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Percorrer o repositório

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Academic year: 2023

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MISCELÂNEA DE

ESTUDOS EM HONRA DE MARIA DE FÁTIMA SILVA

V olume II

FREDERICO LOURENÇO

SUSANA MARQUES

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Este volume reúne estudos diversos nas áreas das Literaturas Grega e Latina, Cultura, Filosofia, Arte, Linguística, Antiguidade Tardia, Idade Média, Humanismo, Receção dos Clássicos e Literatura Portuguesa Contemporânea.

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I N V E S T I G A Ç Ã O

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edição

I m p r e n s a d a U n i v e r s i d a d e d e C o i m b r a Email: [email protected]

URL: http//www.uc.pt/imprensa_uc Vendas online: http://livrariadaimprensa.uc.pt

coordenaçãoeditorial

I m p r e n s a d a U n i v e r s i d a d e d e C o i m b r a conceçãográfica

I m p r e n s a d a U n i v e r s i d a d e d e C o i m b r a

revisão

Daniela Pereira imagemda capa

Laura Adai - Unsplash infografia

Margarida Albino execução gráfica

KDP

isBn 978-989-26-2399-3

isBn digital

978-989-26-2400-6 doi

https://doi.org/10.14195/978-989-26-2400-6

Este trabalho é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UIDB/00196/2020 Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra

© junho 2022, imprensada universidade de coimBra

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MISCELÂNEA DE

ESTUDOS EM HONRA DE MARIA DE FÁTIMA SILVA

V olume II

FREDERICO LOURENÇO

SUSANA MARQUES

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(Página deixada propositadamente em branco)

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Su m á r i o

IDADE MÉDIA ... 9 Ὁ λόγος τῆς ἱστορίας: Ana Comnena e a narração da história –

Mário de Gouveia ...11 A Corte de Avis e a europeização de Portugal: O Infante

D. Pedro – Nair de Castro Soares ...27

HUMANISMO ... 43 Reminiscências da Arte Poética Horaciana na obra do

Humanista Inácio de Morais – Aires Pereira do Couto ...45 A etopeia ou a criação de caráter de um herói – D. João

de Castro – de matizes clássicas na historiografia

e na épica do século XVI – Luís Miguel Henriques ...65 Retórica em palco: o espaço performativo na agenda política

da Tragicomédia do rei Dom Manuel – Margarida Miranda...87 Da utilidade e dignidade da Poesia: o discurso latino

de Francisco de Mendoça SJ em louvor da poesia – Carlota Miranda Urbano ... 101

“Trionfi da tavola” e poemas açucarados no Paço Ducal

de Vila Viçosa – André Simões... 119 O culto de Rainha Santa Isabel em Aragão. Historia, y Vida

de Santa Isabel, Reyna de Portugal, y Infanta de Aragon de Juan Carrillo – a influência de Pedro Perpinhão – Helena Costa Toipa ... 135

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RECEÇÃO DOS CLÁSSICOS ... 155 Sobrevidas Brasileiras de Orfeu – Maria Aparecida Ribeiro ... 157 Seis autores en búsqueda de un personaje: El mito de Orfeo.

Tradición y relecturas desde América Latina – Rómulo

Pianacci ... 177 Esponsais linguísticos: Machado e Rosa – Tereza Virgínia

Ribeiro Barbosa ... 197 Andam faunos pelos bosques: erudição clássica num “faceto

discorrer” sobre o “génio da espécie” – Maria José Ferreira Lopes ... 217 Horace and Ovid in Matthew Lewis’s The Monk (1796) –

Stephen Harrison ... 249 Nathaniel Hawthorne, Narrative Empathy and the Odyssey:

A Reading of “Wakefield” – Lucía P. Romero Mariscal ... 275 El edén perdido – Concepción López Rodríguez ... 289 Re-reading Euripides’ Bacchae through performance at the

end of the nineteenth and into the twenty-first centuries – Fiona Macintosh ... 311 Antígona, um mito de exílio no teatro português e espanhol

do século XX – Carlos Morais... 341 O(s) espaço(s) do exílio em Sob o olhar de Medeia – Ana Seiça

Carvalho ... 369 E a cidade não expulsou o poeta: ecos clássicos na obra

de Léopold Senghor – Maria Cristina Pimentel & Arnaldo

do Espírito Santo ... 383 Indícios clássicos no conto “Os sapatos novos de Josefate

Ngwertana”, de João Paulo Borges Coelho – Maria Fernanda Brasete ... 407 Reconstruyendo a Pericles. Fuentes griegas en Pericles y

Aspasia de Millán Picouto – María Teresa Amado Rodríguez ... 433 A retórica da palavra e do mito em cenário de guerra: Perdoar

Helena de Eurípides a José Tolentino Mendonça – Martinho Soares ... 461

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O regresso de Ulisses e a Multiplicidade de Calvino

– Rita Marnoto ... 483 A poesia de Manuel Alegre: ecos do mito de Ulisses na

contemporaneidade – Susana Marques ... 499 Ecos da Antiguidade na Poesia Portuguesa Contemporânea:

Ulisses Plurais – memórias míticas – Adriana Freire Nogueira ... 515 Não sei se sem poemas há país. Notas sobre Nada está

escrito de Manuel Alegre – José Ribeiro Ferreira ... 537 As mulheres Troianas da Síria – Sandra Pereira Vinagre ... 563

LITERATURA CONTEMPORÂNEA ... 585

«Meter isto num romance»: José Saramago e a narrativização do espaço – Carlos Reis ... 587 Sob o signo de Jerónimo de Mendonça e de Rainer Maria Rilke

História e poesia em Jornada de África, de Manuel Alegre – Maria António Hörster ... 601 Santo António na segunda década do século XXI

Representações literárias em português e alemão – Maria de Fátima Gil ... 623

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“ tr i o n f i d a t av o l ae p o e m a S a ç u c a r a d o S n o pa ç o du c a l d e vi l a vi ç o S a

“tr i o n f i da tavo l aa n d Su g a ry po e m S at vi l a vi ç o S aS du ca l pa l ac e

André Simões Univ. Lisboa, CEC

ORCID: 0000-0003-3230-4597 [email protected]

Resumo: A confeção de elementos decorativos em pasta de açúcar fez parte do cerimonial de mesa barroco, enquanto manifestação de po- der. Neste estudo apresentamos parte de uma coleção de 24 poemas latinos compostos por jesuítas ligados ao Colégio de Évora, nos finais da década de 1620, em honra de D. João, duque de Barcelos, futuro D. João IV, seu pai D. Teodósio, duque de Bragança, e seus irmãos D. Duarte e D. Alexandre.

Palavras-chave: Literatura neolatina, Literatura jesuítica, Restauração

Abstract: The making of decorative elements in sugar paste was part of the baroque table ceremonial, as a display of power. In this study we present part of a collection of 24 Latin poems, composed by Jesuits linked to the Colégio de Évora, in the late 1620s, in honor of João, Duke of Barcelos, who would one day become King João IV of Por- tugal, as well as his father, Teodósio II, Duke of Bragança, and his brothers, Duarte and Alexandre.

Keywords: Neolatin literature, Jesuitic literature, Portuguese Restoration https://doi.org/10.14195/978-989-26-1524-0_38

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1. Triunfos de Mesa

O açúcar, enquanto inesperada matéria prima para a confeção de centros de mesas, é uma criação do mundo islâmico medieval. Um dos primeiros testemunhos desta prática é o do persa Nasir-i Husrau que, em 1040, numa visita à corte do califa fatimida Alī az-Zāhir, no Cairo, testemunhou um impressionante banquete, oferecido a toda a população da cidade, que contou com mais de uma centena e meia de estátuas de açúcar1. Os contactos comerciais frequentes entre Veneza e o Império Otomano, herdeiro e continuador desta tradição, fizeram da Sereníssima República a via de entrada desta arte na Europa2. Com efeito, há registos, desde o século XV, da exibição de decorações de mesa de açúcar e de outros materiais comestíveis nas principais cortes europeias3. O gosto por estes ornamentos de mesa comestíveis tornou-se mais comum a partir do início do século XVI, manifestando-se tantas vezes com efeitos dramáticos e simbólicos, como os crânios de açúcar contendo faisões assados ou ossos a for- rar salsichas que Lorenzo Strozzi ofereceu, em 1519, ao embaixador veneziano em Roma4. Afinal, uma longa tradição no uso de comida como elemento decorativo e também de prestígio, de que a petro- niana Cena Trimalchionis é a mais eloquente manifestação literária.

O carácter cerimonial e artístico destes “trionfi da tavola”, como lhe chamaram os italianos, é evidente no facto de serem, frequentemente, assinados por escultores de renome5. A título de exemplo, em 1655 o papa Alexandre VII ofereceu, em Roma, um banquete à rainha Cristina da Suécia6, numa mesa onde sobressaíam “trionfi” da autoria dos renomados Ercole Ferrata e Joahann Paul Schorr7. É, além disso,

1 Day 2015: 689.

2 Varriano 2009: 186.

3 Day 2015: 690.

4 Varriano 2009: 182.

5 Varriano 2009: 190.

6 Varriano 2009: 194-195.

7 Day 1999: 57.

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121

provável que se recorresse a esculturas pré-existentes em materiais duradouros, como bronze, para a criação de moldes destinados à confeção de “trionfi”8. O carácter de prestígio era sublinhado pelo facto de se reservarem estas manifestações ornamentais e gustativas não só para ocasiões especiais9, como vimos, mas também como oferta aos comensais10, numa tradição que remonta aos apophoreta do mundo Clássico, ilustrados de forma exemplar no livro XIV dos Epigramas de Marcial.

2. Triunfos de mesa em Vila Viçosa: os poemas do códice 51-IX-4

A nobreza portuguesa não foi alheia a esta tendência gastronómica, é certo, mas sobretudo de ostentação de poder. Disto é testemunho um conjunto de poemas em língua latina, compostos por vários autores não depois de 1630, que identificámos num códice hoje depositado na Biblioteca Nacional da Ajuda com a cota 51-IX-4. Trata-se de uma miscelânea, que, nos seus 344 fólios, compreende manuscritos e impressos, originais e cópias, datáveis dos séculos XVI e XVII.

Une-os tematicamente a ligação, maior nuns casos do que noutros, à Casa de Bragança, antes e depois de 164011. Dispersos entre os fólios 211 e 235 encontram-se 24 poemas em língua latina, atribuí- dos na margem a oito autores diferentes, e copiados por três mãos.

Trata-se, em todos os casos, de composições em dísticos elegíacos de dimensão variável. Esta variedade, tanto na dimensão como na autoria, gira no entanto em torno de uma temática unificadora: os panegíricos de D. Teodósio II, duque de Bragança, e de seus filhos,

8 Day 2015: 692.

9 Day 1999: 57-59.

10 Varriano 2009: 179.

11 O códice encontrava-se, poucas semanas antes da declaração de Estado de Emergência e consequente encerramento da BNA, com acesso limitado devido a tra- balhos de restauro. Tendo apenas tomado conhecimento da sua existência em finais de 2019, não nos foi possível assim uma mais cuidada descrição material.

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D. João, duque de Barcelos, D. Duarte e D. Alexandre, tomando como pretexto a descrição de “trionfi”, oferecidos numa mesma ocasião, no paço ducal de Vila Viçosa.

2.1. Organização

A distribuição dos poemas não é uniforme, nem está fisicamente individualizada no códice. Assim, um primeiro núcleo abrange os fólios 211 e 212r, num total de 6 poemas. O segundo núcleo com- preende 13 poemas, nos fólios 221 a 224r. Cinco são os poemas que, espalhados pelos fólios 234 e 235r, constituem o terceiro e último núcleo. Esta distribuição não parece obedecer a qualquer outro cri- tério senão o acaso da constituição do códice. De facto, se é certo que o primeiro e o segundo núcleo têm a mesma mão, no segundo podemos observar todas as três mãos que copiaram este conjunto.

Tampouco parece determinante, para a organização dos textos no códice, a autoria de cada um. Assim, de entre os 4 autores com mais de dois poemas, apenas um, o jesuíta Francisco de Macedo, merece a atenção de vê-los em sequência (7-10).

Mais significativa é a distribuição dos poemas pelos seus dedica- tários. Assim, as composições dedicadas a D. João (1-6) constituem a totalidade do primeiro núcleo. Ao duque D. Teodósio II oferecem- -se 10 poemas, todos no segundo núcleo, e todos em sequência, com exceção do primeiro (7, 11-19), intercalados pelo único poema dedicado a D. Duarte (8) e dois a D. Alexandre (9, 10). O terceiro núcleo é integralmente preenchido com cinco poemas dedicados a D. Alexandre (20-24).

Parece, assim, prudente supor que a fonte (ou fontes) desta recolha se apresentava organizada por dedicatário, que se conservou com pouca alteração no nosso códice. Por outro lado, a organização dos poemas 7-10, onde esta regularidade se quebra, pode ser explicada por contingência do processo de encadernação de um códice desta natureza. Com efeito, o poema 7 deveria fazer parte do conjunto dos

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poemas 11-16, todos dedicados a D. Teodósio, enquanto os poemas 8 e 10 pertenceriam, naturalmente, ao conjunto de poemas dedica- dos a D. Alexandre (20-24). Também nos parece haver problemas na organização dos poemas dedicados a D. João (1-6), já que o título poema 3 alude no título e no texto aos “trionfi” oferecidos a seu pai e irmãos, como veremos mais adiante. Tratando-se do segundo poema de Gaspar de Macedo nesta antologia, a alusão aos outros “trionfi”

só se pode explicar se este fosse o primeiro poema do autor, ou o primeiro dos poemas dedicados a D. João. Assim, talvez a organização original compreendesse, em primeiro lugar, os poemas dedicados a D. Teodósio (7, 11-19), seguidos dos dedicados ao primogénito D. João (3, 1, 2, 4, 5), depois o poema a D. Duarte (8) e finalmente os poemas a D. Alexandre (9-10, 20-24)12. Em qualquer caso, parece seguro afirmar que este conjunto de 24 composições poéticas forma uma unidade, não só pela temática uniforme, mas também pelo facto de o fólio que contém o último poema (que, aliás, termina com um significativo “Vale”) apresentar o verso em branco. No que respeita à forma, trata-se em todos os casos de dísticos elegíacos. As dimensões variam, no entanto, consideravelmente. Assim, se o poema 2 consiste em um único dístico, o último poema desta recolha estende-se ao longo de 44 versos.

2.2. Datação

Nenhuma das composições está datada de forma explícita, nem é possível inferir do seu conteúdo qualquer evento que nos permita ir além da evidência de que foram compostas antes de 29 de novem- bro de 1630, data da morte do duque D. Teodósio. A austeridade e devoção que caracterizaram a vida no paço ducal, em vida de

12 O estado precário do códice, bem como o período em que a BNA esteve encerrada, impediu-nos de um exame visual que pudesse confirmar ou infirmar estas conjeturas.

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D. Teodósio, não parecem, de resto, autorizar a possibilidade de um banquete fora de alguma celebração extraordinária. Uma vez que ne- nhum casamento se celebrou em Vila Viçosa antes de 1630, resta-nos a possibilidade de não se tratar, afinal, de nenhum banquete, mas de simples ofertas feitas aos varões da casa ducal – o que, de resto, se intui em vários dos títulos, como podemos ver logo no primeiro poema: “Excellentissimo D. D. Ioanni Barcellorum Duci, cui Fortuna ex saccharo confecta, dono missa, in sortem obligit”. Por outro lado, a identificação de alguns dos seus autores, todos jesuítas, como abaixo veremos, como “irmãos” apenas nos pode dar algumas pistas, nunca terminus post quem definitivo, já que não há uma idade precisa e definida para a ordenação sacerdotal. Ainda assim, a transição para a terceira década de vida parece ser um ponto de referência. Foi com esta idade que o padre António Vieira os proferiu, em 1634, e terá sido entre entre 1571 e 1572, que Luís da Cruz, que nasceu em 1543, tomou os seus votos. Vejamos, então, quais os autores que surgem identificados como “irmão”, com a exceção do irmão Inácio de Loiola, que não conseguimos identificar.

Quadro I: Irmãos.

Autores Nascimento / Noviciado Areda, Diogo de 1599 / 161513

Lemos, Luís de c. 1597 / 161414 Lopes, Luís 1596 / 161115 Macedo, Gaspar de 1601 / 161516

13141516

13 Franco 1714: 858; Franco 1931: 737; Machado 1731: t. 1, 634; Sommervogel 1890: t. 1, 526.

14 Franco 1714: 180.

15 Machado 1752: 110.

16 Franco 1931: 582; Machado 1747: t. 2, 361-362; Marques 1989a: 58; Sommervogel 1894: t. 5, 246.

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Assim, se tormarmos o irmão Luís Lopes, o mais velho do grupo, como ponto de referência, e conjeturando a sua ordenação para cerca de 1625-1626, podemos apontar, sempre com a necessária prudência, para não mais tarde do que essa data a ocasião que motivou estes poemas. D. Teodósio estava, então, a caminho dos 58 anos. Quanto aos seus filhos, D. João aproximava-se dos 22, D. Duarte dos 21, e D. Alexandre dos 19. A falta de referências a uma eventual infância de D. Alexandre nos poemas que lhes estão associados, os quais, por outro lado, abundam em alusões bélicas e amorosas, não nos permite recuar muito mais esta datação.

2.3. Dedicatários e seus “trionfi”

Atentemos agora nos “trionfi” que servem de pretexto a cada um dos 24 panegíricos. A D. Teodósio II, cabeça da Casa, foram ofe- recidos nada menos do que cinco iguarias, das quais apenas uma não tem conotações óbvias com a realeza, como de resto se pode ler num dos primeiros poemas: “Fercula Sors uoluit regalia ferre Parentem” (3, v. 3). Em primeiro lugar, dois reis desconhecidos (rex ignotus, alius rex ignotus), descritos nos poemas 7 e 19 – o primeiro e o último que lhes estão dedicados. Os poemas 11 a 16 debuxam uma representação do paço ducal, afundado num mar de licor. Não se percebe com clareza, na leitura dos poemas, se esta composição foi propositada ou se, como nos parece, se tratou de um acidente, que os poetas bem aproveitaram para cantarem o ressurgimento dos Braganças e insinuar a restauração de Portugal. Os poemas 17 e 18 foram compostos a propósito de um David e de um Daniel. Assim, e ao contrário do que sucede com os seus filhos, sobre quem se diz, nos títulos dos poemas, que calharam em sorte os presentes, os

“trionfi” oferecidos ao duque têm um propósito bem definido, de resto expresso por vezes de forma clara em todos os poemas: recor- dar a linhagem dos Braganças, que entronca na dos reis de dinastia de Avis, insinuar a legitimidade de D. Catarina em 1580, e apelar,

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mesmo se de forma velada, à restauração da Coroa de Portugal na Casa de Bragança. É o que podemos ler no poema 12, da autoria de Gaspar de Macedo, de que apresentamos a nossa leitura:

Eidem Serenissimo Principi, pro eodem.

Do ir. Gaspar de Macedo.

Hic, ubi, Magne, uides fieri bellaria turres, hic tibi Daedalea fluxit ab arte labor.

Quae dulci assurgunt fabricata palatia crusto, haec tua sunt facili condita tecta manu.

Aspice marmoreos imitantia fercula uultus, atria sub plantis aspice digna tuis.

Nam licet aspicias fractis ea tecta columnis, non ea crediderim fracta decere minus.

Scilicet haec olim tu restauranda parabis, ut pariant Reges, quae peperere Duces.

O dístico final, pontuado por palavras com a carga semântica de

“restauranda” e “reges”, não deixa dúvidas quanto ao que se espera de D. Teodósio e de sua descendência: restaurar, a partir de Vila Viçosa, a Coroa de Portugal. Não será, pois, por acaso que, dos dez poemas que lhe são oferecidos, seis tratem deste doce paço ducal – e todos em sequência (11 a 16). Aos filhos calharam “trionfi” que não parecem ter uma intencionalidade clara. De resto, como assina- lámos, a generalidade dos poemas indica, no título, que o “trionfo”

calhou em sorte (“in sortem”). Ao primogénito D. João, duque de Barcelos, coube a deusa Fortuna (poemas 1 a 6). A D. Duarte calhou uma representação de Judite, com a cabeça de Holofernes (poema 8), e a D. Alexandre, o mais jovem e discreto dos irmãos, calhou um Amor, pretexto para nada menos do que sete poemas (9, 10, 20, 21, 22, 23, 24).

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127 Quadro II: síntese.

n.º Fol. Mão Versos Dedicatário “Trionfo” Autor

1 211r 1 20 D. João Fortuna Pe. Gaspar Fernandes

2 211r 1 10 D. João Fortuna Ir. Gaspar de Macedo

3 211v 1 10 D. João Fortuna Ir. Gaspar de Macedo

4 211v 1 16 D. João Fortuna Ir. Diogo de Areda

5 211v 1 2 D. João Fortuna Ir. Diogo de Areda

6 212r 1 8 D. João Fortuna Pe. Gaspar Fernandes

7 221r 2 14 D. Teodósio II Rei Desconhecido Pe. Francisco de Macedo 8 221v 2 12 D. Duarte Judite e Holofernes Pe. Francisco de Macedo 9 222r 3 30 D. Alexandre Divino Amor Pe. Francisco de Macedo 10 222r 3 6 D. Alexandre Divino Amor [Pe. Francisco de Macedo]

11 223r 1 26 D. Teodósio II Paço ducal Pe. Gaspar Fernandes 12 223r 1 10 D. Teodósio II Paço ducal Ir. Gaspar de Macedo 13 223v 1 14 D. Teodósio II Paço ducal Ir. Inácio de Loiola 14 223v 1 2 D. Teodósio II Paço ducal Ir. Luís Lopes 15 223v 1 2 D. Teodósio II Paço ducal Ir. Luís Lopes 16 223v 1 2 D. Teodósio II Paço ducal Ir. Luís Lopes 17 224r 1 10 D. Teodósio II David Pe. Gaspar Fernandes 18 224r 1 8 D. Teodósio II Daniel Pe. Gaspar Fernandes 19 224r 1 6 D. Teodósio II Rei Desconhecido Pe. Gaspar Fernandes 20 234r 1 22 D. Alexandre Divino Amor Pe. Gaspar Fernandes 21 234r 1 14 D. Alexandre Divino Amor Ir. Gaspar Macedo 22 234v 1 6 D. Alexandre Divino Amor Ir. Luís de Lemos 23 234v 1 10 D. Alexandre Divino Amor Pe. Gaspar Pinto 24 234v-235r 1 44 D. Alexandre Divino Amor Ir. Luís Lopes

2.2. Os autores

Oito são os autores que contribuem para esta recolha, todos eles jesuítas, ligados ao Colégio e à Universidade de Évora17. Apresentamo-

17 Não conseguimos identificar com segurança o padre Francisco de Macedo e o irmão Luís de Lemos, que, na bibliografia consultada, não apresentam ligação clara a Évora ou a Vila Viçosa. Quanto ao irmão Inácio de Loiola, não o identificámos em qualquer fonte.

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-los no quadro seguinte, ordenados pelo número de composições que lhes são atribuídas.

Quadro III: autores.

Autores Poemas

Fernandes, Gaspar 1, 6, 11, 17, 18, 19, 20 Macedo, Francisco de 7, 8, 9, 10

Macedo, Gaspar de 2, 3, 12, 21 Lopes, Luís 14, 15, 16, 24 areda, Diogo de 4, 5

LeMos, Luís de 22 LoioLa, Inácio de 13 pinto, Gaspar 23

3. O Ciclo de D. João, duque de Barcelos

Não cabem no espaço desta breve homenagem todos os 304 versos, espalhados por 24 poemas, menos ainda traçar a biografia, mesmo sumária, dos oito autores. É, pois, mester fazer uma escolha, que dei- xará sempre de lado textos importantes. Hesitámos entre os poemas dedicados a D. Teodósio, pelas evidentes ressonâncias autonomistas (fazemos mais uma vez nossa a feliz expressão de Hernâni Cidade), e os oferecidos ao seu primogénito, o futuro D. João IV. Pendeu a balança do nosso juízo para este último, pela evidente relevância na nossa História, com a promessa de que os restantes poemas da recolha verão a luz, brevemente, em outra ocasião.

3.1. Os poemas

Ao duque de Barcelos são oferecidos seis poemas, que preenchem os fólios 211r-212r. Formam, como vimos, um núcleo perfeitamente individualizado, se descontarmos o já referido problema do poema

(20)

129

3. Aos seis poemas são atribuídos três autores: Diogo de Areda18, Gaspar Fernandes19 e Gaspar de Macedo20. O pretexto para os seis panegíricos é a oferta de uma deusa Fortuna, modelada em pasta de açúcar. Gaspar de Macedo chama-lhe, no entanto, “Sors”. Ainda que a alternativa clássica de “Fortuna” seja “Fors”, não nos parece que se trate, neste caso, de algum erro de cópia, já que, à boa maneira barroca, ambos os poemas recorrem a um previsível jogo de palavras, no título: “… cui Sors in sortem accidit”. Por outro lado, ao longo dos poemas “Sors” surge como alternativa a “Fortuna”, geralmente com efeitos retóricos. Todas as seis composições abordam o tema da instabilidade da Fortuna, que, contudo, ganhou lugar estável e permanente no paço de Vila Viçosa, na pessoa do seu herdeiro (1, vv. 11 e seguintes). É especialmente significativo, neste sentido, o poema 5, o único em que não há uma referência clara ao “trionfo”, mas em cujo único dístico se sucedem as formas “instabilem [orbem]”,

“[Fortuna] instabilis” e “stabilis [Dux]” (alusão, expressa no título, ao facto de D. João vir a herdar o título de Condestável do Reino):

perante a instabilidade do mundo e da Fortuna, surge D. João, pilar de estabilidade.

18 Diogo de Areda, sobrinho do mais conhecido pregador seu homónimo, nasceu em Arraiolos, em 1599. Ingressou na Companhia, em Évora, no dia 27 de maio de 1615. Foi reitor do Colégio de Setúbal, tendo deixado impresso, entre outros, um sermão para as exéquias de D. Duarte, pregado na Sé de Évora. Morreu em 18 de dezembro de 1671 (Franco 1714: 858; Franco 1931: 737; Machado 1731: t. 1, 634;

Sommervogel 1890: t. 1, 526).

19 Gaspar Fernandes é o autor mais representado em toda a recolha, com dois poemas dedicados a D. João (1, 6), e cinco a D. Teodósio (11, 17, 18, 19 e 20). Dele se sabe que nasceu em Beja, cerca de 1583, tendo ingressado no Colégio da Companhia, em Évora, a 31 de janeiro de 1602. Doutorou-se em Teologia, e ensinou na universidade desta cidade. Notabilizou-se no púlpito, de tal forma que foi pregador dos Duques de Bragança. A morte surpreendeu-o a 22 de junho de 1640 (Franco 1714: 866; Franco 1931: 337; Machado 1747: t. 2, 350; Sommervogel 1892: t. 3, 651).

20 Gaspar de Macedo compôs quatro poemas, dedicados a D. João (2, 3), a D.

Teodósio (12), e a D. Alexandre (21). Nasceu em Alcobaça, tendo ingressado no Colégio da Companhia, em Coimbra, a 6 de janeiro de 1615. Obteve o grau de dou- tor na Universidade de Évora. Faleceu nas Caldas da Rainha, aonde se deslocara por motivos de saúde, em 11 de outubro de 1649 (Franco 1931: 582; Machado 1747: t. 2, 361-362; Marques 1989a: 58; Sommervogel 1894: t. 5, 246).

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As aspirações restauracionistas, contudo, perpassam igualmente por estes poemas. Se chamar “Princeps” a D. João (1, vv. 1, 13, 17;

4, v. 1) é prudentemente vago, já declará-lo Príncipe descendente de Reis (“Regum de stipite Princeps”: 4, v. 1), ou afirmá-lo semelhante a um Rei (6, vv. 1-2) não oferece qualquer ambiguidade relativamente ao que se espera do herdeiro de D. Teodósio, neto de D. Catarina.

Vejamos, no quadro seguinte, uma síntese de cada um dos seis poe- mas, no que respeita à sua forma e conteúdo.

Quadro IV: O Ciclo de D. João.

n.º Autor Ideias-chave

1 Pe. Gaspar Fernandes A Fortuna é inconstante, mas a D. João ela é favorável e imensa.

2 Ir. Gaspar de Macedo A Fortuna é inconstante e governa os poderosos, mas está sujeita a D. João.

3 Ir. Gaspar de Macedo A Fortuna declara D. João digno de ser chamado Rei.

4 Ir. Diogo de Areda A Fortuna submete-se a D. João, de linhagem real, e a quem está destinada notável carreira militar.

5 Ir. Diogo de Areda A Fortuna instável procura estabilidade no paço do futuro Condestável.

6 Pe. Gaspar Fernandes A Fortuna favorece D. João, semelhante a um Rei.

3.4. O texto latino

Fizemos a leitura, a partir do códice 51-IX-4, da Biblioteca Nacional da Ajuda, uniformizando a ortografia de acordo com a prática em textos desta natureza. Interviemos na pontuação apenas quando o entendimento do texto assim o exige.

o ciclo de d. joão, duque de BarceloS

[1] Excellentissimo D. D. Ioanni Barcellorum Duci, cui Fortuna ex saccharo confecta, dono missa, in sortem obligit.

Do Pe. Gaspar Fernandez.

Diceris, o Princeps, dum munera suscipis, olim materiae salsis dulciter orta uadis, inuenisse deam instabilem, sub imagine formae

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quae facili posset dente uoranda teri.

Irruis, et ferro concisam in uiscera condis:

uisa tibi Hyblaeis dulcior illa fauis.

O fortunatum, cui Sors inopina sapores instruit, et toto mergitur alta sinu!

Fit Sors dura aliis, fit acerba et perfida multis:

fit tibi, Dux, lenis, suauis, amica, parens.

Stare loco nescit Fortuna, incerta uagatur.

Quos leuat, hos iterum tristis ad ima premit.

At tua dum, Princeps, scandit palatia, uerti nescia, stat, uolui nec sinit inde rotam.

Quin et perpetuos immota ut perstet in annos, in tua se condi uiscera dulcis amat.

Fortunam immensam, Princeps, tibi fata ministrant:

quis neget hoc? Vincis iam modo sorte deos.

Ambrosias epulas superi gustasse feruntur, dat tibi in ambrosias se dea magna dapes.

[2] Excellentissimo Domino Barcellorum Duci, cui Sors in sortem accidit.

Do ir. Gaspar de Macedo.

Ludit in humanis Sors improba, et inuida rebus semper, et incertam uersat ubique rotam.

Illa Ducum, et Comitum uarios transmutat honores, Pontificum et Regum sub pede colla premit.

At modo quae reliquis domina est, ea subdit herili et caput, et collum, fercula facta, iugo.

Ergo, age, Barcelidum decus immortale, catenis alliga, et instabilem iure prehende deam.

Vtere sorte tua, rerum tute elige Sortem, Sors alios, Sortem scilicet ipse regis.

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[3] Excellentissimo Domino Barcellorum Duci, cui Sors in sortem accidit, excellentissimis uero fratribus et Amor, et caput Olophernis.

Do ir. Gaspar de Macedo.

Vt Pater, et Nati sibi credita fercula tractent, Sortis ad arbitrium diuidit urna dapes.

Fercula Sors uoluit regalia ferre Parentem, nec uero in Natos Sors fuit aequa minus:

minor in sortem diuinum est nactus Amorem;

femina Sors medii truncat Hebraea caput.

“Quid feret hinc Maior?”, Sors inquit, “An inclyta Regum nomina? Eo certe nomine dignus erat.

Sed Fortuna fui: si quid modo restat habendum, ipsa suae merito sors modo sortis ero.”

[4] Excellentissimo eidem Domino pro eodem.

Do ir. Diogo d’Areda.

Fortunate nimis Regum de stipite Princeps, Fortuna in uotum dum tibi sorte uenit.

Fortunata magis Fortuna est ipsa, receptat in dominum talem dum sibi sorte ducem.

Fortuna ancipiti spondet tibi Marte triumphos, ut tua bellipotens Africa signa tremat.

Maiores animos quam quos Fortuna requirit, ad saeua augusto pectore bella geris, Fortuna euentus promittit pace secundos:

nam belli, et pacis iura ferenda creat.

Tu stabilem meritis Fortunam reddis in annos queis stabiles titulos iura paterna dabunt.

Ergo fidem Fortuna datam ne crimina fallat creat in ambrosias se tibi uersa dapes.

Iam maiora animo, Dux inclyte, concipe facta, semper ad obsequium Sors tibi dulcis erit.

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[5] Excellentissimo eidem Domini, ac Duci, Comitique Stabili iure futuro.

Do mesmo.

Fortuna instabilem instabilis circumuolat orbem;

ut perstet, stabilis dux, tua tecta petit.

[6] Excellentissimo Domino Barcellorum Duci pro Fortuna ex saccharo confecta sibi dono oblata.

Do Pe. Gaspar Fernandez.

Fortuna effinxit similem te sanguine Regi, et formae meritis, ingeniique parem.

De Duce te Fortuna Ducem, stabilemque creauit, in dotes pretio diuite multa tuas.

Dulcior haud unquam dicta est Fortuna, nec unquam quam modo uisa tibi gratior illa fuit.

Dulcior ergo, noui quid spondet dulcius? Vna dulcis erit meritis debita sponsa tuis.

***

4. Conclusões e agradecimentos

Esta brevíssima e modesta homenagem à Doutora Maria de Fátima Sousa e Silva, cuja simpatia e humildade são proporcionais à sapiência ingente com que sempre nos inspirou, não é mais do que o primeiro passo de um estudo que esperamos venha a dar frutos em breve, com a edição e estudo de todos os poemas desta doce recolha. Com ele esperamos poder contribuir não só para um melhor conhecimento da literatura jesuítica da primeira metade de Seiscentos, mas sobretudo para um mais claro retrato da literatura que, tomando inspiração na corte na aldeia de Vila Viçosa, manifestou a sua lealdade à Casa de Bragança e a esperança na restauração da coroa portuguesa, primeiro em D. Teodósio, mais tarde no seu primogénito.

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Deixamos, finalmente, agradecimentos às Doutoras Carmen Soares (FLUC) e Teresa Vale (FLUL), bem como ao investigador doutorando João Pedro Gomes (CECH), pela preciosa ajuda prestada no entendi- mento das questões relacionadas com os “trionfi da tavola”. Ao Doutor Manuel Barbosa (FLUL) não posso deixar de agradecer a paixão que me tem transmitido pela literatura jesuítica dos séculos XVI e XVII.

Uma palavra especial para o Mestre Francisco Pardal (FLUL), que me indicou a existência deste códice e me alertou para o seu conteúdo.

Bibliografia

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Referências

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