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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

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C.D.U. 382(813.4)

COMÉRCIO, BALANÇO DE PAGAMENTOS

E MOVIMENTOS INTER-REGIONAIS DE RENDA:

O CASO DE PERNAMBUCO

Olímpio de Arroxelas Galv5o Professor do Curso de Mestrado em Economia - CME/PIMES DA UFPE.

1 -

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Este trabalho tem como objetivo principal investigar alguns aspectos importantes do relacionamento econômico do Estado de Pernambuco com o seu exterior, atentando-se, particularmente, para os efeitos sobre a econo-mia do Estado do processo de integração por que vem passando o país nas últimas décadas.

Como princípio metodológico fundamental, partir-se-á da idéia de que o relacionamento entre regiões ou estados envolve problemas particu-lares, que implicam na adoção de perspectiva particular de investigação. Esta perspectiva particular é a do balanço de pagamentos, na qual procu-ram-se examinar, dentro de um contexto bastante amplo, todas as trans-sações de qualquer natureza realizadas entre indivíduos e instituições de diversas regiões, investigando-se o comércio exterior e o balanço de paga-mentos corno o resultado do funcionamento global da economia do Esta-do e não como um setor a ser analisaEsta-do isoladamente no contexto da eco-nomia estadual.

O enfoque do balanço de pagamentos, que permite investigar as impli-cações mais relevantes que resultam do contato da economia estadual com o seu exterior, oferece a vantagem de se obter uma visão integrada de al-guns problemas importantes da economia pernambucana e de contribuir pata a elucidação de alguns aspectos controversos da política nacional de desenvolvimento regional; particularmente no que diz respeito aos meca-nismos de transferência de recursos a nível inter-regional.

cia Trop.,Recife,3(2);153-190 jul./dezJ1975

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Comêrcio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de !rnambuco ,

Vale ressaItar,de início, que problemas.decorrentes do contato econô-mico entre regiões constituem tema de preocupação muito antigo. A . des-peito , de recursosp&a um: tràtame'ntá f or m-'àP etriorSo de ai juS desses problemas remontarem a décadas muito recentes, 17, podem ser encontradas referências bastante 'antigaà'froblérnas de'n'atuïõza regional que emergem durante o processo do crescimento econômico nacional. David Hume, nos seuscelebradosenàaios de 1752 13,14 mostrava como problemas resultantes do contato econômico de regiões com regiões eram temidos no seu tempo e em tempos mais remotos ainda. Fazia Hume referência à apreensão dos ir-landeses e escoceses face às tentativas dos ingleses de estreitar os vínculos comerciais dessas regiões com a Inglaterra, especialmente no que se referia à eliminação das barreiras alfandegárias inter-regionais, que eram elevadas, na época. Estava por trás dos receios da Irlanda e Escócia a idéia de que, quando duas regiões de graus de desenvolvimento diferentes, dentro de um mesmo país, se defrontam, o contato econômico entre elas tende a reforçar o atraso relativo (e talvez mesmo absoluto) da região de baixa produtivida-de (ou seja, menos produtivida-desenvolvida). Raciocinava-se que o comércio, proces-sando-se livremente, expunha a região de baixa produtividade à concorrên-cia vis-à-vis com regiões de mais elevada produtividade, impedindo de ma-neira considerável que houvesse um deslocamento na própria região, do ca-pital e da mo-de-obra, de atividades de baixa para atividades de alta produ tividade. Concluía-se, portanto, 4ue'ocbmérciõ'afriih6 sentidodõ dbpri-mir os setores de baixa produtividade e, pelo fato de a competição . "exter-na" reduzir o leque de novas oportunidades de investimentos; de impedir a expansão dos setores de alta produtividade, desde que grande párte destés estaria também sujeita à "destruidõra"competiçãõ' das indústrias da região mais desenvolvida. . .

Se bem que a maioria dos economistas clássicos e praticamente todos os neoclássicos tenham mostrado a falácia de muitos dos argumentos pro-tecionistas - a despeito de raciocinarem estes num contexto de país e não de região - não podem ser cónsidêrados de todo infundados os receios re gionalistas, pois mesmo na melhor das suposições da economia clássica e neoclássica - quando a região reagd favorelmente a nova situação e è be neficiã amplamente de uma mais eficiente alocaçãô de recursos e divisão dd trabalho - o ajustamento pode ser doloroso e prolongar-se por algumas ou mesmo várias décadas. E mesmo um procésso bem sucedido de busca de nÕ vas ocupações para o capital e o trabalho - ptocesso que a experiência his-tórica mostra não ser sempre garantido - viria acompanhado dedisru3çãà de tradicionais atividades econômicas, acarretando a estagnação de setores particulares da economia o fechamento de industrias e o desemprego

... . ... ...

Mais agudos se tornariam os problemas , da região de baixa produtivida de se a região econqmicamente.mais avançada desenvolvesse rn ao longo do tempo, uma estrutura econômicade naturezacompetitivã, ou seja, não complementar, em relação à.região menos desenvolvida, de modo tal que

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Olímpio de Arroxelas Galvão

fossem atingidas duramente até mesmo muitas das atividades nas quais eram mais evidentes as "vantagens comparativas" da região relativamente menos eficiente. Exemplos históricos de padrões semelhantes de desenvolvimento são abundantes, quer a nível inter-regional quer em escala internacional. Hicks, em importante e conhecido estudo, 10 mostra como a economia da Grã-Bretanha foi duramente afetada pelo tipo de crescimento econômico ocorrido nos Estados Unidos a partir das primeiras décadas deste século. Argumenta Hicks que o processo de expansão da Grã-Bretanha foi franca-mente voltado para o comércio exterior, 9 pois na medida em que o país crescia, tornava-se cada vez mais especializado e, portanto, cada vez mais dependente de importações. Dessa maneira, o crescimento da economia bri-tânica ocorria ampliando as relações econômicas do país com o seu exte-rior, caracterizando um tipo de crescimento geralmente denominado de "para fora". Esse tipo de crescimento segundo Hicks, levou a Grã-Bretanha a apresentar uma estrutura econômica que era complementar em relação aos países menos desenvolvidos, os quais forneciam suas abundantes maté-rias-primas em quantidades crescentes para um mercado em expansão. No caso da economia americana, o processo de expansão econômica se deu de maneira oposta, pois a sua enorme disponibilidade de recursos naturais per-mitia ao país americano apresentar um tipo de crescimento mais autárqui-co e, portanto, menos dependente de fontes externas de suprimento. Face aos imensos recursos naturais, ao seu amplo mercado interno e seus altos níveis de produtividade, desenvolveu a economia americana uma estrutura econômica diversificada e fortemente competitiva em relação ao seu exte-rior, passando os Estados Unidos a competir com vantagens nos merca-dos antes amplamente dominamerca-dos pelas indústrias britânicas. Este tipo de crescimento,! denominado de viesado contra o comércio externo, * foi apontado por Hiçks como uma das causas fundamentais dos problemas so-fridos pela Grã-Bretanha neste século, que passou a apresentar persistentes desequilíbrios de balanço de pagamentos e delicados problemas relaciona-dos com o emprego e o bem-estar da população britânica.

Padrões análogos de crescimento econômico a nível inter-regional ten-deriam a acarretar problemas ainda mais graves para as regiões afetadas, em vista de a interdependência econômica entre unidades regionais dentro de um mesmo país ser muito mais forte do que entre países, em vista também de as economias regionais serem geralmente bastante mais abertas que as na-cionais, ou seja, mais dependentes e vulneráveis e, principalmente pelo fato de não dispor uma região, como dispõe um país, dos conhecidos mecanis-mos de proteção e defesa de sua base econômica, tais como os da política tarifária, monetária e cambial.

Por outro lado, é mais que sabido que o desenvolvimento econômico, sobretudo nos seus estágios iniciais, tende a vir acompanhado de crescentes

lmport-biased' growtti, segundo Hlt(5, John R. An inaugural lecture. In: cAvEs. .R JOHN5ON. M- Readings in International Economia. Illinois. Irwin Inc.. 1968. p. 441-54.

ci.& Trop.,Recife,3(2):153-190juL/dez.,1975

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

desigualdades. Quando as regiões dentro de um mesmo país não apresentam a mesma capacidade ou potencialidade de crescimento, é natural que nos primeiros estágios do desenvolvimento nacional tendam a aumentar as desi-gualdades regionais devido ao aumento crescente de forças e efeitos dese-quilibradores, tais como a migração de trabalhadores qualificados e de capi-tais privados no sentido da região mais pobre para a mais rica, e a geração de economias de aglomeração propiciadas pela concentração de atividades econômicas e de população no espaço mais adiantado economicamente. A concentração econômica e a acelerada urbanização que se segue, elevam substancialmente a escassez de recursos produtivos na região de desenvol-vimento relativo maior, tornando cada vez mais escassos os recursos que poderiam ser canalizados para fins de redução de desigualdades inter-regio-nais. Ademais, a acumulação de economias externas, que gera por si só forças automáticas de elevação dos diferenciais de produtividade inter-re-gionais, faz com que os investimentos públicos sejam--mais rentáveis na região mais desenvolvida, tornando aparentemente indefensável, do ponto de vista puramente econômico, uma mais ampla e equitativa distribuição daqueles investimentos, em escala nacional. Esses investimentos públicos adquirem uma importância notável no processo de desenvolvimento, es-pecialmente em países menos desenvolvidos, pois não há negar constituir a alocação regional de investimentos governamentais uma das maneiras mais evidentes pelas quais a política econômica nacional afeta as taxas de crescimento de diferentes partes do país 12:190.5

Parece não restar dúvidas, portanto, que a simples operação das livres forças de mercado já é suficiente para provocar profundos descompassos nos padrões do crescimento inter-regional. Entretanto, as desigualdades regionais não são causadas apenas pelos diferenciais de produtividade dos recursos produtivos, disponíveis nas regiões, mas também, e de maneira fundamental, pelas políticas econômicas adotadas no país corno um todo durante o processo de desenvolvimento. Assim como as nações do mundo inteiro, as regiões de um país tornam-se cada vez mais interdependentes com o desenvolvimento. E as decisões tomadas pelo Governo Central ten-dem a exercer impacto cada vez maior sobre cada região. Não é difícil con-ceber, nesse contexto, situações em que os objetivos da política econômi-ca da região mais desenvolvida sejam identifieconômi-cados com os objetivos nacio-nais e que se vislumbrem casos de flagrante conflito entre estes e os interes-ses da região relativamente atrasada. A centralização do processo decisório - uma tendência irreversível no Estado moderno—atende evidentemente à necessidade de unificação da política econômica nacional e é uma decorrên-cia do próprio aperfeiçoamento dos processos de tomada de decisões, resul-tantes da crescente busca em direção a uma maior racionalidade econômica e social. Entretanto, em países que apresentam elevado grau de diversidade econômica, não é infreqüente observar, historicamente, políticas nacionais que contribuíram de maneira importante para acentuar os desequilíbrios inter-regionais, reforçando ao invés de contrabalançar os efeitos polarizado-r-es que resultam da operação das forças de mercado 11:23; 3e4

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Olímpio de Arroxelas GaIvo

As considerações feitas acima servirão de pano de fundo para a investi-gação a ser procedida nas próximas seções deste capítulo. Nelas, procurar-se-á mostrar se as condições resultantes do contato econômico inter-regio-nal têm sido adversas ou favoráveis para Pernambuco, em período recente, e se o intercurso comercial do Estado com o seu exterior vem atuando co-moum mecanismo transmissor ou inibidor de desenvolvimento. Condições adversas de comércio tendem a provocar problemas. típicos de balanço de pagamentos, passando a funcionar o comércio como um mecanismo impor-tante de criação de desigualdades. A análise dos padrões de evolução e da natureza dos fluxos comerciais e financeiros, pois, constitui método impor-tante de investigação das causas do crescimento económico estadual, tendo em vista o fato de ser através do comércio que muitos dos mecanismos su-geridos acima podem ser visualizados com propriedade.

1.2 - O Balanço de Pagamentos do Estado

Os sistemas de contas nacionais não permitem a realização de estudos sistemáticos a nível inter-regional. Os poucos trabalhos que têm sido desen-volvidos no Brasil, ou constituem discussões e aplicações de teorias e mode-los já consagrados na recente economia regional, de reduzido poder explica-tivo no que diz respeito à problemática do desenvolvimento regional brasi-leiro ,8 ou se concentram em investigar um aspecto importante, porém restrito, das relações inter-regionais: o comércio de mercadorias 7S5-124

Esta última linha de pesquisas, no entanto, tem oferecido um campo bastante fértil de investigação, em parte por consistir, em certa medida, numa continuacão dos estudos realizados para o Nordeste, na década dos 50, pelo GTDN 4 e em parte por possibilitar uma extensão do próprio enfoque empregado.

O comércio de mercadorias é, evidentemente, a maneira mais óbvia de se efetivar o contato econômico entre uma região e o seu.exterior. Entre-tanto, outras transações econômicas estão envolvidas, associadas diretamen-te ou não com o movimento de bens: são os fluxos de serviços, comumendiretamen-te denominados de invisíveis e os movimentos de capitais, ambos assumindo importância crítica num determinado estágio do desenvolvimento regional.

Para Pernambuco, informações com algum nível de detalhe sobre o ba-lanço de pagamentos estadual, existem apenas para o comércio de mercado-rias. A ausência de informações sobre as magnitudes dos demais fluxos, po-rém, não constitui obstáculo para a análise, que será, em grande parte, de natureza qualitativa e baseada em inferências a partir do balanço comercial e da estrutura da economia pernambucana. Uma inferência acerca do senti-do senti-dos fluxos de serviços e de capitais é suficiente para os objetivos deste trabalho.

cL& Trop.Recife,3(2):153-190 juI./dez.,1975

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

1.2.1 - O Balanço Comercial

O estudo do balanço comercial do Estado é possível, para um período recente, tomando-se por base os dados coligidos pelo IBGE, em Colabora-ção com as secretarias de Fazenda estaduais, que desde o ano de 1960 vem realizando levantamento do comércio de mercadorias, ao nível de unidades da Federação, por vias internas e por cabotagem. A despeito dos conhecidos problemas de abrangência em levantamentos de tal natureza, as informações disponíveis contém um elevado grau de desagregação, permitindo exame minucioso da estrutura, composição e evolução do comércio de mercadorias dos Estados brasileiros. Lamentavelmente, porém, desde 1969 não foi mais possível ao IBGE levantar informações para alguns estados do País, de mo-do que, perdimo-do o elo da cadeia a partir de então, teve-se de limitar grande parte da análise ao período de 196068.*

Cabe ressaltar de início, que é extraordinária a importância do Comér-cio externo para Pernambuco, revelando o Estado um elevado grau de aber-tura para com o seu exterior. Tanto quanto no passado, o comércio externo de mercadorias ocupa no presente posição fundamental de destaque na eco-nomia estadual, como se pode depreender da Tabela 1 e da análise que se seguirá adiante.

Com efeito, considerando englobadamente as exportações e importa-ções, ou seja, os fluxos totais do comércio de Pernambuco com o País e o exterior, observa-se que sua participação na renda interna do Estado osci-lou, em praticamente toda a década passada, entre os 60 e 80% (ver última coluna, Tabela 1). A importância desse comércio -é ainda mais ressaltada a-través da comparação entre os fluxos totais de exportações de mercadorias e o produto físico gerado na economia do Estado t (ver colunas 9 e 10, Tabela 1). E interessante observar como é elevado o volume do comércio externo de mercadorias em relação ao produto físico interno - as exporta-ções, as importações e o produto físico praticaménte se equivalendo em to-do o períoto-do 1960/67, cheganto-do mesmo o valor das exportações e impor-tações - consideradas isoladâmente - a suplantar toda a produção gerada no setor agrícola e na indústria, em diversos anos da série estudada.

* Os Estados brasileiros nos quais houve interrupção no levantamento das informações de seus fluxos comerciais com os demais Estados da Federação são Minas Gerais e São Paulo. Em 1873, po-rém, em reunião promovida conjuntamente pela FIAGE e Secretaria de Planejamento da Presi-dência. em Porto Alegre, fo i mencionado que seriam retomados os trabalhos naqueles Estados. voltando suas secretarias de Fazenda a prestar colaboração ao IBGE. Todavia, até a publicação do mais recente Anuário Estatístico do Brasil, em 1975, as informações sobre o comércio de mercadorias por vias internas continuavam a reqistrar a ausência dos Estados citados.

* O produto físico constitui o total da renda gerada na agricultura e na ind(jstria. Exclui, portanto, os serviços.

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

Tamanha importância do comércio na economia estadual decorre do singular papel que desempenha Pernambuco no Nordeste, como centro re-distribuidorde mercadorias para toda a região -como se mostrará adiante - mas resulta fundamentalmente da pobreza da base de recursos naturais do Estado, que o levou a desenvolver ao longo de quase 500 anos de histó-ria, uma estrutura econômica altamente especializada e fortemente depen-dente, seja de mercados externos para reduzido conjunto de produtos de exportação, seja do suprimento de diversificadas e volumosas importações de matérias-primas, bens de consumo e equipamentos.

Não é porém o exterior do país - tal como ocorria outrora - que ex-plica o volumoso comércio apresentado pelo Estado. Se no passado o co-mércio exterior forneceu a Pernambuco o impulso básico do seu desenvol-vimento, tem este hoje, quantitativamente, expressão modesta no Estado, visto representarem as exportações para o exterior menos de 1/5 do total exportado pelo Estado e cerca de tão-somente 7% da renda interna esta-dual, contra 35 a 40% do comércio total de exportação. É o relacionamen-to com os demais Estados da Federação, portanrelacionamen-to, responsável pela gera-ção de mais de 4/5 dos fluxos comerciais de Pernambuco.

Esta enorme importância do comércio interno para Pernambuco - e de modo especial o comércio com Estados não nordestinos - é fenômeno relativamente recente pois apresentava pouca expressão ainda nas primeiras décadas deste século quando não passava então o Brasil de um conjunto de ilhas econômicas desarticuladas entre si, adespeito de inteiramente articu-ladas ao comércio internacional pela navegação de longo curso. A ausência ou precariedade da rede de comunicações internas impedia o intercurso in-terregional de comércio, que se fazia em quase totalidade pela navegação de cabotagem, meio de transporte que nunca teve grande expressão no País. Na medida, porém, em que se processava a integração viária das regiões, ganhava importância o comércio interno, funcionando a expansão das ro-dovias como um mecanismo análogo, economicamente, a uni processo con-tínuo de redução de barreiras alfandegárias, com implicações notáveis sobre

a economia estadual, como será examinado adiante.

-Conclui-se, em suma, que as vinculações do Estado com o exterior da nação eram, no passado, muito mais fortes do que com outras regiões do Pais. No século XX, e sobretudo nas últimas décadas, a dependência econô-mica do Estado em relação ao exterior reduziu-se de maneira considerável, o que ocorria pari passu com o fortalecimento dos vínculos econômicos com o resto do País, ou seja, na medida em que se intensificava o processo de integração entre as diversas regiões brasileiras. Caberià perguntar, então, se o comércio interno tem constituído urna fonte de dinamismo para a nomia do Estado e se a mudança ocorrida nos padrões de dependência eco-nômica - do exterior para o resto do País - tem-se verificado de modo a proporcionar efetivas vantagens para a economia estadual.

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Olímpio de Arroxelas Galvão

Uma idéia da evolução recente do comércio de mercadorias de Per-nambuco com o exterior pode ser extraída a partir das Tabelas 2, 3, 4 e 5 *

A exemplo do que ocorreu na Região Nordeste 725-124 aevoluçodo' comércio externo de Pernambuco apresentou na década passada um des-compasso progressivo no ritmo de crescimento de suas exportações e im-portações totais. Ao longo do período estudado, o comércio de exporta-ção se mostrou estagnado e mesmo com uma ligeira tendência a queda, a despeito de dar a impressão de revelar leves sinais de recuperação no últi-mo triênio da série disponível, quando as exportações cresceram a taxas positivas de 3,5%, 13,3% e 7,3%, nos anos de 1966 a 1968, respectivamen-te. O comércio de importações, ao contrário, excluindo-se o ano de 1962, revelou impressionante dinamismo, especialmente nos 3 últimos anos da série, quando as importações evoluíram - a uma taxa média anual de cerca de 15%, com firme tendência à aceleração.

Segundo informações parciais disponíveis, complementadas com al-gumas inferências a partir dos padrões de evolução da economia nacional, não parece haver dúvidas de que gozava Pernambuco, até a década de 50, de superavit relativamente grande nas suas operações comerciais com seu exterior. Se bem que até o ano de 1959 era deficitário o comércio com o exterior do País, (ver Tabela 2) o comércio interno, seja com p Nordeste, seja com os demais Estados da Federação, proporcionava a, Pernambuco um substancial saldo de balanço comercial, suplantando em muito o defi-cit com países estrangeiros. Tal situação decorria da colocação nos merca-dos nacionais de grande parte merca-dos excedentes estaduais do açúcar, do algo-dão e de produtos têxteis, sobretudo, e também resultava, de certa forma, da privilegiada posição no Nordeste de que desfrutava o parque industrial do Estado. Dessa forma, mesmo supondo negativa a conta de serviços, o que parece correto, devia apresentar um elevado saldo positivo o balanço de transações correntes. E assim, portanto, mesmo se se acredita ter goza-do Pernambuco de certo equilíbrio no seu balanço de pagamentos, resul-tavam ser substanciais - para as dimensões da economia estadual - os flu-xos de capitais para fora do Estado, via sistema financeiro, possivelmente à exceção dos anos de seca, quando se processavam elevados movimentos de capitais para a região Nordeste, para atendimento das populações flage-ladas.

Voltando ao exame dos fluxos de comércio, observa-seque no primei-ro ano da década passada, tornou-se favorável o balanço comercial com o exterior do País, posição mantida até o ano de 1974 e, aparentemente, sem

* Os dados básicos que serviram à confecção das tabelas citadas foram extraídos dos seguintes docu-mentos: SUDENE/AT. Evolução das exportações do Nordeste para o exterior- Recife, 1969. Mi-rneo9. SUDENE/AT. Importância do comércio exterior no desenvolvimento da economia do Nordeste. Recife, 1970. Mimeo q .

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TABELAS

PERNAMBUCO: EVOLUÇÃO DOS SALDOS DOS BALANÇOS COMERCIAIS, 1956-1968

(APREÇOS DE 1967)

SALDO DOS BALANÇOS COMERCIAIS (Cr$ 1.000.000,00

Anos ICom o Exterior

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1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1961 1968 353 297 309 242 233 229 276 360 435 —91,5 —26,2 —14,7 —41,1 38,7 20,0 25,3 60,4 20,9 76,0 48,7 41,1 17,6 —243 —284 —340 —143 —289 —339 —401 —511 —679 110 13,0 —31,0 99,2 —56,4 —110 —125 —151 —243 149 33,0 5,65 160 —35,5 —34,1 —76,3 —110 —226

FONTE DOS DADOS ORIGINAIS: SUDENE-AT.

nenhum indício de reversão. Entretanto, mesmo com a inversão ocorrida no comércio exterior, desaparece nos primeiros anos da década a situação aparentemente favorável de que gozava o Estado em relação ao seu balanço total de comércio. Em virtude da relativa estagnação do seu comércio de exportação e do elevado dinamismo das importações, passou o Estado a apresentar saldos negativos no seu balanço comercial, deficits que inicial-mente pequenos, em termos relativos, tornaram-se crescentes em meados da década passada, de modo a representarem já em 1968— último ano pa-ra o qual se dispõe de informações completas - cerca de 8% da renda inter-na líquida do Estado.

O exame dos fluxos comerciais do Estado, por destino e origem, per-mite localizar precisamente onde ocorreram as transformações mais expres-sivas no relacionamento da economia pernambucana com o seu exterior e possibilita, particularmente, investigar as razões principais da inversão do seu saldo comercial.

Com respeito ao comércio com o exterior do País, já foi visto que até 1959 era deficitário o balanço comercial. A partir de 1960, em virtude da exclusividade concedida ao Nordeste nas exportações do açúcar brasileiro

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para o mercado preferencial americano, inverteu-se a posição do Estado, si-tuação que perdura até hoje. Registre-se, todavia, que a modificação ocor-rida foi do tipo "once for ali - pois daquele ano até 1972 - quando se dá uma escassez anormal do açúcar nos mercados internacionais - mantive-ram-se virtualmente estagnadas as exportações do produto. Tal tipo de a-contecimento, via de regra, não é capaz de fornecer impulsos dinâmicos à economia pois, como é sabido, além de expressiva é necessário que a de-manda externa seja crescente para constituir o comércio uma fonte real-mente importante de crescimento. Ademais de tudo, ocorrera simultanea-mente com a colocação do açúcar nordestino no mercado americano a per-da dos importantes mercados do Centro-Sul - que se tornara auto-suficien-te do produto - anulando de forma acentuada os benefícios trazidos pela conquista do novo mercado internacional. *

Merece registro, de igual modo, o comportamento apresentado pelas importações. A inversão do saldo comercial com o exterior do País, men-cionado acima, não se deveu apenas a um melhor desempenho das expor-tações, mas também de maneira importante à drástica redução das impor-tações provenientes do exterior (ver Tabela 4). Na verdade, essas importa-ções atingiram em 1965 um nível que era 35% mais baixo do que o do ano de 1957, se as importações são medidas em cruzeiros constantes de 1967, e a mais de 50% se são medidas em termos de dólares correntes. Ocorreu, portanto, como seria de esperar, uma sensível alteração no sentido dos fluxos das importações, resultado, por certo, das políticas tarifária e cam-bial e da Lei do Similar Nacional adotadas no Brasil, acarretando a subs-tituição gradativa das fontes supridoras do exterior pelas do Centro-Sul do País, a bem da verdade, com flagrantes desvantagens para o Estado, em vista dos conhecidos baixos níveis de eficiência do parque industrial bra-sileiro, quando medidos com base em padrões internacionais.

No triênio 1966-68, porém, parece verificar-se uma interrupção da tendência declinante das importações, que passam a revelar relativo dina-mismo, sem ficar configurada, todavia, até anos recentes, verdadeira evi-dência de inversão de tenevi-dênciaOcorreu, ao que parece, expansão acele-rada em alguns itens da pauta de importação (ver tabela 6), em decorrên-cia da demanda criada pela implantação de novas fábricas instaladas no Estado, notadamente de máquinas e equipamentos ainda não produzidos

* Segundo informações coligidas pelo GTDN, enquanto as exportações de açúcar do Nordeste para o Centro-Sul totalizaram, em média. 408 mil toneladas anuais no período 1948-56, as realizadas para o exterior do País não atingiram as 142 mil toneladas. Ver GTON, op. cit. p. 39.

* * No qüinqüênio 1970-74 foi substancial o saldo do balanço comercial com o exterior, facaà explo-são dos preços do açúcar nos mercados internacionais, a partir de 1972. As importações de Per-nambuco apresentaram porém, moderada evolução até 1972, registrando crescimento espetacu-lar em 73 e 74, por certo mais como decorrência dos aumentos explosivos nos preços interna-cionais, do que propriamente devido a dinamismo da demandapernarnbucana de importações do exterior.

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Comércio. balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

no Centro-Sul do País. São, no entanto, ainda os gêneros alimentícios os produtos mais importantes de nossas importações, representando no ano de 1969 perto de 40% de todas as importações pernambucanas do exte-rior.

Analisando perspectivamente agora, o setor externo, é difícil admitir que possa o comércio com o exterior do País constituir uma fonte impor-tante de crescimento futuro para a economia pernambucana. Se bem que o açúcar atingiu em anos recentes conjuntura de excepcional favorabilida-de não se pofavorabilida-de acreditar ser duradoura a situação em relação ao pro-duto, visto já se revelarem nos primeiros meses de 1975, uma relativa nor-malização nos mercados internacionais, com sensível tendência de regresso aos preços do início da década. Ademais, vários outros fatores devem ser considerados para se avaliar, em termos perspectivos, a importância do açú-car como fonte de crescimento para a economia pernambucana. Um deles se refere à suspensão do bloqueio econômico contra Cuba, conforme deci-são recente da Organização dos Estados Americanos. Como, durante todo o período que precedeu à suspensão do bloqueio, não deixou o movimento liderado por alguns países latino-americanos, de contar com a boa vontade e mesmo o incentivo dos Estados Unidos, por óbvias razões de política in-ternacional, é praticamente imediato que voltará o país cubano a disputar novamente os mercados ocidentais do açúcar, particularmente os dos Esta-dos UniEsta-dos, não sendo difícil inferir, portanto, que serão o Nordeste, em geral, e de modo especial Pernambuco, seriamente atingidos. Outro fator diz respeito à relativa inelasticidade da oferta do açúcar no Estado signifi-cando que, mesmo se forem promissoras as perspectivas quanto à expansão do quantum exportado, não teria condições Pernambuco de se beneficiar amplamente de novo surto da demanda internacional, pois é sabido não oferecer o Estado condições naturais favoráveis para grande expansão da área cultivada com a cana.** Por fim, embora ainda sem esgotar as

dificul-dades por que passaria o parque açucareiro do Estado, merece especial consideração a política adotada na Região pelo IAA, de retenção do dife-rencial de preços que o organismo paga ao produtor e aquele que é obtido nas vendas nos mercados internacionais.*** Como a retenção parece ser

realmente elevada, parte significativa dos aumentos registrados nos preços

O preço médio do açúcar exportado pelo Brasil evoluiu de 127 dólares, no período 1968172. para 197 dólares em 1973 e 559 dólares em 1974. Ver BOLETIM 00 BANCO CENTRAL DO BRA-SL. Relatório anual 1374. Brasilia, 11(3) mar- 1975.

* Restaria, evidentemente, a alternativa - bem mais difícil - de crescimento da oferta por increnten, tos nos níveis de produtividade, quer agrícola quer industrial. A experiência brasileira com a sua agricultura não autoriza, porém, otimismo exagerado, pois não se conhecem exemplos expressi-vos, na agricultura nacional, de crescimento resultante de aumentos significativos de produtivi-dade. (Ver do autor: Recent Trends in the Agricultural Development of Brazil: The perspectives of a Green Revolution. cME-PIMES. Texto para discussão nP 21, setembro de 1975).

•* Esta política de retenção, chamada por alguns de confisco cambial, representaria sem dúvida uma drástica transferência de recursos do Nordeste para o resto do País, caso o IAA não os gastasse na própria região.

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Olímpio de Arroxelas Galvâo

não é apropriada pelos produtores e na medida em que não se procure uma alternativa eficiente de gastar os recursos no Estado, pouca repercus-são teria para Pernambuco uma elevação nas exportações que consiste

tão-somente em alterações nos preços.

O açúcar, é bom lembrar, representa cerca de 70 a 80% da pauta de exportações de Pernambuco para o exterior do País, sem apresentar indí-cios de perda de sua importância relativa nem mesmo em período mais re-cente, a exemplo dos primeiros quatro anos da década dos 70, como se pode observar pela Tabela 7. A evidência, portanto, é a de que a posição externa do Estado estará fortemente associada às condições futuras da co-mercialização do produto nos mercados internacionais. A mesma tabela citada revela, também de modo inequívoco, como se concentra o restan-te das exportações pernambucanas em conjunto pouco diversificado de produtos tradicionais, particularmente o algodão em pluma, os óleos de mamona e outros derivados da cana tais como os melaços e o álcool etíli-co - todos produtos de reetíli-conhecidamente baixas elasticidades - renda de demanda e sujeitos a largas flutuações de preços nos mercados mundiais. Os novos itens da pauta de exportações, a exemplo de calçados, sucos de frutas, componentes de telefonia e mesmo refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, têm comparecimento apenas simbólico, não parecendo, em futuro próximo, serem capazes de comandar tendência para uma diversifi-cação expressiva das exportações estaduais. Um otimismo baseado na su-posição de que o quadro descrito poderá sofrer alterações na medida em que se consolidar o recente parque industrial em formação no Estado, não parece bem fundado. A política federal de estímulo às exportações via in-centivos fiscais e financeiros, e a política cambial baseada em desvaloriza-ções periódicas do cruzeiro, adotada no País desde o ano de 1968, vem se

constituindo em instrumentos realmente eficazes para a expansão das expor-tações, a nível nacional. Entretanto, o impacto dessas medidas não deverá ser grande, como não o foi até agora, em Pernambuco. Afora casos espe-ciais de enclaves estrangeiros em regiões subdesenvolvidas, há escassos regis-tros históricos de economias que tenham obtido sucesso nos mercados in-ternacionais de produtos industrializados, sem antes terem desenvolvido um largo mercado interno, capaz de proporcionar às indústrias exportadoras a geração das economias internas e externas necessárias para o acesso aos dis-putados e competitivos mercados mundiais de manufaturados.

Analisando, agora, o comércio interno, ou seja, aquele entre Pernam-buco e as demais Unidades da Federação, vale destacar inicialmente o reali-zado entre o Estado e a Região Nordeste. Em virtude de sua situação geo-gráfica privilegiada - em meio ao Nordeste -, do seu porto marítimo e da importância regional de sua capital, apresenta Pernambuco uma posição pe-culiar na Região, destacando-se como centro redistribuidor para o Nordeste de mercadorias importadas de todas as partes do País e mesmo do exterior, conforme se pode verificar pela Tabela 2, já citada. Esse comércio de Per-nambuco com os demais Estados da região lhe proporciona um substancial

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

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Olímpio de Arroxelas Galvo

saldo de balanço, em parte compensando o seu volumoso e crescente def i-cit para com o resto do País (ver Tabela 5). Com efeito, as exportações de Pernambuco para o resto do Nordeste corresponderam, em 1967, a cerca de 43% do total dos fluxos intra-regionais e o seu saldo para com a Região equivaleu aproximadamente a cerca de 11% da renda interna do Estado. O valor dessas exportações, ademais, correspondeu, naquele ano, a 67% do total exportado do Estado (incluindo-se as exportações para o exterior) e a quase 59% de todas as importações de Pernambuco, indicando, assim, que parte expressiva das importações do Estado é reexportada para os demais

Estados da Região.

O exame da evolução dos fluxos intra-regionais de comércio, no perío-do de 1960-68, revela que as exportações de Pernambuco para o Nordeste se mostraram estagnadas até 1965, a partir de quando passaram a apresen-tar relativo dinamismo, evoluindo a uma taxa média anual de 10%, no últi-mo triênio do período. Em contrapartida, as importações provenientes da Região de ascendentes até 1965, passam a declinar sensivelmente a partir desse ano, reduzindo-se em cerca de 10% em média, anualmente, nos últi-mos três anos da série (ver Tabelas 3 e 4). A continuar, portanto, a tendên-cia de o Estado comprar cada vez menos do Nordeste e vender cada vez mais a essa região, será ampliado - ao contrário do que seria válido espe-rar - o papel de centro redistribuidor de mercadorias, exercido pelo Estado de Pernambuco, o que certamente aconteceria sem trazer vantagens seja para o Estado seja para a Região como um todo se tal fenômeno estiver expressado - como parece ser o caso - nada mais que um deslocamento de fontes supridoras nordestinas, tanto no sentido do Nordeste para o Estado quanto deste para a Região.

Ora, se tanto o balanço com o exterior do Pais como o resultante do realizado com a Região Nordeste, apresentam-se superavitários, é portanto o comportamento do comércio de Pernambuco com o resto do País que explica o desequilíbrio crescente do balanço comercial do Estado.

A tabela 5 evidencia com bastante clareza, para o período de 1960-68, a evolução dos saldos comerciais de Pernambuco no relacionamento com o seu exterior. Mostram os dados (ver também Tabelas 3 e 4) que enquanto as importações estaduais de fora da Região Nordeste revelam firme tendên-cia à expansão, espetendên-cialmente no último triênio da série, com taxas de cres-cimento de cerca de 22%, em média, anualmente, caem de modo acentuado as exportações pernambucanas para o resto do Pais (exclusive o Nordeste), com ligeira tendência à recuperação apenas nos dois últimos anos do perío-do estudaperío-do. Com efeito, ao passo que as exportações estaduais para o resto do País caem em 1968, em relação a 1960, para cerca de metade apenas do valor exportado as importações revelam uma quase duplicação de valor

* As exportações de Pernambuco para o resto do País (exclusive o Nordeste) caíram de uma média de Cr$ 202 milhões (a preços constantes de 1967) no triênio 1960-62, para Cr$ 114 milhões, notriénio de 1966-68.

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Comércio, balança de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

no mesmo período. Resultou daí um volumoso e crescente deficit comer-cial que não tem mais sido coberto, como no passado, com os saldos positi-vos das transações de Pernambuco com o Nordeste e o exterior do País.

A investigação das razões que explicam o desequilíbrio assinalado é questão da mais alta importância para Pernambuco, pelas implicações sobre a base econômica estadual e sobre as perspectivas quanto ao desenvolvi-mento futuro do Estado. Conhecer as causas mais profundas do desequilí-brio é, de certa forma, compreender também as razões principais que têm levado Pernambuco a presenciar uma perda crescente da sua importância econômica no cenário nacional e mesmo regional e que, de igual modo, têm sido em parte responsáveis pelo visível empobrecimento relativo e tal-vez mesmo absoluto, da sua população.

Vale examinar de início a natureza e a direção dos fluxos comerciais que se processam entre Pernambuco e as diversas regiões do País. Os dados contidos na Tabela 8 revelam o importante fato de que os mercados

con-TABELA 8 PERNAMBUCO

EXPORTAÇÕES POR VIAS INTERNAS, SEGUNDO AS REGIÕES DE DESTINO 1967-1969 Norte Nordeste Centro Oeste Sul Sudeste São Paulo Rio de Janeiro* 1967 valor em (Cr$ 1.000) % 8.340 1,3 544.402 86,6 3.036 0,5 7.047 1,1 66.082 10,5 43.295 6,9 16.670 2,7 1968 vajor em (Cr$ 1.000) 9.344 1,1 712.328 85,7 4.163 0,5 10.283 1,2 95.294 11,5 62.392 7,5 24.262 2,9 1969 vauor em (Cr$ 1.000) % 11.300 1,1 874.120 84,5 5.710 0,5 13.808 1,3 129.846 12,6 85.785 8,3 30.323 2,9 TOTAL 628.907 100 831.412 100 1.034.784 100

FONTE FIBGE. Comércio Interestadual - Exportação por Vias Internas, Pernambuco, 1967. 1968 e 1969.

*

Inclui o antigo Estado da Guanabara.

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Olímpio de Arroxeias Galvão

sumidores da região economicamente mais desenvolvida do País - o Sudes-te - apresentam reduzida expressão no que diz respeito à absorção de ex-portações pernambucanas. Com efeito, esta região absorveu de Pernambuco, no período 1967/69, tão-somente 11% de todas as exportações estaduais por vias internas, enquanto 85% dessas exportações eram destinadas aos de-mais Estados nordestinos E São Paulo, o Estado de-mais desenvolvido do País, concorria tão-somente com 7 a 8% da demanda total pelas exportações de Pernambuco.

Parece não restar dúvida, porém, de que representou o Sudeste em passado recente, papel bem mais importante como demandador de produ-tos pernambucanos. À falta de informações mais completas sobre o inter-curso comercial do Estado com a região citada, em décadas passadas, con-trapõem-se alguns registros fragmentários porém suficientemente indicati-vos de que outrora constituía Pernambuco fonte supridora de não despre-zível importância para os mercados centro-sulinos. E o que mostra a tabe-la abaixo, cujos dados se bem que retabe-lativos a exportações nordestinas para

TABELA 9

EXPORTAÇÕES DE AÇÚCAR E DO ALGODÃO DO NORDESTE (1.000 toneladas) AÇÚCAR ALGODÃO Total ANOS Para o 1 Para o Centro-Sul 1 Exterior Para o Para o Centro-Sul 1 Exterior Total 1948 340 318 658 75 21 96 1949 459 38 497 50 3 53 1950 403 24 427 53 8 61 1951 455 18 473 50 15 65 1952 346 43 389 34 1 35 1953 362 256 618 42 42 1954 402 162 564 73 25 98 1955 324 399 723 77 37 114 1956 585 19 604 104 6 110

FONTE: GTDN "Uma política de desenvolvimento econômico para o Nor-deste", 1950,2 ed. Recife, Sudene, 1967. p. 39.

* As regiões Sul, Norte e Centro-Oeste aparecem com presença apenas simbólica como demandado-ras de exportações de Pernambuco, as duas primeidemandado-ras com participações de pouco mais de 1% e a última com cerca de 0.5%, indicando ser praticamente nula a penetraç5o dos produtos per-nambucanos nos mercados dessas regiões.

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

o Centro-Sul, não escondem a ponderável presença de Pernambuco, espe-cialmente no caso do açúcar. Ademais, embora não presentes na tabela aci-ma, sabe-se com certeza que além do algodão e do açúcar, outros produ-tos pernambucanos, particularmente os da indústria têxtil e da de gêneros alimentícios, encontravam nos mercados extra-regionais fonte importante de escoamento.

Informações recentes sobre os fluxos inter-regionais de comércio, to-davia, revelam a perda praticamente total dos amplos mercados de que gozava a Região Nordeste, e sobretudo o Estado, na região Sudeste do País. Na pauta de exportações de Pernambuco para os dois estados mais importantes do Sudeste - São Paulo e Rio da Janeiro— conforme se po-de verificar pela Tabela 10, registraram-se o po-desaparecimento total do açúcar e as presenças diminutas dos produtos têxteis, bem como do algo-dão e de outras matérias-primas produzidas no Estado.* *

O fato é que passou o Nordeste e, de modo especial Pernambuco, a constituir um mercado de maiores proporções para o Centro-Sul do que esta região para o Nordeste como um todo e para o Estado, tornando-se o Centro-Sul vendedor em Pernambuco e nos demais Estados nordestinos de quantidade substancialmente maior de mercadorias do que as compra-das ao Nordeste e, particularmente, a Pernambuco.

Não seria válido esperar, ao contrário do que ocorreu, que o intenso crescimento da economia brasileira, e particularmente o da região Sudes-te do País, acarretasse uma demanda crescenSudes-te pelos produtos de exporta-ção de Pernambuco?

Positiva seria a resposta se tivessem sido outros os padrões de desen-volvimento da economia nacional. Ocorreu, entretanto, que o enorme de-senvolvimento verificado na região economicamente mais avançada do País edificou-se sobre bases eminentemente competitivas em relação ao Nordeste, e Pernambuco, que tinha mais a perder - pela condição, alta-mente especializada de sua economia e pelo relativo grau de desenvolvi-mento alcançado pelo seu parque industrial - foi o mais afetado dos Es-tados nordestinos.

Não é difícil encontrar razões para explicar os padrões de desenvol-vimento assumidos pelas regiões mais avançadas do País. O Centro-Sul, e particularmente o Sudeste, apresentavam condições naturais bem mais favo-ráveis que o Nordeste para a expansão da produção agrícola. Contando com numerosa população - que lhe fornecia mão-de-obra abundante e de

* Inclusive o antigo Estado da Guanabara.

* * Em 1969, apenas Maranhão. Piauí e Sergipe, no Nord*te, compraram menos a Pernambuco do que So Paulo; e apenas Sergipe comprou menos do que a Guanabara e o Rio de Janeiro juntos.

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3.183 2.199 42 540 3.806 2.888 375 116 0.0 0.0 5.458 1.585 0.0 1.075 531 303 20.131 6.187 5.174 2.723 1.674 0.0 36.621 25.060 2.894 2.418 0,0 14.077 4.769 2.956 1.495 955 2.510 2.495 1.946 1.485 188 128 3.200 2.556 0,0 0.0 192 162 2.196 593 1.262 0.0 0.0 0.0 5.761 273 2.860 0.0 356 310 10.472 -6.858 0.0 1.617 487 3.945 2.310 0.0 0.0 0,0 2.800 2.792 Olímpio de Arroxelas Galvão

TABELA 10

EXPORTAÇÃO POR VIAS INTERNAS DE PERNAMBUCO PARA OS ESTADOS DE S.PAULO E RIO DE JANEIRO * 1969

CLASSES PRODUTOS SÃO PAULO RIODEJANEIRO

ANIMAIS VIVOS

MATÉRIAS PRIMAS EM BRUTO E PREPARADAS Peles e couros de gado

Algodão

Outras vibras vegetais

III GÉNEROS ALIMENTÍCIOS E BEBIDAS Bebidas alcoólicas não fermentadas Cacau

Preparações de açúcar Preparações de frutas Laticínios

IV PRODUTOS QUÍMICOS,FARMACÉUTICOS E SEMELHANTES

Medicamentos

Inseticidas, fungicidas e desinfetantes Explosivos

Tintas, secantes e vernizes

Cores, pigmentos e opacificantes p1 cerâmica V MÁQUINAS E VEÍCULOS, SEUS PERTENCES

E ACESSÓRIOS Artigos elétricos

Geladeiras, refrigeradores e semelhantes Veículos a motor e seus acessórios Aparelhos de Telecomunicação Máquinas e aparelhos p1 ind. gráfica VI MANUFATURAS CLASSIFICADAS

PRINCIPALMENTE SEGUNDO A MAT.PRIMA Tecidos comuns de algodão

Materiais pi construção Roupas de cama e mesa

Papel e cartão em bobinas, folhas ou rolos VII ARTIGOS MANUFATURADOS DIVERSOS

Roupas feitas

Lanternas e lâmpadas portáteis Calçados de mat. plástica Outros calçados

VIII OURO, MOEDAS, TRANSAÇÕES ESPECIAIS Mercadorias em retorno

FONTE: FBGE, Exportações por vias internas, PE. 1969.

* Inclui o antigo Estado da Guanabara

Ci.& Trop.,Recife.3(2):153-190juI.fdei.,1975

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

baixo custo - mais capitalizada e sem muitas opções para ocupações al-ternativas dos seus recursos produtivos adicionais e tendo recebido o apoio de uma política econômica que, se desprezava qualquer noção de eficiên-cia quando se tratava de proteger as atividades econômicas nacionais con-tra a competição escon-trangeira - via tarifas e outros instrumentos da políti-ca comercial - aplipolíti-cava com rigor o princípio do maior retorno quando estavam envolvidos interesses regionais, não seria de admirar que rapida-mente a região Sudeste atingisse elevado grau de autarquia em relação ao resto do País.

O Sudeste cresceu, portanto, competindo com o Nordeste em prati-camente todas as linhas de produção. Esta última região, sem contar com os abundantes mecanismos da política comercial; que garantiram às indús-trias do País a necessária proteção vis-à-vis o exterior, foi perdendo terre-no até mesmo naquelas atividades nas quais outrora eram mais evidentes suas vantagens comparativas face ao Centro-Sul.

A Tabela 11 fornece a evidência para o produto mais importante da economia pernambucana: o açúcar. Observe-se que até quase o final da dé-cada dos 40 era modesta a produção desse produto nos Estados centrosulinos, sendo a produção de São Paulo o maior produtor dessa região -ainda inferior à do Estado de Pernambuco. A partir de então registra-se no-tável expansão da produção açucareira nesses Estados, de modo que nos primeiros anos dos 50 já superava ligeiramente São Paulo a produção per-nambucana e no início dos 70, a despeito de Pernambuco ter triplicado o volume produzido, a produção paulista superava em cerca de três vezes e meia a produção pernambucana. Passou, portanto, o Sudeste, a abastecer a si próprio e a conquistar parte significativa dos mercados nacionais do açúcar e a gerar apreciável excedente exportável que disputa hoje com o Nordeste, os mercados internacionais.

O processo de autarquizacão das economias centro-sulinas atingiu, de igual modo, outros segmentos importantes da indústria pernambuca-na. Merece registro especial o caso da indústria têxtil-algodoeira, cuja im-portância na economia do Estado é salientada pelo fato de que em 1950 era responsável por cerca de 1/3 da produção manufatureira estadual e por 40% de todo pessoal ocupado na indústria de transformação 5:136 A tabela

12 é esclarecedora de quão duramente atingida foi esta indústria pois en-quanto a produção de tecidos de algodão se expandia a taxas expressivas nos três Estados mais importantes do Sudeste, que registraram, englobada-mente, aumento de quase 60% na quantidade produzida entre 1946 e 1969, declinava em quase 40% a produção pernambucana no mesmo período, pas-sando o parque têxtil do Estado b condição de supridor marginal nos merca-dos nacionais e até mesmo no regional.

Também merece destaque pelos seus efeitos sobre a base econômica de Pernambuco, as tendências recentes quanto à distribuição da renda

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Olímpio de Arroxelas GaIv5o

TABELA 11

PRODUÇÃO DE AÇÚCAR EM PERNAMBUCO, SÃO PAULO, PARANÁ, MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO E ALAGOAS 1946/1973

(1.000 toneladas)

ESTADOS

Anos 1 Pernambuco 1 S. Paulo 1 Paraná 1 M. Gerais IR.J aneiro

1946 388 293 3 155 192 124 1946/47* 385 308 6 101 205 123 1950/53* 500 539 29 74 273 126 1954157* 649 835 44 93 293 192 1960/62* 777 1.431 81 122 415 216 1965/67* 802 2.085 131 177 473 372 1970/73* 995 2.844 161 239 520 587 1973 1.068 3.525 169 328 608 635

FONTE: FIBGE, Anuário Estatístico do Brasil. *Média do período.

TABELA 12

PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE TECIDOS DE ALGODÃO EM

PERNAMBUCO, SÃO PAULO, MINAS GERAIS E RIO DE JANEIRO 1.000 metros

(anos e períodos selecionados)

ESTADOS

Anos

Pernambuco 1 S. Paulo 1 M. Gerais 1 Rio de Janeiro

1946 128 420 178 93 1946/48* 129 418 196 84 1965 89 415 353 130 1965/67* 81 418 366 121 1968 85 470 405 128 1969 82 519 422 114

FONTE: FIBGE, Anuário Estatístico do Brasil. * Média do período.

Ci& Trop..Recife,3(2):1 53 . 190 jul./dez.,1975

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco

cional. As modificações ocorridas na composição do produto industrial, induzidas por mudanças na demanda agregada, exerceram efeito extrema-mente desfavorável sobre a economia nordestina e, particularextrema-mente, a de Pernambuco. Essas modificações no perfil da demanda, a nível nacional, que vêm ocorrendo de modo acentuado sobretudo nas últimas três déca-das, exerceram impacto negativo muito mais forte sobre a indústria e o emprego no Estado do que nas regiões mais industrializadas do País. Nes-tas regiões, os efeitos negativos das modificações no perfil da demanda so-bre o parque manufatureiro tradicional foram mais que anuladas pela ex-pansão e implantação de novas indústrias que apareciam para atender à nova demanda. No Nordeste e sobretudo em Pernambuco, onde a concen-tração de indústrias tradicionais era muito maior, não houve processo se-melhante de compensação e as modificações no perfil de demanda assina-ladas - transmitidas em grande parte pelo que ocorria no pólo mais desen-volvido do país - davam margem, antes, ao crescimento acelerado de im-portações de bens produzidos fora da região e à contração e estagnação de largos segmentos importantes da indústria regional.

Ë curioso assinalar, neste contexto, examinando a composição das exportações de Pernambuco por vias internas, que em 1969 mais de 80% dessas exportações eram constituídas de produtos industrializados, con-forme se verifica pela Tabela 13. A Tabela seguinte, que apresenta os mes-mos dados segundo o destino dos fluxos, ainda é mais sugestiva, ao indi-car respectivamente para o Nordeste, o Sudeste e o Estado de São Paulo, que 82%, 86% e 89% das importações dessas regiões de Pernambuco são representadas por produtos industrializados**

Não seria até certo ponto surpreendente, dado ao exposto até então, que a pauta de exportação de Pernambuco fosse representada, em sua qua-se totalidade, por produtos industrializados? E mais surpreendente ainda não seria o fato de ser exatamente o Estado de São Paulo aquele a apresen-tar o mais elevado índice de importação de produtos manufaturados? Tais cifras, que parecem dar a impressão de revelar o parque industrial do Esta-do um elevaEsta-do grau de maturidade, escondem porém, de um laEsta-do, a já assinalada particularidade do papel de entreposto comercial representado por Pernambuco no Nordeste e, de outro, algumas características impor-tantes do processo de industrialização por que vem passando a região,

co-Estudos realizados por iniciativa do antigo CODENO (Conselho de Desenvolvimento do Nordeste), em fins da década de 50, concluíram que o equipamento disponível das fábricas de têxteis do Nordeste era capaz de produzir basicamente tecidos de largo consumo popular, sendo a deman-da deman-das classes de nível de rendeman-da mais elevademan-da, atendideman-da por importações. Em vista disso, estima-se que cerca de 50% a 213 da demanda por produtos têxteis e artigos de vestuário, vêm estima-sendo atendidos por importações de outras regiões, especialmente do Sudeste, nos últimos anos. O acúcar, para efeitos de classificação adotada na confecção das tabelas 12.10 e 15, está incluído

na classe III, relativa a gêneros alimentícios e bebidas, não sendo considerado portanto, como produto industrializado.

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Olímpio de Arroxelas Galvão

mo se verá brevemente a seguir. No que diz respeito aos fluxos relativos ao Nordeste, é patente que se tornou Pernambuco entreposto regional de re-distribuição de mercadorias provenientes das regiões mais desenvolvidas do País, pois a grande maioria das exportações estaduais, conforme se pode ve-rificar na Tabela 15 ou não resultam de produção de sua base econômica ou recebem no Estado, apenas pequena transformação. No que toca às exportações para o Sudeste, também ressalta à vista (ver tabela 10) trata-rem-se em grande parte de produtos produzidos por empresas montadoras instaladas no Estado - atraídas pelos incentivos fiscais dos artigos 34 e 18 administrados pela SUDENE - que se beneficiam largamente das conheci-das práticas fiscais por elas adotaconheci-das nas operações com suas matrizes loca-Iizàdas em outras regiões do País.

TABELA 13 PERNAMBUCO

EXPORTAÇ6ES POR VIAS INTERNAS SEGUNDO AS CLASSES DE MERCADORIAS

1967-1969 CLASSES DE MERCADORIAS 1 1 Animais vivos 1

II Matérias primas, em bruto

e preparadas 28.338

III G&,eros alimentícios e

bebidas 90.690

IV Produtos químicos,

farmacêuticos e semelhantes 71.494

V Maquinaria e veículos, seus

peftences e acessórios 93.459

VI Manufaturas classificadas principalmente segundo

a matéria prima 183.875 VII Artigos manufaturados

1 1968 l 1969

I

I($1.000) valorem

1

J(Cr$1000)1 valorem

0,0 7 0,0 - 0,0 4,5 31.750 3,8 32.141 3,1 14,4 108.646 13,1 141.983 13,7 11,4 95.049 11,5 103.384 10,0 14,9 122.553 14,7 160.323 15,5 29,2 252.046 30,3 292.131 28,2 diversos 154.112 24,5 213.315 25,6 294.596 28,5

VIII Ouro, moedas, transações

especiais 6.938 1,1 8.047 1.0 10.226 1,0

TOTAL 628.907 100 831.413 100 1.034.784 100

FONTE: F!BGE, Comércio Interestadual - Exportaçüo por vias internas. Pernambuco, 1967 1968e1969.

CIA Trop.,Recjfe,3(2):153-190 jul./dez.,1975

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda: o caso de Pernambuco (o o o 0 w uJ ui o (o (o (o —J o (o 0 o z D o LIJ (A, (o uJ o o uJ (o 3-(a 2 LU 1 -z CO > O o-(1) 0w 05 'e _I C uJzo o-<LUXw LO LO O -e .—e tirol

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Olímpio de Arroxelas GaIvSo

TABELA 15

EX P0 RTAÇ ÕE S POR VIAS INTERNAS DE PERNAMBUCO PARA O

NORDESTE 1969

CLASSES PRODUTOS VALOR

1 ANIMAIS VIVOS

II MATÉRIAS-PRIMAS, EM BRUTO E PREPARADAS 24.824

Algodão 4.842

Gasolina e outros óleos p/motor 8.275

Óleos combustíveis ("gasoil", 'diesel-oil", e outros) 2.906

Outros

-III GÉNEROS ALIMENTÍCIOS E BEBIDAS 132.047

Açúcar e suas preparações Laticínios

Produtos de matadouro, caça e pesca Preparações de cereais

Bebidas Outros

IV PRODUTOS QUÍMICOS, FARMACÉUTICOS E

SEMELHANTES Medicamentos

Perfumarias e cosméticos Sabões

Inseticidas, fungicidas e desinfetantes Outros

V MAQUINARIA E VEÍCULOS, SEUS PERTENCES E ACESSÓRIOS

Veículos a motor, inclusive tratores Artigos elétricos

Aparelhos de telecomunicações Outros

VI MANUFATURAS CLASSIFICADAS PRINCIPALMENTE SEGUNDO A MATÉRIA PRIMA

Tecidos comuns de algodão Pneumáticos e câmaras de ar

Pedras trabalhadas e materiais p/construção Outros

VII ARTIGOS MANUFATURADOS DIVERSOS Fumo e suas manufaturas

Artigos de armarinho e p/uso pessoal Artigos de matérias plásticas

Outros

VIII OURO, MOEDAS E TRANSAÇÕES ESPECIAIS Mercadorias em retorno Amostras 49.733 14.103 13.512 10.543 13.724 13.724 93.322 45.049 9.448 5.952 3.488 128.135 50.030 29.558 18.662 222.399 28.226 22.399 21.655 268.310 168.539 16.940 10.398 4.633 2.423 2.161

Fontes dos dados básicos: Exportação por Vias Internas, Pernambuco, 1969. cia Trop.,Recife,3(2):1 53-190 jul./dez.,1975

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Comércio, balanço de pagamentos e movimentos inter-regionais de renda:o caso de Pernambuco

Numa primeira instância, a conclusão que se tira a partir da análise feita até então, é a de que as mudanças ocorridas nos padrões das vanta-gens comparativas entre o Estado e as regiões economicamente mais avan-çadas do País, constituem uma das principais causas dos problemas que Pernambuco enfrenta nas últimas décadas, e que são responsáveis pelo au-mento do seu atraso relativo vis-à-vis a região Centro-Sul. Para aumentar a taxa de progresso econômico do Estado e inverter a tendência de Pernam-buco perder posição relativa com respeito ao País, parece, portanto, ser indispensável mudar a estrutura das relações entre as atividades de expor-tação e de imporexpor-tação. O atingimento desse objetivo é, no entanto, reco-nhecidamente difícil, pelo menos no que diz respeito ao curto prazo. Fi-cam óbvias, todavia, a necessidade de tornar a economia estadual mais competitiva no cenário nacional, a de promover o Estado o pleno aprovei-tamento das vantagens comparativas ainda existentes - sobretudo no que se refere à exploração de alguns recursos naturais abundantes na região -e, além de tudo, a necessidade de o Estado criar base econômica que seja complementar à das regiões mais desenvolvidas do País.

1.2.2. - O Balanço de Serviços

Como já se mencionou anteriormente, não existem informações esta-tísticas acerca dos fluxos inter-regionais de serviços. O que se pretende aqui, portanto, é tão-somente inquirir sobre a direção principal desses fluxos e, se possível, obter-se uma idéia quanto à ordem de grandeza do seu valor.

Um país desenvolvido, via de regra, apresenta balanço deficitário no seu relacionamento com o exterior, especialmente no que diz respeito às transações realizadas com países economicamente avançados. £ de se admi-tir, dessa forma, se deficitário o balanço de serviços em Pernambuco.

O item de transportes é sem dúvida o de maior vulto no Estado, por estar diretamente associado com o volume das transações do comércio de mercadorias. Como, segundo se sabe, as maiores empresas transportadoras têm suas matrizes situadas fora de Pernambuco, não há que refletir sobre a direção principal dos fluxos de pagamentos. A magnitude desses pagamen-tos, ademais, deve alcançar proporções elevadas, face aos volumosos fluxos do comércio de mercadorias já assinaladas na seção anterior.

Também parecem inquestionavelmente deficitários outros itens impor-tantes da conta de serviços. As viagens - no caso de funcionários governa-mentais e de indivíduos para trato de negócios e sobretudo o turismo inter-no - geram fluxo de pagamentos inter-no sentido do Estado para o resto do País apreciavelmente superior às receitas. Os demais itens de serviços, tais como seguros, remessa de lucros e dividendos, prestação de assistência técnica, corretagens e comissões e outros de menor importância, não deixam tam-bém margem de dúvida quanto à direção principal dos fluxos envolvidos,

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