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Comodato e Mútuo. Fonte: Flávio Tartuce

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Academic year: 2021

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Comodato e Mútuo

Fonte: Flávio Tartuce

Inicialmente, cumpre fazer uma diferença entre os institutos. O comodato é o empréstimo de coisa infungível e inconsumível, onde a coisa emprestada deve ser devolvida ao final do contrato.

Por outro lado, o mútuo é empréstimo de coisa fungível e consumível, em que a coisa é consumida e desaparece, deve, portantanto, ser devolvida em outra da mesma espécie e quantidade.

O comodato é contrato ​unilateral​, ​benéfico e gratuito​, mediante a entrega de bem infungível, para ser utilizado por tempo determinado e devolvido ao final do mesmo. Pode ter como objeto bens móveis e imóveis, já que ambos podem ser insubstituíveis.

De acordo com as lições de TARTUCE:

O contrato é intuitu personae, baseado na fidúcia, na confiança do comodante em relação ao comodatário. Não exige sequer

forma escrita, sendo contrato não solene e informal​.

De acordo com o Código Civil, o comodato se perfaz com a tradição do objeto, o que denota a sua natureza ​real​. Neste sentido:

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“o comodato caracteriza-se como empréstimo gratuito da coisa móvel ou imóvel infungível. É o contrato pelo qual durante um tempo determinado uma pessoa empresta algo para ser utilizado por outro e depois devolvido. Não se exige a titularidade do bem, basta que as partes sejam capazes, como regra geral, e que o comodante tenha posse. É contrato não solene, não exigindo formalidade, conforme art. 579 do Código Civil, de forma que pode haver comodato verbal” (TJRS, Acórdão 017336010.2016.8.21.7000, Lajeado, 17.ª Câmara Cível, Rel.ª Des.ª Liege Puricelli Pires, j. 25.08.2016, DJERS 06.09.2016).

A doutrina majoritária entende ser possível a celebração de promessa de comodato, sendo uma hipótese de contrato preliminar. Importante também verificarmos o teor do Art. 580, Código Civil: “Os tutores, curadores e em geral todos os administradores de bens alheios ​não poderão dar em comodato, sem

autorização especial, os bens confiados à sua guarda​”.

Se o comodato não tiver prazo determinado, será entendido o necessário para o uso concedido. Sendo importante a leitura do Art. 581, CC que trata da situação: “Se o comodato não tiver prazo convencional, ​presumir-se-lhe-á o necessário para o uso concedido​; não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz, suspender o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou o que se determine pelo uso outorgado”.

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Vejamos as lições de TARTUCE:

“Ainda do art. 581 do CC podem ser retiradas algumas conclusões práticas. De início, quanto ao comodato com prazo determinado, findo esse, será devida a devolução da coisa, sob pena de ingresso da ação de reintegração de posse e sem prejuízo de outras consequências previstas em lei. Em casos tais, encerrado o prazo, ​haverá mora automática do devedor

(mora ex re) ​, nos termos do art. 397, caput, do CC. Aplica-se a máxima dies interpellat pro homine (o dia do vencimento interpela a pessoa)”.

É importante também verificarmos o teor do Art. 582, CC: “O comodatário é obrigado a conservar, como se sua própria fora, a coisa emprestada, não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob pena de responder por perdas e danos. O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante”.

Sobre o tema, o STJ definiu que trata-se de uma penalidade. Vejamos: “natureza desse aluguel é de uma ​autêntica pena privada​, e não de indenização pela ocupação indevida do imóvel emprestado. O objetivo central do aluguel não é transmudar o comodato em contrato de locação, mas sim coagir o comodatário a restituir o mais rapidamente possível a coisa emprestada, que indevidamente não foi devolvida no prazo legal”. Informativo 504, STJ.

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Se, correndo risco o objeto do comodato juntamente com outros do comodatário, antepuser este a salvação dos seus abandonando o do comodante, responderá pelo dano ocorrido, ainda que se possa atribuir a caso fortuito, ou força maior.

Vejamos o exemplo dado por Flávio Tartuce:

“Pablo empresta um cavalo puro sangue para Rodolfo, que o coloca em um estábulo junto com outro cavalo de sua propriedade, um pangaré. Um raio atinge o estábulo que começa a pegar fogo, colocando os animais em risco. Como tem um apreço muito grande pelo pangaré, Rodolfo resolve salvá-lo, deixando o puro sangue arder nas chamas. A consequência do caso em questão é a responsabilidade integral do comodatário (Rodolfo) em relação ao comodante (Pablo). A norma acaba penalizando a conduta do comodatário, sendo caso de responsabilização por eventos imprevisíveis e inevitáveis. Constitui, portanto, exceção à regra de que a parte não responde por tais ocorrências”.

Por fim, importante verificarmos o teor de mais dois artigos, que são cobrados literalmente em provas e são autoexplicativos:

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Art. 584. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada.

Art. 585. Se duas ou mais pessoas forem simultaneamente comodatárias de uma coisa, ficarão solidariamente responsáveis para com o comodante.

O mútuo é empréstimo de coisas fungíveis, unilateral e gratuito. A exceção fica por conta do mútuo oneroso; o mútuo somente pode envolver bens ​móveis​, pois somente estes podem ser fungíveis.

De acordo com as lições de Tartuce:

“Como a coisa é transferida a outrem e consumida, sendo devolvida outra de mesmo gênero, qualidade e quantidade, o contrato é translativo da propriedade, o que o aproxima da compra e venda somente neste ponto. Por transferir o domínio da coisa emprestada, por conta do mutuário correm todos os riscos da coisa desde a tradição (art. 587 do CC)”.

Outro artigo importante é o 588. Vejamos: “O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver, não pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores”.

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As exceções ao artigo acima são as seguintes: a) se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o empréstimo, o ratificar posteriormente; b) se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o empréstimo para os seus alimentos habituais; c) se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho. Mas, em tal caso, a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças; d) se o empréstimo reverteu em benefício do menor e e) se o menor obteve o empréstimo ​maliciosamente​.

Continuando o tema, temos o artigo 591, que dispõe: “Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual”.

Sobre o tema, leciona TARTUCE:

Lembre-se, ainda, que o STJ editou três súmulas a respeito do tema. A primeira, de número 382, enuncia que “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade”. Assim sendo, as entidades bancárias estão permitidas a cobrar as famosas taxas de mercado, além do limite estabelecido no art. 591 do CC. Por outro lado, de acordo com a Súmula 379, “Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês”. O entendimento da última súmula tem sido aplicado a empréstimo de dinheiro feito por empresas de factoring. Por fim, cabe destacar a Súmula 530, do ano de 2015, segundo a

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qual, “nos contratos bancários, na impossibilidade de comprovar a taxa de juros efetivamente contratada – por ausência de pactuação ou pela falta de juntada do instrumento aos autos –, aplica-se a taxa média de mercado, divulgada pelo Bacen, praticada nas operações da mesma espécie, salvo se a taxa cobrada for mais vantajosa para o devedor”.

Para finalizar, vejamos o que dispõe o Art. 592, CC:

Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será:

I - até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura;

II - de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro;

III - do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.

Questões sobre o tema:

1) ALE-GO (2019): “O empréstimo gratuito de bens infungíveis é denominado mútuo”. Falsa! Lembre que mútuo é de bens ​fungíveis​.

2) (CESPE - STJ) “A cobrança de juros capitalizados em contrato bancário de mútuo independe de expressa previsão contratual porque decorre da natureza da atividade realizada pela instituição financeira”. Falso! Vejamos a

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periodicidade (anual, semestral, mensal), somente será considerada válida se estiver expressamente pactuada no contrato. A pactuação da capitalização dos juros é sempre exigida, inclusive para a periodicidade anual. O art. 591 do Código Civil permite a capitalização anual, mas não determina a sua aplicação automaticamente. ​Não é possível a incidência da capitalização sem previsão no contrato​”. Informativo 599, STJ.

3) (TRE-BA) “Tratando-se de contrato de comodato, o comodatário pode recobrar do comodante as despesas feitas com a conservação da coisa emprestada”. Falso! Não pode recobrar (Art. 584, CC). Este artigo tem grande incidência em provas!

4) (TJ-PR Juiz) “Em contrato de comodato, jamais o comodatário poderá pleitear restituição ao comodante das despesas realizadas com o uso e gozo da coisa”. Correta!

5) Na prova da PGM-MT (2016/FCC), foram consideradas corretas as seguintes alternativas:

I. O comodato é contrato real, perfazendo-se com a tradição do objeto.

II. O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante.

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III. O comodatário responde pelo dano decorrente de caso fortuito ou força maior se, correndo risco o objeto do comodato, juntamente com os seus, antepuser a salvação destes, abandonando o do comodante.

Espero que tenha contribuído com o estudo de vocês! Atenciosamente,

Referências

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