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v.l
nt.l
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in 2010 with funding from University of Toronto
http://www.archive.org/details/noticiahistric11vasc
NOTICIA HISTÓRICA
DO
MOSTEIRO DA VACARIÇA DOADO A SE DE COIMBRA EM 1004,
BDA SEEIE CMRONOLOGICA DOS BISPOS DESTA CIDADE DESDE
10G4, EM
QUE FOITOMADA
AOS MOUROS.OITIDIDA EBI DU.VS PAKTE8 B
A'
ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA
POR
mOtlEL RIBEIRO RE 1 A!§»C0]%€E:I.I.0I)$
CONKGO DA DITA 3K', DOCTOR EM CA^O^'ESPELA CNIVEBSIDADE DE COIMBRA, B ASSOCIADO PBOVU«CIAL DA UES9U ACADEMIA.
TTPOGRAFIA DA ACADEMIA.
1854
6X
v'.l
f t.l
NOTICIA HISTÓRICA
DO MOSTEIRO DA VACARIÇA DOADO Á SÉ DE COIMBRA
EM 1094,
E DA SERIE CHRONOLOGICA DOS BISPOS DESTA CIDADE DESDE1064, EM
QUEFOI TOMADA AOS MOUROS.
POR
MIGUEL RIBEIRO DE VASCONCELLOS.
PRIMEIRA PARTE.
MOSTEIBO DA VACABIÇA.
Sumtnario.
A
Vacariça: sua situação: leveum
Convento de Frades e Freiras, que se chamavão dúplices, fundado posteriormente a Lorvão: extinguc-see applicão-se os seusTendi- mentos á Sé de Coimbra: ignora-se o destino, que tiverão os Frades delle e o motivo, por que foi extincta aquclla Corporação.O
Mosteiro de Lorvão tem o mesmo destino no tempo do Conde D. Henrique: é este tornado a restituir pouco depois aos mesmos Frades com a condição de prestarem seus moradores obe- diência áCathedral deCoimbra, e assimprcmanece atéaoanno de 1200,em
que pas- sou para aOrdemdeCister: formula do juramentod'obediencia. Variasdoaçõesfeitas aoMosteiro daVacariça antes e depois da tomada deCoimbra aosMouros: reflexões..Tornada doCondeD. Henrique aJerusalém; governo daProvinciadurantesuaausência reconhecendo a supremacia de Castella. Estado presente e nome antigo da Vacariça.
1.
X
RES legoas emeia
ao n. nordestede Coimbra
acha-seuma muito
antiga, e arruinada povoação,que ha mais
de dez séculos figurou neste paiz, sendode
todos conhecida: agora o é apenas dos visinhos,pouco
dosCosmographos,
enada
dos restantes,que
ali nàotem
casa,ou
propriedades! Tal é a condição das cousashumanas
!
Hoje contemplamos grande
frequênciaem um
logar,amanha
ovemos
1
2
já deserto e
abandonado
! Pareceque
e Providencia se aprazem mos-
trar aohomem
a instabilidade de suas obras, assimcomo
a da sua existência !Se
muitosexemplos que
diariamentetemos
diante dos olhosnào
fossem bastantes ademonstrar
esta verdade, certoque
este por si só fora sufíiciente, seocularmente
o presenceáramos !Chama-se
esta povoação a Vacariça^ situada auma
Icgoa ao occidentedo
Bus- saco eno
fundoda
sua serra,onde começa
a planicie,que
se pro- longa até aomar,
eque chamamos
Bairrada, terreno fecundo, eabun-
dantede
tudo o preciso para a vida e reg^alodo homem. Mas
se o seu terreno é fértil eabundante em
fructos próprios para os usosda
vida, nào o foi
menos
naproducçào
de santidade e boas obras de pie- dade,que
ali praticarão os Monjes Beuedictinos,que
naquelleCon-
vento se estabelecerãono dominio
dosGodos
!
2.
Nào temos documento algum, que com
certeza nos mostreo tempo da
sua instituição.Quanto mais
tenlamosromper
as trevas da antiguidade, tantomais
espessas se nos apresentào, e só por conje- cturaspodemos
apenas fixaruma
época nas eras,em que
só al-guma
casaou
corporação apontavalembranças
! Fr.Leão
de S.Thomaz
na Benedictina Lusitana (1) refere a sua fundação ao século 6.", epouco
depoisda
fundaçãodo Convento de
Lorvão. Fossepwém
antes
ou
depois, é certoque
ura e outro forão dos principaesMos-
teiros da Lusitânia, e dos primeiros,
que
apparecèrão seguindo aRe- gra
Santa,que
porantonomásia
era a Santíssima de S. Bento; edonde
depois se multiplicarão as associaçõespovoando
as selvas, ar- roteando os terrenos, e entoando os cânticos e liymnos Divinosno meio
dos desertos, aosom
horrível dos trovões, e ao sibilar dos ven-tos. Estas são pois as causas,
que
íizerãode
tão ásperos serros as ha- bitações e as delicias dos Paulos, Antões, e Pacomios,que
tantos sé- culos antes o Profeta Rei tinhaannunciado
naquelle seu verso «Pin-
gucscent speciossa deserti» eque
servião de consolação áquelles,que
olhandocom
a luzda
fé as illusõesdo mundo,
a volubilidade, e poucík firmeza das cousas terrestres fiigião á sociedade doshomens formando
associações,
ou
instituindouma
vida contemplativaem meio
das so- lidões. Tal foi aorigem
deste Convento, fdhodo de
Lorvão, ecom
elle ligado pelos laços de fi^ternidadc (2).
Apenas
erigido foi logo-(1) Trai. 2.* part. 2.* cap. Í2i
(í) Soguiido Fr. Leão deS. Thomaz, o Moslciro da Vacariçafoi filial d? Lorvão,, c leve por isso a mesma regra desde sua origem: o que enlrclanto sabemos cora cer- l«sa é, que os Frades do Lorvão erão considerados como irmãos pelos da Yarariça^
porque se faz mençiío dellcs como de filhos dcsla casa cm documento, mais adiante re—
íériá<»K da era 1083 [anno 1045] a tJkas 69 do Li>ro Prelo da Sé de Coimbra: mas-
dotado, e enriquecido
com
abundantes cabedaes; echegou
aformar uma
opulenta casa,
que com
brilhantismo, e explendor atravessou quatro séculosde
revoluções, e guerras terríveis, vindo por fim a experi-mentar
as vicissitudes ordinárias das cousashumanas!
Vio-sede
re- pente extincto, suas rendas e bens entregues áSé de Coimbra,
igno- rando-se o destinoque
tivcrào seusMonges,
aque
logar,ou
casa forào conduzidos.Tào
escacas sào asmemorias, que
pela incúria da- ((uelles tempos, deixando-nos apenas relação das doações, c annexaçôes,de
suas casas e rendas, nào dào noticias,nom
indicioalgum
poronde
se possa ajuizar,
que
destino tiverao osmembros
destacommunidade;
nem mesmo
se haveriaalguma
causa justificada paraum
procedi-mento
tão violento. Sabe-seporém, que
a cxtincçào foi depois appro- vada pelos Chefes da Igreja nas diversas Bulias concedidas aos Bispos desta Cathedral,como
depois mostraremos,nomeadamente n'uma do
SantoPadre
Pascoal II (1).o.
É
certo,que
esteConvento
conservou pormuito tempo
logar distincto entre osda Ordem
Bencdictina,que no
paiz havia, eque augmentado com
pingues doações,que
naquellestempos
se faziâo ás corporações Ecclesiasticas,chegou
a adquirir as riquezas,que
osChro-
nistas lhe assignão, e veio a ser dos primeiros da suaOrdem,
con- tando-se clle e ode Lojvào
pelosmais
poderosos das visinhançasde Coimbra, ou melhor
de todas as conquistas Lusitanas feitas pelos Reisde
Leão, e governadas pelos seus Delegados.Sendo
estes dousCon-
ventos irmãosno
seu instituto, eambos
unidos fraternalmente pelamesma
Regra, (juc professavão,ambos
soflrcrão igual sorte, sendoambos
extinclos pelosGovernadores
desta Provincia Lusitanaem
tempo do
Rei AílbnsoVI
de Leão.Não
posso eu igualmente descobrir a causa,porque
oConde
D. Henriciue extinguio oConvento
de Lor- vão, entregando-ocom
todos os seus rendimentos e propiiedades a esta S;^ !Dera
ellcum bem grande
contingente ao Rei D.Fernando
para atomada de Coimbra
aos 3íouros, obtendo,em
reconhecimento deste serviço, assignalada protecçãodo mesmo
Rei;porem D.
Henri- ([ucvendo
os diminutos rendimentos, ((ue tinha o Bispo e Sede Coim-
bra, o extinguio
como
1).Raymundo
havia extinguido o da f^acarira^entregando-o
com tudo quanto
possuia a estaCathedral para sua dotação (2)sem que
se saiba sehouve
cíiusa paraum
tal procedimento. Pas-isso só SC jtódc onlendpr por i.icntitlr.dcde inslilulo, e não por dependência espiritual, jiorque nesse tempo os Convénios eslavão immedialamente sujeitos aos Bispos.
(1) Trovas n.' 9.
(2- Probas n." 10.
1»
sando então ao
domínio
da Cathedral deCoimbra,
esta o possuio e gosou por espaço de sete annos, depois dos qiiaes o BispoD. Gonçalo com
o consentimento e beneplácitodo
seuCabido
o tornou a restituir (1) aosmesmos Monges
Benedictinoscom
a obrigaçào de reconhece-rem
o dito Bispo e Cabidopor
Superiores, e lhe prestarem obediên- cia,segundo
aforma do
estylo,que
se conservou pormuitos
annos, não sóno
temjy) deste Prelado, senãotambém no
de seus successoresD. Bernardo
e D. Miguel,da
qual poreium
exemplo. «Ego
SalvatxtsLaurhanensi
cenóbiomine ordinandus
Ahbas^ subjectionem et revê-rentiam a
Sanctis Patribus constituíamsecundum
pi'eceptaCanonum
Ecclesie CoUmbriensi Rectoribusque ejus in presentia
Domini
Bei- nardi Episcopiperpetuo
exibiturum promito et supersanctum
altare própriamanu
Jirmo.» Tal era omodo porque
os Abbades,que
desde a restauraçãohouve
naquellc Convento, prestarão submissão ao Bispo e Cabido,segundo
se encontraem
vários logaresdo
Livro Preto (car- tório desta Igreja) (2) referida a outros,que
derao igualjuramento
d'obediencia.Assim
se conservou oConvento
deLorvào em
poder dos Frades Benedictinos por quasi100
annos, atéque no
reinado deD.
Sancho
I de todo seperdeu
depois de vários successos, vindo nelle a professar aRainha D.
Theresa, filhado
referidoD. Sancho
I,que
se tinha separado de seu
marido
oRei D.
AflbnsoIX de
Leão, porterem
casadosem
dispensa, sendoprimos
direitos; veriíicando-se a profissão nos finsdo anno
do1200, tempo em
que, expulsos aquellcs moradores, passou a casa ])ara aOrdem
de Cister,mediante uma
indemnisação,
que
os Benedictinos receberão; ficando sujeita á juris- dicção dosAbbades Geraes
de Alcobaça; c sendo depois aRainha
fundadora beatificada, e exposta á veneração nos altares.4.
Não
aconteceu omesmo
ao da Vacariça:uma
vez extincta assimpermaneceu sem que
osMonges
tivessemmais
esperançasde
voltar a elle. Talvezhouvessem
causas paraum
tal efíeito,porque
tendo-se referido o
muito
auxilio,que
contra osMouros
prestarão os de Lorvão, e osmantimentos
e provisões,que
derãoao
exercito de D..Fernando
durante seismezes
de cerco á Cidade deCoimbra, nada
se contada
Vaca)'iça\ eou porque
os seus Religiososcom grande
precato evitassem intrometter-seem
negócios seculares, não cuidando senãoem
exercer a vida contemplativa, cem
praticarsomente
os actos de sua estricta obrigação monástica,ou
finalmente por outras razões, forãode
todo extinctos, e suas rendas passarão para a Cathedral no&.(1) Provasn." 12.
(2) F." 31 V..
tempos do segundo
Bispo desta SéD.
Cresconio atémeados do
século- 16.°,em que
o BispoD.
Joào Soares pelo affecto,que
tinha aos Frades Gracianos, a cujaOrdem
pertencia, lhes concedeu para sua sus- tentação osrendimentos
daquelleConvento, e nessa posseseconservarão até1834,
por çspaçopouco mais ou menos de
dois séculos e meio,,quando
novas phases e novas vicissitudes destruirãocompletamente
instituições,
que
tantas vantagens ofíerecião á sociedade, e tanto pro-"veito ao estado, vendo^se de repente perdidas tantas preciosidades!
5.
Voltemos porém
ao nossoobjecio.Era
esteConvento
da Vacariçacomposto
de Frades e Freiras,que
achando-se separadosum do
outro, só tinhão decommum
a Igreja,onde em
corotambém
separado assistião e celebravão os Ofíicios Divinos.A
estes Conventos sechamavão Dú-
plices por nelles se conterem, ainda
que com
separação de edifício»Frades e Freiras,
que mais
adiante se vierão a separar, para nãodar
motivosde
reparo aos detractores,que
tanto depois motejarão esta practica,como
se dasmais
santas e piedosas instituições senão
po- desse abusar,quando máos pensamentos
nosacommettem
!As
dota- ções,que
se lhes fazião, indicão,que
dos seusrendimentos uns
e ou- tros se devião sustentar: assim o declárãoD.
UniscoMendes
e seu filhoD. Oseredo
Truitesindes,porque na grande
doação da era1052
(anno1014)
aoConvento
de Leça, e entrega delle aoda Vacariça
e aoAbbade
Tudeildo,que
o era deste, expressando «Et quantum adhuc
CU7JIDei
adjutorioaugmentare potuerinms
in vila?iostrapostparte
ipsius
Monas
teriisittraditum atque co7icessum utad
servovum velancilla-rum
Dei. qui ibi iu vita saticta perscveravevint habeant et possi-deant
( 1). »Acha-se
esta doação confirmada posteriormente por El-Rei D. Bermudo
III filho de El-ReiD.
AfibnsoV.
deLeão
[proles Adfonsi Priticipis)\ ecomprehcndc muitas
propriedades. Convénios, povoações, terras, ornamentos, e trastesmuito
ricos,que segundo a
descripção dellcs feita nestedocumento, quando
delia se não dcprchen- desse a elevadaordem dos
doadores, só essa descripção seria bastante a indicarmos a liberalidadecomo
real dequem
a fez, equanto
era.grande
a piedade, o zelo e o desejod'augmentar
o Culto Divino e acudir ás necessidadestemporaes
dós seus. Ministros.O mesmo
se acha na outra doação,
que
osmesmos D.
Unisco e D.Oseredo
íizcrào ao próprioConvento da Facarira
e ao diloAbbade
Tudeildo na cr.i1059
(anno1021
(2). Mas, se doações mostrão amagnanimidade
dos(t) Provas n." 2'.
\%) Pro>as D." 4..
doadores, a divisão dos bans doados feita por aquelle
Abbade da
Facariça, entre osdons
Conventos,mostra
o desinteresse das casas religiosas, eque podendo
estas sustentar-secommodamente,
ecom
oque
antes tinhào,pouco
cabedal fazião das demasias; por isso o referidoAb- bade
Tudeildo, tendo possuido estes bens por32
annos,na
era de1083
(anno1045)
os repartiucom
os Frades deLeça
para seu sus- tento, e para nelleviverem segundo
aSancta Regra, com
o encargode receberem
naquelleConvento
os Fradesde Lorvão como
filhosda
casa e seus naturaes irmãos (1); e essa divisão se aceitouim- mediatamenle
(2). Signal evidenteda
prosperidade,em que
oCon-
vento daVacariça
se achava, eda
fraternidade ecommunhão, em que uns
e outros estavão,sem que
asambições
e os interessestempomes
os dilacerassem,
como
acontece nas sociedades modernas,que
sedizem
civilisadas.
6. Oito annos antes da união
de Leça
á Vacariça^D.
FruelaGonçalves
filhodo Conde
Gonçallo Moniz,um
dos principaes senhoresda
Província, tinha deixadocm
testamento ao ditoConvento
daVaca-
rira, e,
segundo
o estylo da([uclletempo,
para remissão de seus pec- cados e dos do seus pais, aquella povoação,que
hojeconhecemos
pelonome de
VillaNova
de Monsarros,meia
legoa ao Noruestedo
Bus- saco, sendo Preposito desteConvento André, que
o auctorda
Benedi- ctina Lusitana refereno
catalogo dosAbbades
«Ut pro
remédioanime mce
vel 'pare?iliim meoriDH GimdissalrusMunionis
etDonwa
Tota
facinius seriem testanienLiad Monasterium
deVacariza
in /lo-nore Sancti Salvatoris et Sancti
VicenlH
et sociorum ejtis Martf/rurn vobisAndreas
et fratribus vcstrisViUa que
vocitant VillaNova
SU'bar
bioCoUmbrie juxta montem Bazacho
cuniomnibus
suis prés- tatio7iibusquantum
in illapotueritis invenireXV
Kal. Julias era104
4 (anno de1006)
(3): foi esta doaçãomuito grande
e abastada,que
oConvento
possuiu, e depoisda
sua extincçãocom
ella ílcou aMesa
Capitularde Coimbia,
a (jualnada
recebe hoje destas propriedades, porque, a pesar deserem
bens provenientesde
doações de particu- iares, os seus úteis possuidores nãoquerem
reconhecer os senhorios directos. Passados 14 annos depoisda
doação de I). Fruela encontra-mos
outramuito importante
feita porGáudio
c Elias aomesmo
Mosteiro na era
1058
(anno1020) comprehendendo uma grande herdade
e possessões de mais deuma
legoa de cstcnsão, a contar(1) Provas 11." 5.
(2) Provas n.° 6.
(3) Provas n." 1.
desde Yiilaiinho até
Mamarosa,
na estrada deCoimbra
para Aveiro, eem que
se inclulào as herdades de Lazaro e Levira (hoje desconhe- cidas), varias aldeãs e casaes,que tudo
foi entregue aomesmo
Pro- pósitoAndré
e aos Frades existentes«w
Monasterioquo
vocitaiUFacariza
vocábulo (1). Esta foi a razão, porque
oAutor
da Be- nedictina Lusitana disse,quando
fallou deste Convento,que
era dosmais
ricos, emais bem
dotadosde
quantos tinha estaOrdem Mo-
nástica (2) entre nós; c para isto teve g-rande
fundamento,
pois ex-cessiva foi a piedade dos fieis
no
século 11.°paracom
esteConvento,se-gundo
sevé doLivroPreto,porque
nelle,ha alem
dasreferidas doações, a AçsDiácono
Sandinona
era1040 (1002)
(3); ado
PresbyteroZalama da
era1056 (1018)
(4) ; a de D.Vida da
era1070 (1032
(5); a deDiogo
Dialisda
era1072 (1034)
(6); ade
Natália e Palmella na era1074 (1036)
(7); ade
Truitino na era1077 (1039)
(8); ade Aion na
era1079 (1041)
(9); a deSandamiro
Lucidesna
era1079 (1041)
(10); ado
Mosteirode Soure da
era1081 (1043)
(11); ade Gres^
tello na era
1084 (1046)
(12); outra daquelle Truitino na era1093 (1055)
(13); ade
Fruela e suamulher Gonza na
era1095 (1057)
(14); a deGendo na
era1095 (1057)
(15); a deRecemondo Mau-
relis da eia
1100 (1062)
(16); a de Alvito da era1122
(1084-) (17);que
todas erao notáveis pelo seu valor.7.
Na
era 1124
(anno1086) uma
outra doaçào avultada encontro eu, feita peloConde D.
SisnandoGovernador
deCoimbra
a esteMos-
teiro, da Villa
da Horta
na Bairrada,que
elle haviatomado
aosMouros.
Merece
particular attencào estedocumento,
porcpiecomeça
historiando a entradade D. Fernando
na cidade deCoimbra
na era de1102,
e(1) Provas n.° 3.
(2) Tratado 2." parle
2/
cap. 13..(3) Fl. (il..
(4) F). 59 V.
(5) Fl. í)r>.
(6) Fl. 97 V.
(7) Y\. 74.
(8) Fl. 101.
(9) Fl. 15l„
(10) Fl. C2.
(11) Fl. 41 V.
(12) Fl. 72.
(13) Fl. 54 V. - (14) Fl. 43.
(15) Fl. S2 V.
(l(i) Fl. 64.
(17)
FL
49 T.8
como
ella foratomada
ao poderda
Tribii d'Isinaelcom o
auxiliode Deos
e valorda
sua espada;que
achando-se este Reicom
a sua corte nesta cidademandara
passaruma ordem,
paraque
qualquer in- dividuo,que
quizesse, tomasse para si as terras e herdades, e as po- voasseou
edificasse á sua vontade ficandoem
consequência senhordelias para poder testa-las,ou
doa-las a seus filhos e netos vijiliis et 7iepotibus suis usque in semj^iternum. »que em
consequência desta permissão elleD.
Sisnandotomara
para si a herdadeda
Horta,que
povoara e edi- ficara, eporque
era delia senhor,conforme
o decreto régio, a possuirá por22
annos, atéque
por fim se resolvera deixa-la aoConvento da
Vacariça «Pro
re7nedio jpecatorummeorum^
etpro
tò- lerantiafratrum
vel sorortim, qui ipsurn locumsanctwn
obtinuerint (1). » Tal era a piedade daquelles tempos, e tanta a devoção beracomo
a inclinação ás Associações Religiosas,que
difficilmente se en- contraráum
Cavalleiro qualquer,que
nào fizesse alg-uma doaçiio,ou
nào deixassealgum
legado a Cabidos,ou
CorporaçõesReligiosas, oque muito
concorreu,ou
antes tudo para oaugmento
e esplendorda
Igreja, respeito e consideração para os seus Ministros. Plutarcoem um
dos seus tractados filosóficosexaminando,
se a virtudeou
a fortuna fizerao a elevação e grandezade
Alexandre, discorre desta sorte «Eu
vejoum homem no
verdor dos anjios executar as mais brilhantes acedespor um
instincto irresistivel:na
idade de30 annos já
tinha atado ao seu carro detriumpho
os mais bcllicosos povosda Europa
eda
Ásia: suas leis esua
politica ofazem amar
dos próprios vencidos:concluo poisy
que uma
tão constantefelicidadenão é
effeito deste po- der cego e caprichoso^que
sechama fortuna: Alexandre
deve ao seu génio e assignaladofavor
dos Deoscs todo obom
successo de suasem-
presas(2). »Istodiziaum
pagão; hojeporém
esteespirito religioso,que
éo dosmais
bellos séculos, e deque
se honra o espiritohumano,
será notado, pelas diflerentes seitas, (jue retalhão asmodernas
sociedades,como uma
despresivel superstição,ou um medonho
fanatismo. Se hojeadmiramos
as quasl incriveis façanhas,que
os Portuguezcs obrarão nas duas índiasno
século 16."não
sãomenos
dignas deadmiração
as dos séculos anteriores.Os
exércitosAgarenos
disseminados nesta peninsula aguerridoscom
os continuos ataques, e porfiados combates, senhores de abundantes riquezas, cheios de recursos,que
podião trazerda
Africa tão visinha, fazião quasi pensar loucura a tentação de oscom-
bater, escaceando para isto os meios, soldados, e aprestes de guerra;
[1] Provas n." 7.
[Si] Plutarco Ohras Moraes.
9
mas
acoragem
vence tudo, e o arrojo,com que
foràoaccommeltidos
os Mouros, é bastante a mostrar-nosquanto pôde
ohomem, quando
influxos religiosos odominào
unidos aum governo
paternal.A
agri- cultura, as edificaçõesde
cidades,caminhos
e pontes, artes e ofíicios, leis civis e criminaes,tudo
teve suaorigem no
espirito civilisador das Associações Religiosas c das Corporações Ecclesiasticas (1).A
maior
parte das doações feitas aos Mosteiros nos primitivos séculosda
Igreja erào terrenos incultos c bravios,
que
os Fradescom
seu suor arroteaviío ; erào ásperas matas,amplas
herdades infructiferas,que
de- pois foràoorigem
destas riquezas,que
tantotem
sido cobiçadasem
nossos dias. Se fosse mister provarcom
factos o,que
acabo de dizer, certoque muito
excederia estamemoria
os limites, aque
deve circums- crever-se;mas
isto é tào notório, éuma
verdade tào constanteda
historia,
que
ellame
veda de a repetir, achando-se tào exposta á luz peloAutor do Génio do
Christianismo.Mas que
difterençade tempos! Hoje
o indiílcrcntismo é tudo; os sentimentos de piedade e devoção extinguirào-se : olhào-semal
os Ministros da Religiào, e ellamesma
é atacada nos seusmais
sólidos fundamentos.A
catequesi, e o proselytismocom
a idéa só da salvação dasalmas
e remissão dos peccados foiàoquem
levou nossos maiores, pelejando contra os infiéis, aos confinsda
terra,onde
se íizerào aquellas façanhas,que
se lêem, emal
se acreditào. Foi a reacção dasNações
carregandocom
todo o seu peso sobre os invasores, ([ue desde o século 5.",como enxames
de abelhas levárào aEuropa
a ferro e fogo, ficando reduzida aum
lago
de
sangue, e agora voltada contra seusdominadores
os atacaem
seus próprios lares.
Assim
pois lhes é tirada a prezada mào,
e suas terias restituidas aos descendentes da([uelles, a (jucm deviào pertencer.Assim
aconteceucom
-a herdadeda
Horta, que, sendopovoada
peloConde
D. Sisnando(como acima
já disse), clle a deixou aoConvento
daVacariça
julgando, cpie nelle seria estável esta doação.Ninguém pôde porém
pôr confiançano
futuro,nem
ainda nas cousasmais
justas e benéficas.8. Passados oilo annos depois de feita essa tloaçào, o
Conde
D.Kaymundo
e suamulher
1). Urraca, lilha de Aflbnso VI, (juegovernou
esta Provincia,
como
a tinhagovernado D.
Sisnando,vendo
apouca
ediminuta
renda, (pie a Mitra e Calhedral deCoimbra
tinha, e consi- derando, ([uecom
os bens e próprioConvento
laziaum
excellente património ao Bispo e Cabido,que
entào viviàoem commum,
lhes con-cedeu
esteConvento com
lodos osmais
bens, propriedades, casas, e[1] Chaleaubriand
—
Geaio doChrislianismo, part..*, liv.6.', cap.7eseguintes.2
10
rendimentos
para sepoderem
sustentar, c elle ter parte nas orações e obras pias,que em commum
faziáo.É
datada esta doaçào a 13 deNovembro da
era1132
(anno de1094)
(1).É
assignada por D. Cres- coniosegundo
Bispo desla Igreja, e peloDeào
da sua Galbedral, cpicem quanto durou
a vidacommum
sechamava
Prior, e nella se vé a sua firma pelomodo
seguinte «Martinus
Prior confirmo»com
outros mais, e isso mostra,que
existindo Prior aindaem
oanno
de 10i)4Martinho
Simões, nào podia,nem
se pódc imaginar,que
tivesse sidonomeado
Bispo desta Igrejaem 1088, como
hcidemostrar no
cata- logo dos Bispos,que
faz o objecto dasegunda
parte desta Noticia, eqúe erradamente
introduziu Ferreira Leitào, no seu catalogo encoi'po- rado nasMemorias da Academia
Realde
Historia Portugucza.9.
Sem embargo
da doaçàodo Conde
D.Ray mundo
a esta Sé, vé-se,que
ella naotomou
logo conta de todos os bens e propiiedadesdo
Convento; alguns annos depois, sendo BispoD.
Gonçalo, encontrouma
questão tractada entre o Bispo eCabido
de unia parte, e entre três Fradesda
Vacariçada
outra, sobre a hertladede
Ventosa na Bair- rada,que uns
e outros contendores diziào lhes pertencia (2). Essa questão acho-aterminada
poruma
composição, depoisde
ter sido sen- tenciada pelaRainha D.
Teresa a favordo
Bispo e seu Cabido,em
que
esteempiasou
a ditaherdade
aos três litigantes Monjesda Vaca-
riça durante sua vida,com
obrigaçãode
lhepagarem
adecima do
seu rendimento, e, depoisda morte do
ultimo delles, voltar ao ditoConvento
para se incorporar na Sé, cnão
pertencer a herdeiroalgum
delles. Deste
documento
se vé,que
estes filhosda
Igreja(como
lhechama)
ainda neste temix^ vivião por aquellas visinhancas já seculari- sados, tendo passado a inquilinos desta Cathedral.Ainda que
o do-cumento
nào traz data,como vem
assignado pelo Bispo D. Gonçalo, cuja Prelazia encontro desde1109
por diante até1127,
deve por isso contar-se dentro destes annos e nelles se vê existirem, por aípiellas visinhancas algun^i dos moradores,que
forão da Vacariça,que
a in- constância dostempos
ea
variedadeda
fortuna deslocoude
suas ha- bitações. Tal ésempre
o resultado das revoluções, llagellocom que
a iixi
de Deos
açouta os povos, e desmantela sua fazenda ! Vè-sedo
mesmo
doc*umento,qne
aRainha D.
Teresa governava então na falt»ou
ausência de seu marido. Talvez odocumento
seja posterior aoanno 4112. Parece-me
provável esta opinião, por([ue, nosdocumentos
feitosem tempo do
seu governo, sempi'tf encontreimenção do
seunome^
ri] Prínas n." 8.
[2] Pro>as n.'' li^
11
eentãonàose fallandoscniío
da Rainha
e'sigrialque
jánãoeravivooConde
seu marido,ou
se achava ausentedo
Reino,o que
já havia lido logar,como
estáem
outro instrumento,que
encontreida
sua jornada a Je- rusalém.O
doutissimoBrandão na Monarchia
Lusitana (1) diz nào lhe ter sido possivei descobrirum documento^ que
indicasse a idado Conde D. Henrique
a Jerusalém ; epor
conjecturas e probabilidadesdemonstra
a realidade desta jornada;mas
tendo eUe,como
teve, no- ticiado
Livro Pretoadmiro como
nào encontrou esta prova a f.38?
10. Essa provaé
uma
questào intentada entreoAbbade
deLorvào
Eusébioe o Alcaidedo
castellode Besteiros,que ambos
pcrtendiàoter di- reito á povoação de SantaComba
junto ao rio Dão.O Abbade Eu-
sébio tinhacomeçado
a edificar e arrotear as terras desta povoação, a qual lhe pertencia pela doaçào testamenteira,que
a favor daquelleConvento
tinhào feito oConde D. Gonçalo
Moniz, eOvcco
Garcez, cujo testamento oAbbade
tinhano
seu cartório,porem
o Alcaidede
Besteiros allegava outras razõesem
contrario, pelas (juaesambos
vierào a pleitear,
começando
o Alcaide porembargar
a obra, para oque mandando
alguns soldados, fez levantarmào
delia e fugir os tra- balhadores: depois deste acontecimentoambos
forào perante aRainha D.
Teresa allegar sua justiça e defender o seu direito, e ouvidas as partes, a
Rainha com
oConde D.
SueiroMendes
decidiu a questào entre osdous
contendores, declarando,que
cadaum
delles ficasse,com
oque
fosse arroteando, até
que
oConde
D.Heniique
voltasse de Jci^- salem,onde
entào se achava, e logoque
viesse decidiria a questàocomo
mellior lhe parecesse «Ut quaiitum
suos hominesrumperant
habuissent usque
ad
venitam Comitis deHicrusalcm
ubi erat etquando
venisset qiiod
mandasset
fecisstmus.»Dada
esta sentença arrepen- deu-se delia o dito Alcaide de Besteiros, e passadoalgum tempo
ap-pellou para o Rei Afíònso Vi, o qual, recebida a appellaçào,
confirmou
a sentença proferida,com
a declaraçào seguinte,que
o Alcaide oiiSenhor
de Besteiros poderia jwvoar e arrotearuma
quarta parteda
povoaçào, a outra (juarta parte seu sobrinho Joào, e as duas restantes oAbbade
Eusébio, vindo tudo a recahirno
Mosteií-o pormorte
dosdous
senhoresdo
castello.É
feito este instrumentoem
31aiode
1103
(era
de 1141)
(1), sendoRei de
toda aHespanha
dos ChristàosD.
Aílbnso Vobline7ite Imperatore Jdcfoiíso
rcgnum
Spaniae Christiano-rum
»governando
Portugal eCoimbra D. Heniique
seu genro, Viseu e annexosMonio
Velasíjues seu subordinado «e£Munio
Fcilaz Viseu[1] Parte 3. liv. 8. cap. 22.
[âj Liv. Preto fl. 38.
12
et vicinas.^i Este
documento
émuito
importante e nos prova, l.**,que
oConde D, Henrique em Maio
de1103
seachava em
Jerusalém, paraonde
tinha ido, e'onde também
passou o Bispo desta SeD.
Mauricio,
que
depois foiem 1109,
transferido para Brag^a, eem
1 118,
na
vacante de Paschal II,Antipapa
concorrendocom
Gelasio IIque
castig-ou,como
merecia, a sua temeridade.—
2.Que
governava esta provincia aRainha D.
Teresana
ausência de seumarido
; ecom
tanto precato ella se reservava, que,
em uma
cousa tão simples, senào atreve a julg-a-la senào condicionahnente até á vindado
Conde.—
3."Que
dos julg-ados de Portugal, presididos pelo Principe da Pro- vincia, havia,como
era necessário, appellaçào para a corte deD.
Af- fonso deLeão
; poisvemos, que
estes dous contendores depoisda
de- cisão deD.
Teresaambos
se dirigirão á corte de Aflbnso, e requeréiíio sua justiça. Istomesmo
se confirma por outrodocumento do mesmo
livro (1), d'onde se vé
que
tendo corrido uinademanda com
o Bispode Coimbra
sobre apovoação de Volpeliares (no Bispadodo
Porto;, asparles tendo recorrido ao Rei D. Aftbnso VI, este escreve ao genro dizendo-lhe,que accommode
acontendacomo melhor
entender.Recebia oConde
appel- lações para Toledoem
forçada
sua qualidade subordinado a El-Reide Leào
seu sogro, porquem governava
esta Provincia (Portugale et Colimbria)^ e tinha por subalternoem
Viseu e visinhas (sub quibus etMunio
Fçilaz Viseo et vicinas),devendo
concluir-se,que D.
Henri- (|uegovernava
toda a Provincia, e 3Ionio Velasqucs o districtode
Viseu, sendo as povoaçõesdo
sul ainda occupadas pelos Mouros,que
successivamente foraodesoccupando
peloscombates
e derrotas,que
sof-frèrào.
11.
É
pois certo,que
o,que
hojecompõe
oReino
de Portugal setomou
independente pelo valordo
primeiroAOònso
e exforçodo
seu exercito,não
consentindo estar sujeito,nem
receber a leidoutro Rei
estranho, oque
foi causa de desavenças, guerras,que
depois so- brevierâo, eque
a.fortuna decidiu a favor de Portugal,sem que
Af- ibnsoVI
fizesse doaçiioalguma nem
cedência de Pi-ovinciasou
ci- dades,mas
sendotudo
conquistadocom
sangue e dinheiro Portuguez.O documento, em que
aindaestamos,auxilia ecorroboia maisestaopinião;pois nelle se declara,
que
aHespanha
dos Christàos pertencia ao ReiD.
AíTonso.Qual
eia estaHespanha
senào oReino
deI^ào com
as Provincias, (pie até ali tinhàotomado
os Christàos aosMouros
I'alem
deque
sabemos, (jue a Gallizacomo
Provincia se estendia peloMinho
até
Coimbra,
e delia toda se intitula senhor oConde D. Raynumdo
(1) Fl. (56 Y.
13
na
doação de1094, sem que
isto lhe indique titulo de realeza: pois elle a nãogovernou com
maiores attribuiçoes,do
(jue D. Sisnando o seugenro Martim
Moniz,que
todos foiàoGovernadores
amoviveis,ou
Prefeitosda
Província,como
erào os nossos CapitãesGeneraes do
Ul- tramar.Daqui
se vé o engano,em que
caliiu Fr.Leào
de S. Thoniaz,quando
na Benedictina Lusitanaquer
inculcarcomo
doações regias, asque
íazia oConde D. Raymundo
notempo, em que
esteveGovernador na
cidade deCoimbra, quando
da historia consta o contrario, equando
mesmo
o seugoverno
nào excedeu,ou pouco
passoud'um
anno; nào gosando prerogativaalguma
mageslalica, assimcomo
seus anteces- sores, e depois seucunhado
oConde D.
Henriíjue,qne
forno todosLugar-Tenentes de
Aflbnso VI, atéque em tempo
de D. AfibnsoHen-
ques seemancipou
Portugaldo
poder Leonez,augmentado
o seu ter- ritório á custa dosMouros, que
se ião expulsando.12.
Para mais me
certificar sobre as ruinas desteConvento
vi-sitei aquella terra
em 1852. É uma pequena
villacom
alguns edifí- cios melhores,que
constituem amorada
de alguns Cavalleiros,que
ali se achào estabelecidos actualmente.Seu
terreno é fértil, eabundante d
'agua,mas em
geral a terra insignificante e pobre.A
Igreja é todamoderna,
e sua construcçào nào indica ter sidoem
outrotempo
per- tençado
célebre Convento.Debalde
procurei achar vestígios, pedras,ou monumento,
(jueme mostrassem
a existênciado
local ascético,que
ali
houve; nenhum
signal,nenhum
vestígiopude
encontrar.Tudo
ficou reduzido a pó, e
tudo
se tornou invisível, e mysteríosocomo
hoje o são as cinzas dos instituidores debaixo
da
lousa sepulchral!K
a sorte destinada pela Providencia aos
munumentos humanos,
tpie nos dàoum testemunho
silencioso da nossa fra(pieza edo
nossanada
! . ..
Sabido desta povoação para o
povo de
Luso, hojemuito
conhecido pelas aguastheimaes
(deque muita
gente faz uso), a distanciad'um
tpiarto de legoa para o nascente, cncontra-se
um
sitio, a ([uochamao
os «Ficís de Dcos. » Fica sobranceiro a
um pequeno
povo,nomeado
Lameira, valle aprasivel emuito
fertilísadocom
as aguas,que correm
das vertentes occidentaesdo
Bussaco, eque vem
refrigerar a aridezdo
estio nessa baixa cultivada e viçosa. IXeste sitio dos Fieismostra
a tradição a existênciado
Mosteiro; mas, se é difficil na Vacariçaachar
vestígios de Casa Religiosa e da capacidade de unui,
que
continhadous
Conventos, a(|ui é de lodo impossível atémesmo
conccber-se, (jucem
tal logar podessc existir; pois achando-se
em
o alto, (|ucdomina
a po- voação da Lameira,nem agua
ali se vé para os usos da vida,nem
tàopouco
pare<'e verosimil ter ali existido tal casa,em
cuja área se nào\eem mais que
pinheiros e arvores infructiferas ! Tal é a inconstância14
dos
tempos
! Parece,que
amão
doshomens
se conspirou parade
todo apagar os vestígios,que
por \entura deveriíío achar-se desle edifício.13.
Sobre
a palavra latina,que
algunsAutores
referem, e no-meadamente
Fr.Leão de
S.Thomaz
copiandodocumentos, em que
échamado
«Moíiatterium Bubulense»nada
encontrei,em
quantos do-cumentos
antigos se achâono
cartórioda
Cathedral, paraonde
forào os titulos pertencentes a esta casa, sendo osmais
anligos datadosdo
séculodecimo
e nocorrompido
latim bárbaro ,cm nenhimi
está tal denominação,
mas em
todos se designa pelas palavras «Mo-
ncLsteriwn, Acistcrium^ Ce?iobiwu Vacarizê subtus
monte Buzacho
» designandocom
estestermos
aquella casa. Talvez nos primeirostempos
da sua existência assim fossechamado
;mas
depois, barba- risando a palavra Bubalense^ se dissesse «da Vacarica
»em
logar de Bubalcnsc: éporém
certo,qne
só se achano
citado Autor, eque
nas escripturas antigas se encontrasempre
Vacarica,FIM DA PRIMEIRA PARTE.
15
pro¥%;í(.
N." 1.
D. L
'oMNis invictissimis hactiium- phaloribus gloriosisquem
Martiri- biis et Lavirealis ad honoreniSancti Salvatoris et SancteMarie sem-
per Virgjnis. Eg^o Froíula prolis GundisalviMunionis
inDomino Deo
eternam
salutem.Ego
supianominatus
cupeccalorum mcorum
depressiis et
diem
Judieii timi-dus
ideo placuit miclii perLone
pacisvoluntatem
ut proremédio anime mee
vclparentum meorum Gundisahus Mimionis
etDomna
Tota facimus seriem testamenti ad Monastei
ium de
Vaccariza in lionore Sancli Salvatoris et Sancti Vicenti etSociorum
ejus Marti-lum
vobis Andrias et fratribus vestris Villanom
inataque
voci- tant Villa IXova subúrbioColim-
brie juxlamontem Buzacho
ad rio deAnganna
et (piando parli- runtdo Gundisalvo Munionis
ad- venit indo ipsa' Villacum
suaQuintana
ad illamDonmam
proindc adteslanuis illam })ro
|)arle ipsi Monasleiio concedi
mus
illam per suos términos antiquo;;
cum omnibus
suis prestationibusquantum
in illa polueritis inve- nirepomares
ficcarcs arbores fru- ctuosas vel infructuosas terras rii- ptas vel inruptasquantum
ibípo-
tueritis invenire in noslra vita
quintam porlionem
et post nos-trum obitum
tota integra jure Monasterii permaneat. Siquis ta-men quod
íierinon credimus
ali- quishomo
vcncrit de propinquis nostris vel de extraneis qui nos- trurafactum
infiingeretcmpta-
verit. In primis sit
excommuni-
catus et
cum Juda
traditore Christi habeatpenam
in eternam dam- pnationem
et insuperdampna
sc- cularia afiliclus pariat post par-lem Regi
auri libramunam
et hocnoslrum votum
in cunctis obtincat íirmitalis roborem.No- tum diem W".
Kalcndas JulíasEra
M.'X".LIII.' Froila Gundisal- vizmanu mea roboro=
(^Col. 1.')Velascus Garsie testis
= Alvarus
Alvariz testis^^^
Alvanus Gunliniz
16
lestis
=
Fernandiis Frainiz lestisdon
testis== Gundesindus
Iben-=
Julianus Presbiter notiiit=
olit testis=
Nebridio testis= Vi
Magister Guizoi testis==(Col
2.*) tas testis(1).=
Placentius Sesmiriz testis
= Cen-
IV.** 2.
Clericus hujus eonis in cazu vita degentibusque diversis subja- cet casibus iit diuturnior íit pro
quo
agit PsalmislaQaoniam
mille anui ante óculos tiios sicut diesuna
et si brevior utJob
loqui-tiir. Dies nostri velocius transie-
runt quam
a texente tela siiccidi-tur et
consumpti
sunt absqiie idla speEt
alibi etimus
exitusad
vi-tam omnibus
et uniis agressus Nisiquod
credituromni extrema
íblicior ac visita
incomodi
duce- retur deterior et si peccati obno-xiiis ultima calcaneo
augmentum non
porrigatque
antea se ino-mordi
minime
senserat.Denique ego
indignaque Christi ancilla IJniscouna cum
íiliisméis
Ose- ledus prolisTruitesendiantequam
abtutibus
diem ultimum
paves- centes et oraextrema
sensus ad nos pristino reversus recolens in corde noôtro quia confitendi la-tronem
in se credenti in patibulovicinam non
presciensmortem
di- gnatus est conferrevitam
eternam
nobis lianc
non
denegarc ([uod plurimis condonaretidem dum
ista agerentur ut instituía docet
Patrum
etDogma Pedagogorum
in
Domino procedentium
nicliil esse Religionis in stipitesub ma- nu
Abbatis vel Abbatisse dieenstramitem invenimus
salutare con- siliunicommunem axem rerum nostrarum
ut de paupertatis nos- tre elegeredebcmus Acisterium
in Villa
nuncupata
Leza quijam
olim in die rebusnorma
deducitcum
sibimódico commisso
con- gregationi sicut et ita acta sunt.Dum
adeandem Cenóbio
perve-niremus
deservientibus nobis \iV- las vel villis velomnem rem
nos-tram
elegi fieritestamentum
utdictum
estomnem
possessionemíimdorum prcdiorum
opidoruni auri argenti pullei supcrlectiles sirgo vestibus preciossis saltim utquantum
in vita nostra possi- sidenlesfuimus
vel viris nostri tenerepotuimus Et
quia sterelesabsque
liberisremansimus
malui-mus omnia
dáre Monastcriis Ca- ptivis Peregrinis Orfanis et Vi- duis vel diversis casibus occupa-tis ad
ipsum Acisterium jam nuncupatum
Leza relinquinnis et hec suprascriptio ut (juicquidpro animarum nostrarum remédio
la- cere quiverint voluerint conave-(1) Cartório do Cabido de Coimbra, Livro Prelo f. 35 v,
17
rint sicut illiâ a
Deo
et nobis fas adtributa et poteslas concessa.Nulii alio ex prosápia nostro ii-
uea suprestitern leliquens nisi iit
snpra
taxatum
est Monasteria ser-vorum
Ycl ancillanini Dei incoie sive evionismisseiimus Domnis
invietissimis ac triumphatoribus gloriosis Sanctis Sahatoris
cum
Virg-o Ínclita seniper Genitriz, Apostoloriim
Martirum
Pontiíi-cum
etVirginum Confessorum corum
ve dispares et locis diver- sis ac misteriis aule suntnuncu-
pale ,quorum
\e hic discribere prolixior convenit adjungereom-
iiia
Sanctorum Martirum que Dei
curie Celestis sublimai us róseo cruore perfusos ad oííicium pre- dicationis electus virginitatis Ec- clesie coronatus confessionis flori-bus
adoriiatus et sicque mercia
ergamens
liic singillatim scriberenequivimus jam fiagmea
Paradisilocum
beatitudinis a dextri ordi- nis tenere coníidimus.Ego
Cbiisti ancilla Unisco et fdiusmeus
ser- vus servorinu DeiOseredus
pro-lis Tructesindi
cum peccatorum mole
depressos in spe íiduciaque Sanctorum non
us(|uequaque
dis- perationedeicimur
qui etiam rea-tum noslrum
criminis sepc paves-cimus
ut per vos Sancti Mártires rcconciliarimereanuir communem Dominum
ac Sanctoriwnhominum oetum
fida supplicatione deposci-mus
El ideo dev-ocioni noslre ex- tilet ut ex voto próprio obolendis delictisparentum nostrorum
nos- Irisque
delictis sine discrimini-bus
honorem
celsiludinis nostreConcedimus ad ipsum locum
San-ctum
quiestsita inipsaVillasupra- taxataLeza subtusalpemonte
cus- todias território Portugalensi ipsa Villa jam preíata Lezacum
cunclis ajacentiis suis elprestalionibussuissecundum
illam obtinuit pater nos- terTructesindusetego Uniscocum
filio
meo Oseredo de
longo in arro- giomaior
do Maniulfo deAdaulfo
de hereditatibus deDomno
Azorio etde
suojermano Gundisalvo me-
dietateabintegro Villa de Agilanes
ab
integrocum
suaVarzena
leva se ipsa varzena de arrogio qui discur- ritsub
casa de Lallina etPlegade
longousque
inarrogioqui discurrit de Maniulfo de suo Vilar et illa aliaVarzena que
se levatde
illo alio arrogiomaiore
de Maniulfoet ferit in ponte petrina de
Leza
et de illa alia parte juxla
Monas- teiium
leva se de illo Monasterio et ferit de longo in arrogio qui discurrit de casal de AdaulfiDe
bereditalibus de
Domno
Azario et de suojermano Gundesalvo me-
dietatem vobis integroEt
de Vil-la
Gontemiri
IIIIintegrasupersuis terminissecundum
illam obtinuit nostia Tiastalo Hereditatesque
jacent in Patrocello et in Salga- riostam
deAvolego quam
etiamin nostras cartas resonat.
Et de
Villa Rccarcdi medietale integra etde
illa aliamedia IV
octavasr
deRecemonde
et alia deAr-
gévito llereditate demala
ibi inipsa Villa item in ipsa Villa he- reditas
que
fuitde Domno
Vili-18
fonso
ab
integro, ereditas de Er-mosindo
ab integroDe
hereditate deRomano V
integraDe
lierc-ditate
de
FragiolfoV"
integra de Vílla Qneiranos hereditateque
hic habuit frater Savarigo conpa- rata Sicqueetiam
concedimus ad ipsum^ Monasterium
Saneti Salva- toris Accisteriumprenominatum Vcrmudi
et reliquias loci ejus vo- cábulo SanetiRomani
et cuni eis sicconcedimus ipsum locum
quo- iriodoomncm debitum
ejus iu- lusque
forsitan etjacenciisquam
etiam et nas
ganavimus
sub au- xilioDei Et nomina
a jacentiis ejus nos exquereredebemus
id sunt de Vilia Vilifonsi sicut illam obtinuit virmeus
Truitescndo etego cum
filio Oseiedo Villa Fla- muliniquomodo
dividetcum
Morlluanos.
De
YillaMundini de
medietateV"
de illa aliamedia decimam
per suos términos et cunctis aprcslationibus suisEt
in ipsa Villajam
prcfalaVermudi
heroditatem de Savarigo et de sua Muliere Gederili hereditatede
suajermana Ausinda
et de here- ditale deCordoves
etde
suo fdio QueilaV
et de hereditate deOr-
donio
Teodemiriz Y" Et
alias he- riditatcs quasi in nostras cartas et in nostros, inventários resonat.Quamobrem damus
etdonamus
vel
quod
testamus huic locoSan-
eio Villa de Alduaricum
ajacen-tiis suis Ecclesia vocábulo Saneti Martini
que
fwit de fratreAalon
hereditate de Astrulfo heredilate Ue Fratre Prona. Hereditate deMartino. Hereditate de
Domna Go-
do.Hereditate de3Iegitoin
commu-
niationes
dcGundisalvoMunionis
il- la rationede Vimara Ermiariz Et
alias hereditatespro ipsa Villa
que
resonat in nostras cartas et in nos- trosinventários et Villade Magistro Michaele in Lauridello hereditateque
fuitde Domna
TarafiaXX*
in Villa plana
X'
de ipsa Villa per suis terminisque
fuit de ipsaDomna. De
Villa Piniaríomedie- tatem
integra.Et
in Vilar in cas- tcllode
illa parteDurio
Vilarde
Vicoi
quantum
inde pro precio nostrotenemus
per scripluras íir-mitatis
de
ipsos Villarcs In Villa Sunillanesde
hereditatede Su-
nilla Candeirdiz
medietatem
inte-gram Et
de illa alia medietate il-íum pumar quem
nobisdederunt
super suos íilios sicut in nostro pacto resonatEt nostram
rácio-nem
in Mitoncellicum
alia here- ditate pro ipsa Villaque
in nos- tras scripturas confirmatas suntEt
de VillaMannualdi
hereditate deCrastemiro damus
terras et pimiaresab
integro. Hereditate de Teadila medietateab
integro, exceptissuas casas(piomodo aquam
vertent. Villa de Pausatclla
quo- modo
illam obtinuitAvia
nostra Vistregiacum
viro suoGalindo
Gundisalviz Hereditate de Petrau- zusque
fiiitde Trastemiro
et alia hereditate deLevegodo cum
suo casale et suos plantatus in omnes.has Villas
quantum
in nostras fir-mitates resonat el duas partes de Ecclesia vocábulo Saneti Iiiatis».
19
Vi
Ha
deCornaiu cum
sua Eccle- sia vocábulo SancliMamelis cum omnibus
ajeclionibus suis de hc- ledilate deVimara
et de Pacenamcdietatem
integram.De
here- reditatede Gavino
Presbíteroab
integrotam
de parentelaquam
ctiam
de
comparadellaVIIF que
iiiit de Magistro Oliti per tota Villa et alia
Vlir que
fuit de nostraAvia Domna
Gontilli.He-
reditatem de Naucisti ab inte- gra.Hereditatem quam
nobis in- cartavit Sontrili Villa de Lillia et suas aquas et suomolino
etad casam
deTauran
illaVarzena media
et IIF de illo casalcum
illacasa integra et inipsasVillasquan-
tum comparavimus
et in nostras(arlas et inventários resonat Ei in Piefugios Villa
Bona cum
ajectioni-bus
suis.Villade OsonioVilleOfrei- so et deBrandilacum
suis aquiset suis MolinisVlir
deVilla deMau-
lenlani
cum
IIIP de illas Ecclesias Sancti Jacobi et Sancti Pclagiicum
suas casas et suos dextros etpumares
ipsas Villasjam
su- prataxalasdemus
atque concedi-mus
cas ad ipsius Monasteriicum
cunctis prestationibus suis Adici-
mus
ad eos locos Sanctos vel ad ipsos Monasterios libros Ecclesias- ticos perordinem obtimum
si-gnum
ex metallo fabricatos^Cru-
ces et Capsas, Cálices, et patenasVcstimentum
sacerdotalecum
Dia- conibus velomnem rem nostram
sicut supra diximus,
quantum
in vita nostra possidentesfuimus
au-rum argcntum
paliei superlectilessirgo veslibus prcciosis
Equus Mulus Equas
Boves Vaccas pecco- laminuta
velpiemiscua
et cjuan- timiadbuc
ciunDei
adjutoiio au-gmcntare potuerinms
in vita nos- tra post parte ipsius Monasteriisit
traditum
atcpieconcessum
ut adservorum
vel ancillarum Deiadvenam
pupillum j)auperembospitem
etperegrinum
vel quiibi in vita Sancta perseveraverint babeant et possideant sicut nos docet
Lex
et PropbetaVovete
et reddileDomino Deo
vestroEt
iterumquod
demanu
tua acce-pimus dedimus
tibi quia peregri- ni et hospitessumus
super ter-ram. Quia
dicit in libroJudicum
ubi decit liber quartus et secun- dus talis sentencia nonadecima
ut qui íiliosnou
reliquerit facien- di de rebus suisquod
voluerit babeat potestatem.Omnis
ingen-tus atque femina sive nobilis seu inferior qui (ilios vel nepotes aut proncpotes
non
reliípierint fucicn- di de rebus suis quicquid volue- lint indubitantcr licentiam babe- bit nec aliis quibus libet proxi-mis
ex superiori et vel ex trans- verso venientibus poterint ordina- lio ejus inquocumque
convelli quia recta linea deciurensnon
liabct originem
que cum
succes- sione nalure liereditatc possit ac- ci[)ereExin
testamentoautem
juxta
Icguum
ordinedebitam
sibibereditatem potuerint jure sueccs- sione