DIREITO AMBIENTAL
Constituição Federal e Meio
Ambiente
Professora Marina Gadelha
Facisa – 2012.2
O direito ao meio ambiente
Art. 225 Todos têm
direito
ao
meio
ambiente
ecologicamente
equilibrado,
bem
de uso comum do
povo e essencial à
sadia qualidade de
vida,
impondo-se
ao Poder Público e
à coletividade o
dever de
defendê-lo e preservá-defendê-lo
para as presentes e
futuras gerações.
A
presença
do
pronome
indefinido
“todos” no caput do
art. 225 da CF indica
que o direito ao meio
ambiente é de cada
pessoa, mas não só
dela,
sendo
“transindividual”.
O direito ao meio
ambiente enquadra-se
na
categoria
de
interesse difuso, pois
não se esgota numa só
pessoa, mas espraia-se
para uma coletividade
indeterminada
.O direito ao meio ambiente
•
§1º - Para assegurar a efetividade desse direito,
incumbe ao Poder Público:
•
I - preservar e restaurar os processos ecológicos
essenciais e prover o manejo ecológico das
espécies e ecossistemas;
•
II - preservar a diversidade e a integridade do
patrimônio genético do País e fiscalizar as
entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de
material genético;
•
III - definir, em todas as unidades da Federação,
espaços territoriais e seus componentes a serem
especialmente protegidos, sendo a alteração e a
supressão permitidas somente através de lei,
vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua
proteção;
•
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma
da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de
espécies ou submetam os animais a crueldade.
O direito ao meio ambiente
§ 4º - A Floresta
Amazônica brasileira,
a Mata Atlântica, a
Serra
do
Mar,
o
Pantanal
Mato-Grossense e a Zona
Costeira
são
patrimônio nacional, e
sua utilização far-se-á,
na forma da lei, dentro
de
condições
que
assegurem
a
preservação do meio
ambiente,
inclusive
quanto ao uso dos
recursos naturais.
§ 5º - São indisponíveis
as terras devolutas ou
arrecadadas
pelos
Estados, por ações
discriminatórias,
necessárias à proteção
dos
ecossistemas
naturais.
O texto do caput do
art. 225 da CF é
antropocêntrico.
Nos parágrafos do
art. 225 equilibra-se
o antropocentrismo
com o biocentrismo
(ecocentrismo) (§§ 4º
e 5º e nos incisos I,
II, III e VII do § 1º).
O direito ao meio ambiente
Art. 225 Todos
têm
direito
ao
meio
ambiente
ecologicamente
equilibrado,
bem
de uso comum do
povo e essencial à
sadia qualidade de
vida,
impondo-se
ao Poder Público e
à coletividade o
dever de
defendê-lo e preservá-defendê-lo
para as presentes
e futuras gerações.
• O equilíbrio ecológico não significa a inalterabilidade das condições naturais, mas a busca, pelo Poder Público, pela coletividade e por todas as pessoas, da harmonia, proporção e sanidade entre os vários elementos que compõem a ecologia.
O direito ao meio ambiente
Art. 225 Todos têm
direito
ao
meio
ambiente
ecologicamente
equilibrado, bem de
uso comum do povo
e essencial à sadia
qualidade de vida,
impondo-se
ao
Poder Público e à
coletividade o dever
de
defendê-lo
e
preservá-lo para as
presentes e futuras
gerações.
CC art. 99, I (rios,
mares, estradas, ruas
e praças);
CC
art.
100
(inalienáveis, enquanto
conservarem a sua
qualificação, na forma
que a lei determinar ).
O Poder Público não é
o
proprietário
dos
bens ambientais, mas
gestor; por isso, deve
explicar
convincentemente
a
sua gestão.
O direito ao meio ambiente
Art. 225 Todos têm
direito
ao
meio
ambiente
ecologicamente
equilibrado, bem de
uso comum do povo
e essencial à sadia
qualidade de vida,
impondo-se ao Poder
Público
e
à
coletividade o dever
de
defendê-lo
e
preservá-lo para as
presentes e futuras
gerações.
•
Associa-se
o
a
qualidade de vida ao
equilíbrio ambiental.
•
Ter
uma
sadia
qualidade de vida é
ter um meio ambiente
livre da poluição.
•
Não
só
os
seres
humanos
dependem
de um meio ambiente
sem poluição, mas a
própria natureza. (cf.
Lei nº. 6.938/81, art.
3º, III).
O direito ao meio ambiente
Art. 225 Todos têm
direito
ao
meio
ambiente
ecologicamente
equilibrado, bem de
uso comum do povo
e essencial à sadia
qualidade de vida,
impondo-se ao Poder
Público
e
à
coletividade o dever
de
defendê-lo
e
preservá-lo para as
presentes e futuras
gerações.
•
O “Poder Público”
abrange
os
três
poderes – “Poderes da
União” (CF, art. 2º).
•
Para Paulo Affonso
Leme
Machado,
o
termo “coletividade”
refere-se à sociedade
civil
organizada
(ONG’s,
associações...).
O direito ao meio ambiente
Art. 225 Todos têm
direito
ao
meio
ambiente
ecologicamente
equilibrado, bem de
uso comum do povo
e essencial à sadia
qualidade de vida,
impondo-se ao Poder
Público
e
à
coletividade o dever
de
defendê-lo
e
preservá-lo para as
presentes e futuras
gerações.
Princípio
da
“responsabilidade
intergeracional”
ou
do
“desenvolvimento
sustentado”.
Consagração
da
ética
as
solidariedade
entre
as
gerações.
As espécies, os ecossistemas e o
patrimônio genético
§ 1º - Para assegurar a
efetividade
desse
direito, incumbe ao
Poder Público:
I
-
preservar
e
restaurar os processos
ecológicos essenciais e
prover
o
manejo
ecológico das espécies
e ecossistemas;
Regulamentado
pela
Lei nº. 9.985/2000 (Lei
do SNUC).
“Os processos ecológicos essenciais são os governados, sustentados ou intensamente afetados pelos ecossistemas, sendo indispensáveis à produção de alimentos, à saúde e outros aspectos da sobrevivência humana e do desenvolvimento humano.” (J.A.S.) “Manejo ecológico é a utilização dos recursos naturais pelo homem, baseada em princípios e métodos que preservam a integridade dos ecossistemas, com redução da interferência humana nos mecanismos de autorregulação dos seres vivos e do meio físico”. (M.G.K. et. al.)
As espécies, os ecossistemas e o
patrimônio genético
1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; Regulamentado pela Lei nº. 9.985/2000 (Lei do SNUC). Regulamentado pela Lei nº. 11.105/2005 (Lei de Biossegurança).•
São inconstitucionais as
atividades e obras que
possam extinguir uma
espécie ou ecossistema,
fontes da diversidade.
•
Não basta permitir a
perpetuidade
das
espécies
e
dos
ecossistemas, mas a
Constituição ordena que
o Poder Público zele
pela integridade deste
patrimônio.
O risco ambiental
1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;Regulamentado pela Lei nº. 11.105/2005 (Lei de Biossegurança).
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
Regulamentado pela Lei nº. 9.985/2000 (Lei do SNUC).
Se
a
CF
não
menciona
explicitamente
o
Princípio
da
Precaução, não há
dúvidas que ele pode
ser
extraído
dos
dispositivos ao lado,
que determinam a
prevenção ao risco
do dano ambiental.
O risco na produção
(energia nuclear), na
comercialização, no
emprego de técnicas
(biotecnologia) e de
substâncias
(agrotóxicos) tem de
ser controlado pelo
Poder Público
.A crueldade conta os animais
1º - Para assegurar a
efetividade
desse
direito, incumbe ao
Poder Público:
VII - proteger a fauna
e a flora, vedadas, na
forma
da
lei,
as
práticas que coloquem
em risco sua função
ecológica, provoquem
a extinção de espécies
ou
submetam
os
animais a crueldade.
Regulamentado
pela
Lei nº. 9.985/2000 (Lei
do SNUC).
•
Segundo o STF (RE
153.531-SC), a norma
é autoaplicável.
•
O
texto
fala
em
“práticas”, o que, na
opinião de alguns,
significaria
a
proibição de hábitos
muitas
vezes
denominados
“manifestações
culturais”.
O estudo prévio de impacto ambiental
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; Regulamentado pela Lei nº. 11.105/2005 (Lei de Biossegurança). A CF alterou o instituto já existente (EIA), pois passou a exigir que este seja realizado previamente. As constituições estaduais não podem excetuar ou dispensar a regra do EIA, ainda que, dentro de sua competência supletiva, pudesse criar norma mais rígida (ADI 1.086-7-SC). O EIA e o RIMA devem
ser colocados à disposição da população em meios de comunicação adequados.
A exigibilidade da audiência pública estaria, para Paulo Affonso Leme Machado, implícita no dispositivo.
Os espaços protegidos
§ 1º - Para assegurar a
efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que
comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
Regulamentado pela Lei
nº. 9.985/2000 (Lei do SNUC).
• Os espaços protegidos podem ser criados por qualquer ato do Poder Público, mas só podem ser extintos ou modificados por lei. (Lei do SNUC, art. 22).
• Somente a alteração e a supressão do regime jurídico
pertinente aos espaços
territoriais especialmente protegidos qualificam-se, por efeito da cláusula inscrita no art. 225, § 1º, III, da Constituição, como matérias sujeitas ao princípio da reserva legal. (ADI 3540)
• O texto constitucional é autoaplicável.
• “Definir” é localizar os espaços. A proteção prescinde de grades ou cercas.
• É vedada a utilização que fira qualquer atributo do espaço protegido.
O controle da energia nuclear
• Art. 21. Compete à União:
• XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
• a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional;
• Compete privativamente à União legislar sobre atividades nucleares de qualquer natureza. • A CF atribui o controle da energia nuclear ao Congresso Nacional. • É constitucionalmente vedada a atividade nuclear para fins bélicos.
O controle da energia nuclear
•
§ 1º - Para assegurar
a efetividade desse
direito, incumbe ao
Poder Público:
•
§ 6º - As usinas que
operem com reator
nuclear deverão ter
sua
localização
definida
em
lei
federal, sem o que
não
poderão
ser
instaladas
.•
É
obrigatória
a
definição,
por
lei
federal, da localização
de usinar que operem
com reator nuclear.
•
São
duas
etapas
diferentes:
a
localização da usina e,
posteriormente, o seu
licenciamento
A obrigação de reparar o dano
ambiental
• § 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas. § 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
•
“Restaurar
os
processos
ecológicos” significa
reencontrar
a
dinâmica que existia
entre eles.
•
A
obrigação
de
reparar
o
dano
ambiental
persiste
ainda que tenham
sido
aplicadas
sanções penais e/ou
administrativas.
A obrigação de reparar o dano
ambiental
•
§ 2º - Aquele que
explorar
recursos
minerais fica obrigado
a recuperar o meio
ambiente degradado,
de
acordo
com
solução
técnica
exigida pelo órgão
público competente,
na forma da lei.
•
A recuperação do
meio
ambiente
passou
a
fazer
parte do processo
de exploração dos
recursos minerais.
O direito à educação ambiental
• § 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
• Lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999
• Promover a educação ambiental significa inserir a transmissão de conhecimentos ambientais no ensino escolarizado. • A lei incentiva a participação individual e coletiva.
• Não se criou a disciplina de “Educação Ambiental” no currículo de ensino.
A função social da propriedade
• Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social(...).
• Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
• II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;
• Terra será desapropriada por dano ambiental no Pará
O decreto federal publicado no dia 8 de dezembro aponta a fazenda Escalada do Norte, que fica em Rio Maria, sudoeste do Pará, como culpada de grandes danos ambientais. A primeira desapropriação por danos ambientais foi em Felisburgo, Minas Gerais, no ano passado.
A fazenda Escalada do Norte desmatou 174 hectares em área de preservação permanente, e no lugar plantou pasto para o gado. Além disso, houve desmatamento também em áreas próximas de rios e córregos, o que pode levar à morte de nascentes de água doce na localidade.
Uma vez desapropriada, a fazenda poderá abrigar 290 famílias de assentados, em sua área total de 14, 8 mil hectares. As informações são do Incra. (Fonte: Agência Pulsar) 15.01.2010
<http://noticias.ambientebrasil.com.br /noticia/?id=51215>Acesso em 27.01.2010
A ação popular
Art. 5º
LXXIII - qualquer
cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
(Lei nº. 4.717/1965)
• O ressarcimento não se faz em prol do indivíduo, mas, indiretamente, em favor da coletividade.
• Qualquer habitante do país – brasileiro ou estrangeiro – é parte legítima para propor ação popular (CF, art. 5º, caput). Divergem deste entendimento, v.g., Hely Lopes Meirelles e Rodolfo de Camargo Mancuso (LAP, art. 1º, § 3º).
• A petição tem de ser subscrita por advogado (REsp 527963).
• Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular (STF – Súmula 365).
A ação civil pública
• Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
• III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
• § 1º - A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.
• (Lei nº. 7.347/1985)