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Programa Eleitoral Legislativas 2015

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Programa Eleitoral

Legislativas 2015

Mudar o regime,

reformar Portugal

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Índice

I – Mudar o regime, reformar Portugal--- 4

II – A necessidade de alteração de regime em Portugal--- 7

III – Reforma Política: mais democracia e mais transparência--- 19

IV - A Questão Económica 1 – O Completo Descontrolo da Despesa do Estado--- 22

2 – A Nossa Estratégia Económica--- 23

V – Políticas Sectoriais 1- Hotelaria e Restauração--- 34

2 – Emprego--- 67

3- Emprego científico e do vínculo laboral dos investigadores--- 68

4- Políticas Sociais--- 78

5- Apoio às famílias e políticas de natalidade--- 80

6 – Educação--- 81

7 – Saúde--- 86

8 – Por uma política de consumidores em Portugal--- 88

9 – Políticas de Juventude--- 96

10 – Propostas, orientações e medidas de defesa e promoção dos direitos das pessoas com deficiência--- 106

11 – Aposentados, pensionistas e reformados--- 114

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13- Agricultura--- 146 14 – A Economia do Mar--- 149 15 – Ambiente--- 153 16 – Cultura--- 159 17 – Justiça--- 163 18- Defesa--- 167 19- Segurança--- 173 20- Segurança Rodoviária--- 174

21- Políticas de promoção da utilização da bicicleta--- 178

22 - Poder Local--- 182

23- Política Externa--- 183

24 - Comunidades Portuguesas--- 187

25- Questões histórias e de identidade programática do PPM no âmbito das políticas de afirmação do direito à autodeterminação dos povos, à resolução pacífica dos conflitos internacionais e à solidariedade internacional A Questão de Olivença--- 191

A Questão de Cabinda--- 194

A sobrevivência da língua portuguesa na Galiza- 194 A questão catalã--- 196

Uma política para os refugiados--- 200

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I – Mudar o regime, reformar Portugal

Portugal vive hoje uma das piores crises da sua longa História. A dimensão da crise económica e social é absolutamente dramática. No espaço de poucas décadas hipotecou-se a independência de um País que conseguiu sobreviver, durante nove séculos, no mapa político da Europa e do Mundo. Trata-se, de facto, da hecatombe e do ocaso de um regime. Mas Portugal, a sua História e o seu futuro, não podem ser - e não serão nunca – confundidos com um regime. Este sistema político não tem futuro. Cabe-nos evitar que a agonia e queda deste regime arraste também o País.

Neste contexto, o Partido Popular Monárquico é a única força política portuguesa que representa – no quadro referencial do sistema político democrático e representativo - uma alternativa real de regime e de políticas em Portugal. Ou nós, ou os rotativos republicanos do arco governativo (PS e PSD)! Esta é, nestas eleições, a única bipolarização real do quadro político-partidário que se apresenta às eleições legislativas de 4 de Outubro de 2015.

A proposta programática das forças políticas republicanas rotativas circunscreve-se, no essencial, a propor a mudança da identidade das clientelas partidárias que se alimentam do Estado. Cabem e revêem-se todos no actual sistema constitucional. A única proposta alternativa ao actual estado de coisas - feita no quadro da democracia representativa – é a que o PPM apresenta neste Programa Eleitoral. Propomos uma alteração do regime político. Propomos o desmantelamento da III República e a sua substituição por uma Monarquia Constitucional.

A eleição de deputados do Partido Popular Monárquico, fora de qualquer compromisso ou aliança eleitoral com excepção do caso muito específico do círculo eleitoral dos Açores, significará a certeza da realização de um referendo sobre a natureza do regime. A eleição directa de deputados monárquicos no actual contexto político, económico e social – com o regime republicano completamente desacreditado aos olhos da população – tornará

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politicamente insustentável a manutenção da proibição republicana de realização de referendos que questionem a forma republicana de governo (alínea b) do artigo 288.º da Constituição da República Portuguesa).

Na verdade, a alínea b) do artigo 288.º da Constituição da República Portuguesa - que estabelece, no âmbito dos limites materiais da revisão constitucional, a natureza inalterável da forma republicana de governo - constitui um grave atentado aos princípios da liberdade e da democracia. Nesse sentido, o nosso Programa Eleitoral para estas eleições não deixa qualquer margem para a ambiguidade. Comprometemo-nos, no caso de elegermos deputados, a provocar os incidentes políticos e regimentais – sempre com uma natureza cívica e pacífica – que venham a ser necessários para provocar a queda das normas constitucionais antidemocráticas que impedem um referendo a respeito da questão do regime.

O nosso Programa Eleitoral contempla, assim, uma perspectiva de ruptura com o regime vigente. Este é o nosso ponto de partida para

estas eleições. Uma mudança de regime! Uma mudança real do actual

estado de coisas. Uma oportunidade para que os portugueses e Portugal possam começar de novo. Um começar de novo assente na identidade nacional e na confiança que nos dá o nosso passado em relação às nossas possibilidades de êxito no futuro.

Acreditamos que os portugueses de hoje são os descendentes da epopeia e dos vitoriosos das nossas lutas intemporais contra o nosso próprio fatalismo. Não mudámos nada. Apenas perdemos a confiança em nós próprios e as referências da nossa História, dos nossos valores permanentes, da nossa unidade e da nossa identidade. A Coroa Portuguesa pode voltar a ser, nas presentes circunstâncias, esse símbolo de unidade e de continuidade nacionais. Precisamos desse referencial de identidade e de união do projecto nacional.

Uma Nação como Portugal, cujas origens se perdem no tempo dos homens, não pode continuar a deitar fora oitocentos anos de História. Precisamos da nossa Monarquia e da nossa identidade histórica para

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agregar o nosso Povo e voltar a enfrentar as tempestades do presente e do futuro, com a certeza de que voltaremos a triunfar. Triunfaremos porque, por maiores que sejam as dificuldades, por maior que seja o desafio, por maior que seja a desproporção de forças e do destino, por maior que seja o promontório e a penumbra, nós, os Portugueses, emergiremos sempre vitoriosos e sobreviventes.

O PPM é um Partido de monárquicos e o maior arauto histórico da restauração da Monarquia em Portugal. Nas presentes circunstâncias históricas, que ditam o colapso e o descrédito popular do regime republicano, o PPM volta a apresentar, com toda a ambição e convicção, a proposta de restauração da monarquia e faz dela a sua pedra angular no âmbito da nossa proposta programática.

No entanto, o PPM possui um imenso capital político, assente em 41 anos de actividade política permanente e num grande e inovador património programático. Fomos mesmo precursores em Portugal em matérias como a valorização da ecologia e das matérias ambientais, o ordenamento urbano, a defesa do municipalismo, a regionalização, a valorização da actividade agrícola, a defesa da floresta, a salvaguarda da identidade e da soberania nacional no âmbito da União Europeia, o avanço e aperfeiçoamento das autonomias regionais, a criação de um sistema educativo universal, a economia do mar e a defesa dos sectores produtivos do país em geral.

O tempo encarregou-se de demonstrar que tínhamos, em muitas destas matérias, razão. Este Programa Eleitoral elencará, por isso, um grande número de propostas que correspondem ao nosso património programático. A situação calamitosa do País exige também a adopção de medidas de urgência para salvar a Nação da forte dependência internacional em que se encontra, melhorar a coesão social e relançar o crescimento económico.

O Partido não foge às suas responsabilidades e apresenta, neste Programa Eleitoral, medidas que serão, porventura, pouco populares, mas que rompem com o ciclo de promessas de facilidades que os partidos

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republicanos rotativos apresentam ciclicamente para aliciar eleitorado e que conduziram o País à situação dramática em que estamos.

Os partidos que nos governaram nos últimos 40 anos assinaram um acordo internacional que colocou Portugal, em troca de um ainda maior endividamento, sob administração internacional. Estamos tão dependentes e submetidos aos outros que deixámos de ter independência para definir os nossos impostos, o nosso Orçamento de Estado e as nossas políticas sociais. Esta perda de soberania é algo sem precedentes na História nacional desde a ocupação espanhola de 1580.

Cabe ao Povo Português, nestas eleições, lutar pela sua independência e por uma ideia de progresso e justiça social. Hoje, como ontem, temos de voltar a escolher entre a honra e a submissão. Temos de voltar a escolher entre o heroísmo e a cobardia. Temos de voltar a escolher entre o patriotismo e a traição aos que construíram e tudo sacrificaram em prol da nossa Nação. O PPM está, nesta ocasião dramática para o país, do lado certo da História. Estamos, sem cedências ou hesitações, do lado da independência nacional.

Estes não são tempos de hesitações e de meias escolhas. Estes são tempos em que os patriotas devem estar prontos para todos os sacrifícios. Lutamos pela nossa independência e pela prosperidade dos nossos filhos. Lutamos para que eles possam decidir o seu destino e efectuar livremente as suas escolhas. Este, e só este, é o combate do PPM nestas eleições.

II – A necessidade de alteração de regime em Portugal

Desde a proclamação da república na Grécia (1973) e a restauração, de facto, da Monarquia em Espanha (1975), o quadro institucional europeu estabilizou no que diz respeito à natureza republicana ou monárquica dos diferentes Estados europeus. As monarquias europeias que sobreviveram aos dois grandes conflitos mundiais integram hoje – sem qualquer excepção

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- a selecta lista dos países mais prósperos do mundo. Falamos de países como a Suécia, a Holanda, o Liechtenstein, a Noruega, o Luxemburgo, a Dinamarca, o Reino Unido, a Bélgica, Andorra, o Mónaco ou a Espanha.

Estes países possuem, em geral, sociedades prósperas, com um alto nível de formação e sistemas democráticos que superam qualquer comparação internacional com os Estados republicanos. Constituem, igualmente, sociedades muito empenhadas em projectos de solidariedade internacional e marcadas pela forte identificação nacional, aspecto em que as respectivas Coroas possuem uma forte influência enquanto aglutinadoras do sentimento nacional e símbolos da continuidade histórica das respectivas identidades e projectos nacionais.

É precisamente neste último aspecto que a República Portuguesa tem falhado miseravelmente. O sistema republicano transformou o exercício do poder político numa guerra contínua e desesperante de clientelas políticas em que o único troféu desejado é a ocupação rotativa e predatória do aparelho estatal pelas sucessivas tribos partidárias. O país vive num clima permanente de grande conflitualidade política, em que o Chefe de Estado – oriundo de uma das duas grandes famílias políticas hegemónicas – é apenas mais uma peça do xadrez partidário. Ninguém lhe reconhece qualquer género de independência ou de isenção partidária.

A História do semipresidencialismo português está indelevelmente marcada pelo conflito entre os sucessivos presidentes e os governos de sinal contrário que se cruzaram nos diferentes ciclos políticos. Nestas condições, o Chefe de Estado republicano não consegue, e não possui, condições objectivas para simbolizar a unidade da nação e a continuidade do projecto nacional. Em qualquer das modernas monarquias europeias, o monarca tem desempenhado com eficácia o papel representativo, isento e de prestígio que lhe está reservado. É na instituição real que reside a fortaleza do projecto nacional e da sua continuidade histórica.

É neste quadro interpretativo que defendemos a restauração da Monarquia Constitucional Portuguesa. Propomos aos portugueses uma

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ampla reforma constitucional que passa pela restauração da Coroa e de um sistema parlamentar responsável, patriótico e pluralista. Um sistema político com espaço para a divergência ideológica e de projecto, mas que não deve abdicar jamais de uma ideia de continuidade e de unidade nacional.

Essa ideia deve permitir a formação de consensos partidários e sociais em matérias de soberania e de interesse nacional. Somos todos portugueses, antes de sermos de esquerda e de direita, sendo que esta ideia de pertença à grande família nacional deve permitir a convergência e a participação de todos no projecto nacional intemporal que representa Portugal. Neste contexto, a Coroa é a instituição que, pela sua natureza, melhor garante a identificação de todos com a nossa História e identidade nacional, num quadro objectivo de funcionamento institucional que garante a isenção, a eficácia e o prestígio da chefia do Estado.

Em democracia, a natureza e a arquitectura do Estado deve ser referendável. Em Portugal não é! Na Espanha, tal como nas restantes monarquias europeias, a monarquia é referendável. A república não permite, de acordo com as normas constitucionais em vigor, que o Povo Português possa ser livremente consultado a respeito do sistema político que prefere. Não parece democrático. E de facto não é!

Vejam-se os casos dos dois últimos referendos realizados em países democráticos. Em 1993 o Brasil realizou um referendo em que colocou em alternativa a Monarquia ou a República. Ganhou a República. Em 1999, o povo australiano foi chamado às urnas para se pronunciar a respeito da mesma questão. Neste último caso triunfaram os monárquicos.

Face a estes exemplos, a pergunta que se coloca é: por que razão um regime que colocou este país à beira da bancarrota não se deixa referendar? Que democracia pode existir num sistema político se se eterniza através de normas constitucionais que, para se manterem, necessitam do apoio de

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Nestas eleições, o Partido Popular Monárquico colocará fortemente em causa o actual sistema republicano. Queremos obter a liberdade de escolha para o Povo Português. Monarquia ou República? Exigimos o direito a poder escolher. Exigimos liberdade e democracia.

O regime republicano mergulhou o país numa crise social, política e económica colossal. Os partidos republicanos penhoraram o país de uma forma quase irreversível. O grau de irresponsabilidade política e financeira dos governos republicanos não tem qualquer precedente histórico.

O regime republicano actual é profundamente ineficaz, socialmente injusto, politicamente instável e perigosamente antipatriótico no que diz respeito à preservação da independência nacional no quadro da União Europeia. Devido ao regime republicano, o país perdeu a sua soberania. São os estrangeiros que esboçam o Orçamento de Estado, que determinam a nossa fiscalidade, a nossa política social, a configuração da nossa administração estatal, o nosso mapa municipal, a gestão do nosso mar e até a nossa política externa.

Neste contexto, os próprios políticos da República não têm pejo em afirmar que Portugal não é hoje mais que um simples protectorado internacional. A este estado conduziu a República a nação portuguesa, velha de nove séculos. Não é exagero dizer que “por muito menos que isto rolou a cabeça de Luís XVI”.

Nestas circunstâncias, de perda total de soberania, a restauração da monarquia portuguesa é uma ideia que está a receber o apoio de cada vez mais portugueses. A restauração monárquica é hoje sinónimo de restauração da independência nacional.

Neste contexto, é importante começar por desmontar o embuste republicano desde o seu início. A República mais não é que um regime imposto, de forma violenta, ao povo português. “No dia 5 de Outubro de 1910, um grupo de militares revoltosos, apoiados por civis enquadrados em sociedades secretas - que à luz da terminologia actual poderíamos designar

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como organizações terroristas – derrubou um governo e um regime legitimado nas urnas”.

O Partido Republicano Português tinha participado, até então, na vida política da Monarquia Constitucional, perfeitamente integrado e com inteira liberdade. Prova disso é que entre 1893 e 1896, o Partido Republicano Português chegou mesmo a constituir uma coligação eleitoral (a Coligação Liberal) com o Partido Progressista, o grande partido da esquerda monárquica.

As últimas eleições do sistema constitucional monárquico realizaram-se no dia 28 de Agosto de 1910. Nesrealizaram-se acto eleitoral, o Partido Republicano Português foi derrotado pelos partidos monárquicos constitucionais. Elegeu apenas 14 deputados no âmbito de um parlamento que então totalizava 146 parlamentares. O PRP representava, em Agosto de 1910, apenas 7% do eleitorado.

Tenha-se em conta que a Monarquia Constitucional portuguesa era, sob muitos aspectos, um dos regimes políticos mais democráticos e socialmente avançados da Europa de então. “A separação de poderes estava constitucionalmente consagrada desde 1822, o direito de voto abrangia cerca de 70% da população masculina, a alternância partidária no poder sucedeu com grande frequência e, a partir de meados do século XIX, a vida política e social decorreu com grande estabilidade, com o exército subordinado às autoridades civis”.

Do ponto de vista social, o progressismo e a modernidade da monarquia constitucional portuguesa ficou também, ao longo desse período, bem patente. Portugal foi, por exemplo, um dos primeiros países do mundo a consagrar constitucionalmente a abolição da pena de morte e dos primeiros a estabelecer o ensino primário obrigatório (logo em 1835, embora sem os resultados e a continuidade desejada).

O regime republicano que sucedeu à monarquia constitucional não foi uma democracia. Existia uma espécie de direito de tendência no campo republicano, mas os partidos monárquicos estiveram, durante muito tempo,

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proibidos. A base jurídica do Estado, nomeadamente no âmbito da independência do poder judicial e do respeito pelas liberdades e garantias individuais, foi duramente afectada através das ingerências de um poder político que ostentava a legitimidade revolucionária. A base censitária do regime político diminuiu 75%, uma vez que os republicanos diminuíram drasticamente o número de cidadãos com direito de voto, incluindo a proibição explícita do voto feminino. A I República representou, em relação ao sistema monárquico constitucional, uma regressão brutal no âmbito das liberdades e garantias dos cidadãos.

A ditadura militar e o Estado Novo, que sucederam à I Republica, mantiveram a forma republicana do Estado. Aliás, o artigo 7.º da Constituição Política da República Portuguesa definia o Estado português como “uma República unitária e corporativa”. O artigo 74.º da mesma Constituição estabelecia mesmo que “são inelegíveis para o cargo de Presidente da República os parentes até ao 6.º grau dos reis de Portugal”. A ditadura salazarista foi mais um produto repressivo da História do republicanismo em Portugal.

O 25 de Abril de 1974 pôs termo à II República. No entanto, o novo regime continuou a negar aos portugueses uma escolha livre entre República ou Monarquia. A Constituição da República Portuguesa, de 1976, foi elaborada num contexto de tutela militar e de uma pressuposta legitimidade revolucionária. O texto constitucional, que resultou da soma destes condicionalismos, foi o possível no âmbito de um processo político muito condicionado pela esquerda militar, de tal forma que ficou consagrado constitucionalmente o tal destino manifesto “para uma sociedade socialista”.

Como não podia deixar de ser nestas circunstâncias e condicionalismos ideológicos, a III República retirou ao povo português a possibilidade de optar, de forma livre, entre a Monarquia ou a República. Os republicanos postularam a superioridade democrática da República em

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relação à Monarquia e impuseram, de forma dogmática e coerciva, um regime que não pode ser livremente referendado pelos cidadãos.

Importa, neste contexto, assinalar que um regime republicano não corresponde, necessariamente, a uma democracia. Países como a Coreia do Norte ou a China são, do ponto de vista constitucional, repúblicas, no entanto poucos classificarão estes países como democracias. Por outro lado, é inegável que monarquias europeias como a Holanda, a Dinamarca, a Bélgica, a Suécia, o Reino Unido, a Noruega, o Luxemburgo ou a Espanha se encontram entre as democracias mais prósperas e estáveis do mundo. O mesmo se pode afirmar em relação a outras monarquias não europeias, como o Japão, a Nova Zelândia, a Austrália ou o Canadá.

Isto mesmo se prova através da análise de alguns indicadores internacionais que examinam a qualidade dos diversos sistemas políticos nacionais. O Índice de Democracia elaborado pela revista “The Economist” para examinar o estado da democracia em 167 países, analisa cinco categorias gerais: o processo eleitoral e pluralismo, as liberdades civis, o funcionamento do governo, a participação política e a cultura política. Os dez primeiros lugares estão ocupados pela Noruega, Islândia, Dinamarca, Suécia, Nova Zelândia, Austrália, Suíça, Canadá, Finlândia e Holanda. Ou seja, sete dos dez países mais bem classificados são monarquias constitucionais.

O mesmo resultado se pode encontrar no índice que mede a qualidade de governo elaborada pela Universidade de Gotemburgo. Nele se constata que as monarquias, embora estejam em vigor em apenas 22% dos países do mundo, ocupam cerca de 50% das melhores classificações no que diz respeito à qualidade democrática das instituições governamentais.

O comportamento das monarquias é também excepcional no âmbito da lista de países referenciados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), incluído no Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Nele se constata que as monarquias ocupam dez dos primeiros dezoito lugares.

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Por aqui se pode concluir que a qualidade das democracias e dos sistemas de governo em nada é afectada pela existência de um sistema político monárquico. Os resultados apontam, precisamente, para a conclusão inversa. Em muitos países, a monarquia significa democracia, estabilidade e prosperidade. A estabilidade política que propiciam, a convergência do esforço nacional que motivam e a adaptação social que permitem - a partir da solidez e da união do projecto nacional - demonstram que Monarquia e modernidade são dois conceitos convergentes.

Em Portugal, a República encontra-se blindada na Constituição. De acordo com a Constituição da República Portuguesa, este país não pode ser outra coisa que não uma república. A alínea b) do artigo 288.º da Constituição estabelece, como limite material de revisão constitucional, a “forma republicana de governo”. A República Portuguesa impede, através da vigência da norma constitucional referida, a realização de um referendo a respeito da forma de governo.

Numa verdadeira democracia não deveria ser reconhecido à população o direito de decidir, livremente, a natureza política do seu regime democrático? Não constitui esse condicionalismo constitucional uma intolerável limitação à liberdade de escolha dos portugueses? Não constitui esse facto a derradeira herança política da I República e do Estado Novo: a legitimidade revolucionária e a natureza irrevogável da forma republicana do Estado?

Um regime que não vai a votos, não é verdadeiramente democrático. O actual regime é uma democracia para os republicanos e uma ditadura de regime para o conjunto da nação portuguesa. A Nação Portuguesa e a República Portuguesa não são dois conceitos equivalentes. Os monárquicos portugueses integram a Nação, mas não a República.

A Monarquia representa a independência e a equidistância do Chefe de Estado. É necessário voltar a ter um Chefe de Estado moderador, neutral e representativo do conjunto social e político da nação. Um Chefe de Estado

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que represente a continuidade histórica do projecto nacional e a plena soberania da nação portuguesa.

O sistema político republicano, monopolizado por facções partidárias incapazes de realizar qualquer compromisso nacional e de convergir em nome do supremo interesse nacional, destruiu a independência nacional e promete destruir qualquer ideia de futuro para o povo português. A descrição constitucional do Presidente da República como símbolo da unidade da nação e da neutralidade no exercício do poder é uma ficção. Na prática, os presidentes da república são chefes de facção e representam pouco mais que os cerca de 50% dos eleitores que votaram neles. Representam tendências ideológicas e partidárias que transportam para a chefia do estado.

Neste âmbito é interessante notar que os quatro Presidentes constitucionais foram, em algum momento da sua actividade política, líderes de partidos políticos (PS, PSD e PRD). Representam um árbitro escolhido e que integra uma das equipas que participa no jogo institucional. O papel que desempenham é, assim, exactamente o contrário do que lhes está consignado constitucionalmente. Representam um factor de instabilidade política no âmbito da coabitação institucional e revelam um paternalismo político beneplácito se partilham a mesma origem partidária do governo.

Nestas condições políticas e de regime, importa que a Nação Portuguesa, única detentora da soberania nacional, possa escolher, em liberdade, a forma política do Estado. Que possa optar livremente entre República ou Monarquia.

Em geral, a argumentação produzida pela censura política - de matriz conceptual e ideológica comunista - no sentido de impedir a discussão e a votação democrática das iniciativas parlamentares que visam garantir o livre sufrágio do povo português em relação à questão da natureza republicana ou monárquica do Estado Português, está acantonada na tese da inalterabilidade dos limites materiais da revisão constitucional.

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A verdade é que as novas gerações de portugueses têm direito a decidir e a exercer a sua plena soberania, inclusivamente no âmbito da questão da definição da natureza do sistema político democrático. A Constituição da República Portuguesa de 1976 - que pretendia “abrir caminho para uma sociedade socialista” - foi aprovada sob coacção revolucionária e militar. Não é democrática e nunca o será, na medida em que foi aprovada ao som do ruído de sabres e debaixo da tutela do Conselho da Revolução.

A vontade de uma geração desaparecida há décadas, coagida e limitada nas suas opções, não pode sobrepor-se ao direito de sufrágio livre dos cidadãos de hoje. A verdade é que a breve e penosa História da III República demonstrou que os limites materiais da revisão constitucional estão longe de constituir uma espécie de impenetrável “Muralha de Adriano”.

Uma simples comparação do texto constitucional de 1976 com o texto constitucional em vigor, permite verificar que os limites materiais da revisão constitucional foram efectivamente alterados. Assim, a redacção da alínea f) tinha a seguinte e revolucionária versão (1976): “o princípio da apropriação colectiva dos principais meios de produção e solos, bem como dos recursos naturais, e a eliminação dos monopólios e dos latifúndios”. A versão em vigor é bem diferente (1989): “A coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção”.

A mesma alteração sistémica é observável na alínea g), que passou de uma soviética “planificação democrática da economia” (1976) para a “existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista” (1989), uma formulação bem diferente. A alínea j), referente ao chamado poder popular, foi, pura e simplesmente, eliminada.

Não é possível imaginar maior grau de violação dos limites materiais da revisão constitucional que propor, de forma formal, a sua alteração radical ou mesmo a sua eliminação. No entanto, cabe concluir que, tendo

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em conta que estas alterações foram votadas e aprovadas, as mesmas foram, de facto, admitidas.

Os republicanos colocam ainda outros impedimentos constitucionais à alteração do regime: os supostos privilégios de nascimento e a questão dos cargos vitalícios. É por isso que importa deixar aqui registado que os privilégios em razão da ascendência foram abolidos pelo constitucionalismo monárquico português. As constituições republicanas nada trouxeram de novo nesta matéria. O mesmo sucede nas constituições monárquicas actuais, facto que a leitura das constituições de países como a Suécia, a Dinamarca ou a Espanha deixaria bem evidente.

No que se refere aos cargos políticos vitalícios é curioso verificar que o exercício do cargo de membro do Conselho de Estado por parte dos antigos Presidentes da República não está definido como vitalício, mas a verdade é que também não está previsto em que momento e circunstâncias terminam estes ilustres conselheiros o seu mandato. De qualquer forma, os monarcas constitucionais de hoje, como se viu recentemente na Espanha, na Holanda ou na Bélgica, já não reinam – e a verdade é que em momento algum governam - até à morte. Isso é coisa do passado e do Conselho de Estado da República Portuguesa.

A duração do “mandato” de um monarca constitucional depende da vontade do Parlamento e do seu respectivo povo, uma vez que o instrumento referendário está presente nas monarquias modernas, tal como aconteceu recentemente na Austrália (em que triunfou a Monarquia). De qualquer forma, as monarquias nem sempre são – ou foram no passado, veja-se o caso da monarquia electiva da Polónia – hereditárias ou vitalícias. No caso norueguês, por exemplo, o Parlamento confirma, periodicamente, o seu apoio à Monarquia.

No entanto, verifica-se que em algumas repúblicas, como a Coreia do Norte e Cuba, a transmissão do poder é realizado numa lógica claramente hereditária. Na antiga União Soviética – a república que constitui a referência histórica e ideológica do PCP - a liderança do regime

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era de carácter vitalício. Um após outro, líderes supremos da República Soviética como Lenine, Estaline, Brejnev, Andropov e Chernenko mantiveram-se em funções até à sua morte, apesar do aspecto mumificado em vida de alguns deles.

É evidente que os princípios da chamada ética republicana também podem ser testados no âmbito de outras práticas desta República. Os palacetes atribuídos aos ex-Presidentes da República e todo o pessoal e logística que têm ao seu dispor até ao fim dos seus dias - mesmo sem estarem a exercer funções (e já são três) - e o estatuto da não eleita Primeira-dama representam bons exemplos dos férreos princípios republicanos.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1793 consagrou, no artigo 28.º, um princípio basilar para a liberdade dos povos: "Um povo tem sempre o direito de rever e reformar a sua Constituição. Nenhuma geração pode sujeitar as gerações futuras às suas leis".

A actual formulação constitucional da alínea b) do artigo 288.º da Constituição permite, em tese, que o actual sistema político republicano possa evoluir para uma “democracia popular” de tipo cubano – um regime formalmente republicano – a fim de construir “uma sociedade socialista”, como estabelece o preâmbulo constitucional. Constata-se, no entanto, que a maioria esmagadora da população portuguesa tem como referencial democrático o sistema político de reinos como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca ou a Holanda e não o sistema político vigente em repúblicas como Cuba ou a Venezuela.

Ou seja, o nosso sistema político está muito mais próximo, pelo menos no que diz respeito às expectativas da população e ao funcionamento do sistema parlamentar, do sistema constitucional holandês, do que do sistema constitucional cubano. Assim, a verdadeira ruptura do sistema político e da “Constituição real” – a tal “sociedade socialista” representa apenas uma espécie de arqueologia revolucionária – ocorreria apenas no caso de se procederem a alterações constitucionais que nos aproximassem

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do paradigma constitucional cubano e nunca no caso de essas alterações nos aproximarem do paradigma constitucional das grandes democracias monárquicas já citadas. No fundo, o que é essencial num sistema político é a sua matriz democrática.

III – Reforma Política: mais democracia e mais transparência

O PPM defende uma ampla reforma política que melhore a qualidade da democracia portuguesa: Candidaturas subscritas por listas de cidadãos independentes, quebrando o monopólio partidário; a consagração de um sistema de listas partidárias abertas, a exemplo do que sucedia na Monarquia Constitucional; a diminuição do número de deputados a eleger na Assembleia da República; a criação de um círculo de compensação no nosso sistema eleitoral, no sentido de contabilizar os votos de todos os portugueses; o reforço do regime de incompatibilidades no âmbito daqueles que exercem cargos políticos e o referendo da natureza republicana ou monárquica do regime.

Actualmente vigora, no âmbito do sistema eleitoral para a Assembleia da República, o sistema de lista fechada e bloqueada, em que a ordenação dos candidatos é decidida exclusivamente pelos partidos. Neste sistema, o candidato depende unicamente do partido e a sua eleição está, em grande parte, dependente do carisma e da força da candidatura a líder do executivo nacional. Quando muito importa, também, o nome do cabeça-de-lista do círculo eleitoral.

Nestas condições, uma parte significativa dos candidatos pode não ter qualquer prova dada na sociedade civil, mérito profissional relevante ou preparação adequada. A selecção partidária depende de critérios como o amiguismo, a carreira partidária, os laços familiares ou a garantia de fidelidade à liderança partidária.

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Pelo contrário, no sistema de listas abertas o eleitor tem a liberdade

de votar num determinado partido e de, em simultâneo, escolher os seus candidatos preferidos no âmbito da lista indicada por esse mesmo partido. Ou seja, o deputado passa a depender também do mérito - e da visibilidade - do seu trabalho parlamentar.

A defesa de candidaturas subscritas por listas de cidadãos independentes pertence ao património político do PPM. Com o decorrer do tempo, os aparelhos partidários começaram a ficar cada vez mais fechados e impermeáveis à participação da sociedade civil. Nas condições actuais, uma carreira política bem-sucedida começa a ser pacientemente construída nas jotas. Veja-se, por exemplo, que os dois principais candidatos a primeiro-ministro começaram aí as suas carreiras, tal como os dois presidentes dos governos regionais (ex-presidentes das suas estruturas regionais).

As listas de independentes permitirão renovar os protagonistas políticos e trazer para a actividade política cidadãos a quem, de outra forma, faltaria o indispensável currículo partidário.

O PPM entende que o actual número de deputados eleitos para a Assembleia da República (230) é excessivo e pouco proporcional. O sistema parlamentar português é o menos inovador da Europa do ponto de vista das forças políticas que o integram. O PSD, o PS, o CDS-PP, o PCP (os Verdes constituem um mero satélite do PCP, com a particularidade de nunca terem ido a votos de forma isolada) e o BE (que mais não é que uma nova versão da extrema-esquerda protagonizada pela UDP) hegemonizam a representação parlamentar desde 1975. O sistema parlamentar português está praticamente blindado à emergência de novas forças políticas e de novas ideias.

Veja-se que os partidos que não obtiveram representação parlamentar em 2011 totalizaram cerca de 190.000 votos. Nenhum desses milhares de portugueses está, no entanto, representado no Parlamento. No entanto existem deputados na Assembleia da República eleitos por cerca de

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4.000 votos (no círculo fora da Europa). O sistema parlamentar actual está longe de ser representativo e proporcional. Os pequenos partidos – que partem com uma enorme desvantagem de meios financeiros e de cobertura dos órgãos de comunicação social, em particular das televisões – não têm qualquer hipótese de eleger. Dessa forma impede-se a alteração do status

quo e a emergência de novas ideias e protagonistas.

O PPM propõe a criação de um círculo eleitoral de compensação que recupere e agregue as votações obtidas pelos diferentes partidos nos 22 círculos eleitorais, impedindo assim que esses votos sejam “deitados fora pelo sistema”. Este sistema está em vigor no sistema eleitoral açoriano e foi aperfeiçoado por uma proposta da Representação Parlamentar do PPM na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

A corrupção na máquina do Estado está, em parte, ligada ao trânsito de políticos entre o Parlamento, os cargos governamentais, o poder autárquico e o sector público empresarial nacional. O PPM pretende alargar o regime de incompatibilidades impedindo a nomeação de ex-políticos para o sector público empresarial nacional durante um período de 8 anos após o fim do desempenho dos respectivos cargos políticos. A contratação de ex-políticos influentes por parte das grandes empresas nacionais e estrangeiras constitui outro factor de risco. Os detentores de altos cargos governativos possuem uma boa rede de contactos e tiveram acesso a informação classificada, de alto valor estratégico para as empresas. O PPM quer alargar o regime de incompatibilidades a estas situações.

Finalmente, o PPM defende, no âmbito da reforma política que estamos a propor para o país, a realização de um referendo ao regime. A democracia só se legitima pelos votos, algo que a República Portuguesa continua a impedir. Neste sentido, o regime actual está longe de ser inteiramente democrático.

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IV - A Questão Económica

1 – O Completo Descontrolo da Despesa do Estado

A dimensão do colapso económico do país é espantosa. Os dados macroeconómicos mais relevantes deixam pouco espaço à imaginação. Atingimos uma taxa de desemprego altíssima, uma despesa pública insustentável, uma dívida externa bruta quase impagável.

Neste quadro, o processo de aumento da despesa pública e do endividamento externo entrou numa espiral incontrolável. Algo cuja gravidade se aprofunda se considerarmos que há muito que o país estagnou do ponto de vista do crescimento económico.

Trata-se, muito sucintamente, de um Estado completamente arruinado após várias décadas de saque das clientelas partidárias e de uma gestão absolutamente irresponsável, unicamente dirigida para a conquista de um eleitorado que, diga-se em abono da verdade, se comportou de uma forma igualmente irresponsável, premiando sempre o maior inaugurador e o maior benfeitor salarial. Mesmo que isso significasse empurrar responsabilidades e dívidas para as próximas gerações, ou seja: para os seus filhos e netos. Nada disso importou e o festim continuou até que o dinheiro acabou.

O principal problema que causou o actual descalabro económico está relacionado com o crescimento incontrolado da despesa pública e a forma como a máquina estatal cresceu ininterruptamente ao longo das últimas décadas.

No sentido de camuflar as contas do deficit público, os sucessivos governos criaram, desde 1995, as famosas Parcerias Público-Privadas. Os compromissos são de tal monta e tão prolongados no tempo que só em 2083 terminam de liquidar-se os compromissos já assumidos.

Tendo em conta este cenário desolador, podemos concluir que se confirmaram todas as previsões que efectuamos no Programa Eleitoral de

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2009, sendo que as mesmas apontavam para o crescimento incontrolado da despesa pública e da erosão da competitividade do país.

2 – A Nossa Estratégia Económica

Mantemos o nosso diagnóstico e as nossas interpretações ideológicas a respeito do papel do Estado e da natureza de que se deve revestir a arquitectura do sistema fiscal. A crise económica que se arrasta há quatro anos veio acentuar as fraquezas da condução político-económica de Portugal. O cenário era já de desolação, com a falência do sector primário e a morte anunciada do sector secundário e piorou, com a falta de liquidez nos mercados financeiros. Num país essencialmente de serviços, a crise fez-se fez-sentir de uma forma brutal, aumentando a clivagem para as economias desenvolvidas do mundo e, em particular, para os parceiros europeus.

Torna-se imperativo recuperar o crescimento económico, para que a aproximação à taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto da União Europeia se verifique. Os diversos governos em Portugal não trouxeram a solução para o problema, que já existia, independentemente da conjuntura internacional se ter deteriorado. É necessário renovar e relançar a economia, combater o desemprego, poupar nas despesas do Estado mas levar as famílias a consumir, sem os excessos de outrora, mas a consumir para que o ciclo económico recupere e regresse a normalidade aos mercados.

A sustentação da procura interna tem de acontecer, a par do fortalecimento do tecido empresarial, pela canalização de novos investimentos, quer nacionais quer externos. Portugal está bem servido de infra-estruturas básicas, pelo menos por ora, devendo o esforço ser induzido na modernização do Estado, na formação contínua, nas boas práticas de gestão, num mercado de trabalho e legislação modernas, tudo características que garantem capacidade de resposta aos novos desafios.

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Portugal necessita também de apostar fortemente no incremento da economia doméstica, no crescimento do comércio internacional, na captação de investimentos e nas finanças públicas.

A política fiscal tem de ser totalmente revista. A produtividade e a eficiência económica têm de ser muitíssimo incrementadas. A corrupção tem de ser fortemente combatida, obrigando à implementação de boas práticas de atitudes e valores. Um bom desempenho científico é prioritário, obrigando a um estreitamento de relações entre o Estado e o meio científico nacional, representado pelas suas universidades, professores e investigadores, alunos e matérias leccionadas é um projecto que tarda.

Só com a coragem de mexer em muitas matérias, que dependem todas da capacidade económica do país, presente e futura, e que determinam essa mesma capacidade, será possível retirar Portugal da lassidão a que se entregou. Uma enorme vontade política, com enorme sentido de cidadania e de serviço público desinteressado é a base de trabalho necessária, a que se juntarão as competências indispensáveis para levar a bom porto esta tarefa. Os vícios políticos actuais são desinteressantes. O que se pede é capacidade de mudança, que o povo português já mostrou ser capaz de encarar, perceber, fomentar e adoptar.

A despesa pública não produtiva é perniciosa porque acarreta, forçosamente, uma consequente diminuição do consumo privado através de três mecanismos essenciais:

1) Necessidade de aumento de receitas públicas só possível, nas condições actuais, através do aumento da carga fiscal;

2) Endividamento das gerações futuras pela obrigação de liquidar o endividamento público;

3) Os próprios encargos inerentes à dívida pública.

O deficit do sector Estado continuou a revelar uma dinâmica de crescimento assustadora, muito longe dos 3% fixados no PEC, sendo que este crescimento se torna ainda mais dramático por nascer e passar quase na sua totalidade por despesa não produtiva. O Produto Interno Bruto é

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utilizado em cerca de metade, para fazer face aos gastos do Estado. “Emagrecer” o Estado é assim um alvo prioritário de qualquer política económica.

O emagrecimento deverá recair unicamente sobre as despesas enquanto custos, e não essencialmente sobre o investimento público, igualmente uma despesa, mas com carácter reprodutivo. Esta tem de ser equacionada à luz da oportunidade e da capacidade de geração de rendimentos futuros. O défice é resultante da diferença (que por definição é negativa) entre o rendimento e a despesa. Se há uma dificuldade notória em controlar o défice, mesmo com manobras que envolvam aumento da carga fiscal (já pesada), alienação de património público, venda de participações do Estado em empresas e recuperação de passivo fiscal, é porque o Estado não consegue reduzir a despesa, a sua despesa não produtiva.

A solução passa, então, pela sua efectiva redução. Porque despesa num País há só uma: a resultante do somatório da despesa do Estado com a das famílias. Quanto mais consome o Estado menos consomem as famílias. Se em conjunto, ou isoladamente, consumirem demais, de duas uma: ou há um aumento do investimento ou um aumento do endividamento. Como o investimento não entra, só sai, a solução passa pelo endividamento. Então, a necessidade de endividamento conduz à conclusão, fácil, de que cada vez se consome mais e, acima de tudo, mal. É o Estado que continua a funcionar muito mal, o Governo que não tem soluções (politicamente aceitáveis) para diminuir a sua despesa e a oposição que é frouxa ou má.

Tarda a aparecer um Estado moderno nos processos e célere na execução. Fala-se sempre do défice, como se de uma causa se tratasse. Não é causa, é efeito. As causas são outras: despesa do parque automóvel, esbanjamentos por má gestão e derrapagens orçamentais, estudos, consultadorias, fundações, institutos, empresas municipais, projectos e parcerias. A lista é infindável. É esta despesa que precisa de ser controlada.

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Também a (falta de) eficiência do Estado tem uma quota-parte muito importante nos custos anuais. Acabe-se com estas, que se reduzirá substancialmente o défice não produtivo e, aí, começará uma nova esperança de vida para os portugueses.

A crise interna é causa maior da crise que vivemos, mais do que a quebra das exportações. Por outras palavras, são essencialmente as empresas nacionais a sofrer por falta do mercado interno do que as outras que dependem do mercado externo. A diferença já não é pequena e tenderá a acentuar-se, mostrando claramente uma faceta pouco lisonjeira do nosso futuro; o problema é maior internamente, mostra que estamos pior que os outros países nossos parceiros comerciais.

Desta última constatação ressalta uma outra: as fragilidades da economia portuguesa são enormes e, mesmo após a passagem da recessão económica, iremos ter uma enorme dificuldade em levantar a cabeça. O Estado tem de intervir no sentido de ajudar as pequenas e médias empresas nacionais a ultrapassarem a crise actual, percebendo os seus problemas, libertando-as de compromissos fiscais inaceitáveis e criando mecanismos de acesso ao crédito. A regulação dos mercados seria bem-vinda.

A capacidade de entendimento do mundo actual, por parte dos políticos, obriga a reconhecer que não existem maravilhas na liberalização dos mercados e das economias. Não existe espaço para defender o liberalismo económico, e a necessidade de intervenção do Estado na economia é uma imposição de facto. Não assumir este dado é perder a visão da coesão social, do equilíbrio entre economia e bem-estar, no seu todo é perder a visão da própria execução de políticas eficazes.

A política económica e a forma de encarar a economia tem de ser conceptualizada nos seus princípios básicos, com adopção de critérios que não importam catalogar por quadrantes políticos, mas que garantam que a economia é um veículo de construção de bem-estar social. A economia é um instrumento que deve ser utilizado para servir a população e não o seu contrário. A economia tem de ser encarada como não liberal e fortemente

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social. Não existem mecanismos automáticos de auto-regulação dos mercados, nem qualquer mão invisível que garanta a estabilidade económica.

É necessário salvaguardar o poder económico na indústria e serviços básicos, em mãos nacionais. O objectivo não é, contudo, fácil. Na realidade, a enorme diferença na capacidade de capitalização das empresas portuguesas, face a congéneres estrangeiras, coloca-as numa situação de perigo iminente consubstanciada na fragilidade dos recursos financeiros e na decorrente fraca capacidade de alavancagem dos seus negócios.

Aliar com Espanha (leia-se empresas espanholas) é correr para o abismo, sendo excepções as cimenteiras e a indústria de papel (cartelizadas), bem como, de alguma forma, os aglomerados de madeira (embora neste caso exista dificuldade idêntica no resto do mundo, onde a dimensão portuguesa é insignificante, quer ao nível dos recursos financeiros, quer da dimensão dos meios de produção).

Para os petróleos, o caminho passa pela capacidade de arregimentar pactos estratégicos, única solução para aumentar a capacidade exploratória de actuais e novos blocos, usando como facto determinante, o dote constituído pela facilidade de penetração na África portuguesa, pela razão de ser membro da UE e pelo reconhecido know-how técnico e de gestão que a empresa nacional possui.

Para todos os restantes sectores económicos relevantes, o futuro poderá ser a strategie du poisson, os grandes comem os pequenos. Será necessário criar massa crítica para intentar acções de aquisição de outras empresas no exterior ou esperar que suceda o contrário. E as soluções para estes sectores de actividade, para estas empresas? Uma solução exacta não existe, mas pode-se falar de aproximações à solução, capazes de melhorar e diminuir, fortemente, a tendência actual.

O problema é a crescente falta de tempo. Os parceiros indicados para as empresas portuguesas na sua estratégia de internacionalização deverão ser, preferencialmente, parceiros financeiros, quaisquer que sejam, tenham

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a origem que tiverem. Estes parceiros não têm know-how, não pretendem implementar ou lutar por modelos de gestão, preocupando-se essencialmente com os resultados. A dimensão é um óbice, neste caso, porque o parceiro financeiro só estará disponível até um certo ponto de envolvimento, recuando depois no investimento.

Compete ao Estado montar operações baseadas nas embaixadas - como representantes primeiros dos interesses estratégicos nacionais, sendo que o interesse é claro; crescer! - preparadas para encarar os parceiros económicos e financeiros e franquear as portas aos empresários nacionais, num esforço que se quer conjunto. Desta capacidade de montagem de operações com vários agentes, em simultâneo ou temporalmente desfasado, dependerá o sucesso das empresas nacionais no seu processo de internacionalização.

Desta política faz parte, igualmente, a capacidade de alienar activos para enfrentar novos desafios, com maior capacidade de alavancagem financeira e tecnológica, garantindo parcerias financeiras preferencialmente acompanhadas de parceiros locais nos processos de internacionalização.

Para lá do mercado europeu, possível no processo de internacionalização mas difícil na recuperação do esforço de investimento, por necessitar de um período alargado de tempo atendendo às características dos mercados e a uma concorrência muito madura, existem outros possíveis. Assim, há que olhar o Atlântico como um possível e interessante ponto de partida para a escolha dos mercados a operar, não significando este olhar, um prender da retina exclusivamente em África e no Brasil, mercados apetecíveis mas perigosos, cada um à sua maneira. Compete ao Estado, uma vez mais, minorar os riscos de internacionalização nos mercados emergentes e em desenvolvimento. Vale a pena o esforço.

Não é possível implementar a curto prazo em Portugal, qualquer processo de internacionalização das Pequenas e Médias Empresas (PME). Ao Estado cabe o papel de direcção e intervenção nesse objectivo, não bastando medidas avulsas. Portugal não tem condições de endividamento,

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actualmente, para desenvolver qualquer processo de internacionalização das Pequenas e Médias Empresas, porque estas exigem um esforço financeiro muito elevado e não têm capacidade de alavancar, sozinhas, processos de internacionalização. A fraqueza do mercado nacional, aliada à retracção dos mercados internacionais, a que se soma uma carga e exigências fiscais impróprias para um regular funcionamento das empresas e respectivas tesourarias, impedem qualquer movimento nesse sentido.

Em termos de política fiscal importa realizar a seguinte análise e estratégia de intervenção. Para vir a ser possível seria necessário

reduzir, no mais breve período de tempo possível, a carga fiscal sobre as empresas e abrir linhas de crédito à internacionalização. Seria necessária uma redução – assim que a despesa pública deixar de esmagar - do IRC, do IVA quer a nível de taxas, quer a nível da exigência da sua entrega temporal ao Estado. Baixar impostos é difícil – mas necessário - atendendo à política despesista do Estado e à necessidade das receitas fiscais para fazer face ao endividamento público. Temos, em primeiro lugar, de resolver o problema da despesa pública.

Acresce um gravíssimo problema de competitividade em Portugal, com uma face bem visível: o decepcionante crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto). O endividamento público em Portugal é galopante e a solução passa, essencialmente, pela descida drástica da despesa pública. Igualmente, as linhas de crédito para as pequenas e médias empresas são falaciosas porque as empresas que necessitam de recorrer ao crédito têm balanços deteriorados, bem como em muitos casos dívidas à segurança social e ao fisco, impossibilitando o acesso a esse mesmo crédito. A afirmação de que existe crédito para as empresas é avulsa e carece de uma intervenção e aval do estado.

É necessário dotar as pequenas e médias empresas dos mecanismos que lhes permitam ultrapassar a crise em que se encontram, a destacar entre muitos os seguintes:

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2) Criação de linhas de apoio de facto, não sujeitas a constrangimentos de qualquer ordem;

3) Investimento nas boas práticas de gestão;

4) Ter em conta que o universo das Pequenas e Médias Empresas abarca uma enorme diversidade de realidades, obrigando a medidas diferentes para os resultantes diferentes problemas;

5) Política de internacionalização secundada pelo Estado, em moldes que garantam o sucesso desse objectivo empresarial e nacional.

A coerção política do Estado justifica-se pelo objectivo da redistribuição, atendendo à impossibilidade de confiar na redistribuição voluntária. Em períodos recessivos, se o Estado optar por uma política contraccionista, aumenta o número de empresas que fecham, o número de desempregados cresce, o montante das transferências para as famílias aumenta, – i.e., fundo de desemprego – aumentando a despesa pública não produtiva e diminuindo a receita fiscal. Aumenta, concomitantemente o défice, pelas piores razões.

Há que saber utilizar criteriosamente os fundos obtidos por via da receita fiscal, caso contrário a fiscalidade só servirá para sacrificar gerações sucessivas de portugueses. Alterar os impostos sobre as empresas é absolutamente necessário e traz benefícios reais à economia. O abaixamento do IRC só deveria ser considerado para as empresas que facturem abaixo dos 30 milhões de euros anuais. Para todas as restantes existem outros mecanismos e instrumentos que conduzem ao investimento e à capitalização das empresas, sem se tornar necessário mexer na taxa de IRC cobrado.

Aumentar os lucros através da redução da carga fiscal em sede de IRC (formulação virtual da função lucro), não garante eficiência e pode promover a lassidão empresarial, significando perda de mercado. Defender a solução da diminuição da carga fiscal para as grandes empresas, pode ser sofisticado do ponto de vista político e mostrar ineficiências e incapacidades

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para lidar com os mercados, do ponto de vista empresarial, mas não resolve o problema e coloca uma dificuldade acrescida nas receitas do Estado.

Assim, o PPM propõe que se criem dois estratos de empresas, consoante a sua facturação anual, para que a afectação fiscal e a responsabilidade social das empresas não recaia totalmente sobre o Estado. Novamente se acautela que estas medidas só se poderão implementar a partir do momento em que se conseguir reduzir substancialmente a despesa pública:

1 - EMPRESAS com facturação anual superior a 30 milhões de euros: a) Aumento das taxas de Amortização de activos, corpóreos e incorpóreos, através da redução do período para amortização consagrado no código – esta medida permite aumentar os custos, diminuir a carga fiscal pelo aumento dos custos e, ao mesmo tempo, capitalizar as empresas, porque as amortizações são custos na conta de Ganhos e Perdas, mas são fundos que subsistem em tesouraria;

b) Acabar com o pagamento por conta e com o pagamento especial por conta, do imposto sobre os rendimentos;

d) Reduzir a taxa geral de IVA;

e) Eliminar a obrigação de liquidação da taxa liberatória para investidores, geradores de valor acrescentado, a estrangeiros não residentes.

Com estas alterações, criavam-se condições de aumentar as vantagens competitivas do país na captação de investimento, nacional e estrangeiro, ao mesmo tempo que se conduzia a uma política económica no sentido da criação de riqueza nas empresas.

2 - Empresas com facturação anual igual ou inferior a 30 milhões de euros:

a) Abaixamento do imposto em sede de IRC para as empresas a laborar no litoral e Grande Lisboa e Porto e Fixação de uma taxa de IRC ainda menor para as empresas que se fixem ou desloquem para o interior do país;

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b) Acabar com o pagamento por conta e com o pagamento especial por conta, do imposto sobre os rendimentos;

c) Reduzir a taxa geral de IVA;

Quando as famílias percepcionam um aumento constante nos impostos (através de um agravamento das taxas fiscais e/ou da redução das transferências para as famílias), a economia tende a ajustar-se instantaneamente, através de um abaixamento do consumo, sem contudo significar que existam, por essa via, efeitos dinâmicos no capital não havendo, portanto, quaisquer efeitos no PIB (o consumo é substituído pela carga fiscal - o rendimento das famílias não se altera).

Sem capital não há investimento; sem investimento não há aumento do rendimento; sem aumento do rendimento não há aumento do consumo e da poupança; sem aumento da poupança não há aumento do capital, que baixa, sistematicamente, de período para período devido ao factor depreciação. A economia fica cada vez pior e a qualidade de vida ressente-se.

Neste quadro consideramos que as medidas a tomar em sede de IRS não devem agravar a muito vulnerável situação das famílias. O PPM contempla a redução do IVA logo que a despesa comece a baixar de forma significativa.

No que se refere ao Imposto Sobre o valor Acrescentado (IVA), perante a necessidade extrema de aumentar a receita pública, o Governo aumentou a taxa geral do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA). Esta taxa está demasiado alta e a má tendência de fazer face à despesa pública pela manutenção de impostos indirectos elevados, também.

Estas medidas, são, contudo, falaciosas. O aumento dos impostos indirectos conduz, sempre, a uma redução no montante de imposto arrecadado. Traduz-se igualmente num aumento certo da economia paralela. A questão da existência da factura depende, inteiramente, do adquirente do serviço. Este pretende que a máquina fiscal deverá ser um pré-fiscalizador da atitude do prestador de serviço, assumindo o papel

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corrector de anomalias, através do acto de exigência da factura. O pressuposto assenta no princípio de assumir que o servido, ao pagar ele próprio impostos (IRS), irá exigir do servidor que pague igualmente os seus impostos.

No que se refere ao IVA, o nosso entendimento é o seguinte. A questão da receita pública, acabadas que estão algumas fontes de rendimento do Estado, como eram as receitas aduaneiras, terá de passar por um aumento da criação de riqueza, que crie as condições para um aumento do PIB e nunca através do poder de compra dos cidadãos. Os aumentos dos impostos indirectos fazem baixar o consumo, diminuem a receita fiscal, aumentam a actividade paralela e criam desigualdade de oportunidades no mercado. O PPM propõe uma redução da taxa geral do IVA a partir de 2016, após realizada a consolidação orçamental e considerando as diminuições da despesa do Estado que se conseguirem incrementar.

Por outro lado, concebemos uma luta sem tréguas à despesa pública e ao endividamento, justamente para suportar uma política fiscal “mais amiga” de uma estratégia de fomento da actividade económica.

Neste mesmo âmbito, defendemos ainda a reestruturação do sector empresarial do Estado, área que queremos auditar de forma rigorosa e reorganizar globalmente, estancando desta forma os défices crónicos. A mesma perspectiva de redução de despesas e de não endividamento explica

a nossa posição a respeito das grandes obras públicas. Somos totalmente

contra as grandes obras públicas que oneram o Estado e as gerações vindouras, sem repercussões económicas visíveis.

Em síntese, o PPM defende que a nossa política económica deve ter como prioridade nuclear o combate ao desemprego e às desigualdades sociais. Nesse sentido devem ser utilizados os recursos estatais disponíveis para concretizar investimentos capazes de gerar emprego sustentável, diminuir o esmagamento fiscal a que a população está submetida, impedir a degradação do Estado Social em áreas como a saúde, a educação e a

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protecção social e apostar decisivamente na formação e qualificação da população portuguesa.

Votar PPM é, assim, votar útil. Com a transformação do CDS e do PSD em partidos liberais, puros e duros, o PPM representa o único espaço da área da AD que continua a localizar-se, do ponto de vista ideológico, no centro e nos valores da social-democracia e da democracia cristã. Nós somos, nestas eleições, a única garantia de moderação e de negociação no âmbito da área de centro-direita. Perante a fobia liberal do PSD e do CDS, o PPM sente reforçado o seu papel e as perspectivas de crescimento na área moderada, reformista, mas também com um cunho fortemente social, da velha AD.

Políticas Sectoriais

1-

Hotelaria e Restauração

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) elaborou um valiosíssimo conjunto de propostas para a Competitividade, Crescimento e Inovação da Restauração, da Hotelaria e do Turismo, que fez chegar às diversas forças políticas que se candidatam nestas eleições legislativas. O PPM respondeu ao desafio e integrou a maioria das propostas no seu Programa Eleitoral, tendo em conta a imensa qualidade e racionalidade das mesmas.

“Assim, este documento reúne as principais propostas elaboradas pela AHRESP, assumindo o PPM a responsabilidade, se vier a obter representação parlamentar, de pugnar para que sejam implementadas na próxima legislatura.

Desde o ano 2008, altura em que se iniciou a profunda, e grave, crise económica e financeira que afectou Portugal, a Europa e o Mundo, obrigando Portugal a afundar-se num Programa de Ajustamento Económico Financeiro no ano 2011, que as nossas empresas têm vindo a ser

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constantemente fustigadas por políticas de austeridade, impedindo o crescimento económico, a criação de emprego, a geração de riqueza e de valor, e destruindo todo um tecido empresarial.

A carga fiscal que impera sobre as nossas empresas registou um aumento brutal a 1 de Janeiro de 2012, quando o IVA nos Serviços de Alimentação e Bebidas aumentou de 13% para 23% (9% para 18% na R.A. dos Açores, e 9% para 22% na R.A. da Madeira), e que infelizmente ainda hoje se mantém, colocando Portugal como o país da União Económica e Monetária com o IVA mais elevado, quando a média destes 19 países é de 13,6%.

Esta decisão do actual Governo tem-se demonstrado lesiva para o Turismo, para a Restauração e para a Hotelaria, provocando o encerramento de milhares de empresas, e a destruição de muitos milhares de postos de trabalho, -52.900 postos de trabalho entre 30 de Setembro de 2014 e 31 de marco de 2015 (fonte: INE), para além de asfixiar todo o tecido empresarial, que viu as suas autonomias financeiras reduzidas de 0,23 em 2008, para 0,14 em 2013 (fonte: INE), colocando cerca de 60% das nossas empresas em alto risco de falência (fonte: Comissão Europeia). Continuamos contrários às recomendações internacionais, que apontam para a aplicação da taxa reduzida de IVA nos nossos Serviços, Directiva Comunitária 2009/47/CE, pois o nosso Sector é considerado de forte intensidade de mão-de-obra, e de empregabilidade jovem, sendo igualmente uma importante medida de combate à economia paralela e à evasão fiscal.

Não restam dúvidas da importância que esta medida representa para a sobrevivência das nossas empresas, e para a dignificação do Turismo, por forma a preservarmos a qualidade da nossa oferta turística, e da nossa Gastronomia, Património Cultural de Portugal.

Aquilo que o Turismo representa para a economia nacional, 10,9% das empresas (115.481), 10,0% dos postos de trabalho (341.909) e 5,2% do volume de negócios (16,7 mil milhões de euros), justifica que estes

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sectores, Turismo, Restauração e Hotelaria, sejam encarados e tratados com o respeito e reconhecimento que merecem, que se deve traduzir, forçosamente, na diminuição da carga fiscal - com especial incidência ao nível da baixa da taxa do IVA - e na redução, ou mesmo eliminação, dos sacrifícios impostos pelos inúmeros e desproporcionais custos de contexto. Têm, definitivamente, de ser levadas a cabo várias reformas, estruturais se necessário, para que seja criado um ambiente favorável ao desenvolvimento e progresso das empresas do sector. No entanto, não é possível a estas empresas desenvolverem os seus negócios, estando sujeitas a mais de uma centena de impostos, taxas e custos de contexto, bem como à constante profusão e instabilidade legislativa que assola a actividade, comprometendo o investimento e a competitividade das empresas.

O sector do Turismo, que não obstante ser resiliente como nenhum outro, como já ficou provado, está actualmente no limite da sua resistência, e necessita urgentemente que se inverta este ciclo de opressão e destruição de empresas e de postos de trabalho.

Urge uma nova aposta no sector do Turismo, feita em conjunto com as empresas, como factor catalisador e de alavancagem da economia nacional. Não chega proclamar-se que o Turismo é um sector estratégico, sem que isso implique uma nova visão estratégica, que com coragem promova as necessárias, e urgentes, reformas.

É neste sentido que a Agenda Política da AHRESP para a próxima legislatura 2015-2019 - com que o PPM se compromete neste documento - inclui um leque alargado de propostas, das quais se destacam:

- Justiça e simplificação ao nível fiscal;

- Regimes de acessos aos financiamentos, promovendo o investimento;

- Reforma e eliminação dos custos de contexto e da miríade de “taxas e taxinhas”;

Referências

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