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Acupuntura e Terapias Naturais

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Academic year: 2022

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LIGA DAS ESCOLAS DE ACUPUNTURA E TERAPIAS NATURAIS

Acupuntura e

Terapias Naturais

CIÊNCIA - CLÍNICA - TRADIÇÃO

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EDITORIAL

A grande questão que sempre está presente na literatura da MTC é o distanciamento, ou a falta de contato com a experiência clinica correlacionando estas com os princípios da Medicina Tradicional Chinesa.

O maior destaque desta Revista de Acupuntura e Terapias Naturais esté em conseguir plasmar de uma forma clara tudo o que se observa na clinica e na prática a partir dos conceitos energéticos da MTC. de uma maneira singular e muito elucidativa.

Nos últimos 40 anos a MTC tem sofrido muitas mudanças, que vão desde a eliminação sistemática de conceitos taoístas para assim adotar uma conceitualização própria do materialismo filosófico marxista, até a incorporação de conceitos da medicina ocidental de forma a “exportar” um conhecimento que possa ser entendido pela comunidade do ocidente.

Entendemos que não e necessário deixar de lado os conceitos de base da MTC, para corroborar-los a partir do ponto de vista das novas descobertas da biologia e da física moderna. Saber que as leis da relatividade (Yin Yang) e interdependência (Wu Xing) podem ser observadas tanto a partir do ângulo da MTC como da Biofísica moderna mostra como os antigos chineses já possuíam vastos conhecimentos da natureza, e mostra também que por serem conhecimentos universais não se perdem no tempo nem mudam conforme as mudanças científicas.

E são estes parâmetros de interligação e semelhança que estão fazendo com que a MTC possa entrar no âmbito universitário. Prova disso foi a incorporação destes conhecimentos no recente lançamento do curso superior em acupuntura autorizado por portaria do Ministério da Educação.

Esta revista, fruto da união das escolas tradicionais em acupuntura e terapias naturais do Brasil , tem como fundamentação teórica o conhecimento ancestral que ao longo dos milênios, desde seus primeiros postulados, não tem mudado e sim tem sido corroborado por pesquisas e teorias biofísicas. Acredito que a leitura desta revista levará a uma melhor compreensão das teorias gerais da MTC para obter uma lógica clara e segura destas teorias na hora do trabalho terapêutico.

Já não mais precisaremos decorar fórmulas e tratamentos, e sim simplesmente pensar de uma forma técnico-lógico e agir em consequência, só assim faremos de cada paciente um paciente, de cada distúrbio energético um distúrbio, e de cada síndrome uma síndrome exata.

Prof. MARCELO FABIAN OLIVA MOYANO Liga das Escolas de Acupuntura e Terapias Naturais

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Liga das Escolas de Acupuntura e Terapias Naturais

Revista de Acupuntura e Terapias Naturais (Publicação Trimestral)

Ano 2, Numero 4

Editor chefe:

Donati Caleri

Diagramação:

Frederico Freitas Bernardes

Conselho Editorial:

Donati Caleri Wu Tou Kwang Marcelo Fabian Oliva

Daniel Kim Miguel Podesta

Camille Egidio Fernando Prates

Jose Diniz Walter Nobre Galvao Alex da Silva Santos Frederico Bernardes

Idealização e Produção:

Liga das Escolas de Acupuntura e Terapias Naturais

Contato:

[email protected]

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Liga das Escolas de Acupuntura e Terapias Naturais

ÍNDICE

ENTREVISTA COM PROFESSOR DONATI, ASBANTHO ... 05

MEDICINA CHINESA COMO VALIOSA FERRAMENTA NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA COVID-19 ... 10 A AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DO DISTURBIO DA ANSIEDADE ... 22 PROPOSTA DE TRATAMENTO COM MOXATERAPIA NA ESTAGNAÇÃO DE XUE NO

JOELHO ... 32 HÁ RISCO DE PNEUMOTÓRAX COM A UTILIZAÇÃO INADEQUADA DA TÉCNICA DE ACUPUNTURA DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA? ... 44 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS PONTOS UTILIZADOS NAS PATOLOGIAS DA M.T.C.

SEGUNDO O LIVRO: “101 ENFERMEDADES TRATADAS CON ACUPUNTURA Y MOXABUSTIÓN” ... 54 ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO COMO SUPORTE NA SEXUALIDADE DE HOMENS COM LESÃO MEDULAR ADQUIRIDA ... 85

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ENTREVISTA COM PROFESSOR DONATI CALERI, ASBANTHO

DONATI CALERI, brasileiro, 67 anos, formado em Medicina Oriental no Kushi Institute Boston USA, 1982.

Graduação e licenciatura em Psicologia.

Trabalha com Medicina Chinesa há 40 anos, com atendimento clínico em consultório e ambulatório.

Ministra aulas e cursos de shiatsu, acupuntura e quiroprática desde 1989 no Rio e em outras cidades do país.

Um dos fundadores, em 1984, da escola ASBAMTHO, de Medicina Chinesa.

Participou da implantação da Acupuntura e das Terapias Naturais no Município do Rio de Janeiro, em 1992.

Criou o primeiro Curso de Terapias Naturais no Rio de Janeiro em 1989.

Conseguiu autorização da Secretaria de Educação do RJ, para os cursos técnicos profissionalizantes de Acupuntura e Shiatsu, com carga horária de 1270horas.

Responsável e idealizador dos cursos de formação de agentes comunitários de saúde em práticas alternativas, no município do Rio e de Petrópolis.

Um dos idealizadores e responsáveis pela implantação das PICS no serviço público de saúde de Petrópolis.

Autor dos livros: Medicina Chinesa Viva (Editora Ícone), Espinosa e Zen Budismo, Encontros da Vida Nua nos Jardins do Capital e Alimentação e a Revolução Molecular (Editora 7 Letras).

Participou de inúmeros Congressos e Seminários, como palestrante.

1. Por que você escolheu trabalhar com Acupuntura (ou outra especialidade)?

Porque senti e entendi que era a minha vocação. Queria mudar o mundo para melhor, e através, inicialmente da alimentação vegetariana e depois com a Acupuntura, o Shiatsu, e os Exercícios Chineses, atendendo, posteriormente dando cursos e aulas, tanto para os grupos mais privilegiados quanto para

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os mais pobres, seria uma forma de transformar o mundo e as pessoas em algo mais saudável, mais vivo, com menos dor e sofrimento. A medicina chinesa era um instrumento de questionar e apresentar um outro modelo de saúde, baseado na prevenção das doenças, na promoção da saúde e nos cuidados de si. O modelo de saúde oficial é perverso, na sua essência, que cria dependência e lucra com a doença. O modelo de saúde oficial que ainda hoje funciona nessa lógica.

2- Qual a linha ou escola de Acupuntura ou de Terapias Naturais que você utiliza?

Depois de trabalhar com acupuntura constitucional e 5 elementos, atualmente, e desde muito tempo, trabalho exclusivamente com a escola zang fu. Entendo que essa forma de pensar e trabalhar permite uma abordagem do paciente de forma mais singular, sem estar previamente esquematizados, construindo tratamentos, combinações de pontos e procedimentos terapêuticos mais adequados a cada paciente, em cada situação. Nessa linha consigo focar mais no paciente e menos da doença, em esquemas prontos para tratar doenças. É só uma questão de escolha, pois todas as formas, se bem aplicadas, funcionam muito bem.

3- Qual a diferença principal da época da sua formação para a formação atual?

Muitas. Vou mencionar algumas. Na minha época tínhamos muito menos material didático disponível.

De outra feita, as pessoas que estudavam e trabalhavam com acupuntura, medicina chinesa e terapias naturais eram bem mais idealistas e vocacionadas do que hoje. Atualmente a busca pela acupuntura e terapias naturais visa ingressar no mercado de trabalho, ganhar dinheiro. Claro que na minha época também pensávamos nisso mas não era como hoje. No passado a medicina chinesa sinalizava para um outro modelo de pensar e tratar as pessoas. Um outro paradigma de entendimento de mundo. Como falei, um modelo de promoção de saúde, prevenção de doenças, socialização do saber, informação sobre a saúde, autonomia e responsabilidade individual com a saúde, enfatizando o cuidado de si, a responsabilidade de cada indivíduo com ele próprio. Atualmente a medicina chinesa e as terapias naturais foram capturadas pelo sistema oficial de saúde e seguem reproduzindo esse modelo perverso de produzir especialistas para ingressar no mercado, rapidamente. Manter as pessoas ignorantes com relação ao seu corpo, sua saúde, e dependentes de especialistas. Isso vem ocorrendo com a maioria das escolas mais novas, dos cursos online, da pós graduação a toque de caixa.

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4- Qual a disciplina/matéria que você incluiria na formação atual em Acupuntura e Terapias Naturais?

Nos Cursos da ASBAMTHO já temos as matérias que entendemos ser necessárias à uma boa formação profissional. De um modo geral penso que os cursos deveriam levar o aluno a pensar. Levar o aluno a pensar e entender a lógica essencial da medicina chinesa. A pensar e a entender a filosofia da medicina chinesa. A pensar e entender os processos orgânicos de transformação do corpo/mente. A organização e a produção do corpo sutil. Uma ênfase maior na filosofia chinesa e ocidental, uma abordagem psicológica, muito rica e abrangente, sobre a ótica dos zang fu. Mais ênfase nas meditações e exercícios chineses para a saúde.

5- O que você entende ser fundamental para o profissional nesse tipo de trabalho?

Ter uma formação cultural abrangente. Ter o hábito da leitura. Estudar muito e aprender a pensar por conta própria, sem virar um papagaio que somente repete o que aprendeu. Aprender a trabalhar com o campo mais sutil da energia. Saber ser autoral, ter o seu estilo, questionar, entender a lógica da acupuntura, conhecer bem o corpo, na perspectiva da medicina chinesa. Ter um cuidado de si, com a sua saúde.

6- No seu entendimento a Acupuntura é científica? Por que?

Essencialmente penso que não, pois além de ter sido criada muito antes da ciência, a sua abordagem não se ajusta aos pressupostos científicos clássicos, que é reducionista por natureza, ou seja exclui vários aspectos inerentes ao fenômeno para enquadrá-los e estudá-los. Na medicina chinesa o campo sutil, ou seja, aquele que não se pesa, não se mede e não se vê, é fundamental. Na perspectiva do paradigma da medicina chinesa é afirmado a inseparabilidade de tudo e de todos, a singularidade, ou seja tudo é único e não se repete de forma igual, pois tudo está em constante transformação. A ciência precisa da repetição e do mesmo resultado, para validar o experimento. Isso não existe, na medicina chinesa. Existem resultados próximos, mas não o mesmo. A medicina chinesa, no meu entender, está mais para a arte do que para a ciência. É uma arte, uma técnica viva, mutável, em transformação a cada momento e isso não se enquadra no modelo cientifico. Falando da ciência ela se aproxima muito dos pressupostos da Física Quântica. Pressupostos de que tudo é Qi ou energia, em estados distintos; de que energia e matéria são estados distintos de uma mesma essência; da inseparabilidade entre tudo e todos e tantos outros pressupostos que compõem o paradigma da Física Quântica.

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7- Quais as vantagens e desvantagens da inserção da Acupuntura e demais Terapias Naturais no SUS?

Como vantagens é a de propiciar que pessoas de baixa renda tenham a possibilidade de se tratarem com esses recursos. Outra é a ampliação do campo de trabalho para os profissionais da área e tudo o que isso pode se desdobrar. Outra é a de tornar mais conhecida esses recursos que tendem a ser bem menos agressivos para a saúde das pessoas. Outra é o fato desses recursos serem aplicados por grupos variados de terapeutas, com formação múltipla, na área da saúde, e até mesmo alguns que não tem formação, equivoca a pretensão dos médicos de monopólio da acupuntura e das outras práticas.

Como aspecto negativo é o que já falei, esses recursos acabam tendo que se ajustar a lógica do modelo de saúde intervencionista e mercantilista. Acabam, na maioria deles, não incentivando o cuidado de si, a socialização do saber saúde, o estímulo à promoção da saúde e prevenção das doenças. Na experiência que temos aqui em Petrópolis com as PICS no serviço público, percebemos que os terapeutas que trabalha com as PICS, no SUS, tendem a se preocupar muito em encher a agenda, ganhar dinheiro, fama, prestígio, manter os pacientes dependentes do seu saber. Justo nesse espaço onde os dois paradigmas de saúde poderiam rivalizar, eles se ajustam e se acomodam. Essas práticas foram domesticadas, no seu aspecto de questionar e apresentar outro modelo de pensar e tratar a saúde, e agora servem ao mercado, ao sistema. Poderíamos dizer que foram capturadas por eles, são serviçais dele, ao invés de transformá-lo.

8- Como você vislumbra o futuro da Acupuntura e demais Terapias Naturais?

Com essa quantidade assustadora de cursos online, inclusive com a prática online também, de curta duração, sem critério na formação, com a carga horária reduzida, com os preços incrivelmente baixos, vamos ter uma uberização da acupuntura. O reino da quantidade superando, uma vez mais, o reino da qualidade. Com certeza muito mais gente estará se tratando com a acupuntura e utilizando os outros recursos, mas a sua tradição, seus princípios filosóficos, éticos, vão desaparecendo. Isso tende a, gradualmente reduzir a sua eficácia e inclui-las como meras técnicas ajustadas à outras especialidades de saúde.

9- Tem alguma frustração no seu campo profissional?

Não chega a ser frustração mas certa decepção pelo o que já falei ao longo da entrevista. Pelos caminhos de subserviência que a acupuntura e a medicina chinesa tomaram. Pelo pragmatismo. Pela falta das pessoas estudarem a acupuntura e entenderem seus princípios, pensarem a sua lógica. O gênio

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ensinada, desde muito tempo. É como se fosse uma Mercedes Benz andando a 30km/hora. É decoreba, repetição da repetição da repetição. A estética fica boa, arrumadinha com novas tecnologias de comunicação, mas o conteúdo e a lógica muito carentes, cada vez mais fracos. A medicina chinesa e a acupuntura podem muito mais e estão sendo subutilizadas, pois não se pensa, os estudos são de decorar, repetir o que o mestre mandou. Mas cadê o mestre? Mestre nada, um porção de interesseiros, oportunistas, falso mestres. No início da resposta disse que não mas parece que tenho sim kkkkk.

10- Alguma coisa que queira falar e não foi perguntado?

Desejo boa sorte para a acupuntura e a medicina chinesa, pois sou apaixonado por ambas e tenho um vida inteira trabalhando e dedicado a difundi-las, com qualidade e respeito. Sou muito grato a tudo que aprendi com o gênio chinês.

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Liga das Escolas de Acupuntura e Terapias Naturais

MEDICINA CHINESA COMO VALIOSA FERRAMENTA NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA COVID-19

CHINESE MEDICINE AS A VALUABLE TOOL IN THE PREVENTION AND TREATMENT OF COVID-19

Autora: Patricia Stumpf, ASBAMTHO, Petrópolis, RJ. Contato: [email protected]

RESUMO

A pandemia da COVID-19 nos obrigou a enfrentar a constatação de que, por mais que nossa ciência esteja desenvolvida, há muitas lacunas que ainda não somos capazes de solucionar. Há relatos de grande sucesso da utilização de técnicas da medicina chinesa no combate aos efeitos dos vírus respiratórios (SARS, MERS, gripe aviária H7N9 e COVID-19) e aumento da capacidade de defesa dos indivíduos. No Ocidente, ao apostarmos todas as nossas fichas na vacinação e distanciamento social, talvez tenhamos negligenciado outras maneiras criativas de abordar problemas que enfrentamos cotidianamente e nos furtamos a exercitar jeitos de produzir soluções inovadoras necessárias, reduzindo mortes e sofrimento. É um desafio olhar a medicina chinesa como racionalidade coerente, rica, eminentemente preventiva e que produz caminhos de saúde singulares na relação terapeuta/paciente de acordo com suas idiossincrasias pessoais e sociais. Objetivo. Instigar nossos pensamentos a observarem novas maneiras de abordar questões de saúde e doença, principalmente quando nos deparamos com desafios para os quais não temos respostas e soluções prontas. Métodos. Revisão de literatura e de orientações de Órgãos de Saúde. Resultados e Conclusão. Após a análise dos textos, percebeu-se que a medicina chinesa apresentou abordagens preventivas e de tratamento bastante eficazes em relação a COVID-19 e que é importante aprendermos a ampliar nosso campo científico para inserir novos olhares sobre as questões para produzirmos resultados mais seguros.

Palavras-chave: COVID 19. Medicina Tradicional Chinesa.

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ABSTRACT

The COVID-19 pandemic has forced us to face the realization that, as much as our science is developed, there are many gaps that we are not yet able to solve. There are reports of great success of the use of Chinese medicine techniques in combating the effects of respiratory viruses (SARS, MERS, H7N9 and COVID-19 avian influenza) and increasing the defense capacity of individuals. In the West, by betting all our chips on vaccinations and social distancing, we may have neglected other creative ways to address problems we face on a daily basis and refrained from exercising ways to produce necessary innovative solutions, reducing deaths and suffering. It is a challenge to look at Chinese medicine as a coherent, rich, eminently preventive rationality that produces unique health paths in the therapist/patient relationship according to their personal and social idiosyncrasies. Objective. Encouraging our thoughts to look at new ways of approaching health and illness issues, especially when we are faced with challenges for which we do not have ready-made answers and solutions. Methods. Review of literature and guidelines from Health Organs. Results and Conclusion. After analyzing the texts, it was noticed that Chinese medicine presented very effective preventive and treatment approaches in relation to COVID-19 and that it is important for us to learn to expand our scientific field to insert new perspectives on the issues to produce safer results.

Keywords: COVID-19. Traditional Chinese Medicine.

1 INTRODUÇÃO

No ano de 2019, a humanidade iniciou mais um de seus desafios existenciais: vírus (mais tarde, chamado de COVID-19) se alastraram com toda sua potência e nossos corpos não estavam preparados para lidar com esse encontro, o que produziu, desde então, milhões de mortes, internações hospitalares graves e sofrimento com as síndromes pós-covid.

Nossos sistemas de saúde, públicos e privados, as autoridades políticas e econômicas, profissionais de saúde, cientistas, cidadãos comuns – todos assistiram atônitos a esse fenômeno e muitas teorias foram elaboradas, tanto na tentativa de explicação do surgimento do vírus e possibilidade de erradicação ou redução da propagação, técnicas de prevenção e tratamento, quanto premonições do fim do mundo e/

ou da humanidade.

A única ferramenta hegemonicamente conhecida da biomedicina e com grau razoável de eficácia, eram as vacinas, utilizadas há mais de 100 anos de maneira compulsória para reduzir os prejuízos à saúde humana causados por determinados vírus e bactérias. Como é necessário um longo tempo para

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para o fato de que teríamos que conviver com a situação e enquanto não eram desenvolvidos os primeiros lotes vacinais contra a covid-19. Nesse ínterim, foram sugeridas inúmeras medidas de redução da propagação do vírus, como distanciamento entre as pessoas, isolamento social, utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s – máscaras, principalmente) e reforço na higienização e sanitização gerais.

A despeito dessas medidas, os vírus seguiram se alastrando e produzindo uma letalidade surpreendente.

Será que havia outras alternativas para enfrentarmos esse desafio da covid? Será que estivemos abertos para novas maneiras de lidar com uma agressão nova e relativamente desconhecida? Será que tentamos efetivamente produzir maneiras criativas de reduzir os danos do vírus? Será que aproveitamos esse desafio para enriquecermos nossa visão sobre saúde-doença? Será que estivemos atentos para outras racionalidades médicas que apresentam jeitos diversos de abordar essa situação ameaçadora, como a medicina chinesa? Será que nos mantivemos em uma postura egocêntrica e pedante de que apenas nossos conhecimentos instituídos seriam capazes de solucionar essa questão, sem estarmos dispostos a ouvir outras vozes, outros modos de pensar e produzir saúde e vida? Será que nossos métodos foram os mais eficazes?

Esse texto pretende demonstrar não a superioridade de uma racionalidade médica sobre outra (a chinesa sobre a biomedicina ou vice-versa). Visa a instigar nossos pensamentos a observarem novas maneiras de abordar questões de saúde e doença, principalmente quando nos deparamos com desafios para os quais não temos respostas e soluções prontas. A pandemia da COVID-19 nos obrigou a enfrentar a constatação de que, por mais que nossa ciência esteja desenvolvida, há muitas lacunas que ainda não somos capazes de solucionar. Ou mesmo que algumas de nossas receitas de sucesso – a vacinação, por exemplo – precisam de um longo tempo para serem produzidas e, em casos de vírus novos, isso pode custar muitas vidas e muitos sofrimentos!

Nos interessa que sejamos capazes de aguçar nossos olhares para maneiras diversas e criativas de abordar problemas que enfrentamos cotidianamente e que, assim, exercitemos jeitos de produzir soluções inovadoras quando forem necessárias. É uma oportunidade de abrirmos espaços de diálogo sobre críticas a nossos modos autômatos de responder às questões. Olhar a medicina chinesa não sob a lente da biomedicina que tende a colonizar saberes, mas abordar aquela como racionalidade coerente, rica, eminentemente preventiva e que produz caminhos de saúde singulares na relação terapeuta/paciente de acordo com suas idiossincrasias pessoais e sociais!

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2 MEDICINA CHINESA – BREVE HISTÓRICO E FUNDAMENTOS

Para iniciarmos, é mister conhecermos um pouco melhor da medicina chinesa.

Há indícios de que a medicina chinesa tenha se desenvolvido há aproximadamente cinco mil anos, porém, os primeiros registros arqueológicos datam do século XVI antes de Cristo (a.C.). Inicialmente, praticada pelos reis e xamãs, impregnada de religiosidade e superstições, por volta do século VII a. C., inicia-se um esboço do desenvolvimento da medicina como instituição separada da religião.

O confucionismo é um dos três pilares do pensamento chinês, junto com o taoísmo e o budismo. A partir de Confúcio, é fortalecida a compreensão de que a etiologia das doenças é devida aos maus hábitos de vida, aos exageros, a indisciplina e a anarquia dos costumes, passando gradativamente do sobrenatural para a ordem natural e, mais especificamente, deixam de ser delegadas aos espíritos para se tornarem responsabilidade humana.

O confucionismo permanece forte enquanto o taoísmo floresce, a antiga teoria do Yin- Yang1 convive com a nova teoria dos Cinco Movimentos2, todas essas concepções indispensáveis para o posterior desenvolvimento do paradigma do Qi3.

O taoísmo4 considera mais a natureza como um todo indivisível e sem hierarquias, onde o homem não é mais importante que um animal ou uma pedra ou o vento, em que a vida em sociedade corrompe o ser por eleger um gênero específico que deve estabelecer relações prioritárias entre si.

O budismo se consolida na China, mas parece ter contribuído pouco para a medicina chinesa. Aos budistas, era muito importante a prática cotidiana e disciplinada da meditação e de exercícios energéticos5 e talvez essas tenham sido suas maiores contribuições para a medicina chinesa.

No século XIX, houve crescente influência da biomedicina sobre a sociedade chinesa, já que a medicina tradicional não foi bem-sucedida em dizimar doenças infecciosas: a vacinação contra a varíola e a chegada da teoria dos germes (com a adoção de medidas higiênicas básicas) foram mais eficazes no controle dessas doenças e ganharam prestígio entre médicos e população leiga. Apesar do relativo sucesso da adoção de protocolos da medicina chinesa para redução dos casos de cólera. A criação da primeira faculdade de biomedicina no país se deu nessa época, o que ajudou a disseminar essa

1Yin/Yang são as expressões de movimento de todos os corpos do universo, sendo Yin os movimentos mais lentos que podem produzir estados mais extensivos/materiais/densos e Yang, os movimentos mais rápidos/intensivos/imateriais/sutis. Nesse sentido, Yin e Yang não são substantivos, não existe “o” Yin ou “o” Yang, mas estados mais Yin e estados mais Yang.

2A teoria dos Cinco Elementos ou Cinco Movimentos surgiu por volta do século II a.C. e pode ser compreendida como forças naturais que se sucedem destruindo umas às outras. Consiste em um sistema de equivalências baseadas em estações do ano, pontos cardeais, cores, sabores, entre outros fatores.

4Qi é o que dá movimento e transformação em todo o universo. O paradigma do Qi concebe que tudo é constituído por Qi, o universo

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racionalidade pela China. Havia ainda muitos profissionais autônomos que atuavam com a medicina chinesa, mas oficialmente essa prática foi gradativamente sendo desestimulada – o país ficou por 2 séculos sem uma medicina oficial hegemônica, nativa ou estrangeira.

Para o chinês, a natureza se produz a si mesma sem que haja um ente externo que comande ou supervisione sua criação e reprodução. Isso ocorre de forma impermanente. Há uma substância única que se autoengendra e se expressa de formas diferentes, mas sem se separarem desse todo indivisível.

A noção de separação parece ser uma criação da mente humana em seu processo de consciência e racionalidade. O vitalismo é outro pressuposto dessa racionalidade médica. É a expressão no corpo da capacidade da natureza de se autoproduzir. Esse princípio considera que cada indivíduo possui uma habilidade intrínseca de se regular, uma inteligência própria que permite que os encontros que reduzam a potência de vida desse ser sejam neutralizados até certo limite individual.

Coerente com esses fundamentos da filosofia que embasam a medicina chinesa, o corpo que o chinês traçou, anatômica e fisiologicamente, constitui-se de aspectos mais densos/materiais e de aspectos mais sutis/imateriais. Nessa concepção, importam mais os fluxos e os processos de produção do corpo que propriamente sua anatomia palpável de nível mais extensivo. Não que não seja relevante esse corpo material, mas o que é mensurável e quantitativo pressupõe uma rigidez das coisas, pouco coerente com pensamentos menos mecânicos e mais dinâmicos.

A anatomia e a fisiologia incluem Sistemas de Órgãos (Zang) e de Vísceras (Fu) que transformam, produzem, fazem circular e excretar todos os elementos mais densos e mais sutis desse corpo. Sob o enfoque da Escola Zang Fu, os sistemas de Órgãos são mais responsáveis pela produção, transformação e armazenamento de substâncias como Qi, Jing, Shen, Jin Ye e Xue6, bem como células, tecidos e órgãos corporais, além dos vapores e humores liberados durante a produção desse corpo. Os Sistemas de Vísceras são mais responsáveis por receber, digerir, transformar e excretar alimentos e líquidos ingeridos.

Segundo a racionalidade da medicina chinesa, o Qi circula de forma organizada nos seres vivos por meio de Canais (Jing) e Colaterais (Luo), formando uma trama intricada: a rede por eles traçada é tão vasta e ampla que muitas vezes é considerada como uma área do corpo e não como vasos delimitados.

O conceito de Jing Luo é a pedra angular da medicina chinesa e permite desenvolver as noções de fisiologia e os procedimentos terapêuticos (ALTEROUCHE et al., 2000).

de expressão desse movimento constante. O Qi pode se expressar de diversas formas singulares, como por exemplo, no corpo humano, há um Qi que é inspirado com o ar, um Qi que se ingere com os alimentos, uma combinação de Qi que se dá no organismo a partir dos processos de transformação fisiológicos (Qi nutritivo, Qi defensivo). Cada forma de expressão de Qi tem suas singularidades, mas não se desprende de sua função primordial de dar movimento.

4O Tao pode ser traduzido por caminho ou via, mas reunido com outro ideograma e o mais utilizado – Tao Te – pode dar a ideia de sucessão cíclica ou poder regulador universal. Tao Te não é uma causa primária (pois nessa concepção, o mundo não foi criado), mas um total eficaz. Importante frisar que há muitas concepções de Tao, mas os escritores taoístas se destacam por tirar dela toda carga social.

5Os exercícios energéticos são práticas que visam a expandir a circulação de Qi pelo corpo por meio de exercícios físicos guiados por uma respiração consciente e atenção plena.

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Essa rede de comunicação permite que o corpo seja estimulado em alguns pontos, como no caso da acupuntura, e seja capaz de autonomamente redistribuir esse estímulo por todos os recônditos não acessíveis diretamente. Além de demonstrar a perspectiva da inseparabilidade nesse corpo e explicitar o vitalismo dos indivíduos (BIRCH & FELT, 2002).

Cada trajeto superficial dos Canais Principais possui pontos que tem funções específicas. A metáfora utilizada pelos chineses antigos, considerando a importância da água e seus fluxos para a vida nesse planeta, é que os Canais seriam rios por onde fluem diversos tipos de Qi. Ao longo de cada rio, há portos – os acupontos – que são regiões mapeadas em que ocorrem de forma mais intensa e organizada trocas, abastecimentos de força, descarga de elementos, etc.. Nesse sentido, cada ponto da acupuntura possui uma característica peculiar que se remete à sua localização anatômica, ao Canal (rio) ao qual pertence e principalmente às ligações que existem nessa região com os demais Canais e Colaterais dos outros Sistemas.

Segundo essa racionalidade médica, os Zang Fu possuem platôs normais de funcionamento e, sob a perspectiva do vitalismo, tem também uma capacidade de auto-regulação frente aos encontros que ocorrem com o corpo. Cada ser possui tendências universais (a fisiologia e anatomia dos sistemas não se modifica sobremaneira entre diferentes pessoas) e tendências singulares – cada indivíduo possui suas próprias idiossincrasias e sensibilidades específicas. Tudo está relacionado a circulação de Qi: se o Qi circula de forma harmônica e organizada pelo corpo, o ser permanece em estado de saúde; se o Qi se rebela, lentifica-se ou se agita de maneira excessiva, estagna em determinadas regiões, surgem sintomas de adoecimento.

Enquanto se experimentam encontros que trazem mais potência de vida (alimentos, atividades físicas, afetos que compõe com esse corpo), os Órgãos e as Vísceras funcionam dentro de seus limiares de normalidade, oscilando a cada momento, mas sem causar grandes alterações perceptíveis. Quando os estímulos são mais fortes ou mais prolongados que o vitalismo é capaz de suportar ou ocorrem encontros que decompõe com esse corpo, a pessoa começa a apresentar sintomas de adoecimento (tudo aquilo que foge em demasia da normalidade universal e específica do ser). Esses sintomas podem se expressar de forma mais densa (sinais na pele, distúrbios digestivos, etc.) ou de maneira mais sutil – agitação mental frequente, tristeza exacerbada, etc..

A etiopatogenia da medicina chinesa inclui fatores internos, externos ou mistos. Os internos são as emoções/sentimentos que se tornam compulsivos e estagnados no ser (estados constantes de raiva, tristeza, euforia, etc.). Os externos são provenientes de climas extremos como vento, calor, frio, umidade

6 Essas quatro substâncias constituem esse humano e são as responsáveis pela produção e reprodução desse organismo. De forma superficial: o Qi é o responsável pelo eterno movimento caótico do Universo e é absorvido pelo corpo por meio da respiração e alimentação; o Jing é a energia ancestral, tudo o que se herda dessa ancestralidade (familiar e da espécie humana); o Shen é o princípio organizador do Universo que se particulariza nesse corpo no momento da concepção e reduz seu caos; Jin Ye são todos os líquidos orgânicos que compõe esse corpo (lágrimas, urina, líquido intersticial, hormônios, etc.); Xue é o sangue guiado pelo Qi, em movimento, o sangue vivo – também é um líquido orgânico, mas devido a sua importância funcional, é classificado

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e secura. Os mistos consistem na alimentação, atividade sexual, drogas (medicamentos, agrotóxicos, cigarro, etc.), poluição, relacionamentos, etc..

A medicina chinesa possui diversas formas de identificar sintomas de adoecimento: os principais são pela fala (interrogatório), pelo pulso (pulsologia) e pela língua; os demais – por sinais na pele (coloração, manchas, etc.), pela olfação, pela localização de pontos de dor, entre outros – são utilizados como auxiliares das primeiras. Todas essas formas de diagnóstico pressupõem que o corpo é uma unidade funcional que integra diversos Sistemas com suas especificidades (MACIOCIA, 2007).

Assim como há tendências de funcionamento esperadas para cada Sistema, há também disposições peculiares de suas disfunções. Coerente com a teoria da Correspondência Sistemática, cada parte desse corpo expressa o todo e, na medicina, foram priorizados alguns espaços particulares de observação e identificação de desarmonias. Cada método diagnóstico pode ser utilizado individualmente e, se bem executado, é capaz de averiguar e identificar o principal Sistema afetado e alguns Sistemas coadjuvantes no adoecimento. Mas, em geral, são combinadas duas ou mais formas diagnósticas para fortalecer a convicção do terapeuta (BIRCH & FELT, 2002).

O diagnóstico pela anamnese é o mais difundido: considerando as respostas e comparando com as expectativas que o terapeuta tem do funcionamento/disfunção de cada Sistema, são criadas hipóteses dos Zang Fu mais imbricados no processo adoecedor e, assim, as perguntas são mais direcionadas para confirmar ou refutar a proposição inicial.

A pulsologia pressupõe que cada Canal Principal possui uma pulsação que o diferencia, além de existirem locais no corpo em que a aferição desse pulso é mais sensível. A partir do Nan Jing, foi proposta uma forma mais simples de medição, que efetivamente é usada até hoje, elegendo o Canal de Fei, próximo à articulação do punho, para identificar as pulsações específicas de cada Sistema. Apesar de haver uma explicação rebuscada, superficialmente é como se o Qi que circula por cada Sistema tomasse destes suas idiossincrasias, impregnando-se de suas características funcionais e disfuncionais momentâneas/antigas e, nessa região específica do Pulmão, é possível acessar a expressão de cada Órgão e Víscera. Consideram-se a velocidade, a profundidade, o tipo de movimento que a circulação de cada pulso demonstra (MACIOCIA, 2007; SIONNEAU, 2014).

A língua é mapeada e cada região se reporta a um Zang e Fu específicos. A observação da língua possibilita diagnosticar disfunções mais crônicas e está menos suscetível às alterações instantâneas.

São analisadas forma, cor, umidade, saburra e Shen – o aspecto mais subjetivo, que diz respeito da vitalidade geral da língua, independente de suas características específicas, responsável pelo prognóstico do adoecimento.

Os pilares da medicina chinesa se compõem de 5 grandes feixes de técnicas: dietoterapia e alimentação, exercícios energéticos para a saúde (Tai chi chuan, Chi Kung, meditação, etc), fitoterapia,

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massoterapia e acupuntura/moxabustão. A partir da compreensão filosófica, anatômica e fisiológica, essa racionalidade apresenta um caráter forte de prevenção de doenças e promoção de saúde. A ordem de exposição está coerente com a ordem da utilização dessas práticas: se a doença está em estágios iniciais e mais leves, a dietoterapia é preferida; mais além, inserem-se nas orientações os exercícios energéticos; nos casos mais graves, são também prescritas fórmulas fitoterápicas; a massoterapia reforça os resultados anteriores e a acupuntura é utilizada apenas quando os anteriores falharam ou em casos mais fortes (TESTA, 2007).

A dietoterapia chinesa é bastante baseada na teoria dos Cinco Elementos. Nessa perspectiva, cada Sistema Zang Fu possui um sabor particular que o tonifica e outro que pode lhe enfraquercer se utilizado em exagero. Há também uma forma de dietoterapia – menos dogmática e mais singularizada para cada indivíduo – que consiste em perceber qual alimento ou grupo de alimentos e preparações produzem encontros que tragam mais potência com cada corpo e isso pode variar com o dia, a fase da vida, etc.. Se essas escolhas se tornam conscientes e são feitas antes da pessoa adoecer, o alimento se torna preventivo. Caso os sintomas já estejam instalados, a dieta adequada pode ser considerada como uma terapia.

Os exercícios energéticos são práticas que visam a expandir e organizar a circulação de Qi pelo corpo por meio de exercícios físicos guiados por uma respiração consciente e atenção plena. São exemplos o Chi Kung, o Lian Kung, o Tai Chi, etc.. Por isso, são utilizados de forma preventiva para que a circulação de Qi se mantenha dentro de seus platôs de normalidade, mas também como método terapêutico, pois auxilia a restabelecer o fluxo harmônico de Qi pelo corpo (SIONNEAU, 2014).

A fitoterapia chinesa na verdade é uma tradução imprecisa do chinês para o português, visto que são utilizados produtos dos reinos mineral, animal e vegetal para preparação dos chás medicinais. Consiste em fórmulas muito rigorosas, baseadas na alquimia taoísta principalmente, que misturam inúmeros materiais, cada um com uma função específica para o doente: alguns servem para tonificar o Sistema mais acometido, outros para sedar os Sistemas que podem atrapalhar na recuperação da doença, outros ainda para mitigar efeitos colaterais dos demais componentes da fórmula (BIRCH & FELT, 2002).

A massoterapia utilizada na China é prioritariamente o Tuiná. Mas há também massagens japonesas, como o Shiatsu, que também se baseiam nos preceitos da medicina chinesa. Essas técnicas visam a estimular os Canais Principais, mais superficiais, por meio da pressão de mãos e dedos, para que levem mensagens a seus respectivos Órgãos e Vísceras no sentido de funcionarem com mais potência e retornarem a seu platô de normalidade de circulação de Qi. A massoterapia estimula a todos Canais acessíveis, dando uma dinâmica geral a esse corpo.

A acupuntura é um procedimento de inserção de agulhas em pontos específicos dos trajetos superficiais dos Canais Principais. Cada acuponto possui funções singulares de acordo com sua

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localização anatômica, Sistema ao qual pertence e, primordialmente, conexões que estabelece com os demais Sistemas. Ao inserir a agulha nesses pontos, são enviadas informações ao Sistema como um todo, no intuito de estimular o vitalismo desse corpo a restabelecer seu funcionamento esperado ou saudável.

Há várias escolas e com elas, diferentes maneiras de escolher e combinar os pontos para um procedimento terapêutico, mas normalmente, são os trajetos dos Sistemas identificados na anamnese como mais acometidos, combinando-os com pontos de seus pares acoplados, ou respeitando os canais unitários. Sempre tentando estabelecer alguma coerência na escolha dos pontos segundo suas funções (BIRCH & FELT, 2002).

Assim, considerar a medicina chinesa como um sistema complementar de saúde parece ser um equívoco. Independente da forma como historicamente ela seja utilizada, sozinha ou combinada com outros sistemas de saúde, é importante frisar que ela é prenhe de uma lógica própria e complexa que prescinde de técnicas desenvolvidas por outras culturas. Sua utilização conjunta com outras Racionalidades Médicas ou terapias não é necessária, portanto, apesar de poder, por óbvio, facilitar e potencializar os resultados, principalmente se considerada em sua totalidade, com a importância que dá às técnicas preventivas (TESSER, 2010).

É pretensão hercúlea abordar questões de saúde/doença apenas a partir da acupuntura, como muitas vezes vemos atualmente. Ao mesmo tempo, é necessário validar a discussão sobre a qualidade das fórmulas magistrais da fitoterapia chinesa que acessamos no Brasil (ALVES, 2017). Temos muitos desafios nessa seara... mas retomaremos agora, a questão premente da COVID-19!

3 MEDICINA CHINESA NO TRATAMENTO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS DE ORIGEM VIRAL

O pensamento chinês é bastante prático e pouco afeito a abstrações que não tenham lastro na materialidade da vida. A medicina chinesa é viva, transforma-se a cada momento, teoriza indubitavelmente sobre corpos reais que também são impermanentes. Esse sistema médico é dinâmico e os saberes descritos em seus livros clássicos devem servir como dispositivos de análise da realidade e não como categorias estanques a serem replicadas “ad aeternun” acriticamente. Assim como tem sido o desenvolvimento histórico da medicina chinesa, repleto de continuidades descontinuadas, ela se mantém como um importante instrumento para utilizarmos na discussão sobre o processo saúde-doença sempre em transformação.

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Há relatos de grande sucesso da utilização de técnicas da medicina chinesa no combate aos efeitos dos vírus respiratórios (SARS, MERS e gripe aviária H7N9) e aumento da capacidade de defesa dos indivíduos. A combinação de fitoterapia, exercícios energéticos para a saúde, acupuntura e moxabustão são as maneiras mais difundidas nos hospitais de medicina chinesa e centros de pesquisa. Durante a pandemia da COVID-19, muitas dessas técnicas foram utilizadas e vários manuais e protocolos foram produzidos para agilizar os atendimentos e resultados (FAHZU, 2020). Nossos desafios no Brasil são em conseguir fórmulas magistrais de boa qualidade ou utilizar ervas brasileiras para obter resultados semelhantes (ALVES, 2017).

A partir desses resultados eficazes, a Organização Mundial da Saúde produziu um protocolo de acupontos indicados para Prevenção contra COVID-19, que se baseia principalmente na utilização dos pontos BP6/R6/E36/IG4/PC6 + AURICULO SNC/SNV/RIM/IMUNIDADE ANTERIOR/

ALEGRIA+SHIATSU+MOXA (FERREIRA et al, 2020).

Outra seara muito profícua em que a medicina chinesa pode atuar é na prevenção e tratamento de distúrbios emocionais produzidos pelo trauma da pandemia, alteração drástica nas rotinas de vida entre trabalhadores da saúde, profissionais diretamente envolvidos no processo da COVID-19 e entre a população em geral. Sintomas como medo e pânico, sensação de impotência, tristeza e desânimo, intenção de suicídio, entre outros, podem ser reduzidos de maneira eficiente quando adotadas medidas simples como exercícios energéticos para a saúde diariamente, aplicação de moxabustão em pontos específicos – medidas que podem ser realizadas coletivamente, no ambiente de trabalho, como individualmente nas famílias, tendo um forte cunho de autonomia e educação em saúde (RIOS et al, 2020).

A síndrome pós-covid tem produzido muitos efeitos residuais da infecção pelo vírus COVID19 e a medicina chinesa tem demonstrado ser uma aliada potente no restabelecimento da saúde e redução dos sintomas dessa síndrome. Apesar de ser necessário pensar procedimentos terapêuticos singulares para cada caso, geralmente tratamentos que envolvem fortalecimento dos sistemas Fei/Pulmão e Pi/Baço- Pâncreas são muito potentes, assim como os exercícios energéticos para a saúde.

4 CONCLUSÃO

A pandemia da COVID-19 nos confrontou com a percepção de que nossa ciência ainda apresenta muitas lacunas que ainda não somos capazes de solucionar. É uma oportunidade de abrirmos espaços de diálogo sobre críticas a nossos modos autômatos de responder a questões. Olhar outras medicinas além da biomedicina como saberes ricos, prenhes de possibilidades! Demonstramos que a medicina chinesa é um dos campos de exploração e experimentação para produzirmos maneiras mais eficazes de

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promoção de saúde, prevenção de doenças e sistema terapêutico no que tange a pandemia de COVID19 e outros tantos desafios que temos na atualidade.

REFERÊNCIAS

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ALVES, FM Orientação sobre o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos brasileiros na medicina tradicional chinesa. Rio de Janeiro, Farmanguinhos-Fiocruz, 2017. Disponível em: < https://

www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/25626/2/fabiola_medeiros.pdf>. Acesso em: 20 fev 2022.

BELISÁRIO, RB Revisão de literatura: A Medicina Tradicional Chinesa no tratamento e prevenção do COVID-19 em território Chinês. Araras, 2020. Disponível em: <https://crbm1.gov.br/site2019/wp- content/uploads/2020/11/A-Medicina-Tradicional-Chinesa-no-tratamento-e-preven%C3%A7%C3%A3o- do-COVID-19-em-territ%C3%B3rio-Chin%C3%AAs.pdf>. Acesso em: 20 fev 2022.

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CALERI D Encontro da vida nua nos jardins do Capital. Rio de Janeiro, Ed. 7 Letras, 2017.

CALERI D Espinosa e Zen Budismo: beatitude e iluminação. Rio de Janeiro, Ed. 7 Letras, 2017.

FAHZU Manual COVID-19 Prevenção e Tratamento. China, 2020. Disponível em: <https://proqualis.net/

sites/proqualis.net/files/Manual%20Sobre%20Preven%C3%A7%C3%A3o%20e%20Tratamento%20-

%20COVID%2019.pdf.pdf>. Acesso em: 20 fev 2022.

FERREIRA AAM et al Protocolo de acupuntura preventiva para estimular imunidade frente à Covid- 19. Campinas, 2020. Disponível em: < https://www.iajmh.com/iajmh/article/download/81/85/>. Acesso em:

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LUZ MT Abordagens teóricas – novas práticas de saúde coletiva. In: MINAYO et al Críticas e atuantes:

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MACIOCIA G Os fundamentos da medicina chinesa: um texto abrangente para acupunturistas e

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fisioterapeutas. São Paulo, Ed. Roca, 2007.

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TESTA GG A introdução da acupuntura no subsistema de saúde indígena do Braisl – relato de experiência. São Paulo, 19f. Monografia (Especialização e Desenvolvimento em Medicina Chinesa) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2007.

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Liga das Escolas de Acupuntura e Terapias Naturais

A AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DO DISTURBIO DA ANSIEDADE THE AURICULOTHERAPY IN THE TREATMENT OF ANXIETY DISORDERS

Autores: 1) Silvana Hechem Navarro; 2) Ana Paula Zampirolli Araújo; 3) Camille Elenne Egidío;

Instituto Long Tao, Santo André, SP, Brasil. Contato: [email protected]

RESUMO

Este trabalho foi realizado através de um estudo de revisão bibliográfica, executada a partir de dados literários, que visa pesquisar o tratamento do distúrbio de ansiedade com o método milenar da auriculoterapia. A auriculoterapia na Medicina Tradicional Chinesa consiste no tratamento de vários distúrbios patológicos levando ao equilíbrio físico, mental e emocional. Os processos psicológicos são atingidos quando o estado de ansiedade faz com que o indivíduo fique mais vulnerável, e isso ocorre em pessoas de todos os níveis sociais e culturais. Ansiedade é um estado emocional com componentes fisiológicos e psicológicos em desequilíbrio, é caracterizada por preocupações com motivos injustificáveis ou desproporcionais que abrangem sensações de medo, insegurança e antecipação apreensiva, além de pensamentos dominados por ideias de catástrofes e vários desconfortos somáticos consequentes da hiperatividade do sistema nervoso autônomo. A acupuntura auricular é aplicada para promover analgesia, relaxamento muscular, equilíbrio energético, normalização das funções orgânicas e imunidade das funções endócrinas e mentais. E não apresenta efeitos colaterais comparados com os ansiolíticos, antidepressivos e benzodiazepínicos. A acupuntura é uma das técnicas de tratamento para desequilíbrios energéticos, funcionais e orgânicos. Baseia-se no equilíbrio entre todos os sistemas internos físicos ou psíquicos.

Para alcançar o equilíbrio esse tratamento estimula pontos específicos, alguns deles pertinentes ao sistema cognitivo humano, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem, estimulam uma ação conjunta para a melhora do sistema humano.

Palavras chaves: Ansiedade, Medicina Tradicional Chinesa, Auriculoterapia.

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ABSTRACT

This work was conducted through a bibliographic review, performed from literary data, which aims to find the treatment of anxiety disorder with the millennial method of auriculotherapy. The Auriculotherapy in traditional Chinese medicine consists in the treatment of several pathological disorders leading to physical, mental and emotional balance. The psychological processes are achieved when the state of anxiety makes the individual become more vulnerable, and this occurs in people of all social and cultural levels.

Anxiety is an emotional state with psychological and physiological components unbalanced, it is characterized by worries with unjustifiable or disproportional reasons that embraces fear feelings, insecurity and apprehensive anticipation, beyond thoughts dominated by ideas of disasters and various somatic discomforts are hyperactivity consequences of the autonomic nervous system. Auricular acupuncture is applied to promote analgesia, muscle relaxation, energy balance, and normalization of organic functions and immunity of endocrine and mental functions. And do not present collateral effects compared with anxiolytics, antidepressants and benzodiazepines. To achieve balance this treatment stimulates specific points, some of them relevant to the human cognitive system, which involves attention, perception, memory, reasoning, wits, imagination, thought and language. This stimulates a joint action to improve the human system.

Keywords: Anxiety, Traditional Chinese Medicine, Auriculotherapy.

1. INTRODUÇÃO

Auriculoterapia é uma técnica interagem com ativação de microssistemas dentro da acupuntura realizada no pavilhão auditivo, levando informação para o Sistema Nervoso Central, e como resposta o estímulo da ação com liberação de neurotransmissores específicos para a realização da cura (SOUZA, 2007).

A acupuntura consiste numa ciência milenar atuando com um conjunto de conhecimentos teórico- empíricos na MTC seguindo meridianos e pontos energéticos que visam à terapia e a cura das doenças por meio da aplicação de agulhas, esferas, sementes, moxa, stiper, magneto, uma técnica ação por microssistema a auriculoterapia (WEN, 2006).

De acordo com CAMPIGLIA (2004), VECTORE (2005) e SILVA (2007), SOUZA (2007), a Medicina Tradicional Chinesa tem como base o princípio de que o indivíduo deve estar em harmonia com as forças primordiais da natureza, que os chineses chamam de Yin e Yang (dois princípios opostos e complementares que compões todo o universo). Sendo que, essa harmonia gera um equilíbrio que significa saúde, e por sua vez, o desequilíbrio gera um processo patológico.

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A ansiedade na MTC é causada por uma perturbação do sistema do coração. Acrescentando que o distúrbio de ansiedade está relacionado com o desequilíbrio com o sistema do coração e do rim ‘’a ansiedade do coração está baseada no medo do rim, com sentimentos característicos de apreensão, do medo de que algo terrível aconteça. Assim a ansiedade pode estar combinada de sobressaltos e receios, com sinais físicos como tremor, aumento da frequência urinária ou intestinos soltos’’. (ROSS, 2003).

Porém, apesar de ser algo normal, pode atingir níveis elevados, que possam atrapalhar o equilíbrio emocional das pessoas, atrapalhando suas vidas. Levando ao um estado de desarmonia do espírito, devido ao excesso, insuficiência ou estagnação de Qi (energia) ou Xue (sangue), (SILVA, 2010).

Neste trabalho de revisão literária será proposto um possível tratamento de ansiedade por meio da auriculoterapia. De acordo com GARCIA (1999) essa terapia pode ser usada como prevenção e manutenção de vida, além de poder associá-la a outras terapias, resultando assim, no equilíbrio energético do corpo (hemostasia).

2. REVISÃO DE LITERATURA

Segundo DALMAS (2004), não se tem a noção correta de tempo na história da auriculoterapia. O que se sabe é que essa técnica terapêutica foi descrita em narrativas chinesas datadas, mais ou menos, a 5000 (cinco mil) anos a.C. Depois disso, foi mencionado pelo grego Hipócrates (Pai da Medicina), pelo médico egípcio Cipécladis, e também na Turquia, até chegar na Europa com o Dr. Norgier. No Brasil, a prática começou por volta dos anos 70 (setenta). No início de 1975, o Dr. Olivério Carvalho muito contribuiu para o desenvolvimento da acupuntura no Brasil.

Em 1957, NOGIER (2009), neurocirurgião francês, fez um estudo cuidadoso da orelha e das inervações auriculares, desenhando a figura de um feto invertido, correspondente ao formato da orelha, encontrando diferentes pontos para a estimulação neural e tratamento de diversas doenças.

GARCIA (2003) relata que a orelha e todo o corpo estão interligados por microssistema, onde o pavilhão auricular é constituído por receptor de sinais específicos vindos do corpo. O aspecto da orelha detalha as características dos rins, baseada nos antigos textos orientais. A orelha é o espelho do corpo físico e energético do homem.

Segundo LOPES (2013), SOUZA (2007); GARCIA (1999), o pavilhão auricular age como microssistema e possui a semelhança de um feto de cabeça para baixo (posição cefálica). Este feto será a representação de cada uma das partes do corpo dentro do pavilhão auricular. Possuem relação da orelha com os órgãos do corpo baseando-se nos feixes e terminações nervosas ligadas ao cérebro.

O pavilhão auricular é dividido em 22 zonas anatômicas, e em cada pavilhão auricular existem

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identificados 200 pontos.

SOUZA (2007) acredita que a auriculoterapia é um ramo da acupuntura que está destinado ao tratamento de enfermidades físicas e mentais, esse fenômeno ocorre através de estímulos de pontos situados no pavilhão auricular de cada orelha. Existem pontos reflexos que correspondem a todos os órgãos e função do corpo. Ao se efetuar a sensibilização desses pontos (agulhas, sementes, etc.), situados em pontos específicos, o cérebro recebe impulso que se desencadeia uma série de fenômenos, físicos, relacionados com uma área do corpo, produzindo a cura.

O neurotransmissor após aplicação agulha modula a atividade pós-sináptica neuronal no núcleo accumbens e no estriado para reduzir a ansiedade e aumenta o fator de liberação corticotrófico para atenuar o comportamento de ansiedade após a retirada, (CHAE, 2008).

PAPACÍDIO (2014); ROMOLLI (2013), SOUZA (2007), concordam que na visão Chinesa o significado de pigmentação ou mudanças morfológicas auriculares pode caracterizar ou diagnosticar e prevenir doenças.

- Cor vermelha tom claro: inicio da doença ou doença está retornando;

- Cor vermelha tom escuro: doença grave;

- Cor vermelha médio: doença crônica;

- Vasos vermelhos: dor disfunção circulatória;

- Vasos Azulados: disfunção crônica, bem antiga;

- Escamação: ponto patológico (crônico, dermatológico, ginecológica, respiratório, digestivo).

- Cordões: disfunção articulares;

- Nódulos: disfunção aguda que está ocorrendo ou que ainda vai ocorrer;

- Manchas brancas com as bordas vermelhas: doença aguda, doenças cardíacas ou reumáticas;

- Manchas escuras: problemas crônicos;

- Cor cinza: pode aparecer ou desaparecer sob pressão e geralmente indico tumor;

- Com bolhas ou máculas achatadas, com prurido: processo infeccioso;

- Sudorese: doença degenerativa;

- Pêlos: degeneração senil.

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A palavra ansiedade possui origem ocidental que se refere a um estado somato-psiquico descrito pela psicologia e pela Medicina Ocidental. Caracterizada por um estado subjetivo desagradável de inquietação, tensão e apreensão. (SILVA, 2010).

ROSS (2003) relata que os indivíduos podem apresentar causa desconhecida não existe ou causa conhecida como exemplo depois de retirada de drogas (abstinência) ou medicamentos alucinógenos, ou fato específico após um resultado de exame, pré ou pós-operatório, cansaço, estresse, os medos de forma geral são tarefas difíceis, por pressão para decisão.

Nas últimas décadas, a expressiva mudança em todos os níveis da sociedade passou a exigir do ser humano uma grande capacidade de adaptação física, mental e social. Muitas vezes, a grande exigência imposta às pessoas pelas mudanças da vida moderna e, consequentemente, a necessidade imperiosa de ajustar-se à tais mudanças, acaba por expor as pessoas a uma frequentemente situação de conflito, pressa, tensão, ansiedade, angústia e desestabilidade emocional, (BALONE; MOURA, 2008).

Segundo PIMENTA (2000), existem os seguintes grupos de risco na ansiedade:

- Gênero: As mulheres costumam ter duas vezes mais chances de apresentar transtorno ansiedade em comparação com o homem.

- Idade: Pode ocorrer a ansiedade em qualquer idade.

Pessoas com essa síndrome não conseguem enfrentar multidões, participar de reuniões, permanecerem em espaços abertos ou não tolerar mínimas quantidades de sujeira e desorganização tornando-se reclusas (LEAHHY, 2010).

Segundo MAROT (2014), os sintomas podem variar e mudar ao longo do tempo, o que faz com que a pessoa se sinta bem em algumas ocasiões e mal em outras. Os sintomas emocionais e mentais se resumem em dificuldade para relaxar ou a sensação de que está a ponto de estourar, está no limite do nervosismo, preocupação e tensão crônica e exagerada, irritabilidade, dificuldade de concentração e frequentes esquecimentos, dificuldade de engolir ou sensação de um bolo na garganta, assustar-se com facilidade e de forma mais intensa e sensação de “cabeça leve”.

Atualmente, o uso de drogas está se tornando abusivo, com frequentes intoxicações, sem que consigam resultados terapêuticos ideais. A Acupuntura regula o equilíbrio do organismo, melhorando a circulação sanguínea, aumentando a resistência corpórea e sendo capaz de mudar a constituição corporal;

por isso, reduz ao mínimo a necessidade de drogas e aumenta a eficácia terapêutica. Além disso, constitui- se num tratamento mais econômico em relação ao tradicional método de alopatia. (WEN, 2006).

As mudanças bioquímicas influenciam os mecanismos homeostáticos do corpo, promovendo assim bem-estar físico e emocional. A estimulação de determinados acupontos afetam as áreas do cérebro conhecidas por reduzir a sensibilidade à dor e estresse, bem como promover relaxamento e desativar a

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parte “analítica” do cérebro, que é responsável pela preocupação e ansiedade, (WU, 1999).

A associação auriculoacupuntura acelera a eliminação dos efeitos colaterais dos medicamentos, suprindo as possíveis incompatibilidades porventura possam ocorrer entre a acupuntura e alguns fármacos (cortisona, calmantes, antidepressivos, anti-inflamatórios, ansiolíticos, analgésico, anestésico, drogas, etc.) permitem também o tratamento de pessoas em estado de intoxicação por drogas ou álcool, de pessoas idosas, caquéticas, mulheres grávidas ou menstruadas (SOUZA, 2007).

Segundo SOUZA (2009), existe as seguintes contraindicações para a realização da auriculoterapia:

- Gravidez: até o 5º mês ou de risco, entre 5º e o 9º mês de gestação, não podem ser estimulados os pontos do ovário, útero, secreção glandulares, abdômen e pélvis;

- Pavilhão Auricular: inflamado ou com ferimentos;

- Idosos: com esgotamento físico, jejum prolongado;

- Medicamentos: como Betabloqueadores ou Neurolípticos;

- Pacientes cardíacos graves.

A ansiedade lesa diretamente o Coração, produzindo fogo deste Zang. Inicia-se a presença de vasos sanguíneos salientes contornados o ponto do Coração. Este autor apresenta um protocolo para ansiedade; 1-Shen Men, 2-Rim, 3-Simpático, 4-Ansiedade, 5-Neurastenia, 6-Coração, 7-Fígado e 8- Occipital (SENNA, 2012).

3. DISCUSSÃO

De acordo com a Medicina tradicional Chinesa todas as síndromes são causadas por algum fator e qualquer sinal ou sintomas é reflexo de afecção do corpo pelas influências e as ações dos fatores patológicos e etiológicos. O terapeuta deve analisar os sintomas e sinais para achar a base da causa da ansiedade (YAMAMURA,1993).

O efeito produzido pelo estímulo do ponto auricular é imediato, pois leva o cérebro a agir sobre todos os órgãos, membros e suas funções, equilibrando e harmonizando assim o organismo (REICHMANN, 2002).

Os principais objetivos do tratamento do transtorno de ansiedade são minimizar os sintomas psicológicos e físicos, para que o paciente melhore a sensação de segurança; fortalecer a capacidade de enfrentamento do paciente, para que este possa suportar mais adequadamente os estressores; corrigir

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possível distorção na avaliação dos estressores que o paciente possa estar fazendo; procurar resolver conflitos íntimos; e, se possível, lidar com os estressores.

Cada pessoa deve ser avaliada de maneira individual, já que cada caso apresenta suas peculiaridades no transtorno Ansiedade. Deve ter assistência médica e psicoterapeuta no tratamento desta etiologia

O custo do tratamento da ansiedade chega a milhões de dólares. Cerca de um terço dos custos médicos de todos os problemas psiquiátricos. Pessoas com o problema são menos produtivas no trabalho e tem maior propensão a usar os serviços médicos e de emergência. Algo difícil de ignorar é que tem piorado, os índices de ansiedade geral aumentaram vertiginosamente nos últimos 50 anos (LEAHHY, 2010).

Hoje em dia nossa vida é agitada, cheia de compromissos e tarefas, isso faz com que fiquemos ansiosos; é desconfortável ter horário para tudo, as obrigações começam desde cedo, levar as crianças para a escola, ir para o trabalho, fazer o almoço, cuidar da casa, pagar as contas, contratos, funcionários, trânsito caótico entre outros, a correria é tanta para homens e mulheres, que muitas vezes esquecemos o nosso bem estar e da nossa saúde, é importante reservar um tempo para fazer uma terapia especial que ajude a aliviar a ansiedade, o estresse, dores de coluna e cansaço. As pessoas sentem ansiedade, principalmente devido a vida atribulada atual, ela pode ser constante na vida de todos, porém, pode se tornar um problema e causar o Transtorno da Ansiedade.

4. CONCLUSÃO

As mudanças bioquímicas influenciam os mecanismos homeostáticos do corpo, promovendo assim bem-estar físico e emocional. A estimulação de determinados acupontos afetam as áreas do cérebro conhecidas por reduzir a sensibilidade à dor e estresse, bem como promover relaxamento e desativar a parte “analítica” do cérebro, que é responsável pela preocupação e ansiedade, (WU, 1999).

A Organização Mundial da Saúde alerta que a maioria das doenças, mentais e físicas é influenciada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos sociais pode causar grave incapacidade e seu custo em sociais pode causar grave incapacidade e seus custos em termo humanos, sociais pode causar grave incapacidade e seus custos em termos humanos, sociais e econômicos (BRUNDTLAND, 2002).

A ansiedade em excesso é prejudicial a qualquer indivíduo, em qualquer situação, pois leva a falta de concentração, distração, comprometimento do desempenho, tensão, entre outros sintomas (BIOGGIO, 2012). A auriculoterapia não tem por objetivo substituir cuidados médicos e sim buscar a junção da prática

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diferenciada para o bem estar do indivíduo com ansiedade (NOGIER, 2001).

“WEIZEMANN (2008), diz que a sociedade de “ter”, está ‘‘pagando” um preço alto o ser humano distanciou-se de si mesmo, ao tentar naturalizar necessidades antinaturais. No culto a aparência exterior relegou, para o segundo plano, as necessidades, subjetivas, singulares e emocionais. Perdeu-se a maravilhosa capacidade de escutar-se a si mesmo. Apesar dos gritos que o corpo emite, através das crises de ansiedade ou doenças psicossomáticas, continuamos surdos a ele, ignorando seus apelos explodindo uma sociedade ansiosa, depressiva e farmacológica.

De acordo com CAMPIGLIA (2004), entende o fenômeno da ansiedade como sintomas (assim como no ocidente) de distúrbios de outra ordem. Sendo assim na medicina tradicional chinesa não existe separação entre corpo, mente e espírito, uma desarmonia em um dos cincos principais órgãos do corpo (na perspectiva chinesa: coração, Baço-Pâncreas, pulmão, rins e fígado), causará automaticamente um desequilíbrio nos aspectos mentais e espirituais desses órgãos, chamados de Shen, Hun, Po, Yi, e Zhi.

A acupuntura auricular trata a energia do indivíduo, ou seja, holisticamente, então, sem se a ter a patologia ou o sintoma. Busca-se, o equilíbrio harmonioso de todos os órgãos e vísceras tornando, desta forma, o indivíduo equilibrado, e sem sintomas, no intuito de prevenir danos maiores, (NEVES, 2005).

Estudos realizados por PORMERANZ (1976), afirmam que na Neurobiologia é liberada a ação do Sistema Opioides Endógenos através do tratamento de auriculoterapia. Pesquisas demonstram por SAMUELS et al. (2008); YANG et al, (2008); a eficácia da acupuntura em ativar vários sistemas de neurotransmissores (Dopamina, Endorfina, Serotonina).

KARST (2007) relata que à auriculoterapia, é uma prática que vem se mostrando bastante apropriada para o tratamento de diferentes doenças. Mostrando-se com eficácia, transtorno da ansiedade.

O tratamento é de baixo custo e essa pesquisa aponta resultados positivos com o uso da acupuntura, para a redução ansiedade, o bem-estar físico e mental e o estabelecimento da harmonia do ser humano, (ZHAO et al., 2006).

SILVA (2007), conclui se que o tratamento utilizado é uma estratégia eficaz, rápida e segura no tratamento do distúrbio de ansiedade leve, desconfiança no próprio desempenho, distúrbios do sono, distúrbios psicossomáticos, e se mostra como estratégica clínica muito potente na promoção da “Saúde Geral”, conforme testes validados pelo conselho Federal de Psicologia do Brasil.

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