A M o ralid ad e da Possessão e do Uso de Arm as Nucleares
Helio D aniel Cordeiro
Nas p a la v ra s de Barth: "T e o lo g ia re p re se n ta um dos e m p re e n d i m entos h u m a n o s c o s tu m e ira m e n te q u a lific a d o s de 'c ie n tífic o s ', q u e têm por fin a lid a d e p e rc e b e r um o b je to (re s p e c tiv a m e n te um a á re a d e fin id a ) co m o fe n ô m e n o , c o m p re e n d ê -lo em seu s e n tid o e in te rp re tá -lo q u a n to ao a lca n ce de sua e x is tê n c ia '^ 1).
É a rrisca d o fa la r de T e o lo g ia com o C iê n cia , m o rm e n te p e lo seu " o b je t o " de estudo ser Deus, q u e b ib lic a m e n te é a p re s e n ta d o co m o um espírito. C om o e stu d a r e a n a lis a r a lg o im a te ria l? C om o fa z e r testes e e x p e riê n c ia s de la b o ra tó rio em a lg o in v is ív e l, sem fo rm a , qu e a c im a de tu do é p u ra m e n te e s p iritu a l? N este la d o , existe de fa to um a d e fic iê n c ia c ie n tífic a na te o lo g ia , mas por o u tro la d o , a te o lo g ia se m ostra a lta m e n te c ie n tífic a nos m étodos de in v e s tig a ç ã o q u e usa nas a n á lise s q u e fa z, não de Deus, mas de textos b íb lico s, do h o m e m , d o u n ive rso , d a v id a , da so cie d a d e , etc.
E specificam en te neste e studo sobre a m o ra lid a d e da possessão e do uso de a rm a s n u cle a re s, aspectos da F ilo so fia , da Ética e da S o cio lo g ia , com o a paz, serão u tiliz a d o s , os quais, e m p a ra le lo com outras áreas c o m p le m e n ta re s e tem as a tin e n te s , d a rã o um a m e lh o r s o lid e z aos p o n tos le va n ta d o s p e lo te xto .
A en e rg ia atôm ica
O estudo d o á to m o atravessa a H istória. São a p ro x im a d a m e n te vin te e cin co séculos desde as p rim e ira s d escobe rta s d o filó s o fo g re g o D e m ó crito , qu e em 460 a.C . constatou q u e a m a té ria é co n stitu íd a d e á to
mos. As e x p e riê n c ia s de R u th e rfo rd no co m e ço deste século m a rca ra m o n ascim ento da física n u c le a r. Foi e le q u e m fo rm u lo u a te o ria da estrutura a tô m ica .
A té o in íc io da Segunda G u e rra M u n d ia l, im p o rta n te s passos f o ram d a d o s p a ra a v ia b iliz a ç ã o da e n e rg ia a tô m ic a . Um a sucessão de de scobe rta s e ra m fe ita s p elos cientistas e u ro p e u s, e n tre os q u a is Bohr, C h a d w ic k , H ahn, Strassm ann, M e itn e r, Frisch, etc.
Com o a d v e n to do na zism o , as p rin c ip a is e x p e riê n c ia s no ca m p o a tô m ic o sofrem um a m u d a n ça g e o g rá fic a , d e ix a n d o a Europa C en tra l e se in s ta la n d o na In g la te rra e p rin c ip a lm e n te nos Estados U nidos. Já em 1935, é v e n tila d a a id é ia de um a b o m b a a tô m ic a nazista. O h ú n g a ro Leo Szilard sugere aos ingleses um a 'P a te n te ' de c o n tro le desta a rm a o q u e é a c e ito p e la M a rin h a B ritâ n ica .
Com a g u e rra em a n d a m e n to , as pesquisas c ie n tífic a s e n tre os A lia d o s to m a m um c a rá te r a u te n tic a m e n te m ilita r. O o b je tiv o em vista é a construção d e um a b o m b a poderosa .
O princípio das dores
A e s c a to lo g ia é p a rte in te g ra n te e s ig n ific a tiv a d a Bíblia, m u ito e m b o ra p a rtic u la rm e n te nã o c o n co rd e com as in te rp re ta ç õ e s p u ra m e n te e s p iritu a is e fu tu ris ta s q u e tantos escritores suspeitos costum am fa z e r. Se ja co m o fo r, m uitas re fe rê n c ia s e sca to ló g ica s em D a n ie l, E zequiel, João, etc., n ã o d e v e m ser esquecid as, mas a n a lisa d a s com p ro fu n d id a d e im p a rc ia l.
Tais re fe rê n c ia s tem um a re la ç ã o com m u ito s dos eve n to s da His tó ria , to d a v ia , nã o d e v e m ser to m a d a s lite ra lm e n te em term os de cu m p rim e n to de p ro fe c ia s bíblicas. Estas na v e rd a d e são m u ito a m p la s, d a n do por c o n se g u in te m a rg e m a diversas in te rp re ta ç õ e s de fa to s p o s te rio res às p re d içõ e s, não ra ro a n ta g ô n ica s.
Em um de seus ú ltim o s discursos a seus d iscíp u lo s no M o n te das O liv e ira s , Jesus disse: "E c e rta m e n te o u v ire is fa la r de g u e rra s e rum ores de g u e rra s; v e d e , n ã o vos assusteis, p o rq u e é necessário assim a c o n te cer, mas a in d a não é o fim . P orquan to se le v a n ta rá naçã o contra nação, re in o contra re in o , e h a ve rá fo m e s e te rre m o to s em vá rio s lu g a re s " (2). Todos sabem os qu e te rre m o to s, fo m e , d o e n ça , g uerras, etc., e x is tira m
antes, d u ra n te e d e p o is dessa p ro fe c ia . M e sm o assim , e la possue um sig n ific a d o intrínseco, q u e fa z v a le r o seu tom e sca to ló g ico .
N ão q u e re n d o ser pessim istas, mas, em se tra ta n d o d e fa la r de um " f im d o m u n d o ", é im p o rta n te um a a n á lis e das p a la v ra s de Jesus no co n te x to de um possível a p o c a lip s e n u c le a r, qu e h o je c e rta m e n te re p re se n ta ria a e x tin ç ã o d a v id a h u m a n a na Terra.
A c iê n c ia h u m a n a a va n ç o u im e n s a m e n te nos ú ltim o s d e cê n io s. O século 19 e n ce rro u no a u g e da b e lle époque e sua paz d e c e m ité rio . Nas p a la v ra s de S érgio B u arque de H o lla n d a : "A s p o tê n c ia s p e rc e b e ra m q u e m ais cedo ou m ais ta rd e a g u e rra seria in e v itá v e l, e para e n fre n tá -la , lançaram -se a um a c o rrid a a rm a m e n tis ta d e s e n v o lv e n d o um a in d ú stria b é lic a , g u a rn e c e n d o seus e xé rcito s e m a n te n d o -o s de p ro n tid ã o . " ( 3) En te n d a m o s q u e isto fo ra a n te rio r à P rim e ira G u e rra M u n d ia l e o a rm a m e n - tism o de e n tã o se re fe ria às arm as c o n v e n c io n a is .
Os te m p o s e ra m outros com a S egunda G u e rra . N u c le a rm e n te fa la n d o , as dores m a io re s da h u m a n id a d e co m e ça m p o r aí. Assim tem in í cio a co o p e ra ç ã o a n g lo -a m e ric a n a para fa b ric a ç ã o d e um a b o m b a a tô m ica. Entre 1942-43, os EUA to rn a m -se m ais cauteloso s q u a n to à troca de in fo rm a ç õ e s com os ingleses, q u e se vê e m traídos nas n e g o cia çõ e s, um a vez q u e fo ra m eles q u e m d e ra m os p rim e iro s passos no n o vo p ro je to . M as a c o o p e ra ç ã o prossegue a in d a assim , sob a co n d iç ã o de v a n ta g e m a m e ric a n a em todas as descobertas.
Em 1942, Enrico Ferm i a serviço dos Estados U nidos, o b té m a re a ção em c a d e ia do á to m o . A g o ra , a construção da b o m b a seria m era q u e stã o de te m p o . Em 16 de ju n h o de 1945, é d e to n a d a em A la m o g o rd o , N e w M e x ic o , a p rim e ira b o m b a a tô m ic a pelos EUA.
Hiroshim a e N agasaki
Em m eados de 1945, a S egund a G u e rra M u n d ia l v iv ia seus ú ltim o s m om entos. A A le m a n h a , g ra n d e p o tê n c ia b é lic a e u ro p é ia , já c a p itu la ra d ia n te da o fe n s iv a dos A lia d o s . M as no Extrem o O rie n te , o Ja p ã o persis tia em c o n tin u a r na g u e rra , a p e sa r das fo rte s b a ixa s em sua p o p u la ç ã o , cada vez m ais a n iq u ila d a com os b o m b a rd e io s aéreos.
Em tais co ndiçõe s, por q u e os Estados U nidos se u tiliz a ra m de a r m a a tô m ic a d ia n te de um a na çã o já a n iq u ila d a ? A q u e stã o nã o é sim ples, to d a v ia , a lg u m a s te o ria s fo ra m le v a n ta d a s a re sp e ito .
A q u e m e lh o r m e parece é a q u e sin te tiza o d e se jo a m e ric a n o de pôr lo g o um fim à g u e rra e, c o n c o m ita n te m e n te , testar b e lic a m e n te a nova a rm a . E scolheram assim H iro sh im a , p o rq u e possuía m uitas fá b ric a s de a rm a m e n to s e o n d e re s id ia m m uitos tra b a lh a d o re s dessas indústrias. Em 6 de a g osto de 1945 e x p lo d iu nesta c id a d e a p rim e ira b o m b a a tô m ic a em á re a h a b ita d a , v itim a n d o m ais de cem m il pessoas, na m a io ria , fa ta l m ente.
Na fra c a h ipótese da necessidade desta b o m b a , o q u e e x p lic a ria a e xp lo s ã o de o u tra b o m b a , em N a g a sa ki, três d ia s dep o is? O corre que os EUA possuíam dois tipos de b om bas a tô m ica s, a de u râ n io e a de p lu tô n io . A p rim e ira já tiv e ra sua e x ib iç ã o d e s tru id o ra em H iro s h im a , p o ré m q u a n to à de p lu tô n io ... Então, por q u e não fa z e r as e x p e riê n c ia s c o m p le tas d e um a vez? R esultado: outras d ezena s de m ilh a re s de vid a s c e ifa das.
Posição teológica
A Bíblia e n sin a q u e a v id a , e s p e c ia lm e n te a h u m a n a , é sagrada. O 'n ã o m a ta rá s' de M oisést4) d e stin a va -se à p re se rva çã o da v id a e n tre os hebreus. " ( . . . ) a p ro ib iç ã o p a re ce ser d e s tin a d a a e v ita r o assassinato do 'p ró x im o ', um m e m b ro da m esm a c o m u n id a d e da a lia n ç a . Em q u a lq u e r caso, a sa n tid a d e da v id a , co m o do m de Deus, é e s ta b e le c id a : d a í a 'c u l pa d o s a n g u e ' ser um a re a lid a d e te rrív e l, desde o te m p o de C a im ", c o n fo rm e esclarece R. A la n C o le t5).
N in g u é m tem o d ire ito d e tira r a v id a a lh e ia p re m e d ita d a m e n te . Talvez a lg u n s casos e x c e p c io n a is ju s tifiq u e m a p e n a de m o rte , p o ré m , m esm o assim , d e v e ser de fa to um caso m u ito e s p e cia l, irre c u p e rá v e l.
A h a d H aam , filó s o fo d o ju d a ísm o m o d e rn o , é firm e q u a n d o e x pressa: "T o d a a çã o qu e le va à p e rd a de v id a é m á "(6). E p o d e o m al p ro d u z ir o b em , a o m enos o bem in d is tin ta m e n te acessível a todos os h o mens? A c re d ito q u e não, pois d o c o n trá rio o v e lh o d ita d o de q u e "o s fin s ju s tific a m os m e io s " seria certo. Este, p o ré m , não é o caso p o rq u e os m eios ta m b é m fa z e m p a rte do to d o .
Nestes term os (e em m uitos outros), a te o lo g ia re p u d ia a 'm o rte e, antes desta, a g u e rra . C om o h u m a n ista , nã o posso ja m a is a c e ita r o b e
li-(4) Êxodo 20.13.
(5) R. A la n C ole, Êxodo, Introdução e C om en tário, São P aulo, M u n d o C ristão, 1981, p. 153 e 154. (6) A h a d H aam , 'C a rá te r d o Ju d a ís m o ', H erança Judaica, n ° 46, São Paulo, B 'n a i B 'rith , p. 39.
cism o com o um a a lte rn a tiv a v iá v e l para a so lu çã o de p ro b le m a s e n tre povos. H aam c o m e n ta : , / ( ...) o e g o ísm o n a c io n a l rem anesceu in e v ita v e l m ente a ú nica fo rç a d e te rm in a n te nos negó cio s in te rn a c io n a is , e o p a trio tism o , na a ce p çã o b is m a rc k ia n a , fo i a lç a d o ao g ra u de su p re m o c rité rio m o ra l" (7).
Este d e s v irtu a m e n to das nações o c id e n ta is q u e cria ra m duas g u e r ras m u n d ia is , fo rm a d a s po r povos tra d ic io n a lm e n te cristãos, não e n c o n tram re sp a ld o em sua re lig iã o para um a ju s tific a ç ã o da g u e rra . P rim e iro , p e lo berço ju d a ic o d o c ristia n ism o , o n d e a m o rte e a in ju stiça são re c ri m inadas. S egundo, p o rq u e c la ra m e n te Jesus e n sin o u o a m o r e a to le râ n cia para com as pessoas, a té para com os in im ig o s í8).
A o lim píada nuclear
A p a ix ã o h u m a n a p elos d ife re n te s tipos de jogos re m o n ta à a n ti g ü id a d e . Sejam eles de c a rá te r físico, co m o um a p ro v a d e a tle tis m o , ou de c a rá te r in te le c tu a l, co m o um jo g o de xa d re z, o fa s c ín io da c o m p e ti ção e s p o rtiv a tem c a tiv a d o sucessivas g erações, sendo um dos hobbies m ais tra d ic io n a is em d ife re n te s sociedades.
Em term os m u n d ia is , os Jogos O lím p ico s são o m a io r e v e n to es p o rtiv o q u e o nosso te m p o tem visto. Os p rim itiv o s fe s tiv a is g re g o s em h o m e n a g e m a Zeus e v o lu íra m a tal p o n to q u e c h e g a ra m a té a o c ú m u lo de serem m a n ip u la d o s p o litic a m e n te , o qu e p ro vo co u o b o ico te a m e ric a no aos jogos de M oscou, e, em resposta, o b o ico te s o v ié tic o aos de Los A n g e le s.
A pós a S egunda G u e rra M u n d ia l, o m u n d o das nações se v iu d iv i d id o nos dois g ra n d e s blocos a n ta g ô n ic o s . Os EUA, s e g u ra n d o a b a n d e ira do c a p ita lis m o e a URSS com o brasão do s o c ia lism o , cada q u a l buscand o a m p lia r a o m á x im o sua e sfe ra de in flu ê n c ia p o lític a e e c o n ô m ic a . S a b ia m e n te , p e rc e b e ra m o peso de p ro p a g a n d a d e s e m p e n h a d o nas c o m p e ti ções esportivas, m o rm e n te , num c o n fro n to d ire to e n tre a m bos, com o num jo g o de basq u e te , po r e x e m p lo .
Os Jogos O lím p ic o s de q u a tro em q u a tro anos têm sido o á p ic e da g u e rra id e o ló g ic a via e sp o rte , mas, p a ra le la m e n te a o in o fe n s iv o lazer e sp o rtivo , tem os visto a q u ilo q u e d e n o m in o " o lim p ía d a n u c le a r", ou se ja, um a co n tín u a e d iv e rs ific a d a série de provas e e x p e rim e n to s e n tre os
(7) Ibid , p. 42.
dois co m p e tid o re s rivais, na busca de su p la n ta ç ã o de um p e lo o u tro v ia arm as nucleares.
A O N U , desde sua o rig e m , tem c o lo c a d o na p a u ta de suas re u niões o p ro b le m a das arm as nu cle a re s, c ie n te d o p e rig o qu e elas re p re sentam à h u m a n id a d e . T am bém os Estados U nidos d e s e n v o lv e ra m a l guns p ro je to s visa n d o a d e te n ç ã o da c o rrid a a rm a m e n tis ta qu e se in ic ia va e n tre as duas sup e rp o tê n cia s. Podem os c ita r o Plano Baruch, cuja es sência e ra o c o n tro le das arm as antes da p ro ib iç ã o , d e te rm in a n d o o c o n g e la m e n to do d e s e n v o lv im e n to n u c le a r p a ra fin s b é lico s, a c ria çã o de um sistem a de su p e rvisã o e inspeção com acesso às in stalaçõe s s o v ié ti cas e a re d u çã o das fo rça s c o n ve n cio n a is.
M as as coisas no c e n á rio in te rn a c io n a l se to rn a v a m cada vez m ais com p le xa s. Tem in íc io a "g u e rra f r ia " e n tre os dois países. Em 1948, e fe tiv a -s e o b lo q u e io de B e rlim , in te rro m p e n d o -s e as co m u n ica çõ è s fé r reas para o la d o o c id e n ta l. A URSS e x p lo d iu , no a n o s e g u in te , sua p ri m e ira b o m b a a tô m ic a e, passados m ais a lg u n s anos, os EUA c h e g a v a m à fase d a b o m b a de h id ro g ê n io , m u ito s u p e rio r à a tô m ic a .
In te rn a m e n te , diversos setores a m e ric a n o s estavam v e n d o d e m a ne ira bastante d ive rsa esta c o rrid a a tô m ic a . H a via m os ze lo te s fa n á tic o s n u cle a re s co m o E. T e lle r (um dos cria d o re s d o design da b o m b a H) e o sen a d o r Brien M c M a h a n , q u e d iz ia m qu e a d e s tru iç ã o das duas cidades japonesas p e la s b o m b a s a tô m ic a s fo i a m e lh o r coisa na h istó ria desde o n a scim e n to de C risto ... O p o s ta m e n te , e x is tia m a lg u n s m ais conscientes das d im e n sõ e s d o p ro b le m a , com p re o cu p a çõ e s sociais e h u m a n itá ria s , qu e p o d ia m e n x e rg a r os re su lta d o s fu tu ro s da p ro life ra ç ã o a tô m ic a . En tre esses, d e sta q u e a D. L ilie n th a l, p re s id e n te da Com issão de Energia A tô m ic a e J. R. O p p e n h e im e r, um dos pais da b o m b a a tô m ic a a m e ric a na. As críticas desses d o is h om ens in c o m o d a ra m as a u to rid a d e s de seu país, mas não c o n se g u ira m d issu a d i-la s de seus p rojetos. O p rim e iro fo i fo rç a d o a se d e m itir do c a rg o e o s e g u n d o fo i e x c lu íd o do acesso às in fo r m ações c ie n tífica s.
O p o rtu n o é citarm os as p a la vra s de H enry von W o lf Sm yth, escri tas p e la épo ca da e xp lo s ã o das p rim e ira s b om bas a tô m ica s: "N o s e n c o n tram os com um e x p lo s iv o qu e está lo n g e de te r sido c o m p le ta m e n te a p e rfe iç o a d o . A g o ra as fu tu ra s p o ss ib ilid a d e s de tais e xp lo s iv o s são a te r radoras e seus e fe ito s sobre as fu tu ra s g u e rra s e os assuntos in te rn a c io nais revestem -se de im p o rtâ n c ia fu n d a m e n ta l. A q u i está um n o vo in stru m e n to para a h u m a n id a d e , um in s tru m e n to de um p o d e r d e s tru tiv o in i
m a g in á v e l. Seu d e s e n v o lv im e n to o rig in a m uitas p e rg u n ta s q u e têm q u e ser co nsiderad as num fu tu ro im e d ia to ." 9
A paz am eaçad a
N e n h u m a pessoa q u e co nheça um pou co dos p ro b le m a s re la c io nados com a e n e rg ia n u c le a r em nossos dias p o d e rá se se n tir p le n a m e n te segura. N ão há c lim a para isso. Os diversos acordos p a ra nã o p r o life ração das arm as n u cle a re s, tê m se m o stra d o fa lh o s e d e fic ie n te s . Q u a n do d e c id e m d im in u ir um n ú m e ro x de mísseis p a ra a m bos os lados, os mísseis re m o v id o s são a q u e le s q u e , na p rá tic a , já p e rd e ra m sua c o n d i ção de uso, e qu e seriam n e ce ssa ria m e n te substituídos. N ão oco rre , p o r ta n to , um a d im in u iç ã o de fa to .
A m b o s os países precisam ser re s p o n sa b iliza d o s p e lo fracasso do co n tro le das arm as atô m ica s. Em 1958 e s tip u la ra m um a m o ra tó ria v o lu n tá ria sobre as provas a tô m ica s, ro m p id a três anos d e p o is p e la URSS. No a n o se g u in te , te n ta ra m n e g o c ia r a p ro ib iç ã o de novas provas, sem um a c o n c o rd â n c ia s a tis fa tó ria . Em 1977, sob C arter com o SALT II, p re v ira m o lim ite dos la n ça d o re s de mísseis. Decisão s u p é rflu a , um a vez q u e o p ro b le m a estava no n ú m e ro de o g iva s e não no de la n ça d o re s, no q u e os EUA se " b e n e fic ia r a m ” . P ortanto, o qu e não fa lta m são os co n h e cid o s
loopholes nas n e g o cia çõ e s e n tre as sup e rp o tê n cia s.
O m ais re ce n te p ro je to a m e ric a n o de m ilita riz a ç ã o do espaço,
“G u e rra nas Estrelas", é m ais um a e v id ê n c ia do e sp írito o lím p ic o n u
cle a r e n tre os dois p rin c ip a is c o m p e tid o re s . O custo d o p ro je to é e x o rb i ta n te e, co m o e n te n d e m e q u e re m os p o lític o s dos Estados U nidos, a U n iã o S oviética terá sua e c o n o m ia q u e b ra d a se a m esm a te n ta r a c o m p a n h a r os a m e ric a n o s nisso.
Em m e io à c o rrid a a rm a m e n tis ta , W illia m C. V e rg a ra escreveu: " In fe liz m e n te , este n o vo c o n h e c im e n to te m sido até a q u i u tiliz a d o quase qu e e x c lu s iv a m e n te p a ra fin s destrutivos. A p e n a s p o d e m o s e sp e ra r qu e nossos c o n h e c im e n to s crescentes sobre o n ú c le o le v e m -n o s e v e n tu a l m ente a um a u tiliz a ç ã o m ais c o n s tru tiv a ."(10) C om o e te rn o 'p ris io n e iro ' da e sperança , c o n tin u o crente n u m a " u tiliz a ç ã o m ais c o n s tru tiv a " da
(9) H enry von W o lf S m yth, La Energia A tó m ica al Servicio de la G u e rra , B uenos A ire s, Esposa- C a lp e A rg e n tin a , 1946, p. 276.
e n e rg ia n u c le a r, mas re a lis tic a m e n te fa la n d o , os fa to s d o d ia a d ia m os tram ho rizo n te s n a d a a n im a d o re s .
O c ris tia n is m o o rto d o x o despreza m u ito s dos v a lo re s deste m u n d o p ara c o lo c a r sua a te n ç ã o a p e n a s n u m a v id a fu tu ra , o A lé m . Os te ó lo g o s m ais lib e ra is da re lig iã o cristã d e sa p ro va m esta id é ia , pois co n sid e ra m o e n v o lv im e n to d o cristão nas coisas seculares um m e io e fic a z de in flu e n ciar p o s itiv a m e n te o m u n d o d e te rio ra d o .
C om o d e c la ro u D ietrich B o n h o e ffe r: "P o r 'm u n d a n is m o ' e n te n d o v iv e r sem reservas nos d e ve re s, p ro b le m a s , sucessos e fracassos, e x p e riê n c ia s e p e rp le x id a d e s desta v id a . A o fa z e rm o s assim , la n ça m o -n o s c o m p le ta m e n te nos braços de Deus, le v a n d o a sé rio , nã o nossos p ró p rio s s o frim e n to s mas, sim , os de Deus no m u n d o " .í11) Entendo co m o re co m e n d á v e l o e n v o lv im e n to do cristão em questões sociais, pois, com o Paulo d e Tarso, c re io q u e e le tem a fu n ç ã o de 'e m b a ix a d o r' d o R eino de Deus na Terra(12).
O Talm ud diz: " A m a d a é a paz p o rq u e todas as bênçãos se cu m prem por seu in te r m é d io ." Isto pod e ser e n te n d id o co m o sendo a paz o re q u is ito m ín im o e e le m e n ta r na h u m a n id a d e , p a ra q u e esta e ste ja h a b i lita d a a outras re a liz a ç õ e s m aiores. Sem as co n d içõ e s sociais q u e só a paz p o d e g e ra r, q u a lq u e r progresso torna-se m u ito d ific u lto s o , a lé m de co rre r o risco de d u ra r pouco.
Nas 'b e m -a v e n tu ra n ç a s ', Jesus ch a m a de filh o s de Deus aos p a c i fic a d o re s ^ 3), q u e re n d o d iz e r q u e a paz é um do m a u te n tic a m e n te d iv i no, a lg o em s in to n ia p le n a com o Deus de a m o r b íb lic o . Q u a lq u e r coisa qu e te n te d e s tru ir a paz, é contra a é tic a ju d a ic a -c ris tã . E re c o n h e c ív e l, qu e d ia n te da m o rte as leis re lig io s a s to m e m n o vo s ig n ific a d o , mas isso nã o h a b ilita n in g u é m a p ro v o c a r d e lib e ra d a m e n te um e stado de g u e rra .
A paz nã o é a lg o q u e p e rte n ça a p e n a s à e sfe ra re lig io s a . Q u a l q u e r pessoa qu e d e se je v iv e r e ve r outros v iv e re m ta m b é m , n ã o p o d e se e s q u iv a r dessa questão . As arm as n u cle a re s são um a das m a io re s a m e a ças à segu ra n ça h u m a n a . Com seu uso, m u ito p o ss iv e lm e n te te ría m o s a e x tin ç ã o h u m a n a no p la n e ta . A d ete rre n c e com sua paz a rm a d a n ã o g a rante e s ta b ilid a d e e n tre os povos. V am os d a r um a chance à paz a u tê n ti
ca, co m o p re te n d ia John Lennon.
(11) S tanle y G u n d ry , T eolo gia C on tem p o râ n ea , São P aulo, M u n d o C ristão, 1983, p. 86. (12) 2 o C o ríntios 5.20.
Problem as sociais
Os p ro b le m a s sociais d e co rre n te s das pesquisas n u cle a re s neste século são m u ito co m p le xo s. A C iê n cia p e rd e u seu c a rá te r p a c ífic o e e n v e re d o u c a la m ito s a m e n te p e lo s c a m in h o s da d e s tru iç ã o h u m a n a . Ernest N agel a ce rto u a o d iz e r q u e " a C iê n cia é um a in s titu iç ã o social e qu e o cientista é m e m b ro de um a c o m u n id a d e in te le c tu a l d e d ic a d a à p e rs e g u i ção da v e r d a d e " ( 14). M as e la d e ix o u de estar a serviço da construção de um a so cie d a d e isenta de m ales p a ra se d e d ic a r à busca de um tip o n e g a tiv o e d e s tru id o r de v e rd a d e , n u m a espécie d e , " q u a n to m ais m o rta l a v e rd a d e , m ais p ra g m á tic a a seus f in s ."
O e co lo g is ta C arlos A v e lin e (15) c o m e n to u num de seus a rtig o s qu e a q u ilo qu e é usado p a c ific a m e n te da e n e rg ia n u c le a r, é a p e n a s um sub p ro d u to d o qu e tem sido d e sco b e rto p e la c iê n c ia para o m ilita ris m o .
C hegam os a um e stá g io tã o ca ó tico , q u e a té m esm o a d ita e n e r g ia p a c ífic a tem v itim a d o m ilh a re s — ta lv e z m ilh õ e s — de seres h u m a nos. Os a c id e n te s e n v o lv e n d o p ro je to s n u cle a re s são in co n tá ve is. Temos os e x e m p lo s clássicos das usinas Three M ile Island e C h e rn o b y l, cu rio sa m ente, e n v o lv e n d o os dois co n co rre n te s m a io re s da " o lim p ía d a a tô m ic a ". Se fo r necessário um te rc e iro e x e m p lo para fa z e r crer no m a le fíc io desta fo rm a de e n e rg ia , o m e lh o r e n tã o seria um a n u ve m de ra d ia ç ã o q u e co n ta m in a sse to d a a a tm o s fe ra e afetasse in d is tin ta m e n te to da a p o p u la ç ã o m u n d ia l, em e s p e cia l, a dos países o n d e esta m o rtífe ra e n e rg ia tem sido d e s e n v o lv id a .
Um v a z a m e n to re a d io tiv o põe em le ta l p e rig o todas as pessoas presentes nas p ro x im id a d e s do a c id e n te , em ra io s de a té centena s de q u ilô m e tro s . M u ita s dessas p o d e rã o m o rre r em poucos dias, outras, nos pró xim o s anos. In d ire ta m e n te , as co n se q ü ê n cia s são m ais a m p la s, com o a c o n ta m in a ç ã o de a lim e n to s q u e p o d e rã o ser consu m id o s em outros c o n tin e n te s e os p ro b le m a s e c o ló g ic o s d a í resultantes.
A vida depreciada
" O fa to é, pensam os nós, q u e no fu n d o de todas as nossas d ific u l dades m orais existe um p ro b le m a fu n d a m e n ta l q u e se o fe re c e in e v ita v e lm e n te a cada um de nós, e q u e na p rá tica nun ca é p le n a m e n te re so l v id o , salvo para a q u e le s q u e já e n tra ra m nos c a m in h o s da p e rfe iç ã o : o
(14) Ernest N a g e l, Filosofia da Ciência, São P aulo, C u ltrix , 1967, p. 19.
(15) C arlos C. A v e lin e , 'A c id e n te em C h e rn o b yl A p o n ta p a ra o P erigo N u c le a r', Jornal Evangélico, São L e o p o ld o , 25 de m a io a 7 de ju n h o d e 1986, p. 11.
p ro b le m a da re la ç ã o d o h o m e m com a c o n d iç ã o h u m a n a ou de sua a titu de p e ra n te a c o n d iç ã o h u m a n a ." !16) (Jacques M a rita in ). As causas dos atrito s nos re la c io n a m e n to s hu m a n o s são p ro fu n d a s . E ncontram o-la s des de os p rim ó rd io s da e xis tê n c ia h u m a n a . O G ê n e s is í17) con ta -n o s sobre o p rim e iro h o m ic íd io a o n a rra r a m orte de A b e l p o r C aim .
H oje, num co n te x to bem m a io r, nos d e p a ra m o s com a q uestão n u c le a r e os p ro b le m a s d a í d e co rre n te s. O a rm a m e n tis m o q u e to m o u conta d o p la n e ta é um a a m e a ç a seríssim a à v id a h u m a n a . Com isso p o d em os ver o grau de d e g ra d a ç ã o m o ra l q u e a h u m a n id a d e a tin g iu . A v i da h u m a n a está d e p re c ia d a . Os p o lítico s, cientistas e m ilita re s das s u p e r p o tê n cia s, m e lh o r de q u e n in g u é m , sabem o q u a n to estam os p e rto de um a p o c a lip s e fin a l. Os p o n te iro s d o re ló g io a p ro x im a m -s e da fa ta l m e ia -n o ite . E q u e m se p re o c u p a com isso?
V e m o -n o s d ia n te d e um a tra g é d ia prestes a a co n te ce r. Q u e r d i zer, com o n u m a peça te a tra l, to d a a tra g é d ia já fo i escrita, o c e n á rio p re p a ra d o , os artistas convocad os e os ingressos v e n d id o s , resta n d o a p e n a s sua e stréia única e e xclu siva . A d e s tru iç ã o já está no p a p e l, na m e m ó ria dos c o m p u ta d o re s, e n c a m in h a n d o -s e à re a liz a ç ã o p rá tica .
A s o cie d a d e está d o e n te e seu re m é d io a in d a não fo i d e v id a m e n te e n c o n tra d o . Ela tem se n u trid o de p a lia tiv o s , anestesias, mas o m al crô n ico vai a u m e n ta n d o . Na fo rm a co m o as coisas se e n c a m in h a m , a ca tástrofe é m era q u e stã o d e te m p o .
Para os d e te n to re s d o p o d e r, tu d o p a re ce ser um jo g o . Usam os instru m e n to s da m o rte co m o se fossem in o fe n s iv o s b rin q u e d o s de c ria n ças, q u e in g e n u a m e n te le va m os nom es dos p ro tó tip o s reais mas nã o fa zem m al a lg u m . Seus instrum entos, to d a v ia , são os m o d e lo s o rig in a is que d a n ific a m , d e stro e m , m a ta m ...
G u e rra sem vencedores
E possível qu e a C iê n c ia ch e g u e a o p o n to de g a ra n tir a c o n tin u i d a d e da v id a h u m a n a e a n im a l-v e g e ta l m esm o d e p o is de um a g u e rra n u c le a r. N u m a g u e rra h o je , os s o b re v iv e n te s — caso houvessem — se ria m a lg u n s poucos seres d e fo rm a d o s . Q u a l o lu cro id e o ló g ic o ou m a te ria l disso?
M esm o ao n íve l da p o s s ib ilid a d e de s o b re v iv e n te s sadios, estes o b v ia m e n te seriam uns seletos s o c ia lm e n te , ou seja, os m esm os que
(16) Jacques M a rita in , A Filosofia M o ra l, Rio de J a n e iro , A g ir, 1964, p. 490. (17) G ênesis 4.8.
sem pre co m a n d a ra m o p o d e r p o lític o e e c o n ô m ic o e n tre as nações. A g ra n d e m a io ria d a p o p u la ç ã o seria in d u b ita v e lm e n te m orta.
A proposta de R onald Reagan com a "G u e rra nas E strelas" é d e s e n v o lv e r a d e fe sa dos Estados U n id cs p e lo espaço. O preço d o p ro je to é a stro n ô m ico , com s a c rifíc io da e c o n o m ia in te rn a e visa, a c im a de tu d o , um a p ro te çã o a a lvo s m ilita re s . Q u a n to a seu p o vo , q u e Deus o a ju d e ...
A c o rrid a a rm a m e n tis ta prossegue co m o re s u lta d o de um a m p lo m e ca n ism o s u b je tiv o e p s ic o ló g ic o . E a " o lim p ía d a n u c le a r" e m to d a sua c o m p le x id a d e . A fin a l, n u m a g u e rra é p re fe rív e l o e m p a te d o q u e a d e r rota to ta l. A te o ria dos jogos de J. von N e u m a n n é um ó tim o estudo filo s ó fic o -m a te m á tic o dessa questão.
A resposta da teologia
T alvez eu e steja in c o rre n d o na a rro g â n c ia d e d iz e r q u e a te o lo g ia te n h a um a resposta p e rfe ita m e n te a d e q u a d a a o p ro b le m a , mas o que viso a q u i é tã o so m e n te a e xp o siçã o de sugestões. O assunto é d ifíc il e d ific u lta -s e m ais a cada m in u to . T o d a via , penso q u e , filo s o fic a m e n te , o ho m e m pod e re so lve r um p ro b le m a q u e e le m esm o crio u , co m o m o n ta r um q u e b ra -c a b e ç a g ig a n te .
T e o lo g ic a m e n te , num p a ra le lo de a n á lis e s o c io ló g ic a , v e jo com bons o lhos a c ria çã o de um o rg a n is m o in te rn a c io n a l q u e , a c im a das n a ções, se e n c a rre g u e d a a d m in is tra ç ã o das arm as nucleares. Entendo isso com o a lg o in te g ra lm e n te d iv in o , pois visa à m a n u te n ç ã o da paz.
Einstein, o u tro pai da b o m b a a tô m ic a , c o m p re e n d e n d o o ru m o qu e as coisas se g u ia m após a S egund a G u e rra M u n d ia l, d e s a b a fo u : "D e sa rm a m e n to e se g u ra n ça só se c o n q u is ta m juntos. A seg u ra n ça n ã o será re a l a não ser q u e todas as nações to m e m o co m p ro m isso de e x e c u ta r por c o m p le to as decisões in te rn a c io n a is ." (18) Porém , co m o elas — as su p e rp o tê n c ia s — se c o m p ro m e te ria m a a ca ta r certas leis c o n trá ria s a seus interesses, se no m u n d o p o lític o n ã o existe n e n h u m o rg a n is m o a q u e m d e v a m e x p lica çõ e s. N ã o precisam os d e ta lh a r a q u i a fa lá c ia d a O N U , não é m esm o?
A id é ia , em poucas p a la vra s, e n tã o seria q u e no c a m p o da e n e r g ia n u c le a r, se estabelecesse um p o d e r m u n d ia l, co m o ta m b é m disse O p p e n h e im e r. Esse p o d e r seria fo rte p a ra c o n tro la r as a rm a s n u cle a re s, visa n d o e v ita r a fa tíd ic a T erceira G u e rra , e seria fo rm a d o o r pessoas de todos os países d o p la n e ta , com h a b ilita ç ã o nas áreas re la c io n a d a s a o
ma. Mas, apesar de to d a sua fo rç a no assunto n u c le a r, nã o d e v e ria se m e te r a u to rita ria m e n te e m outras questões n a c io n a is , para não p e rd e r sua característica d e m o c rá tic a e p a cífica .
C harles L. A lle n dá um c o n se lh o b astante sá b io , q u e de tã o s im ples, é ig n o ra d o p elas pessoas: "P a ra h a ve r paz no m u n d o e em nossa a lm a , é necessário m ais q u e e x tirp a r o ó d io , a suspeita e o m edo. Será preciso p la n ta r e c u ltiv a r o a m o r, a a le g ria , a p a c iê n c ia e a c o m p re e n s ã o ." !19) Q u e r d iz e r, a p e n a s o b e d e c e r aos p re ce ito s b íb lico s, qu e fo r m am um a é tica co e re n te a todos os povos da Terra, e não a p e n a s aos da d ire ta in flu ê n c ia ju d a ico -cristã .
O m al está m uitas vezes na fo rm a co m o a é tic a b íb lic a é passada às pessoas. O m o ra lis m o c ria d o no O c id e n te q u e d u ra n te o processo his tó ric o tiro u o te xto da
Bíblia de seu co n te x to re a l, te n d e u n e g a tiv a m e n te
a um d o g m a tis m o e s té ril, c a in d a num d u a lis m o a b su rd o e n tre sacro e p ro fa n o , e s p iritu a l e m a te ria l, bom e m a l. O e rro d o u trin á rio in stitu íd o em d o g m a s a u to ritá rio s fo i tra n s m itid o por to d a a h istó ria d o d e s e n v o lv i m e n to d o cristia n ism o , ca u sa n d o em seus fié is um o b sc u re c im e n to da v e rd a d e re a l, substituída p e la v e rd a d e a p a re n te .Então, tais d e tu rp a çõ e s c o rro e ra m as o p in iõ e s sobre a é tic a cristã, d e ix a n d o -a s e m i-d e m o lid a no O c id e n te , p ro p ic ia n d o o s u rg im e n to de m étodos a lte rn a tiv o s e a n ta g ô n ic o s p a ra a a u to d e fe s a . Daí as contend as, as g uerras, o a rm a m e n tis m o n u cle a r. O p ro b le m a não é o fracasso da ética em si, mas a m a n e ira co m o e la é e n te n d id a . Isso d e te rm in a sua p rá tica , e se vem os resultados in e fic ie n te s , fa lh o s , é p o rq u e a lg o saiu e r rado no com eço.
O e x -s e c re tá rio de Estado n o rte -a m e ric a n o H enry Kissinger d e c la rou: " O c o n tro le a rm a m e n tis ta está c a m in h a n d o para um beco-sem - saída in te le c tu a l." !20) Esta é a re a lid a d e pre se n te , mas p o d e m o s sonhar com um fu tu ro m e lh o r, co m o o fe z o escritor fra n cê s A n a to le France: " A paz u n ive rsa l se re a liz a rá um d ia , n ã o p o rq u e os h om ens se to rn a rã o m e lh o re s (não é p e rm itid o e s p e rá -lo ), mas p o rq u e os hom ens se to rn a rão um a n o va o rd e m de coisas, um a c iê n cia nova. N ovas necessidades e co n ô m ica s hão de im p o r-lh e s o estado p a c ífic o , assim co m o o u tro ra as p ró p ria s co n d içõ e s de sua e xis tê n c ia os p u n h a m e os m a n tin h a m no esta d o de g u e r r a " .!21)
(19) C harles L. A lle n , A P siquiatria de Deus, Belo H o rizo n te , B e tâ n ia , p. 157.
(20) H e n ry K issinger, 'C o m o Evitar a C a tá stro fe A tô m ic a ', Suplem ento M a n ch ete , Rio de Ja n e iro , B loch, 2 de a b ril de 1983, p. 5.
(21 ) C ita d o no a rtig o 'U m M ilh ã o de M in u to s p e ia Paz', do s u p le m e n to c u ltu ra l "P ro g ra m e -s e " do