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M
otivado por essas bonitas e orantes palavras da Cons- tituição 6 da nossa família religiosa é que inicio este editorial desta que é uma edição histórica do informativo Nossas notícias, pois o dia 15 de setembro marca os 75 anos de chegada dos quatro primeiros oblatos norte-americanos à nossa boa Terra de Santa Cruz. Nesse sentido, o Padre Jaime Gibbons, OMI, escreve-nos dando seu bonito testemunho missio- nário e os padres Pedro Curran, OMI, e Miguel Pipolo, OMI, falam de como foi a chegada e os primeiros momen- tos da missão oblata no Brasil.Setembro marca na Igreja do Brasil o mês consagrado à Palavra de Deus, por isso, temos o texto do Irmão Diemeson, OMI, que nos situa no sig- nificado e centralidade da Palavra de Deus na vida e missão de todos nós.
Outubro, por sua vez, é o mês con- sagrado a rezarmos a espiritualidade daquilo que é o centro do nosso caris- ma, a missão; por essa razão, o Irmão Geraldo Groenen, OMI, nos apresen- ta o que nos motivará a rezar e viver a espiritualidade deste ano missionário.
O mundo inteiro vive uma situ- ação inédita com a atual pandemia da covid-19/coronavírus e isso nos impele a descobrir meios novos e se- guros de evangelizar o povo de Deus, sedento de Sua Palavra. Nesse senti- do, os pós-noviços Irmão João Vitor, OMI, e Irmão Herbesson, OMI, es- crevem um bonito artigo acerca do Santo Terço que diariamente eles rezam ao vivo nas redes sociais e o
Padre Wesley, OMI, superior do pré- -noviciado, escreve falando como essa nova forma de evangelização missionária tem sido importante para o povo que nos acompanha e para manter viva a chama do anúncio da Palavra de Deus na vida de todos os povos de boa vontade.
A pandemia conclama-nos a sair de nossa zona de conforto e nos va- ler de tudo o que puder, de todos os areópagos modernos, para que a evangelização encontre novas formas de atingir o povo de Deus. Nesse sen- tido, a Província do Brasil passou a contar com uma página no Twitter, algo que o Padre Sérgio, OMI, fala- rá a nós. Nessa mesma linha, somos sabedores do quanto a pandemia escancarou a situação de pobreza e desigualdade social na sociedade brasileira e é muito bonito vermos iniciativas de oblatos que tentam di- minuir o sofrimento do povo, como a leiga associada oblata de Recife (PE), Rosália, mostra a nós, iniciativas pro- movidas pelo Padre Edcarlos, OMI.
Neste ano há alguns oblatos da nossa província que são “jubilares”, ou seja, celebram aniversário de votos ou ordenação; valorizamos o testemunho desses missionários corajosos com um texto de minha própria autoria.
Devido à pandemia que vem pro- vocando estragos sem precedentes na humanidade, muitos eventos no mundo inteiro vêm sendo adiados e conosco não é diferente. Por essa razão, a comemoração festiva dos 75 anos dos oblatos no Brasil foi adiada
de 2020 para 2021, conforme terão a oportunidade de ler no texto do Pa- dre Joca, OMI.
Depois teremos os textos das co- lunas fixas “Psicologia: saúde men- tal”, que é escrita pelo psicólogo e pa- dre oblato Ronácio, OMI, e da coluna
“JUPIC – Justiça, Paz e Integridade da Criação”, que é escrita pelo Padre Miguel Pipolo, OMI. Informamos que excepcionalmente nesta edição não teremos o texto da coluna fixa
“O Pai-Nosso III”, do Padre Vicent Isa, OMI, que retornará na edição se- guinte de novembro/dezembro.
Desejo a todos(as) uma ótima lei- tura e que pela intercessão de Santo Eugênio e dos beatos e mártires obla- tos possamos todos juntos superar os desafios que a covid-19/coronavírus nos trouxe. Um grande abraço com minha bênção e fiquem com Deus.
Pe. Lindomar Felix da Silva, OMI.
Provincial
“NOSSO AMOR PELA IGREJA INSPIRA-NOS A CUMPRIR NOSSA MISSÃO EM COMUNHÃO COM OS PASTORES
QUE O SENHOR DEU A SEU POVO (...).” (C. 6)
EDITORIAL
EXPEDIENTE
OMI – NOSSAS NOTÍCIAS
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O Jornal “OMI – Nossas Notícias” é uma publicação dos Oblatos de Maria Imaculada – Província Brasil, dirigida aos seus membros e leigos. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores e não representam necessariamente a opinião do jornal, de seus membros e da Congregação. É permitida a reprodução das matérias e artigos desde que previamente autorizada
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OBLATOS
MISSIONÁRIOS OBLATOS DE MARIA IMACULADA PROVÍNCIAN
este momento em que a hu- manidade vive uma pande- mia causada pelo coronaví- rus, em que as pessoas são obrigadas a ficar isoladas em suas casas para preservar suas vidas e as vidas de seus familiares, neste momento em que as igrejas estão fechadas exatamente para preservar a vida se fez necessá- ria a presença da Igreja nas casas das pessoas que estão impedidas de ir até ela de forma presencial.É esse contexto histórico totalmen- te novo que nos impeliu como Missio- nários Oblatos de Maria Imaculada a dar uma resposta também nova a este momento em que o povo de Deus clama por salvação, como dizia nosso fundador, Santo Eugênio de Mazenod.
Foi por meio das novas tecnolo- gias que pudemos chegar até o povo de Deus, levando uma palavra de alento, de força e de esperança neste período em que tantas pessoas per- deram suas vidas e em que tantas
PÓS-NOVICIADO É PRESENÇA JUNTO AO POVO NO ENFRENTAMENTO À
COVID-19/CORONAVÍRUS
NOTÍCIAS
“Em cada grande história, entra em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo em que lemos a Escritura, as histórias dos santos e outros textos que soube- ram ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo fica livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus.” (Mensa- gem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais)
É com esse lindo trecho da carta- -mensagem do Papa Francisco Para o 54º Dia Mundial das Comunica- ções Sociais de 2020, celebrado no domingo da Solenidade da Ascensão do Senhor, que iniciamos este artigo para comunicar-lhe com alegria que os Oblatos de Maria Imaculada da Província do Brasil dispõem a partir de agora de mais uma plataforma de evangelização digital. Estamos falan- do do Twitter, que é uma rede social muito usada por pessoas e também por muitas entidades, sobretudo as de confissão cristã-católica. Isso é muito importante porque esses meios de comunicação configuram-se como os mais novos areópagos modernos, por meio dos quais a Palavra de Deus chega às pessoas, sobretudo neste ano, em que nos vemos em meio ao enfrentamento daquela que já é con- siderada a maior crise sanitária da história. Estamos num momento em que todos os especialistas pedem-nos que fiquemos em casa e não há nada melhor do que estarmos em casa po- dendo contar com boas companhias, como é o caso do Twitter da Provín- cia Oblata do Brasil. O link que pode levar você para o nosso Twitter en- contra-se no site da Província, então, caros(as) leitores(as), aproveitem, acessem nosso Twitter, curtam nos- sas postagens, sigam-nos e retuítem nossos posts diários. Contamos com vocês e esperamos sua visita na mais nova forma de expressão do carisma missionário oblato no Brasil.
Pe. Sérgio de Santana, OMI.
PROVÍNCIA DO BRASIL CONTA COM UMA PÁGINA NO TWITTER A
PARTIR DE AGORA
RADICAL É SER MISSIONÁRIO OMI
outras choram a perda de seus entes queridos.
Por isso, inspirados pela dinâmica do Espírito Santo de Amor criamos a Família do Santo Terço que se re- úne todos os dias às 22h horas pelo Facebook para rezar e meditar os mistérios da paixão, morte e ressur- reição de Jesus. Somos esse canal de oração que tem um único e exclusivo objetivo transmitir e anunciar Jesus Salvador por meio das redes sociais, sendo assim presença junto ao povo no enfrentamento da covid-19.
Que Deus nos ajude e que Ma- ria Imaculada e Santo Eugênio de Mazenod intercedam por nós para que continuemos sendo junto ao povo sofrido presença amorosa e mi- sericordiosa de Jesus Salvador.
Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e Maria Imaculada!
Ir. Herbesson Luiz, OMI.
Ir. João Vitor, OMI.
NOTÍCIAS
N
este ano de 2020, a Província Oblata do Brasil se ale- gra com nossos jubilares abaixo citados, que celebram aniversário de vida religiosa e ordenação sacerdotal.São homens que consagraram e doaram suas vidas à missão oblata, que dão tudo de si para que nosso povo tenha vida em abundância. Nesse sentido, listamos abaixo quem são eles, para que em suas orações, caros(as) leitores(as) do Nossas Notícias, possamos a cada dia rezar pelo dom da vida religiosa e sacer- dotal de cada um.
Padre Eduardo Figueiroa, OMI, 60 anos de vida religiosa – 22/5/1960 (norte-americano).
Padre Thomas O’brien, OMI, 65 anos de sacer- dócio – 31/5/1955 – e 70 anos de vida religiosa (norte-americano).
Padre Thomas Delaney, OMI, 60 anos de sacer- dócio – 31/5/1960 (norte-americano).
Padre Beto Mayer, OMI, 60 anos de vida religiosa – 8/9/1960 (norte-americano).
Padre Daniel McCarthy, OMI, 50 anos de sacer- dócio – 20/12/1970 (irlandês).
A Província do Brasil festeja e celebra com eles, parabeni- za-os e roga ao bom Deus, Senhor da Messe e Pastor do Reba- nho, que o exemplo desses homens missionários ajude-nos na missão de angariar novas e generosas vocações para a nossa família religiosa. Sabemos que a missão é desafiadora, mas contamos sempre com o auxílio da graça de Deus e a interces- são de nosso amado santo fundador e dos beatos e mártires oblatos. Que Deus abençoe enormemente nossos jubilares e guie de perto a missão salvadora de cada missionário de nossa Província do Brasil.
Pe. Lindomar Felix da Silva, OMI.
Provincial
O TESTEMUNHO MISSIONÁRIO DOS OBLATOS
JUBILARES NESTE
ANO DE 2020
A
Igreja Matriz de Cristo Redentor, situada à Rua Limoeiro, s/n, Jordão Alto, Recife (PE) tem uma média de 2.600 fiéis católicos. É administrada pelo pároco Padre Edicarlos Alves, OMI e é responsável por mais 19 capelas, consolidando, assim, a Paróquia Cristo Redentor do Jordão Alto.A nossa paróquia está situada entre os bairros periféricos mais carentes do município de Recife, com população de baixo poder aquisitivo, em linha de pobreza. O local possui muitos mor- ros e moradias em encostas. Dispõe de muitas famílias, crianças e jovens em si- tuação de vulnerabilidade, drogadição, desemprego, baixa escolaridade, dentre outras. Uma grande parte da população trabalha no mercado informal. Diante do contexto atual e pandêmico que o mundo vem atravessando, muitos cida- dãos estão sem trabalhar e muitas famí- lias passam por dificuldades. Com isso, a Paróquia Cristo Redentor teve que se
O TRABALHO SOCIAL MISSIONÁRIO OBLATO JUNTO AOS SOFREDORES
DA PARÓQUIA CRISTO REDENTOR, NO JORDÃO ALTO, RECIFE (PE)
organizar e se adaptar para seguirmos ajudando os irmãos que mais precisam.
Em consonância com a Comissão Pastoral para Ação Social Transforma- dora da nossa paróquia, criamos o pro- jeto “Quem ama cuida”, que tem como objetivo cuidar, ajudar os mais pobres, promover e resgatar a dignidade huma- na dos mais indivisíveis em nosso bairro e sociedade. Esse projeto contou com a ajuda dos colaboradores e voluntários que fazem essa obra divina acontecer, as- sim como conclama o livro de Atos dos Apóstolos 2,37-47: “Os cristãos tinham tudo em comum (...) dividiam os seus bens com alegria (...)”, pois a missão é feita com os joelhos dos que rezam, com os pés dos que partem e com as mãos dos que partilham. Oxalá! Nesse gesto con- creto de amor e cuidado que a Paróquia do Cristo Redentor realiza, especialmen- te neste período de isolamento social e de pandemia, há distribuição de cestas básicas para 605 famílias cadastradas,
além de confeccionarmos e distribuir- mos mais de 3 mil máscaras, totalizando 1.400 refeições semanais, centenas de caixas de biscoitos e materiais de higiene e limpeza, levando a todas as comunida- des e vielas, aos mais carentes, o suporte para suprir as suas necessidades básicas.
Tudo feito por amor a Jesus, que está presente no irmão abandonado.
Por fim, partindo do pressuposto da- quilo que nos exorta a Doutrina Social da Igreja e o fundador da Congregação dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada, somos chamados a fazer a opção preferencial pelos pobres e a ser construtores de uma sociedade mais jus- ta e solidária, edificada numa cultura de amor, de paz e justiça, fazendo valer os direitos humanos dos povos e nações.
“Ele me enviou a evangelizar os po- bres e os pobres são evangelizados.”
(Santo Eugênio de Mazenod).
Rosália Maria de Oliveira, LAOMI.
JUBILEU
C
omo oblato, já morei nos Es- tados de Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Bahia e Goiás. Cheguei ao Brasil em 1969, no governo do presidente Médici, marcado pelo Ato Institucional nº 5;o país estava totalmente controlado pelas Forças Armadas, estritamente ligadas com o governo dos Estados Unidos da América.
Encontrei a Igreja no Brasil já no processo da renovação, logo depois do Concílio Vaticano II e um ano depois da Conferência de Medellín, que colocou a Igreja do lado dos pobres com as exigências de lutar para mudar as escrituras sistemáti- cas que causam as injustiças tanto econômicas quanto raciais e sociais.
Comecei minha vida pastoral em Poços de Caldas (MG), fazen- do gestos simples: quando íamos rezar missas nas fazendas de café comíamos nossos lanches nas casas dos lavradores e não mais nas casas dos fazendeiros. A Paróquia de São Sebastião já estava dividida em se- tores onde funcionavam círculos bíblicos, tentando ligar a realida- de com a fé e a força na Palavra de Deus com ações concretas.
Em 1973 fui chamado para tra- balhar em São Paulo (SP) como di- retor da Escola de Maria Imaculada e como coordenador da Paróquia de São José. Depois fui chamado para viver cinco anos na cidade agradável de Embu-Guaçu (SP). Encontrei a vida urbana interligada com a vida do interior, pessoas trabalhando em olarias no sistema tradicional, per- dendo já o mercado para os blocos pré-fabricados, caseiros que mora- vam nos sítios de classe média de São Paulo, certo número de descen- tes japoneses que cultivavam hortas e o grupo do povo que se deslocava todos os dias para trabalhar na cida- de de São Paulo. Tudo isso dificultou a partição regular na vida da Igreja.
Em Embu-Guaçu, tive a presença
de uma Igreja chamada “brasileira”
separada da Igreja Católica que ba- tizava qualquer pessoa sem nenhu- ma preparação; quando perguntei a Dom Paulo Evaristo Arns, OFM, como deveria tratar estas pessoas, ele respondeu: “Com orientação, amor e carinho”. Desde então, esse é meu jeito de tratar a Pastoral do Batismo. De 1979 a 1987 morei em uma área chamada Interlagos, no sul da cidade de São Paulo. Houve momentos de intensa luta política para restabelecer a democracia no Brasil, com movimentos concretos para legalizar loteamentos para ha- bitação mais digna, movimento das mulheres contra a Eucaristia, jovens negros de pastoral participando de grupos afro-brasileiros, movimen- to dos operários que faziam greves para melhores condições de trabalho e salários mais justos, enfrentando violência policial que causou mor- tes, dentre eles Santo Dias da Silva, paroquiano e amigo dos oblatos.
Nessa época ficávamos mais tempo nas ruas do que no templo, aliás, usávamos centros comunitá- rios e até casas para celebrações do- minicais. Passamos momentos que hoje lembramos como aventuras, mas que foram momentos de tensão como as prisões do pessoal da social comunitária (FASE), no tempo do cabo Bruno. Momentos partilhados
O TESTEMUNHO DOS 75 ANOS DOS OBLATOS NO BRASIL
com o Padre Guilherme Reinhard, OMI, ou quando o Padre João Drexel, OMI, e eu fomos chama- dos para explicar a participação dos oblatos na ocupação do Movimento dos Sem Terra, numa área federal que estava na área pastoral de res- ponsabilidade dos oblatos. Muitas histórias do povo que se reunia em comunidades que foram animados a rezar, lutar e festejar.
Em 1987 fui para o Nordeste.
Em 1989 tentamos fazer nossa casa de Teologia em Recife (PE), mas, por motivos fora de nosso contro- le, não houve êxito, porém, ganhei nove anos de vivência e grande rea- lização na Diocese de Juazeiro (BA), nas cidades de Curaçá e Sobradinho desse sertão. Encontrei povoados literalmente mudados de um lugar para outro por motivos da constru- ção das barragens de Sobradinho e Paulo Afonso, outros povoados na beira do rio São Francisco cujas plantações artificialmente contro- ladas com o fluxo da água usada para gerar energia para os grandes centros e para projetos de irrigação tinham como finalidade exportar frutas para o exterior.
Também acompanhei tradicio- nais povoados que viviam da cria- ção de bodes, dependentes do ciclo de chuvas. Encontrei uma Igreja, na pessoa do bispo, padres, freiras
e agentes de pastoral, todos os lados do povo contra aquela parte da sociedade que vivia às custa do povo mais pobre, essa Igreja, por meio da liderança de Dom José Rodrigues, CSsR, sempre defendendo posições po- líticas que não agradavam às autoridades. Não foi por acaso que, em 2007, Dom Luís Flávio Cappio, OFM, fez seu jejum de fome contra a degradação do rio São Francisco na Igreja de São Francisco em Sobradinho (BA).
No fim de 1997, por motivos de saúde, fui convida- do para participar da equipe de formação dos oblatos, vivendo três anos no noviciado em Sumaré (SP), acolhi- do com muito carinho pelo povo da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida dessa cidade. Em 2001, comecei a minha caminhada nas terras de Goiás; durante estes quase 20 anos trabalhei nas pastorais das comunidades e nas casas de formação, quatro anos ajudando na Casa de Filosofia, três anos acompanhando os noviços da con- gregação e três anos na primeira etapa da formação na Casa da Missão.
A área da pastoral dos oblatos que vêm da Irlanda, que começou em 1984, chegou a ter 48 comunidades em 2012, uma área que já estava com mais de 100 mil habitantes, uma parte do município de Goiânia (GO) e outra da cidade crescente de Aparecida de Goiânia (GO). Mais uma vez encontrei pessoas boas que vi- nham do interior de Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão e Bahia disponíveis para viver um novo jeito de ser Igreja desenvolvendo uma rede de comunidades onde todos eram considerados iguais. Também em Goiás aprendi com mais clareza que a missão é mais de Deus do que dos homens, porque os valores de Deus ficam e os homens passam.
Aconteceram mortes nos oblatos, primeiro o Padre Pedro Moriart, OMI, irlandês, e o Padre Jaime, OMI, norte-americano, em 2004, e mais fortemente a partir de 2011 com a morte do Padre Martin Birne, OMI, ir- landês, e a volta para a Irlanda do nosso saudoso Padre Antônio, OMI; em 2013, meu grande amigo Padre Columbano, OMI, irlandês, e finalmente Padre Thomas Murphy, OMI, irlandês, em 2015, homens oblatos que o povo ainda lembra com muitas saudades e admira- ções. Agora a área pastoral está basicamente nas mãos dos oblatos brasileiros, tentando neste ano de pande- mia encontrar novas formas de evangelização usando plataformas digitais.
Acredito que minha história tenha sido uma tenta- tiva dos oblatos de servir à classe pobre, mas, como fala o documento do nosso Capítulo Geral de 2016, insis- tindo em dar prioridade aos novos rostos dos pobres e repetindo o de Medellín com a leitura mais valente dos sinais de nossos tempos das novas realidades sociais, políticas e econômicas, que privam os pobres de sua dignidade, reconhecendo melhor como nós podemos ser uma força para testemunhar os valores do Evange- lho nesta época atual.
Pe. Jaime Gibbons, OMI.
Formador da Casa da Missão
A CHEGADA DOS PRIMEIROS
OBLATOS AO BRASIL 75 ANOS
ATRÁS
O
navio que trazia os três primeiros missioná- rios oblatos chegou ao porto do Rio de Ja- neiro (RJ) no dia 15 de setembro de 1945, 75 anos atrás; um deles chegaria dias depois. Os primei- ros quatro a chegar foram Walter Mooney, superior, e José Ryan, João Lyons e Guilherme Sheehan. Os qua- tro receberam obediência para o Brasil, naquele tem- po oblatos podiam pediam ao superior geral para ser enviados a outros países como Brasil, Japão, Filipinas e África do Sul.Os oblatos deveriam chegar ao Brasil em 1943, mas o então arcebispo de São Paulo (SP), para onde os oblatos viriam para trabalhar, morreu num aciden- te de avião. Eles precisaram esperar a posse do novo arcebispo para ele renovar o convite aos oblatos para virem trabalhar na Arquidiocese de São Paulo.
Ao chegar a São Paulo, os oblatos moraram um tempo na casa do arcebispo até achar acomodações próprias. A primeira residência foi na Alameda Itu, propriedade do dr. Frank Delaney, que se tornou um grande amigo dos oblatos. Enquanto isso, eles com- praram um terreno na Alameda Franca, onde cons- truíram a casa provincial.
Os oblatos, ainda residindo na casa do arcebispo, foram convidados para cuidar da comunidade de lín- gua inglesa. A convite do arcebispo, Walter Mooney ficou com essa incumbência na casa provincial. Aí havia uma capela ampla que serviu para as missas dominicais para toda a comunidade da língua inglesa em toda a cidade de São Paulo. Padre Walter Mooney ficou com essa incumbência, residindo na casa pro- vincial. Os demais partiram para outros trabalhos.
João Lyons assumiu a área pastoral da Vila Alpina, na cidade de São Paulo; Guilherme Sheehan foi para Suzano, uns 50 quilômetros da capital. José Ryan foi para Poços de Caldas (MG) e assumiu a Paróquia da Vila Cruz com suas inumeráveis fazendas.
Assim começou a missão dos oblatos, que hoje con- ta com mais de 60 membros que atuam na Amazônia, no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste. A inspi- ração é sempre a mesma: “O Espírito do Senhor está sobre mim porque Ele me ungiu para evangelizar os pobres” (Lc 4,18).
Pe. Pedro Curran, OMI.
Pe. Miguel Pipolo, OMI.
C
omo sabemos, há 75 anos, mais precisamente no dia 15 de setembro de 1945, chegavam ao Brasil os primeiros Missionários Oblatos de Maria Imaculada respondendo ao desejo de Santo Eugênio, que dizia “Desejaria encher o mundo de missionários”. Desejo feito realidade!Santo Eugênio incentivava seus filhos a sempre dar graças a Deus por tudo: “Seja suficientemente agradecido pela bondade de Deus”. Neste mês recordamos esse de- sejo realizado aqui no Brasil e podemos dizer com nosso santo fundador, “Ele me enviou para evangelizar os pobres e os pobres são evangelizados”. É motivo de festa, de celebrações de ação de graças, de reconhecimento a todos os missionários que por aqui fizeram e fazem história e que continuam com o carisma vivo do nosso santo fundador. Motivos não faltam para celebrar.
A pedido do nosso provincial Padre Lindomar Felix, OMI, uma equipe orga- nizadora foi composta pelos padres Ednaldo Tavares, OMI, Miguel Pipolo, OMI, Thomas Delaney, OMI e João Silvino, OMI, que preparou um programa específico para celebrações em todo o ano de 2020. Porém, fomos surpreendidos pela pande- mia da covid-19, sendo assim obrigados pelas circunstâncias a adiar para o ano de 2021 as celebrações de aniversário dos 75 anos da presença oblata no Brasil. Graças ao Nossas Notícias, acompanhamos nas últimas edições a história da vivência do ca- risma oblato em solo brasileiro e podemos perceber quanta alegria, quantas vidas doadas, quantas vidas evangelizadas, quantas vidas transformadas! Portanto, é bom celebrar com dignidade toda essa história vivida.
A celebração dos 75 anos de presença oblata no Brasil será celebrada em agosto de 2021 em São Paulo (SP), onde tudo começou. Na ocasião, teremos a presença de todos os oblatos de fato e de coração.
Como diz o Papa Francisco, vivamos a alegria do Evangelho para que possamos
“olhar o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança”. Então, a você que é leigo(a) oblato(a), paroquiano(a) oblato(a), da juven- tude oblata, amigo(a) dos oblatos, admirador(a) dos oblatos, continuemos a viver o nosso carisma sendo “cooperadores de Jesus Salvador” proclamando Seu Reino aos mais abandonados, rezando uns pelos outros e pela nossa missão. Até a grande festa celebrativa!!!
Pe. João Silvino, OMI.
ADIADA A COMEMORAÇÃO DOS 75 ANOS DOS OBLATOS
NO BRASIL PARA
COMUNICADO
SETEMBRO
3 Miguel Brady - Aniversário (1944) / Pe.
Ricardo de Almeida - Ordenação (2011) 5 Pe. Columbano O’Flanagan - Falecimento (2013) / Pe. Daniel Meehan - Falecimento (2008)
6 Pe. Edicarlos Alves da Conceição - Aniversário (1980)
8 Ir. Gabriel O. Nirou - Primeiros Votos (2014) e Aniversário (1992) / Ir. Emmanuel A. Iorbee - Primeiros Votos (2014) / Pe.
David O’Brien - Primeiros Votos (1953) / Pe. Guilherme Reinhard - Primeiros Votos (1955) e Votos Perpétuos (1958) / Pe.
João Drexel - Primeiros Votos (1958) / Pe.
Miguel Pipolo - Primeiros Votos (1961) / Pe.
Jaime Gibbons - Primeiros Votos (1962) e Votos Perpétuos (1965) / Dom João Kot - Primeiros Votos (1986) / Pe. Luis Carlos Tierney - Primeiros Votos (1967) e Votos Perpétuos (1970) / Pe. Miguel Pipolo - Votos Perpétuos (1964) / Pe Pedro Curran - Primeiros Votos (1965) / Pe. Roberto Fitzpatrick - Primeiros Votos (1964) / Pe.
Roberto Tiago Mayer - Primeiros Votos (1960) e Votos Perpétuos (1966) / Pe.
Thomas Delaney - Primeiros Votos (1954) / Pe. Antonio Lorenzo Rendon - Votos Perpétuos (1964) / Pe. Vicent Inalegwu Isa - Primeiros Votos (2008)
9 Pe. Antonio Kleber G. de Farias - Aniversário (1980)
10 Pe. João Cribbin - Falecimento (2011) 15 Ir. Geraldo Groenen - Primeiros Votos (1962) / Pe. Eduardo de Assis Santos - Ordenação (2007)
16 Pe. José Ronácio V. da Silva - Votos Perpétuos (1997)
21 Pe. Josenildo Tavares Ferreira - Aniversário (1962)
22 Pe. Pedro Moriarty Falecimento (2004) 23 Pe. Paulo Medeiros - Aniversário (1936) / Fernando - Aniversário
24 Pe. João Silvino Figueiredo - Votos Perpétuos (2006)
26 Pe. Sérgio Santana - Aniversário (1984) 28 Ir Geraldo Groenen - Votos Perpétuos (2003) / Marcelo - Aniversário
29 Pe. Daniel McCarthy - Primeiros Votos (1964) / Pe. Miguel Brady - Primeiros Votos (1965) / Pe. Bernardo Colgan - Primeiros Votos (1962) / Pe. Thomas O’Sea - Primeiros Votos (1959)
30 Pe. David O’Brien - Aniversário (1932) / Fábio - Aniversário
Datas Oblatas
15 Chegada dos Oblatos ao Brasil (1945)
OUTUBRO
1 Pe. Miguel Pipolo - Aniversário (1940) 10 Pe. Rubens Pedro Cabral - Ordenação (1982)
12 Pe. Patrick Oliveira Urias - Ordenação (2012)
18 Pe. Lindomar Felix da Silva - Ordenação (2009) / Dom João Kot - Ordenação Episcopal (2014)
29 Pe. Geraldo Levron - Ordenação (1967) 30 Ir. Rivaldo Teixeira de Carvalho - Aniversário (1986)
Datas Oblatas
14 Sagração Episcopal de Santo Eugênio de Mazenod (1832)
19 Betatificação de Santo Eugêniode Mazenod (1975)
AGENDA OBLATA
SIGA
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T
odos os anos, no mês de outubro, a Igreja no mundo inteiro cele- bra o chamado Mês da Missão, que traz como tema neste ano de 2020“A vida é missão” e como lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8).
Sendo assim, começo este artigo fazendo uma apresentação da nossa comunidade missionária, onde traba- lhamos juntos eu e Padre Wesley, OMI, superior da Casa de Filosofia Padre Tempier, e Padre Cássio, OMI, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, que mora na casa paroquial e forma conos- co uma equipe de formação e missão. A paróquia tem a Matriz Nossa Senhora de Aparecida e sete comunidades, que são elas Santa Luzia, São Sebastião, São João Batista, São Francisco, Santo Antônio, São José e Santo Eugênio. Ajudam-nos na grande tarefa de evangelizar o povo de Deus nossos sete pré-noviços, sendo seis do primeiro ano de Filosofia.
João, Cleiton e Paulo Vitor vão acom- panhar as comunidades Santo Antônio e
A
humanidade tem enfrentado um momento difícil da sua história: a luta contra o coro- navírus. Sendo o anúncio do Evangelho a verdadeira identidade da Igreja (EN 14) e que a Igreja deve ser aquela que busca “primeirear” (EG 24) nos lança- mos no anúncio do Evangelho neste novo cenário digital. Já nos advertia o Papa Emérito Bento XVI: “O ambien- te digital não pode ser mais visto como um mundo paralelo, pois cada vez mais está presente na realidade cotidiana de muitas pessoas”.Em virtude da pandemia, respei- tando as orientações das autoridades para evitar e combater a sua dissemi- nação, desde março tivemos a priva- FORMAÇÃO
O MÊS DA
MISSÃO
EVANGELIZAÇÃO MISSIONÁRIA NAS LIVES EM TEMPOS DE COVID-19
Santo Eugênio. Santo Eugênio é uma comunidade cujas outras comunidades ajudam nas celebrações e missas; as celebrações nessa comunida- de ocorrem numa garagem gentilmente emprestada por um casal. Todo início é difí-
cil, mas nós esperamos que tudo dê cer- to. João, Cleiton e Paulo Vitor também acompanham as famílias haitianas que tentam construir uma nova vida aqui em Sumaré (SP). Higor e Marcelo acom- panham a Comunidade São João Batista e os acólitos. Jeferson e Islan acompa- nham a Comunidade São Francisco e os grupos de jovens da Paróquia. Eu trabalho com os grupos de vivência e com os formandos. Ajudo também no trabalho com o SOS Haiti, que é uma ONG que ajuda os haitianos na busca de uma vida digna. Nesse desafiador traba- lho buscamos orientar os haitianos na- quilo que são seus direitos, pois nenhum deles recebeu até hoje nenhum benefício
do governo brasileiro. Oferecemos aulas de português, visando ajudá-los na bus- ca de um emprego, bem como também buscamos oferecer-lhes alguns itens de primeira necessidade, tais como roupas, cobertores e cestas básicas.
Padre Wesley, OMI, Pe. Cássio, OMI, eu e os formandos tentamos vi- ver e transmitir carisma oblato, sendo homens de oração e buscando ser a voz dos sem voz, cultivando amor pelos po- bres com nossa presença no meio do povo, na Pastoral da Escuta e na cele- bração dos sacramentos. Infelizmente, neste ano, o coronavírus atrapalhou muito o nosso trabalho.
Ir. Geraldo Groenen, OMI.
ção das missas com fiéis, formações, encontros, catequeses, fazendo com que a evangelização migrasse para os meios digitais. Navegamos em re- des para anunciar o Evangelho a toda criatura. Multiplicaram-se iniciativas como a diversidade de lives, em que é possível escolher temas e modelos: de missas a shows, de boas formações a reflexões cômicas.
Nestes tempos, a Igreja têm inte- grado todos os recursos disponíveis para evangelizar. Por conta da pruden- te orientação de ficar em casa orienta- ção por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), as pessoas têm mais tempo e entram em contato com os re- cursos disponibilizados pela TV, rádio,
internet e jornais. Nós utilizamos esses meios como ferramentas de comunica- ção. Sentimos-nos em comunhão e em unidade.
Agregando valores do Evangelho, temos sido presença na vida das pesso- as e isso tem contribuído para levar-lhes esperança. Muitas pessoas se sentem acolhidas e amparadas. A digitalização da evangelização mostra a força da co- munidade em atingir as pessoas que há bastante tempo estavam distantes do convívio eclesial, da fé.
Que continuemos firmes, por meio das mídias sociais, a serviço da constru- ção do Reino.
Pe. Wesley Araújo, OMI.
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Q
ueridos irmão leitores do Nossas Notícias, o mês de setembro é dedicado para que possa- mos olhar com mais atenção e carinho a Pala- vra de Deus por meio das Sagradas Escrituras.Sabemos nós que a Palavra de Deus é como uma fonte que jorra água viva constantemente. Como diz o salmista,
“A minh’alma tem sede Deus, pelo Deus vivo anseia com ar- dor” (Sl 41,3). A Palavra deve ter um lugar especial em nossa casa, porém mais especial ainda é estar em nosso coração.
Somos convidados a ler com calma e degustar a mensagem que Deus vai revelando a nós pela leitura e meditação dela.
É certo que nem sempre compreendemos tudo, há textos bíblicos que são complexos e podem gerar um não entendimento, mas isso pode ser sanado com uma con- sulta aos responsáveis pela catequese, pelos ministros da Palavra ou pelos religiosos e sacerdotes, por isso é impor- tante que haja formação para o povo de Deus sobre a Pa- lavra, pois somente compreendendo melhor a mensagem de Deus será possível praticá-la.
É importante que durante as celebrações também se fique atento às leituras bíblicas e, lógico, às explicações, à homilia, pois esse momento é quando podemos entender
como Deus, por meio de Sua Palavra, apresenta-Se e ma- nifesta-Se a nós em comunidade.
Nossa fé é como uma sementinha, por isso, devemos cuidar bem dela. Um dos adubos é a leitura diária da Pala- vra, de um trecho bíblico, de um Salmo, de uma passagem do Evangelho. O importante é que se encontre um tempo durante nosso dia para voltarmos nossa atenção ao Senhor.
Este mês é convidativo também para que se utilizem meios para que retornemos à Palavra de Deus lida em família. Nas paróquias, que se possam promover sema- nas bíblicas, que na catequese e nos grupos de jovens se promovam gincanas e apresentações que demonstram o interesse à leitura da Bíblia. Ela é fonte de amor e de vida.
Enfim, termino expressando uma frase muito bonita que diz que a Bíblia é uma carta de amor de Deus para a humanidade. Que possamos então ler com carinho a mensagem do nosso Deus para nós, Seus filhos queridos e amados. Que nossa vida seja a concretude dessa vontade divina.
Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e Maria Imaculada.
Ir. Diemeson Gomes, OMI.
SETEMBRO, O MÊS DA
BÍBLIA
aniversário
feliz
Oblatos
OBLATINHO
O
s acontecimentos das duas últimas semanas nos Estados Unidos deixaram o mundo todo perplexo.Comentadores e cientistas políticos buscaram muitas e várias interpretações. Todos ficaram impressio- nados com o grande número de jovens marchando pelas muitas cidades do país.
Os jovens e os não tão jovens creem que um mundo diferente é possível. Será? Os Estados Unidos foram cons- truídos por imigrantes de todas as partes do mundo. Os afrodescendentes perfazem de 12% a 15% da população.
Eles foram fundamentais na construção da atual riqueza do país, cuja história nos diz que sofreram o pecado social do racismo por séculos. A isso reagiram com persistência.
Em nosso tempo de vida temos assistido a migrações no Oriente Médio e na África para a Europa. Na América Latina, muitos migraram para os Estados Unidos em busca de vida melhor. As causas disso são muitas. Os muitos mi- grantes sonham em obter o “cartão verde”. No Brasil, a nos- sa forma de estruturar a família, a economia, a vida política e a justiça foram estruturadas pela escravidão. O país foi o último a abolir o escravagismo na América Latina.
Séculos passaram para que a “casa grande” e a “senzala”
desaparecessem, duas realidades fundamentais que tenta- ram estabelecer valores evangélicos nesta parte do mundo.
Por meio deles, o branco se libertou do negro; este foi jo- gado às ruas sem rumo e direção. Nenhum plano socioeco- nômico foi elaborado para encaixar o negro na vida econô- mica e política do país.
Levou séculos para que o Estado brasileiro reconhecesse que o racismo é um fator estruturante das relações sociais.
O racismo somente se dissipará quando demonstrarmos às gerações presentes e futuras que ele é uma vergonha; o seu exercício, mais que um crime, é uma indignidade pessoal para quem o pratica.
Oblatos de Maria Imaculada Chapel School
P
odemos fazer referência sobre o que diz Freud quando nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905a, p.211) esclarece que “a disposição às perversões é a dispo- sição originária e universal da pulsão sexual dos seres humanos”.
A perversão é uma tendência que tem uma finalidade de obter prazer sexual, ou seja, uma curiosidade em relação a as- pectos privados ou íntimos da vida de outra pessoa. O sujei- to observa, às escondidas, cenas íntimas ou eróticas que outra pessoa pratica, ou seja, isso é chamado de patologia, como tam- bém denominado parafilia, transtorno, etc. Existem aproxima- damente 40 parafilias no sentindo geral.
O estado inicial começa sem comprometimento, aparente- mente. Ainda não traz comprometimento nas áreas da vida do sujeito, essa é uma fase leve; somente quando se passa para a segunda fase, da moderada para a seguinte, fase chamada de aguda, podemos dizer que todas ou quase todas as áreas estão comprometidas e quando a vida do sujeito é ameaçada devido ao grau de comprometimento, caso ele o reconheça, faz-se ne- cessário o tratamento psicoterapêutico, ou seja, quando se tem disponibilidade psíquica de querer tratamento, isto é, quando o sujeito se reconhece; se não reconhece, levará para toda a vida o sofrimento psíquico.
No início é algo até engraçado e passa a ser um diverti- mento; ocorre a geração inicial da formação do sintoma, isso acontece sem que o sujeito se dê conta. Nas relações sociais o sujeito não expõe a sua curiosidade, é um assunto velado para os outros, exclusivamente de sua relação intrapessoal, ou seja, ele consigo, não há como partilhar com ninguém, exceto, com muito esforço, pode revelar em uma confissão.
Uma das características principais é o anonimato. O sujeito nem sequer imagina que pode ser descoberto; outra característi- ca é a vergonha caso alguém o denuncie no estágio inicial ou nas demais fases do transtorno. Quando o voyeur se encontra no ato da ação, cumprindo o que o transtorno determina, não há envol- vimento dele, que somente se satisfaz por meio da observação.
O voyeur usa vários recursos para espiar o outro. Hoje em dia, como temos acesso fácil a potentes câmeras de celulares, isso passa a ser um dos recursos utilizados por quem gosta de observar intimidades sexuais a distância.
Caso você se reconheça com esse ou outro transtorno, pode entrar em contato comigo para conversas e esclarecimentos, fico à disposição. Telefone para contato: (62) 9-9994-0418.
Padre José Ronácio, OMI.
PSICOLOGIA JUPIC