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Arq. Bras. Oftalmol. vol.72 número5

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Academic year: 2018

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Arq Bras Oftalmol. 2009;72(5):583 Se tivesse que citar uma condição significativa e marcante

destes dez anos em que tive a honra de servir aos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia como seu Editor-Chefe, mencio-naria que, além da contribuição fundamental e indispensável dos colaboradores da revista - Co-Editores, Editores Associa-dos, Conselheiros Editoriais (funcionais e “ad hoc”), pessoal de apoio logístico, sem os quais nada poderia ter sido feito - o que se sobressaiu foi a sensação de liberdade de ação... De fato, além da independência editorial, cuja gerência subordinou-se (confiada pelo Regimento do C.B.O.), a um órgão relativa-mente independente de políticas institucionais, o Conselho Administrativo dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, chamou-me a atenção o fato de que nunca, e repito, nunca

houve sequer uma única vez em que fui abordado para “dimi-nuir custos”, “restringir o volume das publicações”, “equili-brar orçamentos”, ou coisas que tais. Numa cultura em que o lucro é o grão-senhor das corporações e numa sociedade em que as preocupações sobre economia e finanças subjugam mentes e corpos, é deveras curioso que esse assunto jamais viesse a ser discutido. Aliás, e ao contrário, convém registrar que oportunidades de maiores gastos com a publicação da revista chegaram a ser oferecidas (por exemplo, a de publicação integral dos artigos tanto em português quanto em inglês).

É verdade que todo o fluxo de caixa da revista, recebimentos e despesas, cabe à Tesouraria do C.B.O. e é bem compreensível que possa haver uma “liberdade vigiada”, deixada de se trans-formar em controle estrito por não ocorrerem abusos com a “carta branca” então usufruída (ainda que não formalmente outorgada). De qualquer modo - e muito longe do que se possa pensar como irresponsabilidade de direção - o que permeou esse elegantíssimo silêncio por parte das Diretorias do C.B.O. sempre foi uma atitude de respeito e confiança que, sobretu-do, dignifica a revista. Assim, apesar de toda a subordinação econômica ao C.B.O., as publicações de nossa revista nunca foram vitimadas pela cultura de que quem financia impõe seus mandos.

Sobre a contabilidade da revista

EDITORIAL

Harley E. A. Bicas

E o que ganha o C.B.O. ao sustentar sua revista científica? De um ponto de vista ainda puramente financeiro, nada. Aliás, o balanço contábil da revista é negativo. Claro, por outro lado, que pela distribuição gratuita da revista aos seus membros associados, poder-se-ia supor que o C.B.O. deixe embutido, na cobrança das respectivas anuidades, uma parte de seus cus-tos. E uma vez que esses valores fossem computados, talvez se chegasse a reverter o resultado da contabilização, desse modo transformado em positivo. Por outro lado, se os exem-plares não fossem assim distribuídos é bem possível que as assinaturas da revista caíssem muito e aí, sim, o C.B.O. teria desembolsos para manter a continuidade da publicação (de-terminada como uma das finalidades estatutárias da institui-ção). Ou seja, por uma análise, ou por outra, a sustentação da revista caberia aos membros associados do C.B.O. e o resulta-do, portanto, seria praticamente idêntico.

Mas é inegável, e acima de qualquer eventual polêmica, a conveniência da existência de nossa revista para a Oftalmologia brasileira e, por consequência, para o Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Desse modo, mesmo que se lhe admita um valor contábil negativo (o que, como visto, pode ser objeto de discus-são, dada a relatividade como a distribuição dos exemplares é feita aos associados), essa figura não pode ser tomada como “despesa”, mas sim como investimento. Uma boa analogia,

pa-rece-me, é a dos gastos realizados com os estudos de um filho, com os de seus aperfeiçoamentos, com suas aquisições de capa-citações, com suas potenciações de “ganhos” futuros: Ainda que saiam do bolso e custem, isso são despesas ou investimentos? Entretanto, mesmo como investimento, a necessária visão com que se deve contemplar os Arquivos Brasileiros de Oftal-mologia, a carinhosa atitude e comportamento das Diretorias que dirigem a Oftalmologia brasileira e seus destinos para com a revista honraram e honram sua administração.

Referências

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