Superior Tribunal de Justiça
AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.505.960 - SC (2014/0339811-9)
RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA R.P/ACÓRDÃO : MINISTRO GURGEL DE FARIA
AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL
AGRAVADO : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA
INTERES. : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL EMENTA
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. IPI. IMPORTAÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. PESSOA FÍSICA. USO PRÓPRIO.
1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no exame do REsp n. 1.396.488/SC, sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543-C do CPC), definiu a tese de que "é firme o entendimento no sentido de que não incide IPI sobre veículo importado para uso próprio, tendo em vista que o fato gerador do referido tributo é a operação de natureza mercantil ou assemelhada e, ainda, por aplicação do princípio da não cumulatividade" (Dje 17/03/2015).
2. O STF, em recente julgamento (03/02/2016), decidiu, no RE n. 723.651/RS, em sede de repercussão geral, que "incide o imposto de produtos industrializados na importação de veículo automotor por pessoa natural, ainda que não desempenhe atividade empresarial e o faça para uso próprio". Em Questão de Ordem não foi alcançado o quorum para a modulação dos efeitos da referida decisão.
3. Em observância ao caráter vinculante da decisão proferida pelo Pretório Excelso, deve ser aplicado o novo entendimento proferido por aquela Corte.
4. Agravo regimental provido.
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por maioria, vencidos a Sra. Ministra Relatora e o Sr. Ministro Benedito Gonçalves, dar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Ministro Gurgel de Faria, que lavrará o acórdão. Votaram com o Sr. Ministro Gurgel de Faria os Srs. Ministros Napoleão
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Nunes Maia Filho e Sérgio Kukina (Presidente).Brasília, 10 de maio de 2016 (Data do julgamento).
MINISTRO GURGEL DE FARIA
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CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA
AgRg no
Número Registro: 2014/0339811-9 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.505.960 / SC
Números Origem: 50038371620124047208 SC-50038371620124047208
PAUTA: 03/05/2016 JULGADO: 03/05/2016
Relatora
Exma. Sra. Ministra REGINA HELENA COSTA Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro SÉRGIO KUKINA Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. JOSÉ BONIFÁCIO BORGES DE ANDRADA Secretária
Bela. BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL
RECORRIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL AGRAVANTE : UNIÃO
AGRAVADO : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA
ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO - Contribuições - Contribuições Sociais - PIS - Importação
AGRAVO REGIMENTAL
AGRAVANTE : UNIÃO
AGRAVADO : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA INTERES. : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
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AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.505.960 - SC (2014/0339811-9)
RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA AGRAVANTE : UNIÃO
AGRAVADO : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA INTERES. : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
RELATÓRIO
A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA REGINA HELENA COSTA (Relatora):
Trata-se de Agravo Regimental interposto contra a decisão que conheceu do Agravo e deu parcial provimento ao Recurso Especial ,para reconhecer a não incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados na importação de veículo por pessoa física para uso próprio.
Sustenta a Agravante que "em julgamento finalizado no dia 04/02/2016, o plenário do Supremo Tribunal Federal adotou, no RE 723.651/PR (no rito da repercussão geral - art. 543-B do CPC), entendimento em sentido oposto ao mencionado repetitivo, isto é, declarou a constitucionalidade da incidência do IPI sobre a importação de veículos automotores por pessoa física para uso próprio" (fl. 446e).
Alega não ter sido aplicado o "melhor Direito à espécie, porquanto contraria a orientação firmada em precedente vinculante e, portanto, usurpa da competência do Supremo Tribunal Federal, ofende a matriz constitucional do IPI e os princípios da não-cumulatividade, da isonomia e da seletividade " (fl. 447e).
Por fim, requer o provimento do recurso, a fim de que seja reformada a decisão impugnada e determinado o processamento do Recurso Especial ou, alternativamente, sua submissão ao pronunciamento do Colegiado.
É o relatório.
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AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.505.960 - SC (2014/0339811-9)
RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA AGRAVANTE : UNIÃO
AGRAVADO : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA INTERES. : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
VOTO
A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA REGINA HELENA COSTA (Relatora):
Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu , aplica-se o Código de Processo Civil de 1973.
Não assiste razão à Agravante.
No presente Agravo Regimental, em que pesem as alegações trazidas, os argumentos apresentados são insuficientes para desconstituir a decisão impugnada.
Assim sendo, impõe-se sua manutenção, tal como proferida (fls. 446/475e):
Vistos .
Trata-se de Recurso Especial interposto por RENI DONATTI , contra acórdão assim ementado (fls. 207/208e):
TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPORTAÇÃO DE VEÍCULO. PESSOA FÍSICA. USO PRÓPRIO. IPI. EC nº 33/2001. IRRELEVÂNCIA DA DESTINAÇÃO FINAL DO BEM PARA A CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. OFENSA AO PRINCÍPIO DA
NÃO-CUMULATIVIDADE NÃO
CONFIGURADA. EXIGIBILIDADE. PIS-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. INCISO I DO ART. 7º DA LEI Nº 10.865/2004.
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VALOR ADUANEIRO. ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE.
1. É legítima a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI na importação de veículo para uso próprio, por pessoa física, uma vez que a destinação final do bem não é relevante para a definição da incidência do tributo em questão. A destinação do bem, no campo do direito tributário, deve ser aferida a partir da ótica do alienante e não do adquirente, sob pena de reconhecer-se forçosamente a inexigibilidade de todo e qualquer tributo incidente sobre produto adquirido por consumidor final, o que não guarda razoabilidade.
2. O fato de a pessoa física possuir domicílio ou residência, e não estabelecimento, também não guarda nenhuma relevância para desqualificar a pessoa física importadora como contribuinte do IPI, nem mesmo como contribuinte do ICMS, na redação anterior à EC nº 33/2001, já que tal critério foi utilizado pela Constituição Federal em sua redação anterior à referida EC tão somente para definir o ente federado destinatário da arrecadação, num contexto de guerra fiscal, e não para excluir a incidência dos impostos incidentes na importação.
3. Não há falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade. O fato de não haver uma operação sucessiva que permita o abatimento do valor pago na importação não conduz à conclusão de que o tributo, nesta hipótese, será indevido, pois tal conclusão equivaleria a conceder uma isenção de tributo, ao arrepio da lei.
Nas importações para uso próprio, o importador age como substituto tributário do exportador que não pode ser alcançado pelas leis brasileiras, descaracterizando o IPI como tributo indireto, em tais hipóteses.
4. O 'IPI tem caráter fortemente extrafiscal, constituindo instrumento de política econômica; logo, a tributação no caso em tela surge como mecanismo de proteção ao fisco contra fraudes e instrumento de preservação da isonomia e equidade no comércio internacional' (STJ, REsp nº 794.352/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 2ª Turma, j.
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17-12-2009, Dje 10-02-2010). A pura e simples exoneração do tributo, sob equivocada invocação do princípio da não-cumulatividade, além de operar contrariamente à finalidade extrafiscal do tributo, acarreta ofensa ao princípio da isonomia, uma vez que o veículo produzido no mercado interno passa a concorrer em condições desfavoráveis com os veículos importados, pois, neste caso, apenas o produto nacional seria tributado pelo IPI. 5. Entendimento que se harmoniza com a redação dada pela EC nº 33/2001 ao art. 155, § 2º, IX, 'a' da Constituição Federal, o qual, relativamente ao ICMS, tributo da mesma espécie do IPI, dispôs que 'incidirá também sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade'. Superveniência de Emenda Constitucional que tornou superado o entendimento antes consolidado na Súmula nº 660 do STF e com base no qual aquela Suprema Corte em alguns julgados não submetidos à sistemática da repercussão geral excluiu a incidência do IPI na importação de veículo por pessoa física para uso próprio. 6. Quanto ao PIS-Importação e à COFINS-Importação, este Tribunal, por sua Corte Especial, ao julgar, em 22-02-2007, a Arguição de Inconstitucionalidade na AC n.º 2004.72.05.003314-1/SC, em que foi relator o Des. Federal ANTÔNIO ALBINO RAMOS DE OLIVEIRA, concluiu pela inconstitucionalidade da expressão 'acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições', contida no inciso I do art. 7° da Lei n° 10.865/04, porquanto 'desbordou do conceito corrente de valor aduaneiro, como tal considerado aquele empregado para o cálculo do imposto de importação, violando o art. 149, § 2°, III, 'a', da Constituição'. Segurança concedida nesta parte, para que a base de cálculo do PIS-Importação e da COFINS-Importação seja
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somente o valor aduaneiro, sem considerar para efeito do seu conceito o montante titulado ao ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro, nem o valor das próprias contribuições tal como previsto na parte final da Lei nº 10.685/2004.
Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fl. 259e).
Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que:
I . Art. 535 do Código de Processo Civil – incorreu o Tribunal de origem em omissão ao deixar de analisar a argumentação de que o fato gerador não seria uma operação mercantil, logo incabível a cobrança do IPI e que a exigência do imposto no caso de importação de bem por pessoa física, para uso próprio, violaria o princípio da não cumulatividade; e
I I . Arts. 46, I e 51, I, do Código Tributário Nacional e arts. 4°, I, 35, I, “b” e 40, IV, da Lei n. 4.502/64 – não incide IPI sobre bem importado por pessoa física para uso próprio.
Com contrarrazões (fls. 330/345e), o recurso foi admitido (fl. 363e).
O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 426/431e. Feito breve relato, decido.
Nos termos do art. 557, § 1º-A, do Código de Processo Civil, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a dar provimento ao recurso quando o acórdão recorrido estiver em confronto com súmula ou jurisprudência dominante da respectiva Corte ou Tribunal Superior.
Nos termos do art. 544, § 4º, II, c, do Código de Processo Civil, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a conhecer do Agravo para dar provimento ao Recurso Especial quando o acórdão recorrido estiver em confronto com súmula ou jurisprudência dominante no Tribunal.
Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Agravo, passo à análise do Recurso Especial.
Inicialmente, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da demanda e tampouco outro vício a impor a revisão do julgado.
Depreende-se da leitura do acórdão recorrido que a
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controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso.
Anoto que não ofende os arts. 535, II, do Código de Processo Civil, o acórdão com fundamentação adequada e suficiente, que decidiu na íntegra a controvérsia submetida a julgamento, de forma clara e coerente.
Nesse sentido:
ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 128, 131, 165, 458, 460 E 535 DO CPC. NÃO-OCORRÊNCIA. (...) 1 - Não cabe falar em ofensa aos arts. 128, 131, 165, 458, 460 e 535 do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos presentes autos. Vale ressaltar que não se pode confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional.
(...)
3 - Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no AREsp 398.824/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/03/2014, DJe 28/03/2014).
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. (...) INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165, 458 E 535 DO CPC. (...)
(...)
2. Não há falar em violação dos arts. 165, 458 e 535 do CPC, quando o Tribunal de origem se pronuncia, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias ao desate da lide.
(...)
5. Agravo regimental não provido.
(AgRg nos EDcl no AREsp 466.805/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/06/2014, DJe 09/06/2014).
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Por outro lado, na importação de veículo por pessoa física para uso próprio, a 1ª Seção desta Corte, no julgamento, em 25.02.2015, do Recurso Especial n. 1.396.488/SC, pacificou entendimento, inclusive sob a sistemática do art. 543-Código de Processo Civil, no sentido da não incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, consoante fundamentos resumidos na seguinte ementa:
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE VEÍCULO AUTOMOTOR IMPORTADO PARA USO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMIDOR FINAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. 1. Não se faz necessário, para a completa prestação judiciária, que o Tribunal se manifeste acerca de todos os pontos e dispositivos alegados pelo recorrente.
2. É firme o entendimento no sentido de que não incide IPI sobre veículo importado para uso próprio, tendo em vista que o fato gerador do referido tributo é a operação de natureza mercantil ou assemelhada e, ainda, por aplicação do princípio da não cumulatividade. 3. Precedentes desta Corte: AgRg no AREsp 252.997/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2.4.2013, DJe 10.4.2013; AgRg no AREsp 333.428/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 15.8.2013, DJe 22.8.2013; AgRg no REsp 1369578/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 6.6.2013, DJe 12/06/2013; AgRg no AREsp 215.391/SC, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 4.6.2013, DJe 21/06/2013; AgRg no AREsp 227.517/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 19.2.2013, DJe 25.2.2013; AgRg no AREsp 244.838/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5.2.2013, DJe 15/02/2013; AgRg no AREsp 241.019/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 6.12.2012, DJe 11.12.2012; AgRg no AREsp 204.994/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em
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9.10.2012, DJe 16.10.2012.4. Precedentes do STF: RE 550170 AgR, Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski, Primeira Turma, julgado em 7.6.2011, DJe-149 Divulg 3.8.2011 Public 4.8.2011; RE 255090 AgR, Relator(a): Min. Ayres Britto, Segunda Turma, julgado em 24.8.2010, DJe-190 Divulg 7.10.2010 Public 8.10.2010; RE 501773 AgR, Relator(a): Min. Eros Grau, Segunda Turma, julgado em 24.6.2008, DJe-152 Divulg 14.8.2008 Public 15.8.2008.
5. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08.
Recurso especial provido.
(REsp 1.396.488/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/02/2015, DJe 17/03/2015).
In casu, tendo o acórdão recorrido contrariado entendimento pacificado nesta Corte, de rigor sua reforma.
Isto posto, com fundamento no art. 544, § 4º, II, c, do Código de Processo Civil, CONHEÇO do Agravo e DOU
PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial, para
reconhecer a não incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados na importação de veículo por pessoa física para uso próprio.
Publique-se e intimem-se.
Não se desconhece a mudança de entendimento da Suprema Corte, acerca da tributação em comento.
Com efeito, o STF, no julgamento do RE n. 723.651/PR, Relator o Ministro Marco Aurélio Mello, julgando o mérito da Repercussão Geral, no dia 3.2.2016, assentou que a incidência de IPI na importação de automóvel por pessoas físicas para uso próprio não viola o princípio da não cumulatividade, nem configura bis in idem .
Ocorre, todavia, que não houve modulação dos efeitos do decisum .
No julgamento da Questão de Ordem apreciada no dia 4.2.16, o Plenário do STF concluiu que:
Após os votos ora reajustados dos Ministros Luiz Fux e Ricardo Lewandowski (Presidente), não foi alcançado o
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quorum para a modulação dos efeitos da decisão proferida. Os Ministros Roberto Barroso, Celso de Mello e Gilmar Mendes assinalaram o entendimento de que nos casos em que há mudança de jurisprudência, sem declaração de inconstitucionalidade, a modulação pode ser feita por maioria absoluta do Tribunal. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 04.02.2016 (extraído das informações do sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal).
Anoto que a decisão ora agravada, prolatada em 1º.2.2016, antes, portanto, do julgamento do mérito da Repercussão Geral, foi proferida com base no entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça há mais de oito anos, consoante extrai-se do julgado a seguir ementado, vindo a ser sedimentada em sede de Recurso Especial Repetitivo:
TRIBUTÁRIO. IPI. DESEMBARAÇO ADUANEIRO.
VEÍCULO AUTOMOTOR. PESSOA FÍSICA.
NÃO-INCIDÊNCIA. ENCERRAMENTO DA MATÉRIA
PELO COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Recurso especial interposto contra acórdão que determinou o recolhimento do IPI incidente sobre a importação de automóvel destinado ao uso pessoal do recorrente.
2. Entendimento deste relator, com base na Súmula nº 198/STJ, de que, na importação de veículo por pessoa física, destinado a uso próprio, incide o ICMS.
3. No entanto, o colendo Supremo Tribunal Federal, em decisão proferida no REnº 203075/DF, Rel. p/ acórdão Min. Maurício Corrêa, dando nova interpretação ao art. 155, § 2º, IX, 'a', da CF/88, decidiu, por maioria de votos, que a incidência do ICMS sobre a entrada de mercadoria importada do exterior, ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo fixo do estabelecimento, não se aplica às operações de importação de bens realizadas por pessoa física para uso próprio. Com base nesse entendimento, o STF manteve decisão do Tribunal de origem que isentara o impetrante do pagamento de ICMS de veículo importado para uso próprio. Os Srs. Ministros Ilmar Galvão, Relator, e Nelson Jobim, ficaram vencidos ao entenderem que o ICMS deve incidir inclusive nas operações realizadas por particular.
4. No que se refere especificamente ao IPI, da mesma forma o Pretório Excelso também já se pronunciou a
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respeito: Veículo importado por pessoa física que não é comerciante nem empresário, destinado ao uso próprio: não-incidência do IPI: aplicabilidade do princípio da não-cumulatividade: CF, art. 153, § 3º, II. Precedentes do STF relativamente ao ICMS, anteriormente à EC 33/2001: RE 203.075/DF, Min. Maurício Corrêa, Plenário, 'DJ' de 29.10.1999; RE 191.346/RS, Min. Carlos Velloso, 2ª Turma, 'DJ' de 20.11.1998; RE 298.630/SP, Min. Moreira Alves, 1ª Turma, 'DJ' de 09.11.2001. (AgReg no RE nº 255682/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 10/02/2006).
5. Diante dessa interpretação do ICMS e do IPI à luz constitucional, proferida em sede derradeira pela mais alta Corte de Justiça do país, posta com o propósito de definir a incidência do tributo na importação de bem por pessoa física para uso próprio, torna-se incongruente e incompatível com o sistema jurídico pátrio qualquer pronunciamento em sentido contrário.
6. Recurso provido para afastar a exigência do IPI.
(REsp 937.629/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 04/10/2007, p. 203)
Nesse contexto, salvo se sobrevierem efeitos modulatórios, a alteração do posicionamento pelo STF não pode alcançar as decisões fundamentadas no entendimento até então consolidado em ambas as Cortes e proferidas antes do julgamento do Recurso Extraordinário n. 723.651/PR, em que se reconheceu a Repercussão Geral da matéria.
Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente agravo regimental.
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AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.505.960 - SC (2014/0339811-9)
VOTO-VENCEDOR
O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA:
Trata-se de agravo regimental interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) contra decisão proferida pela em. Ministra Regina Helena Costa que, com base no REsp n. 1.396.488/SC, julgado sob a sistemática do art. 543-C do CPC, deu parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para "reconhecer a não incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados na importação de veículo por pessoa física para uso próprio" (e-STJ fls. 433/438).
Na presente insurgência, a agravante aduz que o Supremo Tribunal Federal "adotou, no RE 723.651/PR (no rito da repercussão geral – art. 543-B do CPC), entendimento em sentido oposto ao mencionado repetitivo, isto é, declarou a constitucionalidade da incidência do IPI sobre a importação de veículos automotores por pessoa física para uso próprio" (e-STJ fl. 446).
Pleiteia, assim, a reconsideração da decisão agravada ou a sua submissão ao Órgão colegiado.
Feitas tais considerações, tenho que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no exame do REsp n. 1.396.488/SC, sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543-C do CPC), definiu a tese de que "é firme o entendimento no sentido de que não incide IPI sobre veículo importado para uso próprio, tendo em vista que o fato gerador do referido tributo é a operação de natureza mercantil ou assemelhada e, ainda, por aplicação do princípio da não cumulatividade" (Dje 17/03/2015).
Contudo, em recente julgamento (03/02/2016), o STF decidiu, no RE n. 723.651/RS, em sede de repercussão geral, que "incide o imposto de produtos industrializados na importação de veículo automotor por pessoa natural, ainda que não desempenhe atividade empresarial e o faça para uso próprio". Além disso, em 04/02/2016, em Questão de Ordem, não foi alcançado o quorum para a modulação dos efeitos da referida decisão (fonte: site do STF).
Portanto, embora ainda não publicado o acórdão do referido julgado, entendo que, desde logo, em observância ao caráter vinculante da decisão proferida pelo Pretório Excelso como também ao princípio da celeridade processual, deve ser aplicado o novo entendimento proferido por aquela Corte.
Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao agravo regimental da UNIÃO para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte (art. 932, IV, "b",
Superior Tribunal de Justiça
do CPC/2015 e art. 255, § 4º, II, do RISTJ).Superior Tribunal de Justiça
CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA
AgRg no
Número Registro: 2014/0339811-9 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.505.960 / SC
Números Origem: 50038371620124047208 SC-50038371620124047208
PAUTA: 03/05/2016 JULGADO: 10/05/2016
Relatora
Exma. Sra. Ministra REGINA HELENA COSTA
Relator para Acórdão
Exmo. Sr. Ministro GURGEL DE FARIA Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro SÉRGIO KUKINA Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. DENISE VINCI TULIO Secretária
Bela. BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL
RECORRIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL
AGRAVADO : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA
ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO - Contribuições - Contribuições Sociais - PIS - Importação
AGRAVO REGIMENTAL
AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : RENI DONATTI
ADVOGADO : CLAUDIOMIRO FILIPPI CHIELA INTERES. : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
A Turma, por maioria, vencidos a Sra. Ministra Relatora e o Sr. Ministro Benedito Gonçalves, deu provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Gurgel de Faria, que lavrará o acórdão.
Votaram com o Sr. Ministro Gurgel de Faria os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho e Sérgio Kukina (Presidente).