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TOLA POESIA

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Academic year: 2022

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(1)

TOLA POESIA

Tolices I

Ah! minhas várias mentes avulsas Fogem da realidade

Em sua caminhada Pelas ruas da insanidade.

Em meu delírio,

Diviso fatos já perdidos No tempo:

Fatos estes que jamais Houveram mais falsos.

Que fazer pois

Quando as almas finlandesas Me chamarem,

Conectando-me

Com as pessoas isoladas Dessa nação?

Foi-se já o tempo Em que os corajosos Ousavam se impor.

Tolices II Calai-vos,

Ó vozes dissonantes da minha mente!

Que quereis vós me torturando, Fazendo-me lembrar dos tempos vis, Já perdidos?

Por que insistis em mostrar-me Sempre

A ganância do homem e Sua ambição

Desmesurada De insana Paixão?

(2)

Tolices III

É sombrio meu passado:

Qual torrente da vaga Vem e volta a mim

E me aprisiona em mim mesmo.

Razão nada

Predominante nada.

Vencem-me os argumentos contrários, Deprimem-me e

Condenam-me À solidão.

Que solução?

Nada há que faça convalescer, E me erguer,

Seguir avante

Mas doravante, quero saber:

Onde estás?

Angústia

Eu sou o rosto por trás da janela, O rosto invisível que vos assusta.

Temei, sim, minha face por trás das cortinas, Pois, por conta de meus vícios

Me domina a infelicidade.

Mais que desiludido,

Lamento a desdita que me aflige E me desespera.

Com o coração consumido, Aguardo, sôfrego, a vendeta Que a mim sobrevirá.

Humílimo poeta que sou, Loquaz e fugazmente Sofro a lancinante dor De arrebentar-se-me o peito;

Sinto explodir-me o coração E implodir-se-me a felicidade.

(3)

Cálidas Calendas

Ao longo dessa longa estrada Eu tenho encontrado muitas Realidades imaginárias Que me têm feito Esfriar o coração Abrasado por longos Monólogos interiores.

Três semanas de solidão, Sofridas semanas

De cálidas calendas.

Dentro da mais profunda Alma humana

As portas se abrem Para as viagens

E visitas do além-mar e De domingo a domingo Eu tenho trabalhado nisso:

Três semanas de solidão, Sofridas semanas

De cálidas calendas.

(4)

Do ser poeta I

Poesia é a maneira de os tímidos Dizerem “eu te amo”:

Já que não conseguem declarar-se pessoalmente, Fazem-no por escrito.

Sim, pois, para não serem Pelo amor consumidos, Recorrem à arte;

Do contrário morreriam com a frase Entalada

No peito.

Mas aos poetas foi vedado O direito de amar,

De forma que suas confissões Nada mais são que palavras Lançadas

Ao vento:

Se alguém as ouve, Tão logo as esquece.

Do ser poeta II

Impossível é fazer calar O coração de um poeta pois Nada mais há em sua mente Que uma voz que nunca pára, Que lhe sussurra ao ouvido Um sem-número de palavras que, Aliadas a seus sentimentos, Produzem as mais belas E anônimas canções.

Não venha, então, me dizer A quem devo eu amar,

Pois tenho sem rédeas o coração:

Como o vento Zéfiro, Ao qual nada detém, Assim ama o poeta.

(5)

Do ser poeta III

Por que escrevo poesia?

Porque sofro, simplesmente E é mui grande esse sofrimento:

Vaza-me pelo peito as angústias E rejeições

Sofridas de forma incontrolável, Tanto que,

Se não houvesse a poesia, Já não mais sobreviveria eu.

Será isso a poesia?

É ela meramente a catalogação meticulosa Das tristezas do bardo?

Talvez seja assim, Mas se assim fosse,

Não passariam de banalidades

E não há nenhuma poeticidade em ser banal.

Do ser poeta IV

Difícil é entender a mente do poeta.

Não se consegue compreender Que o amor que ele tem É o virginal e mais puro.

Maus pensamentos nem sequer ousam aparecer Em sua mente

Quando pela visão de sua musa dominado.

Se a encara demasiado, É com olhos de admiração Por tão perfeita obra do Criador.

(6)

Poemas sem nome Meus bastardos poemas,

Frutos incestuosos de um passado de cores vis;

Poemas sem nome, Anabatistas por natureza, Vagabundeando pelos ermos E caudalosos montes

Da angústia

Dos falsos sentimentos, Das periferias imaginárias, Dos rogos inauditos.

Sim, meus poemas, Por que enfurecei-vos, Ó, nobres de sangue ruim, Príncipes sem reino?

Partis e agora voltais, Suplicantes e rastejantes Para diante de mim.

Que quereis que vos faça?

Não mais vos alimentarei:

Finito é o estoque de amarguras compartilháveis.

Já não há lágrimas para verter Nem risinhos para desfolhar.

A Bela Musa,

Outrora graciosa e louçã, Agora é velha e reumática, Já não parte os corações.

A Estrela do Sul,

Cujo brilho noturno ofuscava-me o olhar, Já não é mais tão brilhante.

Até mesmo a tão cantada Aurora Está de um amarelo ruim

E sua luz,

Impregnada de um sebo gordurento.

Já não há mais o que cantar;

Não há lindas musas para louvar Nem rimas para entoar.

Voltai agora, meus poeminhas, Para a vossa toca de solidão e, Lá chegando,

(7)

Tratai de reservar-me um leito porque, Creiais,

Em breve lá estarei Convosco.

O céu de Outubro

São sombrios estes bólidos desinflamados que, Em seu bruxuleante semi-luar,

Insuflam em mim o hálito da manhã, poeirento amanhã.

Heróis imaginários cruzam O meu céu de outubro,

O bendito e maldito céu de outubro, Onde posso volitar à vontade, Livre das amarras térreas.

Só há um anjo terreno Que me prende aqui:

Anjo de noventa anos, Outrora estéril,

Mas que agora aqui está,

Torturando-me com olhares dúbios De malícia e inocência.

Liberdade aos jovens poetas!

Invoco-vos, ó românticos poetas!

Deixai as amarras terrenas Da forma e rima

E fazei transparecer

Todo o vosso celeste amor!

Esquecei as velhas convenções E abandonai esses academicismos Que nos prendem a todos!

Eia, Liberdade!

Liberdade aos jovens poetas!

A forma apenas nos prende:

Ela tira-nos a inspiração,

Muda nossas apaixonadas palavras Adequando-as a antiquados pensamentos Tirando assim a paixão

Que neles há.

(8)

Quem me dera fosse eu Qual pássaro poeta, Voando livremente

Com as asas olímpicas da inspiração, Acompanhando a fogosa carruagem De Hélio por entre nuvens e gotas De molhado vapor,

Levando enfim a Luz

Aos pobres poetas encarcerados Pelos vis senhores

Da Métrica e Rima.

O Vaso – para Marlos Chaves Contemplando os detalhes De uma porcelana chinesa, Ouço dizerem:

“Lá vai o poeta Nem sabe andar De bicicleta”.

Isso me estarrece.

Pobres vizinhos meus, Dos quais o objetivo final É fugir da realidade Buscando consolo Nos colos siberianos...

Ficam presos ao mi-pedal-violeta da tristeza, Apenas lamentando Babel,

Sem buscar cada um, Seu próprio Pentecostes.

Não têm a ambição, A ânsia,

A “quête” pela verdade suprema,

A sabedoria toda resumida em um único étimo, O número de 216 dígitos,

As vogais de Javé, O nome de Deus.

(9)

Perseu e a Medusa – para Marlos Chaves Por que persistir ainda na busca

Por aquilo que não é?

Por que insistir nessas falhas visões De um além-mar de antimatéria, Realidade vazia da falsa inspiração Dos medíocres poetas da modernidade?

Plúmbeas plumas de pequenas frases prontas São a gota d’água do balde da minha paciência.

Chovem-me insultos e conspirações absurdas:

“Que é de Perseu que não quer matar a Medusa?”

Jestem nauczycielem cierpienia jestem nauczycielem cierpienia

przyjdz' do mnie i ucze, was cierpienia sztuka, poprzez poezje, i bólu

które sa, takie same kochac' i chorowac' marzyc' i umrzec'

wiele nazw dla jednej rzeczy jestem nauczycielem cierpienia

Não há vaias o preço do poema não cabe

no poema

vou ter que escrever outro…

re-verso Versos Transversos Não sei de que Universos...

Referências

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