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AUDITORIA CONTÁBIL: ANÁLISE DOS APONTAMENTOS TCESP DAS CONTAS DA PREFEITURA DE TAUBATÉ

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Academic year: 2022

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO

ESCOLA PAULISTA DE POLÍTICA, ECONOMIA E NEGÓCIOS

IURI PICCHI SENATORE

AUDITORIA CONTÁBIL: ANÁLISE DOS APONTAMENTOS TCESP DAS CONTAS DA

PREFEITURA DE TAUBATÉ – 2009-2018

Osasco

2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO

ESCOLA PAULISTA DE POLÍTICA, ECONOMIA E NEGÓCIOS.

IURI PICCHI SENATORE

AUDITORIA CONTÁBIL: ANÁLISE DOS APONTAMENTOS TCESP DAS CONTAS DA

PREFEITURA DE TAUBATÉ – 2009-2018

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal de São Paulo como requisito para aprovação no curso de Bacharelado em Ciências Contábeis.

Orientador: Prof. Dr. Sandro Braz Silva

Osasco

2021

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Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Unifesp Osasco, CRB-8: 3998, e Departamento de Tecnologia da Informação Unifesp Osasco,

com os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

S474a SENATORE, Iuri Picchi

Auditoria contábil: análise dos apontamentos TCESP das contas da prefeitura de Taubaté 2009-2018 / Iuri Picchi Senatore. - 2021.

48 f. :il.

Trabalho de conclusão de curso (Ciências Contábeis) - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Política, Economia e Negócios, Osasco, 2021.

Orientador: Sandro Braz Silva.

1. Auditoria contábil. 2. Perícia contábil. 3. Relatórios de auditoria. I. Silva, Sandro Braz, II. TCC - Unifesp/EPPEN. III.

Título.

CDD: 657

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Auditoria contábil: análise dos apontamentos TCESP das contas da prefeitura de Taubaté – 2009-2018

Resumo

O objetivo deste estudo é apresentar a atividade da auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo nos processos de prestação de contas anuais no período de 2009 a 2018 do município de Taubaté, com destaque para os apontamentos no uso dos recursos públicos na área da educação básica. Foi aplicada uma abordagem qualitativa de pesquisa com o uso de estudo de caso (Prefeitura de Taubaté) e análise de conteúdo (Relatórios de Auditoria do TCESP de 2009 a 2018). Os principais resultados apurados neste trabalho demonstraram que, ao longo do decênio analisado, os apontamentos da auditoria são relativos à imperícia na aplicação dos recursos e, consequentemente a reprovação das contas da prefeitura. Propõe-se como futuras pesquisas a utilização da mesma ferramenta de análise deste método para analisar o uso dos recursos outras áreas, como: folha de pagamento, contratos de compra ou de serviços ou nas falhas na prestação de contas como forma de servir de exemplo para outras prefeituras.

Palavras chaves: Auditoria contábil. Perícia Contábil. Relatórios de Auditoria.

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Accounting audit: analysis of TCESP notes from the Taubaté City Hall accounts - 2009-2018

Abstract

The objective of this study is to present the audit activity of the Court of Auditors of the State of São Paulo in the processes of rendering annual accounts in the period from 2009 to 2018 in the municipality of Taubaté, highlighting the notes on the use of public resources in the area of basic education. A qualitative research approach was applied using a case study (Taubaté City Hall) and content analysis (TCESP Audit Reports from 2009 to 2018). The main results found in this work showed that, over the analyzed decade, the audit notes are related to the incompetence in the application of resources and, consequently, the disapproval of the city hall's accounts. It is proposed as future research the use of the same analysis tool of this method to analyze the use of resources in other areas, such as: payroll, purchase or service contracts or in the failures in the rendering of accounts as a way to serve as an example for other prefectures.

Key words: Accounting audit. Accounting Expertise. Audit Reports.

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Pareceres do TCESP da Prefeitura de Taubaté de 2009 a 2018... 31 Quadro 2 – Parecer AUDESP sobre a educação de 2009 a 2018 ... 35

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LISTA DE FIGURAS

Figure 1 – Motivos da rejeição de contas de prefeituras pelo TCESP em 2009 ... 37 Figure 2 - Setores que geram motivos de rejeição no TCESP em 2009 ... 38

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 9

1.1CONTEXTUALIZAÇÃO ... 9

1.2DESCRIÇÃO DO PROBLEMA E QUESTÃO DE PESQUISA ... 10

1.3OBJETIVOS ... 12

1.3.1 Objetivo Geral ... 12

1.3.2 Objetivos Específicos ... 12

1.4JUSTIFICATIVA ... 13

2. REFERENCIAL TEÓRICO ...14

2.1AUDITORIA E PERÍCIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO ... 14

2.2CORRUPÇÃO ... 19

2.3OPERITO CONTÁBIL ... 20

2.4OAUDITOR CONTÁBIL ... 22

2.5OTRIBUNAL DE CONTAS ... 23

3. METODOLOGIA DA PESQUISA...27

4. RESULTADOS DE PESQUISA ...29

4.1APREFEITURA DE TAUBATÉ ... 29

4.2LEVANTAMENTOS DA AUDESP ... 30

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...42

REFERÊNCIAS ...45

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1. Introdução 1.1 Contextualização

No momento histórico da produção desta pesquisa, o mundo está passando por uma grave crise sanitária gerada pelo vírus de uma gripe de grande potencial de contágio e que pode levar a morte uma fração dos contaminados. O vírus da SARS- CoV-2, conhecido genericamente no Brasil como “Corona Vírus” ou “COVID-19”, certamente promoveu grandes transformações sociais e econômicas nos anos de 2020 e 2021.

Depois de dois anos de grande insegurança e de informações desencontradas por parte dos veículos de imprensa, da mídia tradicional, das redes sociais e de líderes mundiais, o Brasil, como outros países ocidentais, se polarizou em um mar de fake news (notícias falsas) entre os “cientificistas x negacionistas”. Discórdia fomentada por movimentos políticos de Direita e de Esquerda ou de Conservadores e Socialistas.

O primeiro grupo é defensor de medidas restritivas de quarentenas para promover o isolamento social e de vacinação em massa. O segundo grupo, defende a liberdade de escolha do indivíduo de ir e vir, de utilizar ou não equipamentos de proteção individual – EPI, tomar vacina se quiser e de deixar a população circulando à vontade para não causar prejuízos e fechar postos de trabalho.

Vários fatos noticiados pela mídia tradicional deixam no ar a real possibilidade de corrupção em todos os níveis da sociedade, desde aqueles que receberam parcelas de R$ 600,00 (seiscentos reais) como auxílio emergencial até aqueles que administraram bilhões de reais em nome dos Estados e dos Municípios.

Destarte, a corrupção, a imperícia, a má fé para com o erário público não são resultantes, no Brasil, por causa da pandemia e sim há situações históricas que persistem desde o Brasil Colônia. Mergulhão (2020), explica que já no Brasil Colônia havia mecanismos contra a corrupção, como segue:

Delinquir, crimes de lesa-majestade, limpeza de mãos e devassas, foram termos amplamente utilizados no Brasil Colônia. Indicativos do que hoje se concebe por corrupção. Crime de Lesa-Majestade foi previsto nas Ordenações Filipinas, que correspondia a uma traição cometida contra a pessoa do Rei, um soberano, ou contra o erário. O temor poderia ser constatado através da punição imposta, eis que alguns condenados eram

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punidos com execução pública por meio de tortura, sem prejuízo do confisco de bens em favor da Coroa e condenação da família do condenado à infâmia.

Por outro lado, a presente pesquisa direcionou seus estudos para a Prefeitura de Taubaté/SP, mais precisamente em observar os Relatórios de Auditoria do TCESP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) realizado pelos agentes de fiscalização de controle do tribunal no período de 2009 a 2018.

As prestações de contas da Prefeitura de Taubaté no TCESP, no decênio descrito, levam em consideração os apontamentos realizados pelos auditores da AUDESP e pela defesa dos peritos da prefeitura ou contratados para este fim.

Conforme a pesquisa se aprofunda nas questões relativas aos apontamentos dos auditores do TCESP, busca-se a imparcialidade nos comentários e críticas com a intenção de gerar o interesse do leitor para as possibilidades de reduzir as incongruências, erros e imperícias por parte dos gestores municipais.

Cumprindo uma das intenções desta pesquisa, o texto provoca o leitor, o incita à curiosidade, o motiva a se aprofundar e, quem sabe produzir novos estudos dentro deste tema de análise das contas anuais dos municípios. Isso pode, de certo, contribuir de alguma forma com os gestores municipais a aprenderem com os possíveis erros expostos pelo TCESP.

Também é possível direcionar a perspectiva apresentada no presente estudo para novas pesquisas dentro desta linha, como da Câmara Municipal; das autarquias, como a UNITAU; os fornecedores de bens e serviços. Além, de setores específicos, como os gastos com folha de pagamento, com a saúde, com alimentação escolar, entre outros. As possibilidades para novos estudos neste campo são vastas e úteis pelo seu caráter didático para os gestores públicos de outros municípios do Brasil.

1.2 Descrição do problema e questão de pesquisa

Esta pesquisa foi escrita ao longo de uma crise mundial gerada pela pandemia do Corona Vírus. Um momento que trouxe consigo alterações e transformações nos meios de produção, de regime e de forma de trabalho e nas ações do Estado para minimizar os efeitos na economia de políticas de isolamento social e de redução da atividade econômica em muitos setores do mercado.

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Segundo Cunha (2020, p. 04-05), o papel do contabilista se intensificou e se tornou ainda mais importante diante da crise econômica e social gerada pela Pandemia do COVID-19 nos anos de 2020 e 2021.

Neste sentido, a Auditoria Contábil tem um papel fundamental e ético para coibir e ajudar a fiscalizar e aplicar a justiça na administração dos gastos durante este período de crise econômica, ainda mais com a flexibilização de recursos advindos do Estado para socorrer os entes federados no combate a pandemia.

Em tempos de isolamento social, trabalhadores em home office e o comércio fechado, muitos empreendedores têm dificuldade de manter seu negócio vivo. As incertezas levam a demissões em massa, corte de salários, concessão de férias antecipadas e outras medidas que prejudicam os dois lados da moeda. De fato, a crise do novo Coronavírus expõe a nossa economia a traumas de longo prazo. No entanto, o profissional de contabilidade tem formação e capacidade de minimizar os impactos negativos que muitas empresas sofrerão. A contabilidade é a ciência que estuda os fatos contábeis de uma empresa. Logo, ela gera informações valiosas para a gestão e administração de um negócio. Afinal, as questões financeiras, tributárias e fiscais ditam a saúde da organização. Dessa forma, durante uma crise, o contador pode agir como consultor e, assim, zelar pelo equilíbrio econômico de pequenas, médias e grandes empresas. O papel do contador- consultor com certeza, o trabalho de um contador é necessário para além de tempos de crise. No entanto, em um momento de economia tão sensível, mais empresas acabam contratando esse serviço. (CUNHA, 2020, pp.

04-05).

O texto descreve a importância do Contabilista, ainda mais com a possibilidade de corrupção nos setores públicos e privados da economia. Portanto, existe a hipótese de administradores de entidades públicas e privadas se envolverem em casos de corrupção ou improbidades no uso de recursos públicos. Situação agravada diante da instabilidade gerada pela crise citada.

Diante deste cenário, este trabalho buscou identificar nos consolidados de prestação de contas da prefeitura municipal de Taubaté, no período de 2009 a 2018, enviados ao TCESP, as seguintes indagações:

- Qual a importância da auditoria contábil no ordenamento jurídico brasileiro?

- Qual o papel do auditor nos Tribunais de Contas?

- Qual a função do TCESP na auditoria das contas públicas municipais?

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- Qual o índice de aprovação das contas anuais da prefeitura de Taubaté segundo o TCESP?

1.3 Objetivos

Esta pesquisa tem como objetivo verificar a importância da auditoria do TCESP nas contas anuais da Prefeitura Municipal de Taubaté no decênio de 2009 a 2018.

Objetiva também, analisar por amostragem, as incongruências dos relatórios de alguns setores auditados. Sendo assim, identificar na legislação vigente, o papel do auditor e do perito contador nas lides do TCESP, para garantir a boa conduta da administração municipal na aplicação dos recursos públicos de Taubaté. Além disso, compreender a importância da capacitação do staff técnico da administração municipal como forma de prevenção e de otimização na aplicação dos recursos do erário público com maior competência.

1.3.1 Objetivo Geral

A partir da análise das decisões do TCESP sobre o município de Taubaté no decênio de 2009 a 2018, apresentar o papel dos auditores nos pareceres das prestações de contas anuais consolidadas e publicadas.

1.3.2 Objetivos Específicos

Por meio de estudo bibliográfico, baseado na análise da literatura clássica, de artigos científicos, de publicações de organismos oficiais, como o site do TCESP e de periódicos da área de contabilidade, apresentar a importância do trabalho da auditoria, realizado pela AUDESP, como parte fundamental da defesa, nos processos dos consolidados da prefeitura municipal de Taubaté, julgados pelo TCESP no período de 2009 a 2018.

Além da análise geral dos consolidados do decênio do enunciado, apresentar como exemplos os casos de maior relevância, como a pasta da Educação, cujo orçamento é de, aproximadamente 33% da arrecadação do município.

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Finalizando, esta pesquisa objetiva alertar sobre a importância da formação, atualização constante e da capacitação especializada dos peritos contábeis, por parte da Prefeitura de Taubaté, como forma de prevenir irregularidades e os apontamentos dos auditores do TCESP e, possíveis processos e condenações jurídicas.

1.4 Justificativa

Considerando o histórico recente da justiça brasileira na última década, viu-se a ação de “Forças Tarefas” do judiciário e da Polícia Federal brasileira em busca de combater a ação de criminosos infiltrados em todos os níveis do Estado brasileiro.

Considerando que empresários, profissionais liberais, políticos, agentes públicos e privados agiram de maneira individual ou em grupo, formando conluios e/ou cartéis que visavam burlar as leis em busca de enriquecimento pessoal ou institucional.

Considerando os anos de 2020 e 2021, cuja pandemia de COVID-19 movimentou os governos nacionais, estaduais e municipais no Brasil e no mundo na busca de soluções para enfrentar os problemas que afetaram a população e manter a economia saudável.

Percebe-se a necessidade, em muitos setores importantes da economia brasileira, de realizar a auditoria nas contas, principalmente das instituições fomentadoras de recursos emergenciais e das que forneceram produtos ou serviços urgentes para avaliar o uso legal dos provimentos.

Portanto, a partir de análises de publicações do TCESP, destacar a ação da auditoria do Estado, nos casos da defesa das partes, como meio de garantir a legalidade, a transparência e o uso responsável por parte da Prefeitura Municipal de Taubaté dos recursos arrecadados no benefício dos órgãos e serviços públicos, principalmente da municipalidade.

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2. REFERENCIAL TEÓRICO

A gênese, a história e a atuação da Auditoria Contábil: apontamentos do TCESP nas contas anuais do município de Taubaté – SP de 2009 – 2018

2.1 Auditoria e Perícia no ordenamento jurídico brasileiro

A auditoria é a prática de conferir a prestação de contas ou a legalidade da aplicação de recursos arrecadados pelo erário público dos entes federados, nos três setores da economia: primário, secundário e terciário. Além disso, cabe a auditória emitir parecer técnico sobre os apontamentos realizados no ente em questão.

Segundo o dicionário Michaelis on-line (2021), a palavra auditoria tem a origem latina “audire”, significa o ouvinte, aquele que ouve. Ação de um auditor, aquele que examina de forma comprobatória documentos relativos às atividades contábeis e financeiras de uma empresa ou uma instituição. O termo auditor também tem origem no latim “oris”, que significa aquele que ouve; ouvinte. Ao perito em contabilidade que se dá a incumbência de examinar minuciosamente e dar parecer sobre as operações contábeis de uma empresa ou instituição, atestando a correção ou incorreção das mesmas e a veracidade do balanço geral.

Auditoria pode ser conceituada como a atividade de levantamento e de avaliação sistemática de procedimentos e tarefas de uma determinada área.

Essa atividade de levantamento e avaliação está geralmente associada a um conjunto de normas – internas e/ou externas, legais ou não – que devem ser verificadas, ou auditadas, por um profissional especializado. (VICENTE, 2014, p. 11)

No ordenamento jurídico brasileiro está previsto a importância da auditoria logo na Carta Magna. A Constituição Federal de 1988 traz a partir do art. 70 a relevância das contas públicas serem auditadas pelo Congresso Nacional e, obviamente pelos organismos de controle e de fiscalização de cada ente federado.

A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. (CF/88, 2021).

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No caput do art. 71 e nos três incisos a seguir da CF/88, o Diploma encarrega o Tribunais de Contas da União e acaba por dar norte aos Tribunais de contas dos estados, do Distrito Federal e, em alguns casos, de municípios a função de auditar as contas públicas a partir da gestão destes recursos por parte dos governantes:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório. (CF/88).

Neste sentido, a Auditoria Contábil não se restringe somente ao setor primário, ou seja, para todos os níveis do Estado e do setor público. A Auditoria Contábil é amplamente utilizada como ferramenta estratégica no mundo dos negócios do segundo setor e nas Organizações Sociais não Governamentais. A Auditoria Contábil tem competência para produzir laudo sobre a saúde financeira e a legalidade da governança pública ou privada.

A auditoria contábil compreende o exame de documentos, livros contábeis, registros, além de realização de inspeções e obtenção de informações de fontes internas e externas, tudo relacionado com o controle do patrimônio da entidade auditada.

A auditoria tem por objetivo averiguar a exatidão dos registros contábeis e das demonstrações contábeis no que se refere aos eventos que alteram o patrimônio e a representação desse patrimônio.

O objeto da auditoria se resume no conjunto dos elementos de controle do patrimônio, quais sejam os registros contábeis, documentos que comprovem esses registros e os atos administrativos. Fatos não registrados documentalmente também são objeto da auditoria uma vez que tais fatos podem ser relatados por indivíduos que executam atividades relacionadas ao patrimônio auditado. (CRC-CE, 2021).

Da mesma forma que o Estado depende da Auditoria Contábil para dar conta da forma com que os entes federados estão utilizando seus recursos em conformidade com a legislação e do interesse da República, o ente auditado tem amplo direito à defesa. A defesa do ente federado é normalmente realizada por peritos de diversas

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áreas, principalmente de contabilidade, podendo ser peritos independentes ou nomeados por um magistrado.

É comum um magistrado recorrer à análise e avaliação de técnicos notoriamente especializados sobre assuntos que requerem a formação e competência legal para confeccionar laudo e, a partir dele, auxiliar o juiz e as demais partes da lide no esclarecimento dos fatos.

Segundo o dicionário Michaelis de Língua Portuguesa, o sentido jurídico do termo perícia é o “exame de caráter técnico, por pessoa especializada, nomeada pelo juiz, de um fato, estudado ou valor de um objeto litigioso, cujos resultados servirão de meio de prova que o juiz precisará conhecer para tomar decisão”. Neste sentido, o dicionário estabelece perícia como um substantivo feminino, etimologicamente vem do latim, “peritia”. O termo tem como sinônimos: maestria, destreza, habilidade ou acerto.

Segundo NUCCI (2011, p.49) o termo perícia é entendido como um exame de alguma coisa ou de alguém, de competência de técnicos ou especialistas, delimitado por suas especificidades, que tem a função de realizar afirmações ou extrair conclusões pertinentes ao processo penal.

Neste cenário da necessidade de avaliação técnica especializada em diversas áreas do conhecimento, como por exemplo, assuntos relacionados a Medicina, a Administração e na Contabilidade necessitam do trabalho de profissionais habilitados e regulamentados para produzir laudos periciais.

A Lei Federal nº 13.115, de 16 de março de 2015, mais conhecida como Código de Processo Civil – CPC, traz em seu corpo o Capítulo III que trata dos auxiliares da justiça, entre eles o profissional de Contabilidade, cuja função é elaborar laudo pericial a pedido de um juiz para fundamentar sua decisão.

Art. 149. São auxiliares da Justiça, além de outros cujas atribuições sejam determinadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão, o chefe de secretaria, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador, o intérprete, o tradutor, o mediador, o conciliador judicial, o partidor, o distribuidor, o contabilista e o regulador de avarias. (BRASIL 2, 2015)

Segundo o TCU (2021), especificamente, no TC o que prevalece é a auditoria.

Portanto, é papel dos técnicos em contabilidade e de outras áreas correlacionadas, emitirem laudos de auditoria no auxílio dos conselheiros ou magistrados que avaliam as prestações de contas ou denúncias.

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Na sequência da abordagem desta pesquisa, algumas observações e citações se fazem necessárias para melhorar o entendimento do leitor. Portanto, a origem da administração contábil, da auditoria e da perícia, como também dos órgãos do Estado que foram sendo criados ao longo do tempo na formação do que temos hoje em dia se faz necessário.

Na administração, a previsão e o controle de bens para auxiliar a justiça é algo bem antigo. Segundo Pinsky (1987), a contabilidade se faz necessária na humanidade desde a Pré-História. O historiador descreve a importância da contabilização da produção agrícola a partir da formação das primeiras civilizações urbanas há cerca de 8 mil anos na região da Suméria, atual região sul do Iraque.

No local, foram descobertas placas de argila grafadas em baixo relevo que registravam a movimentação do estoque de alimentos, armamentos, homens e utensílios. Provavelmente, desde aqueles tempos, os juízes dependiam da figura de um especialista para auxiliar na prestação de contas.

No Brasil, a Auditoria e a Perícia Contábil também tem suas origens desde que a coroa portuguesa iniciou a ocupação e exploração do território como colônia no século XVI. Contudo, na forma da lei, durante o século XX, a ação da Perícia Contábil passou a fazer parte do ordenamento jurídico como afirma Magalhães (2009). O autor cita regras sobre Perícia Contábil a partir do código de processo civil de 1939.

Magalhães (2009) cita também o Decreto-Lei nº 9.295, de 1946, época de grandes mudanças no cenário político brasileiro com a redemocratização do país após passar 15 nos sob o comando de Getúlio Vargas institucionalizou a Perícia Contábil no Brasil. Contudo, por meio da Lei n° 5.869/1973, ocorreram modificações nas Leis Complementares. Com isso, mudanças significativas no sistema de perícias judiciais foram aplicadas as tornando mais ampla, clara e aplicável.

Ainda segundo Magalhães (2021), a Auditoria toma corpo no controle das coisas do Estado em todos os níveis a partir do final do Império no século XIX. Com a proclamação da República no Brasil em 15 de novembro de 1889 e a promulgação da Carta Magna de 1891, uma Emenda Constitucional foi criada para formalizar o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, na época o município era a capital do país.

Portanto, o CPC/2015 prevê a necessidade de o judiciário brasileiro recorrer ao trabalho de um profissional habilitado e legalmente constituído para gerar documentos que promovam a transparência dos fatos, a luz da razão e de forma clara e objetiva a partir de linguagem vernácula para facilitar a compreensão dos envolvidos

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na lide. Como vemos no art. 156 “O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico”.

No art. 70, da Constituição Federal de 1988, na seção IX, que trata da fiscalização contábil, financeira e orçamentaria da União, se destaca pela importância do trabalho do profissional de contabilidade no controle, na fiscalização e no planejamento dos orçamentos públicos em todos os entes da federação e em todos os níveis do Estado brasileiro.

A Lei Federal 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o Código Civil Brasileiro – CC/02, a partir do art. Nº 1.177 até o art. Nº 1.184 o papel do contabilista é descrito de suma importância e de responsabilidade legal por tudo aquilo que ele produz de documentação contábil e é responsável direto pelas informações ou declarações prestadas em seu nome ou a quem represente.

No CC/02, o Contabilista, legalmente habilitado e registrado, pode ser acionado pelo juiz para produzir laudo pericial em diversas situações onde exista complexidade na declaração de bens de direito, como no caso de herança, pensão alimentícia, falência e/ou levantamento de bens ou dívidas.

Outra atuação de grande importância do profissional de contabilidade é no âmbito da justiça penal brasileira. O Decreto Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, o Código Penal – CP, é outro diploma que atribui a necessidade do perito contábil no auxílio da justiça na produção ou revisão de documentos contábeis em diversas áreas.

Contudo, ainda sobre o CP, os artigos nº 342 e nº 343 são tratados por alguns doutrinadores como polêmicos. O fato é que esses dois artigos do CP responsabilizam criminalmente o contabilista em casos de elaboração de documentos ou declarações fraudulentas ou imprecisas. Destarte, que produzir documentação falsa ou omissiva é um ato criminoso, mas Hoog e Zappa (1995, p.101), defende outro parecer:

O que vemos é uma afronta a igualdade e a segurança jurídica; quando se pretende responsabilizar o Contador, o que concordamos, não concordamos e que as outras profissões de nível superior, como Economistas, Administradores, não estejam tipificadas neste art. da lei penal, pois eles também podem induzir a erro ou fazer afirmações falsas, exemplo Carta do Administrador utilizado em auditoria ou Parecer/atos dos administradores de uma sociedade anônima, arts. 138 a 142 da Lei 6.404/76.

A perícia técnica contábil disponibiliza ao juiz o conhecimento advindo de um profissional especializado sobre o conteúdo disposto no laudo pericial e auxilia a

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esclarecer questões complexas com o intuito de possibilitar ao juiz tomar sua decisão baseado em fundamentos bem alicerçados.

Por fim, é importante destacar a diferença entre as perícias judiciais e extrajudiciais de uma auditoria. Enquanto a auditoria normalmente aborda um conjunto de situações e apontamentos que envolve fatos e operações de forma mais generalizada, cujo os métodos se realizam análises por meio de amostragem, a papel da perícia contábil é de analisar um fato específico em todo o seu contexto.

2.2 Corrupção

Boff (2021), afirma em sua obra uma passagem de Santo Agostinho e a teoria do filósofo Kant para explicar o que é a corrupção. Segundo o autor, corrupção tem origem na palavra coração, do latim cor, rompido, do latim, ruptus, ou seja, “coração rompido e pervertido”.

Acrescentando a visão de Kant, cita a frase: “somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Desta forma, pode-se interpretar que existe no homem a intenção de corromper e de ser corrompido e cabe ao próprio homem a iniciativa de combater suas vis intenções pelo bem comum e a vida em sociedade.

O economista indiano, ganhador do Nobel de Economia de 1998, Amartya Sem, dá uma excelente contribuição para entender como a corrupção não se prende apenas aos interesses individuais e como a educação pública de qualidade pode gerar transformações socioeconômicas significativas que melhoram a qualidade de vida e a alienação da população:

Há margem para mudança, e uma parte dela pode acumular-se e se difundir.

Assim como a presença de comportamento corrupto encoraja outros comportamentos corruptos, a diminuição de predomínio da corrupção pode enfraquecê-la ainda mais. Quando se tenta alterar um clima de conduta, é alentador ter em mente o fato de que cada círculo vicioso acarreta um círculo virtuoso se a direção for invertida. (SEM, 2010, p.354-355).

Diante da necessidade de adquirir equipamentos, medicamentos e instalações médicas e hospitalares de forma rápida, o controle e fiscalização dos contratos se tornou menor diante do aumento da demanda. Destarte, surgiram muitas denúncias sobre o mal uso dos recursos públicos por gestores públicos na prática de corrupção. Uma situação em que o papel da perícia contábil será um meio de analisar,

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apurar e avaliar contratos suspeitos e agir tanto na acusação, quanto na defesa em processos desta natureza.

2.3 O Perito Contábil

O Código de Processo Civil Brasileiro, o perito contábil é considerado um auxiliar da justiça em seu artigo 149. Cabe, portanto, ao magistrado responsável pelo processo solicitar a ação de um perito contábil para permitir a avaliação técnica necessária para dar continuidade ao trabalho dos agentes do direito de forma ética, transparente, de fácil entendimento e dentro dos parâmetros técnicos previstos pela NBC.

De acordo com Hoog (2008) e com as Normas Brasileiras de Contabilidade, os procedimentos aplicados são iguais tanto para perito quanto para o assistente que for indicado pelas partes. Levando-se em conta o que trata do âmbito processual, peritos e auxiliares dever ser profissionais formados em Contabilidade e devidamente registrado no CRC – Conselho Regional de Contabilidade.

No caso da nomeação do perito é um ato realizado pelo magistrado. Ele também será quem estabelecerá o prazo para conclusão do laudo. Diferentemente do perito, o assistente técnico será indicado pelas partes. Neste caso, um contabilista de confiança de cada um sem a interferência ou aprovação pelo magistrado da lide.

Ao nomear um perito contador o juiz do caso espera que o contabilista faça a análise de forma imparcial do processo e siga os objetivos descritos nas NBC TP R1 de 2021, no seu item nº 07:

Os objetivos do planejamento da pericia são:

a. conhecer o objeto e a finalidade da pericia para permitir a escolha de diretrizes e procedimentos a serem adotados para a elaboração do trabalho pericial;

b. desenvolver plano de trabalho onde são especificadas as diretrizes e procedimentos a serem adotados na perícia;

c. estabelecer condições para que o plano de trabalho seja cumprido no prazo estabelecido;

d. identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no andamento da perícia;

e. identificar fatos importantes para a solução da demanda, de forma que não passem despercebidos ou não recebam a atenção necessária;

f. identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia;

g. estabelecer como ocorrera a divisão das tarefas entre os membros da equipe de trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares.

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Para se tornar um perito contábil, além da formação acadêmica em Contabilidade se faz necessário que o profissional solicite a certidão para habilitação dos peritos nos Fóruns do Estado de São Paulo ao CRCSP. Esta certidão é expedida pelo Departamento de Registro e as informações completas do procedimento podem ser consultadas em seu portal. Desta forma, o poder judiciário tem a segurança de contar com um profissional devidamente capacitado para executar a lide com a competência necessária e sob o controle do Conselho Nacional de Peritos Contábeis – CNPC e do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, como segue:

O Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), criado pela Resolução CFC n.º 1.502/2016 e alterada pela Resolução CFC n.º 1.513/2016 e 1.519/2017, tem o objetivo de oferecer ao Judiciário e à sociedade uma lista de profissionais que atuam como peritos contábeis, permitindo ao Sistema CFC/CRCs identificá-los com o intuito de dar maior celeridade à ação do Poder Judiciário, uma vez que se poderá conhecer geograficamente e, também, por especialidade a disponibilidade desses profissionais.

O CNPC se justifica tendo em vista o novo Código de Processo Civil Brasileiro (CPC), que entrou em vigor no dia 18 de março de 2016, determinando que os juízes sejam assistidos por peritos quando a prova do fato depender de conhecimento específico e que os tribunais consultem os conselhos de classe para formar um cadastro desses profissionais.

Hoog (2008) diferencia a qualificação entre o perito contábil e o auxiliar. O que diferencia um do outro é que o perito é nomeado pelo juiz do caso e auxiliar pelas partes envolvidas no processo. No caso do assistente, ele possui o diferencial de não ser sujeito à suspensão do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), ao contrário o perito pode ser destituído pelo juiz para que outro profissional refaça a perícia.

Quanto a remuneração do trabalho do perito, ele recebe seus honorários diretamente da justiça. Já o assistente recebe seus honorários das partes que o contratou. No caso dos prazos para entregar o laudo, para o perito o juiz estabelece, segundo a lei, o tempo para a finalização da perícia. No caso do assistente, o prazo fica fixado em 10 dias após a publicação do laudo.

Como citado, a perícia no TCESP é sempre realizada pela parte auditada, no caso de prefeituras e outros órgãos públicos, a perícia contábil deve fazer parte do corpo técnico dessas organizações para orientar as ações financeiras, como folha de pagamento, contratações de serviços, compras de insumos e capitais, aplicação de recursos repassados pelo Estado. Neste sentido, o TCESP, por meio da AUDESP

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promoveu um curso preparatório para servidores públicos das prefeituras para capacitá-los como peritos.

A capacitação, que abordará os módulos Fase III ‘Atos de Pessoal’ e Fase IV

‘Licitações e Contratos’, é voltada aos agentes públicos dos Departamentos de Pessoal e Recursos Humanos e aos servidores que trabalham na elaboração de licitações e contratos das entidades jurisdicionadas nos municípios e Estado (TCESP, 2021).

A iniciativa do TCESP em promover a capacitação de servidores públicos que trabalham com licitações, contratos e atos de pessoal tem como objetivo reduzir as infrações advindas nas prestações de contas das prefeituras municipais do estado.

Mesmo porque, desde que a Auditoria Eletrônica do Estado de São Paulo – AUDESP, Implantada em janeiro de 2008, pelo TCE, a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal Complementar nº 101 de 04/05/2000, passou a auditar as contas públicas mensalmente, algo que passou a exigir mais cuidado por parte dos gestores. Neste sentido, a perícia técnica contábil é incentivada pelo TCESP dentro das prefeituras.

2.4 O Auditor Contábil

A auditoria contábil tem em sua origem semelhança com a perícia contábil.

Na antiguidade, egípcios, mesopotâmicos, indianos e chineses praticavam a contabilidade de Estado por meio de funcionários especializados que controlavam a cobrança de taxas e impostos de seus cidadãos, principalmente dos comerciantes e artesãos.

Segundo Vicente (2014), a auditoria nasce da necessidade de proteger o Estado de fraudes no pagamento de impostos e de comprovar a idoneidade do fornecedor ou contribuinte.

A história mostra que a auditoria e a contabilidade caminham juntas desde o seu início. A partir do momento em que a contabilidade foi sendo criada para mensurar e controlar o patrimônio e os resultados das trocas de mercadorias, o processo de auditoria foi sendo desenvolvido e cada vez mais fortemente associado à história da contabilidade. (VICENTE, 2014, p.12)

Esta pesquisa objetiva analisar a função do auditor no TCESP. Desta forma, partimos do princípio que o TCE tem a função de auditar, ou seja, examinar as contas públicas dos municípios do estado de São Paulo para o bem do erário público. São os

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auditores que apresentam os pareceres sobre a licitude ou ilicitude da documentação apresentada pelos entes auferidos e publicam seus resultados.

No Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, nos termos da Lei Complementar 979/2005, compete aos Auditores substituir os Conselheiros em suas ausências e afastamentos, presidir a instrução dos processos que lhes forem distribuídos e exercer as demais competências dadas em regimento. A Resolução 1/2012, de status regimental, deu a eles a competência de diferir sem solução de mérito os processos que analisam contratos, atos análogos e convênios. Já a Resolução 3/2012 lhes concedeu a competência de julgar os processos singulares de jurisdição municipal. Das sentenças dos Auditores cabe recurso a ser relatado por Conselheiro nas Câmaras (SARQUIS, 2013).

Segundo Dall’Orio (2018), é importante que as contar públicas passem pela auditoria contábil para que o Estado passe ao contribuinte a segurança que a coisa pública funciona de forma imparcial e lícita. Para que isso possa ocorrer, a fiscalização das movimentações financeiras com recursos do erário público deve ser realizada por auditores devidamente formados, capacitados e registrados no CNC. Neste sentido, os auditores dos Tribunais de Contas têm o objetivo de contribuir com a excelência da administração pública e pela melhoria da aplicação dos recursos.

A partir de instrumentos fiscalizatórios como levantamento, auditoria, inspeção, acompanhamento, monitoramento e auditorias coordenadas, as Casas de Contas buscam contribuir para o alcance dos objetivos fundamentais, expressos no artigo 3° da Constituição Federal de 1988. Tal sistemática não é estanque, impondo evolução constante no modelo de verificação do gasto público (DALL’ORIO, 2018).

Portanto, o papel do auditor no TCESP é de suma importância para examinar, fiscalizar e apontar possíveis divergências ou irregularidades na aplicação dos recursos públicos das prefeituras na compra de produtos ou serviços, na atuação dos funcionários e nas licitações. O auditor é o responsável em produzir laudo técnico sobre a atuação de gestores públicos municipais nos julgamentos do TCESP.

2.5 O Tribunal de Contas

O Tribunal de Contas da União tem um papel essencial na fiscalização das contas públicas do governo e demais entidades ligadas ao âmbito federal. Há os Tribunal de Contas estaduais. Cada um dos estados da federação e no Distrito Federal

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mantém, respectivamente, seus Tribunais de contas. Cabe aos Tribunais de Contas estaduais fiscalizar e cuidar da aplicação correta e legal dos recursos públicos dos governos estaduais e dos municípios sob sua jurisdição.

Segundo o TCU (2021), a atuação da entidade é de apreciar as contas ligadas ao Presidente da República, julgar as contas dos administradores responsáveis pelos recursos públicos, fiscalizar os processos de contratação de pessoal no serviço público, bem como apreciar aposentadorias e pensões civis e militares. Cabe ou TCU acompanhar a utilização de recursos destinados pelo governo federal aos estados e municípios, dar parecer conclusivo e aplicar sanções aos entes federados em casos de mal uso dos recursos públicos. Por fim, é dever do TCU receber e apurar denúncias de cidadãos ou entidades representativas sobre irregularidades na aplicação de recursos federais. Resumidamente, o TCU se apresenta desta forma:

O TCU é o órgão de controle externo do governo federal e auxilia o Congresso Nacional na missão de acompanhar a execução orçamentária e financeira do país e contribuir com o aperfeiçoamento da Administração Pública em benefício da sociedade. Para isso, tem como meta ser referência na promoção de uma Administração Pública efetiva, ética, ágil e responsável.

O Tribunal é responsável pela fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades públicas do país quanto à legalidade, legitimidade e economicidade. (TCU, 2021)

Existe uma exceção no ordenamento da constituição dos Tribunais de Contas no Brasil. A exceção se refere aos municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro. No final dos anos de 1960, os governadores desses estados em comum acordo com o governo federal, entenderam que devido a relevância populacional e econômica desses dois municípios, ambos ganharam seus próprios Tribunais de Contas. Direito este, que mesmo vetado na CF/88, se mantiveram ativos nos dois municípios por já existirem e pelo entendimento do Supremo Tribunal de Justiça – STJ.

O Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM- SP) tem existência anterior a Constituição de 1988 e sua criação foi prevista no artigo 106 da Constituição do Estado de São Paulo de 1967, que dispunha:

Artigo 106 - O Município de São Paulo e os que tiverem renda superior a cinco por cento da arrecadação deste, poderão ter regime administrativo especial e Tribunal de Contas próprio, na forma que a Lei Orgânica dos Municípios estabelecer.

Assim, o Tribunal de Contas do Município de São Paulo foi criado e organizado pela Lei municipal nº 7.213/68.

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O Tribunal se estabeleceu como órgão independente e autônomo com a função de fiscalizar as contas da administração municipal quanto ao uso dos recursos públicos (Ferreira, 2021).

No caso da cidade do Rio de Janeiro, o Tribunal de Contas do município é bem mais antigo. O TCM – RJ foi criado em 1891 a partir de uma emenda constitucional em virtude de a cidade ser a capital do governo federal. Com a mudança da capital da república para Brasília em 1964 a cidade do Rio de Janeiro perdeu sua condição especial para manter seu próprio tribunal, algo que se regulamentou a partir de 1980 até os dias de hoje.

No entanto, foi apenas com o advento da Emenda nº 1 de 1969, que alterou a redação do §3º do artigo 16 da Constituição, que se possibilitou que municípios com população superior a dois milhões de habitantes e renda tributária acima de quinhentos milhões de cruzeiros novos poderiam instituir Tribunais de Contas próprios.

Assim, a partir de 1980, o Estado do Rio de Janeiro, atendendo aos requisitos estabelecidos, criou o seu Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM RJ). (FERREIRA, 2021).

Ao analisar o trabalho do TCESP, percebe-se seu papel de auditar a documentação contábil do estado, dos 644 municípios e das empresas que se relacionam com o serviço público estadual.

Ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo compete atuar na fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estado de São Paulo e de seus Municípios, exceto o da Capital, bem como na das respectivas entidades de administração direta ou indireta e na das fundações por eles instituídas ou mantidas, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de subvenções e renúncia de receitas.

A jurisdição do Tribunal alcança administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos, além das pessoas físicas ou jurídicas, que, mediante convênios, acordos, ajustes ou outros instrumentos congêneres, apliquem auxílios, subvenções ou recursos repassados pelo Poder Público.

(TCESP, 2021).

Desta forma, cabe ao TCESP auditar as contas públicas dos municípios do interior do estado. O órgão fiscaliza, orienta, acompanha e julga mensalmente a prestação de contas e emite pareceres parciais, alertas e recomendações para as prefeituras, câmaras municipais, instituições públicas ligadas às prefeituras e até fornecedores de bens e serviços.

Anualmente o TCESP publica o parecer das contas pública dos municípios do interior do estado de forma a julgar se a aplicação dos recursos públicos está dentro da legalidade e de forma que atenda ao interesse da municipalidade.

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O Tribunal de Contas pode aprovar, reprovar ou aprovar com ressalvas as contas dos municípios. Quando a decisão é pela reprovação o gestor público é responsabilizado e punido conforme a lei. Segundo a Lei de Federal de licitações nº 14.133/2021, aos gestores, agentes e servidores públicos que não cumprirem suas obrigações, sofrerão processos civis e/ou criminais, com punições de advertência, multas, perda do cargo ou função, inelegibilidade e até restrição da liberdade.

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3. METODOLOGIA DA PESQUISA

Segundo Gil (2010), as formas e procedimentos dos métodos se referem às técnicas e formas que são utilizadas para criar um alicerce e fundamentar um trabalho científico.

Este trabalho se concentrou em colher informações junto a documentos bibliográficos da literatura, artigos de em sites de pesquisa científica, revistas e, especificamente no site do TCESP para construir um estudo de caso sobre a função da Auditoria e da Perícia Contábil na prestação de contas da Prefeitura de Taubaté no decênio de 2009 a 2018.

Por este motivo um dos procedimentos adotados nesta pesquisa, foi utilizado o recurso da pesquisa bibliográfica que Martins (2001) define abordar e debater um tema com base nas referências teóricas publicadas em livros, revistas, periódicos e outros. Este tipo de pesquisa busca também conhecer e analisar conteúdos científicos de determinado tema.

Para Marconi e Lakatos (2008), a pesquisa bibliográfica ou de fontes secundárias é considerada um levantamento de algumas bibliografias mais estudadas em forma de livros, revistas e publicações avulsas, sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com o que já foi escrito sobre determinado assunto, com objetivo de permitir ao mesmo poder analisar ou manipular suas informações com outras bibliografias já publicadas.

Fogliatto (2007), diz que a pesquisa bibliográfica ocorre quando esta apresenta ideias originárias de várias fontes para construir uma nova versão ou uma nova maneira de apresentar um assunto ou tema de conhecimento comum.

Outra técnica utilizada foi a de estudo de caso relativa à Prefeitura de Taubaté, onde, segundo Menezes (2021), “o objetivo de um estudo de caso é produzir conhecimento a respeito de um fenômeno”. A intenção é demonstrar como a análise de um fato recorrente em um município brasileiro pode contribuir para identificar situações que sirvam de alerta para a melhoria da prestação de contas e do uso dos recursos públicos municipais com eficiência, responsabilidade, transparência e legalidade, evitando punições para o município ou para os gestores.

Estudo de caso é uma estratégia de pesquisa científica que analisa um fenômeno atual em seu contexto real e as variáveis que o influenciam. Trata-

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se de um estudo intensivo e sistemático sobre uma instituição, comunidade ou indivíduo que permite examinar fenômenos complexos. (MENEZES, 2021)

Os dados coletados serão tratados através de análise qualitativa que, segundo Silva (2001), enfatiza as especificidades de determinado assunto em termos de origem e da sua razão de ser, faz uma relação ativa entre o mundo real e o sujeito.

Esse tipo de análise dispensa o uso de dados estatísticos, os pesquisadores nestes casos possuem uma tendência de analisar seus dados indutivamente.

Além das técnicas mencionadas, a pesquisa descritiva também foi utilizada, pois com esta técnica é possível buscar percepções e entendimento sobre a natureza geral de determinado tema, abrindo espaço para uma interpretação do mesmo (SEVERINO, 2000).

O Trabalho apresentará os resultados de modo textual, para melhor compreensão do tema proposto, visto que se trata de um estudo de caso e bibliográfico.

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4. RESULTADOS DE PESQUISA

4.1 A Prefeitura de Taubaté

Segundo Abreu (1991), a cidade nasceu a partir de uma tribo de aborígines tupis que conviviam pacificamente com algumas famílias portuguesas ao extremo leste da vila de São Paulo de Piratininga. Entre estas famílias, se destacou a do bandeirante Jacques Félix, “homem de bem” (como se denominava pessoas de posses e fieis ao donatário de uma capitania hereditária).

Guisard Filho (1936), afirma que em 1632, Jacques Félix recebeu uma procuração da Condessa de Vimieiro, 4ª donatária da Capitania de São Vicente e 1ª donatária da Capitania de Itanhaém, para explorar os sertões do Vale do Paraíba a partir do povoado de São Francisco das Chagas de Taubaté. Em 1639, Jaques Félix recebeu provimentos, colonos portugueses, escravos e gado bovino para construir a base da futura Vila de Taubaté, fundada oficialmente em 1645. A Vila se tornou a primeira cidade do Vale do Paraíba e núcleo irradiador do bandeirantismo e da descoberta do ouro em 1693 em Minas Gerais.

Durante o século XVIII, Taubaté se especializou na produção de cana-de- açúcar, compotas de frutas, charque e mulas. A produção era voltada para suprir a demanda por alimentos dos vilarejos das Minas Gerais, onde a população crescia devido a imigração de portugueses em busca de ouro.

Contudo, foi na segunda metade do século XIX que Taubaté alcançou grande importância econômica nacional devido a produção e a centralização da comercialização regional de café, produto exportado majoritariamente para a Inglaterra e para os Estados Unidos. Segundo Fausto (2001), a riqueza oriunda do café proveu recursos suficientes para financiar o início da industrialização brasileira.

Em 1906, Taubaté se fixou na história econômica brasileira por sediar o

“Convênio de Taubaté”. Acordo de subsídio estatal com os produtores brasileiros de café no qual se estabeleceu a garantia de compra de toda a produção cafeeira nacional pelo Estado. Este por sua vez criou o monopólio de representar, armazenar e comercializar o café no exterior. O “Convênio de Taubaté” fortaleceu a burguesia cafeeira até 1930.

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Ricci (2008) aponta a precocidade de Taubaté na industrialização nacional, pois entre o final do século XIX e o início do século XX, a cidade abrigou grades indústrias têxteis como a Companhia Taubaté Industrial (CTI), com cerca de 2 mil operários e a Fiação e Tecelagem Juta da Amazônia S/A (FITE JUTA), que ultrapassou os 4 mil postos diretos de trabalho, até se tornar centro industrial e urbano a partir do final dos anos de 1950 com a inauguração da Willys/Ford e da Mecânica Pesada (Alstom).

Segundo BRASIL 6 (2022), o município de Taubaté, uma das sub sedes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, tem aproximadamente 320 mil habitantes.

Economicamente, Taubaté ocupava a 50ª posição no PIB nacional em 2019 e a 17ª colocação no ranking estadual.

A arrecadação do município ocupa a 66ª colocação no Brasil e a 22ª posição no ranking estadual, com cerca de R$ 1,4 bilhões de receita. Recursos que foram aplicados majoritariamente com o pagamento do funcionalismo público, educação, saúde, obras de infraestrutura e manutenção urbana, segurança, Câmara Municipal, dívida pública municipal e demais demandas de sua competência.

Demograficamente, apesar de ser uma cidade de porte médio, Taubaté conta com uma arrecadação equivalente de algumas capitais de estados e um PIB per capta de quase R$ 60 mil, considerado elevado, segundo o IBGE (2022). Esta condição econômica faz da prefeitura o maior empregador e uma das maiores instituições econômicas do município. Exercendo papel fundamental na economia local.

A aplicação dos recursos públicos é orientada pela legislação e cabe ao gestor público municipal cuidar, por meio de sua capacidade de governança, para que sua aplicação atenda às necessidades dos munícipes, das empresas e da própria prefeitura em consonância com a lei.

4.2 Levantamentos da AUDESP

A AUDESP realiza desde 2008 o acompanhamento mensal, por meio de auditoria, das contas públicas dos municípios paulistas, exceto da capital. Por meio da consulta deste sistema pela internet, no site do TCESP, é possível acessar os processos, pareceres e acórdãos dos conselheiros sobre a prestação de contas anuais das prefeituras.

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Neste contexto, a abordagem desta pesquisa é verificar a eficiência da AUDESP em auditar as prestações de contas públicas do município de Taubaté entre os anos de 2009 a 2018, ou seja, ao longo de dez anos. Também, como a prefeitura recorreu a mecanismos de defesa nos casos de reprovação das prestações de contas realizados pelos peritos e advogados.

Na busca de melhor entendimento do comportamento da prefeitura municipal de Taubaté no período de 2009 a 2018, segue a tabela com um resumo dos pareceres dos auditores e conselheiros do TCESP da prestação de contas de cada ano.

Quadro 1 – Pareceres do TCESP da Prefeitura de Taubaté de 2009 a 2018

ANO RESUMO DOS PARECERES DO TCESP RESULTADO 2009 Conhecido e desprovido. Contas de Prefeito. Gastos excessivos

com pagamento de pessoal. Falta de planejamento da gestão pública. Inobservância das mais elementares formalidades legais destinadas ao regular processamento da despesa pública. Incorreções registradas no Quadro de Pessoal.

Reprovada

2010 Parecer desfavorável às contas da Prefeitura. Registra constar dos autos que a receita prevista para 2010 foi de R$

520.882.318,51 e a realizada, de R$ 499.912.754,35. Apurou- se déficit de arrecadação de (R$20.969.564,16), 4,03% da receita prevista; os recursos recebidos a título de “multas de trânsito” foram aplicados nos termos do artigo 320 da Lei n.

9.503/97, contudo, foi depositado 4,92% ao FUNSET em descumprimento ao parágrafo único do mesmo preceito.

Reprovada

2011 Execução Orçamentária: Déficit de 0,06% - R$ 358.862,84 Aplicação no Ensino: 24,60% Magistério: 70,84% FUNDEB:

100% Despesas com pessoal: 57,14% Aplicação na Saúde:

23,67%. Vistos, relatados e discutidos os autos. ACORDA a Primeira Câmara do TCESP, em sessão de 03 de setembro de 2013, pelo voto dos Conselheiros, em face das falhas constatadas nos autos, indicadas no voto do Relator, emitir parecer desfavorável à aprovação das contas da Prefeitura, exceção feita aos atos pendentes de apreciação por este Tribunal.

Reprovada

2012 Contas anuais do exercício de 2012. Ensino: 25,38%. FUNDEB:

99,85%. Magistério: 76,33%. Pessoal: 57,77%. Saúde: 27,50%.

Déficit Orçamentário: 2,37%. Aumento das despesas com Pessoal, em descumprimento ao disposto no artigo 21 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não atendimento ao contido no artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Encargos:

descontos em folha de pagamento efetuados, mas não houve a comprovação de recolhimento junto ao Instituto. Despesas com Publicidade e Propaganda Oficial, em desacordo com o artigo 73, VII da Lei Eleitoral. Parecer desfavorável à aprovação das contas da Prefeitura. Votação unânime.

Reprovada

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2013 "Despesas com Pessoal” e "Aplicação no Ensino". Falhas não afastadas. “Resultado Financeiro” - a documentação encartada demonstra que o Resultado Financeiro apurado no Balanço Patrimonial no encerramento do exercício de 2013 foi superavitário. Afastado o alerta emitido. CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

Aprovada

2014 Parecer prévio favorável à aprovação das contas da Prefeitura Municipal de Taubaté, exercício de 2014. À margem do Parecer, determinou a expedição de ofício ao Chefe do Executivo, com as advertências assinaladas no voto do Relator, juntado aos autos. Determina, ainda, a abertura de autos próprios para tratar do Convênio n° 34.982/13, celebrado entre a Prefeitura Municipal de Taubaté e a Universidade de Taubaté.

Aprovada com Advertência

2015 Gastos com ensino. Impertinência das glosas sugeridas no período (valores com inativos e aporte para a cobertura de déficit atuarial do regime próprio da previdência). Supressão possível a partir de 2018. Modulação TCESP.

Reprovada

2016 Contas anuais de prefeitura. Parecer favorável. V.U. Município:

Taubaté. Exercício: 2016. Ensino: 26,72%, FUNDEB: 100%.

Magistério: 69,28%. Pessoal: 51,46%. Saúde: 27,58%.

Execução Orçamentária: Déficit de 1,97%.

Aprovada

2017 Parecer prévio favorável à aprovação das contas da Prefeitura de Taubaté, relativas ao exercício de 2017. Advertências discriminadas no voto do Relator, com relação à quitação das parcelas pela servidora, Senhora O. M. S., relativas à restituição de Licença Prêmio paga, indevidamente, pelo Município. Determina, também, o arquivamento do Expediente TC017146.989.17; bem como a abertura de autos específicos para tratar do Pregão nº 398/17 (item G.3).

Aprovada dentro dos limites da jurisprudência

2018 Contas do exercício de 2018 da prefeitura municipal de Taubaté. Parecer favorável, com recomendações. Aplicação total no ensino: 25,29%. Investimento no magistério – verba do FUNDEB: 68,36%. Total de despesas com FUNDEB: 100%;

Investimento total na saúde: 29,97%; Gastos com pessoal:

50,01%; Resultado da execução orçamentária: Déficit 9,36%;

Resultado financeiro: Negativo.

Aprovada com Ressalvas

Fonte: resumos elaborados pelo autor dos Relatórios de Auditoria do TCESP (2021).

O Quadro 1 traz informações resumidas dos pareceres finais dos relatores, conselheiros e auditores do TCESP sobre as contas anuais do município de Taubaté, entre os anos de 2009 a 2018 até a data da produção deste trabalho. Portanto, reafirma-se que boa parte das sentenças podem sofrer mudanças, conforme o seguimento dos processos em todas as esferas da justiça.

A principal característica do decênio é que não fora percebido crimes de corrupção pela AUDESP. Mesmo nos anos que a decisão foi desfavorável ao gestor público, foi apontado problemas de falhas contábeis, correto atendimento da

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legislação, gastos com pessoal, contratações irregulares, falta de investimentos na educação básica, não cumprimento ou pagamento de contratos e falhas no repasse de verbas para o Instituto previdenciário municipal.

Em 2011, o prefeito cometeu provavelmente um erro contábil na aplicação dos recursos advindos do FUNDEB em 0,06%. Aparentemente, esta sobra é um número percentual inexpressivo, mas impactante no montante da receita da pasta da educação de cerca de R$ 358 milhões, deixando para traz, aproximadamente R$ 78 mil. Valor que poderia ter sido investido em reformas, pinturas, implantação de um laboratório de informática ou na formação de professores para melhorar o IDEB do ensino para os próximos anos e cumprir as metas educacionais.

Ainda no ano fiscal de 2011, a Prefeitura Municipal cometeu a imprudência de aplicar 57,14% da receita em folha de pagamento, boa parte no pagamento de salários para profissionais não concursados, infringindo a Lei de Responsabilidade Fiscal nº 101 de 04 de maio de 2000 e a CF/1988.

Segundo a LC n 101/2000, os municípios podem aplicar até 60% dos seus recursos arrecadados com a folha de pagamento, sendo 10% deste montante destinados ao Legislativo (Câmara Municipal). Portanto, o limite para a prefeitura é de 54% da arrecadação. Tendo como limite prudencial a margem entre 51,3% a 54%, pois os encargos sociais ou indenizações devem entrar nesta margem.

Neste caso, como os gastos ficaram acima do teto de 54% das receitas municipais com pessoal, as contas municipais foram reprovadas pelo TCESP. O que pode acarretar para o gestor a seguinte situação segundo o Conselho Nacional de Municípios – CNM.

Além das vedações impostas ao Município, algumas penalidades severas têm atingido os gestores em todo o país com a fiscalização dos órgãos de controle externo (Tribunais de Contas). Como exemplo, a entidade cita a rejeição de contas, a aplicação de multas e as acusações de improbidade administrativa junto ao Ministério Público. (CNM, 2018).

Neste sentido, o CMN realizou uma pesquisa sobre o ano fiscal de 2018, último ano de referência desta pesquisa, o qual constatou uma grande quantidade de municípios brasileiros, cerca de 20% deles, com dificuldades de cumprir o teto de gastos com folha de pagamento e menos da metade dos prefeitos conseguiram trabalhar os gastos com pessoal em cumprimento do previsto na LC nº 101/2000:

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