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Maio de Relatório de atendimento à Condicionante 19. LO 067/2010 UHE Irapé. Fundação Biodiversitas

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Academic year: 2021

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Projeto: MIGRAÇÃO, SÍTIOS DE DESOVA E

DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DUAS ESPÉCIES

POTENCIALMENTE MIGRADORAS DO RIO

JEQUITINHONHA: SUBSÍDIOS PARA AVALIAÇÃO DA

NECESSIDADE DE TRANSPOSIÇÃO NA UHE IRAPÉ

Fundação Biodiversitas

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Equipe que colaborou nas etapas do presente relatório:

David Reynalte Tataje - Fundação de Amparo a Pesquisa e Extensão Universitária –

UFSC. Doutor em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais pela Universidade

Estadual de Maringá

.

Evoy Zaniboni Filho - Professor na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

Fernanda de Oliveira Silva – Fundação Biodiversitas, Mestre em Ecologia,

Conservação e Manejo da Vida Silvestre – UFMG.

Fernando Mayer Pelicice – Professor na Universidade Federal do Tocantins – UFT

Francisco Ricardo de Andrade Neto - Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do

Ensino Superior do Norte de Minas – Fadenor/Unimontes. Mestre em Ecologia,

Conservação e Manejo da Vida Silvestre – UFMG.

Geoffrey McMichael

– Pesquisador Dr. no Pacific Northwest National Laboratory -

USA

Ivo Gavião Prado

-

Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa – Fundep/UFMG.

Mestre Ecologia Aplicada – Ufla

Luiz Gustavo da Silva – Professor na Universidade Federal São João Del-Rey – UFSJ.

Mitch Sisak – Gerente de suporte técnico da empresa Lotek, Canadá.

Raquel Coelho Loures Fontes – Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig.

Mestre Ecologia Aplicada – Ufla

Richard Brown – Pesquisador Dr. no Pacific Northwest National Laboratory - USA

Coletores de ictioplâncton:

João Gasparino Fernandes – Terra Branca

Anderson Gonçalves – Itira, Araçuaí

Tatiana Aparecida Pereira – Coronel Murta

José Nilson Gomes – Lelivéldia, Berilo

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Apresentação

O presente relatório apresenta o andamento das atividades do projeto de pesquisa MIGRAÇÃO, SÍTIOS DE DESOVA E DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DUAS ESPÉCIES POTENCIALEMENTE MIGRADORAS DO RIO JEQUITINHONHA: SUBSÍDIOS PARA AVALIAÇÃO DA NECESSIDADE DE TRANSPOSIÇÃO NA UHE IRAPÉ. Esse projeto foi demandado para atendimento da Condicionante 19, da LO067/2010 da UHE Irapé, que determina: Apresentar a

definição da necessidade de instalação do mecanismo de transposição de peixes.

Definição do desenho experimental do projeto

A região de estudo, que envolve trechos a montante e a jusante do barramento, possui diversas particularidades que tiveram que ser analisadas e consideradas para a definição de quais equipamentos utilizar e também sua disposição na área de estudo. Uma vez que essa definição é uma das mais importantes etapas do projeto, foi contratada uma consultoria de especialistas que são referência mundial nesse tipo de estudo para definição do melhor desenho experimental para a área.

Nesse trabalho foram realizados testes em laboratório e in situ com o objetivo de especificar as melhores tecnologias e com melhor custo benefício para atingir os objetivos do projeto. Devido às diferentes características dos trechos na região (reservatório com profundidades superiores a 200 metros e trecho a jusante com profundidades inferiores a 3 metros), foi definido o uso de duas tecnologias: Radio telemetria a jusante e telemetria acústica a montante. Também foram realizados testes de alcance para essas duas técnicas como forma de determinar o número de estações fixas necessárias em cada trecho de rio a ser estudado. Esse trabalho gerou a lista de equipamentos que se encontra em fase de aquisição. Uma vez que são todos equipamentos importados e que são manufaturados conforme as necessidades do projeto, o processo de aquisição possui muitas etapas e longo período até sua conclusão. Abaixo são descritas as fases dos testes realizados para se chegar ao desenho experimental final para a área.

1) Uso de ecossondagem no reservatório para verificar a profundidade máxima de permanência dos peixes.

Os testes de ecossondagem envolveram a delimitação de áreas para a realização de transectos conforme Figura 1. Esses transectos foram realizados próximo ao barramento e nos dois braços do reservatório, pertencentes aos rios Jequitinhonha e Itacambiruçu. Como resultado, pôde-se verificar presença de peixes em profundidades superiores a 30 metros (Figura 2).

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Figura 1: Áreas e transectos utilizados nos testes de ecossondagem.

Figura 2: Ecograma de um trecho do reservatório da UHE Irapé evidenciando a presença de peixes em profundidades superiores a 30m (destaque pelas elipses vermelhas).

2) Testes de detecção da amplitude do sinal

Esses testes foram realizados para ambos os métodos: radio telemetria e telemetria acústica. Foi considerado o melhor método aquele que garantisse a probabilidade máxima de captação do sinal e em maior distância nos trechos estudados (montante e jusante). Os testes se basearam na colocação do transmissor a diferentes profundidades e distâncias do receptor de modo a registrar os limites de captação do sinal (Figuras 3-A e 3-B).

- Radio telemetria: a jusante da UHE Irapé os transmissores puderam ser detectados a uma distância de cerca de 300 metros quando dispostos em profundidades inferiores a 5 m. Quando a profundidade foi aumentada para 10 m, a distância de detecção reduziu consideravelmente para cerca de 90 m. Profundidades superiores a 15 metros os transmissores não puderam ser detectados. No reservatório o sinal só pôde ser detectado quando o transmissor esteve em profundidades inferiores a 5 m, com a melhor detecção a uma distância de 90 m.

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- Telemetria acústica: No reservatório o sinal dos transmissores puderam ser detectados em até 300 metros de distância do receptor. Esses transmissores estavam dispostos em profundidades superiores a 10 metros. No canal de fuga, devido as características turbulentas da água, a faixa de detecção reduziu-se pela metade, com sinais consistentes sendo detectados até 150 m.

Figura 3-A: Imagens de satélite demonstrando os caminhos realizados durante os testes de detecção a montante e a jusante da barragem da UHE Irapé.

Forebay Tests

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Actual Forebay Tests

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Actual Spillway Tests

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Figura 3-B: Imagens das diferentes fases dos testes realizados para definição da tecnologia e disposição dos equipamentos na área de estudo. Foto superior esquerda: Disposição dos transmissores na coluna d’água. Foto superior direita: Imagem do receptor acústico utilizado nos testes. Foto inferior esquerda: Teste de alcance com rádio telemetria evidenciando a antena utilizada para captação do sinal. Foto inferior direita: Conexão do receptor recepção de acústica (hidrofone) ao computador para recepção dos sinais de acústica.

Amostragem de ictioplâncton

O levantamento de sítios de reprodutivos foi realizado por meio da coleta de ictioplâncton em 5 pontos amostrais distribuídos na região de estudo. Esses pontos encontram-se no quadro abaixo:

Ponto de coleta de ictioplâncton Coordenada Geográfica

Rio Jequitinhonha imediatamente a jusante da UHE Irapé 16°44'25.49"S

42°34'9.12"W

Rio Jequitinhonha a jusante do barramento, em Coronel Murta 16°37'27.87"S

42°15'51.28"W

Rio Jequitinhonha a montante do barramento, em Terra Branca 17°18'47.79"S

43°12'19.57"W

Rio Jequitinhonha, imediatamente a montante da foz do rio Araçuaí 16°45'43.89"S

42° 0'38.30"W

Rio Araçuaí em sua foz, no distrito de Itira 16°45'47.08"S

42° 0'35.34"W

A amostragem foi feita por membros das comunidades ribeirinhas. Essas pessoas foram contratadas pelo projeto para realizarem as coletas a cada três dias entre os meses de

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dezembro/13 e fevereiro/14. Uma vez que não possuíam conhecimento do método de amostragem, foi realizado inicialmente o treinamento desses coletores (Figura 4).

Figura 4: Treinamento realizado com moradores ribeirinhos sobre método de amostragem de ictioplâncton.

As coletas foram realizadas ao anoitecer (20:00h) e utilizando-se coletores passivos do tipo redes de deriva. Em cada ponto amostral foi feita uma coleta de superfície. As redes permaneceram submersas contra a correnteza por 10 minutos e fluxômetros foram acoplados nas aberturas das redes para registro do volume amostrado. O material coletado foi fixado em formol 4% e enviado para o Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce (LAPAD), da Universidade Federal de Santa Catarina. Nesse laboratório as amostras estão sendo triadas e a identificação das larvas realizada ao menor nível taxonômico possível, de acordo com referência especializada (Figura 5).

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Embora o material ictioplanctônico ainda esteja em fase de análise, dados preliminares indicam a presença de sítios reprodutivos das duas espécies alvo do estudo (curimba e piapara) a montante e a jusante do barramento (Figura 6). Após triagem e identificação do material, serão realizados cálculos de densidade e relações com variáveis ambientais.

A identificação morfológica de fases iniciais de desenvolvimento dos peixes é complexa, mesmo para especialistas. Essa situação é agravada em regiões onde o conhecimento sobre essas fases iniciais é escasso ou mesmo inexistente, como no caso do rio Jequitinhonha. Dessa forma, pretende-se realizar coletas específicas para análises genéticas, com o objetivo de confirmar as identificações realizadas.

Figura 6: Imagens de ovos e larvas coletados nas amostragens realizadas entre dezembro/13 e fevereiro/14 na região de estudo. A - larva de Prochilodus sp. B – Larva de Leporinus elongatus. C – Ovos de Prochilodus sp.

Definição de pontos de instalação de hidrofones e estações fixas

Esses pontos foram escolhidos por meio de imagens de satélite, em locais onde havia estrangulamento do rio/reservatório. Esses locais aumentam a probabilidade de detecção do sinal, uma vez que possuem menor área. Baseando-se da largura desses trechos e nos resultados dos testes de distância de detecção, pôde-se determinar o número de estações fixas (rádio e acústica) em cada ponto de monitoramento.

Cronograma de atividades

Conforme já justificado previamente, atrasos na contratação e liberação do recurso financeiro levaram a atrasos no cronograma de atividades do projeto. Dessa forma, segue novo cronograma para acompanhamento.

A

B

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Tabela 2: Novo cronograma de atividades do projeto. 2013 2014 2015 2016 Etapa Ações 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Definição da técnica e desenho experimental Definição do desenho experimental e dos equipamentos a serem utilizados X Aquisição de Equipamentos e instalação das estações fixas Aquisição dos equipamentos de telemetria X X X X X X Instalação das estações

fixas X X X Marcação de Peixes Campanhas de captura e marcação de peixes X X X Campanhas de conscientização (devolução marcas) X X X X X X X X X X X X X X X X X X Rastreamento dos peixes Rastreamento embarcado X X X X X X X X X X X X X Rastreamento aéreo X X X Coletas de ovos, larvas e alevinos

Seleção e contratação dos

coletores ovos/larvas X X Treinamento dos coletores X X Coletas de ovos e larvas X X X X X X X X X Coletas de alevinos X X X X X X X X Processamento de

amostras

Processamento das

amostras de ovos e larvas X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Processamento das amostras de alevinos X X X X X X X X X X X Análise de dados e elaboração de relatórios Tabulação e análise de dados X X X X X X X X X X X X X Elaboração de relatórios X X X X X X X X X

Referências

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