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Einstein (São Paulo) vol.9 número4

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Academic year: 2018

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APRENDENDO POR IMAGENS

einstein. 2011; 9(4 Pt 1):550-1

Citomegalovirose congênita

Congenital cytomegalovirus infection

José Ricardo Dias Bertagnon1, Sarah Rossi1

Recém-nascido com idade gestacional de 37 semanas e 2 dias, de parto normal, do sexo feminino, admitido em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) em dia 11 de Julho de 2009. Pesava 2.030 g; estatura 41,0 cm; perímetro cefálico 31,0 cm; boletim Apgar 8, 9 e 9, no 1o, 5o e 10o minutos, respectivamente. Teve

como hipótese diagnóstica na admissão toxoplasmose congênita, devido à história materna (sorologia para toxoplasmose IgG positiva e IgM positiva com avidez de 85% no primeiro trimestre do pré-natal). A ultrassonografia (US) gestacional morfológica

do primeiro trimestre mostrava calcificações

intracranianas. O recém-nascido apresentava restrição

de crescimento intrauterino, esplenomegalia, petéquias e plaquetopenia. Introduziu-se tratamento para toxoplasmose com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. A tomografia de crânio mostrou múltiplos focos de calcificações periventriculares bilaterais e nos núcleos da base. Devido a esses achados, foi pedida sorologia para citomegalovírus na mãe e na criança, cujos resultados foram os seguintes: na puérpera, IgM não reagente, IgG reagente; no recém-nascido, IgM e IgG reagentes. Realizadas pesquisas para células de inclusão ctitomegálica na urina do recém-nascido e reação em cadeia da polimerase (PCR), com resultados positivos. O recém-nascido recebeu alta hospitalar

1 Universidade de Santo Amaro – UNISA, São Paulo (SP), Brasil.

Autor correspondente: José Ricardo Dias Bertagnon – Rua Francisco Romeiro Sobrinho, 171 – Chácara Santo Antonio – CEP 04710-180 – São Paulo (SP), Brasil – Tel.: (11) 5181-5330 – E-mail: [email protected]

Data de submissão: 10/3/2011 – Data de aceite: 8/8/2011

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sendo encaminhado para ambulatório para receber tratamento com ganciclovir.

As infecções congênitas, sífilis, toxoplasmose, rubé-ola, citomegalovirose e herpes, que correspondem ao acrônimo STORCH, podem se caracterizar por sinto-mas comuns: restrição de crescimento intrauterino; he-patoesplenomegalia; icterícia com aumento de bilirru-bina direta; anemia; petéquias; lesão de pele e mucosas;

encefalite; pneumonia e trombocitopenia(1,2). Para

diag-nóstico das STORCH, sorologia com pesquisa de IgM e IgG, PCR e exames de imagem, são os métodos mais comuns. Na toxoplasmose o quadro é composto princi-palmente por hidrocefalia ou microcefalia, calcificações cerebrais difusas no córtex cerebral, microftalmia e

co-riorretinite (associada à microcefalia)(3). A

citomegalo-virose apresenta-se com calcificações periventriculares e, ao exame de fundo de olho, coriorretinite não asso-ciada à microftalmia. O herpes pode ser identificado pela presença de herpes genital materno atual.

A fim de realizar a diferenciação entre as infecções congênitas que compõem o complexo STORCH chegan-do, dessa forma, a um diagnóstico específico, deve-se in-vestigar a história materna, intercorrências na gestação e, se necessário, realizar investigação laboratorial materna.

Podem ser realizados, no recém-nascido, exames ines-pecíficos como hemograma com plaquetas, bilirrubi-nas, líquor e ainda IgM quantitativa; IgM específica (para sífilis, toxoplasmose, rubéola e citomegalia). Ainda pode ser feita pesquisa na urina de células de inclusão citomegálica; radiografia de esqueleto (crâ-nio, tórax, ossos longos, se necessário, na primeira semana, repetindo no segundo mês) e fundo de olho. A tomografia de crânio é fundamental para

esclare-cer um diagnóstico de citomegalovirose(4), já que

his-tória clínica materna, US gestacional e exame clínico do recém-nascido poderiam sugerir diagnóstico de to-xoplasmose congênita.

REFERÊNCIAS

1. Brock R, Segre CA. Doença de inclusão citomegálica. In: Segre CA. Perinatologia: fundamentos e práticas. São Paulo: Sarvier; 2002. p. 139-44. 2. Kinney JS, Kumar ML. Should we expand the TORCH complex? A description of

clinical and diagnostic aspects of selected old and new agents. Clin Perinatol. 1988;15(4):727-44.

3. Rawlinson WD. Broadsheet. Number 50: Diagnosis of human cytomegalovirus infection and disease. Pathology. 1999;31(2):109-15.

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