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EFEITO DE EXTRATOS DE Trichilia pallida SWARTZ E Azadirachta indica A.

JUSS (MELIACEAE) SOBRE Tuta absoluta (MEYRICK) E SEU PARASITÓIDE Trichogramma pretiosum RILEY

RITA DE CÁSSIA RODRIGUES GONÇALVES-GERVÁSIO

Tese apresentada à Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Doutor em Ciências, Área de Concentração:

Entomologia.

P I R A C I C A B A Estado de São Paulo - Brasil

Outubro - 2003

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EFEITO DE EXTRATOS DE Trichilia pallida SWARTZ E Azadirachta indica A.

JUSS (MELIACEAE) SOBRE Tuta absoluta (MEYRICK) E SEU PARASITÓIDE Trichogramma pretiosum RILEY

RITA DE CÁSSIA RODRIGUES GONÇALVES-GERVÁSIO Engenheira Agrônoma

Orientador: Prof. Dr. JOSÉ DJAIR VENDRAMIM

Tese apresentada à Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Doutor em Ciências, Área de Concentração:

Entomologia.

P I R A C I C A B A Estado de São Paulo - Brasil

Outubro - 2003

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DadosInternacionais de Catalogação na Publicação (CIP) DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - ESALQ/USP

Gonçalves-Gervásio, Rita de Cássia Rodrigues

Efeito de extratos de Trichilia pallida Swartz e Azadirachta indica A.

Juss (Meliaceae) sobre Tuta absoluta (Meyrick) e seu parasitóide Trichogramma pretiosum Riley / Rita de Cássia Rodrigues Gonçalves- Gervásio. - - Piracicaba, 2003.

88 p.

Tese (doutorado) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2003.

Bibliografia.

1. Controle biológico 2. Inseticida biológico 3. Inseto parasita 4.

Meliacea 5. Planta produtora de pesticida 6. Traça-do-tomateiro I.

Título

CDD 632.951

“Permitida a cópia total ou parcial deste documento, desde que citada a fonte – O autor”

(4)

Aos meus pais Geraldo e Izabel, que mesmo com muita dificuldade, me proporcionaram a melhor educação possível

OFEREÇO

Ao meu marido Eliezer, Pelo carinho e apoio, demonstrados em todos os momentos

DEDICO

(5)

AGRADECIMENTOS

A Deus, por mais essa conquista;

À Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), pela oportunidade de realização do curso;

À Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela concessão da bolsa de estudo e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo apoio financeiro oferecido na realização desse trabalho;

Ao Prof. Dr. José Djair Vendramim, pela orientação, apoio e exemplo de dedicação profissional;

Aos demais professores do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da ESALQ/USP, pelos ensinamentos transmitidos;

Aos amigos do Laboratório de Plantas Inseticidas, Antônio, Bruno, Cia, Edilene, Élio, Enrique, Fábio, Fernanda, Márcio, Marilene, Paulo, Rogério, Romildo, Uemerson e Vanessa, pelo convívio harmonioso durante a realização do curso;

Aos amigos do curso de Pós-Graduação em Entomologia, pelo convívio e respeito;

Aos funcionários do Setor de Entomologia, pelos auxílios prestados;

E a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho.

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SUMÁRIO

Página

RESUMO ... viii

SUMMARY ... x

1 INTRODUÇÃO ... 1

2 REVISÃO DE LITERATURA ... 4

2.1 Considerações gerais sobre Tuta absoluta ... 4

2.2 Inseticidas de origem vegetal com ênfase a derivados de Trichilia pallida ... 5

2.3 Efeito de extratos de meliáceas sobre insetos minadores ... 9

2.4 Modo de ação dos compostos presentes em extratos de meliáceas ... 11

2.5 Controle biológico da traça-do-tomateiro com parasitóides do gênero Trichogramma ... 19

2.6 Efeito de extratos de meliáceas sobre insetos do gênero Trichogramma ... 21

3 MATERIAL E MÉTODOS ... 23

3.1 Obtenção e criação dos insetos ... 23

3.2 Obtenção do material vegetal para preparo dos extratos ... 24

3.3 Testes preliminares ... 25

3.3.1 Determinação das concentrações adequadas dos extratos a serem utilizadas nos experimentos... 25

3.3.1.1 Preparo dos extratos ... 25

(7)

3.3.1.2 Ação translaminar ... 25

3.3.1.3 Ação sistêmica ... 26

3.3.1.4 Ação de contato ... 27

3.3.2 Avaliação da atividade de extratos orgânicos de T. pallida sobre T. absoluta ... 27

3.3.2.1 Preparo dos extratos orgânicos ... 27

3.3.2.2 Testes de bioatividade ... 28

3.4 Determinação do modo de ação de extratos de folhas de T. pallida sobre T. absoluta ... 29

3.5 Efeito de extratos de meliáceas sobre o parasitóide T. pretiosum ... 30

3.5.1 Tratamento dos ovos antes do parasitismo ... 30

3.5.1.1 Teste com chance de escolha ... 30

3.5.1.2 Teste sem chance de escolha ... 31

3.5.2 Tratamento dos ovos após o parasitismo... 31

3.6 Análise estatística ... 32

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 33

4.1 Testes preliminares ... 33

4.1.1 Determinação das concentrações adequadas dos extratos a serem utilizadas nos experimentos ... 33

4.1.1.1 Ação translaminar ... 33

4.1.1.2 Ação sistêmica ... 35

4.1.1.3 Ação de contato ... 37

4.1.2 Avaliação da atividade de extratos orgânicos de T. pallida sobre T. absoluta ... 39

4.1.3 Considerações gerais ... 42

4.2 Determinação do modo de ação de extratos de folhas de T. pallida sobre T. absoluta ... 45

4.2.1 Ação translaminar ... 45

4.2.2 Ação sistêmica ... 50

(8)

4.2.3 Ação de contato ... 55

4.2.4 Considerações gerais ... 59

4.3 Efeito de extratos de meliáceas sobre o parasitóide T. pretiosum ... 61

4.3.1 Tratamento dos ovos antes do parasitismo ... 61

4.3.1.1 Teste com chance de escolha ... 61

4.3.1.2 Teste sem chance de escolha ... 64

4.3.2 Tratamento dos ovos após o parasitismo ... 66

4.3.3 Considerações gerais ... 70

5 CONCLUSÕES ... 72

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 73

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EFEITO DE EXTRATOS DE Trichilia pallida SWARTZ E Azadirachta indica A. JUSS (MELIACEAE) SOBRE Tuta absoluta (MEYRICK) E SEU

PARASITÓIDE Trichogramma pretiosum RILEY

Autora: RITA DE CÁSSIA RODRIGUES GONÇALVES-GERVÁSIO Orientador: Prof. Dr. JOSÉ DJAIR VENDRAMIM

RESUMO

Esse trabalho foi desenvolvido com o objetivo de verificar a bioatividade de extratos aquosos e orgânicos de folhas de Trichilia pallida e do extrato aquoso de sementes de Azadirachta indica (nim) sobre Tuta absoluta e seu parasitóide Trichogramma pretiosum. Procurou-se determinar os efeitos sistêmico, translaminar e de contato dos extratos sobre a praga, além do efeito sobre a biologia e comportamento do parasitóide. Primeiramente, foram realizados experimentos visando à determinação das concentrações dos extratos mais adequadas para utilização nos testes de bioatividade. Nesta etapa preliminar, foram utilizados apenas extratos aquosos de sementes de nim em concentrações variáveis de 0,5 a 10%. Esses extratos foram aplicados no solo, na superfície adaxial de folíolos de tomateiro e diretamente sobre o inseto para a determinação dos efeitos sistêmico, translaminar e de contato, respectivamente, sendo selecionadas as concentrações de 0,5; 1 e 5% para os respectivos testes. Após a escolha das concentrações, foi selecionado, dentre quatro extratos orgânicos de folhas de T. pallida (hexânico, metanólico,

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etanólico e clorofórmico) o extrato clorofórmico como o mais eficiente sobre a praga. Determinadas as concentrações e o extrato orgânico de T. pallida mais eficiente, este, juntamente com o extrato aquoso dessa espécie e o de sementes de nim foram submetidos aos testes de bioatividade para verificar os efeitos sobre a traça-do-tomateiro. Finalmente os extratos que apresentaram melhores resultados sobre a praga foram avaliados em relação ao parasitóide de ovos T. pretiosum. De acordo com os resultados obtidos, foi possível concluir que os extratos aquosos de sementes de nim apresentam efeitos translaminar, sistêmico e por contato sobre T. absoluta, provocando alta mortalidade mesmo em concentrações menores do que 5%. Verificou-se também, que o extrato clorofórmico é mais eficiente que o hexânico e o aquoso em relação à traça-do-tomateiro, e que extratos aquosos e clorofórmicos de folhas dessa espécie, em concentrações maiores do que 5% prejudicam o desenvolvimento de T. absoluta. Esses extratos atuam de forma translaminar, sistêmica e por contato, sendo o efeito translaminar mais pronunciado que os demais. Com relação ao parasitóide T. pretiosum, verificou-se que o mesmo é sensível ao extrato aquoso de sementes de nim na concentração de 10% e que os extratos aquosos e clorofórmicos de folhas de T. pallida na concentração de 10% não afetam o seu parasitismo e nem o seu desenvolvimento no interior do ovo hospedeiro.

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EFFECT OF EXTRACTS OF Trichilia pallida SWARTZ AND Azadirachta indica (MELIACEAE) ON Tuta absoluta (MEYRICK) AND ITS PARASITOID

Trichogramma pretiosum RILEY

Author: RITA DE CÁSSIA RODRIGUES GONÇALVES-GERVÁSIO Adviser: Prof. Dr. JOSÉ DJAIR VENDRAMIM

SUMMARY

This research was developed in order to verify the bioactivity of Trichilia pallida aqueous and organic leaf extracts and Azadirachta indica (neem) aqueous seed extract on Tuta absoluta and its parasitoid Trichogramma pretiosum. Besides the parasitoid's behavior and biology, were also determined the systemic, translaminar and contact effects of the extracts on the pest. Firstly, for the utilization in bioactivity tests, experiments aiming the determination of the most appropriate extract concentrations were conducted. In this preliminar stage, only neem aqueous seed extract in variable concentrations from 0.5% to 10% were used. For the determination of systemic, translaminar and contact effects, these extract were applied in the soil, in adaxial surface of the tomato plant foliole and directly over the insect, respectively. For those respective tests 0.5; 1 and 5% concentrations were selected. Afterwards, the one with the higher activity on T. absoluta was selected among four organic T. pallida leaf extract (hexanic, methanolic, ethanolic and chloroformic). In this test, the chloroformic extract was considered the most effective on the pest. After the concentrations

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and most effective T. pallida organic extract having been determined, this organic extract along with the aqueous extract of this specie and the neem seed were submitted to bioactivity tests in order to verify the effects on the tomato pinworm. Finally, the extracts that presented the best results over the pest were evaluated in relation to the parasitoid T. pretiosum. According to the results it was possible to conclude that the aqueous extracts of neem seed present systemic, translaminar and contact effects on T. absoluta, causing high mortality in concentration smaller than 5%. It was also observed that the chloroformic extract from T. pallida leaves is more efficient than the hexanic and aqueous ones in relation to the tomato pinworm and that chloroformic and aqueous extracts of T. pallida leaves in concentrations higher than 5% disrupt T. absoluta development. These extracts have systemic, translaminar and contact mode of action, being the translaminar effect more distinguished than the others. It was observed that T. pretiosum parasitoid is sensitive to the aqueous extract of neem seed in a concentration of 10%, and that the chloroformic and aqueous extracts of T. pallida leaves in a concentration of 10% neither affect its parasitism nor its development inside the host egg.

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1 INTRODUÇÃO

A traça, Tuta absoluta (Meyrick, 1917), é uma praga de grande importância econômica na cultura do tomateiro. Esse lepidóptero da família Gelechiidae apresenta ampla distribuição geográfica, tendo sido encontrado nos principais países produtores da América do Sul. No Brasil, esse inseto foi constatado pela primeira vez em plantas de tomate, no estado do Paraná, em 1979 (Muszinski et al., 1982), sendo registrado no ano seguinte no estado de São Paulo (Moreira et al., 1982). Atualmente, acredita-se que essa praga se encontra disseminada por praticamente todas as regiões produtoras de tomate do país.

Os danos causados pela traça podem ser observados em toda a parte aérea da planta. As lagartas constróem galerias nas folhas, ramos e frutos, sendo que essas galerias aumentam à medida que o inseto se alimenta. Sob ataque intenso, as folhas minadas amarelecem, murcham e caem, podendo ocorrer morte da planta. Os frutos podem ser totalmente destruídos, caindo em seguida (Groppo, 1983). Scardini et al. (1983) constataram danos severos dessa praga à cultura do tomateiro no município de Santa Teresa, ES, com perdas de até 100% na produção, em alguns casos.

Apesar da eficiência questionável, o controle químico da traça-do- tomateiro tem sido exaustivamente utilizado pelos agricultores. Além de causarem problemas como aumento significativo no custo de produção e aparecimento de pragas secundárias, poucos inseticidas oferecem controle satisfatório, uma vez que seu uso indiscriminado favorece o aparecimento de biótipos resistentes (Castelo Branco, 1990; França et al., 1985).

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Esses problemas podem ser minimizados com o emprego de métodos alternativos de controle, dentre os quais o uso de plantas inseticidas tem surgido como uma ferramenta importante no manejo de insetos pragas. Nesse sentido, o potencial inseticida de plantas da família Meliaceae tem sido avaliado no Laboratório de Plantas Inseticidas do Setor de Entomologia da ESALQ/USP, obtendo-se resultados promissores, principalmente com Trichilia pallida Swartz (Rodríguez & Vendramim, 1996, 1997; Roel et al., 2000a, 2000b; Souza &

Vendramim, 2000a, 2000b, 2001; Thomazini et al., 2000; Torrecillas &

Vendramim, 2001; Vendramim & Torrecillas, 1998).

Em relação a T. absoluta, Thomazini et al. (2000) verificaram que o tratamento de folhas de tomateiro com extratos de T. pallida afetou o desenvolvimento e a sobrevivência larval desse inseto, sendo constatada ainda maior eficiência do extrato de folhas quando comparado ao de ramos.

Considerando que num programa de manejo integrado, é sempre interessante utilizar mais de uma tática de controle, visando reduzir a pressão de seleção de cada uma sobre a população do inseto praga, alguns inimigos naturais também têm sido estudados para o controle da traça-do-tomateiro.

Dentre estes, incluem-se os parasitóides da família Trichogrammatidae, destacando-se Trichogramma pretiosum Riley, 1879, considerado um dos mais importantes agentes de controle biológico dessa praga (França et al., 1993; Haji et al., 1995; Roa & Jimenez, 1992).

Não se sabe, entretanto, quais os tipos de ação provocados no inseto e na planta pelos compostos químicos presentes em extratos de T. pallida que acabam resultando em efeitos deletérios sobre a traça-do-tomateiro.

Assim, considerando-se que a associação entre inimigos naturais e extratos vegetais com atividade inseticida pode se constituir numa alternativa viável para o controle de pragas, no presente trabalho procurou-se determinar o modo de ação, incluindo os efeitos de contato, sistêmico e translaminar de extratos aquosos e orgânicos de T. pallida sobre T. absoluta, bem como seu efeito sobre o parasitóide de ovos T. pretiosum. Para isso, esses extratos foram

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comparados com o extrato aquoso de sementes de nim, considerada uma das mais importantes plantas inseticidas na atualidade.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Considerações gerais sobre Tuta absoluta

A traça-do-tomateiro foi originalmente descrita como Phtorimaea absoluta por E. Meyrick, em 1917. Após ter sido transferida para três gêneros diferentes (Gnorimoschema, Scrobipalpula e Scrobipalpuloides), foi finalmente incluída no gênero Tuta por Povolný em 1994. Dessa forma, atualmente o nome válido para essa espécie é Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Povolný, 1975;

Povolný, 1994).

Os adultos desse lepidóptero da família Gelechiidae são pequenas mariposas com 3 mm de comprimento e 11 mm de envergadura. Sua coloração é geralmente cinza-prateada, com numerosos pontos escuros na parte dorsal das asas anteriores. Têm os bordos das asas posteriores franjados, o mesmo ocorrendo na parte apical das anteriores. Os ovos são elípticos, apresentando inicialmente coloração amarelo-palha, passando a avermelhada, próximo à eclosão. As lagartas de primeiro ínstar caracterizam-se por apresentar coloração verde-clara, a qual se torna cada vez mais intensa à medida que o inseto se alimenta. Ao atingirem o quarto e último ínstar, essas lagartas apresentam coloração verde-escura, com uma faixa longitudinal dorsal rósea que se torna avermelhada e bem distinta próximo à pupação. Ao final da fase larval, a traça passa pelo estágio de pupa, instalando-se nos caules e folhas por meio de pequenos casulos, ou ainda dentro da própria lesão, ou no solo, como pupa nua (Ferreira & Anjos, 1997; Souza & Reis, 1992).

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Esse inseto apresenta ampla distribuição geográfica, sendo encontrado nos principais países produtores de tomate da América do Sul. No Brasil, foi constatado pela primeira vez em plantas de tomate, no Estado do Paraná, em 1979 (Muszinski et al., 1982). Posteriormente, sua ocorrência também foi relatada em outros Estados como São Paulo (Moreira et al., 1982), Espírito Santo (Scardini et al., 1983), Bahia (Moraes & Normanha Filho, 1982), Rio de Janeiro (Gonçalves et al., 1983) e Minas Gerais (Souza et al., 1983).

Os hospedeiros da traça-do-tomateiro pertencem à família Solanaceae, destacando-se entre eles plantas de tomate (Lycopersicon esculentum), batata (Solanum tuberosum) e fumo (Nicotiana tabacum), além de Solanum saponaceum, Solanum guitoense (Povolný, 1975), S. nigrum, Lycopersicon puberulum e Datura stramonium (Vargas, 1970).

Os danos causados por essa praga podem ser observados em toda a parte aérea da planta. Segundo Groppo (1983), as lagartas constróem galerias nas folhas, ramos e frutos. Essas galerias aumentam à medida que o inseto se alimenta e cresce. Sob ataque intenso, as folhas minadas amarelecem, murcham e caem, podendo ocorrer morte da planta. Os frutos podem ser totalmente destruídos, caindo em seguida. Scardini et al. (1983) constataram danos severos dessa praga à cultura do tomateiro no município de Santa Teresa, ES, com perdas de até 100% na produção, em alguns casos.

2.2 Inseticidas de origem vegetal com ênfase a derivados de Trichilia pallida

O controle de pragas com produtos botânicos surgiu antes mesmo do advento dos inseticidas sintéticos. De acordo com Lagunes & Rodríguez (1989), os primeiros fitoinseticidas utilizados foram a nicotina extraída de Nicotiana tabacum (Solanaceae), a rianodina extraída de Ryania speciosa (Flacuortiaceae), a sabadina e outros alcalóides provenientes de Schoenocaulon officinale (Liliaceae), as piretrinas extraídas de Chrysanthemum

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cinerariaefolium (Asteraceae) e a rotenona encontrada em Derris spp. e Lanchocarpus spp. (Fabaceae). Esses compostos foram substituídos pelos inseticidas organo-clorados que se mostravam mais eficientes no controle de insetos. Entretanto, a necessidade de novos compostos para uso no manejo de pragas sem problemas como a contaminação ambiental, resíduos nos alimentos, efeitos prejudiciais sobre organismos benéficos e aumento na freqüência de insetos resistentes, provocou a retomada dos estudos envolvendo extratos vegetais (Vendramim, 1997).

Neste contexto, a família Meliaceae tem se destacado por possuir espécies com alta atividade biológica sobre insetos. Dentre essas, incluem-se Azadirachta indica, conhecida como nim e Melia azedarach, comumente chamada de cinamomo, pára-raios ou santa-bárbara, sendo a primeira considerada uma das mais eficientes plantas inseticidas já estudadas (Breuer &

Devkota, 1990; Mordue (Luntz) & Blackwell, 1993; Schmutterer, 1988).

Além das plantas mencionadas, vários pesquisadores têm isolado limonóides de diferentes espécies do gênero Trichilia e demonstrado a atividade desses compostos sobre insetos, incluindo efeito fagodeterrente e efeito regulador de crescimento (Nakanishi, 1982; Nakatani et al., 1985; Ortego et al., 1999; Ramirez et al., 2000; Simmonds et al., 2001; Xie et al., 1994).

Trabalhos desenvolvidos no Setor de Entomologia da ESALQ, com o objetivo de avaliar o efeito de extratos de Meliaceae sobre insetos, destacaram T. pallida como sendo uma espécie muito promissora no controle de pragas.

Rodríguez & Vendramim (1996, 1997) avaliaram a bioatividade de várias espécies de meliáceas (incluindo cinco espécies de Trichilia), em relação a Spodoptera frugiperda. Os autores testaram extratos aquosos de diversas estruturas vegetais na concentração de 5%, sendo os mesmos incorporados em dieta artificial (20 ml do extrato por 100 g de dieta). Foram constatadas grandes variações na bioatividade considerando-se as espécies e os órgãos vegetais utilizados. Foi observada maior eficiência em tratamentos correspondentes a extratos de folhas e ramos de T. pallida e de M. azedarach

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e ramos de Cabralea canjerana, nos quais foi registrada mortalidade larval de 100%, sendo que nos extratos de ramos de T. pallida e C. canjerana, essa mortalidade ocorreu já nos dois primeiros ínstares.

Estudando o efeito de diferentes concentrações do extrato aquoso de ramos e folhas de T. pallida na sobrevivência e desenvolvimento de S.

frugiperda criada em diferentes genótipos de milho, Vendramim & Torrecillas (1998) verificaram que o extrato de ramos a 5% provocou 100% de mortalidade larval até o sétimo dia após o início do tratamento. A 1%, a mortalidade, nesse extrato, variou de 70 a 100% e a 0,1%, houve redução da sobrevivência e do peso pupal e alongamento da fase larval. O extrato de folhas a 5% provocou mortalidade variável de 17 a 55% (dependendo do genótipo) até o sétimo dia e de 100% ao final da fase, enquanto a 0,1%, reduziu o peso pupal. Quando os extratos de folhas e ramos de T. pallida foram associados a genótipos resistentes de milho, verificaram-se efeitos variáveis, em função do genótipo e concentração do extrato utilizado.

Roel et al. (2000a) avaliaram o efeito de diferentes concentrações de extratos orgânicos de folhas e ramos de T. pallida na sobrevivência larval de S.

frugiperda. Num primeiro teste, envolvendo extratos acetônicos e metanólicos em concentrações variando de 0,008 a 1%, os autores constataram maior eficiência dos extratos acetônicos de folhas e de ramos bem como do extrato metanólico de ramos. Neste trabalho, também foram testados extratos acetato de etila e hexânico obtidos pela partição do extrato acetônico bruto, constatando-se, nesse caso maior eficiência com o extrato acetato de etila.

Com base nestes resultados, Roel et al. (2000b) realizaram outro teste para avaliar o efeito do extrato acetato de etila de folhas e ramos de T. pallida sobre o desenvolvimento e sobrevivência da lagarta-do-cartucho. Verificou-se que o referido extrato causou mortalidade larval de 100% (em concentração igual ou superior a 0,05%), afetou a sobrevivência e o desenvolvimento do inseto (na concentração de 0,006%) e não provocou qualquer efeito em concentração igual ou inferior a 0,0008%. Nesse teste, também ficou

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demonstrado que lagartas alimentadas desde a eclosão com folhas de milho tratadas com extrato foram mais afetadas do que as que receberam esse tratamento a partir dos 10 dias de idade.

Souza & Vendramim (2000a) compararam a bioatividade de extratos aquosos a 3% (p/v) de três meliaceas, dentre estas, T. pallida, em relação à mosca-branca Bemisia tabaci (Gennadius) biótipo B, criada em tomateiro. Os extratos foram aplicados sobre ovos e ninfas, avaliando-se a mortalidade e a duração dessas fases. Verificou-se que, na fase de ovo, o extrato de T. pallida provocou maior mortalidade em relação às outras espécies avaliadas (A. indica e M. azedarach). A maior mortalidade ninfal foi constatada no tratamento correspondente ao extrato de A. indica, seguindo-se os extratos de T. pallida e M. azedarach, sendo que nenhum dos extratos afetou a duração das fases de desenvolvimento.

Souza & Vendramim (2001) estudaram a atividade de extratos de diferentes estruturas vegetais de T. pallida e M. azedarach sobre B. tabaci biótipo B. Foram utilizados extratos aquosos na concentração de 3% (p/v) aplicados sobre ovos e ninfas do inseto. Os autores avaliaram a mortalidade e duração de cada fase em função do tratamento com extrato. Em relação a T.

pallida, verificou-se que os extratos de ramos foram os únicos que provocaram mortalidade, tanto das fases de ovo como de ninfas, maior do que aquela observada na testemunha.

A eficiência de extratos aquosos de seis espécies de Trichilia, em comparação com o extrato aquoso de sementes de nim sobre S. frugiperda foi avaliada por Bogorni (2003). Inicialmente, foram selecionados os extratos de ramos e folhas de T. pallens e de ramos de T. pallida com sendo os mais eficientes sobre a praga em condições de laboratório. Esses extratos, juntamente com o inseticida lufenuron (Match CE), o óleo de nim e o extrato aquoso de sementes de nim foram testados sobre a lagarta-do-cartucho em condições de campo. Verificou-se que os extratos de folhas de T. pallens e de sementes de nim a 6,7%, embora menos eficientes que o inseticida sintético

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lufenuron, reduzem o dano das lagartas à cultura do milho em condições de campo.

2.3 Efeito de extratos de meliáceas sobre insetos minadores

Extratos de plantas da família Meliaceae têm se mostrado ativos sobre várias espécies de insetos minadores. Estudos realizados por Webb et al.

(1983) revelaram que o extrato aquoso de sementes de nim, em baixa concentração (0,1%), mostrou-se eficiente para controle de moscas-minadoras do gênero Liriomyza.

Fagoonee & Toory (1984) verificaram que em folhas de feijão infestadas por Liriomyza trifolii (Burguess) e tratadas com extrato aquoso de folhas de nim, na concentração de 2%, houve redução na viabilidade larval do inseto e no número de adultos emergidos. Os autores também identificaram efeito deletério de extratos acetônicos de nim sobre larvas e pupas do inseto.

A inibição da alimentação e da oviposição de adultos de L. trifolii, em plantas de crisântemo pulverizadas com extrato etanólico de sementes de A.

indica foram relatadas por Stein & Parrella (1985). Foi verificado que o referido extrato, quando aplicado sobre as larvas, além de acarretar deformação nas pupas, reduziu a viabilidade desta fase do inseto.

Larew et al. (1985) testaram a atividade sistêmica de extratos etanólicos de sementes de nim sobre L. trifolii em crisântemo. Foram utilizados extratos nas concentrações de 0,01; 0,1 e 0,4%, além da testemunha constituída de água mais espalhante adesivo, sendo este último também adicionado aos extratos. Quando as plantas foram tratadas com extrato na concentração de 0,4%, foi observado um número reduzido de pupas em relação aos demais tratamentos, sendo que esta concentração juntamente com a de 0,1% causou menor emergência de adultos.

Rovesti & Deseö (1991) realizaram um teste para avaliar a atividade do extrato aquoso de sementes de nim sobre larvas e ovos de Leucoptera

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malifoliella Costa, importante minador de folhas de macieira na Itália. Foi verificado que, mesmo na menor concentração utilizada (5 g/L), o extrato provocou 100% de mortalidade, quando aplicado sobre larvas de primeiro ínstar.

O efeito de extratos vegetais na sobrevivência das larvas do minador- dos-citros (Phyllocnistis citrella Stainton) foi demonstrada por Bautista et al.

(1998). Nesse trabalho, extratos aquosos de sementes de nim nas concentrações de 30 e 50 g/L foram pulverizados sobre brotos de Citrus aurantifolia cv. Tahiti infestados com larvas da praga. Os autores verificaram mais de 70% de mortalidade das larvas, quando estas foram pulverizadas com o extrato na maior concentração (50 g/L) e sugeriram um possível efeito antialimentar, uma vez que a mortalidade máxima foi observada entre 48 e 72h após a aplicação.

Borad et al. (2001), também trabalhando com P. citrella, verificaram que extratos aquosos de folhas de nim na concentração de 10% foram capazes de reduzir a população dessa praga em plantas de C. aurantifolia.

Estudos envolvendo o efeito de extratos botânicos sobre a traça-do- tomateiro são relativa mente recentes. Os primeiros trabalhos nessa linha foram desenvolvidos por Ferracini et al. (1991, 1993) que testaram diversas plantas com potencial inseticida sobre o referido inseto, incluindo, dentre elas, M.

azedarach. Num primeiro experimento, in vitro, lagartas de sexto dia foram alimentadas com folhas de tomateiro tratadas com extratos acetônicos e etanólicos da referida meliácea, registrando-se mortalidade larval de cerca de 88%, quatro dias após a aplicação (Ferracini et al., 1991). Em outro teste, plantas de tomate envasadas foram pulverizadas com extratos aquosos e acetônicos de M. azedarach, verificando-se 52 e 62% de mortalidade larval, respectivamente (Ferracini et al., 1993).

Trindade et al. (2000) avaliaram o efeito de diferentes concentrações do extrato etanólico de amêndoa da semente de A. indica sobre ovos e lagartas da traça-do-tomateiro, em condições de laboratório. Os ovos pulverizados com

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extratos em concentrações variando de 62,5 a 1000 mg/L não foram afetados quanto ao período de incubação e viabilidade. Lagartas recém-eclodidas, alimentadas com folíolos de tomateiro tratados com o extrato em concentrações de 2, 4, 6 e 8 g/L, apresentaram, ao quarto dia, mortalidade de 82, 68, 95 e 100%, respectivamente, sendo que, ao sexto dia, a mortalidade foi total nas quatro concentrações.

Brunherotto (2000) também demonstrou o efeito inseticida de extratos de nim sobre Tuta absoluta. Foram testados extratos aquosos de sementes dessa planta, juntamente com extratos de quatro estruturas (folhas, ramos, frutos verdes e frutos maduros) de M. azedarach. O autor concluiu que todos os extratos afetaram o desenvolvimento do inseto, destacando-se o extrato de sementes de nim como o mais eficiente.

Thomazini et al. (2000), também trabalhando com T. absoluta, avaliaram o efeito de extratos aquosos de ramos e folhas de T. pallida sobre o desenvolvimento do inseto. Folíolos de tomateiro foram imersos nos extratos nas concentrações de 0,1; 1,0 e 5,0%. Nesse teste foram avaliadas a duração e sobrevivência das fases larval e pupal, peso de pupas (machos e fêmeas) e porcentagem de deformação de pupas. No experimento com extrato de ramos foram avaliadas ainda, a porcentagem de adultos deformados e a longevidade de adultos não acasalados. Os autores concluíram que extratos aquosos de folhas e ramos de T. pallida prejudicam o desenvolvimento de T. absoluta, afetando principalmente, a fase larval e que o extrato de folhas apresenta maior atividade que o de ramos.

2.4 Modo de ação dos compostos presentes em extratos d e meliáceas

Os estudos referentes ao modo de ação de compostos de meliáceas sobre insetos estão relacionados, principalmente a A. indica. Vários trabalhos têm demonstrado que compostos presentes em extratos dessa espécie, além de atuarem nos processos reprodutivos, comportamentais e, principalmente,

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inibirem a alimentação de insetos fitófagos, atuam como reguladores de crescimento (Isman et al., 1990; Martinez, 2002; Mordue (Luntz) & Blackwell, 1993; Schumutterer, 1990).

De acordo com Koul et al. (1990), dentre os vários compostos isolados de A. indica até o momento, a azadiractina é o mais ativo, tendo por isso despertado o interesse de vários pesquisadores.

Mordue (Luntz) & Blackwell (1993) caracterizaram a azadiractina como sendo um exemplo clássico de defesa natural das plantas. Os autores relataram que esse composto afeta a alimentação de forma primária, atuando sobre os quimiorreceptores do inseto e também reduzindo o aproveitamento alimentar, devido sua ação tóxica (efeito secundário). Como reguladora de crescimento, a azadiractina provoca alterações hormonais que podem levar o inseto à morte durante a troca de tegumento ou retardar a ecdise, impedindo que o mesmo atinja a fase adulta. Além de atuar como fago-deterrente e reguladora de crescimento, a azadiractina afeta negativamente a reprodução, uma vez que impede o desenvolvimento normal dos ovários, reduzindo a fecundidade e fertilidade dos ovos.

Estudos relacionados à utilização de extratos de nim e azadiractina aplicados topicamente sobre insetos têm sido realizados. Abraham & Ambika (1979) estudaram o efeito de extratos de folhas e sementes dessa meliácea sobre a ecdise e vitelogênese em Dysdercus cingulatus Fabr. Extratos acetônicos, preparados a partir de 10 g de pó de cada estrutura vegetal, foram aplicados topicamente sobre o abdome de ninfas de terceiro, quarto e quinto ínstares, sendo os insetos controle, tratados somente com acetona. Todos os adultos obtidos após aplicação dos extratos apresentaram manutenção de caracteres ninfais como tarso bi-segmentado e asas rudimentares, além de se mostrarem incapazes de realizar a cópula. A mortalidade ninfal observada foi de 80 e 55% para extratos de semente e folhas, respectivamente. Nesse estudo, os ovários de todas as fêmeas foram dissecados e fixados para estudos histológicos. Morfologicamente, os ovaríolos dos insetos tratados mostraram

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sinais de degeneração, quando comparados aos ovaríolos dos insetos-controle.

Os autores sugeriram que tanto extratos de folhas quanto de sementes de nim possuem alguma substância que interfere no processo de troca de tegumento do inseto.

Tanzubil & McCaffery (1990) estudaram o efeito de azadiractina e de um extrato aquoso de sementes de nim sobre desenvolvimento de Spodoptera exempta Walker. Num primeiro teste, 0,01; 0,1; 1,0 e 10 µg de azadiractina dissolvidos em 1µl de acetona foram aplicados na região mesotoráxica de lagartas do quinto ínstar, usando um tubo capilar. Insetos-controle receberam somente acetona. Com exceção da aplicação de 0,01µg, todas as demais doses de azadiractina afetaram negativamente a sobrevivência e o crescimento larval. Em todos os casos, entretanto, a mortalidade foi retardada, indicando que esse composto não apresenta ação tóxica direta sobre os insetos. Para verificar o efeito de extratos aquosos de sementes de nim sobre o desenvolvimento do inseto, os autores utilizaram lagartas de quarto ínstar.

Parte dessas lagartas foram imersas em extratos a 1 e 10% e posteriormente mantidas em folhas não tratadas de trigo, enquanto a outra parte foi confinada em folhas tratadas com esses mesmos extratos. Comparando com a testemunha (lagartas não tratadas criadas sobre folhas de trigo), o ganho de peso larval foi drasticamente reduzido tanto nas lagartas imersas, quanto naquelas que receberam folhas tratadas com extrato a 10%. Em todos os casos, o extrato a 10% inibiu completamente a alimentação, provocando 100%

de mortalidade das lagartas após cinco dias do tratamento. Das lagartas imersas em solução com menor concentração do extrato, 70% resultou em pupas defeituosas e nenhum adulto foi obtido no tratamento correspondente ao extrato nessa concentração.

Isman (1993) testou o efeito da azadiractina sobre o crescimento, consumo e aproveitamento alimentar em lagartas de seis espécies de noctuídeos tratadas topicamente com 50 e 100 ng de azadiractina em 1 µl de acetona. Nesse trabalho, foram utilizadas 20 lagartas de quarto ínstar das

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seguintes espécies: Actebia fennica (Tausch), Mamestra configurata Walker, Peridroma saucia Hübner, Melanchra picta (Harr.), Spodoptera litura (Fab.) e Trichoplusia ni Hübner. Após o tratamento, as lagartas foram mantidas por três dias em dieta artificial. O peso das lagartas foi registrado antes e três dias após o tratamento. A dieta remanescente e as fezes das lagartas também foram pesadas. Para avaliação do efeito da azadiractina em aplicação tópica sobre as lagartas, foram determinadas a taxa de crescimento relativo, a taxa de consumo e a eficiência de conversão do alimento ingerido. Os tratamentos resultaram em redução significativa no ganho de peso, consumo e aproveitamento alimentar por parte dos insetos, sendo que A. fennica e S. litura foram menos afetadas do que as outras espécies.

O efeito da aplicação tópica do extrato metanólico de sementes de nim sobre formas imaturas de Pieris brassicae, importante praga de crucíferas, foi demonstrado por Osman (1993). Nesse trabalho, larvas de quinto ínstar foram tratadas topicamente com 10 µl de extrato nas concentrações de 5; 2,5; 1,25 e 0,625% com auxílio de um microaplicador. Após o tratamento, as larvas foram individualizadas em copos plásticos invertidos sobre placas de Petri contendo discos de folha de repolho. As larvas foram pesadas a cada 24h até que se transformassem em pupas. Suas fezes foram coletadas diariamente e, após secagem, também foram submetidas à pesagem. Os extratos também foram aplicados sobre pré-pupas e pupas com um e cinco dias de idade. Todas as larvas tratadas com extrato nas concentrações de 2,5 e 5% morreram ou resultaram em adultos defeituosos. O autor não verificou diferença na quantidade de excrementos e no ganho de peso das larvas tratadas com extrato em relação àquelas dos tratamentos-controle (metanol e larvas não tratadas). Entretanto, os extratos provocaram aumento na duração do período compreendido entre o quinto ínstar e o estágio adulto. Com relação às pré- pupas e pupas com um dia de idade, foram constatadas CLs50 de 4,4 e 4,5%

respectivamente, enquanto pupas com cinco dias de idade não foram afetadas pela aplicação dos extratos.

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A atividade biológica de extratos metanólicos de Trichilia americana foi testada por Wheeler & Isman (2001) sobre lagartas de S. litura. Foram realizados testes envolvendo o consumo de dieta e folhas de couve tratadas, além da aplicação tópica e injeção dos extratos na hemocele dos insetos. Os autores verificaram efeito negativo dos extratos sobre a preferência alimentar e desenvolvimento dos insetos, quando os mesmos foram fornecidos por meio do alimento. Por outro lado, não foi observado efeito tóxico, quando os extratos foram aplicados topicamente ou injetados diretamente na hemocele das lagartas.

Além do efeito da aplicação direta dos extratos sobre os insetos, vários estudos têm demonstrado a capacidade de translocação na planta apresentada por compostos presentes nos mesmos. Esses estudos são, na maioria, referentes a A. indica e comprovam que quando extratos dessa meliácea são aplicados no solo ou em partes isoladas da planta, os compostos ativos podem ser absorvidos, atingindo a parte aérea.

O efeito sistêmico de extratos aquosos de sementes de nim sobre insetos da ordem Lepidoptera foi demonstrado por Meisner et al. (1987). Os autores estudaram a resposta de lagartas de Earias insulana Boisd. quando plântulas de algodão foram tratadas com extratos de sementes de nim em diferentes concentrações. Os pecíolos de cotilédones pré-germinados foram imersos por 24h em extrato a 0,5; 0,25 e 0,1%. Após este período, as plântulas foram retiradas das soluções, o excesso de líquido foi drenado e as plântulas transferidas para placas de Petri contendo uma fina camada de serragem para absorção dos excrementos das lagartas. Utilizaram-se lagartas de sete a oito dias, as quais foram transferidas para o interior das placas para que se alimentassem das plântulas de algodão. O peso das lagartas foi registrado após 24, 48 e 72h da instalação do experimento. Verificou-se que, após 72h de alimentação, o peso larval em todas as concentrações testadas foi reduzido pela metade quando comparado com aquele observado sobre plântulas não tratadas.

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Larew et al. (1985) testaram a atividade sistêmica de extratos etanólicos de sementes de nim sobre L. trifolli em crisântemo. Quando o extrato, na concentração de 0,4% foi aplicado no solo, provocou mortalidade significativa de larvas do último ínstar e pupas da mosca -minadora. Os autores relataram que três a 21 dias após o tratamento das plantas com extrato de nim a 0,1%, foi observada mortalidade significativa entre os estágios pupal e adulto do inseto, mostrando que o efeito inseticida do extrato aplicado no solo se prolongou por até três semanas.

Osman & Port (1990) estudaram o efeito sistêmico de substâncias presentes em sementes de nim sobre P. brassicae. Além dos extratos, o pó de sementes, adicionado ao substrato, também foi testado sobre os danos provocados pela praga em plantas de repolho. Foram realizados três experimentos, sendo que o primeiro consistiu da aplicação de 16, 8, 4 e 2 g de pó de sementes misturados ao substrato destinado ao plantio das mudas. Cada planta foi infestada, 15 dias após o tratamento, com quatro lagartas (terceiro ínstar) de P. brassicae e individualizadas em gaiolas. Após 24h da infestação, as plantas foram avaliadas e os danos quantificados através de notas. Houve diferença significativa nos danos observados em plantas tratadas, quando comparadas com o controle (plantas cultivadas em substrato sem adição de pó de sementes de nim). Nesse experimento, todas as lagartas que se alimentaram nas plantas tratadas morreram após dois ou três dias, enquanto aquelas que se alimentaram nas plantas-controle completaram o seu desenvolvimento e originaram adultos normais. Num segundo experimento, os tratamentos foram aplicados da mesma maneira que no anterior, utilizando-se, entretanto, 9,38; 4,70; 2,34 e 1,17 g de pó por kg de substrato, além de um controle sem adição do produto. A infestação foi realizada em gaiolas maiores contendo todos os tratamentos, permitindo que as lagartas pudessem escolher o substrato para alimentação. Todas as lagartas foram retiradas das gaiolas, 24h após a infestação e criadas em folhas de repolho não tratadas até a pupação. Observaram-se, nos tratamentos correspondentes às duas maiores

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concentrações de pó de sementes de nim, danos significativamente menores do que nas plantas-controle. Por sua vez, o tratamento correspondente a 1,17g de pó não diferiu da testemunha. Para avaliação do efeito de extratos aplicados no solo, mudas de repolho foram tratadas com 10 ml de soluções aquosas obtidas a partir de extrato metanólico de sementes de nim (10; 5; 2,5 e 1,25%). A infestação foi feita aos dois e 15 dias depois de as plantas terem sido tratadas com os extratos. Após 24h da infestação, foi feita avaliação do dano e as lagartas foram recolhidas e mantidas em folhas não tratadas até a pupação. Em relação aos danos provocados pelas lagartas, somente o tratamento correspondente a 1,25% não diferiu da testemunha, sendo os dois considerados os mais danificados. Não houve diferença significativa entre os danos provocados em plantas infestadas aos dois ou 15 dias após o tratamento. Os autores sugeriram que a aplicação de sementes de nim tanto na forma de pó como de extratos no solo é recomendável, podendo apresentar maior eficiência em relação à aplicação na parte aérea, uma vez que os compostos ativos presentes no produto são altamente sensíveis à radiação.

Rovesti & Deseö (1991) testaram a atividade sistêmica de extratos aquosos de sementes de nim sobre L. malifoliella. A translocação vascular dos ingredientes ativos presentes no extrato foi verificada por aplicações no solo e nas folhas mais baixas da planta. Os autores relataram que, quando aplicados no solo, os extratos foram absorvidos pelas raízes e translocados para a parte aérea. O número de pupas nas plantas tratadas foi significativamente menor quando comparadas à testemunha, sendo que os efeitos mais drásticos dos tratamentos sobre o desenvolvimento larval foram verificados no terço inferior das plantas. Quando aplicado nas folhas mais baixas, a translocação do ingrediente ativo até as folhas mais altas da planta também foi efetiva.

Holmes & Hassan (1999) avaliaram a ação sistêmica do extrato de sementes de nim aplicado em plantas de mini-rosas infestadas pelo pulgão Myzus persicae L. Para realização do teste, utilizou-se uma formulação em pó, obtida de um extrato metanólico de sementes de nim contendo 1,2% de

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azadiractina. Foram utilizados quatro tratamentos (extrato de nim a 60, 120 e 180 ppm de azadiractina e água), aplicados diretamente no solo na quantidade de 125 ml/planta. Antes da aplicação dos tratamentos, o número de pulgões em cada planta foi registrado. As plantas tratadas foram transferidas para gaiolas e a avaliação do incremento populacional foi realizada às 24, 48, 72h e uma semana após a aplicação dos extratos. Os autores observaram que na concentração de 60 ppm, houve redução no número de pulgões nas primeiras 24h. Após esse período, a população aumentou, atingindo, em uma semana um número semelhante ao observado no início do teste. Com relação à concentração de 120 ppm, a população de afídeos se manteve baixa, durante todo o período avaliado e a 180 ppm, o número de pulgões foi reduzido a zero, 24h após a aplicação do extrato.

Shivashankar et al. (2000) estudaram a efetividade de produtos à base de nim, aplicados de forma sistêmica no manejo da lagarta Opsina arenosella Walker. Primeiramente, quatro formulações disponíveis no mercado (Soluneem, Neemark, Nimbecidine e Neemazal F) foram testadas quanto à sua velocidade de translocação em plantas de coqueiro. Nesse teste, 10 ml de soluções contendo 150 ppm de cada produto foram aplicados na base do tronco com o auxílio de uma seringa de 20 ml. Foram feitas observações quanto à taxa de absorção a intervalos de 6h por um período de 24h. A absorção de Neemark, Nimbecidine e Neemazal F em 24h foi de 1,0; 0,5 e 2,0 ml, respectivamente.

Por outro lado, a absorção de Soluneem se completou em 18h, sendo essa formulação escolhida para realização dos testes sobre O. arenosella. Para monitorar o movimento do produto na planta, uma mistura de azul de metileno (3 g) e Soluneem (1500 ppm) dissolvidos em 20 ml de água foi aplicada em duas plantas. Após 24h, as plantas foram cortadas e abertas para verificar o movimento do corante. O aparecimento da cor azul nos vasos do xilema a diferentes alturas foi usado como indicador para a translocação do Soluneem. O corante misturado ao produto foi verificado nos vasos do xilema a uma altura de 6,3 m após 24h. De posse de todas essas informações, plantas de coqueiro

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foram infestadas com a praga e tratadas sistemicamente com 10 ml de solução contendo 3000 ppm de Soluneem. Plantas tratadas com 10 ml de água foram utilizadas como controle. Os autores verificaram que a maioria das lagartas das plantas tratadas morreu antes de completarem o segundo ínstar. Após 15 dias da aplicação dos tratamentos, as lagartas das plantas-controle, se apresentavam maiores e mais ativas do que aquelas que se alimentaram nas plantas tratadas. Houve redução significativa na população de lagartas nas plantas tratadas e a área foliar consumida em plantas não tratadas (152 cm2) foi significativamente maior do que nas plantas que receberam tratamento (57 cm2). Os autores atribuíram os efeitos provocados nas lagartas à presenç a do inseticida nas folhas, apesar de o mesmo ter sido aplicado no solo.

A ação translaminar de um inseticida à base de extrato de sementes de nim foi testada por Verkerk et al. (1998) sobre os pulgões M. persicae e Brevicoryne brassicae (L.). O produto foi aplicado na superfície adaxial de folhas de repolho, enquanto ninfas dos pulgões foram confinadas na superfície oposta por meio de gaiolas. Após 96h da aplicação dos tratamentos, os autores registraram 100% de mortalidade em folhas tratadas, sendo que no tratamento correspondente à testemunha (água destilada) a mortalidade de pulgões foi nula.

2.5 Controle biológico da traça-do-tomateiro com parasitóides do gênero Trichogramma

Considerando os programas de manejo integrado de T. absoluta, o uso de parasitóides do gênero Trichogramma já é uma realidade em alguns países, a exemplo da Colômbia, onde liberações inundativas de Trichogramma exiguum Pinto & Platner contribuíram para redução significativa da população desta praga e do número de aplicações de inseticidas na cultura do tomateiro (Navarro, 1988).

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Trabalhos realizados na Argentina demonstraram que Trichogramma pretiosum e Trichogramma rojasi estão entre as espécies entomófagas com maior potencial para o controle biológico da traça-do-tomateiro em ambientes protegidos. Esses insetos foram encontrados parasitando tanto ovos de T.

absoluta, como de outros lepidópteros comuns em plantios de tomateiro (Botto, 1999).

No Brasil, a liberação inundativa desses microimenópteros para controle da traça-do-tomateiro foi implementada na região do Sub-Médio São Francisco, a partir de tecnologia adaptada da Colômbia (Roa & Jimenez, 1992) e, por determinado período, foi utilizada com sucesso em lavouras de tomate rasteiro (Haji et al., 1995).

No Distrito Federal, a experiência com T. pretiosum teve início em 1992, quando se observou que a porcentagem de frutos de tomateiro danificados em área com controle biológico foi de quatro a 10 vezes inferior àquela determinada em área de controle químico exclusivo (França et al., 1993).

Villas Bôas & França (1996) destacaram a potencialidade do uso de parasitóides do gênero Trichogramma para controle de T. absoluta em cultivos protegidos de tomate, uma vez que esses insetos foram eficientes em reduzir a população da praga a níveis satisfatórios e a um custo menor do que o observado no controle químico exclusivo.

Em experimento desenvolvido em casa de vegetação, Domingues et al.

(2003) atribuíram ao parasitóide T. pretiosum um controle de 87% sobre a traça-do-tomateiro, valor superior ao exercido pelo controle químico (41,7%). Os autores sugerem que a tecnologia de utilização desse parasitóide seja repassada aos produtores, uma vez que além de proporcionar bons resultados de controle, essa técnica propicia a manutenção do equilíbrio ecológico, evitando problemas ambientais e ao agricultor.

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2.6 Efeito de extratos de meliáceas sobre insetos do gênero Trichogramma

A maioria dos trabalhos referentes ao controle de pragas com produtos botânicos destaca que o uso dessas substâncias é compatível com outras táticas de manejo, principalmente com o controle biológico. Entretanto, vários autores têm demonstrado variações na resposta de inimigos naturais à aplicação de tais produtos.

Klemm & Schmutterer (1993) mostraram que a pulverização de ovos de Plutella xylostela (L.) com óleo de sementes de nim a 2% reduziu o número de ovos parasitados por Trichogramma principium em laboratório e por T.

pretiosum em condição de campo.

Cano & Gladstone (1994) determinaram o efeito de Nim-20, um inseticida botânico fabricado com base em extratos de semente de A. indica, sobre o parasitismo de ovos de Helicoverpa zea (Bod.) por T. pretiosum em cultivo de melão. Os tratamentos se constituíram de Nim-20 nas concentrações de 2,5 e 1,5 g/L, sendo pulverizados 51 L/parcela, além de uma testemunha sem controle. Nesse teste não foi verificado efeito negativo da aplicação de Nim-20 sobre o parasitismo. Apesar de terem utilizado doses do produto menores do que as recomendadas para controle de Diaphania spp., importante praga na cultura do melão, os autores sugerem que, além de preservarem os parasitóides, essas doses baixas poderiam controlar as lagartas que porventura tivessem "escapado" do parasitismo.

Raguran & Singh (1999) testaram o óleo de sementes de nim em concentrações de 5,0; 2,5; 1,2; 0,6 e 0,3% sobre a oviposição, alimentação, fecundidade e desenvolvimento de Trichogramma chilonis. O óleo de sementes de nim apresentou ação deterrente quanto à oviposição e alimentação do parasitóide. Foi verificado que o produto também causou mortalidade tanto em insetos que se alimentaram com mel tratado, como naqueles que entraram em contato com ovos tratados do hospedeiro. O óleo de sementes de nim,

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entretanto, não causou esterilidade nos adultos e os estágios de desenvolvimento do parasitóide no interior de ovos tratados não foram aparentemente afetados pelo produto. De acordo com os resultados obtidos nesse trabalho, os autores sugerem que para liberações inundativas de T.

chilonis, o pré-tratamento da cultura com óleo de sementes de nim deve ser evitado; por outro lado, o tratamento da cultura com o produto, após o parasitismo pode conservar os parasitóides. É recomendável que antes do tratamento da cultura com produtos à base de nim, sejam feitas amostragens para determinar o estágio em que o parasitóide se encontra no campo, visando à aplicação em épocas mais apropriadas.

A toxicidade de 11 inseticidas sobre T. chilonis foi testada por Reddy &

Manjunatha (2000). Dentre os produtos testados, o Nimbecide, um formulado à base de azadiractina, foi considerado o menos tóxico, já que o mesmo não causou mortalidade dessa espécie de parasitóide nas primeiras 48h após sua aplicação.

Hohmann et al. (2002) estudaram o efeito do extrato aquoso de sementes e do óleo de nim sobre T. pretiosum. Os resultados obtidos pelos autores demonstraram que o pré-tratamento de ovos do hospedeiro com o extrato na concentração de 15% reduziu drasticamente a oviposição do parasitóide. Por outro lado, a capacidade de parasitismo de T. pretiosum não foi afetada por esse extrato em concentrações mais baixas (3 e 1,5%). Nos testes em que o tratamento dos ovos foi realizado após o parasitismo, o extrato aquoso (15%) e o óleo de nim (0,25%) reduziram a emergência do parasitóide em 80 e 20%, respectivamente.

O efeito de extratos de outras meliáceas sobre insetos do gênero Trichogramma ainda é pouco conhecido. Gonçalves-Gervásio & Vendramim (2002, 2003) verificaram que extratos aquosos e clorofórmicos de folhas de T.

pallida em concentrações de até 10% podem ser compatíveis com a utilização do parasitóide T. pretiosum no controle de pragas.

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3 MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos foram realizados, em laboratório e casa de vegetação, no Setor de Plantas Inseticidas do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da ESALQ/USP em Piracicaba/SP, com o objetivo de avaliar o efeito de extratos das meliáceas Trichilia pallida Swartz e Azadirachta indica A. Juss (nim) sobre a traça-do-tomateiro Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae) e o parasitóide de ovos Trichogramma pretiosum Riley, 1879 (Hymenoptera: Trichogrammatidae).

3.1 Obtenção e criação dos insetos

A criação da traça-do-tomateiro foi conduzida em laboratório, seguindo metodologia adaptada de Pratissoli (1995), utilizando folhas de tomateiro cv.

Santa Clara. Para manter a turgidez das folhas, seus pecíolos foram colocados em recipientes plásticos contendo água, dispostos em bandejas (plásticas) de criação. Quando as folhas se tornavam inadequadas (secas ou muito danificadas), estas eram colocadas sobre folhas novas, de forma que as lagartas deixassem as folhas antigas e passassem a se alimentar das novas.

Após três dias, as folhas velhas (contendo pupas) eram transferidas para frascos de vidro (500 g) cobertos por tecido fino (voil) para obtenção dos adultos. A partir do início da emergência, os frascos contendo adultos eram distribuídos no interior de gaiolas teladas (30 cm de diâmetro x 36 cm de altura), o voil era retirado, permitindo assim que os mesmos fossem liberados no interior das gaiolas. Folhas de tomateiro com o pecíolo imerso em água eram

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colocadas no interior das gaiolas para servirem de substrato para postura. As folhas com ovos eram substituídas a cada dois dias, sendo então transferidas para as bandejas de criação.

Os parasitóides foram mantidos em tubos de vidro (2,5 cm de diâmetro e 8,5 cm de altura), tampados com filme plástico PVC e multiplicados sobre ovos inférteis do hospedeiro alternativo, a traça-das-farinhas Anagasta kuehniella (Zeller, 1879). Os ovos do hospedeiro foram obtidos junto ao laboratório de Biologia de Insetos do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da ESALQ. Esses ovos foram esterilizados sob lâmpada germicida, por aproximadamente 30 minutos, evitando assim a eclosão das lagartas, que poderiam eventualmente se alimentar dos demais ovos, mesmo daqueles já parasitados. Os ovos foram colados em cartelas confeccionadas com cartolina azul (1,5 x 7,0 cm), mediante uma solução aquosa de goma arábica a 10% e submetidos ao parasitismo em tubos de vidro.

Após o parasitismo, as cartelas foram transferidas para novos tubos até a emergência da geração seguinte, dando início a um novo ciclo. Como alimento para os adultos foi utilizada uma gota de mel puro, depositada na parede interna de cada tubo de criação.

3.2 Obtenção do material vegetal para preparo dos extratos

As folhas de T. pallida foram coletadas em área de mata da ESALQ/USP, enquanto as sementes de A. indica, foram obtidas junto à empresa Nim do Brasil Ltda., em Campinas, SP.

Após secagem em estufa com circulação de ar (a 40ºC, por cerca de 48 h), as folhas de T. pallida, bem como as sementes de nim, foram trituradas em moinho de facas para obtenção dos pós vegetais. Esses foram acondicionados em frascos de vidro hermeticamente fechados para posterior preparo dos extratos.

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3.3 Testes preliminares

3.3.1 Determinação das concentrações adequadas dos extratos a serem utilizadas nos experimentos

Com o objetivo de estabelecer as concentrações de extrato mais adequadas para os estudos com a traça-do-tomateiro, foram realizados testes preliminares utilizando-se extratos aquosos de sementes de nim em concentrações que variaram de 0, 5 a 10% (p/v).

3.3.1.1 Preparo dos extratos

Para preparo dos extratos aquosos, o pó de sementes de nim foi adicionado à água destilada, nas proporções de 0,5; 1,0; 5,0 e 10,0 g por 100 ml. Essas misturas foram mantidas em aparelho ultra-som por 40 minutos para extração dos compostos hidrossolúveis. Após esse processo, o material foi filtrado, obtendo-se os extratos nas concentrações desejadas para realização dos testes.

3.3.1.2 Ação translaminar

Nesse teste, conduzido em casa de vegetação, foram aplicados extratos nas concentrações de 0,5; 1,0 e 5,0%, além de uma testemunha representada por água destilada. Foram utilizadas plantas de tomateiro com aproximadamente 25 dias de idade, sendo que em cada uma, foram marcados quatro folíolos do terço médio, os quais receberam três lagartas recém- eclodidas da traça-do-tomateiro. Após o aparecimento das minas, os tratamentos (extratos e água) foram aplicados na superfície adaxial dos folíolos com o auxílio de um pincel. Após a evaporação do excesso de umidade na superfície do folíolo, este foi protegido por uma gaiola constituída de uma placa

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de acrílico (6 cm de diâmetro e 2 cm de altura) a qual teve o fundo removido e protegido por um tecido fino (voil) para promover melhor aeração no interior da mesma. Essa gaiola foi utilizada com o objetivo de evitar a fuga das lagartas e permitir o acompanhamento do desenvolvimento larval da traça.

A aplicação dos tratamentos foi repetida após sete e 14 dias, sendo esta última realizada apenas nos folíolos onde o inseto ainda se encontrava na fase larval. Antes da segunda aplicação (sete dias após a infestação), foi feita uma avaliação do desenvolvimento das minas causadas pelas lagartas nos folíolos.

Seguindo metodologia proposta por Picanço et al. (1995), as minas foram classificadas em pequenas (menos que 0,5 cm de comprimento), médias (0,5 a 1,0 cm de comprimento) e grandes (mais de 1,0 cm de comprimento). Quando os folíolos infestados estavam totalmente danificados, as lagartas eram transferidas para novos folíolos e após a penetração das mesmas no mesofilo foliar, o tratamento era novamente aplicado. O número de pupas obtido em cada tratamento foi registrado e, a partir desse dado, foi calculada a viabilidade larval.

O experimento seguiu o delineamento inteiramente casualizado com quatro tratamentos (três concentrações do extrato e testemunha) e cinco repetições, sendo que cada repetição foi representada por uma planta.

3.3.1.3 Ação sistêmica

Esse teste foi conduzido em casa de vegetação, utilizando-se mudas de tomateiro em vasos com capacidade para aproximadamente 3 L de substrato.

Após 20 dias do transplante, os tratamentos foram aplicados. Todos os vasos receberam 100 ml de extrato, nas concentrações de 0,5; 1,0; 5,0 e 10,0%, além de uma testemunha que recebeu a mesma quantidade de água.

Após 24h da aplicação dos tratamentos, quatro folíolos de tomateiro, em cada vaso, foram infestados com três lagartas recém-eclodidas de T. absoluta e protegidos com uma gaiola semelhante àquela utilizada no item anterior.

No decorrer do experimento, as irrigações foram feitas, tomando-se o

(39)

cuidado de colocar a mesma quantidade de água por vaso, procurando-se evitar o excesso de água de forma que os extratos não se perdessem por lixiviação. A aplicação dos tratamentos foi repetida após sete e 14 dias, sendo que aos sete dias foi feita avaliação do desenvolvimento das minas.

O experimento seguiu o delineamento inteiramente casualizado com cinco tratamentos (quatro concentrações do extrato e testemunha) e cinco repetições.

3.3.1.4 Ação de contato

Nesse teste, realizado em laboratório (T: 25 ± 2oC; UR: 70 ± 10%;

fotofase de 12 h), foram feitas aplicações tópicas dos extratos em lagartas de segundo ínstar (seis dias de idade), utilizando-se uma microsseringa. Foi aplicado, aproximadamente, 0,1 µl de extrato no dorso de cada lagarta, sendo que no tratamento testemunha, estas receberam 0,1 µl de água destilada. Os insetos foram mantidos em tubos de vidro (2,5 cm de diâmetro e 8,5 cm de altura), contendo um folíolo de tomateiro com o pecíolo envolvido em algodão umedecido.

O experimento seguiu o delineamento inteiramente casualizado com quatro tratamentos (extratos nas concentrações de 1, 5 e 10% e testemunha) e cinco repetições. Cada repetição foi constituída por cinco tubos contendo três lagartas cada um, totalizando 15 lagartas por repetição. Foram feitas avaliações diárias da mortalidade até que as larvas atingiram o estágio de pupa.

3.3.2 Avaliação da atividade de extratos orgânicos de T. pallida sobre T.

absoluta

3.3.2.1 Preparo dos extratos orgânicos

Foram utilizados quatro extratos orgânicos de folhas de T. pallida (metanólico, etanólico, clorofórmico e hexânico) com o objetivo de selecionar,

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dentre os mesmos, aquele que fosse mais ativo sobre a traça-do-tomateiro. Para o preparo desses extratos, 15 g do pó de folhas de T. pallida foram adicionados a 200 ml de cada solvente. Essas misturas foram mantidas em aparelho ultra-som por 40 minutos para extração dos compostos ativos. Após esse período, os extratos foram submetidos a um sistema de filtragem a vácuo e os solventes foram evaporados em rotavapor. Os resíduos obtidos em cada extração foram diluídos em 15 ml de acetona e armazenados em geladeira para posterior utilização nos bioensaios. Como, em princípio, foram utilizadas 15 g do pó vegetal, cada ml da solução final (resíduo + acetona) correspondeu a 1 g do pó de folhas de T. pallida.

3.3.2.2 Testes de bioatividade

Foram realizados dois testes envolvendo os quatro extratos orgânicos de folhas de T. pallida, além do extrato aquoso dessa espécie e o de sementes de nim.

Primeiramente, todos os extratos foram testados em relação a dois tratamentos-controle: água e água + acetona. A inclusão desse segundo tratamento-controle teve o objetivo de verificar se a acetona utilizada para diluição dos extratos poderia afetar os insetos. No segundo teste, o tratamento água + acetona foi excluído, uma vez que os dados obtidos nesse tratamento não diferiram daquele obtido no tratamento com água. Além disso, o tratamento com extrato aquoso de nim também foi suprimido com o objetivo de facilitar a discriminação entre os extratos orgânicos, dada a alta eficiência demonstrada por aquele extrato em relação aos demais, no primeiro teste.

Para verificação do efeito dos extratos orgânicos sobre a traça-do- tomateiro, 5 ml de cada solução (extrato + acetona) foram diluídos em 100 ml de água. Considerando que a solução foi obtida a partir de 15 g do pó vegetal, a utilização de 1/3 da mesma (5 ml), possibilitou a obtenção de um extrato na concentração de 5%. Os extratos aquosos de nim e de T. pallida foram

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preparados a partir da adição de 5 g do pó de cada material vegetal em 100 ml de água, sendo essa mistura mantida em aparelho de ultra-som por 40 minutos, seguido de filtragem.

Para aplicação dos tratamentos, folíolos de tomateiro foram imersos por dois segundos nos diferentes extratos. Após a eliminação do excesso de umidade, cada folíolo foi infestado com três lagartas recém-eclodidas de T.

absoluta e transferido para placas plásticas (6 cm de diâmetro e 2 cm de altura).

Os folíolos tiveram seu pecíolo envolvido em algodão umedecido para manutenção da turgescência. A cada dois dias, era realizada a troca dos folíolos para manutenção da qualidade do substrato alimentar para as lagartas, sendo que a cada troca, os folíolos novos eram submetidos aos mesmos tratamentos descritos acima. A mortalidade larval foi avaliada diariamente até o sétimo dia.

O primeiro experimento seguiu o delineamento inteiramente casualizado com oito tratamentos (quatro extratos orgânicos e um aquoso de T. pallida, extrato aquoso de sementes de nim e testemunhas água e água + acetona) e cinco repetições. No segundo teste foram excluídos os tratamentos extrato aquoso de nim e a testemunha água + acetona. Cada repetição foi constituída por cinco placas contendo três lagartas cada uma, totalizando 75 lagartas por tratamento.

3.4 Determinação do modo de ação de extratos de folhas de T. pallida sobre T. absoluta

A partir dos resultados obtidos nos testes anteriores, selecionou-se o extrato clorofórmico de folhas de T. pallida para, juntamente com o extrato aquoso ser avaliado quanto às atividades translaminar, sistêmica e de contato sobre T.

absoluta. A metodologia utilizada nos testes referentes ao modo de ação foi a mesma descrita nos itens 3.3.1.2, 3.3.1.3 e 3.3.1.4. Além da viabilidade larval, nesses testes as pupas obtidas em cada tratamento foram coletadas e mantidas em laboratório até a emergência dos adultos. Assim, foi possível avaliar a duração, viabilidade e peso de pupas machos e fêmeas.

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Em todos os testes, os extratos aquoso e clorofórmico de folhas de T.

pallida foram comparados com o extrato de sementes de nim e com os tratamentos-testemunha (água e água + acetona).

Como, em princípio, os extratos de T. pallida não apresentaram atividade satisfatória nas concentrações selecionadas nos testes preliminares (com extrato de sementes de nim), os experimentos referentes ao modo de ação foram repetidos aumentando-se a concentração dos mesmos, e mantendo-se a concentração do extrato aquoso de sementes de nim.

3.5 Efeito de extratos de meliáceas sobre o parasitóide T. pretiosum

Nos testes envolvendo o parasitóide T. pretiosum, além dos extratos de folhas de T. pallida (aquoso e clorofórmico) e do extrato aquoso de sementes de nim, foi incluído um tratamento adicional constituído por uma solução de água mais acetona (2%). Esse tratamento foi inserido nos testes para verificar um possível efeito da acetona utilizada na diluição do extrato clorofórmico sobre o comportamento e desenvolvimento do parasitóide.

3.5.1 Tratamento dos ovos antes do parasitismo

Foram realizados testes com e sem chance de escolha, envolvendo os extratos de folhas de T. pallida (aquoso e clorofórmico) e de sementes de nim (aquoso) na concentração de 10% p/v, além da solução (água + acetona) e da testemunha (água).

3.5.1.1 Teste com chance de escolha

No teste com chance de escolha, foram utilizadas cartelas de cartolina na cor azul (0,5 cm2) contendo, em média 250 ovos de A. kuehniella, sendo parte dessas cartelas tratada com os diferentes extratos ou com a solução (água +

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