• Nenhum resultado encontrado

J. Pediatr. (Rio J.) vol.78 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "J. Pediatr. (Rio J.) vol.78 número2"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

Jornal de Pediatria - Vol. 78, Nº2, 2002 181

CARTAS AO EDITOR

0021-7557/02/78-02-181 Jornal de Pediatria

Copyright ©2002 by Sociedade Brasileira de Pediatria

Trauma do carrinho de supermercado: uma nova modalidade de trauma pediátrico?

Os lactentes e pré-escolares são freqüentemente trans-portados nos carros de supermercado acompanhando seus pais, durante as compras. As lesões decorrentes do trauma-tismo dessa prática são uma importante causa de morbidade pediátrica e mortalidade potencial, sobretudo em crianças menores de 5 anos1,2.

Ao realizar uma revisão da literatura sobre essa moda-lidade de traumatismo, no período dos 10 últimos anos, encontraram-se oito citações3,4 de traumatismos pediátri-cos relacionados a carrinhos de supermercado, sendo so-mente um artigo em língua latina. No mesmo período, também em revistas pediátricas, indexadas em língua por-tuguesa, não localizamos citações sobre o tema.

Sosner e colaboradores descreveram, em 1993, uma modificação para ajustar-se aos processos de reabilitação de pacientes portadores de paralisia supranuclear progres-siva (PSP). A PSP é infreqüente e caracteriza-se por oftal-moplegia supranuclear, paralisia pseudobulbar e distonia axial, com quedas freqüentes e imprevisíveis. Foi proposto para a reabilitação dos pacientes com PSP um carro de supermercado mais pesado, que poderia evitar o perigo da perda de seu contrapeso, prevenindo quedas freqüentes5.

Em 1996, Harrell realizou um estudo com 20 crianças do sexo masculino, de 17 a 22 meses. Observaram-se os efeitos do projeto do carro de supermercado, analisando o comportamento da criança no assento em relação à veloci-dade. Dois projetos diferentes do carro foram examinados. Independentemente do modelo, conclui-se que dois fatores favoreceriam a ocorrência do traumatismo: (a) incidentes prévios com a criança e (b) a tentativa de escalar para fora do assento do carro nas lojas. Assim, conceituou-se que as diferenças individuais na história da aprendizagem podem determinar o maior risco de uma criança ter ferimento nos carros de supermercado do que as características do projeto do carro6.

Estima-se que ocorreram 75.200 traumatismos e lesões relacionadas aos carros de supermercado em crianças me-nores de 15 anos, atendidas nos serviços de urgência dos EUA, entre 1990 e 1992. Desse total de atendimentos, 2,7% dos pacientes necessitaram hospitalização. Observou-se também um aumento no número total de lesões, bem como das admissões hospitalares nesse período1, sendo que a maior incidência foi em crianças menores de 5 anos, nas quais ocorreram 84% das lesões e 93% das

hospitaliza-ções1-3. Outro dado epidemiológico significativo foi que esses acidentes possuem maior probabilidade de ocorrerem quando o tempo de compra excede a 23 minutos6. As lesões mais comuns descritas na literatura são: traumatismo crâ-nio-encefálico (> 75%); lesões superficiais, como equimo-ses e escoriações (> 45%); fraturas ósseas, incluindo as fraturas de crânio (18%); e lacerações de partes moles (14%).

O carrinho de supermercado em seu modelo atual é inapropriado para o transporte de crianças, mesmo utilizan-do cintos de segurança1,3. Acreditamos que o transporte de crianças nos carros de supermercado deveria ser proibido. A prevenção consiste em disponibilizar áreas para que nossos filhos permaneçam sob supervisão, ou mesmo car-rinhos individuais, adequados ao transporte seguro das crianças que acompanham seus pais em grandes lojas, mercados ou centros comerciais.

Dr. Eduardo de Oliveira Duque-Estrada

Docente de Pediatria da Faculdade de Medicina de Teresópolis e Coordenador do Serviço de Cirurgia Pediátrica Prof. Adilson Castro, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Teresópolis, RJ

Dr. Jones Ribeiro

Prof. Titular da Disciplina de Pediatria da Faculdade de Medici-na de Teresópolis, Rio de Janeiro

Referências bibliográficas

1. Smith GA, Dietrich AM, Garcia CT, Shields BJ. Epidemiology of shopping cart - related injuries to children. An analysis of national data for 1990 to 1992. Arch Pediatr Adolesc Med 1995;149:1207-10.

2. Smith GA, Dietrich AM, Garcia CT, Shields BJ. Injuries to children related to shopping carts. Pediatrics 1996; 97:161-5. 3. Casani Martinez C, Morales Suarez-Varela M. Carro de

superm-ercado como causa de hospitalización infantil por accidente. An Esp Pediatr 2001;55: 93-4.

4. Instituto Nacional de Saúde, EUA. PubMed/MEDLINE: http:// www.ncbi.nlm.nih.gov

5. Sosner J, Wall GC, Sznajder J. Progressive supranuclear palsy: clinical presentation and rehabilitation of two patients. Arch Phys Med Rehabil 1993;74: 537-9.

6. Harrell WA. Epidemiology of shopping cart-related injuries to children. Arch Pediatr Adolesc Med 1997;151:105-6.

Referências

Documentos relacionados

Deve-se solicitar anualmente a dosagem de TSH e dos hormônios tireoidia- nos, em caso de níveis hormonais normais; de 3 a 6 meses, quando são detectados níveis elevados de TSH; e

E isso se deve ao crescente número de evidências epidemiológicas que mostram a importância do leite huma- no – materno, de preferência – para esses recém-nascidos, não só para

Os autores do trabalho em foco não utilizam esta nomencla- tura, mas, pela seleção dos pacientes, conclui-se que as crianças, nas quais foi observado hábito intestinal do

Uma lanterninha e um oftalmoscópio direto é tudo o que o pediatra necessitará para realizar o exame: a lanterna para o exame externo e pesquisa dos reflexos fotomotores, e

Foram implementadas inúmeras mudanças, tais como reorganização da secretaria, rígido controle do fluxo de artigos, adoção dos mesmos padrões internacionais utiliza- dos nas

A homologação do meu nome, encabeçando o atual grupo que coordena as atividades editoriais do Jornal de Pediatria como o novo editor-chefe pela “Comissão de Seleção de Editor

gou às seguintes conclusões: esquemas de acalmação de tráfego urbano reduzem o número de injúrias a pedestres e ciclistas; o treinamento intensivo de escolares melhora

A taxa de resistência à penicilina G e a distribuição dos sorotipos que se obtém nos estudos com portadores, vale dizer, sorotipos colonizadores, nem sempre se equivalem