INFECÇÃO SECUNDÁRIA AO VÍRUS DA LEUCEMIA
FELINA EM GATO DOMICILIADO: RELATO DE
CASO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CAMPUS CURITIBANOS MEDICINA VETERINÁRIA
VICTÓRIA MOTTA ZORTÉA
2019
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CAMPUS DE CURITIBANOS
CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA
VICTÓRIA MOTTA ZORTÉA
INFECÇÃO SECUNDÁRIA AO VÍRUS DA LEUCEMIA FELINA EM GATO DOMICILIADO: RELATO DE CASO
Curitibanos 2019
VICTÓRIA MOTTA ZORTÉA
INFECÇÃO SECUNDÁRIA AO VÍRUS DA LEUCEMIA FELINA EM GATO DOMICILIADO: RELATO DE CASO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Medicina Veterinária do Campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina Veterinária. Orientadora: Profª. Draª. Sandra Arenhart.
Curitibanos 2019
VICTÓRIA MOTTA ZORTÉA
INFECÇÃO SECUNDÁRIA AO VÍRUS DA LEUCEMIA FELINA EM GATO DOMICILIADO: RELATO DE CASO
Este trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de Bacharel em Medicina Veterinária e aprovado em sua forma final pelo curso de Graduação em Medicina Veterinária
Curitibanos, 27 de junho de 2019.
______________________________________________ Prof. Dr. Alexandre de Oliveira Tavela
Coordenador do Curso
Banca examinadora:
______________________________________________ Profª. Draª. Sandra Arenhart - Orientadora
______________________________________________ Profª. Drª. Marcy Lancia Pereira
______________________________________________ Prof. Dr. Álvaro Menin
Este trabalho é dedicado à minha mãe, meu noivo Ricardo e nosso gato Eddie. Meus maiores companheiros na graduação.
AGRADECIMENTOS
A minha mãe, que foi quem mais me apoiou e incentivou antes e durante a graduação e independente das circunstâncias não me deixou desistir dos meus sonhos, alegrando-se com todas as conquistas, sendo sempre meu maior exemplo de força e determinação. Ao meu Pai, por ter sido um pai incrível, mesmo que por pouco tempo, pelos valores que inspiram a minha vida e pelo amor que sempre dedicou a mim, você nunca deixou de estar comigo, em meus pensamentos todos os dias. Ambos não estão mais presentes fisicamente, mas estarão para sempre presentes em meu coração. Não tenho palavras para expressão a gratidão e o amor por vocês.
Ao Ricardo, meu noivo, melhor amigo e companheiro de vida, pelos cuidados, compreensão e amor que você tem dedicado a mim durante esses 8 anos.
Ao meu irmão Luiz, por me dar motivação para seguir em frente e tentar ser uma pessoa melhor.
A minha tia Fabiane, madrinha, segunda mãe e melhor amiga. Meu tio Fabiano, padrinho, segundo pai, conselheiro, sempre com a maior boa vontade para me ajudar. Aos meus tios Henrique, também meu assistente para assuntos aleatórios e Eleide, sempre confidente e companheira. Vocês são os melhores tios do universo.
A Dona Rosana, por cuidar tão bem da minha família durante a minha ausência, sem você com certeza não conseguiria me ausentar para terminar o curso.
A minha amiga-irmã Marcela, por estar presente nos melhores e piores momentos, sempre ao meu lado.
Aos meus amigos Ana Paula, Fernanda, Wanessa e Yago, que mesmo distantes se fizeram perto.
As minhas amigas Marcella, Amábilli e amiguinho Bernardo por esses anos de convivência e pareceria morando juntos.
As minhas amigas Nathália e Maria Eduarda, por me acolherem tão bem nesse último semestre e fazer dele o melhor e mais leve de toda a faculdade. Foi maravilhoso morar com vocês, parece que as conheço de toda a vida.
A minha orientadora Sandra Arenhart, pela paciência, dedicação e ser um exemplo de profissional.
A todos os demais professores da graduação por serem sempre profissionais, dedicados, atenciosos e sempre dispostos a ajudar.
A minha companheira de estágio Gabriela Rodrigues, por fazer meus dias mais leves e felizes.
A Amanda, que conheci há pouco tempo, mas colaborou imensamente nesta etapa.
A toda equipe do HVD, pelo acolhimento, paciência e compreensão, além de todo o conhecimento repassado.
Aos animais da minha vida, em especial meu companheiro felino Eddie, que esteve comigo durante toda a graduação, sendo minha família e porto seguro, aquecendo meu coração nos dias mais frios. Te amo meu eterno filhotinho.
Fonte: Fineart, 2017.
“Gatos não morrem de verdade: eles apenas se reintegram ao ronronar da eternidade. Gatos jamais morrem de fato: suas almas saem de fininho atrás de alguma alma de rato.” (Nelson Ascher)
RESUMO
O vírus da leucemia felina encontra-se disseminado na maioria dos países no mundo. A principal via de infecção do FeLV consiste no contato prolongado com a saliva e as secreções nasais de gatos infectados, geralmente contactantes. Os proprietários costumam levar os gatos infectados por FeLV para consulta e exames devido a sinais clínicos inespecíficos, tais como anorexia, perda de peso e depressão ou anormalidades associadas a sistemas orgânicos específicos. A anemia pode ser a única manifestação primária da FeLV, bem como associada a outras. O diagnóstico da doença se baseia na detecção da proteína p27, que é abundante no plasma e no citoplasma das células infectadas, sendo essa a base dos kits de testes de triagem básica. O tratamento inespecífico consiste no suporte a gatos infectados, no controle das infecções secundárias e oportunistas, também como desidratação, anemia e desnutrição. O tratamento específico se baseia em drogas antivirais ou imunomoduladoras. O isolamento de gatos sadios em suas residências ainda é a melhor forma de prevenção, assim não terão contato com animais infectados, visto que eficácia da vacinação contra o vírus a FeLV ainda não é amplamente estudada. Neste estudo tem-se o objetivo de examinar e discutir possibilidades de diagnóstico e tratamento para um felino com infecção secundária ao vírus da leucemia felina. Palavras-chave: Leucemia Viral Felina. Tratamento. Vírus. Diagnóstico.
ABSTRACT
The leukemia virus is widespread in most countries in the world. The main route of infection of FeLV is prolonged contact with saliva and nasal secretions of infected cats, usually contact. Tenderloids usually take FeLV-infected cats for consultation and testing because of nonspecific clinical signs such as anorexia, weight loss and depression, or abnormalities associated with a specific organ system. Anemia may be a single primary manifestation of FeLV, as well as associated with others. The diagnosis of the disease is constantly linked to the p27 protein, which is abundant in plasma and does not contain infected cells during an acute phase, which is a basis for basic screening tests. Non-specific treatment is not a support for infected cats, such as infection control and opportunists, such as dehydration, anemia and malnutrition. The specific treatment is based on antiviral or immunomodulatory drugs. The isolation of healthy cats in their residences is a better prevention, will not leave contact with infected animals, which is seen to be extra vaccinated against the virus at FeLV also not studied.This study aims to examine and discuss possibilities for diagnosis and treatment for a feline with infection secondary to the feline leukemia virus.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Lesões e coágulos na cavidade oral do felino Tite... 31 Figura 2 – Lesões e coágulos na mucosa oral do felino Tite... 32
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Subtipos do vírus da leucemia viral felina (FeLV)... 16 Tabela 2 – Hemograma realizado no gato Tite... 33 Tabela 3 – Exame bioquímico no gato Tite... 34
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ALT Alanina Aminotransferase AZT Azidotimidina
CHCM Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média CVF Coronavírus Felino
ELISA Ensaio de Imunoabsorção Enzimática FELV Vírus da Leucemia Felina
FIV Vírus da Imunodeficiência Felina
FOCMA Antígeno membrana celular Oncornavirus Felino G-CSF Fator Estimulante de Colônia de Granulócitos
H.C.M Hemoglobina Corpuscular Média HVF-1 Herpesvírus felino tipo - 1
IgG Imunoglobulina G IV Via Intravenosa
PCR Reação em cadeia da Polimerase VCM Volume Corpuscular Médio
SUMARIO
1 INTRODUÇÃO... 14
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA... 12
2.1 ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA... 16
2.2 PATOGENIA... 17
2.3 MANIFESTAÇÕES E ASPECTOS CLÍNICOS... 19
2.3.1 Neoplasia... 19 2.3.2 Anemia... 21 2.3.3 Imunodeficiência... 23 2.3.4 Distúrbios Imunomediados... 23 2.3.5 Distúrbios Reprodutivos... 24 2.4 DIAGNÓSTICO... 24 2.5 TRATAMENTO INESPECÍFICO... 26 2.6 TRATAMENTO ESPECÍFICO... 26 2.6.1 Antivirais... 27 2.6.2 Imunomoduladores... 27 2.7 CUIDADOS ESPECIAIS... 28 2.8 PROGNÓSTICO... 28 2.9 PREVENÇÃO... 28 2.10 VACINAÇÃO... 29 3 RELATO DE CASO... 31 3.1 DESCRIÇÃO DO CASO... 31 3.2 EXAMES LABORATORIAIS... 33 3.3 DIAGNÓSTICO... 34 3.4 TRATAMENTO... 34 4 DISCUSSÃO... 36 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 42 REFERÊNCIAS... 43
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1 INTRODUÇÃO
A Leucemia Viral Felina (FeLV) foi descrita pela primeira vez em 1964 e por muito tempo foi considerada a principal causa da morbidade e mortes relacionadas a doenças em filhotes de gato, além de responsável pelo maior número de síndromes clínicas, em relação a outros agentes. (GREENE, 2015).
O FeLV é um patógeno significante para gatos domésticos pois causa uma variedade de desordens neoplásicas e degenerativas, como linfomas, sarcomas, imunodeficiências e doenças hematopoiéticas. A severidade da doença vai ser dependente das características genéticas da variante infectante do vírus. (SOUZA, 2003)
Os gatos são infectados a partir de contato íntimo com portadores assintomáticos, através de mordeduras, cuidados mútuos com pêlos, uso em comum de vasilhas sanitárias e fômites de água. Sua incidência é maior em animais de 1 a 5 anos (SOUZA, 2003).
Os gatos com maior risco à infecção são machos, não castrados, felinos que possuem acesso à rua ou que vivem em locais com outros gatos, dos quais não se tem conhecimento se são infectados ou não. Um gato infectado pode viver por anos, desde que seja fornecido um suporte e tratamento adequado ao mesmo, mas para isso deve-se ter conhecimento da situação do animal: se é positivo ou não para o FeLV. Por isso o diagnóstico correto é um dos fatores cruciais nessa doença. (ALVES et al., 2015)
Uma vez exposto ao vírus, o felino pode apresentar infecções regressivas ou progressivas, e o que pode influenciar nesse desfecho é a resposta imune do animal, a cepa viral a que ele foi exposto, a idade do gato, o tempo dessa exposição e o estado de saúde desse felino. Uma vez infectado, o animal pode apresentar inúmeros sinais clínicos, desde sinais mais inespecíficos (como apatia, febre, vômitos) até leucemia, anemia arregenerativa, supressão da medula óssea, tumores, dentre outros. (ALVES et al., 2015)
A forma mais comum de apresentação clínica da doença é a imunodeficiência, resultada de disfunção imunológica e depressão do sistema linfoide. O animal se torna susceptível a infeções secundárias, apresentando sinais como: estomatites, gengivite, lesões de pele, abcessos, enterites, problemas
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respiratórios, perda de peso, diarreia persistente, leucopenia e diversos graus de anemia. (BRAZ et al., 2012)
Este trabalho possui o objetivo de apresentar as manifestações clínicas, diagnósticos e possíveis tratamentos para a leucemia viral felina e também analisar o relato de caso apresentado, discutindo opções de tratamentos não utilizadas;
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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA
Como o vírus da FeLV foi descrito pela primeira vez em um gato com linfoma, ele estava na subfamília Oncovirinae, devido a essa capacidade oncogênica. Mas como as subfamílias de Retroviridae foram renomeadas, atualmente o FeLV é classificado como um gamarretrovírus, podendo apresentar 4 subgrupos, de acordo com a antigenicidade e a célula hospedeira visada (LITTLE, 2018).
Os 4 subtipos do FeLV são: A, B,C e T. De maneira geral o FeLV- A é moderadamente patogênico e é transmitido horizontalmente, já os sorogrupos B,C e T ocorrem por mutações genéticas a partir do vírus A. No caso do FeLV-B, sua formação vai ocorrer a partir da mutação do A com outros vírus endógenos, visto que todo gato possui material genético retroviral hereditário e presente no genoma. Esses pedaços de DNA vão se juntar ao FeLV-A, aumentando a patogenicidade e formando os subgrupos (Tabela 1) (LTTLE, 2018)
Quadro 1 - Subtipos do vírus da leucemia viral felina (FeLV)
SUBGRUPO DESCRIÇÃO
FeLV-A
• Encontrada em 100% dos gatos infectados; • É a menos patogênica;
• Altamente contagiosa;
• Associada a neoplasia hematopoiética.
FeLV-B
• Ocorre em 50% dos gatos que também possuem doença neoplástica (linfoma);
• É virulento de associado ao subgrupo A; • Não transmissível;
• Associado a ocorrência de linfoma.
FeLV-C
• Raramente isolado;
• É virulento se acompanhado ao subgrupo A; • Não transmissível;
• Associado a ocorrência de anemia arregenerativa e mieloide.
FeLV-T
• Altamente citolítico aos linfócitos T; • É virulento se combinado ao subgrupo A; • Não transmissível;
• Associado a imunodeficiência, linfopenia, febre e diarreia. Fonte: Adaptado de Little, 2018.
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O FeLV é um retrovírus comum, possui RNA de fita simples, sendo transcrito pela transcriptase reversa (TR) em DNA. A sequência de genes contém repetições terminais longas. A proteína p27 é produzida em células infectadas pelo vírus em quantidades que ultrapassam a necessária para formar novas partículas virais, então ela é rotineiramente usada para detectar a presença do vírus (GREENE, 2015).
A principal via de infecção do FeLV consiste no contato prolongado com a saliva e as secreções nasais de gatos infectados, geralmente contactantes, a auto higienização dos mesmos e compartilhamento de fontes de água e comida resultam em transmissão. Como o organismo não sobrevive no ambiente é improvável que ocorra transmissão por fezes ou urina, fômites e aerossóis. A transmissão transplacentaria, por lactação e por via venérea é menos importante que o contato direto. (NELSON; COUTO, 2010)
O vírus da FeLV pode também ser transmitido por uso de agulhas e instrumentos contaminados com sangue, visto que o mesmo ele também está presente em outros líquidos corporais, como plasma, leite e lágrimas. A transmissão por leite e placenta pode ocorrer em fêmeas matrizes viremicas. (NELSON; COUTO, 2010)
Na natureza, o reservatório natural do vírus da FeLV é o gato assintomático e persistentemente virêmico, que pode eliminar até um milhão de partículas virais em cada milímetro de sua saliva. O animal irá excretar o vírus durante meses, mesmo antes de adoecer. A infecção por saliva contaminada ocorre facilmente pelo comportamento social de felinos (SOUZA, 2003).
A infecção pelo vírus da leucemia felina ocorre em gatos domésticos por todo mundo, porém felinos selvagens também são susceptíveis. A prevalência do vírus concentra-se geralmente em países e terceiro mundo ou ilhas longínquas, onde se tem poucas informações difundidas a respeito da infecção. No entanto, tem se observado que os resultados positivos para os testes têm se tornado menos comuns, visto que houve uma diminuição global da prevalência, isso pode ser atribuído pela implementação de medidas de controle (GREENE, 2015).
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2.2 PATOGENIA
A patogenia da FeLV inicialmente ocorre por 6 estágios: Primeiramente o vírus entrará pela cavidade bucal, se replicando em leucócitos mononucleares nas tonsilas. Ocorrerá então a disseminação linfática, com viremia transitória para linfonodos regionais e então ocorre disseminação para o tecido linfoide sistêmico. As células precursoras sanguíneas na medula óssea serão infectadas e a viremia secundária irá disseminar o vírus. O vírus se replica em muitas células epiteliais, incluindo glândulas salivares, intestinos e conjuntivas (GREENE, 2015)
A infecção pelo vírus pode apresentar 4 tipos de resultados, cada um com diferentes consequências. A primeira delas é a Forma abortiva, um pequeno número de animais a desenvolvem, ocorre quando a resposta imune é eficaz e o vírus é eliminado. Na forma progressiva ocorre uma ampla multiplicação viral, gerando a viremia persistente, o prognostico é mais desfavorável. Já na forma regressiva ocorre uma infecção latente, a viremia é transitória visto que não há replicação viral, o gato pode eliminar por vários meses e mesmo assim processos tumorais e imunodepressões podem ser desenvolvidos. A última delas é a forma Focal ou atípica, ela é rara, ocorre a replicação persistente do vírus em locais diferentes (e não apenas na medula óssea, a evolução vai ser variável (SALES, 2017).
A evolução da infecção vai ocorrer de maneira bastante distintas de gato para gato, dependendo principalmente do estado imunológico e idade do felino e da patogenicidade e concentração do vírus invasor. Os primeiros estudos defendiam que em torno 1/3 dos gatos iriam apresentar viremia persistente, 2/3 então apresentariam a resolução da infecção, porém atualmente se sabe que a maioria dos animais infectados irão permanecer infectados por toda a vida (GREENE, 2015)
A maioria dos animais com infecção regressiva são considerados saudáveis, no entanto, nem todos abrigam o vírus de forma latente e não produtiva. Existe risco potencial de reativação, o provírus de FeLV também pode ser inserido em muitos locais diferentes no genoma do hospedeiro, carregando sinais regulatórios potentes. No desenvolvimento de tumores ou distúrbios mielossupressores, o provírus de FeLV integrado pode interromper ou inativar genes celulares nas células infectadas(HARTMAN,2017).
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A patogênese de várias síndromes induzidas por FeLV é complexa, mas inclui indução de linfoma pela ativação da oncogênese pelo vírus ou a inserção de um provirus no genoma de precursores linfoides; indução de anemia aplástica pelo grupo C, proveniente da secreção aumentada de fator de necrose tumoral; a imunodeficiência é atribuída a depleção ou disfunção de linfócitos T( tanto linfócitos CD4+ quando CD8+); a neutropenia; distúrbio da função dos neutrófilos; transformação maligna e indução viral de substancias promotoras de crescimento da medula óssea que levam a doenças mieloproliferativas (NELSON; COUTO, 2010)
2.3 MANIFESTAÇÕES E ASPECTOS CLÍNICOS
Os proprietários costumam levam os gatos infectados por FeLV para consulta e exames devido a sinais clínicos inespecíficos, tais como anorexia, perda de peso e depressão ou anormalidades associadas a sistemas orgânicos específicos. Em estudos observa-se que os gatos infectados por FeLV examinados na necropsia 23% apresentavam evidências de neoplasia (96% de linfoma e leucemia); o restante morreu de doenças não neoplásicas. (REINACHER, 1989 apud NELSON; COUTO, 2010). As síndromes clínicas específicas podem resultar de efeitos específicos do vírus ou de infecções oportunistas causadas pela imunossupressão (NELSON; COUTO, 2010)
No município do Rio de Janeiro, entre os anos de 1998 e 1999, 126 gatos foram avaliados pelo teste de ELISA. Dos felinos positivos para FeLV, 1,58% também foram positivos para FIV. As principais manifestações clínicas encontradas foram linfoma e afecção periodontal. (SOUZA, 2003)
Caso o animal desenvolva infecção persistente, o gato pode desenvolver diversos distúrbios. As malignidades mais associadas ao FeLV são os linfomas, porém as mais encontradas são hematológicas (LITTLE, 2018)
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2.3.1 Neoplasias
O antígeno da membrana celular por oncoronavírus felino (FOCMA), é um antígeno tumoral específico induzido pelo vírus da FeLV e pelo FeSV (vírus do sarcoma felino). Ocorre quando o vírus entra em contato com a células do gato, irá imprimir o FOCMA nas membranas, tornando-o susceptível a desenvolver neoplasias (SOUZA, 2003).
Gatos infectados podem apresentar baixas concentrações nos fatores do sistema complemento no sangue, isso pode contribuir para a imunodeficiência e oncogênese visto a importância do sistema complemento para algumas formas de lise de células tumorais mediadas por anticorpos (MERCK, 2014).
Segundo Greene (2015), o que ocasiona neoplasias malignas pode ser explicado pela inserção do genoma da FeLV no genoma celular a um oncogênese celular, resultando numa hiper expressão desses genes, levando a uma proliferação descontrolada dessa célula clone. Por consequência ocorre o aparecimento de neoplasias quando não ocorre uma reação imune adequada. O FeLV-A também pode incorporar a oncogênese, formando assim um vírus recombinante como o FeLV-B que contenha sequencias do oncogênese celular, sofrendo rearranjos e ativação. Então, pode-se concluir que essas neoplasias induzidas são causadas em parte por mutagênese insercional adquirida somaticamente.
Alguns gatos apresentam resultados negativos para o vírus da FeLV e mesmo assim apresentam tumores linfoides e mieloides. Isso se deve ao fato de que estes gatos apresentam sequencias virais que podem ser detectados pela imunoistoquímica e PCR, esses gatos podem ter sido previamente infectados pelo vírus, a presença transitória dele pode desencadear linfomas (MERCK, 2014).
As neoplasias mais comuns associadas ao vírus da FeLV são linfomas, linfosarcomas e doenças mieloproliferativas, sendo o linfoma a mais comum delas. O mesmo pode ser classificado de acordo com a sua localização, sendo mediastinico, multicêntrico, alimentar e extra nodal, os dois primeiros são mais comuns (SOUZA, 2003).
Em doenças mieloproliferativas, a proliferação de uma ou mais linhagens celulares na medula óssea resultando em exclusão de outras células medulares.
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Gerando sinais inespecíficos, anemias e trombocitopenias progressivas e não responsivas, além de hepatomegalia difusa (BICHARD; SHERDING, 2003)
Os linfomas mediastinicos são caracterizados por linfadenopatia mediastinica com ou sem infiltração na medula óssea e costumam ocorrer em gatos jovens com menos de 3 anos. Eles apresentam dispneia, tosse, regurgitação e cianose. Quase sempre vai causar lesões na cavidade torácica visto que ocorre deslocamento pulmonar e cardíaco (SOUZA, 2003).
Em linfomas multicêntricos costumam ocorrer formações neoplásicas em linfonodos e órgãos como fígado, baço e rins. Tendo assim sinais clínicos variáveis, de acordo com o órgão acometido. Os alimentares costumam estar presentes no tecido linfoide que está associado ao intestino e linfonodos mesentéricos, gerando alterações relacionadas ao sistema gastrointestinal. Já as formas extra nodais podem se envolver olhos, sistema nervoso e pele, tendo alterações extremamente variáveis (SOUZA, 2003).
Os fibrossarcomas que estão associados ao FeLV são causados pelo VSF, que é um vírus recombinante que se desenvolve em gatos infectados pelo FeLV-A por recombinação do genoma do mesmo com oncogênese celular. Eles são multicêntricos e ocorrem habitualmente em animais jovens. O VSF é incapaz de sofrer replicação se não houver o FeLV-A como auxiliar para suprir proteínas (GREENE, 2015).
Algumas cepas do VSF tendem a causar neoplasias que crescem rapidamente, são fibrossarcomas cutâneos ou subcutâneos localmente invasivos que conferem metástase para pulmões e até outros locais. Os fibrossarcomas que ocorrem sozinhos e em gatos idosos não são causados pelo VSF. Os sarcomas associados ao local da injeção ocorrem pela reação inflamatória granulomatosa no local da injeção, após a inoculação da vacina que contém adjuvantes, nem o VSF e nem o FeLV tem papel importante nos sarcomas de injeção (GREENE, 2015).
O sarcoma na forma multicêntrica está associado ao vírus do sarcoma felino (FeSV), que são híbridos resultantes da recombinação entre o genoma do FeLV e os proto-oncogenese celulares presentes no gato, como ‘’fes, fms ou fgr’’. Então os gatos que são apenas infectados com a FeLV podem gerar o FeSV (DALECK, 2016).
Grande parte dos gatos que se recuperam da infecção desenvolvem anticorpos neutralizadores de vírus. Esses anticorpos são considerados importantes
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na proteção contra a reinfecção e em conferir imunidade passiva aos filhotes jovens através do colostro. Quem consegue produzir esses fatores também desenvolvem anticorpos contra o antígeno de membrana celular associado ao oncavírus felino (FOCMA). A origem precisa do FOCMA não é clara, mas o desenvolvimento de anticorpos contra este antígeno protege contra o desenvolvimento de doença neoplásica relacionada ao FeLV(HARBOURA,2002).
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2.3.2 Anemia
A anemia pode ser a única manifestação primária da FeLV, bem como associada a outras. Podendo ser uma anemia não-regenerativa, resultando de destruição, supressão ou maturação anormal dos precursores de hemácias na medula óssea. Os sinais laboratoriais consistem em anemia severa, contando com hematócrito abaixo de 10%), leucopenia ou trombocitopenia, macrocitose eritrocitária. (BICHARD; SHERDING, 2003)
Grande parte dos casos serão de caráter não regenerativo, esse fator pode ser atribuído a doenças inflamatórias ou desordens primarias na medula óssea. Caso ocorra o desenvolvimento de doença inflamatória secundária, pode ocorrer a retenção das reservas de monócito fagocitário. A anemia hemolítica imunomediada também pode ser encontrada, devido aos imunocomplexos na circulação ou em decorrência de desordens, mielo ou linfo proliferativas (SOUZA, 2003).
Também pode ocorrer anemia hemolítica (que vai ser regenerativa) em gatos imunossuprimidos pela FeLV geralmente ocasionadas por infecção secundárias hematopicas. Pode ocorrer anemia por perda de sangue (regenerativa) em alguns gatos que apresentam hemorragia em consequência a trombocitopenia ou defeitos plaquetários (GREENE, 2015).
Pode ocorrer trombocitopenia devido a diminuição na produção de plaquetas. Não ocorrendo alteração apenas em quantidade, mas também no tamanho, formato e função. O tempo de sobrevida delas também é reduzido. Em alguns gatos com infeção progressiva foram observadas plaquetas gigantes e trombocitose (GREENE, 2015).
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2.3.3 Imunodeficiência
A imunossupressão é uma manifestação muito complexa ocasionada pela FeLV, visto que algumas proteínas virais (principalmente a transmembrana 015e) são diretamente imunossupressoras, ela vai afetar diretamente a via de sinalização da interleucina 2, além de linfopenia, granulocitopenia e alteração na função dos neutrófilos. (LITTLE, 2018)
O vírus causa atrofia linfoide profunda e supressão do sistema imune, aumentando a ocorrência de todos os tipos de infecções. Sendo essa considerada a consequência mais importante, pois ocorrem vários tipos de infecções oportunistas. A exemplo disso podemos citar outros vírus (peritonite infecciosa felina e herpes vírus); fungos (Cryptococcus, aspergillus e cândida); protozoários (Toxoplasma e Cryptosporidium); Bactérias, que se manifestam na cavidade oral (na forma de gengivites, periodontites e estomatites), podem ocorrer também enterites (causadas por Salmonella), Cutânea (Pio-dermite, feridas não-cicatrizantes, abscessos e fístulas drenantes), além de septicemia. (BICHARD; SHERDING, 2003)
Grande parte da morbidade e taxa de mortalidade dos felinos infetados ocorrem devido a doenças secundárias a imunossupressão causada. Gatos com infecções progressivas tem predisposições a esse tipo de infeções. Os mecanismos por trás da imunodeficiência não são bem elucidados, mas pode observar que a linfopenia e a neutropenia são muito comuns, além disso os neutrófilos de gatos em viremia apresentam uma diminuição em sua função de quimiotaxia e fagocitose (GREENE, 2015).
Os neutrófilos e precursores mieloides costumam ser afetados pela viremia, causando neutropenia induzida pelo vírus. Ela pode ser transitória, persistente ou cíclica. A transitória vai ocorrer entre a terceira e a quinta semana de infecção da medula óssea. Já as formas persistentes e cíclicas vão ocorrer de 10 a 14 dias. Os sinais clínicos consistem em infecções crônicas bacterianas a septicemia fulminante. (BICHARD; SHERDING, 2003).
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2.3.4 Distúrbios Imunomediados
O papel da FeLV nestes casos não é ainda muito bem esclarecido mas acredita-se que envolve a relação antígeno-anticorpo. Esses distúrbios consistem em: Glomerulonefrites; poliartrite progressiva crônica; anemia hemolítica imunomediada; trombocitopenia; distúrbios muco cutâneos ulcerativos. (BICHARD; SHERDING, 2003)
Os antígenos do FeLV são abundantes e os anticorpos IgG anti-FeLV são escassos, dessa maneira, ocorre a formação exagerada de imunocomplexos, causando vasculite sistêmica, glomerulonefrite, poliartrite e vários distúrbios imunes (MERCK, 2014).
Podem ocorrer várias doenças imunomediadas, que são causadas pela resposta imune hiperativa ou desregulada ao vírus. Elas podem ser: anemia hemolítica autoimune, glomerulonefrite, uveíte com depósito de imunocomplexo na íris e no corpo ciliar, poliartrite. A perda da atividade das células supressoras T e formação de complexos antígeno anticorpo contribuem para essas doenças (GREENE, 2015)
2.3.5 Distúrbios Reprodutivos
Há relatos de que problemas reprodutivos são comuns, de 68 a 73% das fêmeas inférteis e 60% das que abortam são FeLV positivas. Ocorre morte fetal, reabsorção e involução placentária no segundo trimestre da gestação. Acredita-se que seja devido a resultado da infecção uterina dos fetos pelo vírus transportado nos leucócitos maternos através da placenta. Ocasionalmente os filhotes nascem viremos e fêmeas com infecção latente podem transmitir viremia através do leite (MERCK, 2014).
Devido ao fato de o vírus ter a capacidade de ser transmitido por via transplacentária, a morte e reabsorção do feto pode ser confundida com infertilidade. Habitualmente os abortos ocorrem em fase avançada da gestação, os fetos costumam ser expelidos e ter aparência normal, no entanto, especialmente em fêmeas com neutropenia esses quadros podem estar acompanhados de endometrite bacteriana (GREENE, 2015).
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2.4 DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da doença se baseia na detecção da proteína p27, que é abundante no plasma e no citoplasma das células infectadas durante a fase aguda, sendo essa a base dos kits de testes de triagem básica. Esses testes estão disponíveis em ensaios de imunoadsorção ligada a enzima (ELISA) e em formatos de imunocromatografia de membrana para uso em clínicas veterinárias, abrigos e laboratórios (JERICÓ; ANDRADE NETO; KOGIKA, 2014).
Os filhotes de gatos poderão ser testados a qualquer momento, visto que os anticorpos maternos adquiridos passivamente não irão interferir para o teste do antígeno, porém os filhotes infectados como resultado da transmissão materna podem ser negativos ao teste de semanas a meses após o nascimento (JERICÓ; ANDRADE NETO; KOGIKA, 2014).
Segundos estudos recentes, foi concluída a acurácia diagnóstica aceitável para muitos testes de triagem para o antígeno solúvel p27 do FeLV comercialmente disponíveis, a sensibilidade variou de 92 a 94% e a especificidade variou de 92% a mais de 99%. Os resultados negativos dos testes de triagem são confiáveis devido à alta sensibilidade e da alta prevalência da infecção. (JERICÓ; ANDRADE NETO; KOGIKA, 2014)
O valor preditivo positivo, que significa a probabilidade que um com resultado positivo esteja realmente infectado para os testes de triagem atualmente disponíveis para o p27 do vírus da FeLV é baixo, menos de 90%, especialmente em pacientes assintomáticos e de baixo risco. Sendo assim, é recomendado que se confirmo o resultado de um teste de triagem positivo com outro teste (JERICÓ; ANDRADE NETO; KOGIKA, 2014).
Os resultados discordantes dos testes podem ocorrer da seguinte maneira: quando os resultados dos testes de antígeno solúvel e os confirmatórios de imunofluorescência não coincidem, sendo difícil a determinação da verdadeira condição do animal. Sendo possível que os resultados sejam discordantes se forem testados durante a fase aguda da doença, antes que o vírus chegue a medula óssea. Observa-se que em contraste a isso, os gatos que são progressivamente infectados, eventualmente podem reverter ao estado negativo em qualquer teste de detecção do antígeno. (JERICÓ; ANDRADE NETO; KOGIKA, 2014)
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O teste de isolamento viral é o aceito como referência, sendo classificado como padrão ouro para a confirmação dos testes de triagem para antígenos do FeLV. Consistindo na detecção da replicação correta do vírus, assim normalmente coincide com os resultados de testes de triagem com antígeno. 25% dos gatos testados pelos testes de detecção de antígeno tiveram resultados discordantes com o isolamento viral. Conclui-se então que estes gatos foram reagentes ao antígeno p27, porém não ao isolamento viral. (JERICÓ; ANDRADE NETO; KOGIKA, 2014)
O uso do teste de PCR para a infecção do vírus da FeLV modificou a compreensão da fisiopatologia e desfecho da doença, visto que só com ele pode-se identificar não apenas a forma progressiva, mas também quando é regressiva ou abortiva, pois consegue selecionar baixos níveis de RNV e DNA viral integrados ao genoma felino, obtendo resultados mais sensíveis(SPARKES,2015).
As neoplasias induzidas pelo vírus da Leucemia são diagnosticadas de maneira similar aos outros tumores, ocorrem a partir de exames citológicos de aspirados por agulha fina de massas tumorais, linfonodos, fluidos de cavidade corporal e órgãos afetados. Muitas vezes o sangue periférico a medula óssea encontra-se sem alterações, mas pode envolvimento leucêmico é necessário realizar o exame na medula óssea. Biópsia e exames histopatológicos dos tecidos acometidos podem ser necessários também (MERCK, 2014).
2.5 TRATAMENTO INESPECÍFICO
O tratamento inespecífico consiste no suporte a gatos infectados, no controle das infecções secundários e oportunistas, desidratação, anemia e desnutrição. A transfusão de sangue pode ser necessária, visto que grande parte das doenças relacionadas ao FeLV podem gerar anemia não regenerativa ou síndrome panleucopenica. A anemia hemolítica pode ser encontrada, sendo consequência do vírus ou do parasito Haemobartonella felis, respondendo bem ao tratamento com doxiciclina. Gatos neutropênicos irão apresentar um aumento transitório de neutrófilos com a administração do fator estimulante de colônia granulocítica. (SOUZA, 2003)
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2.6 TRATAMENTO ESPECÍFICO
Existem relatos de tratamentos utilizando antivirais e imunomoduladores que conseguem reverter a viremia ou diminuir os sinais clínicos associados a infecção, dessa maneira prolongam a sobrevida(MERCK, 2014).
2.6.1 Antivirais
O tratamento específico se baseia em drogas antivirais. Sendo as principais suramin, zidovudina e derivados do nucleosideo fosfonilmetoxietil, que são inibidoras da transcriptase reversa. O AZT (Azidotimidina) é o mais utilizado até o momento tanto em humanos quanto em felinos para infecções por retrovírus. Sendo um inibidor da enzima viral transcriptase reversa, prevenindo a conversão do RNA viram em DNA. O tratamento com o mesmo logo após a exposição viral pode fazer com que não ocorra a viremia persistente, porém não consegue evitar uma viremia pré-existente (SOUZA, 2003).
A administração do AZT para felinos doentes e infectados pelo vírus, ou até pela FIV, resulta em uma melhora tanto no estado clínico como no imunológico. Aumentando assim a qualidade de vida e a expectativa. É importante que durante a administração prolongada deste fármaco, os parâmetros hematológicos sejam monitorados em função de possível anemia, que pode ser facilitada pela formação dos corpúsculos de Heinz e a depressão da medula óssea. Em casos graves de anemia o tratamento deve ser suspenso por alguns dias (hematócrito abaixo de 20%) (SOUZA, 2003).
2.6.2 Imunomoduladores
Medicamentos imunomoduladores tem sido usados em gatos infectados pelo Vírus da FeLV. Tem como função reestabelecer a função imunológica comprometida. Seu uso é controverso devido a ausência de dados em estudos comprovados. Os agentes incluem interferon alfa, Staphylococcus proteína A, Propionbacterium acnes, acemannan e dietilcarbamazina. (SOUZA, 2003)
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O uso de imunomoduladores, como o interferon alfa humano e levamisol, resulta em um estímulo da resposta imunológica do animal, reduzindo assim os antígenos virais circulantes e gerando uma melhora no quadro clínico. Já o interferon tipo 1 e o interferon-ω apresentam propriedades antivirais, prejudicando a replicação do vírus e prevenindo infeções secundárias (BRAZ et al., 2012).
2.7 CUIDADOS ESPECIAIS
Os gatos infectados deveriam ser mantidos no interior de residências, em ambientes limpos e calmos para reduzir a chance de infecções secundárias. As vacinas essenciais (Raiva, Panleucopenia, Calicivirose e Rinotraqueíte viral) podem e devem ser administradas para animais que sejam positivos, porém assintomáticos. As mesmas devem ser inativadas e após o protocolo de primeira imunização, a revacinação deve ser a cada 3 anos (SOUZA, 2003).
Os gatos infectados podem apresentar uma sobrevida de qualidade por muitos anos se forem evitados estresse e fontes de infecções secundárias. Exames para detecção de ectoparasitos, infecções cutâneas, dentárias, tamanho de linfonodos e conferir o peso corporal a cada 6 meses são de extrema importância (MERCK, 2014).
2.8 PROGNÓSTICO
Os gatos infectados pela FeLV podem permanecer assintomáticos por muitos anos, mas a sobrevida média costuma ser de 2 a 3 anos, para um gato saudável. Já os gatos sintomáticos possuem um prognóstico mais reservado, os que possuem doenças proliferativas tem uma média de 6 meses, quando é realizado tratamento com quimioterapia agressiva. No caso de linfomas e anemias arregenerativas, o tratamento com sucesso vai resultar em remissão, mas não em cura, podendo ocorrer reincidência (SOUZA, 2003).
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2.9 PREVENÇÃO
O isolamento de gatos sadios em suas residências ainda é a melhor forma de prevenção, assim não terão contato com animais infectados. O controle da FeLV em gatis e abrigos dependem da identificação precoce através de testes e remoção de gatos que apresentem viremia persistente, isolamento de gatos com viremia transitória. (SOUZA, 2003)
Este vírus é instável no ambiente, sendo muito sensível ao calor e inativado por dessecação em poucas horas. Em ambientes com umidade pode permanecer viável por vários dias. É facilmente eliminado com desinfetantes comuns, por seu involuntório ser lipídico é rapidamente inativado por detergentes. Sem uso desses produtos, o vírus pode permanecer no ambiente por até uma semana. (SOUZA, 2003)
2.10 VACINAÇÃO
Várias vacinas foram introduzidas no mercado, que demonstraram, elas demonstraram proteção contra a viremia persistente. Costumam ser mais utilizadas as vacinas inativadas com a presença de adjuvantes. De acordo com testes de rotina, pode-se concluir que elas são responsáveis pela redução da prevalencia das infecções na população de gatos domésticos. Porém, observa-se grande dificuldade em mostrar o grau de proteção destas vacinas.Dado este fato, a eficácia da vacina é demonstrada pela comparação da proteção após um desafio virulento a um grupo de gatos vacinados em relação a um grupo de gatos controle (GROSENBAUGH,2017).
Os gatos vacinados contra o vírus e que são expostos ao mesmo costumam desenvolver viremia transitória e algumas vezes latente apesar da vacinação. Mas de modo geral gatos vacinados normalmente estão protegidos contra a viremia persistente. (BICHARD; SHERDING, 2003).
As vacinas disponíveis no mercado são inativadas, porém são utilizadas tecnologias de produção, adjuvantes e cepas vacinais diferenciadas. A maioria é produzida com o vírus completo, mas algumas são a partir de recombinação genética. (SOUZA, 2003)
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A vacina contra a FeLV é considerada não essencial “American Association of Feline Practioners and Academy o f Feline Medicine Adviory Panel on Felin e Vaccines”, mas ela deve ser recomenda em casos dos gatos estarem em risco de exposição ao vírus, ou seja, os que tem acesso a rua ou vivem em casas com gatos infectados (TATIBANA; COSTA-VAL, 2019).
A primeira vacina contra a FeLV foi aprovada em 1985, desde então essa vacina sofre diversas modificações. Nem todos os gatos respondem igualmente a vacinação, gatos imunossuprimidos podem não apresentar imunidade. O desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra esse vírus ainda representa um desafio. Alguns pesquisadores também se encontram preocupados com a possibilidade do vírus da vacina se integrar ao genoma do hospedeiro e posteriormente causar linfomas, por esse motivo os produtos aprovados apresentam o vírus inativado e a maioria contém adjuvantes ou partes recombinantes obtidos pela engenharia genética (GREENE, 2015).
Sua eficácia é controversa e são relatadas baixa incidência de reações adversas, porém uma reação adversa a longo prazo é a indução a sarcomas, o desenvolvimento de fibrossarcomas agressivos foi relatado após a aplicação da vacina da FeLV repetidas vezes no mesmo local .Os adjuvantes da vacina antirrábica e do FeLV causam a maior parte das inflamações e tem sido associadas com frequência a formação de tumores. (SOUZA, 2003)
A eficácia vacinal ainda é muito controversa, visto que os protocolos de testes variam muito de um estudo para outro, sendo difícil uma comparação significativa. Com exceção do estímulo com vírus virulento, não existem medidas pró vacinais acuradas para determinar se esses gatos estão protegidos (GREENE, 2015).
As vacinas contra o vírus da FeLV são feitas com o vírus inativado, então é necessário a inclusão de um adjuvante. Alguns casos de sarcomas estão atribuídos a inclusão do adjuvante de alumínio nas vacinas. Alguns estudos relatam que a chance de um gato desenvolver o sarcoma após uma única aplicação dessas vacinas é 50% maior em relação a um gato não vacinado, caso sejam realizadas duas aplicações a chance sobe para 127% (DALECK, 2016).
Para demonstrar a verdadeira eficácia, as vacinas devem ser testadas por um modelo de desafio, e testes de FeLV usando pelo menos p27 ELISA, PCR para RNA viral e PCR para DNA proviral devem ser conduzidos. O teste de PCR é de suma
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importância na determinação do verdadeiro estado de FeLV em gatos vacinados ou não vacinados desafiados( PATEL,2015).
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3 RELATO DE CASO
3.1 DESCRIÇÃO DO CASO
No dia 26 de abril de 2019 foi atendido no Hospital Veterinário Darabas (HVD), o felino macho Tite, de aproximadamente 1 ano, pesando 3,4kg. Animal não é castrado nem vacinado; possuía acesso à rua e apresentava pulicose. Os sinais relatados se repetiram por em torno de 10 dias.
A proprietária relatou sangramento na cavidade oral, afagia, emagrecimento, um possível episódio de hematúria, temperatura corporal elevada, e que a felina contactante da residência evita contato com o Tite.
No exame físico, observou-se desidratação moderada, escore corporal baixo( escore 2), sangramento importante na cavidade oral, gengivite, estomatites, úlceras e lesões mais profundas espalhadas por toda a mucosa oral com presença de coágulos e odor fétido (Figuras 1 e 2). Apresentou mucosas ictéricas, com exceção da oral, que estava hipercorada; e temperatura de 40,1°C. A suspeita clínica foi leucemia viral felina com infecção secundária por herpes vírus, devido às lesões encontradas.
Figura A – Lesões e coágulos na cavidade oral do felino
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Figura B – Lesões e coágulos na mucosa oral do felino Tite
Fonte: Arquivo pessoal, 2019.
Foram realizados exames bioquímicos, hemograma e o teste rápido de detecção da FeLV confirmou a infecção por ele. O teste diagnóstico para herpes vírus não foi realizado, pois não foi autorizado pela tutora, logo, não foi possível confirmar se as lesões foram causadas pelo vírus.
O tratamento sugerido foi internação, sondagem esofágica e medicamentos. A tutora autorizou apenas um dia de internação, então foram realizados procedimentos de fluido terapia com solução fisiológica, anestesia com propofol, colocação de sonda esofágica (para que o animal pudesse ser alimentado) e medicamentos, que foram prescritos posteriormente (Petprazol, orgax, lysin cat, stomorgyl e cerenia). Durante internação recebeu alimentação com o alimento pastoso recovery, da marca Royal Canin.
Mesmo em quadro geral ruim, se alimentando apenas por sonda e prognóstico ruim, a tutora o levou para casa no dia seguinte, com tratamento domicilia prescrito, e mediante termo de consentimento devidamente assinado de que o animal não havia recebido alta médica.
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3.2 EXAMES LABORATORIAIS
Os exames realizados apresentaram as seguintes alterações: leucopenia, linfopenia, trombocitopenia, ALT, e a glicose encontravam-se aumentadas (Tabelas 2 e 3). Além disso, observou-se linfócitos reativos, monócitos ativados, presença de agregados plaquetários e icterícia.
Quadro 2 – Hemograma realizado no gato Tite HEMOGRAMA
Resultado Vlr. Ref.
Absoluto Valor de Referência ERITROGRAMA
Eritrócitos 5,29 milhões/μL - 5 a 10 milhões/μL
Hematócrito 27% - 24 a 45 % Hemoglobina 8,4 g/dL - 8 a 15 g/dL V.C.M 51,04 fl - 39 a 55 fl H.C.M 15,88 pg - 13 a 17 pg C.H.C.M 31,11% - 30 a 36 % LEUCOGRAMA
Leucócitos 1,39 mil/μL - 5,50 a 19,50 mil/μL
Mielócitos 0,00% 0 /μL 0 /μL Metamielócitos 0,00% 0 /μL 0 /μL Bastonetes 0,00% 0 /μL 0 a 300 /μL Segmentados 2,00% 27,8 /μL 2500 a 12500 /μL Linfócitos 96,00% 1334,4 /μL 1500 a 7000 /μL Monócitos 2,00% 27,8 /μL 0 a 850 /μL Eosinófilos 0,00% 0 /μL 0 a 1500 /μL Basófilos 0,00% 0 /μL 0 a 200 /μL
PLAQUETAS 50 mil/μL - 175 a 500 mil/μL
PROTEÍNA
TOTAL 6,4 g/dL - 6,0 a 8,0 g/dL
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Quadro 3 – Exame bioquímico realizado BIOQUÍMICA SÉRICA
Resultado Resultado Valor de Referência
Ureia (mg/dL) 34,5 30 - 65
Creatinina (mg/dL) 0,86 0,5 - 1,4
ALT (UI/L) 167,9 08 - 52
Albumina (mg/dL) 2 2,1 - 3,9
Glicose (mg/dL) 194,2 70 - 136
Fonte: Dados da pesquisa, 2019.
3.3 DIAGNÓSTICO
O paciente recebeu diagnóstico confirmado de infecção pelo vírus da leucemia viral felina, porém, também existia uma infecção secundária associada. A suspeita principal é de que fosse por herpes vírus, mas não foi possível confirmar essa suspeita, pois não foi autorizado pela proprietária a realização de mais exames. Com as alterações hepáticas, acredita-se que o felino estivesse acometido por lipidose hepática, mas não pode ser confirmada pela ausência de exames.
3.4 TRATAMENTO
Primeiramente o animal iniciou a fluido terapia com ringer lactato a fim de tratar a sua desidratação. Posteriormente ele foi anestesiado com propofol na dose de 2 mg por kg (o animal apresentava 3,4 kg), por via intravenosa, para que fosse possível a passagem e fixação da sonda esofágica para possibilitar a alimentação do animal. Durante o tempo no hospital foi utilizado o seguinte protocolo medicamentoso: Dipirona 0,17 ml uma vez ao dia, ondasetrona 0,34 ml 3 vezes ao dia, metronidazol 6,8 ml duas vezes ao dia, tramal 0,13 ml duas vezes ao dia, todos por via intravenosa e hexomedine tópico a ser aplicado nas lesões duas vezes ao dia. Além de ser realizada a fluido terapia com solução fisiológica 5,6 ml por hora para melhora do quadro de desidratação. A alimentação pela sonda auxiliaria no tratamento da lipidose hepática.
Os medicamentos prescritos foram: Petprazol(omeprazol) 10 mg /KG, uma vez a cada 24 horas,por 15 dias, que é um inibidor de secreção ácido-gástrica;
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Orgrax 500(ácido eicosapentaenoico e ácido docosahexaenoico) uma cápsula cada 24 horas por uso contínuo, que é um suplemente mineral, na tentativa de melhorar o suporte nutricional do animal; Lysin Cat SF que é um suplemento vitamínico para reposição de lisina, que é um aminoácido essencial que contribui para a manutenção da fisiologia do sistema respiratório dos felinos, duas gramas ao dia durante trinta dias; Stomorgy 10( Espiramicina e metronidazol) que é um antibiótico muito utilizado para combater infecções na cavidade oral, uma dráguea a cada 10 kg a cada 24 horas durante sete dias; e Cerenia(Citrato de Maropitant) 8 mg /,kg, pois, por mais que o gato não apresentasse êmese, ele apresentava náuseas, meio comprimido a cada 24 horas por quatro dias. Também foi solicitado o retorno em sete dias, ou antes se necessário. Em relação a alimentação, foi recomendada a administração do alimento pastoso recovery da marca royal cannin.
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4 DISCUSSÃO
Foi recomendado para o felino Tite alguns dias de internação, porém a proprietária optou por retirá-lo no dia seguinte. Foi prescrito um tratamento suporte domiciliar. A tutora do animal não voltou para a consulta do retorno, nem para a retirada da sonda esofágica, e não conseguiu contato com ela. Acredita-se então que o gato não tenha sobrevivido.
A terapia convencional de leucemia viral felina abrange quimioterapia primária, transfusão sanguínea (quando são necessárias) e terapia suporte com fluido terapia, suplementação nutricional controle de infecções oportunistas, imuno estimulantes e corticoides (COUTINHO, 2008).
A fluido terapia e os complementos nutricionais são de grande importância para melhorar a resposta imune frente as infecções oportunistas, para isso deve-se utilizar medicamentos como Diazepam, oxazepam e cobalamina para estimular o apetite do animal. A antibioticoterapia com medicamentos como o metronidazol são amplamente utilizados para solucionar as infecções secundárias (SILVA, 2017). Por isso era de grande importância que o gato mantivesse seu tratamento hospitalar, auxiliando na desidratação e dando continuidade à terapia com metronidazol por via intravenosa.
Mesmo que as concentrações de eritropoetina estejam frequentemente elevadas em gatos com anemia relacionada ao FeLV, o tratamento com eritropoetina humana recombinante poderia ser útil, visto que também aumenta o número de plaquetas e megacariócitos, alguns estudos mostram que também aumenta a contagem de leucócitos (GREENE, 2015).
O gato Tite não apresentava anemia, mas o tratamento com eritropoetina humana poderia ser benéfico para o mesmo que contava com baixa contagem de plaquetas e leucócitos.
No caso de neutropenia, pode levar a imunossupressão grave; deve ser necessário o uso de antibacterianos em alguns gatos para evitar infecções bacterianas secundárias e até o desenvolvimento de sepse (GREENE, 2015). Mesmo que tenha sido recomendado o uso de antibioticoterapia em casa, seria ideal que o animal estivesse internado e realizasse o tratamento IV além de fluido terapia para tratar a desidratação.
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Os vírus da leucemia felina (FeLV) e da imunodeficiência viral felina (FIV) causam imunodepressão, favorecendo o aparecimento de infecções oportunistas e aumentando a gravidade das lesões na cavidade oral dos animais (FERREIRA, 2012). Por isso a importância de investir na imunidade do animal para promover a cura das infecções secundárias.
Pode ser administrado o fator estimulante de colônias granulocíticas (G-CSF); pode-se utilizá-lo para indução de aumento rápido nas contagens de neutrófilos tanto em gatos normais quanto neutro penicos (SOUZA, 2003). Seria essa uma opção para reduzir essa imunossupressão dele, porém é um tratamento de valor financeiro significativo e continua sendo necessário diagnosticar exatamente e tratar a infecção secundária.
O uso do RG-CFS tem crescido nos últimos anos tanto na medicina humana quanto veterinária, devido a sua disponibilidade no mercado. Eles regulam produção, desenvolvimento e função hematopoiéticas, possuindo indicação para reduzir a morbidade dos pacientes (LUCIDI; TAKAHIRA, 2007). Mesmo que o valor seja mais alto, hoje em dia se tem mais facilidades em encontrar esse tipo de medicamentos.
Também pode-se utilizar o tratamento imunomodulador em gatos infectados, tem-se investigado o uso da proteína A estafilocócica (SPA), que é conhecido como componente da parede celular de bactérias com atividade imune. A interferona, que é uma citocina antiviral também é avaliada para tratamentos em gatos infectados com FeLV. Estudos mostram melhora no quadro e na sobrevida. Um protocolo de tratamento sugerido é com 1 milhão de U/kg SC, a cada 24 h por 5 dias consecutivos (LITTLE, 2018).
O imunomodulador de Linfócitos T estimula a produção de interleucina 2 e interferon por linfócitos T, facilitando a atividade citotóxica dos linfócitos T. Costuma ocasionar melhora clínica de parâmetros hematológicos (LITTLE, 2018).
O interferon ômega felino também pode ser utilizado; como os gatos não desenvolvem anticorpos contra ele, pode fazer um uso parenteral a longo prazo. Sua função é inibir a replicação do vírus ao diminuir sua viabilidade e aumentando a apoptose das células infectadas. Não foram relatados efeitos colaterais (GREENE, 2015). É uma opção que tem bons resultados na sobrevida do animal e não apresenta efeitos colaterais visto que se trata de um recombinante de origem felina, que foi desenvolvido para diminuir os possíveis problemas de intolerância e o
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aparecimento de anticorpos interferon humanos que podem ocorrer em gatos (AZEVEDO, 2008).
O interferon humano também costuma ser utilizado, porém o felino acaba não sendo identificado como um componente exógeno, sendo essa uma vantagem. Ele é indicado para tratamentos contra vírus da FeLV e FIV e seu uso também é descrito como eficaz a infecções por calicivírus, coronavírus e herpes vírus (SIRAGE, 2014). O uso de interferon seria benéfico tanto ao tratamento contra o vírus da FeLV, quanto para o caso de o animal estar acometido por calicivírus ou herpes vírus.
Lipidose hepática gera uma síndrome associada a anorexia, perda de peso, atrofia muscular, icterícia, atividade elevada das enzimas hepáticas e acumulação grave de lípidos no fígado (SILVA, 2012). Havia a suspeita de que o paciente estivesse acometido por esta enfermidade, devido aos sinais clínicos (icterícia) e aos exames laboratoriais que indicavam alterações hepáticas, a provável causa seria o quadro de inapetência e anorexia que o animal apresentava e seu estado debilitante. Porém, seria interessante realizar um exame diagnóstico de raio X para confirmar a lipidose hepática, ter conhecimento sobre a gravidade da lesão e de outras áreas possivelmente envolvidas.
A lipidose hepática ocorre devido a mobilização de gordura periférica que excede a capacidade hepática. Sendo potencialmente letal e multifatorial, na maioria dos casos existe uma doença primária que causa anorexia, assim induzindo-a. Pode não apresentar ação necroinflamatória, mesmo assim a colestase grave. A síndrome está associada a várias deficiências metabólicas (MERCK, 2014).
No tratamento da lipidose hepática é de grande importância o tratamento do processo debilitante que a iniciou. Não seria necessário que haja restrição proteica, a menos em casos de hepatoencefalopatia e hiperamonemia. Hipopotassemia é relatada em cerca de um terço dos gatos acometidos pela lipidose, sendo necessário uma dieta repleta de potássio. Administrar uma dieta com antioxidantes ou suplementar antioxidantes, pode ser benéfico, visto que muitas vezes, o início da doença está associado ao estresse oxidativo. A administração de L- Carnitina, mesmo que não ocorra deficiência da mesma, pode ser benéfica a animais com esse quadro (LITTLE,2018). A sonda esofágica é considerada um dos tratamentos padrões para a lipidose hepática, porém existem outras terapias que seriam benéficas na recuperação deste paciente. A L- Carnitina, por exemplo, é um
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suplemento bastante comum em rações e auxilia na produção de ATP, na síntese de ácidos graxos e limita seu acúmulo no sangue e no citoplasma.
Os sinais clínicos do herpes vírus felino 1 costumam ser depressão, espirros acentuados, inapetência e pirexia, seguidas rapidamente por corrimentos serosos ocular e nasal, é comum haver conjuntivite e corrimento óculo-nasal abundante e mucopurulentos. Ulceração bucal é possível, mas rara. Já o calicivírus felino costuma gerar sinais similares ao herpes, porém seu sinal mais característico é a ulceração bucal, podendo ser o único sinal clínico existente, ocorrendo hipersalivação e umidade nos pelos em torno da boca. Ambos fazem parte do complexo respiratório felino (GREENE,2015). O calicivírus felino (CVF) é um patógeno com elevada infectividade entre os gatos, causando uma doença oral e respiratória agudas, sendo amplamente disseminada entre a espécie (LARA, 2012).
O diagnóstico pode ser feito a partir de sinais clínicos, ulceração predominantemente bucal poderia ser indício de infecção pelo CVF, enquanto espirros acentuados com sinais respiratórios mais graves e conjuntivais seriam sugestivos de infecção pelo HVF-1(GREENE,2015). A principal suspeita defendida era de que o responsável pela infecção secundária fosse o herpes vírus, porém, além do animal não apresentar mais nenhum sinal característico da doença, afecções orais não são tão comuns nessas infecções, então é mais provável que as lesões fossem causadas pelo Calicivírus.
O vírus é eliminado a partir de várias excreções do corpo, especialmente a saliva, então a melhor forma de prevenir a disseminação é isolar os gatos contaminados e evitar sua interação (BOTELHO, 2014). Animais não castrados podem e devem ser castrados, quando estiverem clinicamente estáveis para serem submetidos à cirurgia (Levy et al., 2008; Alves,2015). Após estar recuperado da infecção seria importante que o felino Tite fosse castrado e isolado em sua residência para evitar que ele dissemine a doença e seja acometido por outros agentes.
Opções de tratamentos como as citadas no texto, além das recomendadas pela médica veterinária que o atendeu, poderiam ser utilizadas para melhorar a qualidade e a sobrevida do animal, tratando os sintais debilitantes apresentados, porém, dificilmente seriam aceitas pela tutora do animal.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O vírus da FeLV em suas várias formas, é extremamente debilitante e reduz a qualidade e a expectativa de vida de gatos infectados, além de ser bastante disseminado e de fácil contaminação. Visto que sua vacinação não é tão eficiente, é de suma importância que os proprietários mantenham seus gatos domiciliados sadios e sempre que forem adquirir outros animais, realizem testes e re testes.
A vacina é uma boa opção para prevenção para felinos quando não se consegue evitar que os animais tenham contato com outros gatos que não se sabe a condição.
No caso de gatos já contaminados, o diagnóstico precoce é de grande importância para que o animal consiga aumentar sua sobrevida com qualidade, visto que é possível evitar complicações como infecções secundárias e prever futuras enfermidades, além de isolar o animal para que não dissemine a doença.
Apesar de já se tenham obtidos grandes avanços no estudo do vírus da FeLV, ainda se devem realizar muitas pesquisas para buscar novos tratamentos para aumentar o prognóstico dos animais infectados.
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REFERÊNCIAS
ALVES, Maria Cecília Rodrigues et al. Leucemia viral felina: revisão. PubVet, Magingá, v.9, n.2, p.86-100, fev. 2015. Disponível em:
http://www.pubvet.com.br/artigo/70/leucemia-viral-felina-revisao. Acesso em: 08 jun. 2019.
AZEVEDO, Verônica Lúcia Nobre. Lesões de reabsorção odontoclástica felina e a sua associação agatos positivosaos Vírus da Leucemia (FeLV) e da
Imunodeficiência (FIV) Felinas. 2008. 143 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2008.
BICHARD, Stephen J.; SHERDING, Robert G. Manual Saunders: clínica de pequenos animais. 2.ed. São Paulo: Roca, 2003.
BOTELHO, Sílvia Maria Almeida. Estudo epidemiológico do Vírus da
Imunodeficiência Felina e do Vírus da Leucemia Felina em gatos errantes e assilvestrados da Ilha de São Miguel, Açores. 2014. 125 f. Dissertação
(Mestrado) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2014. BRAZ, Gissandra Farias et al. Leucemia viral felina. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v.23, n.64, p.25-36, fev. 2012.
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