HISTÓRIA NARRATIVA CRIADA PARA A DISCIPLINA DE PRÁTICA PEDAGÓGICA DO ENSINO DE FÍSICA
Benjamin e a descoberta dos raios
Por: Tailini Bapes Grunewald Orientador: Valdir Rosa.
CAPÍTULO I: Sem internet
Era um dia chuvoso. Mesmo assim, Benjamin estava conectado a internet brincando com seus jogos preferidos. Raios e trovões não o incomodavam.
Sua mãe entra no seu quarto e diz:
- Benjamin, ainda está jogando? Desligue tudo rapidamente. Não vê que há uma tempestade lá fora?
Estava ocorrendo muitos relâmpagos e raios com barulhos fortes e assustadores. O céu brilhava como flashes de uma máquina fotográfica.
Como muitos adolescentes de sua idade, ele era um aluno que não gostava muito de estudar. Apesar de ser seu último ano no ensino médio e, quase chegando o vestibular, não estava preocupado isso.
Benjamin ficou muito bravo, pois estava jogando uma partida de seu jogo preferido e não entendia o porquê teria que desligar todos os equipamentos ligados nas tomadas. Ele questionou sua mãe, mas ela disse que poderiam queimá-los devido ao tempo ruim e, caso acontecesse, ela não teria dinheiro para comprar outros novos. “Afinal de contas, dinheiro não dá em árvores.” - dizia ela.
Mesmo assim ele ficou irritado ao desligar o computador. Ele não conseguia entender a situação e pensava: “Como um raio vindo do céu pode atrapalhar meu jogo? Será que é castigo de Deus porque não fiz minhas tarefas para amanhã?”. Assim, mesmo sem terminar as tarefas, resolveu ir dormir.
No dia seguinte, Benjamin acordou cedo para ir a escola. Para tristeza de sua mãe, mais uma vez foi sem realizar a tarefa.
No colégio, a primeira aula de Benjamin era de Física. Logo que chegou, sentou-se próximo aos seus amigos Thor e João. Sua professora Joana, uma professora com laços ainda tradicionais, gostava que a turma ficasse em silêncio durante a aula enquanto “ensinava”. Em todas as aulas sempre dava uma tarefa, e conferia quem a fez no início da aula seguinte e a corrigia no quadro.
Nesse dia, após verificar a tarefa, começou a lecionar os conteúdos básicos de eletricidade. Sua única fonte de consulta para preparar as aulas era o livro didático utilizado na escola.
Alguns alunos foram respondendo a professora e durante esse tempo de dialogo com a professora, João aproveitou a situação para conversar com seus amigos. Falava baixinho para a professora não perceber.
- Ei, Benjamin e Thor, vocês acreditam que estou sem internet? É por isso que não estou respondendo vocês no grupo do WhatsApp e não mandei a tarefa para vocês.
- Como assim cara? O que aconteceu? - Questionou Thor.
- A tempestade de ontem, queimou o nosso aparelho de internet. Eu estava com o aparelho ligado. A rua toda ficou sem energia.
- Putz cara. Que vacilo. - disse Thor.
- A minha mãe me fez desligar todos os equipamentos
lá em casa por causa disso. Ela estava com medo de que queimasse as coisas. Eu fiquei bravo, não dá pra entender porque um raio cairia bem na rua da minha casa.
- Pois é não sei certo o que aconteceu, mais queimou várias coisas. - disse João.
- Até me questionei se não foi castigo de Deus só porque não fiz essa tarefa. Imagina se a professora me perguntasse haha.
- Bom, a minha mãe sempre diz que esses raios aí, são castigos sim, pois a gente não se comporta direito hahaha. Mais realmente, não dá pra entender sobre esses raios. - disse Thor.
Neste momento, a professora fica irritada com seus alunos pelo motivo da conversa.
Por acaso a conversa de vocês faz parte da aula? -questionou a professora.
Os alunos ficam em silêncio e começam a prestar atenção na aula. Uma pena, pois não se deram conta de que o assunto fazia parte da aula. E a aula continuou sem perguntas.
CAPÍTULO II: A banca de jornal
Como de costume, após o fim da aula, Benjamin vai embora com seus amigos. Seguem pelo mesmo caminho durante algum tempo e depois vão para direções distintas, cada um para sua casa. Mas antes de se separarem, passam por uma banca de jornal e revistas. Eles sempre param para
dar uma “espiada” nas novidades. Cumprimentam o rapaz que ali trabalha e entram na banca.
Benjamin estava achando tudo muito estranho desde ontem por causa da tempestade. E, justamente neste dia, vários jornais desta banca estavam estampados com uma notícia que dizia o seguinte: “Raios atingem 300 pessoas por ano no Brasil”. Benjamin ficou reflexivo e chamou a atenção de seus amigos.
- Pessoal, deem uma olhada nessa notícia. Vocês não acham muita coincidência não?
- Eita. Deu até medo, depois de ontem com todos aqueles barulhos. Vai que caía um raio em nós? haha - Disse Thor com ironia.
- Calma lá. Se todos aqueles barulhos de ontem a noite, cada um forem de um raio, teria mais pessoas mortas, não teria? - questionou João.
- A eu não sei. Nem sei o que é aqueles clarões com luzes fortes que dão no céu quando o tempo está para chuva. Você sabe que não entendo nada de coisas do clima.
- E nem de Física haha - brincou Benjamin.
- É mesmo?! - reclamou Thor. - Por acaso o senhor entende? haha
Esse papo gerou belas gargalhadas, mas os meninos acabaram por deixar em branco os questionamentos e continuaram indo cada um para sua casa.
Em casa, Benjamin foi direto pegar o jornal que sua mãe compra todo dia e, procurou ler a tal notícia sobre os raios. Ao ler, ficou pensando: “Como assim as pessoas
morrem por causa de um raio? Qual a relação disso com o fato de eu ter que desligar as coisas aqui em casa?”.
CAPÍTULO III: As descobertas
A mãe de Benjamin ficou intrigada com seu filho lendo o jornal, pois ele nunca se interessava por isso. Benjamin não estava só interessado no assunto, como estava pensando em uma maneira de evitar o desligamento dos eletrodomésticos, inclusive de sua internet, como tinha acontecido na noite anterior.
Benjamin conversou com seus amigos por meio de mensagens para eles se encontrarem em sua casa. A ideia era pesquisar e fazer algumas descobertas sobre os raios. João, que era um menino muito esperto, logo se interessou pelo assunto. Foi direto para casa do amigo. Já Thor preferiu ficar em casa dormindo, pois, ainda pensava que isso era bobeira de seus amigos.
João chegou logo na casa de Benjamin. Fizeram um tererê e sentaram para realizar as descobertas tão esperadas.
- Eu estava pensando antes João. Que relação têm os raios com o desligamento dos aparelhos que estão na tomada e com as mortes de algumas pessoas? - perguntou Benjamin. - Bom... Hoje na aula a professora disse que nosso corpo tem um pouco de eletricidade. Será que não é por causa disso?
também. Mas porque eles cairiam aqui na terra? E aqueles barulhos que eles fazem?
- Vamos pesquisar. - disse João.
Os meninos começaram então a realizar as pesquisas. Mas Benjamin não estava satisfeito.
- Aqui diz que os raios são eletromagnéticos. Não sei o que é isso, mas parece ter relação com eletricidade. Os barulhos se chamam trovões, que é diferente dos raios. E que nem todo raio realiza o trovão. Beleza... Mas ainda não entendo porque eles caem na terra?
- Olha o que eu achei aqui. O relâmpago é aquele clarão que a gente vê no céu. O raio funciona como uma ligação entre as nuvens e a terra. Como se a nuvem fosse uma grande pilha carregada e as partículas envolvidas, são positivas e negativas. Ocorre um atrito entre essas partículas e as nuvens ficam carregadas. Por isso que os raios “caem”. Ocorre tipo uma descarga elétrica.
- Entendi. Mas será que a gente consegue criar algo que não queime as coisas das casas por causa desses raios? Ou algo pra alguém não morrer por causa disso? - empolgou-se Benjamin.
- Sei lá cara. Como a gente iria criar isso? Como iríamos evitar essa descarga elétrica?
CAPÍTULO IV: Descobrimentos?
Após horas de pesquisa sobre esses assuntos, João resolver ir embora, pois já era tarde, quase hora do jantar.
Eles ainda ficaram com a ideia de realizar algum experimento para descobrir como evitar que as descargas elétricas queimassem os equipamentos elétricos.
Benjamin continuou pesquisando sozinho, pois estava instigado em fazer um experimento que solucionasse esse problema encontrado. Mas com o passar do tempo, já estava cansado, cabeça doendo e, por isso, resolveu parar de estudar.
Saiu da frente do computador e foi ao pátio de sua casa para ver como estava o tempo. E para sua tristeza, um tempo de chuva novamente. O vento soprava muito forte. Ao longe, observava o céu para ver os relâmpagos. Infelizmente não conseguia ver um sequer relâmpago, apenas escutou trovões.
Ao olhar para o lado, Benjamin avistou sua velha pipa que estava guardada num canto do pátio.
“Porque não empinar a pipa agora não é mesmo?” Pensou ele. Essa pipa era bonita, colorida e com uma fita de cetim azul bem na ponta. Quando ele a fez, ainda colocou um pequeno ferro, que servia para segurar bem a fita e a estrutura da pipa.
Sem perder tempo, Benjamin pegou a pipa, foi até o quintal e começou a empiná-la. Ao mesmo tempo, pensava sobre os assuntos que estudou nesta tarde.
De repente… Zazzzz...
E adivinhem a coincidência?
ferro. Uma faísca salta longe no momento que o raio a atinge. Porém, com ele não aconteceu nada, já que a linha que ele estava segurando para empinar a pipa não era condutora.
No princípio, o menino ficou assustado e com medo, porque há pouco tempo leu uma notícia que falava sobre a morte de pessoas por causa de raio.
Passado o susto, Benjamin ficou eufórico!
Oras, descobriu como desviar um raio. Descobriu então, um para raio? Ou foi um super poder? Benjamin saiu correndo para mandar mensagem ao seu amigo, avisando o que tinha acontecido e o quão feliz estava pela descoberta.
Seu amigo João respondeu o seguinte:
- Para de ser bobo Benjamin. Seu chara descobriu isso a muitos anos atrás. Nós não havíamos pesquisado sobre os para-raios. Isso já existe em vários prédios e funcionam dessa forma, atraindo os raios para si. Assim, evita as queimas de equipamentos elétricos, caso um raio caia em um local próximo.
- Não acredito. E porque as pessoas morrem por causa de um raio então? Esses para-raios não funcionam para pessoas? - questionou Benjamin.
- Pelo o que eu li, normalmente esses raios caem fora da cidade ou em cidades que não existem os para-raios. E isso acontece porque, como a professora disse em aula, nosso corpo tem um pouco de eletricidade. Então se essa descarga caí em no nosso corpo, haverá muita energia e nosso coração não aguenta ou morreremos queimados na hora. Claro que pode acontecer em cidades que têm os
para-raios, porém é mais difícil.
Benjamin ficou triste. Pensou que poderia evitar a queima dos materiais elétricos de todos.
Não conformado com a ideia de que os para-raios protegem as pessoas, ele começou andar com sua pipa. Nunca se sabe quando um raio pode cair, não é mesmo? Caso aconteça, esperamos que ele esteja empinando sua pipa e não somente guardada na sua mochila.
Observação: Empinar pipa em tempestade poderá atrair raios e levar à morte. NUNCA FAÇAM ISSO.
Glossário
Benjamin Franklin: Cientista norte americano nasceu em 17 de Janeiro de 1706 e faleceu em abril de 1790, aos 84 anos. Era um grande inventor. Fez várias descobertas sobre a eletricidade, Identificou cargas positivas e negativas, além de demonstrar que os trovões são fenômenos de natureza elétrica. Este último assunto serviu como base e deu fruto a sua principal invenção: os para-raios. Franklin tornou esta teoria inesquecível através da experiência extremamente perigosa de fazer voar uma pipa durante uma tempestade, em um de outubro de 1752. Nos seus escritos, ele demonstra que estava consciente dos perigos e dos modos alternativos de demonstrar que o raio era elétrico. Se Franklin fez a experiência, ele não a fez da forma descrita – ela teria sido
fatal. Benjamin fez outros estudos envolvendo a meteorologia e a climatologia.
Cargas elétricas: é a propriedade de cada uma das partículas: prótons, nêutrons e elétrons. A partir do atrito entre os corpos, ocorre o fenômeno chamado eletrização de modo que todos os corpos possuem a propriedade de se atrair e repelir. Os prótons são partículas com cargas positivas, os elétrons têm cargas negativas e os nêutrons tem carga neutra. Portanto, cargas de mesma natureza (positivo e positivo, negativo e negativo), repelem-se. Carga de sinais contrários (positivas e negativas) se atrai. As cargas neutras vão aderir pela carga que interagir com o corpo.
Energia eletromagnética: é uma forma de energia que é refletida ou emitida a partir de objetos sob a forma de ondas elétricas e magnéticas que podem percorrer o espaço Exemplos Existem muitas formas de energia eletromagnética, incluindo raios gama, raios X, radiação ultravioleta, luz visível, radiação infravermelha, microondas e ondas de rádio.
Formação de raios: Nuvens são massas enormes cheias de moléculas de água e gases. Colisões entre as moléculas ionizam seus átomos constituintes e faz com que uma nuvem acumule cargas elétricas positivas e negativas em grandes quantidades. Isto origina potenciais elétricos de milhões de volts entre nuvens e o solo, dentro das próprias nuvens e também entre elas. Quando uma nuvem de chuva, que é mais pesada do que uma nuvem normal, se aproxima do solo,
o campo elétrico estabelecido entre as duas partes se torna muito mais intenso. O isolamento proporcionado pelo ar pode não suportar esta condição e sofrer uma ruptura quase instantânea, que se manifesta através de uma descarga elétrica constituída por uma corrente de alta intensidade entre a nuvem e o solo, que chamamos de raio. Descargas atmosféricas ocorrem da nuvem para o solo, do solo para a nuvem, dentro das nuvens e entre elas. Descargas atmosféricas podem ocorrer também com tempo seco, especialmente em chaminés e outras estruturas aquecidas, pois o calor favorece a ionização do ar e facilita o estabelecimento de um percurso para a descarga.
Trovões: O raio gera uma corrente elétrica de grande intensidade que ioniza o ar ao longo do caminho, produzindo um rastro de luz superaquecido que conhecemos como relâmpago. O ar em torno dessa corrente se aquece rapidamente a uma temperatura de até 27.000 ºC. Como o fenômeno acontece em questão de instantes, as partículas de ar se expandem pelo calor e são imediatamente comprimidas pelo resfriamento da atmosfera. Dessa forma, cria-se uma onda de ar comprimido que se expande como uma explosão para todas as direções, gerando o barulho que denominamos trovão. O som que chega após o relâmpago.
Relâmpago: Os relâmpagos são clarões que ocorrem devido a descargas elétricas normalmente associadas a tempestades e eventos climatológicos de grande intensidade, mas ocorrem também em tempestades de gelo, areia, erupções vulcânicas, explosões nucleares e até mesmo em
nuvens que não geram tempestades, apesar de que nesse último caso a intensidade dos relâmpagos é menor. Esse fenômeno ocorre devido ao que já está explicado no tópico “Formação de raios”. Importante notar que a maioria dos relâmpagos ocorre no interior das nuvens, mas existe relâmpagos entre nuvens, nuvem-ar e os raios que são relâmpagos que tocam o solo.
Referências:
SILVA, S. Elaine; A física dos relâmpagos e dos raios. Universidade Católica de Brasília. Pró-reitoria de Graduação. Trabalho de conclusão de Curso. Brasília 2007.
ANTUNES, Luísa. 9 Coisas que você precisa saber sobre os raios. Revista Superinteressante. Disponível em: