TOLA POESIA
Tolices I
Ah! minhas várias mentes avulsas Fogem da realidade
Em sua caminhada Pelas ruas da insanidade.
Em meu delírio,
Diviso fatos já perdidos No tempo:
Fatos estes que jamais Houveram mais falsos.
Que fazer pois
Quando as almas finlandesas Me chamarem,
Conectando-me
Com as pessoas isoladas Dessa nação?
Foi-se já o tempo Em que os corajosos Ousavam se impor.
Tolices II Calai-vos,
Ó vozes dissonantes da minha mente!
Que quereis vós me torturando, Fazendo-me lembrar dos tempos vis, Já perdidos?
Por que insistis em mostrar-me Sempre
A ganância do homem e Sua ambição
Desmesurada De insana Paixão?
Tolices III
É sombrio meu passado:
Qual torrente da vaga Vem e volta a mim
E me aprisiona em mim mesmo.
Razão nada
Predominante nada.
Vencem-me os argumentos contrários, Deprimem-me e
Condenam-me À solidão.
Que solução?
Nada há que faça convalescer, E me erguer,
Seguir avante
Mas doravante, quero saber:
Onde estás?
Angústia
Eu sou o rosto por trás da janela, O rosto invisível que vos assusta.
Temei, sim, minha face por trás das cortinas, Pois, por conta de meus vícios
Me domina a infelicidade.
Mais que desiludido,
Lamento a desdita que me aflige E me desespera.
Com o coração consumido, Aguardo, sôfrego, a vendeta Que a mim sobrevirá.
Humílimo poeta que sou, Loquaz e fugazmente Sofro a lancinante dor De arrebentar-se-me o peito;
Sinto explodir-me o coração E implodir-se-me a felicidade.
Cálidas Calendas
Ao longo dessa longa estrada Eu tenho encontrado muitas Realidades imaginárias Que me têm feito Esfriar o coração Abrasado por longos Monólogos interiores.
Três semanas de solidão, Sofridas semanas
De cálidas calendas.
Dentro da mais profunda Alma humana
As portas se abrem Para as viagens
E visitas do além-mar e De domingo a domingo Eu tenho trabalhado nisso:
Três semanas de solidão, Sofridas semanas
De cálidas calendas.
Do ser poeta I
Poesia é a maneira de os tímidos Dizerem “eu te amo”:
Já que não conseguem declarar-se pessoalmente, Fazem-no por escrito.
Sim, pois, para não serem Pelo amor consumidos, Recorrem à arte;
Do contrário morreriam com a frase Entalada
No peito.
Mas aos poetas foi vedado O direito de amar,
De forma que suas confissões Nada mais são que palavras Lançadas
Ao vento:
Se alguém as ouve, Tão logo as esquece.
Do ser poeta II
Impossível é fazer calar O coração de um poeta pois Nada mais há em sua mente Que uma voz que nunca pára, Que lhe sussurra ao ouvido Um sem-número de palavras que, Aliadas a seus sentimentos, Produzem as mais belas E anônimas canções.
Não venha, então, me dizer A quem devo eu amar,
Pois tenho sem rédeas o coração:
Como o vento Zéfiro, Ao qual nada detém, Assim ama o poeta.
Do ser poeta III
Por que escrevo poesia?
Porque sofro, simplesmente E é mui grande esse sofrimento:
Vaza-me pelo peito as angústias E rejeições
Sofridas de forma incontrolável, Tanto que,
Se não houvesse a poesia, Já não mais sobreviveria eu.
Será isso a poesia?
É ela meramente a catalogação meticulosa Das tristezas do bardo?
Talvez seja assim, Mas se assim fosse,
Não passariam de banalidades
E não há nenhuma poeticidade em ser banal.
Do ser poeta IV
Difícil é entender a mente do poeta.
Não se consegue compreender Que o amor que ele tem É o virginal e mais puro.
Maus pensamentos nem sequer ousam aparecer Em sua mente
Quando pela visão de sua musa dominado.
Se a encara demasiado, É com olhos de admiração Por tão perfeita obra do Criador.
Poemas sem nome Meus bastardos poemas,
Frutos incestuosos de um passado de cores vis;
Poemas sem nome, Anabatistas por natureza, Vagabundeando pelos ermos E caudalosos montes
Da angústia
Dos falsos sentimentos, Das periferias imaginárias, Dos rogos inauditos.
Sim, meus poemas, Por que enfurecei-vos, Ó, nobres de sangue ruim, Príncipes sem reino?
Partis e agora voltais, Suplicantes e rastejantes Para diante de mim.
Que quereis que vos faça?
Não mais vos alimentarei:
Finito é o estoque de amarguras compartilháveis.
Já não há lágrimas para verter Nem risinhos para desfolhar.
A Bela Musa,
Outrora graciosa e louçã, Agora é velha e reumática, Já não parte os corações.
A Estrela do Sul,
Cujo brilho noturno ofuscava-me o olhar, Já não é mais tão brilhante.
Até mesmo a tão cantada Aurora Está de um amarelo ruim
E sua luz,
Impregnada de um sebo gordurento.
Já não há mais o que cantar;
Não há lindas musas para louvar Nem rimas para entoar.
Voltai agora, meus poeminhas, Para a vossa toca de solidão e, Lá chegando,
Tratai de reservar-me um leito porque, Creiais,
Em breve lá estarei Convosco.
O céu de Outubro
São sombrios estes bólidos desinflamados que, Em seu bruxuleante semi-luar,
Insuflam em mim o hálito da manhã, poeirento amanhã.
Heróis imaginários cruzam O meu céu de outubro,
O bendito e maldito céu de outubro, Onde posso volitar à vontade, Livre das amarras térreas.
Só há um anjo terreno Que me prende aqui:
Anjo de noventa anos, Outrora estéril,
Mas que agora aqui está,
Torturando-me com olhares dúbios De malícia e inocência.
Liberdade aos jovens poetas!
Invoco-vos, ó românticos poetas!
Deixai as amarras terrenas Da forma e rima
E fazei transparecer
Todo o vosso celeste amor!
Esquecei as velhas convenções E abandonai esses academicismos Que nos prendem a todos!
Eia, Liberdade!
Liberdade aos jovens poetas!
A forma apenas nos prende:
Ela tira-nos a inspiração,
Muda nossas apaixonadas palavras Adequando-as a antiquados pensamentos Tirando assim a paixão
Que neles há.
Quem me dera fosse eu Qual pássaro poeta, Voando livremente
Com as asas olímpicas da inspiração, Acompanhando a fogosa carruagem De Hélio por entre nuvens e gotas De molhado vapor,
Levando enfim a Luz
Aos pobres poetas encarcerados Pelos vis senhores
Da Métrica e Rima.
O Vaso – para Marlos Chaves Contemplando os detalhes De uma porcelana chinesa, Ouço dizerem:
“Lá vai o poeta Nem sabe andar De bicicleta”.
Isso me estarrece.
Pobres vizinhos meus, Dos quais o objetivo final É fugir da realidade Buscando consolo Nos colos siberianos...
Ficam presos ao mi-pedal-violeta da tristeza, Apenas lamentando Babel,
Sem buscar cada um, Seu próprio Pentecostes.
Não têm a ambição, A ânsia,
A “quête” pela verdade suprema,
A sabedoria toda resumida em um único étimo, O número de 216 dígitos,
As vogais de Javé, O nome de Deus.
Perseu e a Medusa – para Marlos Chaves Por que persistir ainda na busca
Por aquilo que não é?
Por que insistir nessas falhas visões De um além-mar de antimatéria, Realidade vazia da falsa inspiração Dos medíocres poetas da modernidade?
Plúmbeas plumas de pequenas frases prontas São a gota d’água do balde da minha paciência.
Chovem-me insultos e conspirações absurdas:
“Que é de Perseu que não quer matar a Medusa?”
Jestem nauczycielem cierpienia jestem nauczycielem cierpienia
przyjdz' do mnie i ucze, was cierpienia sztuka, poprzez poezje, i bólu
które sa, takie same kochac' i chorowac' marzyc' i umrzec'
wiele nazw dla jednej rzeczy jestem nauczycielem cierpienia
Não há vaias o preço do poema não cabe
no poema
vou ter que escrever outro…
re-verso Versos Transversos Não sei de que Universos...