UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE ESCOLA DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE DESENHO TÉCNICO CURSO DE GRADUAÇÃO EM DESENHO INDUSTRIAL
1
Virginia Ballesteros de Aguiar
BANCO MODULAR
Niterói 2018
Virginia Ballesteros de Aguiar
BANCO MODULAR
Orientador Acadêmico Prof. Dra. Liliane Iten Chaves
Niterói 2018/1
Trabalho de conclusão de curso apresentado em 29 de junho de 2018, como requisito parcial para a obtenção do grau de bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal Fluminense.
Virginia Ballesteros de Aguiar
BANCO MODULAR
Trabalho de conclusão de curso apresentado em 29 de Junho de 2018, como requisito parcial para a obtenção do grau de bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal Fluminense.
Trabalho aprovado em _____ de __________ de _____.
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dra. Liliane Iten Chaves (Orientador Acadêmico) Universidade Federal Fluminense
Prof. Dr. Giuseppe Amado de Oliveira (Avaliador) Universidade Federal Fluminense
Prof. Dr. Marcos Viana de Quadros Bittencourt (Avaliador) Universidade Federal Fluminense
Dedico este trabalho a todos os meus amigos Cachorrosbife. Sem eles, teria andado só na faculdade.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente à minha mãe, Domitila Ballesteros, por mais que nos desentendamos aqui e ali ela sempre me empurrou, como diria ela, "tal qual um piano ladeira acima"; sem ela eu não teria chegado aqui. Agradeço a Claudio Ballesteros, meu irmão, que me ajudou com revisões e risadas no momento certo. Agradeço Pedro Vieira de Pol por todo amor e compreensão que me deu nesse periodo de estresse, e também pela ajuda na construção do projeto. Agradeço a todos do grupo Cachorrosbife, amigos incríveis que eu fiz na faculdade, por todo o apoio que sempre dão; cada brincadeira deles me faz abrir um grande sorriso, deixando a vida mais leve e fácil. Maria Clara Campello e Fernando Domingos, por sempre me ajudar com detalhes do relatório. Por sempre estar comigo em todos os momentos, sempre se disponibilizando caso preciso, Andressa Kranen, Julia Rangel e Samara Coimbra, mulheres incríveis que entraram na minha vida no primeiro semestre de 2013. Agradeço a turma de Desenho Industrial da UFF, do Semestre 2013.1. Agradeço a minha Orientadora Liliane Iten Chaves, que me norteou e me inspirou nesse semestre. Não cabe no coração o quão grata sou a cada um que me ajudou, direta ou indiretamente. Agradeço a todos que de alguma forma me ajudaram nesse período.
RESUMO
BALLESTEROS DE AGUIAR, Virginia. Banco Modular. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2018. (Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação.) Com o passar dos anos a diminuição dos imóveis vem se mostrando uma tendência do mercado imobiliário, que é resultante de alguns fatores como crescimento populacional e o rápido crescimento das cidades. Com esse cenário, o mercado procura soluções para melhor aproveitamento de espaço nessas residências.
Nesse trabalho é analisado então o contexto do imóvel brasileiro e também a pesquisa de similares no mercado, sondando características positivas e materiais usados para chegar a uma solução interessante a atual conjuntura. Após as análises, baseando-se em estudos aplicados ao design, o produto desenvolvido foi um banco modular, que tem espaço para até três pessoas, otimizando o espaço na residência reduzida.
ABSTRACT
BALLESTEROS, Virginia. Banco Modular. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2018. (Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação.) Over the years, the shrinkage of properties shows as a trend in real estate market, which is resultant from factors such as population growth, and the quick development of cities. With this current scenario, the market looks for solutions to better use the space in those domiciles.
In this work it is analysed the background of Brazilian real estate and also studies similar products in the industry, gauging positive aspects and used materials to reach an interesting solution in the present time.
After the analysis, basing this work in design studies, the result was a modular stool that has seats up to three people, not taking much space in the
inhabitancy when not needed.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 Trono de Dagoberto ... 15
Figura 2 Problema ao sentar e levantar-se do chão ... 20
Figura 3 Usuários sentados em lugares impróprios, com risco de acidentes 21 Figura 4 Problema com o espaço na residência ... 22
Figura 5. Cubista com todos seus bancos guardados ... 23
Figura 6. Cubista com seus bancos separados em 4 ... 24
Figura 7. Todos os cinco bancos separados e outro Cubista fechado ... 24
Figura 8. ZIG+ZAG como banco e empilhado, como mesa ... 25
Figura 9 Como o banco 60 fica empilhado ... 25
Figura 10 Diferentes cores do banco ... 25
Figura 11 Disposições em que a Cadeira Guarda pode assumir ... 26
Figura 12 Detalhe de como uma cadeira encaixa na outra ... 27
Figura 13 Ludovico Office em seu tamanho reduzido e com mesa e cadeira a mostra ... 28
Figura 14 As duas mesas juntas, criando uma mesa maior e as quatro cadeiras. Ao fundo, a estante. ... 29
Figura 15 Outra possibilidade de arrumação da estante, com mesas e cadeiras guardadas. ... 29
Figura 16 Cadeira em uso, aberta ... 30
Figura 17 Cadeira fora de uso, fechada ... 30
Figura 18 Opções de uso do móvel. (Da esquerda para direita: Como mesinha, apoio de pés e como bandeja) ... 31
Figura 19 Outra opção de uso do móvel, como banco. ... 31
Figura 20 Alternativa 1. ... 33
Figura 21 Alternativa 2. ... 34
Figura 22 Alternativa 2 com todos seus bancos recolhidos. ... 35
Figura 23 Alternativa 2 com todos os seus bancos separados. ... 35
Figura 25 Banco interno com esquema de cores para mostrar onde não seria possível sentar – Verde para área onde sentar-se não tiraria a tampa da base, Laranja para onde era possível sentar, mas levantaria a base
levemente e Vermelho para onde a tampa sairia quase completamente se o
usuário apoiasse seu peso. ... 36
Figura 26 Para pegar os bancos internos, o usuário retira a tampa ... 37
Figura 27 Usuário retira bancos internos puxando para cima, e depois os separa ... 37
Figura 28 As marcações vermelhas mostram quais madeiras foram removidas ... 38
Figura 29 Como os bancos entrariam ... 38
Figura 30 Vista lateral do banco. As cores apresentadas não são referentes à cor real do banco, e sim para melhor demonstrar cada banco. ... 39
Figura 31 O banco principal fica com 3 furos, os internos, com dois ... 39
Figura 32 Solução completamente desenvolvida... 40
Figura 33 Como os bancos saem de dentro do banco principal. ... 40
Figura 34 Banco principal. ... 41
Figura 35 Como são as estruturas de pinus. ... 41
Figura 36 Como são as estruturas de pinus do segundo banco. ... 41
Figura 37 Segundo banco. ... 41
Figura 38 Terceiro banco ... 42
Figura 39 Estrutura de pinus do terceiro banco ... 42
Figura 40 Vista lateral sentada do maior homem e menor mulher, no banco principal ... 44
Figura 41 Vista lateral sentada do maior homem e menor mulher, no(s) banco(s) internos ... 45
Figura 42 Vista Lateral do maior homem e menor mulher abaixando-se para retirar um dos bancos internos do banco principal... 45
Figura 43 O mockup com todos os bancos guardados ... 46
Figura 45 Protótipo Montado ... 48
Figura 46 Teste do protótipo com Usuário ... 48
Figura 47 Usuário retira os bancos internos ... 48
Figura 48 Usuário senta e testa todos os bancos ... 49
Figura 49 Sarrafos de pinus cortados ... 50
Figura 50 Chapa de compensado cortada à laser ... 50
Figura 51 Uma das peças após aplicação de fundo nivelador, massa de madeira e tinta spray. ... 51
Figura 52 Aplicação de fundo nivelador de madeira nas peças que receberão tinta. ... 51
Figura 53 Vista frontal do banco fechado ... 53
Figura 54 Vista lateral do banco fechado ... 53
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
UFF Universidade Federal Fluminense
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO... 14
1. JUSTIFICATIVA ... 17
1.1. Diminuição no tamanho do imóvel ... 17
1.2. Qualidade de vida ... 18
1.3. Crescimento Populacional ... 19
1.4. Público Alvo ... 19
2. APRECIAÇÃO E PARECER ERGONÔMICO... 20
2.1. Problematização Ergonômica ... 20
3. ANÁLISES ... 23
3.1. Levantamento de Similares Diretos ... 23
3.1.1. Cubista ... 23
3.1.2. ZIG+ZAG ... 24
3.1.3. Banco 60 ... 25
3.1.4. Cadeira Guarda ... 26
3.1.5. Twin Chair ... 27
3.2. Levantamento de Similares Indiretos ... 28
3.2.1. Ludovico Office ... 28
3.2.2. Mesa, Cadeiras e Estante ... 29
3.2.3. Cadeira Dobrável de Parede ... 30
3.2.4. Mister T Coffee Table ... 31
4. SÍNTESE ... 32 4.1. Modelagem Verbal ... 32 4.2. Requisitos e Restrições ... 32 5. GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS ... 33 5.1. Alternativa 1 ... 33 5.2. Alternativa 2 ... 34
5.3. Alternativa Escolhida ... 35 6. DESENVOLVIMENTO DA SOLUÇÃO ... 36 6.1. Características Técnicas ... 43 7. ANÁLISE ANTROPOMÉTRICA ... 44 8. MOCKUP ... 46 9. PROTÓTIPO... 48 10. PROTÓTIPO FINAL ... 50 11. CONCLUSÃO ... 54 12. DESENHO TÉCNICO ... 55 REFERÊNCIAS ... 74
14 INTRODUÇÃO
Dentre tantos móveis diferentes que temos em casa, é possível dividí-los por funções. Deitar, sentar, armazenar, apoiar, decorar dentre outros. Quando um indivíduo mora sozinho, não sente necessidade de ter muitos locais para sentar; no quarto, às vezes, só a cama já cumpre essa função. Passamos muito tempo sentados, e só percebemos isso quando temos algum problema que nos impede ou nos incomoda ao sentar.
No Egito, no período entre 2700 – 2200 A.C., o interior das casas variavam muito de acordo com a properidade econômica e social de seus donos. As casas de trabalhadores possuíam pouca ou nenhuma mobília. Talvez algumas casas tivessem bancos de três apoios, mas o mais comum entre essas casas eram bancos feitos de barro e tapetes para dormir.
Na Idade Média, o mobiliário como símbolo de status continua. De um lado, tronos imponentes de pedra, metal ou madeira, Do outro, o banco em X – ou banco dobrável – foi a mais popular e indispensável forma de sentar – era confortável, leve e fácil de carregar (OATES, 1993). Sua praticidade não ficava apenas para camadas mais simples de população. Para ficar mais pomposo e digno de reis, era comum alterações em sua simples forma, adicionando almofadas e detalhes em sua estrutura. O Trono de Dagoberto, que pertenceu a Dagoberto I, rei dos francos, segue a ideia do banco dobrável. Sua estrutura tem painéis decorados, com gatos selvagens esculpidos em suas pernas – uma demonstração de alteração para deixar o banco mais digno.
15 Figura 1 Trono de Dagoberto
Fonte: https://www.wdl.org (2018)
Cada período da história houve diferentes móveis, diferentes bancos. Para poder entender os diferentes estilos e tipos de móvel, é necessário entender o contexto histórico em que estes estão inseridos.
Em 2014 foi analisado que a área dos imóveis chegava a 29% nos últimos dez anos (TAVARES, 2014). Vários estudos apontam diversas causas, como a influência das mudanças na formação familiar tradicional (pai, mãe e filhos) sobre o imóvel residencial, criando novas demandas de moradia (TASCHNER, 1997). O aumento do preço do metro quadrado também fez com que construtoras diminuíssem o tamanho das unidades, para que o preço adeque-se aos compradores.
Além dessa alteração, muitos acabam por ir morar sozinhos e optam por espaços menores, pela diminuição do preço do aluguel ou venda. Segundo dados do IBGE, de 2001 a 2009, famílias unipessoais em domicílios subiu de 9,2% a 11,5%, junto com a família de casal sem filhos, de 13,8% a 17,4%. O número de casal com filhos em residencias diminuiu (53,3% a 47,3%), nesse período.
16 Com essa mudança no mercado imobiliário, aumenta-se a demanda por móveis que se ajustem à moradias cada vez menores. O design modular, que se constitui de módulos, substituíveis ou não, que formam um produto e, dependendo do nível de modularidade, podendo até formar diversos produtos diferentes (PRADO FILHO, 2016), é uma das alternativas para estes espaços. Com um mobiliário modular é possível otimizar o espaço, contribuindo na organização do ambiente.
Com isso, esse projeto propõe-se a analisar o contexto histórico atual, compreender a diminuição dos ambientes brasileiros, analisar similares diretos e indiretos para entender o que já está no mercado, para, então, desenvolver um projeto que atenda às demandas do mercado brasileiro.
17 1. JUSTIFICATIVA
1.1. Diminuição no tamanho do imóvel
O imóvel e sua produção é regida por necessidades sociais e culturais, ou seja, a construção do espaço arquitetônico varia junto com as mudanças no cenário brasileiro. A moradia é local de realização de diversas atividades tais como abrigo, alimentação, educação, trabalho, repouso, religião, lazer, sexo (VERÍSSIMO E BITTAR, 1999). A casa é um espelho da família e da sociedade em que faz parte.
Na década de 70 e no início dos anos 80, o rápido crescimento das cidades, a especulação imobiliária e a necessidade de construir mais reduz cada vez mais as áreas utilizadas, a medida que aumentam suas funções. Para vários, o quarto passa a virar sala de visitas, escritório, local de trabalho, sala de estudos e, claro, lugar para descanso.
Lançado em março de 2009, o programa Minha Casa Minha Vida tem como meta construir moradias para famílias que ganham até 10 salários mínimos. Seus imóveis são construídos por empresas contratadas pela Caixa, e, para garantir a qualidade das moradias, a Secretaria Municipal de Habitação tem um caderno de encargos com recomendações para construção de habitações sustentáveis.
Esse programa possibilita a aquisição da casa própria, já que o valor das prestações é compatibilizado com a capacidade de renda da famíliaSeu limite do valor do imóvel depende também do local. Em lugares considerados metrópoles chega a 225 mil reais, já em municípios com população entre 20 e 50 mil habitantes, 95 mil reais. O tamanho das residências não é grande, podendo variar de 45 metros a 68 metros quadrados, dependendo da região.
Com essa diminuição do espaço útil e seu aumento inversamente proporcional das atividades realizadas em um cômodo, cria uma necessidade de equilibrar os interiores, com novas propostas de design de móveis. O
18 mobiliário precisa economizar espaço, para que o cômodo seja agradável ao usuário, mas mantendo sua funcionalidade.
1.2. Qualidade de vida
De acordo com NAHAS et al. (2011), o bem-estar pode ser avaliado de acordo com um pentáculo, seus componentes sendo Nutrição, Stress, Atividade Física, Comportamento Preventivo e Relacionamentos. Já RESCHER (1969) divide a qualidade de vida em mais de 20 tópicos, dentre eles Amizade e Ambiente agradável.
Há muitos estudos sobre amizades e sua influência na infância, porém não devemos esquecer da vida adulta. Schulman (1975) aponta que pessoas buscam relacionamentos motivadas por necessidades e preocupações relativas a cada estágio da vida.
Amizades adultas caracterizam-se por homogeneidade de traços de personalidade, interesses, sexo, idade, estado civil, religião, status ocupacional, etnia, renda, escolaridade, gênero, número de amigos, duração da amizade e tipos. A maioria das pesquisas aborda adultos jovens, geralmente estudantes universitários entre 18 e 30 anos. Esta tendência não decorre apenas da facilidade para coletar dados nas universidades, mas também do fato de que, nesta etapa, as amizades são mais evidentes. Na adolescência a amizade amadurece, passa a envolver confiança, lealdade e intimidade. Na adultez jovem, torna-se mais importante no contraste com o restante da vida adulta, que a restringe com demandas profissionais, românticas e familiares. (SOUZA, 2006)
Devido à diminuição de imóveis e também baixa renda de algumas pessoas, alguns pensam que lidar com o pequeno espaço significa não ter muitas opções quanto à moveis, não ficando satisfeitos com seu ambiente final. Essa insatisfação, além de diminuir a qualidade de vida, pode reduzir a frequência em que o usuário chame pessoas à sua residência, podendo diminuir sua qualidade de vida.
19 1.3. Crescimento Populacional
Nos últimos anos houve um crescimento populacional nas grandes cidades, e, junto com isso, aumento nas buscas por moradias nas mesmas, fazendo com que a demanda por metro quadrado aumentasse. Com isso, a oferta de espaço acaba diminuindo, levando a aumento de preços e procura por residências menores.
Essa aglomeração, junto com diminuição da oferta do metro quadrado e com residências cada vez menores abre espaço para móveis que apresentem praticidade no dia-a-dia “apertado” de quem mora em imóveis pequenos. Alguns procuram por móveis planejados, mas nem sempre é uma opção viável para todos. Os preços são mais altos, já que o trabalho para a projetação de um móvel desses é maior de que um móvel pronto, feito em larga escala por alguma empresa.
Cria-se uma abertura para desenvolvimento de produtos que atendam às necessidades de residentes em áreas menores. Móveis que atendam não somente à uma residência, como os móveis planejados, que sirvam para mais de um usuário.
1.4. Público Alvo
O público-alvo serão adultos que moram em residências pequenas, que costumam ter os amigos ou parentes visitando. Porém o produto não se limita apenas a essas pessoas, pois a proposta é criar um produto que provenha mais de um lugar para sentar, sem que desperdice espaço no chão da casa.
20 2. APRECIAÇÃO E PARECER ERGONÔMICO
2.1. Problematização Ergonômica
Na falta de lugares próprios para sentar, o usuário tem algumas opções não muito favoráveis. Na figura 2, a usuária senta-se no chão, porém tem dificuldade para se levantar. Além desse problema, há o contato com sujeiras do chão, sendo um problema Químico Ambiental.
Figura 2 Problema ao sentar e levantar-se do chão Fonte: Autora (2017)
Na figura 3, mostra outras opções para o usuário que não quer sentar-se no chão. Uma delas é dividir o assentar-sento com alguém, o que, além de provocar desconforto, pode causar acidentes caso o móvel não aguente.
21 Outra opção, em alguns casos, é sentar-se no braço do sofá, que em alguns casos não é um local próprio para sentar; podendo ser um futuro problema acidentário.
Figura 3 Usuários sentados em lugares impróprios, com risco de acidentes Fonte: Autora (2017)
22 No ambiente reduzido, há o problema Espacial-Arquitetural. Como mostrado na figura quatro, não é possível ter muitos móveis sem que atrapalhe o usuário em seu dia a dia.
Figura 4 Problema com o espaço na residência Fonte: Autora (2017)
23 3. ANÁLISES
3.1. Levantamento de Similares Diretos 3.1.1. Cubista
Da empresa Resource Furniture, esse pequeno otomano se expande para 5 bancos individuais, de 45cm de altura cada. O projeto tem a intenção de economizar espaço e, diferente de cadeiras empilháveis ou dobráveis, quando fora de uso não precisa ser escondido devido à sua estética.
Sua estrutura feita de aço soldado proporciona um peso mais leve, facilitando na montagem quando tirando ou guardando os bancos. O Cubista tem outras opções de cor, desde liso a com estampas.
Figura 5. Cubista com todos seus bancos guardados Fonte: www.havesome.com (2018)
24 Figura 6. Cubista com seus bancos separados em 4
Fonte: www.havesome.com (2018)
Figura 7. Todos os cinco bancos separados e outro Cubista fechado Fonte: www.resourcefurniture.com (2018)
3.1.2. ZIG+ZAG
ZIG+ZAG é um banco multifuncional de 2013 de Sakura Adachi. Os dois bancos identicos de madeira maciça podem ser empilhados para criar uma pequena mesa. É um produto flexível podendo responder a diferentes situações.
25 Figura 8. ZIG+ZAG como banco e empilhado, como mesa
Fonte: www.sakurah.nethttp://www.resourcefurniture.com/ (2018)
3.1.3. Banco 60
O Banco 60 é do designer Alvar Aalto. Feito de madeira bétula, este banco de três pernas é empilhável e tem diferentes opções de cores. Tem 44cm de altura.
Figura 10 Diferentes cores do banco
26 3.1.4. Cadeira Guarda
A cadeira guarda foi criada pelo designer Alberto Villarreal, inspirada no espaço vazio que objetos geram. O espaço de uma cadeira é utilizado para guardar outra cadeira, e, quando ambos elementos estão em uso, coisas pequenas podem ser guardadas na primeira cadeira, como jornais, livros e outros. Para facilitar a reciclagem, usa apenas um material por elemento, sendo uma cadeira de chapa de metal e, a outra, de madeira virola.
Figura 11 Disposições em que a Cadeira Guarda pode assumir Fonte: www.plataformaarquitectura.clhttp://www.stylepark.com/ (2018)
27 3.1.5. Twin Chair
Aparentemente uma cadeira comum, as cadeiras do designer Philippe Nigro. A ideia é parecida com a de cadeiras empilháveis, porém sem comprometer muito a estética, já que a cadeira do topo se acopla perfeitamente com a de baixo.
Figura 12 Detalhe de como uma cadeira encaixa na outra Fonte: www.homedit.com (2018)
28 3.2. Levantamento de Similares Indiretos
3.2.1. Ludovico Office
Ludovico Office é um pequeno escritório compacto, que inclui uma cadeira que se acomoda dentro do móvel e uma mesa que se desdobra da lateral, além de duas gavetas e um local para arquivos.
Figura 13 Ludovico Office em seu tamanho reduzido e com mesa e cadeira a mostra Fonte: www.behance.net (2018)
29 3.2.2. Mesa, Cadeiras e Estante
Essa estante criada por Orla Reynolds possui quatro cadeiras e duas mesas coloridas que cabem dentro dela. Além disso, esse móvel pode ser arrumado de diversas maneiras, criando diversos ambientes para agradar o usuário da maneira em que ele quiser.
Figura 14 As duas mesas juntas, criando uma mesa maior e as quatro cadeiras. Ao fundo, a estante.
Fonte: www.designrulz.com (2018)
Figura 15 Outra possibilidade de arrumação da estante, com mesas e cadeiras guardadas.
30 3.2.3. Cadeira Dobrável de Parede
Essa cadeira escandinava é presa na parede, ideal para espaços pequenos como corredores, banheiros ou outro cômodo. Pode ser dobrada quando não em uso, diminuindo a área ocupada ou aberta quando necessário, sem muito esforço. A altura de seu assento é de 45cm.
Figura 17 Cadeira fora de uso, fechada
Fonte: www.nordichouse.co.uk (2018)
Figura 16 Cadeira em uso, aberta
31 3.2.4. Mister T Coffee Table
Mister T é uma combinação de uma cesta, bandeja e duas almofadas criada por Antoine Lesur. A cesta guarda duas almofadas, podendo ser usadas separadamente ou como um banquinhos. Seu topo pode servir de bandeja ou como mesa, se acoplado na cesta. Seu tamanho baixo (30cm) permite que seja usada como apoio de pés também.
Figura 18 Opções de uso do móvel. (Da esquerda para direita: Como mesinha, apoio de pés e como bandeja)
Fonte: www.goodshomedesign.com (2018)
Figura 19 Outra opção de uso do móvel, como banco. Fonte: www.goodshomedesign.com (2018)
32 4. SÍNTESE
4.1. Modelagem Verbal
Para geração de alternativas deve ser considerado o material usado e seu desenho. Na escolha do material, deve-se atentar às propriedades do mesmo. As alternativas serão desenvolvidas seguindo seus requisitos e respeitando as restrições.
4.2. Requisitos e Restrições Requisitos:
- Versatilidade, oferecendo mais de duas possibilidades de uso; - Praticidade e facilidade de manuseio;
- Fácil Limpeza;
- Material resistente leve para facilitar no transporte; - Confortável antropometricamente
Restrições:
33 5. GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS 5.1. Alternativa 1 Figura 20 Alternativa 1. Fonte: Autora (2017)
A primeira alternativa é um cubo com quatro lados, de madeira e estofado. Quando fechado pode ser usado por uma só pessoa, e quando aberto, extende-se no chão, com a parte estofada para cima, dando espaço para mais três pessoas.
34 5.2. Alternativa 2
Figura 21 Alternativa 2. Fonte: Autora (2017)
A segunda alternativa é também um cubo, de madeira. São três bancos no total, o principal, com a coluna no meio, com a tampa removível. A tampa sai para que seja possível retirar os outros dois bancos de dentro. Pode ser usado por só uma pessoa ou por três pessoas ao mesmo tempo.
35 5.3. Alternativa Escolhida
A alternativa escolhida foi a segunda alternativa, pois, apesar de não ter espaço para quatro pessoas, como na primeira alternativa, esta não faz com que o usuário tenha que sentar no chão, o que pode ser um empecilho para muitos. A alternativa também permite que o usuário possa organizar melhor o espaço como desejado, enquanto, a primeira, apenas de uma forma.
Figura 22 Alternativa 2 com todos seus bancos recolhidos. Fonte: Autora (2017)
Figura 23 Alternativa 2 com todos os seus bancos separados. Fonte: Autora (2017)
36 6. DESENVOLVIMENTO DA SOLUÇÃO
A alternativa escolhida foi desenvolvida no segundo semestre de 2017, na disciplina de Projeto 7. Utilizou-se compensado de 10mm para o banco principal e compensado de 20mm para os bancos internos. Para estrutura dos bancos internos foram acrescentadas ripas de madeira pinus para evitar que os bancos ficassem bambos.
Figura 24 Bancos internos com suas estruturas Fonte: Autora. (2017)
O banco principal apresentou problemas de estabilidade. Como o assento possuía apenas uma haste central para sustendo, o usuário poderia desequilibrar o banco, caso se sentasse em suas bordas, diminuindo sua área usável
Figura 25 Banco interno com esquema de cores para mostrar onde não seria possível sentar – Verde para área onde sentar-se não tiraria a tampa da base, Laranja para onde era possível sentar, mas levantaria a base levemente e Vermelho
para onde a tampa sairia quase completamente se o usuário apoiasse seu peso. Fonte: Autora. (2018)
37 Outro problema analisado foi que o banco não era intuitivo. O usuário ao olhar o produto pela primeira vez não saberia como tirar os bancos de dentro – talvez nem saberia que existiam bancos dentro.
Figura 26 Para pegar os bancos internos, o usuário retira a tampa Fonte: Autora. (2017)
Figura 27 Usuário retira bancos internos puxando para cima, e depois os separa Fonte: Autora (2017)
38 A partir da análise dos problemas do banco foi possível desenvolvê-lo melhor ao longo do segundo semestre de 2018. Para resolver o problema da tampa, ela foi erradicada. Ou seja, ela não mais sairia e seria fixa no banco. Mas para fazer isso foi preciso remover 4 ripas da parte superior e inferior do banco, para que os bancos internos pudessem entrar.
Figura 28 As marcações vermelhas mostram quais madeiras foram removidas Fonte: Autora (2018)
Figura 29 Como os bancos entrariam Fonte: Autora (2018)
39 Figura 30 Vista lateral do banco. As cores apresentadas não são referentes à cor
real do banco, e sim para melhor demonstrar cada banco. Fonte: Autora (2018)
Após essas mudanças, o objetivo agora seria fazer o banco mais agradável esteticamente. O banco principal não se comunicava tão bem com os bancos internos; eram muito distintos e não pareciam ser parte do mesmo projeto. A solução então, foi retirar a coluna do banco principal e trocar pelas laterais. Para manter diminuir o peso, foi decidido fazer furos no banco, e aproveitando, criar uma identidade visual do banco.
Após a geração de alternativas a 4ª foi escolhida por ser a melhor esteticamente e ser mais intuitiva para o usuário na hora de retirar os bancos.
Figura 31 O banco principal fica com 3 furos, os internos, com dois Fonte: Autora. (2018)
40 Para ajudar na pega do usuário, mais dois furos foram acrescentados em cada assento dos bancos internos. Foi decidido que as laterais do banco principal e assento dos bancos internos seriam pintados, da mesma cor. A cor escolhida para o produto final foi amarela, porém, para produção, mais opções da cor podem ser usadas
Figura 32 Solução completamente desenvolvida Fonte: Autora (2018)
Figura 33 Como os bancos saem de dentro do banco principal. Fonte: Autora (2018)
41 O banco principal será um cubo de quatro lados, com suas duas
laterais com furos e pintada. Será de compensado, com pinus por dentro para compor a estrutura. Suas dimensões são de 410 x 410 x 440mm.
O segundo banco também será de compensado com estruturas de
madeira pinus. Suas laterais também terão furos, porém não serão pintadas, apenas seu assento será. Suas dimensões são de 410 x 410 x 390mm.
Figura 35 Como são as estruturas de pinus. Figura 34 Banco principal.
Figura 37 Segundo banco. Fonte: Autora (2018)
Figura 36 Como são as estruturas de pinus do segundo banco.
Fonte: Autora (2018) Fonte: Autora 2018) Fonte: Autora (2018)
42 O terceiro banco será muito parecido com o segundo. A diferença é que nas pernas terão sulcos para que se encaixem nas estruturas de pinus do segundo banco. Suas dimensões são de 410 x 410 x 390mm
Figura 38 Terceiro banco Figura 39 Estrutura de pinus do terceiro banco
Fonte: Autora (2018)
43 6.1. Características Técnicas
Dimensões: Banco principal: 410 x 410 x 440mm. Bancos internos: 410 x 410 x 395mm. Materiais: Os materiais escolhidos para o produto são
compensado, pinus e parafusos. O compensado será de 15mm, irá compor o assento e pés do banco. A madeira pinus servirá de estrutura para o banco. Produção: As peças de compensado serão cortadas por uma máquina CNC a laser, as de pinus serão cortadas com serra. A fixação dos materiais será feita com cola e parafusos. O móvel terá algumas partes pintadas, utilizando fundo nivelador de madeira, massa de madeira e tinta spray. O resto será envernizado.
44 7. ANÁLISE ANTROPOMÉTRICA
Considerando que os usuários serão brasileiros homens e mulheres, de 18 a 40 anos ou mais, de várias etnias, serão usados os manequins antropométricos da menor mulher (1%) e do maior homem (99%), com base no livro "As medidas do Homem e da Mulher - Fatores Humanos em Design" de Henry Dreyfuss Associates (2009). A validação foi feita utilizando manequins antropométricos.
Figura 40 Vista lateral sentada do maior homem e menor mulher, no banco principal Fonte: Autora (2018)
45 Figura 41 Vista lateral sentada do maior homem e menor mulher, no(s) banco(s)
internos Fonte: Autora (2018)
Figura 42 Vista Lateral do maior homem e menor mulher abaixando-se para retirar um dos bancos internos do banco principal
46 8. MOCKUP
Foi feito um mockup com isopor 10mm e papelão. O intuito deste foi verificar se os encaixes do banco estavam corretos e funcionariam devidamente, assim como para verificar se o tamanho das pegas eram o suficiente.
Figura 43 O mockup com todos os bancos guardados Fonte: Autora (2018)
47 Figura 44 Usuário testando a pega do produto
48 9. PROTÓTIPO
Após a projetação e montagem do mockup, é necessário um protótipo para testar a interação com o usuário e também analisar se algum defeito deve ser corrigido. O material usado para o protótipo, nesse caso, será o mesmo do protótipo final, apenas não atentando-se ao acabamento do móvel.
Figura 45 Protótipo Montado Fonte: Autora (2018)
Figura 46 Teste do protótipo com Usuário
Fonte: Autora (2018)
Figura 47 Usuário retira os bancos internos Fonte: Autora (2018)
49 Figura 48 Usuário senta e testa todos os bancos
Fonte: Autora (2018)
Após a montagem e os testes com usuário, foi identificada a
necessidade de alguns ajustes no projeto. As estruturas de pinus, devido ao corte, não tinham todas a mesma espessura, mostrando a necessidade de um melhor lixamento das peças para que estas fiquem no tamanho ideal. Percebeu-se também que a estrutura de pinus do banco principal atrapalha na pega dos bancos internos, ou seja, a estrutura deverá ser movida mais adentro do banco para que não atrapalhe o usuário.
50 10. PROTÓTIPO FINAL
O material usado para os assentos e laterais do banco foi Compensado de Virola de 15mm e a estrutura interna dos bancos de madeira pinus. A chapa de compensado foi cortada a laser para minimizar os erros no corte. A estrutura foi feita a partir de sarrafos de 3 metros de pinus, cortados para que cada um tivesse a largura e espessura de 20mm.
Figura 50 Chapa de compensado cortada à laser Figura 49 Sarrafos de pinus
cortados
51 As peças de compensado foram lixadas com uma lixadeira e logo depois aplicado seladora, para facilitar no futuro na construção do protótipo final. Algumas outras peças já receberam camadas de fundo nivelador de madeira, massa de madeira e tinta spray, para também facilitar no futuro.
Figura 52 Aplicação de fundo nivelador de madeira nas peças que
receberão tinta. Fonte: Autora (2018)
Figura 51 Uma das peças após aplicação de fundo nivelador, massa
de madeira e tinta spray. Fonte: Autora (2018)
52 Após aparafusar os assentos dos bancos internos, os furos dos
parafusos foram cobertos com massa de madeira e pintados, para manter uma estética mais limpa. Os furos do banco principal foram também cobertos com massa, mas da cor da madeira.
Figura 53 Fixados os suportes dos bancos em duas respectivas laterais
Figura 54 Depois dos suportes os assentos são posicionados e fixados Fonte: Autora (2018) Fonte: Autora (2018)
53 Figura 54 Vista lateral do banco
fechado
Figura 53 Vista frontal do banco fechado
Figura 55 Bancos separados
Fonte: Autora (2018) Fonte: Autora (2018)
54 11. CONCLUSÃO
O ambiente que nós vivemos nos influencia muito no dia a dia. Espaços muito lotados tendem a deixar o homem mais nervoso e ansioso, que está sempre em busca de um espaço mais confortável. Um dos motivos deste trabalho foi a diminuição dos imóveis brasileiros. Tendência que gera uma necessidade de móveis que se adequem a esses espaços.
Após pesquisas sobre essa tendência imobiliária e sobre alguns aspectos de qualidade de vida, foi observada a necessidade de móveis que se adequem a espaços reduzidos, para que o usuário não se sinta sufocado numa casa entulhada.
Além da questão do espaço, há a necessidade do ser humano por amizades. A proposta do banco desenvolvido é que o usuário possa organizar melhor seu espaço, para que não tenha constrangimentos na hora de chamar alguém para sua casa. Mesmo que não seja indispensável a visita, muitos sentem a necessidade de mostrar onde moram.
O desenvolvimento do protótipo foi um desafio, desde a compra do material até a sua confecção. Somente após pesquisa de métodos de finalização de madeira, finalmente foi escolhido uma finalização que agradasse.
Depois de toda a pesquisa, análise e trabalho manual, o banco modular saiu do papel para a realidade, e a aprovação de terceiros que acompanharam o desenvolver do banco trouxeram uma sensação de dever cumprido.
55 12. DESENHO TÉCNICO
74 REFERÊNCIAS
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https://www.bayerjovens.com.br/pt/colunas/coluna/?materia=crescimento-populacional-concentracao-urbana-e-meio-ambiente Acessado em: 23/04/2018
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Series, Histórias e Estatísticas, 2018.
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conceitual para avaliação do estilo de vida de indivíduos ou grupos. In: Revista
Brasileira de Atividade Física e Saúde, 2018.
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75 OATES, P. The Story of Western Furniture. Grã-Bretanha: The Herbert Press Limited, 1998.
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Mcgill e um estudo de diferenças de gênero. In: UFRGS Lume, 2018.
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/6086/000524836.pdf
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adultos. In: Scielo, 2018. http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a08v13n2