PROJETO EDUCATIVO PRÉ-ESCOLAR
2019/2022
2 Projeto Educativo Pré-Escolar
ÍNDICE
ÍNDICE ...2
1.INTRODUÇÃO ...4
2. ONDE ESTAMOS? ...5
2.1. História e Geografia ...5
2.2. O seu Património ...6
3. QUEM SOMOS? ...8
3.1. Caracterização do Contexto de Intervenção ...8
3.1.1. Suporte Jurídico ... 10
3.1.2. Horário ... 10
3.1.3. Oferta Educativa ... 10
3.2. Finalidades Educativas – Valores e Modelos Curriculares ... 11
3.3. Caraterização do Pessoal Docente / Não Docente ... 13
3.4. Caraterização do Pessoal Não Docente ... 13
4. O QUE PRETENDEMOS? ... 15
4.1. Missão, Objetivos e Princípios Orientadores... 15
4.2. Objetivos do Projeto Educativo ... 19
5. QUAL A SITUAÇÃO ONDE NOS ENCONTRAMOS? ... 23
5.1 Diagnóstico ... 23
6. DE QUE MEIOS DISPOMOS? ... 25
6.1. Recursos Humanos ... 25
6.2. Recursos Materiais ... 25
6.3. Espaços ... 25
6.3.1. Espaços Interiores ... 25
6.3.2. Espaços Exteriores ... 26
7. PROJETO EDUCATIVO... 26
8. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E PLANO DE AÇÃO... 27
8.1 Avaliação Das Aprendizagens Da Criança ... 28
9. PROFISSIONALIDADE 2019/2020 ... 31
9.1 Plano De Ação ... 33
10. MULTICULTURALIDADE 2020/2021 ... 35
10.1 Plano De Ação ... 38
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11.
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL 2021/2022 ... 40
11.1 Plano De Ação ... 43
12. PLANO DE INFORMAÇÃO NA ÁREA DA PARENTALIDADE... 45
13. OBJETIVOS E AVALIAÇÃO DO PROJETO ... 48
14. FORMAS DE DIVULGAÇÃO DO PROJETO ... 50
15. CONCLUSÃO ... 51
16. BIBLIOGRAFIA ... 52
4 Projeto Educativo Pré-Escolar
1.INTRODUÇÃO
Tem-se por definição de Projeto Educativo como sendo:
… um documento que consagra a orientação educativa do agrupamento de escolas (...) elaborado e aprovado pelos seus órgãos de administração e gestão para um horizonte de três anos, no qual se explicitam os princípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais o agrupamento de escolas se propõe cumprir a sua função educativa Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de abril (artigo 9.º, alínea a)
Como tal, este tipo de projeto apresenta-nos uma visão macro do que a instituição pretende e idealiza fazer, constituindo, por isso, uma direção, um rumo para as ações educativas.
A concretização destas ações envolve três dimensões: a investigação (identificação de elementos e variáveis na situação a melhorar); a autonomia (do sujeito, do seu desenvolvimento e reforço) e a aparência (articulação entre o real e o ideal, assim como a articulação entre ações, não só no interior do próprio projeto mas também relativos a outros projetos).
O Projeto Educativo da Educação Pré-Escolar assume-se assim como a génese, o fio condutor e o produto final de todo o processo educativo. Ele parte da identidade da Instituição e articula-a com as necessidades contextuais, organizacionais e específicas da mesma e com os objetivos curriculares e não curriculares definidos, tendo como meta a mudança e a inovação.
O documento aqui apresentado procura responder às questões que o envolvem, tendo em conta três dimensões: educativa, curricular e organizativa.
De notar por fim que, considerando as questões da atualidade de maior relevância, algumas das quais importam ser destacadas e tratadas no âmbito do processo educativo em geral (isto é, formativo ou não), fazemos especial referência às temáticas:
profissionalidade, multiculturalidade e sustentabilidade ambiental.
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2.
ONDE ESTAMOS?
2.1. História e Geografia
A Academia Ramos Pinto situa-se na Rua das Arroteias, nº 302, em Rio Tinto.
A cidade de Rio Tinto tem o seu nome ligado ao rio que a atravessa, havendo mesmo uma lenda que explica o seu topónimo.
É uma cidade portuguesa pertencente ao município de Gondomar, distrito do Porto e Região do Norte, elevada à mesma categoria em 21 de Junho de 1995, onze anos depois de ter sido elevada a vila. Constituída por duas freguesias, Rio Tinto com 9,38 km² de área e 50 713 habitantes (censo de 2011) e Baguim do Monte com 5,46 km² de área e 14 102 habitantes (2011). O seu município, Gondomar, integra a Área Metropolitana do Porto (Associação de Municípios da área do grande Porto).
O rio atravessa a freguesia sensivelmente a meio, numa orientação aproximada Norte-Sul. Nasce em Ermesinde, muito perto do limite norte da freguesia e é a principal, e quase única, linha de água que existe na localidade. Durante séculos, o rio forneceu à população água e peixe. As lavadeiras ganhavam a vida nas suas águas e nas suas margens proliferavam moinhos cujos moleiros disputavam com os lavradores as águas da rega.
Durante as últimas décadas do século XX, o Rio Tinto foi vítima de diversos crimes ecológicos, no entanto, atualmente luta-se pela sua preservação e valorização do seu leito e das suas margens.
A povoação de Rio Tinto é anterior à criação do reino de Portugal. O lugar pertencia ao antigo julgado da Maia, o qual se identificava pela existência de um antigo convento de Agostinhas, a atual Quinta das Freiras, que foi fundado em 1062. D.
Afonso Henriques, após a criação do reino de Portugal, protegeu-o e deu-lhe foro de couto a 20 de Maio de 1141, um foro que os posteriores monarcas foram renovando.
Do mosteiro que caracterizava e dava importância ao couto de Rio Tinto nada resta
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atualmente. Sabe-se, porém, que foi extinto a 6 de Janeiro de 1535, ficando com os seus privilégios o Mosteiro Beneditino de Avé Maria, no Porto.
A freguesia de Rio Tinto deve grande parte do seu crescimento por ter inicialmente funcionado como dormitório. A sua proximidade com o Porto ajudou ao seu desenvolvimento e, por isso atualmente, mais do que uma terra para onde as pessoas se deslocam apenas ao fim do dia, atingiu também uma identidade própria.
No que se refere à educação, Rio Tinto possui vários jardins-de-infância da rede pública e da rede privada; vários estabelecimentos do 1.º Ciclo; dois estabelecimentos do 2.º e 3.º Ciclo; e uma Escola Secundária.
Existem em Rio Tinto algumas dezenas de coletividades que têm ao longo dos anos desenvolvido teatro, poesia e diversificadas atividades desportivas que muito dignificam Rio Tinto. Detém também o Parque Urbano de Rio Tinto, que foi inaugurado no dia 21 de junho de 2018, no qual é possível usufruir de equipamentos de lazer, de um anfiteatro, de uma esplanada, e de equipamentos desportivos.
2.2. O seu Património
Rio Tinto é hoje em dia um destino turístico onde as tradições nos oferecem momentos de prazer pela diversidade e riqueza do seu património artístico, de lazer, histórico e cultural.
Uma das particularidades de Rio Tinto é a Fábrica de Fundição de Sinos, que conta com cerca de 100 anos de existência e é uma das únicas em funcionamento no nosso país.
O património artístico de Rio Tinto traduz os verdadeiros ecos do passado que são motivos de procura no presente, dos quais destacamos as Igrejas com talha dourada e lindos azulejos, como é o caso da Igreja Matriz (datada de 1769) e a Capela de Nossa Senhora da Lapa (de meados do século XVIII).
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Ao passar na Estação de Caminhos de Ferro de Rio Tinto não poderá passar indiferente à Arte de Azulejaria, num magnífico conjunto de painéis de azulejos, datados de 1936, da autoria do pintor João Alves de Sá que retratam um pouco da vida de Rio Tinto bem como a lenda que deu origem ao nome da Freguesia.
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3.
QUEM SOMOS?
3.1. Caracterização do Contexto de Intervenção
A Academia Ramos Pinto é um estabelecimento de ensino privado e conta com um Projeto Educativo inovador, orientado para a qualidade e excelência.
A Educação Pré-Escolar é composta por três salas de intervenção:
• Duas Salas de Atividades Mistas que acolhem crianças com idades compreendidas entre os três e os seis anos. Estas salas estão equipadas com instalações sanitárias adaptadas às idades das crianças que as frequentam;
• Uma sala polivalente, também ela equipada com instalações sanitárias adaptadas;
• Existe ainda um espaço exterior para desfruto dos dois grupos da Educação Pré- Escolar.
Paralelamente às salas de atividades é importante também destacar outros espaços.
Os corredores de acesso às salas facilitam a mobilidade das crianças e dos adultos.
Junto à entrada de cada sala de atividades estão dispostos os cabides das crianças, que estão posicionados a uma altura de fácil acesso das crianças, como forma de proporcionar autonomia e responsabilização destas perante os seus pertences, pois tal como é referido nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar “… a independência das crianças passa também por uma apropriação do espaço que constitui a base de uma progressiva autonomia…” (DEB, 2002:53)
A sala polivalente é um espaço amplo e arejado, na qual é feito o acolhimento e o prolongamento da tarde. Na mesma existe um ponto de água, com objetivo de tornar as crianças autónomas na satisfação das suas necessidades. No corredor adjunto a sala polivalente, existem ainda casas de banho para adultos e para crianças, bem como uma casa de banho para pessoas com mobilidade reduzida.
O refeitório destina-se a servir as crianças da Instituição da qual fazem parte, pode
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ainda ser utilizado pelo pessoal docente e não-docente que exerce funções na mesma.
A cozinha possui diversos equipamentos destinados à confeção dos alimentos de modo a garantir a alimentação das crianças e dos funcionários da Instituição. Este espaço conta também com uma despensa que se destina ao armazenamento de produtos alimentares utilizados no dia-a-dia.
A Instituição tem dois halls de entrada, neste espaço são afixadas informações de foro geral destinadas a todos os intervenientes da instituição.
O gabinete médico é outro dos espaços presentes nesta Instituição, com o objetivo de prestar os primeiros socorros sempre que necessários a eventuais acidentes ou doenças.
Possui ainda um espaço exterior onde as crianças podem ter contacto com a Natureza, pois é fundamental existir uma ligação do espaço interior aos espaços exteriores, uma vez que ambos quando complementados são espaços potencializadores e ricos em experiências e em conhecimento para as crianças, sendo essenciais para o seu desenvolvimento. No mesmo local existe uma horta pedagógica na qual são desenvolvidas atividades ao longo ano.
Posto isto, podemos afirmar que
... o espaço na educação constitui-se como uma estrutura de oportunidades (…) uma condição externa que favorecerá ou dificultará o processo de crescimento pessoal e o desenvolvimento das atividades instrutivas. Será facilitador, ou pelo contrário limitador em função do nível de congruência relativamente aos objetivos e dinâmica geral das atividades postas em marcha ou relativamente aos métodos educativos e instrutivos que caracterizam o nosso tipo de trabalho.
(Zabalza, 2001:120)
É neste sentido, que se torna então fundamental criar oportunidades diversas de aprendizagem, tirando o máximo partido do espaço disponível para o desenvolvimento das crianças, adaptando e readaptando os espaços e materiais disponíveis para enriquecer o processo educativo.
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3.1.1. Suporte Jurídico
A Academia Ramos Pinto funciona ao abrigo da Licença de Funcionamento nº 88 / EPC / NORTE / 2020.
3.1.2. Horário
A Academia Ramos Pinto funciona 12 meses por ano, de 2ª a 6ª feira, encerrando nas seguintes datas:
• Fins-de-semana e feriados nacionais;
• Feriado municipal do Porto: 24 de junho;
• Natal: 24 e 31 de dezembro (férias dos colaboradores);
• Dia de Carnaval.
Horário de funcionamento da Instituição: 07h30m às 19h45
Horário da Secretaria: Manhã: 09h00m às 13h00m // Tarde: 14h00m às 17h30m Horário Letivo:
• Pré-Escolar: 9h às 12h // 13h às 15h
* As refeições (almoço, lanche da tarde e reforços alimentares) são fornecidas pela Instituição, sendo que serão sempre ajustadas a cada criança, mediante a sua necessidade.
3.1.3. Oferta Educativa
Atividades integradas no Currículo:
• Expressão Musical;
• Expressão Físico-Motora;
• Iniciação ao Inglês.
A Academia Ramos Pinto disponibiliza igualmente às crianças atividades extracurriculares opcionais:
• Escola de Futebol;
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• Ginástica Acrobática;
• Dança Criativa
• Karaté.
Esta instituição assegura ainda um serviço de transporte de crianças para casa, se solicitado.
3.2. Finalidades Educativas – Valores e Modelos Curriculares
“No modelo de gestão atual, a comunidade tem uma participação ativa na definição e no desenvolvimento da escola, em larga medida, por via da intervenção dos seus representantes no conselho geral.” (GRILO, M., 2006:9)
É do conhecimento geral que o estreitamento de laços entre a escola e a comunidade acaba por gerar benefícios a todos, para além de restabelecer e relação de respeito e de confiança para com a escola e de promover a sua valorização junto da sociedade.
“A educação de um povo só em parte é feita pela Escola. Ela opera-se, desde tenra idade, e pela vida fora, no seio da família, da comunidade, da classe social.” (Idem, 2006:10)
A Escola, como instituição intencional, complementa-se a esses outros atores educativos. É considerado um reforço, através da valorização do conhecimento, que pretende completar, harmonizar e tornar mais consciente a cultura, como processo natural de transmissão. Visa-se, através desta, capacitar cada uma das nossas crianças para o exercício da cidadania, estimulando o seu sentido crítico, consciencializando-os dos seus deveres e direitos e incentivando-os a atuar como agentes de mudança.
Tal é conseguido através de modelos pedagógicos, que se baseiam num referencial teórico para conceptualizar a criança e o seu processo educativo, constituindo por sua vez um referencial prático para pensar antes da ação, na ação e sobre a ação. (OLIVEIRA, F., 2007:34).
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Desta forma, absorvemos diferentes modelos, práticas e saberes, com o intuito de retirar o que há de melhor neles, visto que não existe uma receita pré-concebida para educar.
A nossa conceção de identidade educacional não é algo linear e estanque, vai sendo construída passo a passo, isto porque
… os filhos dos humanos não são plantas com uma única forma natural de crescer. São seres com ricas e variadas possibilidades, tendo possibilidade, em última instância de guiarem o seu próprio desenvolvimento. Podem aprender a ter consciência dos poderes das suas próprias mentes e decidir para que fins irão usá-las. No entanto não podem fazer isto sem ajuda.
(DONALSON,1978:128) Assim, alguns dos modelos curriculares desenvolvimentistas e construtivistas que o grupo de Educadoras da instituição privilegia na realização do seu trabalho, são:
• Modelo Curricular High/Scope;
• Modelo Curricular da Escola Moderna;
• Metodologia de Projeto;
• Modelo Curricular Reggio Emila;
É com base nestes modelos curriculares que pretendemos ser reconhecidos como Instituição que, a par de um constante esforço e melhoria, incentiva todos os envolvidos na educação de uma criança, a participar de forma ativa, colaborativa, como iguais e como parceiros.
Deste modo, os valores que norteiam o dia-a-dia da ação educativa de toda a comunidade escolar passam por:
Figura 1 – Valores da Ação Educativa da Academia Ramos Pinto
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3.3. Caraterização do Pessoal Docente / Não Docente O Corpo Docente da Instituição é constituído por:
• 1 Diretor
• 1 Coordenador Pedagógico da Educação Pré-Escolar;
• 2 Educadoras na Educação Pré-Escolar;
• 3 Auxiliares de Ação Educativa
• 1 Cozinheira
• 1 Ajudante de Cozinha
3.4. Caraterização do Pessoal Não Docente
O Corpo Não-Docente é constituído por 5 Auxiliares de Ação Educativa. Todos eles estão em estreita relação com as crianças, como tal, têm direitos e deveres que vão de encontro ao estipulado no Regulamento Interno da Academia Ramos Pinto, mas que, acima de tudo, têm diretivas específicas que obedecem aos pressupostos pedagógicos da Instituição e que visam um crescimento sustentado e equilibrado das crianças, a todos os níveis.
Encontra-se abaixo o organograma da instituição, representado pela Figura 2 – Organograma da Academia Ramos Pinto.
14 Projeto Educativo Pré-Escolar
Figura 2 – Organograma da Academia Ramos Pinto Direção
Direção Administrativa
Serviços
Cozinha Manutenção e
Limpeza Serviços
Administrativos Secretaria
Direção Pedagógica
Corpo Docente
Coordenadores
Educadores
Corpo não Docente Auxiliares de Ação Educativa
15 Projeto Educativo Pré-Escolar
4. O
QUE PRETENDEMOS?
4.1. Missão, Objetivos e Princípios Orientadores
Como em qualquer projeto que se visa implementar, importa, em primeiro lugar, designar quais os princípios orientadores que o sustentam, fundamentando quaisquer objetivos ou metas delineadas as quais, por sua vez, irão orientar toda a ação precedente.
Assim é necessário, no presente capítulo, evidenciar alguns dos mais relevantes pressupostos teóricos que nos sustentam, ilustrando os pilares sobre os quais a nossa prática se encontra assente.
Com base no carácter educacional da nossa Instituição, destacam-se alguns documentos normativos que enunciam os objetivos e princípios sobre os quais a educação deve assentar. São eles: Lei Bases do Sistema Educativo, Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar e Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar.
Educação é um processo contínuo ao longo de toda a vida, no qual interferem diversos atores educativos, desde a família, à comunidade, passando pelo sistema educativo.
O Sistema Educativo em que nos encontramos atualmente tem por objetivo concretizar o direito à educação, garantindo “uma permanente ação formativa orientada para favorecer o desenvolvimento global da personalidade, o progresso social e a democratização da sociedade.” (Lei nº 46/86)
Assim, enquanto instituição educativa, consideramos alicerces da nossa prática pedagógica os princípios e valores mencionados na Lei de Bases do Sistema Educativo, de entre os quais destacamos:
Contribuir para a realização do educando, através do pleno desenvolvimento da personalidade, da formação do carácter e da cidadania;
• Assegurar a formação cívica e moral dos jovens;
16 Projeto Educativo Pré-Escolar
• Assegurar o direito à diferença, respeitando personalidades, saberes e culturas;
• Desenvolver a capacidade para o trabalho, proporcionando a ocupação de um lugar na vida ativa da sociedade (de acordo com os seus interesses, capacidades e vocação);
• Contribuir para a realização pessoal e comunitária dos indivíduos;
• Assegurar a igualdade de oportunidade para ambos os sexos;
• Promover a participação democrática dos intervenientes educativos (designadamente alunos, docentes e famílias), no processo de gestão do sistema escolar e experiência pedagógica quotidiana.
Em concordância com o supracitado, e tal como nos diz a Lei-Quadro, a educação pré-escolar é tida como a ‘primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da ação de família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário”
(Lei n.º 5/97).
Assim, sustentado nestes pressupostos basilares da educação, surge a missão da Academia Ramos Pinto:
EDUCAÇÃO DE EXCELÊNCIA
Em educação de infância, o desenvolvimento e a aprendizagem não podem ser separados.
As relações e as interações que a criança estabelece com os outros e as experiências que vivencia são oportunidades de aprendizagem que contribuem para o seu desenvolvimento. Assim, a aprendizagem influencia e é influenciada pelo processo de desenvolvimento físico e psicológico da criança.
Os Fundamentos e Princípios da pedagogia para a infância, expressos nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, são a base para o desenvolvimento da ação pedagógica na educação de infância. Consideram a
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qualidade do clima relacional e reforçam que cuidar e educar estão intimamente interligados.
Esta perspetiva inspira-se nos direitos reconhecidos às crianças pela Convenção Internacional dos Direitos da Criança e assenta em 4 Princípios e Fundamentos que se interligam entre si:
1. O desenvolvimento e a aprendizagem como vertentes indissociáveis do processo de evolução da criança e para que as crianças desenvolvam todas as suas potencialidades.
É essencial considerar que o desenvolvimento e a aprendizagem não são um processo igual para todas as crianças da mesma idade, porque este é influenciado pelas experiências proporcionadas através das interações que a criança estabelece com os outros e com o meio familiar e cultural que a rodeia.
É importante ter consciência de que cada criança é um ser único com características, capacidades e interesses próprios, com um processo de desenvolvimento singular e formas próprias de aprender.
2. O reconhecimento da criança como sujeito e agente do processo educativo, neste sentido, desde que nascem, as crianças são curiosas e têm um papel ativo nas interações que estabelecem com os outros, com os objetos e com o mundo que as rodeia.
O papel ativo da criança na construção do seu desenvolvimento e aprendizagem implica ser considerada competente e cidadã com direito a ser escutada e as suas opiniões serem tidas em conta, participando no seu processo de aprendizagem.
3. A exigência de resposta a todas as crianças, para que estas tenham o direito a uma educação de qualidade e aplica-se a todas as crianças, independentemente das suas características, língua materna, cultura, género, diferenças a nível cognitivo, motor ou sensorial, garantindo o direito de todas a uma maior igualdade de oportunidades de aprendizagem e de sucesso.
18 Projeto Educativo Pré-Escolar
Os profissionais de educação respeitam as características individuais das crianças, quando adotam práticas pedagógicas diferenciadas num ambiente inclusivo e encaram a diversidade como um meio privilegiado para enriquecer as experiências e oportunidades de aprendizagem de cada criança e do grupo.
4. A construção articulada do saber, ou seja, o desenvolvimento e a aprendizagem processam-se de uma forma holística, não se podendo separar as dimensões socio emocionais, motoras e cognitivas do desenvolvimento, nem diferentes áreas de aprendizagem, como a linguagem, a matemática ou o conhecimento do mundo.
Esta aprendizagem holística revela-se no brincar, que decorre da curiosidade natural das crianças, do seu interesse em explorar e interagir com os outros e os objetos.
Brincar é um direito da criança, reconhecido pela Convenção Internacional dos Direitos da Criança, e um meio privilegiado de aprendizagem, havendo uma continuidade e complementaridade entre brincar e as aprendizagens que realiza.
Assim, com base nestes fundamentos, o desenvolvimento curricular é da responsabilidade do educador, e deverá ter em consideração os objetivos gerais enunciados na Lei-quadro de Educação Pré-Escolar; a organização do ambiente educativo que comporta diferentes níveis de interação; a organização do grupo, do espaço e do tempo; a organização do estabelecimento educativo; a relação com os pais e com os restantes parceiros educativos as três áreas de conteúdo que constituem as referências gerais, considerando o planeamento e a avaliação das situações e de oportunidades de aprendizagem.
Síntese Princípios Orientadores O que fazemos?
• Desempenhamos um papel de complementaridade relativamente a outros atores educativos (família, comunidade)
19 Projeto Educativo Pré-Escolar
• Procuramos a participação de todos os intervenientes ao longo de todo o processo educativo
• Estimulamos o desenvolvimento e aprendizagem dos educandos, de forma integral e integrada
• Favorecemos a qualidade do clima relacional, onde educar a cuidar estão intimamente relacionados
Como fazemos?
• Reconhecendo a criança como sujeito ativo na sua aprendizagem e desenvolvimento
• Promovendo a igualdade de oportunidades
• Atendendo aos interesses, capacidades e vocação de cada uma
• Fomentando uma ação pedagógica holística, onde aprendizagem e desenvolvimento são indissociáveis
Para que fazemos?
• Educar para a cidadania
• Fomentar um papel na sociedade ativo e autónomo
• Desenvolver a personalidade de cada criança, bem como o carácter cívico e moral
• Facilitar a inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário
• Promover a realização pessoal e comunitária de cada educando
4.2. Objetivos do Projeto Educativo
Após caracterização dos princípios orientadores que alicerçam a nossa atividade pedagógica, interessa definir que objetivos nos propomos alcançar durante o período letivo trianual em que o presente projeto se encontra regente.
Tendo por base a identidade e características desta instituição, assim como meio em que ela se insere e respetivos intervenientes da ação educativa, serão delineadas, de forma contextualizada, linhas orientadoras do processo educativo que nos propomos realizar.
Deste modo, definem-se de seguida um conjunto de objetivos que têm por
20 Projeto Educativo Pré-Escolar
finalidade dar corpo aos princípios acima supracitados, permitindo simultaneamente uma resposta ajustada às necessidades e potencialidades específicas da nossa Instituição.
Destacam-se, primeiramente, Objetivos Gerais da Instituição, para, posteriormente, definir Objetivos Específicos, referentes ao processo educativo a concretizar.
OBJETIVOS GERAIS
• Articular o presente Projeto Educativo com Projetos de Sala, bem como Plano Anual de Atividades e todas as atividades curriculares e extracurriculares da Instituição;
• Articular os referidos documentos reguladores com os princípios e objetivos da Instituição;
• Otimizar serviços e espaços físicos, visando um melhor serviço à comunidade envolvente;
• Criar um clima organizacional, onde as relações interpessoais permitam uma constante adaptação, no sentido de uma melhoria progressiva;
• Fomentar a participação ativa de todos os elementos da comunidade envolvente, docentes e não docentes, promovendo o trabalho coletivo;
• Melhorar os fluxos de comunicação entre os diversos intervenientes do processo educativo, no sentido de uma maior harmonia e interligação entre as várias partes;
• Criar condições que garantam a segurança, saúde e desenvolvimento de todas as crianças;
• Desenvolver uma dinâmica reflexiva e avaliativa do desempenho da Instituição, com a finalidade de regular e melhorar o seu funcionamento;
• Partilhar com toda a comunidade princípios e metas preconizadas para a Instituição.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Promover o desenvolvimento integral e integrado da criança, numa perspetiva de educação para a cidadania;
• Fomentar e favorecer uma progressiva consciência das crianças como membros integrantes da sociedade;
• Incentivar a igualdade de oportunidades para todos;
21 Projeto Educativo Pré-Escolar
• Fomentar o desenvolvimento dos educandos, com base numa perspetiva construtiva da aprendizagem, respeitando as opiniões, interesses, necessidades e capacidades de cada um;
• Favorecer aprendizagens significativas e diferenciadas;
• Incutir a participação das famílias e encarregados de educação, apresentando diversas estratégias que envolvam os diversos intervenientes no processo educativo, de forma ativa;
• Promover diversas vertentes do saber, tais como: Saber-ser, Saber-estar, Saber- fazer;
• Desenvolver, através de linguagens múltiplas, a expressão e a comunicação como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo;
• Proporcionar às crianças ambientes e oportunidades de aprendizagem de natureza diversificada, que lhes permitam a exploração das suas capacidades e interesses;
• Promover o enriquecimento cultural e humano dos educandos, através do contacto com a comunidade exterior, nomeadamente participação em concursos, projetos nacionais, visitas de estudo, eventos solidários, entre outros;
• Desenvolver o espírito crítico que permita refletir sobre a realidade que os rodeia;
• Incutir a disciplina e respeito pelo outro;
• Fomentar a autoestima e autonomia das crianças, através do reforço positivo;
• Assegurar igualdade de oportunidades para todas as crianças, designadamente no caso de diferentes culturas, dificuldades de aprendizagens e/ou necessidades educativas especiais;
• Assegurar atividades extracurriculares que representem uma mais-valia para os educandos, do ponto de vista intelectual, físico, cognitivo ou artístico;
• Sensibilizar as crianças para a defesa do ambiente e preservação da natureza e património;
• Incutir e incentivar o gosto pela atividade física e alimentação saudável;
É nosso intuito, portanto, que a ação pedagógica integre estes objetivos acima mencionados, em consonância com a temática escolhida para este período trianual – Educar para o Futuro: a Profissionalidade, a Multiculturalidade e a Sustentabilidade –
22 Projeto Educativo Pré-Escolar
,
contextualizando e adequando-se às características e princípios que nos definem enquanto Instituição de ensino.
23 Projeto Educativo Pré-Escolar
5.
QUAL A SITUAÇÃO ONDE NOS ENCONTRAMOS?
De acordo com o que se expôs anteriormente, a Missão da Academia Ramos Pinto é a Educação de Excelência, direcionada para a cidadania, num ambiente diversificado, acolhedor e seguro, onde se destaca a igualdade de oportunidades e se valorizam as capacidades e os interesses de cada criança.
Para tal, é crucial uma constante aprendizagem baseada na observação, na planificação, na avaliação, na reflexão, em ajustamentos e em reajustamentos, no sentido da mudança e da melhoria educativa.
5.1 Diagnóstico
O processo de diagnóstico considera-se determinante para o Projeto Educativo, pois define as linhas orientadoras, as metodologias, estratégias e atividades a serem desenvolvidas na Academia Ramos Pinto.
Após a análise da caracterização de contexto de intervenção, bem como da missão institucional, dos valores e objetivos, considera-se que a Instituição cumpre de forma positiva a sua função educativa, tendo-se identificado as potencialidades e as fragilidades comuns a todas as valências da mesma.
Na área das potencialidades, a Instituição, através da sua própria ação e da sua interação com o meio envolvente, tem visto o seu desenvolvimento ser cada vez mais consistente e promotor de uma educação de excelência. Ao longo dos anos, o trabalho realizado pelos docentes e não docentes da instituição demonstram condições favoráveis que devem ser consideradas, continuadas e reforçadas, sendo que se destacam as seguintes:
• Oferta crescente de atividades lúdico-pedagógicas;
• Estabilidade do corpo docente e não docente;
• Inclusão da família em diferentes atividades direcionadas ao acompanhamento
24 Projeto Educativo Pré-Escolar
e
desenvolvimento da criança, nomeadamente a utilização da plataforma de informação
“Educabiz”;
• Gosto demonstrado pela Instituição, por parte das crianças, devido ao trabalho realizado pela equipa pedagógica, sobre a integração e criação de laços afetivos;
• A Instituição integra-se no meio envolvente, onde explora as suas potencialidades, tais como património histórico, natural e cultural;
• Variedade de profissões dos Encarregados de Educação;
• Aumento do número de crianças de nacionalidades diferentes;
• Proximidade de ecopontos e de serviços intermunicipalizados de gestão de resíduos do Grande Porto, tal como a Lipor;
• Motivar as crianças para aprendizagens que têm como base as várias profissões.
• Consciencializar as crianças para a globalização.
Na área das fragilidades, também foram identificados alguns aspetos em que será necessário existir uma melhoria e definir assim uma área de trabalho de forma a colmatar essas mesmas necessidades. Assim, verifica-se:
• Inexistência de um parque de estacionamento destinado apenas à Instituição;
• Melhorar a prática de Redução, Reutilização, Reciclagem e Recuperação de resíduos;
• Desconhecimento dos costumes e culturas de outras nacionalidades;
• A falta de informação sobre os diferentes ofícios/profissões dos elementos da comunidade educativa;
• Necessidade de implementar a multiculturalidade com a chegada de meninos de diversas nacionalidades e culturas;
• Carência de ações de formação destinada ao corpo docente e não docente da Instituição, bem como aos pais e Encarregados de Educação das crianças;
Após a análise das potencialidades e das fragilidades/necessidades da Instituição, verificou-se que uma forma de ação passaria pela Educação Profissional, Cultural e Ambiental.
25 Projeto Educativo Pré-Escolar
6. DE
QUE MEIOS DISPOMOS?
6.1. Recursos Humanos
• Crianças;
• Corpo Docente e Não Docente;
• Pais/Encarregados de Educação;
• Membros da comunidade envolvente;
• Serviços e Instituições envolventes
• Autarquia, Junta de Freguesia.
6.2. Recursos Materiais
• Câmara fotográfica e de vídeo;
• Televisões, vídeos;
• Projetor;
• Instrumentos musicais diversos;
• Bibliotecas de sala;
• Computadores e impressoras;
• Material de desperdício;
• Papel de cenário, cartolinas, celofane, lustro…
• Tintas, pinceis, colas, tesouras…
• Panfletos de publicidade;
• Tecidos;
• Placards;
• Internet;
• Entre outros.
6.3. Espaços
6.3.1. Espaços Interiores
• 2 Salas de atividades;
• 1 Sala polivalente;
• 1 Sala de Isolamento
• 1 Refeitório;
• 1 Cozinha;
• Despensa;
• Gabinete de Direção;
• Gabinete de professores;
• Gabinete de reuniões de pais;
• Instalações sanitárias masculinas e femininas;
• Instalações sanitárias para pessoas com mobilidade reduzida.
26 Projeto Educativo Pré-Escolar
6.3.2. Espaços Exteriores
• 1 Recreio ao ar livre;
• 1 Campo de jogos;
• 1 Horta Pedagógica.
7. PROJETO EDUCATIVO
A nossa Instituição, pelo conjunto de objetivos apresentados no projeto educativo e no presente documento, promove a educação integral e a dignidade de todos os que se cruzam com a nossa ação educativa ou aqueles a quem a nossa missão educativa abraça.
Os Educadores, ao trabalharem em equipa, centram-se no desenvolvimento das competências gerais das orientações curriculares para a educação pré-escolar, das metas de aprendizagem e no currículo nacional, privilegiando, em cada momento, as competências adequadas às situações reais deste estabelecimento, com a finalidade de que todas as áreas curriculares disciplinares e/ou disciplinas contribuam para uma eficaz construção de aprendizagens nos domínios do conhecimento, capacidade e atitudes.
É neste seguimento que surge o projeto educativo, o qual deve ser contextualizado de acordo com a especificidade da nossa Instituição. O presente projeto contribui para a fundamentação dos projetos curriculares de sala, concretamente na operacionalização dos mesmos, tendo em consideração o trabalho desenvolvido e/ou a desenvolver pela respetiva equipa de Educadores.
O projeto educativo assume a forma, como esta Instituição, desenvolve a proposta curricular nacional, conforme o Dec. Lei nº 139/2012 de 5 de julho, definindo opções e intencionalidades próprias e construindo modos de organização e gestão curricular, adequados à consecução das aprendizagens que integram o currículo para as crianças.
27 Projeto Educativo Pré-Escolar
8.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E PLANO DE AÇÃO
As transformações sociais, económicas e ecológicas, embora marcadas por movimentos contraditórios e heterogéneos, no meio de incertezas, oscilações e contradições, colocam novos e grandes desafios em todo o mundo no século XXI.
O desenvolvimento da ciência e da tecnologia, evidenciado atualmente, provoca mudanças cada vez mais acentuadas na sociedade, fazendo com que esta esteja em constante evolução.
Por conseguinte, a nossa missão enquanto “Instituição” é formar cidadãos ativos e conscientes, dotados de competências pessoais, sociais e ecológicas diversas, respeitando sempre as características, capacidades, interesses, motivações e histórias de vida de cada um dos nossos alunos.
É neste sentido, que pretendemos proporcionar uma formação integral e diferenciada a cada criança. Formação essa, na qual o saber se articula com o saber fazer, o saber ser, o saber conhecer e o saber viver juntos (relatório Delors 1996).
Com efeito, importa ensinar e aprender não tanto as matérias e os conteúdos, quanto à forma, o método e o processo de os encontrar. Importa ensinar e aprender sobretudo não conhecimentos mas a conhecer, não objetos de aprendizagem mas a aprender, não reflexões mas a refletir, não pensamentos mas a pensar, não resoluções mas a resolver, não investigações mas a investigar, não o ser (substantivo, passivo, estático) mas a ser (verbo, ativo, dinâmico)…
(MARTINS 2008:73)
É com base nestas mudanças constantes que surge a necessidade de preparar as nossas crianças para viverem num mundo de todos, dotando-as de competências e valores que lhes permitirão ser cidadãos ativos e responsáveis.
É nosso apanágio transmitir e incutir às nossas crianças, as noções basilares de sentido de responsabilidade, liberdade, disciplina, respeito e persistência que os acompanharão ao longo de toda a sua vida.
28
Projeto Educativo Pré-Escolar 8.1
Avaliação Das Aprendizagens Da Criança
A avaliação em Pré-Escolar assume uma dimensão predominantemente formativa.
Esta caracteriza-se por um processo contínuo e cíclico, que procura tornar a criança protagonista da sua própria aprendizagem. Deste modo, consciencializar a criança do que já conseguiu, das dificuldades que vai tendo e como as vai ultrapassar.
A avaliação formativa é um processo integrado que implica o desenvolvimento de estratégias de intervenção adequadas às características de cada criança e do grupo e que tem por base um processo de reflexão contínua. Esta avaliação, visando um meio e não um fim, consiste na recolha sistemática de informações que, quando analisadas, possibilitam ao educador ir “corrigindo e adequando o processo educativo à evolução das crianças e ir aferindo com os pais os seus progressos” (OCEPE, 1997:94).
Como primeira etapa temos a Avaliação Diagnóstica, que nos permite averiguar quais os conhecimentos e competências prévias da criança. De seguida, procede-se à Avaliação Formativa, a qual se baseia numa observação e reflexão contínuas, de modo a ajustar a prática pedagógica ao desenvolvimento do grupo, partindo sempre da avaliação inicial. Estes elementos serão posteriormente reunidos e avaliados em formato individual, dando origem às avaliações individuais trimestrais.
Resumem-se aqui alguns dos instrumentos de avaliação que sustentam a prática pedagógica:
Técnicas de observação: diárias e periódicas, referentes ao bem-estar das crianças, interesses, frustrações, dificuldades, resultados obtidos e comportamentos;
Registos de observação informal: registos escritos ou fotográficos de acontecimentos relevantes, representantes da evolução das crianças;
Planificações: planificações mensais da ação educativa, com atividades orientadas previamente pensadas, assim como os respetivos objetivos e competências a alcançar;
Trabalhos individuais das crianças: contemplam o trabalho realizado em contexto de
29 Projeto Educativo Pré-Escolar
Educação Pré-Escolar, desde o início do ano até ao término do mesmo, sendo agrupados no final em dossiês de arquivo individuais, como registo da evolução de cada criança;
Família e comunidade: acompanhamento e participação constantes por parte dos encarregados de educação e familiares. Partilhas de situações e informações significativas (entre educador-família e vice-versa), para um melhor desenvolvimento da criança e uma prática individualizada;
Avaliações individuais: avaliações semestrais, de modo a registar a evolução de cada criança tendo em conta os objetivos e competências propostos no presente projeto e de acordo com a faixa etária em causa.
Avaliações Periódicas: no decorrer do processo pedagógico as crianças serão avaliadas de forma individual e periódica. Trimestralmente será feito um registo de avaliação ao qual os Encarregados de Educação terão acesso e poderão analisar e questionar se assim o considerarem. Estes documentos de avaliação serão validados através da assinatura por parte do Encarregado de Educação, confirmando que tomaram conhecimento da avaliação realizada.
Plataforma Online: a nossa instituição adota, como instrumento de trabalho e comunicação, uma plataforma online, perspetivando uma relação de maior proximidade entre as famílias e a escola. Nesta plataforma são partilhados, por parte do educador, diversos documentos relevantes (regulamentação, projetos pedagógicos, avaliações), fotografias, informações de interesse comum, datas importantes, autorizações, entre outros. De igual modo também os encarregados de educação podem participar, através de mensagens privadas destinadas ao educador e consultando as publicações feitas.
Em suma pode dizer-se que a avaliação contínua, de carácter formativo, comporta vários momentos, tais como: "planificação, recolha e interpretação da informação [resultando na] adaptação das práticas e processos que serão objeto de reformulação
30 Projeto Educativo Pré-Escolar
sempre que necessário” (dgidc.min-edu.pt).
31 Projeto Educativo Pré-Escolar
9.
PROFISSIONALIDADE 2019/2020
No que diz respeito ao tema anual, após a identificação das necessidades e interesses das crianças, constatámos que é transversal a todas as salas o gosto por tudo o que está relacionado com fantasiar-se e brincar ao faz de conta. De facto, e de acordo com as OCEPE, “o jogo dramático ou brincar ao faz de conta é frequente nas crianças em idade do jardim-de-infância e desempenha um papel importante no desenvolvimento emocional e social, na descoberta de si e do mundo, no alargamento de formas de comunicação verbal e não-verbal, na expressão de emoções e como meio de reequilibrar os conflitos interiores da criança. Nestas situações de recriação de acontecimentos da vida quotidiana as crianças têm oportunidade de escolher e desempenhar diferentes papéis”.
As crianças desde muito cedo apresentam grande interesse pela vida do adulto e desse modo as profissões aparecem com frequência nas suas brincadeiras do faz-de- conta. É importante para a criança brincar, pois enquanto brinca desenvolve a atenção, a memória, a autonomia, a capacidade de resolver problemas, de se socializar, desperta a curiosidade e a imaginação, de maneira prazerosa e como participante ativo do seu processo de aprendizagem.
O conhecimento do mundo que rodeia a criança é fundamental à construção de saberes básicos congregados à vida em sociedade. As profissões e o papel social de cada ofício são conceitos que crianças em idade pré-escolar devem adquirir na construção plena da sua cidadania.
(Orientações Curriculares para o Pré-escolar)
Explorar o tema das profissões dentro do ambiente escolar é muito importante porque possibilita ampliar o conhecimento dos alunos em relação às diversas profissões e a sua importância para a sociedade, despertando a curiosidade das crianças em relação às profissões dos Pais e outros, favorecendo a construção da identidade pessoal e familiar construindo uma perspetiva de projeto de vida. Investigar este tema permite,
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Projeto Educativo Pré-Escolar não
só, mostrar às crianças as diversas profissões, como também desenvolver atitudes de respeito e cooperação com as pessoas nas suas diferentes funções, desenvolvendo o raciocínio lógico, a expressão oral e corporal, a coordenação motora, a perceção auditiva e a visual da criança.
O desenvolvimento da profissionalidade é conseguido, então, através da lecionação, na qual as educadoras promovem o planeamento, a autonomia, a curiosidade, a confiança e a cooperação.
O planeamento é desenvolvido, quer quando educadoras ajudam as crianças a projetar para futuro as aprendizagens de hoje, quer quando lhes ensinam métodos de estudo e lhes explicam a importância da escola como ferramenta para a construção de um futuro.
A autonomia é promovida quando as educadoras ajudam as suas crianças a identificar as barreiras e os incentivam a ultrapassar as dificuldades, fazendo-as refletir sobre as decisões que tomam ou não, e ainda quando promovem a persistência perante as dificuldades sem nunca os desvalorizar.
A curiosidade é fomentada quando as educadoras estimulam, nas suas crianças, a capacidade reflexiva sobre si e sobre a realidade, social, escolar e profissional.
A confiança é conseguida pelas educadoras, quando estas estimulam nas suas crianças o sucesso, as capacidades e competências e desenvolvem nelas atitudes positivas face a si próprio.
A cooperação é desenvolvida pelas educadoras através da promoção de estratégias pedagógicas, que visam o trabalho colaborativo, onde são respeitadas as minorias étnicas e grupos minoritários num contexto de respeito e tolerância.
Estas competências são transversais às diferentes faixas etárias, tendo a educadora a função de as adaptar, encontrando a melhor estratégia para cada um dos grupos.
OBJETIVOS GERAIS
33 Projeto Educativo Pré-Escolar
Os objetivos gerais correspondem a um conjunto de competências, que ao longo do ano, o educador procurará incutir nas crianças, tais como:
• Proporcionar às crianças conhecerem a diversidade das profissões e valorizá-las nos diferentes espaços e épocas, despertando o interesse por uma melhor qualidade de vida, através da escolha consciente da profissão;
• Oportunizar a brincadeira de faz-de-conta, desenvolvendo a atenção, a memória, a autonomia, a capacidade de resolver problemas, de socializar-se, de despertar a curiosidade e a imaginação, de maneira prazerosa e como participante ativo do processo de aprendizagem.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS (DO TEMA)
• Conhecer e identificar as profissões;
• Identificar as profissões e seus devidos profissionais: construindo uma perspetiva de projeto de vida “o que queres ser quando fores grande?”
• Consciencializar as crianças sobre a valorização e respeito por todas as profissões.
• Desfazer qualquer forma de preconceito que possam existir sobre as profissões, etnias e género.
• Incentivar a colocar-se no lugar do outro
• Proporcionar que a criança experimente no faz de conta infinitas possibilidades de desenvolvimento social.
9.1 Plano De Ação
Proposta de Atividade Objetivos
• Explorar cada uma das profissões com as crianças de modo a fomentar a curiosidade e o interesse pelas mesmas;
• Desenvolver atividades sobre as várias profissões explorando as várias áreas da sala recorrendo ao faz de conta;
• Conhecer diferentes profissões;
• Desenvolver a curiosidade e a capacidade de reflexão;
• Estimular o espirito crítico;
• Compreender a importância da educação ao longo da vida;
34 Projeto Educativo Pré-Escolar
• Promover visitas de estudo a vários postos de trabalho;
• Fomentar a participação das famílias na instituição, explorando as diversas profissões dos familiares;
• Celebrar os dias festivos relacionados com as profissões;
• Elaboração e apresentação de trabalhos realizados com os familiares;
• Realização de diferentes áreas relacionadas com o comércio local;
• Exposição dos trabalhos realizados na instituição sobre as profissões.
• Perceber que todas as ações têm as suas consequências;
• Estimular a autoestima e a capacidade de persistência;
• Promover o conhecimento de novas competências e interesses;
• Desenvolver novas capacidades e competências;
• Promover a autonomia e a oralidade do aluno;
• Fomentar a capacidade de adaptação a diferentes realidades;
• Cooperar com outros de forma interessada, ativa e responsável;
• Demonstrar autonomia, capacidades de comunicação e intervenção.
10. MULTICULTURALIDADE 2020/2021
A globalização é um processo em curso, dinâmico e mutável, que obrigou as maiorias de cada país a considerarem de forma mais aberta o pluralismo e a diversidade. No mundo atual, a consciencialização progressiva, por parte dos cidadãos, da sua pertença a uma espécie de aldeia global, com a proliferação de formas de conflitualidade, tanto a nível local como a nível mundial, desenvolve novas mudanças e preocupações.
Segundo Campos (2007), num mundo globalizado, a territorialidade tende a perder importância, enquanto princípio organizativo da vida cultural e social. A globalização não implica, necessariamente, uma homogeneização ou integração, mas sobretudo uma maior interdependência e desterritorialização; isto é, as relações entre homens e instituições tendem a evoluir, independentemente do espaço. O principal impulsionador destas relações é o desenvolvimento tecnológico, que facilita a circulação de pessoas, bens e serviços. Este desenvolvimento promove o estabelecimento de redes interpessoais de vivências e intercâmbios culturais, em função de afinidades que são independentes de uma concentração geográfica.
Candau (2002) fala de um outro conceito, que para ele não é indissociável de globalização: o conceito de multiculturalismo. Segundo o autor, globalização diz respeito à padronização e multiculturalidade às particularidades culturais e às diferenças.
De acordo com o Conselho Nacional de Educação (2000), o sistema educativo em geral não pode ignorar esta realidade, dado que tem um papel crucial nos processos de integração e de construção de uma cidadania para todos, como resposta à diversidade étnica e cultural existente.
A Instituição, sendo um local onde a diversidade é cada vez mais evidente, torna-se um espaço onde os conflitos são cada vez mais visíveis. Por isso, a educação para a cidadania surge como uma questão fundamental, sendo a instituição o local privilegiado para a sua promoção.
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A convenção sobre os direitos da criança, aprovada pelas Nações Unidas em 1989, e ratificada por Portugal em 1991, estabelece que todas as crianças têm o direito de serem respeitadas, de serem escutadas, de se fazerem entender, de receberem explicações sobre as decisões que lhes dizem respeito, o que não significa que possam fazer tudo o que querem, mas que saberão os porquês. São cidadãos de pleno direito e deveres, e não atores sociais incompletos.
Estando a nossa Instituição cada vez mais caracterizada por uma crescente multi/interculturalidade importa perceber de que forma se relacionam as crianças de diferentes nacionalidades.
De acordo com vários autores, a multiculturalidade é um fator social. Enquanto interculturalidade diz respeito a uma política, a uma pedagogia, ou a uma construção a edificar.
Cortesão e Pacheco (1991), fazem a distinção dos dois conceitos, apresentando a multiculturalidade como a constatação da presença de diferentes culturas num determinado meio e a procura da compreensão das suas especificidades. A interculturalidade é um percurso agido em que a criação da igualdade de oportunidades supõe o conhecimento/reconhecimento de cada cultura, garantindo, através de uma intervenção crescente, o seu reconhecimento mútuo.
Para Santos, citado por Candau (2002:128) “As pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a diferença os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza. Este é, consabidamente, um imperativo muito difícil de se atingir e manter”.
Canen & Canen (2005) vão mais longe quando referem multiculturalismo como uma forma de pensar sobre identidades plurais, que caracterizam as sociedades e em respostas que garantam a representação e a valorização dessas mesmas identidades nos diferentes espaços, sejam eles sociais ou organizacionais.
Identidade é assim entendida como uma forma de construção operacionalizada nos diferentes espaços discursivos, tais como, comunidade, escola, media, família, trabalho,
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entre outros, onde o discurso vai criando mudanças de identidade, quer a nível étnico, género, sexo, religião, linguagem ou outros.
Assim sendo, a escola multicultural é aquela que reconhece a diversidade nas sociedades e fomenta a tolerância, a integridade e a autonomia das crianças.
A Educação Pré-Escolar é uma das entidades que contribui para o desenvolvimento da criança. É, por isso, importante que reconheça a diferença e garanta a expressão de diferentes identidades culturais bem como de espaços onde estas se possam desenvolver. A escola multicultural é aquela que orienta os seus alunos para a construção de uma sociedade democrática, plural, humana e que promove a articulação entre políticas de igualdade e identidade.
Portanto, é imprescindível que a nossa Instituição compreenda as atitudes das crianças para com os diferentes pares, e aposte numa educação que visa a verdadeira inclusão, num mundo cada vez mais multiculturalista.
Propomos ter por base alguns princípios que nos parecem fundamentais para o desenvolvimento de uma educação de e para todos. Estes princípios são:
• uma educação que garanta, simultaneamente, os valores de equidade e qualidade;
• o desenvolvimento de projetos baseados na inclusão, na equidade e convivência democrática, nos quais toda a comunidade educativa estará presente;
• desenvolver uma Instituição que garanta apoios para todos, sejam eles internos ou externos;
• ter um currículo inclusivo, adaptado às características, interesses e necessidades das crianças;
Em suma, tal como refere Matos (2008), a inclusão é, hoje, mais do que uma proposta escolar: é uma proposta social. Passa pela luta por uma instituição para todos, passa pela importância de educar para a pluralidade, para que se construa a convivência numa sociedade diversificada, na qual o encontro das diferenças - físicas, culturais, ideológicas, entre outras - é a condição primeira para a transformação de toda uma sociedade.
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10.1 Plano De Ação
Proposta de Atividade Objetivos
• Conversar sobre as diferentes culturas existentes na sala;
• Apresentar diferentes culturas, referindo os estilos de vida, hábitos alimentares, crenças religiosas e dimensões culturais;
• Identificar e praticar jogos tradicionais de diferentes regiões; jogos cooperativos / simulações;
• Explorar histórias que coloquem problemas pertinentes;
• Cantar canções, contar histórias e lendas de diferentes culturas;
• Escrever textos relativos à diversidade cultural;
• Estimular e consciencializar o respeito pela diversidade segundo uma perspetiva Intercultural de educação;
• Ir ao encontro das necessidades básicas das crianças, desenvolvendo todo o seu potencial;
• Promover a autoconfiança, o respeito e a cooperação apreendendo a variedade da humanidade como um todo;
• Sensibilizar para as diferenças e semelhanças;
• Ajudar as crianças a aceitar, a compreender e a valorizar os outros pelas suas diferenças e semelhanças;
• Sensibilizar para realidades culturais e valores diferentes dos nossos e com os quais convivemos;
• Contribuir para a formação de uma sociedade multicultural e intercultural;
• Fomentar o respeito pelo outro, pelo
“diferente”, pela sua cultura e valores;
• Participar na vida cívica de forma crítica e responsável;
• Realizar campanhas de Solidariedade incluindo as famílias das crianças;
• Preparar exposições abordando o tema em questão;
• Visitas de estudo relacionadas com a temática.
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• Respeitar a diversidade cultural, religiosa ou outra;
• Cooperar com outros de forma interessada, ativa e responsável;
• Desenvolver o espírito de cooperação, solidariedade e justiça;
• Respeitar as normas e critérios de atuação;
• Demonstrar autonomia, capacidades de comunicação e intervenção;
• Reconhecer a vida, a verdade, a liberdade, a justiça, a lealdade, a igualdade, a tolerância, o altruísmo como valores universais.
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11. SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL 2021/2022
Durante as últimas décadas, o homem começou a tomar consciência de que os seus atos tinham consequências globais, a longo prazo, facto que não era tido em conta até meados do séc. XX, uma vez que este achava que vivia num planeta praticamente sem limites.
Atualmente, a noção de limite de recursos e espaço surge com a consciência do crescimento populacional, o aumento do consumo de energia, as alterações climatéricas, a degradação ambiental e as desigualdades sociais.
Por isso, é fundamental uma alteração das atitudes e valores face ao ambiente, de forma a desenvolver no homem uma consciência profunda e duradoura dos problemas, equacionando-os numa perspetiva de sustentabilidade.
Esta consciência não passou ao lado do discurso político, no qual é sugerida a implementação de medidas legais de proteção e conservação do ambiente. Contudo, parece haver duas soluções, a curto prazo, medidas punitivas e longo prazo, medidas preventivas.
Estas medidas surgem, pela primeira vez, no princípio dezanove da Declaração do Ambiente de 1972, aquando da Conferência das Nações sobre o Ambiente Humano, na qual é referido que para uma educação ambiental
…é essencial ministrar o ensino, em matéria de ambiente, à juventude assim como aos adultos (…) com o fim de construir as bases que permitam esclarecer a opinião publica e dar aos indivíduos, às empresas e às coletividades um sentido das suas responsabilidades, no que respeita à proteção e à melhoria do ambiente em toda a sua dimensão humana.
(Instituto do Ambiente).
Esta ideia inicial vai sendo amadurecida ao longo dos tempos e ganhando novas formas à medida que as sociedades vão evoluindo, como se pode verificar de seguida.
Desta conferência da ONU, surge um novo organismo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e em 1975, os dois organismos em conjunto,
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estabelecem a criação do PIEA (Programa Internacional de Educação Ambiental). Este último centralizou as suas “…iniciativas em todos os âmbitos e a níveis educativos com intenção de melhorar os diapositivos curriculares e institucionais postos ao serviço da formação ambiental …” (CARIDE, 2001).
Ainda no mesmo ano, surge a Carta de Belgrado, um dos documentos mais importantes dessa década, que define, pela primeira vez, os grandes objetivos e orientações para a educação ambiental.
Como Caride sugeriu, esses seis objetivos básicos da educação ambiental são:
• Tomada de consciência: ajudar as pessoas e as comunidades a adquirirem maior consciência do ambiente e dos seus problemas, mostrando-se sensíveis a eles;
• Conhecimentos: ajudar as pessoas e as comunidades a compreenderem o ambiente e os seus problemas, bem como a sua presença e função nele;
• Atitudes: ajudar as pessoas e as comunidades a adquirirem valores, interesse pelo ambiente de forma a incentivá-los na participação ativa e na sua conservação e proteção;
• Aptidões: ajudar as pessoas e a comunidades a adquirirem competências necessárias à resolução dos problemas;
• Capacidade de avaliação: ajudar as pessoas e as comunidades a avaliarem as medidas e os programas de educação ambiental;
• Participação: ajudar os indivíduos e as comunidades a desenvolverem o sentido de responsabilidade e a tomarem consciência da necessidade de intervirem na proteção do ambiente.
Mais tarde, em 1977 a UNESCO em colaboração com o PNUMA, tornam claro que educação ambiental é um conceito muito mais abrangente que ecologia, ou seja, é uma educação de caráter permanente e geral, atento às mudanças que surgem num mundo em constante transformação.
Em 1987, no Congresso Mundial sobre Educação e Formação Relativos ao Ambiente, é referida a importância da formação na área da educação ambiental e da inclusão desta temática nos currículos.
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Já em 1992, na Cimeira da Terra, onde são debatidas as principais ameaças ao nosso planeta, são elaborados vários documentos, e na agenda vinte e um, o capítulo trinta e seis, denominado Promoção da Educação Consciencialização Pública e Formação, destaca a importância da educação como ferramenta para a mudança de atitudes e valores de todos, para que sejam capazes de avaliar os problemas e apresentar alternativas para os solucionar. É então que surge a ideia de “Pensar globalmente, agir localmente” (Eco 92).
Em 2002, é elaborada a Declaração de Joanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável, na qual se comprometem “…a construir uma sociedade global humanitária, equilibrada, empenhada e consciente da necessidade de proporcionar uma vida digna a todos.” (Vitae Civilis).
Mais uma vez, é salientada a importância da educação como ferramentas de transformação.
Já em 2005, a CEE/ONU definem que a
…construção de uma sociedade sustentável deverá ser vista com um processo de aprendizagem permanente, explorando questões e dilemas, no qual as respostas e as soluções adequadas possam evoluir acompanhando o acréscimo da experiência dos jovens. As metas de aprendizagem em matéria de EDS (educação para o desenvolvimento sustentável) deverão englobar a construção de conhecimentos e de competências, a compreensão e as atitudes e os valores.
A educação assume um papel preponderante, uma vez que é através da mesma que as crianças tomam consciência do estado do mundo, desenvolvem a sua consciência ambiental e tomam atitudes com base nos valores da promoção do desenvolvimento sustentável. Ou seja, a nossa Instituição tem a função de desenvolver competências para toda a vida das crianças, tal como refere a UNESCO e o PNUMA (1988:7, citados por CARIDE, 2001) quando definem educação ambiental
…como um processo permanente graças ao qual os indivíduos e as comunidades passam a estar conscientes do seu ambiente e adquirem conhecimentos, valores, competências, experiências e também a vontade de atuar, individual e coletivamente, para resolver os problemas atuais e futuros do ambiente.
A educação ambiental passa a ser conceptualizada em três domínios: social, ambiental e educativo.