na Região ... 92

2.3.2 Caracterização da Água das Chuvas na Região ... 99

2.4 Parâmetros e Aspectos Construtivos e Operacionais Relevantes ... 102

2.4.1 Materiais para o Telhado Verde ... 102

2.4.1.1 Planilha de Custos ... 105

2.4.2 Sistema de Captação e Aproveitamento de Águas de Chuva ... 106

(14)

2.5 Elaboração de Material Educativo para Divulgação ... 118

3 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ... 119

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 121

REFERÊNCIAS ... 122

(15)

INTRODUÇÃO

Contextualização do Tema

Além de essencial para o surgimento e manutenção da vida em nosso planeta, a água é indispensável para o desenvolvimento das diversas atividades cotidianas apresentando, por esta razão, importantes valores econômicos, sociais e culturais. A escassez deste recurso natural em determinadas regiões do mundo, muitas vezes agravada por fatores como uma demanda incompatível e a poluição dos mananciais, exige grandes investimentos para se obter água potável, através de onerosas estações de tratamento, captação de regiões distantes do centro de consumo e investimentos na prospecção de águas subterrâneas. A degradação dos recursos hídricos, o desmatamento, a poluição, a impermeabilização das cidades, entre outros, são fatores que desequilibram o ciclo hidrológico podendo gerar poluição dos mananciais, enchentes e alteração do ciclo das chuvas. Neste contexto, a captação da água de chuva constitui uma alternativa eficaz como medida sustentável para disponibilizar uma água de boa qualidade para fins não-potáveis e ainda contribuir no controle de vazões dos escoamentos superficiais das grandes cidades (ALT, 2009).

O Brasil vem enfrentando nas últimas décadas uma série de pressões sobre os recursos hídricos disponíveis, resultado de fatores como sua economia dinâmica e diversificada, alta taxa de urbanização e forte demanda por energia, dentre outros. Essas pressões geram impactos sobre a oferta presente e futura de tais recursos, bem como sobre sua qualidade e capacidade de prestação de serviços ambientais. Os quadros críticos relacionados à qualidade da água no país estão relacionados ao lançamento de esgotos de origem urbana e efluentes industriais, além de atividades como criação animal e agricultura. Neste último caso, os impactos são decorrentes de plantios até na beira dos cursos d’água, com remoção da cobertura vegetal da mata de preservação ciliar. Ocorre também elevada mecanização, uso intensivo de agroquímicos como pesticidas e fertilizantes e colheitas sazonais sucessivas que acarretam perdas anuais de até 15 toneladas por hectare das camadas superficiais dos solos e o conseqüente assoreamento dos cursos d’água, poluição das águas por agroquímicos e dejetos de animais in natura. O resultado é a elevação dos custos do aproveitamento dos recursos hídricos, para abastecimento doméstico ou insumo industrial. As regiões Sul e Sudeste, por exemplo, apesar de contarem com boa disponibilidade de água, razoavelmente bem distribuídas ao longo do ano, enfrentam problemas decorrentes do processo de rápida urbanização do país. Estima-se que no Brasil a população aumentou em 110 milhões de

(16)

pessoas nos últimos 60 anos, sendo que a metade dos moradores urbanos está concentrada em apenas 23 regiões metropolitanas. Estes aglomerados urbanos tendem a agravar os impactos sobre os recursos hídricos, pela sobreposição de problemas como poluição doméstica e industrial, ocupação irregular de encostas, alagados, várzeas e beiras de rios e enchentes em cidades de grande e médio portes. Isso acarreta o comprometimento dos mananciais de abastecimento, gerando a redução da disponibilidade hídrica de qualidade adequada (MMA;ANA, 2007).

Visando minimizar os impactos causados pelas ações antrópicas sobre o meio ambiente, mais especificamente sobre os recursos hídricos, torna-se imprescindível a busca por fontes alternativas para suprir as crescentes demandas de água para os mais diversos fins.

Associado a coberturas ecológicas, os chamados telhados verdes, sobretudo, esses sistemas de coleta e aproveitamento de água de chuvas exercem papel fundamental no que se refere à retenção na parcela visando, dentre outros, à atenuação da ocorrência de enchentes nos centros urbanos, bastante comuns no país nos períodos mais chuvosos, acarretando tantas perdas de vida e materiais.

Neste contexto, novas tecnologias como a implantação de sistemas de coleta e aproveitamento de água de chuva, inclusive potencializados pela utilização de uma cobertura plantada ao invés daquela convencional como superfície de captação, surgem como uma prática sustentável para a gestão dos recursos hídricos.

(17)

Objetivo Geral

Realizar o estudo para elaboração de uma proposta de implantação de telhado verde para captação e uso de águas de chuva em Ilha Grande/RJ.

Objetivos Específicos

• Estudar parâmetros relevantes referentes à implantação de uma cobertura de telhado verde com a finalidade de captação e aproveitamento de águas de chuva;

• Apontar as espécies vegetais com potencial de uso em telhados verdes em área de Mata Atlântica em Ilha Grande, Município de Angra dos Reis, RJ;

• Realizar uma caracterização preliminar da qualidade das águas de chuva na região de Ilha Grande, antecipando possíveis usos não-potáveis;

• Elaborar uma cartilha para divulgação abordando a temática telhado verde e a importância do uso racional de água.

(18)

Materiais e Métodos

Foi realizado um levantamento bibliográfico, sobretudo, nas bases de dados de Capes Periódicos, Scielo, dentre outras. Os temas investigados foram relacionados ao contexto da utilização de coberturas verdes nas suas mais diversas aplicações, além da temática captação e aproveitamento de águas de chuva e suas diversas finalidades.

No que refere à caracterização das águas de chuva na região de Ilha Grande, dados de precipitação foram obtidos junto ao BDMEP (Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa) do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), coletados a partir da estação 83788 de Angra dos Reis/RJ (Latitude: -23,01o; Longitude: -44,31o Altitude: 3 metros).

Foi desenvolvido também um estudo das espécies vegetais compatíveis com o uso em telhados verdes, resistentes e adaptáveis às condições proporcionadas por esse tipo de cobertura, e ao mesmo tempo, presentes na área de estudo, sendo nativas ou tendo sido já introduzidas. Esse estudo foi baseado em trabalhos acadêmicos e orientação de especialistas da área, além de bibliografia especializada para a descrição das famílias botânicas. Cita-se como exemplo os trabalhos de OLIVEIRA (2002) e MANÃO (2011).

A partir daí foi feita uma extensa pesquisa a respeito dos aspectos e parâmetros construtivos e operacionais relevantes relacionados ao tema do trabalho, a partir de estudos já publicados e informações de empresas especializadas. Com a definição dos materiais a serem utilizados, foi realizado um levantamento dos custos associados, com base em orçamento de lojas do ramo da construção civil.

Finalmente, foi elaborado um material para divulgação e educação ambiental, referente à temática telhado verde e aproveitamento de águas das chuvas, com o intuito de promover a conscientização de moradores e visitantes.

(19)

1 REFERENCIAL TEÓRICO

1.1 Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil 1.1.1 Breve Histórico

No Brasil, ao longo do século XIX, com o crescimento dos núcleos urbanos e os primórdios da industrialização, surgiram os primeiros investimentos relacionados ao fornecimento público de água e aproveitamento do potencial hidráulico para a geração de eletricidade. Tais atividades foram inicialmente assumidas pela iniciativa privada, notadamente pelo capital estrangeiro. Até o início do século XX, foi pequena a participação do Estado nesse segmento, seja na prestação de serviços, ou mesmo na sua regulação ou fiscalização. Porém, a insatisfação da população quanto à qualidade dos serviços, já na década de 1920, levou ao início de um ciclo de estatizações dos serviços de saneamento no Brasil (MMA; ANA, 2007).

Ao longo do século XX, a gestão dos recursos hídricos foi sendo prioritariamente dominada por grandes empreendimentos hidráulicos setorizados visando à geração de energia, o abastecimento de água e o controle de inundações, através de medidas estruturais com tecnologias voltadas para o armazenamento e distribuição desse recurso. Negligenciava-se ainda, portanto, àquela época, a importância da água como integrante fundamental do ecossistema, um recurso natural e um bem social dotado, aliás, de valor econômico (SELLES, 2005).

O primeiro passo no sentido de se construir um marco legal para os recursos hídricos no Brasil ocorreu no contexto da Primeira Constituição Federal, promulgada em 1934, ano em que também foi aprovado o Código de Águas através do Decreto no24.643, o qual consagrava o papel do Poder Público no controle e incentivo ao aproveitamento dos recursos hídricos, lançando as bases para a institucionalização dos instrumentos de gestão e regulação do uso múltiplo das águas, ao mesmo tempo conferindo um enfoque setorial à questão, privilegiando o setor de geração de energia. Isso porque enquanto dedicava um único artigo para assegurar o uso da água para as “primeiras necessidades da vida”, o Código trazia 65 artigos regulando a utilização das águas pela incipiente indústria da eletricidade (MMA; ANA, 2007).

(20)

Foi a partir da década de 1980 que teve início no país o surgimento de uma proposta de ordenamento administrativo para o setor de recursos hídricos que considerava não só a sua gestão integrada, mas também os princípios do desenvolvimento sustentável. Neste sentido, a partir da instituição da Constituição Brasileira no ano de 1988, todos os corpos d'água passaram a ser de posse do domínio público, extinguindo o domínio privado da água e, inclusive, modificando em vários aspectos o Código de Águas de 1934. Tratava-se, portanto, da definição de dominialidade dos Estados, das águas superficiais e subterrâneas, cabendo a eles se articularem em caso de formações hídricas pertencentes a mais de uma unidade federada (GARRIDO, 1999).

Mais tarde, com o advento da Lei Federal no 9433 de 08 de Janeiro de 1997, também conhecida como “Lei das Águas”, a qual instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos, estabeleceu-se, de fato, a gestão dos recursos hídricos considerando-se os seus usos múltiplos e por vezes conflitantes, bem como fortalecendo as relações entre o poder público, a sociedade civil e os diferentes setores usuários da água. A adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento determinada pela Lei das Águas foi fundamental para o balanço entre disponibilidades e demandas hídricas. Além disso, esta lei também institui instrumentos no planejamento e gestão que permitem não apenas considerar os corpos d’água como mananciais de abastecimento, meio drenante de águas pluviais e de transporte de esgotos, mas também incluem a prevenção e defesa contra eventos hidrológicos críticos, a partir de um gerenciamento mais adequado (SELLES, 2005).

1.1.2 Principais Pressões e Impactos sobre os Recursos Hídricos

O Brasil vem enfrentando nas últimas décadas uma série de pressões sobre os recursos hídricos disponíveis, resultado da diversidade de atividades econômicas, alta taxa de urbanização e forte demanda por energia, dentre outros. Essas pressões geram impactos sobre a oferta presente e futura de tais recursos, bem como sobre sua qualidade e capacidade de prestação de serviços ambientais. Os quadros críticos relacionados à qualidade da água no país estão relacionados ao lançamento de esgotos de origem urbana e de efluentes industriais, além de atividades intensivas de criação animal e extensivas de agricultura. Neste último caso, os impactos são decorrentes de plantios até na beira dos cursos d’água, inclusive com remoção da cobertura vegetal da mata de preservação ciliar. Ocorre também elevada

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mecanização, uso intensivo de agroquímicos como pesticidas e fertilizantes e colheitas sazonais sucessivas que acarretam perdas anuais de até 15 toneladas por hectare das camadas superficiais dos solos e o conseqüente assoreamento dos cursos d’água e a poluição por agroquímicos e dejetos de animais in natura. O resultado é a elevação dos custos do aproveitamento dos recursos hídricos, para abastecimento doméstico ou insumo industrial.

(MMA; ANA, 2007).

As regiões Sul e Sudeste, por exemplo, apesar de contarem com boa disponibilidade de água, razoavelmente bem distribuídas ao longo do ano, enfrentam problemas decorrentes do processo de rápida urbanização do país. Estima-se que no Brasil a população aumentou em 110 milhões de pessoas nos últimos 60 anos, sendo que a metade dos moradores urbanos está concentrada em apenas 23 regiões metropolitanas. Estes aglomerados urbanos tendem a agravar os impactos sobre os recursos hídricos, pela sobreposição de problemas como poluição doméstica e industrial, ocupação irregular de encostas, alagados, várzeas e beiras de rios e enchentes em cidades de grande e médio portes. Isso acarreta o comprometimento dos mananciais de abastecimento, gerando a redução da disponibilidade hídrica de qualidade adequada (MMA; ANA, 2007).

1.1.3 Recursos Hídricos no Contexto Ambiental Mundial

De acordo com Setti (2001), a primeira onda ambiental foi grandemente influenciada pelo debate generalizado que, ao final da década de 1960, buscava propor formas alternativas de organização e comportamento social, com forte protesto e contestação do sistema então vigente. As discussões sobre o sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos iniciaram-se na Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) em 1987, em Salvador/BA, e prosseguiram em Foz do Iguaçu/PR em 1989 e no Rio de Janeiro/RJ em 1991, nos simpósios nacionais realizados nessas localidades. Os resultados dessas discussões constam em cartas aprovadas nas respectivas assembléias gerais, que têm a mesma denominação das cidades em que foram realizadas, nas quais é possível constatar a evolução dos debates sobre os aspectos institucionais do gerenciamento de recursos hídricos. Na Carta de Salvador, por exemplo, introduzem-se temas institucionais para discussão interna na ABRH, destacando-se: usos múltiplos dos recursos hídricos, descentralização e participação, sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos, aperfeiçoamento da legislação, desenvolvimento tecnológico e aperfeiçoamento de recursos humanos, sistema de

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informações sobre recursos hídricos e política nacional de recursos hídricos. Já na Carta de Foz do Iguaçu, caracteriza-se o que se entende por política e explicitam-se seus princípios básicos – dentre os quais o reconhecimento do valor econômico da água e a cobrança pelo seu uso – e recomenda-se a instituição do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos, prevista no inciso XIX do artigo 21 da Constituição Federal de 1988. Na Carta do Rio de Janeiro, dedicada aos recursos hídricos e ao meio ambiente, propõe-se como grande prioridade nacional a reversão da dramática poluição das águas e a necessidade inadiável de planejamento e gestão integrados em bacias hidrográficas e regiões e áreas costeiras, caracterizando-se as grandes diversidades das bacias e regiões brasileiras que demandam soluções diferenciadas, adequadas às suas peculiaridades. Pela primeira vez, a preocupação com as questões ambientais veio a ocupar o centro do debate multilateral no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, na Suécia, de 5 a 16 de junho de 1972. Porém, o tratamento dessas questões naquela ocasião era ainda bastante diferente da que mobiliza hoje a comunidade internacional em torno do tema proteção ambiental. Não havia ainda àquela época, como há hoje de forma bastante explícita, a ligação do meio ambiente com o desenvolvimento humano. A questão central em Estocolmo referia-se essencialmente às relações entre o homem e o meio ambiente, com bastante ênfase dada à questão da poluição. O objetivo era conscientizar os Estados sobre a importância de se promover a limpeza do ar nos grandes centros urbanos, a limpeza dos rios nas áreas das bacias mais povoadas e o combate à poluição marinha. As grandes preocupações estavam relacionadas com a situação, em alguns casos alarmantes, das condições de saneamento em áreas de grande concentração populacional situadas, sobretudo, em regiões altamente desenvolvidas. A partir daí, a preservação de recursos naturais foi formalmente aceita pela Comunidade Internacional. Na resultante Declaração de Estocolmo o princípio no5 aponta que os recursos não renováveis da Terra devem ser aproveitados de forma a evitar o perigo de seu futuro esgotamento e assegurar que os benefícios de sua utilização sejam compartilhados por toda humanidade. Neste contexto, estão contidos os recursos hídricos. Um fato importante é que não se pode negar que Estocolmo teve efeitos práticos concretos. Por exemplo, a qualidade do ar nos grandes centros urbanos do mundo desenvolvido melhorou e vários grandes rios europeus, praticamente mortos, passaram por processo de recuperação. O mesmo infelizmente não aconteceu nos países em desenvolvimento, sobretudo, devido à falta de acesso a tecnologias apropriadas e a recursos para aplicá-las. A Conferência de 1972 marcou também a entrada definitiva da questão ambiental nas negociações internacionais. A partir da adoção da Declaração de Estocolmo, a questão ambiental se consolidou como tema de

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preocupação global e se converteu em objeto de negociação entre os países. O primeiro reflexo disso foi a consolidação de um mecanismo institucional para tratar de questões ambientais no âmbito das Nações Unidas, através da criação em 1972 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com sede em Nairóbi, no Quênia. O PNUMA se constitui em um mecanismo sob a forma de um programa, e não de um organismo especializado. Porém, é dotado de certa autonomia dentro da estrutura de organização, com um secretariado reduzido, um diretor executivo e um conselho de administração -do qual o Brasil tem participado constantemente- que se reúne bienalmente, reportando-se ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. Em 1985, a Assembléia Geral das Nações Unidas atribuiu ao PNUMA a tarefa de delinear estratégias ambientais para o ano 2000 e além. Foi estabelecida então a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMD), que prepararia um relatório sobre o meio ambiente global. Essa Comissão, composta por 21 participantes escolhidos a título pessoal, e não como representantes governamentais, foi presidida pela Primeira-Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. O relatório da Comissão, publicado em 1987, intitulado “Nosso Futuro Comum”

e conhecido como Relatório Brundtland, apresenta o conceito de “desenvolvimento sustentável”, que defini-se como aquele que atende às necessidades das presentes gerações sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades. Esse conceito implica no uso racional dos recursos naturais, de forma a não comprometer o capital ecológico do planeta. Trata-se, portanto, de incluir questões de ordem ambiental no processo de tomada de decisões, com vistas ao desenvolvimento.

Em 1977, a Conferência das Nações Unidas sobre a Água, em Mar Del Plata, Argentina, acordou que todos os povos têm direito ao acesso à água potável necessária para satisfazer suas necessidades essenciais. Recomendou, dentre outras, que: cada país deve formular e analisar uma declaração geral de políticas em relação ao uso, à ordenação e à conservação da água, como marco de planejamento e execução de medidas concretas para a eficiente aplicação dos diversos planos setoriais (SETTI et al, 2001).

Em 1992, a Conferência de Dublin apontou a existência de sérios problemas relacionados à disponibilidade de água para a humanidade e estabeleceu quatro princípios para a gestão sustentável da água, assim sistematizados: (I) a água doce é um recurso finito e vulnerável, essencial para a manutenção da vida, para o desenvolvimento e para o meio ambiente; (II) seu gerenciamento deve ser baseado na participação dos usuários, dos

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planejadores e dos formuladores de políticas, em todos os níveis; (III) as mulheres desempenham um papel essencial na provisão, no gerenciamento e na proteção da água; e (IV) o reconhecimento do valor econômico da água. Tendo em vista os quatro princípios norteadores, os participantes da Conferência de Dublin elaboraram um conjunto de recomendações por meio das quais os países poderiam enfrentar as principais questões relacionadas aos recursos hídricos. Essas recomendações visavam proporcionar aos países o alcance dos seguintes benefícios: (I) mitigação da pobreza e das doenças por meio da gestão dos recursos hídricos, da provisão dos serviços de saneamento e do abastecimento de alimentos e de água; (II) proteção contra os desastres naturais que causam danos pela perda de vidas humanas e pelos altos custos de reparação; (III) conservação e reaproveitamento da água por meio de práticas de seu reúso e pela melhoria na eficiência nos diferentes setores usuários; (IV) desenvolvimento urbano sustentável, reconhecendo que a degradação dos recursos hídricos vem incrementando os custos marginais do abastecimento urbano; (V) produção agrícola e abastecimento de água no meio rural, relacionando essa prática à segurança alimentar e à saúde das comunidades rurais; (VI) proteção do ecossistema aquático, reconhecendo que a água é um elemento vital ao meio ambiente e abriga múltiplas formas de vida das quais depende, em última instância, o bem-estar do ser humano; (VII) solução de conflitos derivados da água, reconhecendo que a bacia hidrográfica se configura a unidade de referência para a resolução de conflitos; (VIII) ambiente favorável, configurando a necessidade de um ambiente institucional que permita que as demais recomendações se efetivem; (IX) bases de dados consistentes, reconhecendo a importância do intercâmbio de informações sobre o ciclo hidrológico com vistas a prevenir as ações decorrentes do aquecimento global; e (X) formação de pessoal, considerando a necessidade de capacitação e de provisão de condições de trabalho adequadas (SETTI et al, 2001).

Em 1992, o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro –outro evento de extrema importância no contexto ambiental a nível mundial- que contemplou uma vasta gama de temas associando a temática ambiental a questões econômicas e sociais. Dentre eles pode-se citar a conservação da diversidade biológica, proteção da qualidade do suprimento de água doce, controle de dejetos, principalmente químicos e tóxicos, proteção de áreas oceânicas e marítimas e das zonas costeiras, e conservação, uso racional e desenvolvimento de seus recursos, dentre outros. Dentre os documentos produzidos na Conferência, além dos tratados e acordos internacionais, destacam-se a Carta da Terra, com seus princípios para a humanidade,

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dentre os quais a administração do uso da água de forma que não exceda às taxas de regeneração e que proteja a saúde dos ecossistemas, além também da Agenda 21. Esta apresenta uma pauta de longo prazo, estabelecendo os temas, projetos, objetivos, metas, planos e a operação para execução de cada tema da conferência.

É importante ressaltar que a Agenda 21, no seu capítulo XVIII, trata da aplicação de critérios integrados em relação ao desenvolvimento, manejo e uso dos recursos hídricos, visando à proteção da sua qualidade e a garantia de abastecimento. Afirma que a água é necessária em todos os aspectos da vida e que o objetivo geral deve ser assegurar que se mantenha uma oferta adequada de água de boa qualidade para toda a população do planeta, ao mesmo tempo em que se preservem as funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas, adaptando as atividades humanas aos limites da capacidade da natureza e, além disso, combater os vetores de moléstias relacionadas com a água. Aponta também que tecnologias inovadoras, inclusive o aperfeiçoamento de tecnologias nativas, são necessárias para aproveitar plenamente os recursos hídricos limitados e protegê-los da poluição (SETTI et al, 2001).

São inegáveis os benefícios conquistados no país desde a RIO-92, e dignos de nota são os esforços realizados nos últimos anos para consolidar a política ambiental do país, seja na estruturação do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), seja na modernização dos instrumentos da política, ou ainda na concepção e na execução de programas inovadores.

Ressaltam-se os avanços no campo regulatório, como a Lei de Crimes Ambientais, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, a Política Nacional de Educação Ambiental, bem como as diversas Resoluções estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Refletindo as recomendações resultantes da Conferência de Dublin, referendadas na ECO-92, por intermédio da Agenda 21, bem como visando regulamentar o inciso XIX, artigo 21, da Constituição Federal de 1988, e com base nos dispositivos constitucionais, foi instituída a Política Nacional de Recursos Hídricos, pela Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Esta política demonstra a importância da água e reforça seu reconhecimento como elemento indispensável a todos os ecossistemas terrestres, como bem dotado de valor econômico, além de estabelecer que sua gestão deve ser estruturada de forma integrada, com necessidade da efetiva participação social (SETTI et al, 2001).

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1.1.4 Aspectos Legais Relacionados aos Recursos Hídricos

A Lei no 9.433/1997, por seu processo de construção, bem como por seu conteúdo, constitui-se em uma das mais modernas e arrojadas propostas de gestão pública de nosso país, impondo-se como ponto de convergência dos princípios da Agenda 21 e representando um marco histórico para a implementação do sistema de gestão integrado e participativo no Brasil. Ademais, a busca de sua implementação efetiva, nos últimos anos, já nos permite apontar os sucessos alcançados, além dos problemas e dos desafios a serem vencidos no exercício da prática de seu cumprimento (MMA, 2006).

Desde os primórdios coloniais no Brasil, a atividade econômica, da agricultura à mineração, embora revelasse grande potencial de desenvolvimento, não chegava ainda a prenunciar grandes conflitos de uso da água. Contudo, a industrialização e a expansão dos núcleos populacionais em crescimento acelerado no final do século XIX, rapidamente passaram a aumentar a demanda de água e a exigir maior regularidade no seu fornecimento e instrumentos legais mais complexos para seu gerenciamento. Nesse contexto, o surgimento da produção de energia elétrica a partir do aproveitamento de potenciais hidroenergéticos foi importante fator de incremento ao interesse em sistemas legais e institucionais de controle do uso da água, que propiciassem maior segurança aos investidores. Mas foi somente com o advento da República e o início da sofisticação da administração pública que a sociedade brasileira iniciou seus primeiros passos para a conformação de um aparato legal e institucional destinado ao controle sobre o uso dos seus recursos naturais, entre os quais a água. A primeira Constituição republicana, promulgada em 1891, continha apenas uma referência indireta ao uso dos recursos hídricos, quando se referia à navegação, relacionada ao comércio interno e internacional de mercadorias. Não havia ainda nessa época a preocupação de impor um regulamento ao uso e às múltiplas finalidades a que se prestam os recursos hídricos. Contudo, logo a administração federal percebeu, ante a cobrança que se generalizava, a necessidade de buscar a imposição de normas reguladoras, uma vez que os serviços concedidos permaneciam precários carecendo, tanto os investidores quanto os consumidores de energia, e também os usuários da água, de instrumentos jurídicos mais condizentes com os novos tempos e com a necessidade de assegurar bases mais sólidas ao desenvolvimento nacional. Era preciso, no entanto, superar a cultura marcada pelo patrimonialismo clássico a qual, vale ressaltar, fora expressa na Constituição, cujo texto reconhecia o direito à propriedade sem especificar a

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dominialidade das águas, entendendo-se, portanto, que esta acompanhava a propriedade do solo (MMA, 2006).

Neste contexto, após mais de vinte anos de discussões sobre a matéria, foi sancionado o Decreto Federal no 24.643, de 10 de julho de 1934, que ficou conhecido como Código das Águas, considerado inovador para a época, e mundialmente respeitado como uma das mais completas normas legais sobre águas já concebidas. De acordo com o Código, esse recurso natural era dividido em águas públicas, águas comuns e águas particulares. Era assegurado o uso gratuito de qualquer corrente ou nascente de água para as primeiras necessidades da vida, permitindo a todos o uso de quaisquer águas públicas, em conformidade com os regulamentos administrativos. Do ponto de vista institucional, esse período após a instituição do Código das Águas caracterizou-se pela consagração do modelo burocrático de gestão dos recursos hídricos, cujo principal objetivo era cumprir e fazer cumprir os dispositivos legais, com concentração do poder nas instituições públicas que aprovavam concessões e autorizações de uso da água, licenciamento de obras, ações de fiscalização, de interdição ou multa, entre outras ações (CETEC, 1996 apud MMA, 2006). Além das dificuldades estruturais de operacionalização dos seus instrumentos, esse modelo era omisso no tocante ao planejamento estratégico. Até a década de 1970, a legislação brasileira sobre recursos hídricos preocupava- se, principalmente, em disciplinar a propriedade e o uso da água, sem se ater às necessidades de conservação e preservação, principalmente em razão da abundância relativa de água no país e da percepção errônea de que se tratava de um recurso renovável e, portanto, infinito.

Até os anos de 1970 as questões de recursos hídricos eram consideradas a partir das perspectivas dos setores usuários das águas, tais como hidrelétrico, navegação e agricultura, ou segundo políticas específicas de combate aos efeitos das secas e das inundações. Nesse período, ocorreu a implementação, no Brasil, do modelo econômico-financeiro de gestão de recursos hídricos, que se desenvolveu a partir da inoperância do modelo burocrático. Esse modelo caracterizava-se por uma forte intervenção do Estado, com predomínio das negociações político-representativas e econômicas, bem como de instrumentos econômicos e financeiros para induzir à obediência às disposições legais vigentes. Objetivava a promoção do desenvolvimento econômico, nacional ou regional, fundamentado em prioridades setoriais do governo central. Sua força motora eram os programas de investimentos em saneamento, irrigação, eletrificação, entre outros. Uma das principais falhas do modelo econômico- financeiro esteve relacionada à sua incapacidade de incorporar as necessidades locais, além de se restringir ao tratamento setorial das questões e favorecer o surgimento de instituições

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públicas com grandes poderes. Diante do processo de industrialização do país, as preocupações com os aspectos relacionados à conservação quantitativa e qualitativa dos recursos hídricos passam a fazer parte da agenda das instituições cujas atribuições estavam direta ou indiretamente relacionadas a essa questão. Nesse período, foram iniciadas as primeiras experiências em gestão integrada por bacia hidrográfica, por iniciativa do governo federal, o que impulsionou a criação, em âmbito nacional, do Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas (CEEIBH), com a finalidade de promover a utilização racional dos recursos hídricos das bacias hidrográficas dos rios federais, por meio da integração dos planos e dos estudos setoriais em desenvolvimento pelas diversas instituições.

Destaca-se, nessa época, a edição de portarias interministeriais que recomendavam a classificação e o enquadramento dos corpos de água brasileiros (MMA, 2006).

No ano de 1983, foi realizado na cidade de Brasília o Seminário Internacional de Gestão de Recursos Hídricos, com a participação de especialistas internacionais de França, Inglaterra e Alemanha, representando o início dos debates nacionais relativos a essa temática.

A partir daí, foram realizados vários encontros nacionais de órgãos gestores dos recursos hídricos. Em 1986, o Ministério de Minas e Energia criou um Grupo de Trabalho cujo relatório recomendou a criação e a instituição do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), a busca de subsídios para instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos, a transição do CEEIBH e dos respectivos comitês executivos de bacias hidrográficas para o novo sistema proposto e a instituição dos sistemas estaduais de gerenciamento de recursos hídricos. O resultado de todo esse processo culminou na inclusão de um dispositivo específico na Constituição Federal de 1988, referente à instituição do SINGREH como competência da União. Além disso, a CF de 1988 definiu critérios de outorga de direito de uso dos recursos hídricos (inciso XIX, artigo21, da CF/1988) e aboliu a figura da propriedade privada da água, até então prevista no Código das Águas, dividindo assim o domínio das águas entre a União e os Estados. A reintrodução da democracia no país e a promulgação da Constituição Federal de 1988 representam, portanto, importantes marcos referenciais da atual etapa da gestão integrada dos recursos hídricos no Brasil (MMA, 2006).

Na prática, a questão da dominialidade das águas tem-se constituído em um grande desafio para a implementação da gestão de recursos hídricos em bacias compartilhadas pela União e pelas unidades da Federação e uma grande oportunidade para o exercício do Pacto Federativo. Aos Estados, no exercício de sua autonomia, cabe decidir sobre a respectiva

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organização administrativa, inclusive no tocante às águas, e o SINGREH, por ser nacional, deve acolher, entre outras representações, os Estados, sem lhes impor forma de organização administrativa, em respeito a sua autonomia, constitucionalmente garantida (POMPEU, 2002 apud MMA, 2006).

De acordo com dados do Panorama e Estado dos Recursos Hídricos no Brasil (MMA, 2006), tendo como base o estabelecido na Constituição Federal de 1988 e nas decorrentes Constituições Estaduais, alguns Estados voltaram seus esforços para a elaboração das respectivas leis de recursos hídricos. São Paulo foi o primeiro Estado a discutir o tema, promulgando a Lei Estadual em dezembro de 1991. Neste mesmo ano, inicia-se o processo de tramitação do projeto de lei federal instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos e criando o SINGREH (Projeto de Lei no 2.249/1991). Esse projeto tramitou por mais de cinco anos no Congresso Nacional, marcado por um processo de amplos debates, seminários e audiências públicas, tendo recebido dois substitutivos e diversas propostas de emendas. Nesse ínterim, em 1995, o governo federal criou o Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, atual Ministério do Meio Ambiente. No mesmo ano, foi instituída a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), que tinha na época de sua criação, entre suas atividades principais, a divulgação e a discussão do projeto de lei que definiria a Política Nacional de Recursos Hídricos, que se encontrava em tramitação no Congresso Nacional.

Após a promulgação da Lei no 9.433/1997, os trabalhos da SRH/MMA passaram a ser orientados pelo estabelecido nesse instrumento legal. Em junho de 2003, as atribuições da SRH foram redefinidas pelo Decreto no 4.755, competindo-lhe propor a formulação da Política Nacional dos Recursos Hídricos, bem como acompanhar e monitorar sua implementação, nos termos da Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997, e da Lei no 9.984, de 17 de julho de 2000, que dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas (ANA), cuja finalidade recai na implementação, em sua esfera de atribuição, da Política Nacional de Recursos Hídricos. Com a sanção da Lei no 9.433 no ano de 1997, os Estados passaram a agilizar a instituição de suas políticas de recursos hídricos, tendo como referência a legislação federal. O modelo de gerenciamento adotado no Brasil representa um novo marco institucional, incorporando princípios e instrumentos de gestão inteiramente novos, embora já aceitos e praticados em vários países.

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A Lei Federal no 9.433 de 08 de janeiro de 1997 institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do artigo 21 da Constituição Federal e dá outras providências.

De acordo com Setti (2001), trata-se de uma lei atual, avançada e importante para a ordenação territorial, em seu sentido mais amplo, caracterizada por uma descentralização de ações, contra uma concentração de poder, claramente ressaltados no texto da referida lei, que proclama os princípios básicos praticados hoje em todos os países que avançaram na gestão de seus recursos hídricos, quais sejam: a adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento, usos múltiplos da água, o reconhecimento deste recurso como um bem finito e vulnerável e gestão descentralizada e participativa. São também relevantes os cinco instrumentos essenciais à gestão eficiente do uso da água:

- Plano Nacional de Recursos Hídricos: documento programático para o setor que consiste na atualização e consolidação dos chamados Planos Diretores de Recursos Hídricos, que são elaborados por bacia ou conjunto de bacias hidrográficas;

- Outorga de direito de uso dos recursos hídricos, que é um instrumento pelo qual o usuário recebe autorização, concessão ou permissão para fazer uso da água. Constitui o elemento central do controle para o uso racional dos recursos hídricos, disciplinando o uso desse recurso;

- Cobrança pelo uso da água, essencial para criar condições de equilíbrio entre disponibilidade e demanda, visando promover assim a harmonia entre os múltiplos usuários;

- Enquadramento dos corpos de água em classes de uso, que permite fazer a conexão entre a gestão da quantidade e da qualidade da água. É extremamente importante para se estabelecer um sistema de vigilância sobre os níveis de qualidade da água dos mananciais;

- Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos, encarregado de coletar, organizar, criticar e difundir a base de dados relativa aos recursos hídricos, seus usos, o balanço hídrico de cada manancial e de cada bacia, provendo gestores, usuários e sociedade civil com as condições necessárias ao processo decisório.

Neste contexto, destaca-se que o estabelecimento do Plano Nacional de Recursos Hídricos vem ao encontro das recomendações estabelecidas na Cúpula Mundial de Johanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), ocorrida em 2002 na África do

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Sul, que, por sua vez, contribuem para o alcance das Metas do Milênio no tocante à temática da água, dentre as quais está a questão da garantia da sustentabilidade ambiental, que passa pela inclusão daquela parte da população mundial que ainda não tem acesso à água potável e a medidas de saneamento.

Ainda segundo Setti (2001), em relação ao arranjo institucional, a lei 9733/97 criou os seguintes organismos:

- Conselho Nacional de Recursos Hídricos: órgão mais elevado da hierarquia do Sistema Nacional de Recursos Hídricos em termos administrativos, responsável por decidir a respeito das grandes questões do setor, além de dirimir as contendas de maior vulto;

- Comitês de bacias hidrográficas: contando com a participação de usuários, prefeituras, sociedade civil organizada, governos na esfera federal e estadual, são destinados a atuar como fórum de decisão no âmbito de cada bacia hidrográfica;

- Agências de água: voltado para a gestão dos recursos oriundos da cobrança pelo uso da água;

- Organizações civis de recursos hídricos: são entidades atuantes no setor de planejamento e gestão do uso dos recursos hídricos e que podem ter destacada participação no processo decisório e de monitoramento das ações.

1.2 Uso Sustentável dos Recursos Hídricos

No contexto da gestão sustentável dos recursos hídricos, vêm ganhando cada vez mais destaque as medidas alternativas de uso deste recurso natural, as quais contribuem, sobretudo, para a conservação dos mananciais e destinação da água potável para fins mais nobres. A gestão do uso da água, um dos requisitos para novas edificações para que se enquadrem nas exigências das certificações ambientais, tem como principal objetivo a utilização eficiente da água potável visando a sua conservação, evitando o desperdício.

O atual cenário de crescimento populacional, expansão dos centros urbanos, escassez e perda de qualidade dos mananciais pela poluição, associados a serviços ineficientes de abastecimento público, entre outros fatores, tem despertado diversos setores da sociedade nas mais diferentes regiões do planeta para a necessidade de conservação dos recursos hídricos (GONÇALVES, 2009).

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Dentre as principais alternativas de uso sustentável da água, atualmente vêm ganhando cada vez mais destaque as técnicas de reúso da água e os sistemas de captação e aproveitamento de águas pluviais.

Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), o reúso é atualmente bastante empregado, sobretudo, nas indústrias e empreendimentos em geral, na limpeza de pisos, pátios e galerias de águas pluviais, assentamento de poeira em obras de execução de aterros e terraplanagem, preparação e cura de concreto em canteiros de obra e para estabelecer umidade ótima em compactação e solos, desobstrução de rede de esgotos e de águas pluviais, sistemas de combate a incêndios, geração de energia e refrigeração de equipamentos em diversos processos industriais, além da rega de áreas de jardim.

Com a crescente procura de indústrias e empresas em relação à obtenção de uma certificação que comprove que a mesma atenda aos requisitos de conservação ambiental, além da maior conscientização e preferência dos consumidores por aquelas que tragam no seu processo produtivo a preocupação com a preservação do meio ambiente, muitos países já vêm adotando sistemas como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), atualmente o mais utilizado em todo o mundo, inclusive no Brasil. De acordo com o Green Building Council Brasil (2012), organização não governamental criada no ano de 2007, para atuar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável no País, em um processo integrado de concepção, construção e operação de edificações e espaços construídos, o Brasil é atualmente o quarto no ranking mundial de construções verdes, com 51 prédios certificados e 525 em processo de certificação, atrás apenas dos Estados Unidos, Emirados Árabes e China.

Segundo Leite (2011), toda edificação abrange em seu ciclo de vida a geração de resíduos, o consumo de energia, materiais e produtos, emite gás carbônico na atmosfera, emprega e gera renda e impostos. Sendo assim possuem um grande potencial no que diz respeito à implementação efetiva de medidas que visem ao desenvolvimento sustentável.

Dessa forma, é a partir de indicadores de desempenho, como o LEED, que atribuem uma pontuação técnica em função do grau de atendimento a respectivos requisitos, que a maioria dos sistemas de avaliação ambiental se baseia. Os requisitos são relacionados aos aspectos construtivos, climáticos e ambientais levando em conta não somente a edificação em si, mas também o seu entorno e a relação com a cidade e ambiente global, bem como fatores como:

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- Uso racional da água, sendo o objetivo maior a economia da água potável, através do uso de equipamentos economizadores de água, acessibilidade do sistema hidráulico, captação de água de chuva, tratamento de esgoto, dentre outros;

- Impactos no meio urbano, representado por fatores como os incômodos gerados pela execução, acessibilidade, inserção urbana, erosão do solo, poeira e outros;

- Materiais e Resíduos, o emprego de madeira e agregados com origem legalizada, geração e destinação adequada de resíduos, emprego de materiais de baixo impacto, gestão de resíduos no canteiro de obras e reuso de materiais;

- Energia e emissões atmosféricas, analisando o sistema de ar condicionado, iluminação e outros;

- Conforto e salubridade do ambiente interno, considerando a qualidade do ar e o conforto ambiental.

Neste contexto, o trabalho em questão está diretamente relacionado ao tema da sustentabilidade, já que o sistema de telhado verde associado à captação e aproveitamento das águas das chuvas promove o uso racional desse recurso natural, além de contribuir para a contenção de enchentes e proporcionar uma série de vantagens à edificação, como trataremos a seguir em tópico específico.

1.2.1 Ciclo Hidrológico

No atual cenário de crescente urbanização, com adensamento populacional e alterações radicais na paisagem, têm se acentuado os impactos ambientais e socioeconômicos decorrentes da interação com eventos hidrológicos, afetando grande parte da população mundial. Os impactos ambientais, sobretudo, sobre os recursos hídricos têm demandado de maneira primordial a busca por soluções para problemas recorrentes, como poluição dos corpos d’água, comprometimento das nascentes, ocorrência de enchentes, entre outros (ARAÚJO, 2007).

Os aspectos que caracterizam a urbanização e que estão mais diretamente relacionados ao ciclo hidrológico e aos recursos hídricos estão associados com o crescimento populacional e aumento do número de construções assim como, a conseqüente impermeabilização da

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superfície do solo. O aumento da impermeabilização reduz as taxas de infiltração, que por sua vez leva à diminuição das taxas de recarga para os aqüíferos e à diminuição do escoamento básico. Desse modo, o escoamento superficial é intensificado, aumentando em velocidade a freqüência e magnitude dos picos de cheia, levando ocasionalmente às enchentes. Além disso, o aumento da população contribui para o crescimento da demanda dos recursos hídricos e ao mesmo tempo aumenta os volumes de efluentes e de resíduos sólidos (ARAÚJO, 2007). A mudança do uso do solo também tem impacto no balanço de energia entre a superfície e a atmosfera. Além da alteração da resistência aerodinâmica que afeta a movimentação do ar das áreas em torno, há também o aumento da transferência de calor para a atmosfera. Há ainda os depósitos de resíduos sólidos que atuam contribuindo na emissão de gases do efeito estufa.

Esses fatores conjugados tendem a produzir temperaturas mais altas e favorecem a ocorrência de chuvas convectivas, mais nos conglomerados urbanos do que em áreas rurais. A interação entre processos físicos que ocorrem na superfície e na atmosfera podem ao longo do tempo levar a uma mudança na distribuição e disponibilidade dos recursos hídricos (Hall, 1984 apud ARAÚJO, 2007).

O ciclo hidrológico abrange uma série de processos como evaporação, condensação, precipitação, interceptação, infiltração, percolação, armazenamento e escoamento superficial.

Pode-se dizer que toda a água da Terra participa deste imenso movimento natural e constante de dessalinização e purificação, movido a partir da energia solar, que é o ciclo hidrológico. O vapor d’água que se evapora dos lagos, rios e oceanos e também de todas as superfícies terrestres úmidas, além daquele oriundo da evapotranspiração realizada pelas plantas, é transportado para a atmosfera e, através do processo de condensação, retorna para a Terra na forma de precipitação sobre continentes e oceanos. Parte desta precipitação é interceptada pela vegetação e construções, enquanto outra parcela pode escoar sobre a superfície, desaguar em corpos d’água ou infiltrar no solo. A água infiltrada pode, por sua vez, percolar para zonas mais profundas para ser armazenada no subsolo, futuramente escoando para formar nascentes ou fontes (GONÇALVES, 2009).

A precipitação é, de fato, um dos fatores hídricos mais importantes no ciclo hidrológico. Portanto, a exatidão dos cálculos sobre o balanço hídrico e sua relação com outras características, como escoamento superficial e subterrâneo, evaporação, erosão do solo, entre outros, dependerá do conhecimento mais ou menos preciso do volume caído, tipo de precipitação (chuva, orvalho, neve, granizo), origem (convecção, orográfica, ciclônica) e sua

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distribuição no tempo e no espaço. Para quantificar certos serviços como, por exemplo, o abastecimento doméstico e industrial de água, necessidade de irrigação de culturas e, inclusive, o aproveitamento da água da chuva, o fator determinante é a disponibilidade de precipitação numa bacia durante o ano. De toda forma, todo estudo hidrológico deve levar em consideração o macro clima de uma bacia hidrográfica. O tipo de precipitação, por exemplo, está diretamente associado às condições atmosféricas dominantes (GONÇALVES, 2009).

É neste contexto que, visando minorar os impactos causados pelas ações antrópicas sobre os recursos hídricos e, consequentemente sobre o ciclo hidrológico, é fundamental a busca de fontes alternativas de abastecimento de água como, por exemplo, os sistemas de captação e aproveitamento das águas pluviais.

1.2.1.1 Precipitação Atmosférica

A precipitação inclui a água na forma de neve, granizo, geada e a procedente das chuvas, neblina e orvalho. No entanto, é a chuva a forma mais freqüente de precipitação e sem dúvida a mais fácil de medir. Dentro de uma bacia hidrográfica, pode a precipitação variar de uma região para outra, o que torna fundamental, numa pesquisa ou projeto, se obter dados pontuais, os quais podem ser obtidos numa estação meteorológica mais próxima da área de estudo, ou mesmo serem medidos diretamente no local através de instrumentos apropriados (GONÇALVES, 2009).

As características principais da precipitação são o seu total, a sua duração e as distribuições temporal e espacial. Além disso, a quantidade de chuva é expressa pela altura de água caída e acumulada sobre uma superfície plana e impermeável. Sendo assim, a quantidade de precipitação total só tem significado se estiver associada a uma duração. Para medi-la, são utilizados dois tipos de aparelhos, os pluviômetros e os pluviógrafos sendo, respectivamente, simples recipiente de medição da água precipitada e instrumento de registro das alturas pluviométricas no decorrer do tempo. A altura pluviométrica é expressa em milímetros (mm) e o período de tempo entre o início e o fim da precipitação pode ser dado em horas ou minutos. Já a intensidade da precipitação é a relação entre a altura pluviométrica e a duração da precipitação, expressa geralmente em mm/h ou mm/min. Como a ocorrência da precipitação é um processo aleatório, o tratamento dos dados na maioria das vezes é estatístico. Com isso, o objetivo de um posto de medição de chuvas é o de obter uma série

Referências

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