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Análise Proteômica da Deposição de Proteínas em Sementes em e Suspensões Celulares Embriogênicas de FeijãodeCorda [Vigna unguiculata (L.) Walp.]

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98

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

DEPARTAMENTO DE BIOQUÍMICA E BIOLOGIA MOLECULAR

Fábio César Sousa Nogueira

Análise Proteômica da Deposição de Proteínas em Sementes em

Desenvolvimento e Suspensões Celulares Embriogênicas de

Feijão-de-Corda [Vigna unguiculata (L.) Walp.]

Fortaleza - CE

(2)

FÁBIO CÉSAR SOUSA NOGUEIRA

Análise Proteômica da Deposição de Proteínas em Sementes em Desenvolvimento e

Suspensões Celulares Embriogênicas de Feijão-de-Corda [Vigna unguiculata (L.) Walp.].

Esta dissertação foi apresentada como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Bioquímica, outorgado pela Universidade Federal do Ceará, e encontra-se à disposição dos interessados na Biblioteca de Ciências e Tecnologia da referida Universidade.

Orientador: Prof. Francisco de A. P. Campos

_______________________________

(3)

FÁBIO CÉSAR SOUSA NOGUEIRA

Análise Proteômica da Deposição de Proteínas em Sementes em Desenvolvimento e

Suspensões Celulares Embriogênicas de Feijão-de-Corda [Vigna unguiculata (L.) Walp.].

Aprovada em: 22/06/2007

BANCA EXAMINADORA

Prof. Francisco A. P. Campos

Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular Universidade Federal do Ceará

Prof. Gilberto Barbosa Domont Instituto de Química

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Dr. Márcio José da Silva

(4)

“Ser algum pode em nada desfazer-se! Em todos eles se agita sempre o eterno. Confia, alegre e feliz, sempre no Ser.

Que o ser é eterno; pois existem leis para conservar os tesouros da vida, às quais o Universo recorre para tirar beleza.”

(5)

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Francisco de Assis Paiva Campos, a quem devo grande parte do meu conhecimento intelectual. Agradeço a confiança depositada em mim e a orientação desse

trabalho.

Ao Prof. Gilberto Barbosa Domont, por ceder gentilmente o espaço de seu laboratório, pelo apoio intelectual e pela amizade.

Ao Dr. Márcio José da Silva, por aceitar participar da banca examinadora dessa dissertação.

Ao Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Ceará e aos professores desse departamento.

À Marise, que ajudou nas análises dos resultados de espectrometria de massa

realizados nesse trabalho.

Ao Magno, pelo auxílio durante a realização desse trabalho. Por me receber de braços abertos em sua casa no período em que fiquei em Dresden (Alemanha).

Aos amigos, Érico Augusto e Petrônio Augusto, pelas trocas de experiência. Ao Abdul, companheiro de grandes momentos durante o período do mestrado e

pelos simples momentos, como cafezinho pela manhã.

Ao Thiago, que aceitou a tarefa árdua e prazerosa de encarar a química de proteínas.

Aos mais antigos amigos do Laboratório de Biologia Molecular de Plantas: Juliana Brasil, Emmanuel, Camila e Eduardo. E aos novos integrantes do laboratório

Emanuela,JulianaVaez,Irlaine,Nicodemos,Rafael,Nicolas eFelipe.

Aos amigos do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular. Ao Cleverson

e àJanne, pela amizade e apoio.

Aos meus pais, Maria de Fátima e Sousa e Plínio Nogueira Maciel, pelo carinho e pela dedicação em minha criação, obrigado por me propiciarem a vida. Mãe, obrigado

por levantar minha cabeça sempre que ela estava com “sono”.

Aos meus irmãos, Plínio Nogueira Maciel, Luís Carlos Sousa Nogueira e

Ricardo Sérgio Sousa Nogueira, pelo companheirismo.

(6)

À minha tia, Rita Liduína, por conceder um lugar no seu lar, onde eu fiquei hospedado durante as temporadas no Rio de Janeiro.

Aos novos membros da família, Amarildo, Seu Carlos (Tito), Dona Tereza,

Débora, Alexandre, André,Aline, Sáfia (minha querida e única afilhada) e Vanderléia

(7)

Este trabalho foi realizado graças ao auxílio das seguintes Instituições:

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela

concessão da bolsa de Pós-Graduação ao autor deste trabalho.

Banco do Nordeste (BNB), por concessão de auxílio à pesquisa através do Projeto de Pesquisa “Genômica Funcional, Estrutural e Comparativa do Feijão-Caupi (Vigna unguiculata)” (MCT/BNB, Programa RENORBIO – Rede Nordeste de Biotecnologia).

Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Ceará, em cujos laboratórios esta pesquisa foi realizada.

(8)

RESUMO

(9)

ABSTRACT

(10)

SUMÁRIO

RESUMO………... viii

ABSTRACT………... ix

SUMÁRIO………... x

LISTA DE FIGURAS... xii

LISTA DE TABELAS………... xiv

ABREVIATURAS... xv

1. INTRODUÇÃO...……….... 16

1.1. O feijão-de-corda…...………... 18

1.2. Embriogênese vegetal………...…………... 20

1.2.1. Proteínas relacionadas com a embriogênese e desenvolvimento da semente... 22

1.2.1.1. Proteínas de reserva... 23

1.2.1.2. Proteínas LEA... 23

1.2.1.3. Proteínas relacionadas à patogênese... 24

1.3. A “era pós-genômica” e as técnicas de análise proteômica... 25

1.3.1. A eletroforese bidimensional...………... 26

1.3.2. A espectrometria de massa... 26

1.3.3. Identificação de proteínas por espectrometria de massa... 28

1.3.4. Proteômica de plantas... 30

2. OBJETIVOS... 32

2.1. Objetivo Geral... 33

2.2. Objetivos específicos...………... 33

3. MATERIAIS E MÉTODOS………... 34

3.1. Coleta do material biológico e estabelecimento da curva de peso fresco das sementes em desenvolvimento de feijão-de-corda (V. unguiculata)... 35

3.2. Estabelecimento dos calos embriogênicos e das suspensões celulares embriogênicas de feijão-de-corda (V. unguiculata)………... 35

3.3. Extração de proteínas.…………...…………...…...……….... 37

(11)

3.3.2. Extração de proteínas totais com tampão piridina... 37

3.3.3. Extração com tampão fosfato de potássio 0,1 M, NaCl 0,5 M, pH 8,0 e fracionamento em albuminas e globulinas.………...….. 38

3.4. Dosagem de proteínas.…...………... 38

3.5. Eletroforese bidimensional, revelação e análise da imagem...…... 38

3.6. Seleção e processamento dos spots para espectrometria de massa.…... 39

3.7. Espectrometria de massa………...……..……….………..……... 40

3.8. Pesquisa no banco de dados...……….………...… 40

3.9. Síntese de um peptídeo, preparação do antisoro e análise por western blot.………...…... 41

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO... 43

4.1. Análise proteômica das suspensões celulares embriogênicas (SCE) do fejão-de-corda (Vigna unguiculata)... 44

4.1.1. Estabelecimento dos mapas de referência bidimensionais... 44

4.1.2. Identificação das proteínas presentes em SCE... 44

4.1.3. Classificação funcional das proteínas de SCE... 51

4.2. Análise proteômica da deposição de proteínas em sementes do feijão-de-corda (V. unguiculata)...……...…….. 59

4.2.1. Estabelecimento dos mapas proteômicos de sementes com 10 DAA e sementes maduras... 61

4.2.2. Identificação de proteínas presentes em sementes com 10 DAA e sementes maduras... 65

4.2.3. Classificação funcional das proteínas de sementes...…..……... 89

4.2.3.1. Proteínas dos grupos metabolismo e energia... 91

4.2.3.2. Proteínas do grupo destinação de proteínas/proteínas de reserva... 93

4.2.3.3. Proteínas do grupo doença/defesa... 95

5. CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS... 98

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……...……… 100

(12)

LISTA DE FIGURAS

FIGURA Página

1 - Desenvolvimento de sementes do feijão-de-corda (Vigna unguiculata).

36

2 - Mapas de referência de suspensões celulares embriogênicas (SCE)

de feijão-de-corda (V. unguiculata).

46

3 - Mapas de referência de suspensões celulares embriogênicas (SCE)

de feijão-de-corda (V. unguiculata) com os “spots” selecionados para análise no espectrômetro de massa.

47

4 - Distribuição funcional relativa das proteínas identificadas em

suspensão celular embriogênica de feijão-de-corda (V. unguiculata).

52

5 - Análise por espectrometria de massa dos peptídeos trípticos eluídos

do “spot” 94.

56

6 - Detecção no feijão-de-corda (V. unguiculata) de proteínas que reagem com anticorpos produzidos contra o peptídeo

HSKGDAPPNEDELK, correspondente a uma sequência próxima ao

C-terminal da proteína PR-10.

57

7 - Análise por western blot da expressão da proteína PR-10 em

suspensão celular embriogênica de feijão-de-corda (V. unguiculata).

58

8 - Desenvolvimento das sementes de feijão-de-corda (V. unguiculata). 60 9 - Mapas de referência de sementes com 10 DAA e sementes maduras

de feijão-de-corda (V. unguiculata).

62

10 - Mapas de referência das frações ricas em albuminas de sementes

com 10 DAA e sementes maduras de feijão-de-corda (V. unguiculata).

63

11 - Mapas de referência das frações ricas em globulinas de sementes

com 10 DAA e sementes maduras de feijão-de-corda (V. unguiculata).

(13)

12 - Análise por espectrometria de massa dos peptídeos trípticos eluídos

do “spot” A54.

68

13 - Mapas de referência de sementes com 10 DAA de feijão-de-corda

(V. unguiculata) com os “spots” selecionados para análise no espectrômetro de massa.

69

14 - Mapas de referência da fração rica em albumina (FA) de sementes

em desenvolvimento (10 DAA) do feijão-de-corda (V. unguiculata) com os “spots” selecionados para análise no espectrômetro de massa.

70

15 - Mapas de referência da fração rica em globulina (FG) de sementes

com 10 DAA e sementes maduras do feijão-de-corda (V. unguiculata) com os “spots” selecionados para análise no espectrômetro de massa.

71

16 - Mapas de referência de sementes maduras de feijão-de-corda (V. unguiculata) com os “spots” selecionados para análise no espectrômetro de massa.

72

17 - Mapas de referência da fração rica em albumina (FA) de sementes

maduras do feijão-de-corda (V. unguiculata) com os “spots” selecionados para análise no espectrômetro de massa.

73

18 - Distribuição funcional relativa das proteínas identificadas em

sementes com 10 DAA e sementes maduras de feijão-de-corda (V. unguiculata).

90

19 - Padrão de deposição de glubulinas 7S/8S em sementes com 10

(14)

LISTA DE TABELAS

TABELA Página

1 - Lista das proteínas de suspensões celulares embriogênicas de

feijão-de-corda (V. unguiculata) identificadas por MS e MS/MS.

48

2 - Lista das proteínas de sementes com 10 DAA de feijão-de-corda (V. unguiculata) identificadas por MS e MS/MS.

74

3 - Lista das proteínas de sementes com 18 DAA de feijão-de-corda (V. unguiculata) identificadas por MS e MS/MS.

(15)

ABREVIATURAS

CEF... Calos embriogênicos friáveis

2,4-D... 2,4 ácido diclorofenoxiacético

ABA... Ácido Abscísico

2D... Eletroforese bidimensional

SCE... Suspensão celular embriogênica

DAA... Dia após antese

DTT... Ditiotreitol

IAA... Iodoacetamida

IPG... Gradiente de pH imobilizado

EST... Expressed sequence tag

LEA... Late embryogenesis abundant

PRP... Proteínas relacionadas com a patogênese

m/z... Relação massa/carga

MALDI-TOF... Matrix assisted laser disorption ionization – Time of flight

FA... Fração rica em albuminas

FG... Fração rica em globulinas

MS………... Mass spectrometry

PMF... Peptide mass fingerprint – “Impressão digital da massa do peptídio”

PSA... Persulfato de amônio

PVPP... Polivinilpolipirrolidona

SDS... Sodium doldecyl sulfate

SDS-PAGE... SDS-Poliacrilamida gel eletroforese

TCA... Ácido tricloroacético

TFA... Ácido trifluoroacético

NCBI... National Center for Biotechnology Information

(16)
(17)

O feijão-de-corda (Vigna unguiculata L. Walp.) é uma das mais importantes leguminosas cultivadas em regiões semi-áridas. Por ser tolerante a escassez de água,

temperaturas elevadas, prosperar em solos pobres, ele está bem adaptado às regiões

semi-áridas dos trópicos, onde outros legumes não se desenvolvem bem (Singh et al., 2003). Essa cultura também é uma importante fonte de carboidratos, lipídios, minerais, vitaminas,

incluindo folato, tiamina e riboflavina e, principalmente, proteínas para a população de

baixa renda (Phillips et al., 2003).

Essa espécie tem sido alvo de programas de melhoramento genético, tanto para

melhorar características nutricionais de suas sementes, quanto para torná-lo resistente às

pragas, à seca e à salinidade do solo (Ehlers e Hall, 1997;Babaoglu et al., 2000;Somers et al., 2003; Wang et al., 2003; Popelka et al., 2004; Aragão e Campos, 2007). A utilização de modernas ferramentas biotecnológicas é dificultada pela falta de técnicas de cultura de

tecidos que produzam células capazes de regenerar-se em uma planta completa e de

protocolos para a inserção de transgenes em células competentes.

Tentativas de regenerar o feijão-de-corda via embriogênese somática estão sendo adotadas, pois tecidos ou células embriogênicas são excelentes alvos para a transformação

genética (Arnold et al., 2002;Gomes et al., 2006; Aragão e Campos, 2007). Alguns tecidos foram usados como explantes para a indução de calos embriogênicos friáveis (CEF), como

folhas primárias (Muthukumar et al., 1995; Ramakrishnan et al., 2005a, b), cotilédones e eixo embrionário de embriões zigóticos maduros (Gonçalves, 2004). Embora os CEF

sejam capazes de diferenciar-se em embriões maduros (Ramakrishnan et al., 2005a, b), a freqüência de recuperação é baixa, o que limita a utilização desses CEF como alvos para a

transformação genética.

Os estudos relacionados com a fisiologia e bioquímica da embriogênese zigótica e

embriogênese somática, assim como da formação das sementes são de suma importância

quando se pretende abordar as técnicas de melhoramento genético, como, por exemplo, na

utilização de tecidos ou células embriogênicas e na identificação de genes específicos

relacionados à totipotência. Há muito interesse em identificar e entender o padrão de

expressão de proteínas nos diferentes estágios da embriogênese e do desenvolvimento da

semente. Métodos de identificação de proteínas em larga escala têm sido utilizados

recentemente neste sentido e trabalhos com uma abordagem proteômica foram realizados

(18)

2003; Gallardo et al., 2003; Imin et al., 2004; Imin et al., 2005; Lei et al., 2005) e soja (Glycine max) (Mooney et al., 2004; Hajduch et al., 2005; Natarajan et al., 2005).

Neste trabalho, dados sobre o desenvolvimento da semente do feijão-de-corda e a

identificação de muitas proteínas por espectrometria de massa são reportados. Este estudo

não somente catalogou as proteínas identificadas, mas também descreveu seu padrão de

acumulação em específicos estágios do desenvolvimento da semente, antes e depois do

período de dessecação. Estes dados são uma contribuição importante para o nosso

entendimento de como as redes metabólicas são reguladas durante a deposição de reservas

e obtenção da tolerância a dessecação. Este trabalho também mostra a identificação de

proteínas presentes em suspensões celulares embriogênicas (SCE) preparadas a partir de

CEF e o papel delas na embriogênese. Este conhecimento ajudará a esclarecer questões

fundamentais da embriogênese somática, como melhorar a freqüência de obtenção de

plantas completas através desse método e como as células adquirem competência de

entrarem numa rota metabólica embriogênica.

1.1. O feijão-de-corda

O feijão-de-corda, Vigna unguiculata (L.) Walp., é uma angiosperma dicotiledônea pertencente a Divisão Magnophyta, Classe Magnoliopsida, Subclasse

Rosidae, Ordem Rosales, Família Fabaceae, Subfamília Papilionoideae, Tribo Phaseoleae,

Subtribo Phaseolinae. Embora tenha pertencido a outros gêneros, Phaseolus e Dolichos, sua classificação atual como Vigna é mundialmente aceita. Esta espécie apresenta uma ampla distribuição geográfica e é especialmente adaptada às condições do semi-árido

(Freire-Filho, 1988). A subespécie unguiculata reúne todas as formas cultivadas de feijão-de-corda e engloba os cultigrupos: unguiculata, a forma mais comum; biflora ou catjang, caracterizado pelas pequenas vagens eretas, encontrado mais freqüentemente na Ásia;

sesquipedalis, também achado na Ásia, é caracterizado pela sua grande vagem; e textilis, achado na África Ocidental (Freire-Filho, 1988; Ehlers e Hall, 1997).

O feijão-de-corda é uma das mais importantes leguminosas cultivadas em regiões

semi-áridas, porque é tolerante a escassez de água, temperaturas elevadas, relativa

capacidade de fixar nitrogênio atmosférico e prosperar em solos com mais de 85% de

areia, menos de 0,2% de matéria orgânica e baixos níveis de fósforo (Singh et al., 2003). Vários são os países produtores de feijão-de-corda no mundo. Eles se concentram

(19)

registradas na Índia, no Brasil, na Nigéria e em outros países africanos (Singh et al., 2003). No Brasil, onde se encontram boas condições de clima e solo, o feijão-de-corda é

cultivado, predominantemente, nas regiões Norte e Nordeste do país (Araújo e Watt,

1988). Essa espécie tem uma importância muito grande para a sociedade brasileira, para a

agricultura nordestina e, em especial, para o Estado do Ceará, onde ocupa uma área de

579.221 hectares, distribuída sem exceções, por todos os municípios. O feijão-de-corda é a

principal fonte de proteínas, minerais e vitaminas para a população de baixa renda, que

possui sérias carências protéicas e alimentares, não só das regiões Norte e Nordeste do

Brasil, mas também, para as demais regiões do país (Araújo e Watt, 1988).

Apesar de ser disponibilizada uma grande área para a plantação do feijão-de-corda

a produção obtida é baixa. Há um rendimento inferior aos obtidos experimentalmente e

uma instabilidade na produção de ano a ano. Além dos fatores climáticos, no que concerne

às secas, comuns no Nordeste brasileiro, fatores de origem abiótica (baixa fertilidade,

salinidade e pH do solo, temperaturas elevadas, excesso de umidade, etc) e fatores de

origem biótica (pragas e doenças) também são responsáveis pela instabilidade da produção

de feijão-de-corda. Também podem-se constatar outros fatores, como: a utilização de áreas

menos favoráveis à exploração da cultura; o caráter de subsistência onde são adotados o

mínimo de tecnologias, já disponíveis; a ocupação das áreas exploradas pela cultura com

outras espécies vegetais, consideradas de maior importância econômica e; a falta de uma

política agrícola que garanta financiamento e aquisição do produto (Azevedo e Biserra,

1991; Singh et al., 2003).

Com o objetivo de superar as adversidades encontradas no cultivo do

feijão-de-corda, numerosos programas de melhoramento estão sendo desenvolvidos em vários

países, eles visam um aumento da produtividade, uma maior qualidade dos grãos, um

aumento na qualidade nutricional das sementes, uma maior resistência às secas e

temperaturas severas e a resistência às pragas e doenças. Os métodos de melhoramento

tradicionais principalmente utilizados são aqueles que exploram a variabilidade genética

disponível nas populações originais e as que exploram a variabilidade criada pela

hibridação. As novas tecnologias de melhoramento aplicam a biotecnologia como

ferramenta para o melhoramento do feijão-de-corda, fornecendo, assim, novas

possibilidades no aumento da produtividade dessa espécie (Aragão e Campos, 2007). O

(20)

dessa espécie. Alguns trabalhos citam a utilização da biotecnologia no melhoramento do

feijão-de-corda e de outros legumes (Ehlers e Hall, 1997; Babaoglu et al., 2000; Somers et al., 2003; Wang et al., 2003; Popelka et al., 2004; Popelka et al., 2006).

1.2. Embriogênese vegetal

O desenvolvimento da semente é um processo importante no ciclo de vida de uma

angiosperma. Ele se inicia com o processo da dupla fertilização, que conduz ao

desenvolvimento do embrião zigótico e do endosperma. Em plantas diplóides, o

desenvolvimento do embrião inicia com a fertilização de um ovo haplóide por um dos

núcleos espermáticos, originando assim, um zigoto diplóide. Já o desenvolvimento do

endosperma triplóide é iniciado quando a célula homodiplóide central é fertilizada por um

segundo núcleo espermático (Chaudhury et al., 2001). O desenvolvimento combinado do embrião e dos tecidos do endosperma, cada qual com diferentes ploidias, ocorre dentro dos

tecidos do óvulo materno circundado por camadas esporofíticas diplóides dos

integumentos internos e externos. Assim, a interação das diferentes combinações dos

genomas define o desenvolvimento da semente. O entendimento da atividade dos genes em

tecidos de diferentes ploidias e de diferentes origens é importante para conhecer

detalhadamente o desenvolvimento das sementes (Chaudhury et al., 2001).

Segundo Dodeman et al. (1997), o desenvolvimento da semente pode ser dividido em dois principais passos, o primeiro é a embriogênese sensu stricto iniciando com o zigoto e terminando com o estágio cotiledonar e o segundo passo é a maturação da semente

sucedida pela germinação. Com relação à embriogênese sensu stricto, estudos com a

Arabdopsis thaliana tem realçado que no desenvolvimento do embrião, ele passa através dos estágios globular, alongado, coração, torpedo, e cotiledonar e eventualmente para o

embrião maduro desidratado. Estes estágios podem ser subdivididos dentro de uma

seqüência de 20 diferentes estágios representados por três principais eventos: i) a primeira

divisão assimétrica do zigoto, formado por uma pequena célula apical que gera o embrião e

uma grande célula basal que formará o suspensor, ii) um padrão específico de formação

que origina um embrião globular e, iii) a transição do estágio cotiledonar que coincide com

a iniciação das raízes rudimentares seguida, em dicotiledôneas, pelas partes aéreas

rudimentares. Neste estágio a embriogênese sensu stricto pode ser considerada completa. A partir desse momento, em nível morfogenético, inicia-se a atividade meristemática e em

(21)

Mudanças fisiológicas como dissecação e, em muitos casos, quiescência, completam o

processo de formação da semente. O fortalecimento e lignificação dos integumentos do

óvulo resultam na formação de uma pele necessária para a conservação da semente

(Dodeman et al., 1997).

Algumas sementes podem ser produzidas sem que haja fertilização, através de

diferentes vias, todas conjuntamente conhecidas como apomixia (Dodeman et al., 1997). Este termo descreve a formação de um embrião no óvulo a partir de células somáticas (não

sexuais). A embriogênese pode também surgir a partir de células somáticas isoladas ou

mesmo células gaméticas. Observa-se naturalmente em alguns vegetais a formação

espontânea de embriões somáticos no corte de folhas ou in vitro depois de uma indução experimental (Dodeman et al., 1997). Nota-se, então, que a embriogênese somática é um processo que ocorre normalmente na natureza e que pode ser mimetizado in vitro.

A embriogênese somática é o processo pelo qual células ou tecidos somáticos

desenvolvem-se até a formação completa de uma planta através de uma série de estágios,

característicos do desenvolvimento de embriões zigóticos. Grupos de genes que são ativos

nas células dos cotilédones de embriões zigóticos são também ativos em células análogas

durante a embriogênese somática (Goldberg et al., 1989). Este desenvolvimento envolve expressões diferenciais dos genes conferindo às células somáticas a habilidade para

manifestar um potencial embriogênico (Chugh e Khurana, 2002). Imin et al. (2004) afirmam que a embriogênese somática é especialmente utilizada para a obtenção de plantas

transgênicas. Apesar de uma eficiente indução da embriogênese somática, a recuperação de

plantas do grupo das Leguminosae é limitada a poucas espécies (Lakshmanan e Taji,

2000). No caso do feijão-de-corda, a obtenção de embriões somáticos com a finalidade de

transformação dessa espécie pode ser desenvolvida utilizando-se diferentes tecidos. Alguns

trabalhos reportam a indução e formação de embriões somáticos a partir de suspensões

celulares provenientes de calos embriogênicos friáveis (Gonçalves, 2004; Ramakrishnan et al., 2005a; Ramakrishnan et al., 2005b), calos derivados de folhas primárias (Muthukumar

et al., 1995), cotilédones e eixo embrionário de embriões zigóticos maduros (Gonçalves, 2004) e cotilédones imaturos (Anand et al., 2001).

A embriogênese zigótica e somática são fenômenos complexos que são amplamente

descritos na literatura (Goldberg et al., 1989; Dodeman et al., 1997; Lakshmanan e Taji, 2000; Chaudhury et al., 2001; Chugh e Khurana, 2002). Ambos os tipos de embriogênese

(22)

moleculares relacionados a estágios específicos do desenvolvimento. O foco deste trabalho

estará na identificação de proteínas expressas nos diferentes estágios do desenvolvimento

das sementes e em suspensões celulares embriogênicas.

1.2.1. Proteínas relacionadas com a embriogênese e desenvolvimento da semente

Embriões vegetais expressam um grande número de genes, que diferem

espacialmente, no eixo embrionário e no cotilédone (Borisjuk et al., 1995). Embora, alguns dos genes importantes para a embriogênese sejam também expressos em tecidos

vegetativos. O estudo com embriões mutantes está possibilitando um maior conhecimento

das funções desempenhadas pelos genes no desenvolvimento embrionário (Dodeman et al., 1997). O gene STM tem um importante papel na função do meristema apical e representa o

primeiro gene envolvido na função de regulação específica durante a embriogênese

vegetal. Os genes CLAVATA 1 (CLV 1) e CLV 3 controlam a diferenciação celular. Os

genes CLV e STM apresentam papéis opostos ou competitivos na regulação da atividade

meristemática (Dodeman et al., 1997). O gene SERK é altamente expresso em células jovens que se desenvolvem em embriões e pode aumentar a competência embriogênica de

células cultivadas in vitro. O fator de transcrição WUSCHEL (WUS) promove embriogênese e é um gene chave que regula a manutenção de células indiferenciadas no

meristema apical e floral. O LEC 1 (Leafy Cotyledon 1), uma subunidade do fator de

transcrição HAP 3, está envolvido na maturação do embrião. O LEC 1 é reprimido por

WUS que por sua vez é reprimido por CLV 3 (Imin et al., 2004). A expressão de genes em embriões vegetais sugere uma complexidade a nível molecular que não é aparente numa

perspectiva anatômica. Ressalta-se a importância entre reguladores positivos e negativos

da manutenção e diferenciação do embrião.

Os estágios de desenvolvimento das sementes são caracterizados pela acumulação

de distintos grupos de proteínas no embrião e endosperma. Essas proteínas são altamente

reguladas durante esse processo. Embora não se entenda bem o papel de todas as proteínas

acumuladas durante a embriogênese e armazenadas na semente seca, as proteínas de

reserva servem, principalmente, como fonte de carbono e nitrogênio para germinação das

sementes. A acumulação de proteínas de reserva, marcador da fase de maturação, é seguida

(23)

1.2.1.1. Proteínas de Reserva

As proteínas de reservas são classificadas com base na sua extração e solubilidade

em água (albuminas), solução salina diluída (globulinas), solução alcoólica (prolaminas) e

solução ácida ou básica diluída (glutelinas) (Shewry et al., 1995).

A maioria das proteínas em sementes de legumes consiste de proteínas de reserva

de caráter globulínico, que são sintetizadas durante o desenvolvimento das sementes,

estocadas em corpos protéicos e hidrolisadas durante a germinação com a finalidade de

fornecer aminoácidos ou esqueletos de nitrogênio e carbono para o desenvolvimento das

plântulas. As demais proteínas são, principalmente, albuminas que incluem proteínas de

reserva, de manutenção, lectinas, lipoxigenases, entre outras (Shewry et al., 1995; Dodeman et al., 1997; Maruyama et al., 2003; Wang et al., 2003).

As globulinas são geralmente classificadas como proteínas 11S/12S (leguminas) e

7S/8S (vicilinas) de acordo com seu coeficiente de sedimentação. Essas proteínas são

oligoméricas, e quando submetidas à dissociação, originam polipeptídeos heterogêneos.

Essa heterogeneidade é evidente pelo tamanho e pela carga dos polipeptídeos, e resulta de

uma combinação de dois fatores, origem multigênica de cada globulina e modificações

pós-traducionais. As principais proteínas de reserva do feijão-de-corda são as globulinas

7S ou vicilinas, que são responsáveis pelo valor nutricional da semente (Pedalino et al., 1992; Shewry, et al., 1995; Duranti e Gius, 1997). Recentemente a composição das proteínas de cotilédones do feijão-de-corda foi analisada por Freitas et al. (2004), neste trabalho as globulinas totais foram fracionadas e as principais globulinas foram nomeadas

de ]-, ^- e_-vignina.

1.2.1.2. Proteínas LEA

Um importante grupo de proteínas envolvido com o desenvolvimento da semente

são as proteínas LEA. Proteínas LEA são classificadas em pelo menos cinco grupos, de

acordo com suas seqüência de aminoácidos (Wise, 2003). Geralmente, a presença de

proteínas LEA está correlacionada com a tolerância à dessecação. Elas acumulam-se em

altos níveis durante o desenvolvimento das sementes no final da fase de maturação, onde a

semente começa a perder água. Nessa fase, as proteínas LEA têm um papel no

estabelecimento da tolerância à dessecação, atuando como osmoprotetores ou chaperonas.

Outra função mais específica desempenhada por essas proteínas é de seqüestrar íons ou

(24)

abscísico) tem um papel chave no controle dos processos fisiológicos e moleculares

envolvidos no desenvolvimento da tolerância à dessecação em sementes, desta forma, a

expressão dos genes LEA são altamente regulados pelas concentrações desse hormônio

(Campalans et al., 2000; Delseny et al., 2001).

As dehydrins são imunologicamente uma distinta família de proteínas, também conhecida como família LEA D11, que tipicamente acumulam-se durante os últimos

estágios da embriogênese ou em resposta a aplicação de ABA, baixa temperatura, seca,

congelamento e salinidade (Close, 1996; Campbell e Close, 1997). A expressão dos genes

que codificam dehydrins também esta associada às concentrações do hormônio vegetal ABA, que tem sua concentração aumentada em condições de desidratação. A característica

que define as dehydrins é a presença de um domínio ]-hélice anfipático em sua molécula, o segmento K, que é conservado nas plantas. A presença da dehydrin em feijão-de-corda foi reportada por Ismail et al. (1999). Os autores demonstraram que o acúmulo de uma

dehydrin de 35 kDa coincide com o início da fase de desidratação da semente do feijão-de-corda.

1.2.1.3. Proteínas relacionadas à patogênese

A indução de proteínas relacionadas à patogênese foi descrita em muitas espécies

vegetais sob infecção de fungos, bactérias, vírus ou pelo ataque de insetos. Essas proteínas

são classificadas dentro de 17 famílias de proteínas relacionadas à patogênese (PRPs) (van

Loon et al., 2006). Elas ocorrem através de elicitores produzidos pelo patógeno no momento do estabelecimento do contato com a planta. Originalmente, as PRPs foram

classificadas com base nas suas características de proteínas vegetais induzidas ou

relacionadas com situações patológicas. No entanto, observações posteriores indicaram a

presença de PRPs em plantas na ausência de patógenos. Dessa forma, o termo “proteínas

relacionadas à patogênese” tornou-se mais abrangente, incluindo as proteínas induzidas por

micróbios ou pelo ataque de insetos e seus homólogos presentes nos processos de

desenvolvimento de tecidos e órgãos ou em situações de estresse (van Loon e van Strien,

1999; Przymusinski et al., 2004; van Loon et al., 2006).

Muitas PRPs estão presentes em específicos estágios de desenvolvimento. Dentre

elas as proteínas das PR-3 e 4, quitinases que ocorrem em tecidos embriogênicos. As das

PR-10 (ribonucleases) atuam na regulação dos hormônios vegetais, auxinas e citocininas, e

(25)

induzir as PRPs, como o efeito da toxicidade do excesso de manganês no apoplasto de

folhas de feijão-de-corda mostrado por Fecht-Christoffers et al. (2003).

1.3. A “era pós-genômica” e as técnicas de análise proteômica

A automatização do seqüênciamento do DNA mudou consideravelmente o

entendimento da biologia. Antes os genes eram caracterizados individualmente, mas nos

últimos anos, tornou-se possível identificar completamente a informação contida em um

organismo (genoma). O termo genômica foi introduzido para caracterizar a completa

informação genética de um organismo (Williams, 1999). O começo da genômica logo

provocou a necessidade de se entender a enorme quantidade de dados obtidos pelos

programas genômicos, surgindo, assim, a “era pós-genômica”. Sozinha, a seqüência de

DNA é incapaz de predizer: se e quando os produtos gênicos são transcritos e traduzidos;

as concentrações relativas desses produtos; a extensão das modificações pós-traducionais;

os efeitos de genes “knock-out” ou superexpressos e; o fenótipo de fenômenos de origem

multigênicas, incluindo a administração de drogas, o ciclo celular, a ontogenia, o

envelhecimento, o estresse e a doença (Humphery-Smith et al., 1997). Para solucionar esses problemas um novo campo tem ganhado destaque na ciência das proteínas, a

proteômica, ou o estudo das proteínas expressas por um genoma (proteoma). Agora é

possível perceber a descrição completa, a nível protéico, de um organismo ou tecido sob

determinadas condições. Diferentemente do genoma de um organismo, o proteoma é

variável, sujeito a mudanças como em estágios desenvolvimento, doenças ou condições

ambientais (Pandey e Mann, 2000; Sperling, 2001; Westermeier e Naven, 2002).

O avanço da proteômica foi substancialmente facilitado pelo desenvolvimento de

técnicas que ocorreram paralelamente, como: (1) a melhoria na técnica de eletroforese

bidimensional possibilitou uma alta resolução e reprodutibilidade dos géis obtidos, a

inovação chave foi o desenvolvimento de géis com gradiente de pH imobilizado aplicados

à focalização isoelétrica (Görg et al., 1988; Görg et al., 1999; Görg et al., 2000; Görg et al., 2004); (2) um software que analisa as imagens geradas pelos géis, permitindo arquivar as imagens e compará-las com outras; (3) a invenção de novas técnicas de ionização e

detecção para os espectrômetros de massas, que possibilitaram a análise de proteínas e

peptídeos com alta sensibilidade, acurácia e rapidez, permitindo também a análise de

(26)

projetos genomas, pois a seqüência de DNA de organismos é muito importante para a

identificação e caracterização de proteínas com o espectrômetro de massa; e (5) o

desenvolvimento no campo da bioinformática tem fornecido ferramentas para combinar e

armazenar a grande quantidade de dados produzidos por esses novos métodos de análise

(Westermeier e Naven, 2002).

1.3.1. A eletroforese bidimensional

Em meados da década de 70, uma nova técnica de separação de proteínas foi

introduzida por O’Farrel e Klose, independentemente. A eletroforese bidimensional utiliza

duas características físico-químicas das proteínas como meio de separação de amostras

complexas obtidas de células, tecidos ou outras fontes biológicas. Desse modo, essa

técnica ocorre em dois passos: o primeiro passo (primeira dimensão), a focalização

isoelétrica (IEF), que separa as proteínas de acordo com seus pontos isoelétricos (pI); o

segundo passo (segunda dimensão), eletroforese em gel de poliacrilamida com SDS

(SDS-PAGE), que separa as proteínas de acordo com seu peso molecular (MW). Os spots

gerados, de modo geral, correspondem a uma única espécie de cadeia polipeptídica da

amostra, e a qualidade e quantidade de cada espécie podem ser determinadas através da

revelação do gel com corantes e posterior analise de densitometria. Numa eletroforese

bidimensional milhares de proteínas podem ser separadas simultaneamente, também é

possível obter informações sobre o pI, a massa molecular e a abundância relativa, assim

como modificações pós-traducionais, já que, geralmente, elas provocam mobilidade

eletroforética alterada, dessas proteínas (Westermeier e Naven, 2002).

O poder da eletroforese bidimensional como uma técnica de separação bioquímica

foi reconhecido desde sua introdução. Sua aplicação, contudo, tornou-se significante

somente nas últimas décadas, pois a aplicação de gradientes de pH imobilizados para a

primeira dimensão mostrou que a técnica é reprodutível o bastante para uma análise

proteômica (Görg et al., 1988; Görg et al., 1999; Görg et al., 2000; Görg et al., 2004). Um fator determinante nessa técnica é permitir análises posteriores ao fracionamento, como,

por exemplo, por espectrometria de massa (Lambert et al., 2005).

1.3.2. A espectrometria de massa

A espectrometria da massa esta emergindo como uma importante ferramenta na

(27)

pequenas. Esta técnica baseia-se na determinação precisa da relação massa-carga (m/z) de

íons em fase gasosa. Os íons são gerados pelo ganho ou perca de uma carga (elétron

ejeção, protonação ou desprotonação). Uma vez que os íons são formados eles podem ser

separados de acordo com a relação m/z e posteriormente detectados. O resultado da

ionização, separação dos íons e detecção forma um espectro de massa que pode fornecer a

determinação precisa da massa molecular, quantificação de cisteínas, localização de pontes

dissulfeto, determinação de modificações pós-traducionais tais como glicosilações e

fosforilações, determinação da seqüência de aminoácidos e principalmente a identificação

de proteínas (Siuzdak, 1996).

O espectrômetro de massa é constituído de três partes: uma fonte de íons,

responsável pela introdução de cargas e vaporização da amostra; o analisador de massas,

que determina a relação massa carga (m/z); e o detector, que registra o número de íons de

cada valor m/z. As fontes de ionização mais comumente usadas para volatilizar e ionizar

proteínas ou peptídeos são, a ionização por eletrospray (ESI) e a ionização por dessorção a

laser auxiliado por matriz (MALDI). O ESI ioniza um analito que esta em solução,

enquanto o MALDI ioniza o analito numa seca e cristalina matriz via pulsos de laser. O

MALDI-MS é normalmente usado para analisar misturas peptídicas relativamente simples,

já o ESI-MS, quando integrado com um cromatógrafo líquido (LC-MS), é preferido para

analisar amostras mais complexas. O analisador de massas é central no contexto da

proteômica, seus parâmetros chave são a sensitividade, resolução, acurácia e capacidade de

gerar espectros de íons fragmentados. Há quatro tipos fundamentais de analisadores usados

na pesquisa proteômica, são eles: íon trap, tempo de vôo (TOF), quadrupolo (Q) e “Fourier

transform ion cyclotron” (FT-MS) (Yates III, 2004).

As fontes de ionização podem ser combinadas com os analisadores permitindo,

também, a construção de equipamentos híbridos de alto desempenho. Uma combinação

que tem se mostrado muito eficiente é a MALDI-TOF, onde a ionização e dessorção da

amostra ocorrem pela diluição desta em uma matriz orgânica, geralmente ácido

-ciano-4-hidroxicinâmico, que contem um grupo cromóforo que absorve luz no comprimento de

onda do ultravioleta ou infravermelho. À medida que os solventes da matriz e da amostra

evaporam ocorre uma co-cristalização de ambos em uma placa de aço inoxidável contendo

micro-fissuras para aplicação da mistura. Este cristal, submetido a pulsos de laser na faixa

de absorção do cromóforo, provoca uma fotoionização dos analitos pela transferência de

(28)

gasosa. Após entrarem em fase gasosa os analitos são encaminhados ao analisador do tipo

TOF, onde os íons são acelerados por uma diferença de potencial aplicada entre a fonte e o

detector e, portanto percorrem um espaço livre (tubo de vôo), sob vácuo, até serem

detectados. Como a voltagem de aceleração é a mesma, os íons de m/z diferentes

separam-se no espaço livre e chegam a tempos diferentes proporcionais à raiz quadrada da relação

massa/carga (m/z) dos íons. Assim, os componentes individuais em uma mistura de íons

são separados de acordo com suas relações m/z, tornando possível a determinação da

massa de cada proteína ou peptídeo, submetido à análise, através da geração dos espectros

de massa (Mann et al., 2001; Ashcroft, 2003). Depois de determinar os valores m/z e a intensidade de todos os picos do espectro, podem-se obter informações sobre a estrutura

primária (seqüência) dos peptídeos trípticos. Esta estratégia é chamada MS em tandem,

MS/MS ou MS², já que acopla dois estágios de MS e utiliza equipamentos do tipo MS/MS.

Nesta técnica um íon-pai (ou precursor) é selecionado no primeiro MS e, no segundo, sofre

uma fragmentação, geralmente com um gás inerte, denominada de dissociação induzida

por colisão (“Collision-Induced Dissociation, CID”). Os novos picos produzidos pelos

produtos gerados (íons-filhos) têm suas relações massa/carga determinadas em um segundo

analisador. De modo geral, cerca de seis séries de íons que aparecem nos espectros de

MS/MS sob baixa energia de colisão. Ocorrem as séries a, b, c, quando a carga permanece

na porção N-terminal da molécula e as séries x, y, z quando a carga permanece na porção

C-terminal. Em altas energias de colisão ocorrem às séries d, v, w, que correspondem às

fragmentações de cadeias laterais dos aminoácidos. Os íons mais comuns e informativos

são os íons b e y, gerados pela fragmentação, em baixa energia, da ligação peptídica

existente entre os aminoácidos. Em analisadores do tipo quadrupolo, quadrupolo-TOF e

TOF-TOF os íons-y são mais freqüentemente observados, já nos tipos “ion-trap”, ambas as

series são observadas mais ou menos na mesma intensidade. Num dado espectro originado

da fragmentação de um íon escolhido (precursor) a diferença entre dois picos subseqüentes

de uma mesma série tem como resultado a massa de um resíduo de aminoácido. Então,

desta maneira, pode-se determinar a seqüência de aminoácidos considerando a diferença de

massa entre picos vizinhos (Steen e Mann, 2004).

1.3.3. Identificação de proteínas por espectrometria de massa

Existem algumas estratégias usadas na identificação de proteínas por espectometria

(29)

das massas dos peptídeos (peptide mass fingerprinting - PMF) e a busca através de dados de MS/MS não interpretados.

O princípio do PMF é baseado no conceito que, se uma proteína é digerida com

uma enzima que apresenta uma dada especificidade de seqüência, tal como a tripsina, por

exemplo, ela gera fragmentos únicos e previsíveis. Neste procedimento a proteína de

interesse, em muitos casos fracionada por eletroforese bidimensional, é enzimaticamente

clivada e a mistura de peptídeos obtida é analisada por espectrometria de massa. Esse perfil

de clivagem gerado funciona como uma impressão digital desta proteína. O mapa peptídico

obtido por espectrometria de massa é processado, e subseqüentemente, seus dados

submetidos a programas que permitem compará-lo com os peptídeos gerados “in silico”

para todas as seqüências presentes nos bancos de dados (Yates III, et al., 1993; Henzel e Watanabe, 2003; Thiede et al., 2005).

Apesar de o PMF ser bastante utilizado, há muitos problemas associados a esse

método, principalmente na confiança das identificações obtidas. Uma outra estratégia

adotada para a identificação de proteínas por MS é a utilização dos dados de MS/MS não

processados em programas de busca disponíveis. O problema de seqüênciamento de

peptídeos, utilizando-se dados de MS/MS, poderia ser convertido em um simples problema

de combinação com os bancos de dados, sem precisar interpretar os espectros. O espectro

de fragmentação de peptídeos pode não conter informações suficientes para derivar a

seqüência completa de aminoácidos sem ambigüidades, mas pode ter informação suficiente

para combiná-la de maneira única com uma seqüência peptídica no banco de dados usando

somente os fragmentos de íons observados e esperados. Existem vários algoritmos que são

usados para a busca de seqüências em bancos de dados com espectros provenientes de

análises de MS/MS não processados, como por exemplo, “PeptideSearch”, “Sequest”,

“Mascot”, “Sonar MS/MS” e “ProteinProspector”. Na maioria destes programas é ainda

possível submeter os dados de MS junto com os dados de MS/MS, gerando um único valor

de significância na identificação (“score”). Uma limitação da busca em banco de dados

usando somente os dados de MS e MS/MS sem processamento é a necessidade de termos a

seqüência da proteína no banco de dados ou a seqüência de proteínas bem próximas para

uma identificação cruzada por homologia (Mann et al., 2001).

Outras estratégias podem ser usadas a fim de obter a identidade de proteínas. Se a

proteína de interesse não está presente no banco de dados, as seqüências dos peptídeos

(30)

seqüências podem ser empregadas em buscas de similaridades de seqüência em programas

específicos (MS-BLAST). Essa estratégia é bastante interessante quando o organismo

estudado possui poucas informações genômicas (Shevchenko et al., 2001; Habermann et al., 2004).

1.3.4. Proteômica de Plantas

Nos últimos anos podemos constatar uma maturidade nos dados obtidos a partir dos

trabalhos publicados sobre proteômica vegetal (Glinski e Weekwerth, 2006; Rossignol et al., 2006).

Os passos mais críticos no emprego da proteômica em plantas são a extração e

preparação da amostra. Sabe-se que nos vegetais, grande parte do volume celular é

constituída de proteínas, embora que, em relação às células animais e microorganismos, os

tecidos vegetais possuam um teor menor de proteínas, pois nestes organismos parte

significativa do espaço celular é ocupada pelo vacúolo, e uma série de compostos que

dificultam a análise protéica como: proteases, compostos fenólicos e metabólitos

secundários que têm efeito deletério durante o processo de extração de proteínas (Michaud

e Asselin, 1995; Newton et al., 2004). Atualmente, há uma grande preocupação no estabelecimento de um protocolo de extração que possa ser aplicado a uma vasta gama de

tecidos vegetais (Giavalisco et al., 2003; Saravanan e Rose, 2004; Vasconcelos et al., 2005; Carpentier et al., 2005; Isaacson et al., 2006).

Recentemente foi publicada uma revisão sobre a aplicação da proteômica nos

vários processos do desenvolvimento vegetal (Hochholdinger et al., 2006). Vários trabalhos utilizam essa abordagem na embriogênese e no desenvolvimento das sementes.

Em Arabdopsis, Gallardo et al. (2001) adotaram uma abordagem proteômica para estudar a germinação das sementes; Higashi et al. (2006) compararam o proteoma de sementes maduras de plantas selvagens e o proteoma de sementes de plantas mutantes (mto1-1) que crescem na deficiência de enxofre e; Chibani et al. (2006) investigaram a dormência em sementes com a finalidade de inferir os mecanismos moleculares e bioquímicos do papel

(31)

protoplastos; Imin et al. (2005) investigaram o perfil protéico e suas alterações durante a indução e formação de embriões somáticos; Lei et al. (2005) utilizaram uma abordagem proteômica em culturas de células em suspensão obtidas de calos de raízes; e Boudet et al. (2006) investigaram o papel das proteínas LEA na tolerância a dessecação em radículas de

sementes durante a germinação. Em soja (Glycine max), Mooney e Thelen (2004) identificaram as proteínas de sementes, principalmente proteínas de reserva; Natarajan et al. (2005) compararam diferentes métodos de extração de proteínas de soja que seja compatível com a eletroforese bidimensional; e Hajduch et al. (2005) investigam o padrão de deposição de proteínas em sementes em desenvolvimento. Em feijão-de-corda (Vigna unguiculata), Vasconcelos (2005) e Vasconcelos et al. (2005), investigaram métodos de extração de proteínas compatíveis com uma análise proteômica tanto de sementes em

desenvolvimento, quanto em suspensões celulares embriogênicas.

A avaliação de métodos de extração compatíveis com uma análise proteômica, a

elaboração de mapas proteômicos de alta qualidade e a identificação e classificação

funcional das proteínas presentes em sementes e suspensões celulares embriogênicas de

feijão-de-corda (V. unguiculata) reportados neste trabalho são de extrema valia para elucidar mecanismos moleculares relativos à embriogênese e ao desenvolvimento da

semente. Mecanismos estes, que auxiliarão os modelos de regeneração e transformação

genética de plantas. Tais conhecimentos levarão a caracterização de proteínas associadas

com os diversos estágios da embriogênese, permitindo, assim, o estabelecimento de um

(32)
(33)

2.1. Objetivo Geral

Analisar a deposição de proteínas durante o desenvolvimento de sementes e

suspensões celulares embriogênicas de feijão-de-corda [Vigna unguiculata (L.) Walp.].

2.2. Objetivos específicos

- Elaborar mapas proteômicos reprodutíveis e de alta qualidade para sementes em

desenvolvimento e suspensões celulares embriogênicas.

- Identificar as proteínas presentes em sementes em desenvolvimento e suspensões

celulares embriogênicas.

- Classificar funcionalmente as proteínas identificadas e analisar a importância dessas

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3.1. Coleta do material biológico e estabelecimento da curva de peso fresco das sementes em desenvolvimento de feijão-de-corda (V. unguiculata)

Sementes de feijão-de-corda, cultivar Pitiúba, foram semeadas em um campo no

Jardim Botânico do Departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará, no

Campus do Pici, em Fortaleza (Figura 1A). Imediatamente após a abertura das flores, estas

receberam uma etiqueta na qual constava o dia de sua abertura (antese) (Figura 1B).

Vagens (Figura 1C e D), com 2, 4, 6, 8 10, 12, 14, 16 dias após a antese (DAA) e com

sementes maduras (> 18 DAA), foram coletadas e destas foram retiradas as sementes, no

caso das vagens mais jovens (2, 4 e 6 dias), com auxílio de lupa, pinça e bisturi.

Para obter a média dos pesos frescos, 10 sementes de cada dia após a antese (DAA)

foram pesadas, sendo realizadas cinco repetições de cada pesagem.

3.2. Estabelecimento dos calos embriogênicos e das suspensões celulares embriogênicas de feijão-de-corda (V. unguiculata)

O estabelecimento da cultura de calos embriogênicos foi feito como descrito por

Gonçalves (2004). Os explantes utilizados para o início de uma cultura de calos de

feijão-de-corda foram folhas de plântulas com três dias após a germinação. As sementes

utilizadas passaram por uma assepsia que consistia no mergulho destas em álcool 70% por

1 minuto, seguido de hipoclorito de sódio por 10 minutos, após o que eram lavadas

exaustivamente com água destilada estéril. A germinação ocorreu em frascos, contendo

algodão umedecido e previamente autoclavados.

Três dias após a germinação as folhas das plântulas foram excisadas e explantes

foliares com cerca de 0,5 cm2, desprovidos da nervura central, foram incubados em placas

de Pettri contendo meio MS suplementado com sacarose 3%, agar 0,7%, glutamina e

caseína 100 mg/l e 2,4-D 0,5 mg/l. O subcultivo da cultura de calos é feito a cada 15 dias.

As placas foram mantidas sob fotoperíodo de 16 horas em claro e temperatura de 25 + 2ºC.

Após três subcultivos, houve uma rápida formação de calos embriogênicos friáveis

(CEF) que foram utilizados para iniciar as suspensões celulares embriogênicas (SCE). Os

calos foram transferidos para frascos erlemeyers de 150 ml contendo 30 ml de meio MS

suplementado com sacarose 3%, ágar 0,7%, glutamina e caseína 100 mg/l e 2,4-D 1 mg/l, e

mantidos em um agitador orbital a 100 rpm, sob fotoperíodo de 16 horas em claro e

temperatura de 25ºC, sendo o meio de cultura renovado a cada 4 dias. Todo o

(36)
(37)

3.3. Extração de proteínas

3.3.1. Processamento do material biológico

As sementes com 2 e 4 DAA foram utilizadas integralmente para a extração de

proteínas, enquanto as demais (6, 8, 10, 12, 14, 16 e > 18 DAA) tiveram o embrião isolado,

sendo a casca e os demais tecidos não embriônicos descartados. Em seguida, todos os

materiais foram congelados em nitrogênio líquido e liofilizados até peso constante. O

material liofilizado foi macerado até adquirir o aspecto de farinha fina, a qual foi utilizada

para a extração de proteínas.

Para a extração de proteínas das suspensões celulares embriogênicas, os erlemeyers

contendo a SCE eram deixados em repouso por 30 minutos para que as células

sedimentassem por gravidade. O sobrenadante era descartado e às células foram

adicionados 50 ml de água destilada. Seguia-se leve agito e novo repouso por 30 minutos.

Este procedimento foi realizado cinco vezes para a completa subtração do meio de cultura.

Após o descarte do último sobrenadante as células eram congeladas e liofilizadas até peso

constante. O material liofilizado foi macerado até adquirir o aspecto de farinha fina, a qual

foi utilizada para a extração de proteínas.

3.3.2. Extração de proteínas totais com tampão piridina

Utilizando o método descrito por Vasconcelos et al. (2005) para a extração de proteínas totais, a farinha do tecido de interesse foi misturada com tampão contendo

piridina 50 mM, tiouréia 10 mM, SDS 1%, pH 5,0 na proporção de 1:40 (p/v), à mesma

adicionou-se polivinilpolipirrolidona (PVPP), em quantidade igual a duas vezes a massa da

amostra. A mistura ficou sob forte agitação a 4ºC, passadas duas horas o material foi

centrifugado a 10.000 g por 40 min. Ao sobrenadante foram adicionados quatro volumes

(1:5, volume do sobrenadante/volume total) de acetona gelada contendo 10% de ácido

tricloroacético (TCA) para permitir a precipitação, foi armazenado por duas horas (ou

durante a noite) a – 20ºC. Seguiu-se centrifugação a 10.000 g por 20 min com subseqüente

descarte do sobrenadante. O precipitado contendo as proteínas totais foi lavado com

acetona. Para tanto, o precipitado foi ressuspenso em acetona gelada (100 µl/mg do

material de partida) e agitado até adquirir o aspecto de suspensão, sendo em seguida

(38)

realizada no mínimo duas vezes para livrar a amostra de qualquer traço de TCA. O

precipitado final foi seco a vácuo no dessecador, dessa forma um pó branco foi obtido.

3.3.3. Extração com tampão fosfato de potássio 0,1 M, NaCl 0,5 M, pH 8,0 e

fracionamento em albuminas e globulinas

Ao tecido de interesse foi adicionado, na proporção de 1:10, tampão fosfato de

potássio 0,1 M, NaCl 0,5 M, pH 8,0, contendo um “mix” de inibidores de protease (PMSF

0,1 mM, leupeptina 50 gM, E-64 5 gM e EDTA 1 mM), e PVPP na proporção de 1:1. A

mistura foi agitada durante 2 horas a 4ºC e submetida a uma centrifugação (30 min, 10.000

g e a 4ºC). O sobrenadante foi centrifugado (20 min, 10.000 g e a 4ºC), o novo

sobrenadante foi filtrado em papel de filtro (fração solúvel – FS) e, posteriormente,

dialisado a 4ºC contra água destilada gelada, no mínimo três trocas. Após a diálise, ocorreu

uma centrifugação (30 min, 10.000 g e a 4ºC), onde o sobrenadante (fração rica em

albuminas – FA) foi separado do resíduo. O resíduo foi lavado com água destilada e

centrifugado (20 min, 10.000 g e a 4 ºC). Esse passo foi repetido três vezes. O resíduo final

foi chamado de fração rica em globulinas (FG). As frações ricas em albuminas e globulinas

foram congeladas a – 20ºC, liofilizadas e armazenadas a – 20ºC para posterior análise.

3.4. Dosagem de proteínas

O método de Bradford (1976) foi empregado para avaliar a quantidade de proteínas

obtidas em cada processo de extração e estipular a quantidade de proteínas a ser utilizada

nos subseqüentes experimentos.

3.5. Eletroforese bidimensional, revelação e análise da imagem

As amostras foram dissolvidas em 50-100 µl de uréia 7 M, tiouréia 2 M. Uma

alíquota de cada amostra dissolvida foi utilizada para dosagem de proteínas pelo Bradford.

A partir dos resultados das dosagens foi possível encontrar o volume de amostra contendo

a massa de proteínas desejada a ser diluída em solução de reidratação (uréia 7 M, tiouréia 2

M, DTT 65 mM, CHAPS 1% p/v, pharmalyte 0,5% v/v e azul de Bromofenol 0,002% p/v)

para um volume final de 200 µl. Utilizou-se o sistema de reidratação passiva, visto que os

200 µl da solução de reidratação com a quantidade de amostra desejada foram aplicados no

Reswelliing Tray (Pharmacia Biotech) e posteriormente os géis com gradiente de pH

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com essa solução durante a noite. As tiras de IPG tinham 11 cm de comprimento e as

faixas de pH variavam de 3 a 10 e de 4 a 7. A focalização isoelétrica foi realizada no

equipamento EttanTM IPGPhor IITM (GE-Healthcare) utilizando o seguinte programa: 1o

passo, 500 V por 0:30 h; 2opasso, 4000 V por 2:30h e; 3opasso, 8000 V até atingir 18.000

Vh totais.

Após a focalização as tiras de IPG foram equilibradas sob agitação em solução (tris

50 mM, glicerol 30 %, uréia 6M, SDS 2% e azul de bromofenol) com DTT (1% p/v) por

15 minutos para a redução das proteínas e, em seguida, alquiladas com IAA (3% p/v)

também em solução de equilíbrio por 15 minutos. Terminado o equilíbrio as tiras foram

mergulhadas em tampão de corrida (Anexo I.I.) por 10 segundos para livrá-los do excesso

de solução de equilíbrio. Logo após foram postos no topo do gel da segunda dimensão e

fixados com tampão de corrida contendo ágar 0,5%. O SDS-PAGE da segunda dimensão

foi realizado em sistema vertical em géis 15% de 14X14 cm contendo 30 ml do Main Gel

(Anexo I.III.). O sistema foi alimentado por uma fonte Power-Pac 3000 (Bio-Rad). A

corrida transcorreu em duas etapas, na primeira utilizamos 10 mA/gel durante 15 min e na

segunda 20 mA/gel até que o indicador (azul de bromofenol) saísse do gel

(aproximadamente 4:30h).

Terminada a corrida, o gel foi colocado em solução de fixação, etanol:ácido

acético:água (4:1:5 v/v/v), durante duas horas, corado com solução de Coomassie R 350

(PhastGel Blue R) (Anexo I.IV.) durante quatro horas, descorado com solução de ácido

acético: metanol: água (1:3:6) em duas lavagens de uma hora e armazenados em solução de

ácido acético 5%.

Os géis foram escaneados utilizando-se o programa LabScan v. 5.0

(GE-Healthcare) no ImageScanner (Amersham Biosciences) com sistema integrado de

transparência. As imagens foram analisadas no programa ImageMaster 2D Platinum 6.0

(GE-Healthcare) por uma combinação de detecção automática dos “spots”, feita pelo

programa, e detecção manual. Pelo programa foram estimados os pontos isoelétricos e as

massas moleculares de cada “spot”.

3.6. Seleção e processamento dos spots para espectrometria de massa

As proteínas de interesse foram excisadas dos géis bidimensionais com o auxílio de

um bisturi e transferidas para tubos eppendorfs, onde foi realizada a digestão com tripsina,

(40)

foram selecionados, cortados em pedaços de 1 mm3, totalmente descorados em solução de

bicarbonato de amônio 25 mM / acetonitrila (1:1) em pelo menos 3 lavagens de 30 min, e

desidratados, duas vezes, com acetonitrila 100% por 5 minutos. O solvente remanescente

foi removido dos pedaços de gel em concentrador de amostra Speed Vac (Savant). Os géis

foram reidratados no gelo por 1 hora, em 15 µl de solução de bicarbonato de amônio 50

mM contendo 0,2 µg de tripsina grau seqüenciamento modificada (Promega). Pedaços do

gel foram cobertos com 20µL do tampão e a digestão realizada a 37°C em banho por 16

horas. Em seguida os peptídeos foram extraídos do gel com solução acetonitrila 50%, TFA

5% em água e concentrados, até um volume de aproximadamente 5 µL no Speed Vac

(Junqueira, 2005).

3.7. Espectrometria de massa

A mistura de peptídeos da digestão tríptica foi misturada 1:1,5 com uma solução

saturada de ácido -ciano-4-hidroxicinâmico em acetonitrila 50% / ácido trifluoroacético

0,3% em água. Um µL da mistura foi aplicada na placa de MALDI e seco a temperatura

ambiente antes da análise no espectrômetro de massa.

Os espectros de massa foram obtidos usando-se o equipamento ABI 4700

TOF/TOF (Applied Biosystems). O ABI 4700 foi usado o modo interativo onde todas as

amostras eram analisadas, automaticamente, no modo refletor MS sendo, posteriormente,

os seis picos mais intensos submetidos a uma análise posterior por MS/MS. A intensidade

do laser utilizada foi 4800 para o modo MS e 5200 para o modo MS/MS e a célula de

colisão configurada para 1 kV em pressão de 1x 10-6 torr em presença de gás atmosférico.

3.8. Pesquisa no banco de dados

Nos dados obtidos no TOF-TOF foi utilizado o programa GPS Explorer™(Applied

Biosystems) onde os dados de MS e MS/MS eram processados e submetidos

conjuntamente ao programa MASCOT (Matrix Science Ltd. – www.matrixscience.com).

Os dados obtidos nos espectros eram filtrados pela relação sinal/ruído dos picos que foi de

20 para os dados de MS e 10 para MS/MS; a busca foi feita utilizando-se como banco de

dados NCBI (National Center for Biotechnology Information) restringido para Viridiplantae (Green Plants). Os critérios de busca foram todas as massas moleculares e

pontos isoelétricos, cisteínas modificadas por carboxamidometilação e as possíveis

(41)

acrilamida. Foi tolerada no máximo uma clivagem para peptídeos semi-trípticos e uma

variação de massa dos peptídeos de 100 ppm. Eram consideradas positivas as

identificações onde pelo menos cinco peptídeos eram encontrados e na maioria das vezes

as identificações eram confirmadas com dados de MS/MS para pelo menos um peptídeo

por proteína; nestes casos um espectro de MS/MS era escolhido e analisado visualmente

para confirmar a seqüência. Em ambos os casos os valores de ion score (mínimo de 30) e

protein score (mínimo de 70) eram levados em consideração como valores estatísticos para identificação. As identificações também levaram em conta a relação entre o organismo, no

qual as proteínas foram identificadas, e o organismo estudado.

3.9. Síntese de um peptídeo, preparação do antisoro e análise por western blot

O peptídeo HSKGDAPPNEDELK de seqüência correspondente a uma região

(121-134) próxima à porção C-terminal de uma proteína relacionada à patogênese (PR-10)

identificada nesse trabalho, foi sintetizado pela Biosciences AG, Gottingen, Germany.

Anticorpos policlonais foram produzidos a partir desse peptídeo em coelhas brancas da

Nova Zelândia com quatro meses de idade, como descrito em Aragão et al. (2000). A IgG foi purificada do soro por cromatografia de afinidade (protein-A Sepharose column,

GE-Healthcare) de acordo com Harlow and Lane (1988). A análise de western blot ocorreu de

acordo com Towbin et al. (1979).

Outros dois anticorpos policlonais foram adquiridos para análise de western blot.

Um anticorpo, específico para uma vicilina de aproximadamente 60 KDa, foi doado

gentilmente pelo Dr. José Xavier Filho, da Universidade Estadual Norte Fluminense e; o

outro, específico para uma PR-10 de aproximadamente 16 KDa de Vigna unguiculata, foi fornecido pelo Dr. Edward A. Gwózdz, da Faculdade de Biologia da Adam Mickiewicz

University - Poznan, Poland.

Amostras de proteínas extraídas (extração com o método do tampão piridina) de

embriões em diferentes dias após a antese e de células cultivadas em suspensão

embriogênica foram solubilizadas em tampão de amostra (Tris 62,5 mM, SDS 2%,

Glicerol 10%, pH 6,8) e aplicadas nos géis de eletroforese. A transferência eletroforética

de proteínas em gel de poliacrilamida para a membrana de nitrocelulose foi feita de acordo

com o método originalmente descrito por Towbin et al. (1979). Foi utilizado um sistema de eletroforese preparativo de 8 X 6 cm, em SDS-PAGE descontínuo, 5% Stacking Gel / 15%

(42)

para a visualização por coramento com Coomassie R 350 (PhastGel Blue R), outra para a

eletrotransferência. Para a eletrotransferência foi utilizada membrana Hybond-C

(Amersham LifeScience) e o tampão de tranferência (Anexo I.V.), o procedimento foi

realizado em uma unidade de transferência Transphor (TE 42 – Hoefer Scientific

Instruments), de 5 litros, em câmara fria a 4 ºC e sob agitação. Terminada a

eletrotransferência as membranas foram coradas com Ponceau S (Anexo I.VI.) para

confirmação da transferência, lavadas e incubadas com solução bloqueadora, composta de

tampão PBS (NaCl 0,13 M, KCl 2,6 mM, NaHPO4 5,3 mM, KH2PO4 1,7 mM, pH 7,4)

contendo 5% de leite em pó desnatado, sob agitação por 45 min. Decorrido este tempo, a

solução bloqueadora foi descartada e as membranas incubadas com o anticorpo

(anti-vicilina, anti-PR10 ou anti-peptídeoPR10) específico contra a proteína de interesse. Os

anticorpos vicilina e PR10 foram utilizados na diluição 1:2000, enquanto o

anti-peptídeoPR10 foi utilizado na diluição 1:400. Todos foram diluídos em solução

bloqueadora e a incubação foi feita à temperatura ambiente sob agitação lenta por 45 min.

Após cinco lavagens com tampão PBS, cada uma com cinco minutos de duração e sob

agitação lenta, as membranas foram incubadas com o segundo anticorpo conjugado a

enzima fosfatase alcalina na diluição de 1:5000 na solução bloqueadora. Finalmente, após

cinco lavagens sucessivas idênticas as anteriores, reação de coramento foi desenvolvida

utilizando o substrato 5-Bromo-4-Chloro-3-Indolyl Phosphate Nitro Blue Tetrazolium

(BCIP/NBT) (Sigma). Uma pastilha do substrato foi dissolvida em 10 ml de água

destilada. As membranas foram cobertas com a solução do substrato, deixadas sob agitação

lenta e monitoradas até que o coramento atingisse a intensidade desejada, quando então a

membrana foi transferida para uma placa de petri com água destilada para parar a reação.

Géis obtidos de eletroforeses bidimensionais de sementes maduras e de suspensão

celular embriogênica também foram transferidos para membranas de nitrocelulose. Essas

membranas foram incubadas com os anticorpos vicilina, PR10 ou

(43)

Imagem

Figura 1. Desenvolvimento de sementes do feijão-de-corda (Vigna unguiculata). (A)  campo experimental; (B) flor após a antese; (C) vagens com etiquetas indicando sua  idade e; (D) vagens coletadas com 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16 e > 18 dias após a antese
Figura 2. Mapas de referência de suspensões celulares embriogênicas (SCE) de feijão-de-corda (V
Figura 3. Mapas de referência de suspensões celulares embriogênicas (SCE) de feijão-de-corda (V
Tabela 1.  Lista das proteínas de suspensões celulares embriogênicas de feijão-de-corda  (V
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