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Historia Da Igreja Crista

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Academic year: 2021

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História da igreja cristã

Lançando o olhar para o passado, veremos elevarem-se aqui e ali, sobre as planícies do tempo, quais sucessivos montes, os grandes acontecimentos da História Cristã. ontos decisivos, seis ao todo, indicam os seis grandes períodos da História da !greja. " ponto de partida da igreja de Cristo # o $onte das "liveiras, em %erusal#m. &li, cerca do ano '( a.). %esus Cristo, que havia ressurgido dentre os mortos, ministrou seus *ltimos ensinamentos

aos discípulos e logo depois ascendeu ao c#u. +m pequeno grupo de judeus, esperou algum tempo em %erusal#m, sem considerar, a eistncia de uma igreja ora dos limites do %udaísmo. /ob a direção de edro, aulo e seus sucessores imediatos, a igreja oi estabelecida em quase todos os países, desde o 0urates at# ao 1ibre, desde o $ar 2egro at# ao 2ilo. " primeiro período terminou com a morte de %oão, o *ltimo dos do3e apóstolos, que ocorreu, conorme se cr, cerca do ano 4(( 5a.)6. Consideremos, pois, essa #poca 7" eríodo da 0ra &postólica7.

)urante o período que se seguiu, que durou mais de du3entos anos, a igreja esteve sob perseguição. )urante todo o segundo s#culo, o terceiro e parte do quarto, o imp#rio mais poderoso da terra eerceu todo o seu poder e in8uncia para destruir ao que chamavam 7superstição cristã7. Contudo, em meio 9 incessante perseguição, os seguidores de Cristo aumentaram em n*mero, at# alcançar quase metade do !mp#rio :omano. ;inalmente, um imperador cristão subiu ao trono e por meio de um decreto conteve a onda de mortes.

"s cristãos que durante tanto tempo estiveram oprimidos, passaram da prisão para o trono. & igreja perseguida passou a ser a igreja imperial. & Cru3 tomou o lugar da <guia como símbolo da bandeira da nação e o Cristianismo converteu-se em religião do !mp#rio :omano. +ma capital cristã, Constantinopla, ergueu-se e ocupou o lugar de :oma. Contudo, :oma, ao aceitar o Cristianismo, começou a ganhar prestígio como capital da igreja.

!niciou-se o período de mil anos, conhecido como !dade $#dia. 2o início, a 0uropa era um caos, um continente de tribos sem governo e sem leis. $as, gradativamente, oram-se organi3ando em reinos. :oma esorçava-oram-se não só para dominar a igreja, mas tamb#m para dominar o mundo. "bservamos, tamb#m, o movimento rom=ntico das Cru3adas no vão esorço para conquistar a 1erra /anta que estava em poder dos muçulmanos. & 0uropa despertava com a promessa de uma próima reorma, na nova era. &ssim como a História &ntiga termina com a queda de :oma, a História $edieval termina com a queda de Constantinopla.

" s#culo de3esseis troue a :eorma da igreja. 0ncontramos $artinho Lutero a>ando suas teses na porta da catedral de ?ittemberg. ara deender-se, compareceu ante o imperador e os nobres da &lemanha. 2essa #poca, vemos a igreja de :oma dividida. "s povos da 0uropa setentrional undaram suas próprias igrejas, de car<ter mais puro. 0ncontramos, tamb#m, em atividade a Contra- :eorma, iniciada nos países católicos, para conter o progresso da :eorma. ;inalmente, após uma guerra que durou trinta anos, e3-se um tratado de pa3 em ?est<lia, em 4@AB, traçando-se então linhas permanentes entre as naçes católico-romanas e as naçes protestantes.

& !D:0%& )" 0:E")" 0210C"/1&L

)esde a &scensão de Cristo, '( d.C. at# 9 regação de 0stvão, 'F d.C.

& igreja cristã em todas as #pocas, # ormada por todos aqueles que creem em %esus, o ;ilho de )eus. 2o ato de crer est< implícita a aceitação de Cristo por seu /alvador pessoal.

& igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de car<ter mundial, no )ia de entecoste, no >m da primavera do ano '(, cinquenta dias após a ressurreição do /enhor %esus, e de3 dias depois de sua ascensão ao c#u. )urante o tempo em que %esus eerceu seu minist#rio, os discípulos criam que %esus era o $essias de !srael, o Cristo. $essias e Cristo são palavras idnticas. $essias # palavra hebraica e Cristo # palavra grega. &mbas signi>cam 7" +ngido7, o 7ríncipe do :eino Celestial7. &pesar de %esus haver aceito esse título de seus seguidores mais chegados, proibiu-lhes, de proclamarem essa verdade entre o povo, antes que ele ressuscitasse de entre os mortos, e nos quarenta dias que precederam sua ascensão, isto #, at# quando lhes ordenou pregassem o 0vangelho. $as deviam esperar o batismo do 0spírito /anto, para então serem testemunhas em todo o mundo.

2a manhã do )ia de entecoste, enquanto os seguidores de %esus, cento e vinte ao todo, estavam reunidos, orando, o 0spírito /anto veio sobre eles de orma maravilhosa. 1ão

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real oi aquela maniestação, que oram vistas descer do alto, como que línguas de ogo, as quais pousaram sobre a cabeça de cada um. " eeito desse acontecimento oi trípliceG a6 !luminou as mentes dos discípulos, dando-lhes um novo conceito do reino de )eus. b6 Compreenderam que esse reino não era um imp#rio político mas um reino espiritual, na pessoa de %esus ressuscitado, que governava de modo invisível a todos aqueles que o aceitavam pela #. c6 &quela maniestação revigorou a todos, repartindo com eles o ervor do 0spírito, e o poder de epressão que a3ia de cada testemunho um motivo de convicção naqueles que os ouviam.

" 0spírito /anto, desde então, >cou morando permanentemente na igreja, não em sua organi3ação ou mecanismo, mas como possessão individual e pessoal do verdadeiro cristão. )esde o derramamento do 0spírito /anto, naquele dia, a comunidade daqueles primeiros anos oi chamada com muita propriedade, 7!greja entecostal7. or#m não havia reconhecimento de tais grupos como igreja. &s sedes gerais da igreja daquela #poca eram o Cen<culo, no $onte de /ião, e o órtico de /alomão, no 1emplo. 1odos os membros da !greja entecostal eram judeus. 2enhum dos seus membros, podia crer que os gentios ossem admitidos como membros da igreja. uando muito admitiam que o mundo gentio se tornaria judeu, para depois aceitar a Cristo. "s judeus da #poca dividiam-se em trs classes, e as trs estavam representadas na igreja de %erusal#m. "s hebreus eram aqueles cujos antepassados haviam habitado a alestina durante v<rias geraçesI eram israelita. /eu idioma era chamado 7língua hebraica7. "s judeus gregos ou helenistas eram descendentes dos judeus da dispersão, cujo lar ou antepassados estavam em terras estrangeiras. "s judeus- helenistas, como povo, ora da alestina, eram o ramo da raça judaica mais numerosa, mais rica, mais inteligente e mais liberal. "s pros#litos eram

pessoas não descendentes de judeus, as quais renunciavam ao paganismo, aceitavam a lei judaica e passavam a pertencer 9 igreja judaica, recebendo o rito da circuncisão. &pesar de serem uma minoria entre os judeus, os pros#litos eram encontrado s em muitas sinagogas em todas as cidades do !mp#rio :omano e go3avam de todos os privil#gios do povo judeu, não devem ser conundidos com 7os devotos7 ou 7tementes a )eus7I estes eram gentios, que deiaram de adorar os ídolos e requentavam as sinagogas, por#m não participavam da circuncisão, nem se propunham observar as minuciosas eigncias das leis judaicas. or essa ra3ão não eram considerados judeus, apesar de se mostrarem amigos deles.

& leitura dos primeiros seis capítulos do livro dos &tos dos &póstolos d< a entender que durante esse período o apóstolo /imão edro era o dirigente da igreja, era edro quem tomava a iniciativa de pregar, de operar milagres e de deender a igreja que então nascia. !sso não signi>ca que edro osse papa ou dirigente o>cial nomeado por )eus. 1udo acontecia como resultado da prontidão de edro em decidir, de sua acilidade de epressão e de seu espírito diretivo. &o lado de edro, o homem pr<tico, encontramos %oão, o homem contemplativo e espiritual, que raramente alava, por#m tido em grande estima. 0m uma igreja comparativamente pequena em n*mero, todos da mesma raça, todos obedientes 9 vontade do /enhor, todos na comunhão do 0spírito de )eus, pouco governo humano era necess<rio. 0sse governo era administrado pelos do3e, os quais atuavam como um só corpo, sendo edro apenas o porta-vo3.

2o início, a teologia ou crenças da igreja eram simples. 0ntretanto, podemos encontrar nos sermes de edro trs pontos doutrin<rios considerados essenciais. " primeiro ponto, o maior, era o car<ter messi=nico de %esus, isto #, que %esus de 2a3ar# era o $essias, o Cristo durante tanto tempo esperado por !srael, e que agora reinava no reino invisível do c#u, e ao qual todos os membros da igreja deviam demonstrar lealdade pessoal, reverncia e obedincia. "utra doutrina essencial era a ressurreição de %esus. %esus oi cruci>cado, ressuscitado dos mortos e agora estava vivo, como cabeça da igreja,

para nunca mais morrer. & terceira das doutrinas cardiais, contidas nos discursos de edro, era a segunda vinda de %esus. !sto #, o mesmo %esus que oi elevado ao c#u, no tempo determinado voltaria 9 terra, para reinar com sua igreja, e que a vinda de Cristo poderia ocorrer a qualquer momento.

& arma usada pela igreja, que haveria de levar o mundo aos p#s de Cristo, era o testemunho de seus membros. )ado que temos registrados v<rios discursos ou pregaçes de edro. Contudo, a leitura cuidadosa da História demonstra que todos os apóstolos e toda a igreja davam testemunho do 0vangelho. 0nquanto o n*mero de membros aumentava, aumentavam as testemunhas, pois cada membro era um mensageiro de Cristo, sem que houvesse distinção entre cl#rigos e leigos. 2o >m desse período, encontramos 0stvão

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elevando-se a tal eminncia como pregador, que os próprios apóstolos >cam ouscados. 0sse testemunho universal oi uma in8uncia poderosa no crescimento r<pido da igreja.

!nicialmente, o grandioso esorço desse punhado de homens de visão necessitava de auílio sobrenatural, uma ve3 que se propunha, sem armas materiais nem prestígio social, transormar uma nação, tendo de enrentar tamb#m os poderes da igreja nacional e do 0stado. 0sse auílio sobrenatural maniestou-se na orma de operação de maravilhas. Logo depois est< descrita a morte de &nanias e /a>ra, ao serem repreendidos por edro por causa do egoísmo e da alsidade. 0ssas obras poderosas atraíam a atenção do povo, motivavam investigação e abriam os coraçes das multides, para receberam a # em Cristo.

" amor de Cristo ardia no coração daqueles homens e os constrangia a mostrarem esse amor para com seus condiscípulos, a viver em unidade de espírito, em go3o e comunhão, e, especialmente, a demonstrar interesse e abnegação pelos membros da igreja que necessitavam de socorros materiais. "s ricos davam suas propriedades, de orma tão liberal, que leva a sugerir o socialismo radical na comunhão de bens. 2o entanto, # bom notar, que tudo era eito voluntariamente. )eve considerar-se ainda queG oi uma eperincia em uma pequena comunidade onde todos estavam juntosI a eperincia surgiu com a epectativa da iminente volta de %esus, quando então os bens terrenos não mais seriam necess<rios. " espírito dessa d<diva liberal # digno de elogios, por#m o plano, ao que tudo indica, não oi muito acertado.

)e modo geral, a !greja entecostal não tinha altas. 0ra poderosa na # e no testemunho, pura em seu car<ter, e abundante no amor. 0ntretanto, o seu singular deeito era a alta de 3elo mission<rio. ermaneceu em seu território, quando devia ter saído para outras terras e outros povos. ;oi necess<rio o surgimento da severa perseguição, para que se decidisse a ir a outras naçes a desempenhar sua missão mundial.

& 0J&2/K" )& !D:0%&

)esde a regação de 0stvão, 'F a.). &t# ao Concílio de %erusal#m, F( a.). 0ntramos agora em uma #poca da história da igreja cristã, que, apesar de curta apenas quin3e anosM # de alta signi>cação. /e o Cristianismo devia continuar como uma obscura seita judaica, ou se devia transormar-se em igreja cujas portas permanecessem para sempre abertas a todo o mundo. "s membros da igreja eram todos israelitas por nascimento ou por adoção. "s membros da igreja agora não eram eclusivamente judeusI em alguns casos predom inavam os gentios. " idioma usado nas assembleias na alestina era o hebraico ou aramaico, por#m, em outras regies bem mais povoadas o idioma usado era o grego.

2a igreja de %erusal#m surgiu uma queia contra o crit#rio adotado na distribuição de auílios aos pobres, pois as amílias dos judeus-gregos ou helenistas eram prejudicadas. "s apóstolos convocaram a igreja e propuseram a escolha de uma comissão de sete homens para cuidarem dos assuntos de ordem material. 0sse plano oi adotado, e os sete oram escolhidos, >gurando em primeiro lugar o nome de 0stvão, 7homem cheio de # e do 0spírito /anto7. )a acusação levantada contra ele, quando oi preso pelas autoridades judaicas, e da sua mensagem de deesa, # evidente que 0stvão proclamou a %esus Cristo

como /alvador, não somente para os judeus, mas tamb#m para os gentios. arece que 0stvão oi o primeiro membro da igreja a ter a visão do evangelho para o mundo inteiro. 0ntre aqueles que ouviram a deesa de 0stvão, e que se encoleri3aram com suas palavras sinceras, mas incompatíveis com a mentalidade judaica daqueles dias, estava um jovem de 1arso, cidade das costas da Nsia $enor, chamado /aulo. 0sse jovem havia sido educado sob

a orientação do amoso Damaliel, conhecido e respeitado int#rprete da lei judaica. /aulo participou do apedrejamento de 0stvão, e logo a seguir e3-se chee de terrível e obstinada perseguição contra os discípulos de Cristo. )essa orma o ódio ero3 de /aulo era um ator avor<vel 9 propagação do evangelho e da igreja.

2a lista dos nomes escolhidos para administrarem os bens da igreja, al#m de 0stvão, encontramos tamb#m ;ilipe, um dos do3e apóstolos. )epois da morte de 0stvão, ;ilipe reugiou-se entre os samaritanos, um povo misto, que não era judeu nem gentio, e por isso mesmo despre3ado pelos judeus. ;ilipe estabeleceu uma igreja em /amaria, a qual oi reconhecida pelos apóstolos edro e %oão. ;oi essa a primeira igreja estabelecida ora dos círculos judaicos. $ais tarde encontramos ;ilipe a pregar e a estabelecer igrejas nas cidades costeiras de Da3a, %ope e Cesar#ia. 0ssas eram consideradas cidades gentias, por#m todas possuíam densa população judaica.

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0m uma de suas viagens relacionadas com a inspeção da igreja, edro chegou a %ope, cidade situada no litoral. &li, 1abita ou )orcas oi ressuscitada. 2essa cidade edro

permaneceu algum tempo em companhia do outro /imão, o curtidor. " ato de edro, sendo judeu, permanecer em companhia de um curtidor signi>ca que edro se libertara das restritas regras dos costumes judeus, pois todos os que tinham o oício de curtidor eram considerados 7imundos7 pela lei cerimonial.

edro oi a Cesar#ia sob a direção do 0spírito, pregou o evangelho a Corn#lio um o>cial :omano e temente a )eus, e aos que estavam em sua casa, e os recebeu na igreja mediante o batismo. " 0spírito de )eus sendo derramado como no dia de entecoste, testi>cou sua aprovação divina. )essa orma oi divinamente sancionada a pregação do evangelho aos gentios e sua aceitação na igreja. 2essa #poca, possivelmente um pouco antes de edro haver visitado Cesar#ia, /aulo, o perseguidor, oi surpreendido no caminho de )amasco por uma visão de %esus ressuscitado. /aulo, que ora o mais temido perseguidor do evangelho, converteu-se em seu mais ardoroso deensor. /ua oposição ora dirigida especialmente contra a doutrina que eliminava a barreira entre judeus e gentios. 0ntretanto, quando se converteu, /aulo adotou imediatamente os mesmos conceitos de 0stvão, e tornou-se ainda maior que 0stvão, na ação de a3er prosperar o movimento de uma igreja universal, cujas portas estivessem abertas a todos os homens, quer ossem judeus, quer ossem gentios. 0m toda a história do Cristianismo, nenhuma conversão a

Cristo troue resultados tão importantes e ecundos para o mundo inteiro como a conversão de /aulo, o perseguidor, e mais tarde. " apóstolo aulo.

2a perseguição iniciada com a morte de 0stvão, a igreja em %erusal#m dispersou-se por toda parte. &lguns de seus membros ugiram para )amascoI outros oram para &ntioquia da /íria, distante cerca de AB( quilOmetros. 0m todas as sinagogas havia um local separado para os adoradores gentiosI muitos destes ouviram o evangelho em &ntioquia e aceitaram a # em Cristo. uando as notícias desses atos chegaram a %erusal#m, a igreja >cou alarmada e enviou um representante para eaminar as relaçes

dos judeus com os gentios.

;eli3mente, e para o bem de todos, a escolha do representante recaiu sobre Parnab#, homem de id#ias liberais, coração grande e generoso. Parnab# oi a &ntioquia, observou as condiçes, e, em lugar de condenar a igreja local por sua liberalidade, alegrou-se com essa circunst=ncia, endossou a atitude dos crentes dali e permaneceu em &ntioquia a >m de participar daquele movimento. & igreja em &ntioquia, com esses reorços, elevou-se a tal proeminncia, que ali, pela primeira ve3, os seguidores de Cristo oram chamados 7cristãos7, nome dado não pelos judeus mas pelos gregos, e somente trs ve3es mencionado no 2ovo 1estamento. &t# então, os membros gentios da igreja eram somente aqueles que espontaneamente a procuravam. )aí em diante, sob a direção do 0spírito /anto e de acordo com os anciãos, os dois dirigentes de maior destaque na igreja de &ntioquia oram enviados em missão evangeli3adora a outras terras, pregando tanto para judeus como para gentios.

0m relação 9 mudança do nome de /aulo pode-se eplicar da seguinte ormaG 0ra comum naqueles dias um judeu usar dois nomesI um entre os israelitas e outro entre os gentios.

/empre que lhes era possível, iniciavam o trabalho de evangeli3ação pregando nas sinagogas, pois nelas todos os judeus tinham o direito de alarI tratando-se de um mestre reputado como era aulo, que havia cursado a amosa escola de Damaliel, era sempre bem recebido. &l#m disso, por meio das sinagogas, não só anunciavam o evangelho aos judeus tementes a )eus mas tamb#m aos gentios, igualmente religiosos. 0m todas as viagens que o apóstolo aulo e3 mais tarde, o mesmo m#todo de trabalho oi posto em pr<tica.

0m todas as sociedades ou comunidades organi3adas, h< sempre duas classes de pessoasG os conservadores, olhando para o passadoI e os progressistas, olhando para o uturo, "s elementos ultrajudeus da igreja sustentavam que não podia haver salvação ora de !srael, or essa ra3ão, di3iam, todos os discípulos gentios deviam ser circuncidados e observar a lei judaica. 0ntretanto os mestres progressistas, encabeçados por aulo e Parnab#, declaravam que o evangelho era para os judeus e para os gentios, sobre a mesma base da # em Cristo, sem levar em conta as leis judaicas. 0ntre esses dois grupos surgiu então uma controv#rsia que ameaçou dividir a igreja. ;inalmente, reali3ou-se um concílio em %erusal#m para resolver o problema das condiçes dos membros gentios e estabelecer regras para a igreja no uturo. Conv#m registrar que nesse concílio estiveram

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representados não somente os apóstolos, mas tamb#m os anciãos e 7toda a igreja7. aulo e Parnab#, edro e 1iago, irmão do /enhor, participaram dos debates. Chegou-se, então, a esta conclusãoG a lei alcançava somente os judeus e não os gentios crentes em Cristo. Com essa resolução completou-se o período de transição de uma igreja cristã judaica para uma igreja de todas as raças e naçes. " evangelho podia, agora, avançar em sua constante epansão.

& !D:0%& 021:0 "/ D021!"/

)esde o Concílio de %erusal#m, F( a.). &t# ao $artírio de aulo, @B a.).

or decisão do concílio reali3ado em %erusal#m, a igreja >cou com liberdade para iniciar uma obra de maior vulto, destinada a levar todas as pessoas, de todas as raças, e de todas as naçes para o reino de %esus Cristo. Contudo, os gentios podiam pertencer 9 igreja cristã, mediante a # em Cristo e uma vida reta, sem submeterem-se 9s eigncias da lei. Q medida que o evangelho ganhava adeptos no mundo pagão, os judeus se aastavam dele e crescia cada ve3 mais o seu ódio contra o Cristianismo. 0m quase todos os lugares onde se maniestaram perseguiçes contra os cristãos, nesse período, elas eram instigadas pelos judeus.

)urante aqueles anos, trs dirigentes se destacaram na igreja. " mais conhecido oi aulo, o viajante incans<vel, o obreiro indOmito, o undador de igrejas e o eminente teólogo. )epois de aulo, aparece edro, reconhecido por aulo como uma das 7colunas7. & tradição di3 que edro esteve algum tempo em :oma, dirigiu a igreja nessa cidade, e, por >m, morreu como m<rtir no ano @R. " terceiro dos grandes nomes dessa #poca oi 1iago, um irmão mais moço do /enhor, e dirigente da igreja de %erusal#m. 1iago era >el conservador dos costumes judaicos. 0ra reconhecido como dirigente dos judeus cristãosI todavia não se opunha a que o evangelho osse pregado aos gentios. 1iago oi morto no 1emplo, cerca do ano @S. &ssim, todos os trs líderes desse período, entre muitos outros menos proeminentes perderam suas vidas como m<rtires da # que abraçaram. )epois do concílio de %erusal#m aulo empreendeu a segunda viagem mission<ria. 1endo por companheiro /ilas ou /ilvano, deiou &ntioquia da /íria e visitou, pela terceira ve3, as igrejas do continente, estabelecidas na primeira viagem. ;oi at# 9s costas do $ar 0geu, a 1rOade, antiga cidade de 1róia, e embarcou para a 0uropa, levando, assim, o evangelho a esse continente. )a cidade de Corinto, aulo escreveu duas cartas 9 igreja de 1essalOnica, sendo essas as suas primeiras epístolas.

2a cidade de Teso permaneceu por mais de dois anos, o período mais longo que aulo passou em um só lugar, durante todas as suas viagens. /eu minist#rio teve ito não apenas na igreja em Teso mas tamb#m na propagação do evangelho em toda a província. &s sete igrejas da Nsia, oram undadas quer direta, quer indiretamente por aulo. )e acordo com seu m#todo de voltar a visitar as igrejas que estabelecera, aulo navegou de Teso para a $acedOnia, visitou os discípulos em ;ilipos, 1essalOnica, Per#ia. 2avegou para 1rOade e dessa cidade passou pela costa da Nsia $enor. :ecomeçou a viagem para Cesar#ia, e subiu a montanha at# %erusal#m. 2esta cidade aulo terminou a terceira viagem mission<ria, quando oi atacado pela multidão de judeus no templo, aonde ora adorar. "s soldados romanos protegeram o apóstolo da ira do populacho, e o recolheram 9 ortale3a de $arco &ntónio.

;inalmente aulo chegou a :oma, a cidade que durante muitos anos oi o alvo de seu trabalho e esperança. &pesar de se tratar de um preso 9 espera de julgamento, contudo a aulo oi permitido viver em casa alugada, acorrentado a um soldado. " esorço principal de aulo, ao chegar a :oma, oi evangeli3ar os judeus, tendo para esse >m convocado seus compatriotas para uma reunião que durou o dia inteiro. Ueri>cando que apenas uns poucos dos judeus estavam disposto s a aceitar o 0vangelho, voltou-se então para os gentios. or espaço de dois anos, a casa em que aulo morava em :oma uncionou como igreja, onde muitos encontraram a Cristo, especialmente os soldados da guarda do retório. Contudo seu maior trabalho reali3ado em :oma oi a composição de quatro epístolas, que se contam entre os melhores tesouros da igreja.

&s epístolas oram as seguintesG 0#sios, ;ilipenses, Colossenses e ;ilemom. H< motivos para crer que após dois anos de prisão, aulo oi absolvido e posto em liberdade. odemos, sem d*vida, considerar os trs ou quatro anos de liberdade de aulo, como a continuação de sua quarta viagem mission<ria. Uisitou, a !lha de Creta, onde deiou 1ito respons<vel pelas igrejas, e esteve em 2icópolis no $ar &dri<tico, ao norte da Dr#cia. & tradição declara que neste lugar aulo oi preso e enviado outra ve3 para :oma, onde oi

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martiri3ado no ano @B. & este *ltimo período podem pertencer estas trs epístolasG rimeira a 1imóteo, 1ito e /egunda a 1imóteo, sendo que a *ltima oi escrita na prisão, em :oma.

& 0:& /"$P:!&

)esde o $artírio de aulo, @B a.). &t# 9 $orte de %oão, 4(( a.).

Q *ltima geração do primeiro s#culo, a que vai do ano @B a 4((, chamamos de 70ra /ombria7, em ra3ão de as trevas da perseguição estarem sobre a igreja, e tamb#m porque de todos os períodos da História # o que menos conhecemos. !neli3mente, nenhum historiador da #poca preencheu o v<cuo eistente. &pós o desaparecimento de aulo, durante um período de cerca de cinquenta anos uma cortina pende sobre a igreja. &pesar do esorço que a3emos para olhar atrav#s da cortina, nada se observa. ;inalmente, cerca do ano 4S(, nos registros eitos pelos 7ais da !greja7, deparamos com uma igreja em v<rios aspectos, muito dierente da igreja apostólica dos dias de edro e de aulo.

or volta de @@, os judeus rebelaram-se, abertamente, Uespasiano, o principal general romano, condu3iu um grande e#rcito at# 9 alestina. 0ntretanto, logo depois oi chamado a :oma, para ocupar o trono imperial. ;icou então na alestina, che>ando o e#rcito romano, o general 1ito, >lho de Uespasiano. &pós prolongado cerco, agravado pela ome e pela guerra civil dentro dos muros, a cidade de %erusal#m oi tomada e destruída pelos e#rcitos romanos. " amoso Coliseu de :oma oi construído pelos judeus prisioneiros, os quais oram obrigados a trabalhar como escravos, & nação judaica, depois de tre3e s#culos de eistncia, oi assim destruída. /ua restauração deu-se no dia 4F de maio de 4VAB.

2a queda de %erusal#m morreram poucos cristãos. &tentos 9s declaraçes pro#ticas de Cristo, os cristãos oram admoestados e escaparam da cidade ameaçadaI reugiaram-se em ela, no Uale do %ordão. &t# então, a igreja era considerada pelo governo romano e pelo povo, em geral, como um ramo da religião judaica. $as, dali por diante judeus e cristãos separaram-se de>nitivamente. +m pequeno grupo de judeus-cristãos ainda perseverou durante dois s#culos, por#m em n*mero sempre decrescente. 0sse grupo eram reconhecidos pela igreja no sentido geral, por#m despre3ados e apontados como apóstatas, pelos judeus, gente da sua própria raça. Cerca do ano V(, o cruel e indigno imperador )omiciano iniciou a segunda perseguição imperial aos cristãos. 0ntretanto, essa perseguição, como a de 2ero, oi espor<dica, local e não se estendeu a todo o imp#rio. 2essa #poca, %oão, o *ltimo dos apóstolos, que vivia na cidade de Teso, oi preso e eilado na ilha de atmos, no $ar 0geu. ;oi em atmos que %oão recebeu a revelação que compe o livro do &pocalipse, o *ltimo do 2ovo 1estamento. $uitos eruditos, entretanto, a>rmam que oi escrito mais cedo, isto #, provavelmente no ano @V, pouco depois da morte de 2ero. T prov<vel que %oão tenha morrido em Teso por volta do ano 4((.

T interessante notar o estado do Cristianismo no >m do primeiro s#culo, cerca de setenta anos depois da ascensão de Cristo. or essa #poca havia amílias que durante trs geraçes vinham seguindo a Cristo.

2o início do segundo s#culo, os cristãos j< estavam radicados em todas as naçes e em quase todas as cidades, o n*mero de membros da comunidade cristã subia a muitos milhes. & amosa carta de línio ao imperador 1rajano, escrita l< pelo ano 44S, declara que nas províncias da Nsia $enor, nas margens do $ar 2egro os templos dos deuses estavam quase abandonados, enquanto os cristãos em toda parte ormavam uma multidão, e pertenciam a todas as classes, desde a dos nobres, a at# a dos escravos, sendo que estes *ltimos, no imp#rio, ecediam em n*mero 9 população livre. &contecia, por#m, que na igreja o escravo era tratado igualmente como o livre. +m escravo podia chegar a ser bispo, enquanto seu amo e senhor não passava de simples membro. 2o >nal do primeiro s#culo, as doutrinas ensinadas pelo apóstolo aulo na epístola aos :omanos eram aceitas por toda a igreja, como regra de #. /urgiam nesse tempo id#ias her#ticas e ormavam-se seitas, descobertos e epostos pelos apóstolosI contudo, o desenvolvimento dessas heresias só aconteceu mais tarde. " batismo, principalmente por imersão, era o rito de iniciação na igreja em toda parte. Contudo, no ano 4S( aparecem mençes do costume de batismo por aspersãoI isso quer di3er que nesse tempo j< estava em uso. " dia do /enhor era observado de modo geral, apesar de não o ser de orma estrita, como um dia absolutamente separado. 0nquanto a igreja ora composta de maioria judaica, se observava o s<badoI agora o primeiro dia da semana pouco a pouco tomava o lugar do s#timo. %< nos dias de aulo havia igrejas que se reuniam no primeiro dia da semana, e no livro do &pocalipse esse dia # chamado 7o dia do /enhor7. & Ceia do /enhor era observada

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universalmente. & Ceia, no início, era celebrada no lar, assim como a p<scoa, da qual se srcinou. 0ntretanto, nas igrejas gentílicas apareceu o costume de celebrar-se uma reunião da igreja como se osse uma ceia qualquer, para a qual cada membro levava a própria provisão. " apóstolo aulo repreendeu a igreja em Corinto pelo abuso que esse costume havia causado. 2o >m do s#culo a Ceia do /enhor era celebrada onde os cristãos se reuniam, por#m 5talve3, por causa da perseguição6, não em reunies p*blicas. /omente os membros da igreja eram admitidos nas reunies em que celebravam a Ceia, que era considerada como um 7mist#rio7. " reconhecimento do domingo da ressurreição como anivers<rio da ressurreição de Cristo ora sancionado e aumentava dia a dia.

" *ltimo sobrevivente dos apóstolos oi %oão, que morou na cidade de Teso at# ao ano 4((. 2ão se l em nenhum documento que houvesse sucessores para o cargo de apóstolo. Contudo, no ano 4S( a3-se menção de 7apóstolos7, que parece haverem sido evangelistas que visitavam as igrejas, por#m sem autoridade apostólica. 0videntemente não eram muito respeitados, pois 9s igrejas recomendava-se que os hospedassem somente durante trs dias. 2o livro dos &tos dos &póstolos e nas *ltimas epístolas, os títulos anciãos 5presbíteros6 e bispos são mencionados como se ossem aplicados alternadamente 9 mesma pessoa. 2o entanto, no >m do primeiro s#culo aumentava a tendncia de elevar os bispos, acima de seus companheiros, os anciãos, costume que mais tarde condu3iu ao sistema eclesi<stico. "s di<conos são mencionados nas *ltimas epístolas de aulo como uncion<rios da igreja. 2a epístola aos :omanos, escrita no ano FB, aproimadamente, ;ebe de Cencr#ia # chamada diaconisa, e uma reerncia em 4 1imóteo pode haver sido eita a mulheres que desempenhavam esse cargo.

" plano das reunies nas assembleias cristãs era uma derivação das reunies das sinagogas judaicas, Liam-se as 0scrituras do &ntigo 1estamento e porçes das cartas apostólicas, os evangelhosI os salmos da Píblia e os hinos cristãos eram cantadosI as oraçes dieriam das que se a3iam nas sinagogas. 2o >nal das reunies era requente participarem da Ceia do /enhor. &s normas de car<ter moral eram elevadas, por#m o nível da vida espiritual era inerior ao que se maniestara nos primit ivos dias apostólicos. Contudo, por toda parte a igreja era orte, ativa, próspera e se esorçava por predominar em todos os etremos do !mp#rio :omano.

&/ 0:/0D+!WX0/ !$0:!&!/ /0D+2)" 0:E")" D0:&L )esde a $orte de %oão, 4(( a.). &t# ao 0dito de Constantino, '4' a.).

" ato de maior destaque na História da !greja no segundo e terceiro s#culos oi, sem d*vida, a perseguição ao Cristianismo pelos imperadores romanos. 0la se repetia durante anos seguidos, cada ve3 mais violenta. " edito de Constantino, o primeiro imperador cristão, e3 cessar todos os propósitos de destruir a igreja de Cristo. /urpreendente # o ato de se constatar que durante esse período, alguns dos melhores imperadores oram mais ativos na perseguição ao Cristianismo, ao passo que os considerados piores imperadores, eram brandos na oposição, ou então não perseguiam a igreja. odem-se apresentar v<rias causas para justi>car o ódio dos imperadores ao Cristianismo. " paganismo em suas pr<ticas aceitava as novas ormas e objetos de adoração que iam surgindo, enquanto o Cristianismo rejeitava qualquer orma ou objetos de adoração. "nde os deuses j< se contavam aos centos. uando os habitantes de uma cidade desejavam desenvolver o com#rcio ou a imigração, construíam templos aos deuses que se adoravam em outros países ou cidades, a >m de que os habitantes desses países ou cidades ossem ador<-los . 0is por que nas ruínas da cidade de omp#ia, !t<lia, se encontra um templo de ísis, uma deusa egípcia. 0sse templo oi edi>cado para omentar o com#rcio de omp#ia com o 0gito, a3endo com que os comerciantes egípcios se sentissem como em seu próprio país. or outro lado, o Cristianismo opunha-se a qualquer orma de adoração, pois somente admitia adoração ao seu próprio )eus. +m imperador desejou colocar uma est<tua de Cristo no anteão, um ediício que eiste em :oma at# hoje, e no qual se colocavam todos os deuses importantes. or#m os cristãos recusaram a oerta com despre3o. 2ão desejavam que o seu Cristo osse conhecido meramente como um deus qualquer entre outros deuses.

& adoração aos ídolos estava entrelaçada com todos os aspectos da vida. &s imagens eram encontradas em todos os lares para serem adoradas. "s cristãos, # claro, não participavam dessas ormas de adoração. Com reputação tão desavor<vel por parte do povo em geral, apenas um passo os separava da perseguição. & adoração ao imperador era

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considerada como prova de lealdade. 2os lugares mais visíveis de cada cidade havia uma est<tua do imperador reinante, e ainda mais, a essa imagem era oerecido incenso, como se oerecia aos deuses. "s cristãos recusavam-se a prestar tal adoração, mesmo um simples oerecimento de incenso sobre o altar. elo ato de cantarem hinos e louvores e adorarem a 7outro :ei, um tal %esus7, eram consi derados pelo povo como desleais e conspiradores de uma revolução. & primeira geração dos cristãos era tida como relacionada com os judeus e o %udaísmo era reconhecido pelo governo como religião permitida apesar de os judeus viverem separados dos costumes idólatras e não comerem alimentos usados nas estas dos ídolos. 0ssa suposta relação preservou os cristãos por algum tempo da perseguição. 0ntretanto, após a destruição de %erusal#m, no ano R(, o Cristianismo >cou isolado, sem nenhuma lei que protegesse seus seguidores do ódio dos inimigos.

&s reunies secretas dos cristãos despertaram suspeitas. 0les se reuniam antes do nascer do sol, ou então 9 noite, quase sempre em cavernas ou nas catacumbas subterr=neas. &l#m disso, o governo autocr<tico do imp#rio suspeitava de todos os cultos e sociedades secretas, temendo propósitos desleais. & celebração da Ceia do /enhor, da qual eram ecluídos os estranhos, repetidas ve3es era causa de acusaçes e de perseguiçes. " Cristianismo considerava todos os homens iguais. 2ão havia nenhuma distinção entre seus membros, nem em suas reunies. +m escravo podia ser eleito bispo na igreja. 1udo isso eram coisas inaceit<veis para a mentalidade dos nobres. "s cristãos eram considerados como 7niveladores da sociedade7, portanto anarquistas, perturbadores da ordem social. 0is por que eram tidos na conta de inimigos do 0stado. 2ão raro os interesses econOmicos tamb#m provocavam e ecitavam o espírito de perseguição. !ncitado por )em#trio, o ourives, muitas ve3es os governantes eram in8uenciados para perseguir os cristãos, por pessoas cujos interesses >nanceiros eram prejudicados pelo progresso da igrejaG sacerdotes e demais servidores dos templos dos ídolos, os que negociavam com imagens, os escultores, os arquitetos que construíam templos, e todos aqueles que ganhavam a vida por meio da adoração pagã. )urante todo o segundo e terceiro s#culos, e mui especialmente nos primeiros anos do quarto s#culo at# ao ano '4', a religião cristã era proibida e seus partid<rios eram considerados ora da lei.

&s perseguiçes do primeiro s#culo, eetuadas por 2ero 5@@-@B6 e por )omiciano 5V(-VF6 oram, eploses de delírio e ódio, sem outro motivo, a não ser a ira de um tirano. 0ssas perseguiçes deram-se de orma espor<dica e não se prolongavam por muito tempo. 0ntretanto, desde o ano SF( a '4' d.C. a igreja esteve sujeita a uma s#rie sistem<tica e implac<vel de atentados governamentais em todo o imp#rio, a >m de esmagar a # sempre crescente. uando se ormulavam acusaçes e os cristãos se recusavam a retratar-se, os governantes eram obrigados, contra a própria vontade, a pOr em vigor a lei e ordenar a eecução. &lguns m<rtires proeminentes da # eecutados nesse período oram os seguintesG /imeão 5ou /imãoI $arcos @G'6, o sucessor de 1iago, bispo da igreja em %erusal#m e, como aquele, era tamb#m irmão do /enhor. )i3-se que alcançou a idade de

cento e vinte anos. ;oi cruci>cado por ordem do governador romano na alestina, no ano 4(R, durante o reinado de 1rajano. !n<cio, bispo de &ntioquia da /íria. 0le estava disposto a ser martiri3ado, pois durante a viagem para :oma escreveu cartas 9s igrejas maniestando o desejo de não perder a honra de morrer por seu /enhor. ;oi lançado 9s eras no an>teatro romano, no ano 4(B ou 44(. &pesar de a perseguição durante estes reinados não haver sido tão orte como a que se maniestou depois, contudo, registraram-se v<rios casos de martírios, al#m dos dois que j< registramos. " melhor dos imperadores romanos, e um dos mais eminentes escritores de #tica, oi $arco &ur#lio, que reinou de 4@4 a 4B(. /ua est<tua ainda eiste diante as ruínas do Capitólio em :oma. )epois da morte de $arco &ur#lio, no ano 4B(, seguiu-se em período de conusão. "s imperadores racos e sem dignid ade estavam demasiado ocupados com as guerras civis e com seus próprios pra3eres, de modo que não lhes sobrava tempo para dar atenção aos cristãos.

2o governo dos numerosos imperadores que se seguiram em r<pida sucessão, a igreja oi esquecida pelo período de quarenta anos. 0ntretanto, no governo de )#cio 5SAV-SF46 iniciou-se outra terrível perseguiçãoI eli3mente seu governo oi curto e com sua morte cessou a perseguição durante algum tempo. Com a morte de )#cio seguiram-se mais de cinquenta anos de relativa calma, somente quebrada em alguns períodos por breves levantes contra os cristãos. +m desses períodos oi no tempo de Ualeriano, no ano SFR. " c#lebre Cipriano, bispo de Cartago, um dos maiores escritores e dirigentes da igreja desse período, oi morto, e bem assim o bispo romano /eto. & *ltima, a mais sistem<tica e

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a mais terrível de todas as perseguiçes deu-se no governo de )iocleciano e seus sucessores de '(' a '4(. 0m uma s#rie de editos determinou-se que todos os eemplares da Píblia ossem queimados. &o mesmo tempo ordenou-se que todos os templos construídos em todo o imp#rio durante meio s#culo de aparente calma, ossem destruídos. &l#m disso, eigiu-se que todos renunciassem ao Cristianismo e 9 #. &queles que o não >3essem, perderiam a cidadania romana, e >cariam sem a proteção da lei. Constantino, >lho de Const=ncio, servindo como co- imperador, o qual nesse tempo ainda não proessava o Cristianismo, epediu o memor<vel 0dito de 1oler=ncia, no ano '4'. or essa lei o Cristianismo oi o>ciali3ado, sua adoração tornou-se legal e cessou a perseguição, para não mais voltar, enquanto durou o !mp#rio :omano.

---0sta declaração, apesar de ser eita por muitos historiadores, baseia-se em provas incertas e bem pode ser que não seja

verídica.---& !D:0%verídica.---& 0:/0D+!)verídica.---& /0D+2)verídica.---& verídica.---&:10 ;ormação do C=non do 2ovo 1estamento. )esenvolvimento da "rgani3ação 0clesi<stica.

)esenvolvimento da )outrina.

&pesar de considerarmos as perseguiçes o ato mais importante da história da igreja, no segundo e terceiro s#culos, contudo, a par desse acontecimento eetuaram-se grandes progressos no campo da organi3ação e vida da comunidade cristã. %< vimos que os escritos do 2ovo 1estamento oram terminados pouco depois do início do segundo s#culo. 0ntretanto, a ormação do 2ovo 1estamento com os livros que o compem, como c=non ou regra de # com autoridade divina, não oi imediata. 2em todos os livros eram aceitos em todas as igrejas, como escritos inspirados. &lguns deles, especialmente Hebreus, 1iago, /egunda de edro e &pocalipse, eram aceitos no "riente, por#m durante muitos anos oram recusados no "cidente. or outro lado, alguns livros que hoje não são aceitos como canOnicos, eram lidos no "riente. 0ntre esses livros contam-se os seguintesG 0pístola de Parnab#, astor de Hermas, 0nsinos dos )o3e &póstolos e o &pocalipse de edro. Dradual e lentamente os livros do 2ovo 1estamento, tal como hoje os usamos, conquistaram a proeminncia de escrituras inspiradas, ao passo que os outros livros oram gradualmente postos de lado e rejeitados pelas igrejas.

"s concílios rati>caram a escolha j< eita pelas igrejas. 2ão # possível determinar-se a data eata do reconhecimento completo do 2ovo 1estamento, tal como o usamos atualmente, por#m sabe-se que não aconteceu antes do ano '((. ualquer pessoa que leia o 72ovo 1estamento &pócrio7, e o compare com o conte*do do 2ovo 1estamento, notar< imediatamente a ra3ão por que tais livros oram recusados e não reconhecidos como canOnicos. 0nquanto os primitivos apóstolos viveram, a reverncia geral para com eles, como os companheiros escolhidos por Cristo, como undadores da igreja e como homens dotados de inspiração divina, dava-lhes o lugar indiscutível de dirigentes da igreja at# onde era necess<rio govern<-la.

uando Lucas escreveu o livro dos &tos do &póstolos, e aulo as epístolas aos ;ilipenses e a 1imóteo os títulos 7bispos7 e 7anciãos7 5presbíteros6 eram dados livremente 9queles que serviam 9s igrejas. 0ntretanto, sessenta anos depois, isto #, cerca do ano 4SF, nota-se que os bispos estavam em toda parte, governando as igrejas, e cada um mandava em sua própria diocese, tendo presbíteros e di<conos sob suas ordens. " concílio de %erusal#m, no ano F(, era composto de 7apóstolos e anciãos7, e epressavam a vo3 de toda

a igreja, tanto dos ministros 5se # que eistiam, o que # duvidoso6, como de todos os leigos. or#m, durante o período da perseguição seguramente depois do ano 4F(, os concílios eram celebrados e as leis eram ditadas somente pelos bispos. & orma episcopal de governo dominava universalmente. & história de então não eplica as causas que condu3iram a essa mudança de organi3ação, contudo não # diícil descobri-las.

& perda de autoridade apostólica e3 com que se reali3assem eleiçes de novos dirigentes. "s undadores da igreja, edro, aulo, 1iago, o irmão do /enhor, e %oão, o *ltimo dos apóstolos, haviam morrido sem deiarem homens iguais a eles, com a mesma capacidade que eles possuíam. )epois da morte dos apóstolos edro e aulo, num período de cerca de cinquenta anos, a História da !greja tem suas p<ginas em branco. &s reali3açes de homens como 1imóteo, 1ito e &polo são desconhecidas. " crescimento e a epansão da igreja oi a causa da organi3ação e da disciplina. 0nquanto as igrejas estavam

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dentro dos limites que tornavam possível receber a visita dos apóstolos, poucas autoridades eram necess<rias. or#m, quando a igreja se epandiu para al#m dos limites do !mp#rio :omano, chegando at# 9s ronteiras da índia, abarcando muitas naçes e raças, então se julgou necess<ria a autoridade de um dirigente para suas dierentes seçes. & perseguição Y um perigo comum Y aproimou as igrejas umas das outras e eerceu in8uncia para que elas se unissem e se organi3assem. uando os poderes do 0stado se levantavam contra a igreja, sentia-se, então, a necessidade de uma direção e>ciente. &pareciam, pois, os dirigentes para a ocasião. 0ssa situação durou sete geraçes e e3 com que a orma de governo se estabelecesse em car<ter permanente. " aparição de seitas e heresias na igreja impOs, tamb#m, a necessidade de se estabelecerem alguns artigos de #, e, com eles, algumas autoridades para eecut<-los.

" Cristianismo não se iniciou em uma rep*blica na qual os cidadãos escolhiam os governantes, mas surgiu em um imp#rio governado por autoridades. 0is por que quando era necess<rio algum governo para a igreja, surgia a orma autocr<tica, isto #, o governo de bispos, aos quais a igreja se submetia, por estar acostumada 9 mesma orma de governo do 0stado. Conv#m notar que durante todo o período que estamos considerando, nenhum bispo reclamou para si a autoridade de bispo universal Y autoridade sobre outros bispos Y como mais tarde o e3 o bispo de :oma. "utra característica que distingue esse período #, sem d*vida, o desenvolvimento da doutrina. 2a era apostólica a # era do coração, uma entrega pessoal da vontade a Cristo como /enhor e :ei. 0ra uma vida de acordo com o eemplo da vida de %esus, e como resultado o 0spírito /anto morava no coração. 0ntretanto, no período que agora ocali3amos, a # gradativamente passara a ser mental, era uma # do intelecto, # que acreditava em um sistema rigoroso e in8eível de doutrinas. 1oda a nase era dada 9 orma de crença, e não 9 vida espiritual interna. &s normas decar<ter cristão eram ainda elevadas, e a igreja possuía ainda muitos santos enriquecidos pelo 0spírito /anto, por#m a doutrina pouco a pouco se transormava em prova do Cristianismo.

" Credo &postólico, a mais antiga e mais simples declaração da crença cristã, oi escrito durante esse período. &pareceram, nessa #poca, trs escolas teológicas. +ma em &leandria, outra na Nsia $enor e ainda outra no norte da Nrica. 0ssas escolas oram estabelecidas para instruir aqueles que descendiam de amílias pagãs, e que haviam aceitado a # Cristã. 0ntretanto, não tardou que tais escolas se transormassem em centros de investigação das doutrinas da igreja. Drandes mestres ensinavam nessas escolas. & escola de &leandria oi undada no ano 4B(, por anteno, que ora >lósoo detestado na escola dos estóicosI por#m, como cristão, era ervoroso em espírito e eloquente no ensino oral. &penas alguns ragmentos de seus ensinos sobrevivem. anteno oi sucedido por Clemente de &leandria 5que viveu em 4F(-S4F aproimadamente6. 0ntretanto, o maior vulto da escola de &leandria, o epositor mais competente daquele período, oi "rígenes 54BF-SFA6 o qual ensinou e escreveu sobre muitos temas, demonstrando possuir proundo saber e poder intelectual.

& escola da Nsia $enor não estava locali3ada em um determinado centro, mas consistia em um grupo de mestres e escritores de teologia. /eu mais epressivo representante oi !reneu, que 7combinou o 3elo de evangelista com a habilidade de escritor consumado7. 2os *ltimos anos de sua vida, mudou-se para a ;rança, onde chegou a ser bispo e por volta do ano S(( morreu como m<rtir. & escola do norte da Nrica estava estabelecida na cidade de Cartago. $ediante um elevado n*mero de escritores e teólogos competentes e3 mais do que as outras em avor do Cristianismo, no sentido de dar orma ao pensamento teológico da 0uropa. "s dois nomes de maior epressão que passaram por essa escola oram os de 1ertuliano 54@(-SS(6 e o do mais conservador, por#m h<bil e competente bispo Cipriano, o qual morreu como m<rtir na perseguição de )#cio, no ano SFB. "s escritos desses eruditos cristãos, e bem assim os de muitos outros que com eles trabalharam e por eles oram inspirados, serviram de inestim<vel onte de inormaçes srcinais acerca da igreja, sua vida, suas doutrinas e suas relaçes com o mundo pagão que a cercava, durante os s#culos de perseguição.

& !D:0%& 0:/0D+!)&, 4((-'4' 10:C0!:& &:10 " &parecimento de /eitas e Heresias.

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%untamente com o desenvolvimento da doutrina teológica, desenvolviam-se tamb#m as seitas, ou como lhes chamavam, as heresias na igreja cristã. 0nquanto a igreja era judaica em virtude de seus membros, e at# mesmo depois, quando era orientada por

homens do tipo judeu como edro e at# mesmo aulo, havia apenas uma leve tendncia para o pensamento abstrato e especulativo. 0ntretanto, quando a igreja em sua maioria se compunha de gregos, especialmente de gregos místicos e desiquilibrados da Nsia $enor, apareceram opinies e teorias estranhas, de toda sorte, as quais se desenvolveram rapidamente na igreja. "s cristãos do segundo e terceiro s#culos lutaram não só contra as perseguiçes do mundo pagão, mas tamb#m contra as heresias e doutrinas corrompidas, dentro do próprio rebanho.

"s gnósticos 5do grego 7gnosis7, 7sabedoria76 não são <ceis de de>nir, por serem demasiado variadas suas doutrinas, que dieriam de lugar para lugar, nos diversos períodos. /urgiram na Nsia $enor Y oco de ideias ant<sticas Y e eram como que um enerto do Cristianismo no paganismo. 0les criam que do )eus supremo emanava um grande n*mero de divindades ineriores, algumas ben#>cas e outras malignas. Criam que por meio dessas divindades, o mundo oi criado com a mistura do bem e do mal, e que em %esus Cristo, como uma dessas 7emanaçes7, a nature3a divina morou durante algum

tempo. !gualmente interpretavam as 0scrituras de orma alegórica, de modo que cada declaração das 0scrituras signi>cava aquilo que ao int#rprete parecesse mais acertado. "s gnósticos progrediram durante todo o segundo s#culo, cessando suas atividades com o t#rmino do s#culo. "s ebionitas 5palavra hebraica que signi>ca 7pobre76 eram judeus cristãos que insistiam na observ=ncia da lei e dos costumes judaicos. :ejeitaram as cartas do apóstolo aulo, porque nessas epístolas aulo reconhe cia os gentios convertidos como cristãos. "s ebionitas eram considerados apóstatas pelos judeus não cristãos, mas tamb#m não contavam com a simpatia dos cristãos gentios, os quais, depois do ano R(, constituíam a maioria na igreja. "s ebionitas diminuíram, gradualmente, no segundo s#culo.

"s maniqueus, de srcem persa, oram chamados por esse nome, em ra3ão de seu undador ter o nome de $ani, o qual oi morto no ano SR@, por ordem do governo persa. " ensino dos maniqueus dava nase a este atoG 7" universo compe-se do reino das trevas e do reino da lu3 e ambos lutam pelo domínio da nature3a e do próprio homem.7 :ecusavam a %esus, por#m criam em um 7Cristo celestial7. 0ram severos quanto 9 obedincia ao ascetismo, e renunciavam ao casamento. "s maniqueus oram perseguidos tanto por imperadores pagãos, como tamb#m pelos cristãos. &gostinho, o maior teólogo da igreja, era maniqueu, antes de se converter.

"s montanistas, assim chamados por causa do seu undador se chamar $ontano, quase não podem ser incluídos entre as seitas hereges, apesar de seus ensinos haverem sido condenados pela igreja. "s montanistas eram puritanos, e eigiam que tudo voltasse 9 simplicidade dos primitivos cristãos. 0les criam no sacerdócio de todos os verdadeiros crentes, e não nos cargos do minist#rio. "bservavam rígida disciplina na igreja. Consideravam os dons de proecia como um privil#gio dos discípulos. 1ertuliano, um dos principais entre os ais da !greja, aceitou as ideias dos montanistas e escreveu em avor deles. &cerca dessas seitas, consideradas como heresias, a di>culdade em compreend-las ou julg<-las est< no ato de que seus escritos desapareceram. ara ormar nossa opinião acerca deles, dependemos eclusivamente daqueles que contra eles escreveram, e todos sabemos que escreveram inspirados pelo interesse da causa que deendiamI não eram imparciais. /uponhamos, por eemplo, que a denominação metodista desaparecesse, com todos os seus escritosI e que mil anos mais tarde, estudiosos procurassem conhecer seus ensinos pesquisando os livros e pan8etos combatendo %ohn ?esleZ, publicados durante o s#culo de3oito. Como seriam erradas suas concluses, e, que versão distorcida do metodismo apresentariam. &s perseguiçes conservavam aastados todos aqueles que não eram sinceros em sua con>ssão de #. 2ingu#m se unia 9 igreja para obter lucros ou popularidade. "s racos e os de coração dobre abandonavam a igreja. /omente aqueles que estavam dispostos a ser >#is at# 9 morte, se tornavam publicamente seguidores de Cristo. & perseguição cirandou a igreja, separando o joio do trigo. )e modo geral, nessa #poca, o ensino da igreja estava uni>cado. 1ratava-se de uma comunidade de muitos milhes de pessoas, espalhadas em muitos países, incluindo muitas raças e alando v<rios idiomas. &pesar de tudo isso, tinham a mesma #. &s v<rias seitas surgiram, 8oresceram e pouco a pouco desapareceram. &s controv#rsias revelaram a verdade e at# mesmo alguns movimentos her#ticos deiaram atr<s de si algumas verdades que enriqueceram o

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7depósito7 da igreja. &pesar da eistncia de seitas e cismas, o Cristianismo do imp#rio e dos países vi3inhos estava unido na doutrina, nos costumes e no espírito. 0ra uma igreja inteiramente organi3ada.

2o terceiro s#culo a igreja j< estava dividida em dioceses, controlando as r#deas do governo, com mãos >rmes. & igreja era um e#rcito disciplinado e unido, sob uma direção competente. )entro do imp#rio romano eteriormente organi3ado, mas interiormente em decadncia, havia 7outro7 imp#rio de vida abundante e de poder sempre crescente, que era a igreja cristã. & igreja multiplicava-se. &pesar das perseguiçes, ou talve3 por causa delas, a igreja crescia com rapide3 assombrosa. &o >ndar-se o período de perseguição, a igreja era su>cientemente numerosa para constituir a instituição mais poderosa do imp#rio. Dibbon, historiador dessa #poca, calculou que os cristãos, ao t#rmino da perseguição, eram pelo menos a d#cima parte da população. $uitos escritores aceitaram as declaraçes de Dibbon, apesar de não serem muito certas. or#m, o assunto oi recentemente cuidadosamente investigado e a conclusão a que os estudiosos chegaram, oi estaG " n*mero de membros da igreja e seus aderentes chegou a v<rios milhes sob o domínio de :oma. +ma prova das mais evidentes desse ato oi descoberta nas catacumbas de :oma, t*neis subterr=neos de vasta etensão, que durante dois s#culos oram os lugares de re*gio e reunião, e de cemit#rio dos cristãos. &s sepulturas dos cristãos nas catacumbas, segundo o demonstram as inscriçes e símbolos sobre elas, conorme c<lculos de alguns, sobem a milhes. &crescente-se a esses milhes muitos outros que não oram sepultados nas catacumbas, e veja-se então quão elevado deve ter sido o n*mero de cristãos em todo o !mp#rio :omano.

& !D:0%& !$0:&L 10:C0!:" 0:E")" D0:&L

)esde o 0dito de Constantino, '4'. &t# 9 ueda de :oma, AR@. Uitória do Cristianismo.

" ato mais not<vel, e tamb#m o mais in8uente, tanto para o bem como para o mal, oi a vitória do Cristianismo. 2o ano '(F, quando )iocleciano abdicou do trono imperial, a religião cristã era terminantemente proibida. Contra o Cristianismo estavam todos os poderes do 0stado. 0ntretanto, menos de oitenta anos depois, em 'B(, o Cristianismo oi reconhecido como religião o>cial do !mp#rio :omano, e um imperador cristão eercia autoridade suprema, cercado de uma corte ormada de cristãos proessos. )essa orma passaram os cristãos, de um momento para o outro, do an>teatro romano onde tinham de enrentar os lees, a ocupar lugares de honra junto ao trono que governava o mundo[ Logo após a abdicação de )iocleciano, no ano '(F, quatro aspirantes 9 coroa estavam em guerra.

Constantino era avor<vel aos cristãos, apesar de ainda não se conessar como tal. 0le a>rmou ter visto no c#u uma cru3 luminosa com a seguinte inscriçãoG 7!n Hoc /igno Uinces7 5por este sinal vencer<s6, e mais tarde, adotou essa inscrição como insígnia do seu e#rcito. ouco tempo depois, em '4', Constantino promulgou o amoso 0dito de 1oler=ncia, que o>cialmente terminou com as perseguiçes. /omente no ano 'S' o

Cristianismo oi então avorecido. " car<ter de Constantino não era pereito. &pesar de ser considerado justo, de um modo geral, contudo, ocasionalmente era cruel e tirano. )i3ia-se que 7a realidade do seu cristianismo era melhor do que a sua qualidade7. 0le retardou o ato de seu batismo at# 9s v#speras da morte, julgando que o ato do batismo lavava todos os pecados cometidos anteriormente, ideia que prevalecia entre os cristãos, naquela #poca. /e Constantino não oi um grande cristão, oi, sem d*vida, um grande político, pois teve a ideia de unir-se ao movimento que dominaria o uturo de seu imp#rio. )a repentina mudança de relaçes entre o imp#rio e a igreja surgiram resultados de alcance mundial. &lguns *teis e outros danosos, tanto para a igreja como para o 0stado. T <cil de veri>car em que sentido a nova atitude do governo bene>ciou a causa do Cristianismo. Cessaram, todas as perseguiçes, para sempre. )urante du3entos anos antes, em nenhum momento os cristãos estiveram livres de perigos, acusaçes e morte. 0ntretanto, desde a publicação do 0dito de Constantino, no ano '4', at# ao t#rmino do imp#rio, a espada oi não somente embainhadaI oi enterrada. "s templos das igrejas oram restaurados e novamente abertos em toda parte. 2o período apostólico celebravam-se reunies em casas particulares e em sales alugados. $ais tarde, nos períodos em que cessavam as perseguiçes, construíam-se templos para as igrejas.

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2a *ltima perseguição, durante o tempo de )iocleciano, alguns desses templos oram destruídos e outros con>scados pelas autoridades. 1odos os templos que ainda eistiam quando Constantino subiu ao poder, oram restaurados e aqueles que tinham sido destruídos, oram pagos pelas cidades em que estavam. & partir dessa #poca os cristãos go3aram de plena liberdade para edi>car templos que começaram a ser erguidos, por toda parte. 0sses templos tinham a orma e tomavam o nome da 7basílica7 romana ou salão da corte, isto #, um ret=ngulo dividido por >las de colunas, tendo na etremidade uma plataorma semicircular com assentos para os cl#rigos. " próprio Constantino deu o eemplo mandando construir templos em %erusal#m, Pel#m, e na nova capital, Constantinopla. )uas geraçes após, começaram a aparecer as imagens nas igrejas. "s cristãos primitivos tinham horror a tudo que pudesse condu3ir 9 idolatria. 2essa #poca a adoração pagã ainda era tolerada, por#m haviam cessado os sacriícios o>ciais, os costumes pagãos eram então mera ormalidade. 0m muitos lugares os templos pagãos oram dedicados ao culto cristão. 0sses atos sucediam principalmente nas cidades, enquanto nos pequenos lugares a crença e a adoração pagãs perduraram durante geraçes. & palavra 7pagão7, srcinalmente signi>cava 7morador do campo7. $ais tarde, por#m, passou a signi>car, um idólatra, que não pratica a verdadeira adoração.

0m pequena escala a princípio, mas logo depois de maneira generali3ada e de orma liberal, os dinheiros p*blicos oram enriquecendo as igrejas, e os bispos, os ministros, todos os uncion<rios do culto cristão eram pagos pelo 0stado. 0ra uma d<diva bem recebida pela igreja, por#m, de beneício duvidoso. &o clero oram concedidos muitos privil#gios, nem sempre dados pela lei do imp#rio, mas por costume, que pouco depois se transormava em lei. &s causas em que estivessem envolvidos os cl#rigos, eram julgadas por cortes eclesi<sticas e não civis. "s ministros da igreja ormavam uma classe privilegiada acima da lei do país. 1udo isso oi, tamb#m, um bem imediato que se transormou em prejuí3o tanto para o 0stado como para a igreja.

" primeiro dia da semana 5domingo6 oi proclamado como dia de descanso e adoração, e a observ=ncia em breve se generali3ou em todo o imp#rio. 2o ano 'S4, Constantino proibiu o uncionamento das cortes e tribunais aos domingos, eceto em se tratando de libertar os escravos. "s soldados estavam isentos de eercícios militares aos domingos. $as os jogos p*blicos continuaram a reali3ar-se aos domingos o que o tornava mais um eriado que um dia santo. " espírito da nova religião oi incutido em muitas ordens decretadas por Constantino e seus sucessores imediatos. & cruci>cação oi abolida. 2ote-se que a cruci>cação era uma orma comum de castigo para os criminosos, eceto para os cidadãos romanos, os *nicos que tinham direito a ser decapitados, se ossem condenados 9 morte. or#m a cru3, emblema sagrado para os cristãos, oi adotada por Constantino, como distintivo de seu e#rcito e oi proibida como instrumento de morte. 2a história de :oma e suas províncias, era ato comum que qualquer criança que não osse do agrado do pai, podia ser as>iada ou 7abandonada7 para que morresse. &lgumas pessoas dedicavam-se a recolher crianças abandonadasI criavam-nas e depois vendiam-nas como escravos. & in8uncia do Cristianismo imprimiu um sentido sagrado 9 vida humana, at# mesmo 9 das crianças, e e3 com que o inanticídio osse banido do imp#rio. ualquer senhor podia matar os escravos que possuía, se o desejasse.

)urante o domínio de um dos primeiros imperadores, um rico cidadão romano oi assassinado por um de seus escravos. /egundo a lei, como castigo todos os tre3entos escravos daquele cidadão oram mortos, sem levar-se em consideração o seo, a idade, a culpa ou a inocncia. 0ntretanto, a in8uncia do Cristianismo tornou mais humano o tratamento dado aos escravos. ;oram-lhes outorgados direitos legais que antes não possuíam. odiam, de acordo com a lei, acusar seu amo de tratamento cruel, e a emancipação oi assim sancionada e omentada. )essa orma as condiçes dos escravos oram melhoradas e a escravidão oi gradativamente abolida.

&s lutas de gladiadores oram proibidas. 0ssa lei oi posta em vigor na nova capital de Constantino, onde o hipódromo jamais oi contaminado por homens que se matassem uns aos outros para pra3er dos espectadores. Contudo, os combates ainda continuaram no an>teatro romano at# ao ano A(A, quando o monge 1elmaco invadiu a arena e tentou apartar os gladiadores. " monge oi assassinado, por#m, desde então, cessou a matança de homens para pra3er dos espectadores. &pesar de os triunos do Cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao povo, contudo a sua aliança com o 0stado, inevitavelmente devia tra3er, maus resultados para a igreja. /e o t#rmino da perseguição oi uma bnção, a

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o>ciali3ação do Cristianismo como religião do 0stado oi, maldição. 1odos queriam ser membros da igreja e quase todos eram aceitos. 1anto os bons como os maus, os que buscavam a )eus e os hipócritas buscando vantagens, todos se apressavam em ingressar na comunhão. 1odos desejavam postos na igreja, para, assim, obterem in8uncia social e política. " nível moral do Cristianismo no poder era muito mais baio do que aquele que destingia os cristãos nos tempos de perseguição. "s cultos de adoração aumentaram em esplendor, # certo, por#m eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado. "s costumes e as cerimOnias do paganismo oram pouco a pouco in>ltrando-se nos cultos de adoração. &lgumas das antigas estas pagãs oram aceitas na igreja com nomes dierentes. Cerca do ano A(F as imagens dos santos e m<rtires começaram a aparecer nos templos, como objetos de reverncia, adoração e culto. & adoração 9 virgem $aria substituiu a adoração a Unus e a )iana. & Ceia do /enhor tornou-se um sacriício em lugar de uma recordação da morte do /enhor. " 7ancião7 evoluiu de pregador a sacerdote. Como resultado da ascensão da igreja ao poder, não se v os ideais do Cristianismo transormando o mundoI o que se v # o mundo dominando a igreja. & humildade e a santidade da igreja primitiva oram substituídas pela ambição, pelo orgulho e pela arrog=ncia de seus membros. Havia, ainda alguns cristãos de espírito puro, como $Onica, a mãe de &gostinho, e havia ministros >#is como %erOnimo e %oão Crisóstomo. 0ntretanto, a onda de mundanismo avançou, e venceu a muitos que se di3iam discípulos do humilde /enhor. /e tivesse sido permitido ao Cristianismo desenvolver-se normalmente, sem o controle do 0stado, e se o 0stado se tivesse mantido livre da ditadura da igreja, tanto um quanto a outra teriam sido mais eli3es. or#m a igreja e o 0stado tornaram- se uma só entidade quando o Cristianismo oi adotado como relig ião do imp#rio, e dessa união inatural surgiram males sem conta nas províncias orientais e ocidentais.2o "riente, o 0stado dominava de tal modo a igreja, que esta, perdeu todo o poder que possuía. 2o "cidente, a igreja, pouco a pouco, usurpou o poder secular e o resultado não oi Cristianismo, e, sim, o estabelecimento de uma hierarquia mais ou menos corrompida que dominava as naçes da 0uropa, a3endo da igreja uma m<quina política.

& !D:0%& !$0:!&L /0D+2)& &:10 ;undação de Constantinopla.

)ivisão do !mp#rio /upressão do aganismo. Controv#rsias e Concílios. 2ascimento do $onacato.

Logo após haver sido o Cristianismo elevado 9 condição de religião do !mp#rio :omano. " imperador Constantino compreendeu que a cidade de :oma estava intimamente ligada 9 adoração pagã, cheia templos e est<tuas, e o povo inclinado 9 antiga orma de adoraçãoI en>m, uma cidade dominada pelas tradiçes do paganismo. &l#m disso, a posição geogr<>ca de :oma, em meio a imensas planícies, deiava-a eposta aos ataques dos inimigos. 0m #pocas primitivas da rep*blica, a cidade, mais de uma ve3, ora cercada por e#rcitos estrangeiros. " sistema de governo organi3ado por )iocleciano, e continuado por Constantino, não dava lugar para nenhuma parcela de autoridade do senado romano. "s imperadores possuíam agora poderes ilimitados, e Constantino desejava uma capital sem os laços da tradição, uma capital da nova religião. Constantino demonstrou alta sabedoria ao escolher a nova capital. " local escolhido oi Pi3=ncio, cidade grega, cuja eistncia contava cerca de mil anos, e estava situada no ponto de contato entre a 0uropa e a Nsia, que, juntos, tinham noventa e seis quilOmetros de comprimento. & situação dessa cidade estava tão bem orti>cada pela nature3a que, durante mais de vinte e cinco s#culos de história, raras ve3es oi conquistad a por seus inimigos, ao passo que, a cidade de :oma, v<rias ve3es ora saqueada e vencida. 2a nova capital, o imperador e o patriarca 5esse oi o título que posteriormente recebeu o bispo de Constantinopla6, viviam em harmonia.

& igreja era honrada e considerada, por#m eclipsada pela autoridade do trono. 0m ra3ão da presença e do poder do imperador e dócil do povo, a igreja, no !mp#rio "riental, tornou- se escrava do 0stado, apesar de alguns patriarcas, como %oão Crisóstomo, a>rmarem sua independncia. 2a nova capital não havia templos dedicados aos ídolos, por#m não tardou que se edi>cassem v<rias igrejas. & maior de todas >cou conhecida como a de /anta /o>a, 7/abedoria /agrada7. ;oi edi>cada por ordem de Constantino. &lgum tempo depois oi destruída por um incndio, mas reconstruída pelo imperador %ustiniano

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