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Academic year: 2022

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Seguridade Social

Existe no Brasil um sistema de proteção social destinado a proteger todos os cidadãos em todas as situações de necessidade, denominado Seguridade Social. Sua atuação, composta de serviços e benefícios, desenvolve-se por meio de três áreas distintas, com organização e ministérios próprios, quais sejam: saúde (Ministério da Saúde); assistência social (Ministério do Desen- volvimento Social e Combate à Fome) e previdência social (Ministério da Pre- vidência Social).

Ao Estado compete organizar e administrar a Seguridade Social e a res- ponsabilidade por garantir a proteção preconizada é não somente do poder público, mas também da sociedade (CF, art.194).

Saúde

Com disposição expressa na Constituição Federal (CF), artigos 196 a 200, trata-se de política socioeconômica, atualmente representada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar de instituído em sistema único, é descentra- lizado e com direção em cada esfera de governo. Seu objetivo principal é a prevenção e a erradicação de doenças, bem como o tratamento e a recupera- ção de pessoas já debilitadas.

Conforme disposição constante no artigo 197 da Carta Constitucional, somente a lei poderá dispor sobre sua regulamentação, fiscalização e con- trole.

Características

direito de todos;

natureza gratuita;

Seguridade Social – conceituação

e princípios constitucionais

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dever do Estado;

garantida por políticas sociais e econômicas;

exercida tanto pelo Poder Público, como pela iniciativa privada.

Assistência Social

Com fundamento na CF, artigos 203 e 204, a Assistência Social tem por obje- tivo precípuo o atendimento das necessidades básicas dos cidadãos. Trata-se, portanto, de política social, com finalidade de proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice. Também é de sua responsabilidade o amparo às crianças e aos adolescentes carentes, além de promover a integração ao mer- cado de trabalho e a habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiên- cia com sua integração à vida comunitária.

Características

direito de todos que dela necessitarem;

natureza gratuita;

dever do Estado;

ações desenvolvidas de forma descentralizada – coordenação e normas

gerais a cargo da esfera federal, mas coordenação e execução dos progra- mas a cargo das esferas estadual e municipal, bem como por entidades beneficentes de assistência social;

participação da população na formulação das políticas e no controle das

ações, por meio de organizações representativas.

Benefício assistencial

A Assistência Social concede, ainda, um único benefício mensal de prestação continuada, no valor de um salário mínimo e cujo objetivo é suprir a carência de renda para que o cidadão tenha condições mínimas de sobrevivência. Possui fundamento constitucional no inciso V do artigo 203 e é regulamentado pela Lei 8.742/93

1

.

1 Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS).

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O benefício assistencial será garantido aos idosos e aos deficientes que com- provem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la man- tida pela família. Considera-se idoso o cidadão com 65 anos completos, seja do sexo masculino ou feminino. Caracterizam-se como deficientes aqueles que possuem incapacidade (ainda que temporária) para a vida independente e para o trabalho.

No entanto, não basta ser idoso ou deficiente para fazer jus ao benefício, sendo necessário, ainda, que se comprove renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário mínimo. Como a Lei 8.742/93 determina que se utilize a definição de família contida na legislação previdenciária (Lei 8.213/91, art.16), assim será con- siderada apenas o núcleo básico, constituído por cônjuge, companheiro (a), filhos não emancipados, de qualquer condição, menores de 21 anos ou inválidos, pais e irmãos, também não emancipados e menores de 21 anos ou inválidos.

Não obstante o rigor na esfera administrativa (renda inferior a 1/4 do salário mínimo e núcleo familiar básico), judicialmente há flexibilização desses requisi- tos, sendo possível obter o benefício com renda superior a esse limite e também sendo possível a inserção de netos e avós no núcleo familiar, conforme a real necessidade comprovada no curso processual.

Previdência Social

Organizada sob a forma de regime geral, a Previdência Social encontra funda- mento constitucional nos artigos 201 e 202, sendo disciplinada principalmente pelas Leis 8.212/91 (custeio/financiamento) e 8.213/91 (plano de benefícios). Sua regulamentação consta do Decreto 3.048/99.

A proteção que lhe cabe refere-se à garantia de meios de subsistência quando de períodos de improdutividade financeira, tais como doença, invalidez, mater- nidade e idade avançada. Também compete à Previdência Social a concessão de salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda e pensão por morte quando do falecimento do segurado titular.

A proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário, apesar

de estar disposta no inciso III do artigo 201 da CF/88, não faz parte dos benefícios

oferecidos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), possuindo regula-

mentação própria e específica na Lei 7.998/90 (seguro-desemprego).

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Características

direito de todos;

natureza contributiva;

filiação obrigatória para todos os que exercem atividade remunerada;

deve observar critérios de preservação do equilíbrio financeiro e atuarial;

sistema de previdência complementar facultativo.

Conforme artigo 9.º da Lei 8.213/91, o sistema previdenciário brasileiro é com- posto de três regimes distintos, de filiação obrigatória conforme o exercício da atividade remunerada. São eles:

a) RGPS, que abrange toda a iniciativa privada e a maioria dos municípios bra- sileiros;

b) Regime Próprio dos Servidores Civis, que abrange os servidores públicos federais, estaduais, do Distrito Federal e dos municípios que optaram por constituir um regime próprio;

c) Regime Próprio dos Militares, que abrange servidores da Marinha, Exército e Aeronáutica.

Sistema de repartição simples

A Previdência Social brasileira, mantida pelo Poder Público, obedece ao sis- tema de repartição simples, em que a geração ativa (trabalhadores) contribui regularmente para manter o benefício da geração idosa ou inativa (aposentados, pensionistas e beneficiários em geral). Esse sistema é diverso daquele adotado na previdência privada (complementar), denominado “capitalização” e no qual a con- tribuição efetuada pelo participante servirá para custear seu próprio benefício de aposentadoria.

No sistema de repartição simples a contribuição do participante é utilizada

imediatamente para o pagamento dos benefícios já existentes, não havendo

qualquer reserva própria para uma aposentadoria futura. Há, portanto, um pacto

intergeracional, sendo que a geração ativa atual sustenta a geração inativa e, no

futuro, os contribuintes de hoje devem acreditar que existirão trabalhadores sufi-

cientes para garantir-lhes os benefícios previdenciários de que necessitarem. Esse

sistema implica, ainda, uma espécie de solidariedade compulsória, posto que o

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valor contribuído é destinado a custear o benefício de terceiros, estranhos ao con- tribuinte, independentemente de sua vontade.

Também em face do sistema de repartição, dispõe o §5.º do artigo 195 da CF que somente se permitirá criar, majorar ou estender benefícios previdenciários se primeiramente instituída a fonte de custeio necessária (princípio da precedência da fonte de custeio).

Organização

A organização da Previdência Social encontra-se a cargo do Poder Executivo, mais especificamente ao Ministério da Previdência Social. É sua estrutura básica, conforme Decreto 6.417/2008:

Poder Executivo

MPS Previdência Social Previdência Complementare

I - Órgãos de assistência direta e imediata ao Ministro de Estado:

Gabinete;

Secretaria executiva;

Consultoria jurídica.

II - Órgãos Específicos Singulares:

Secretaria de Políticas de Previdência Social;

Secretaria de Previdência Complementar.

III - Órgãos Colegiados:

Conselho Nacional da Previdência Social;

Conselho de Recursos da Previdência Social;

Conselho de Gestão da Previdência Complementar.

IV - Entidades Vinculadas:

INSS – Autarquia federal;

DATAPREV - Empresa pública.

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Princípios constitucionais da Seguridade Social

Conforme disposições constantes do artigo 194 da CF, são os princípios aplicá- veis à Seguridade Social:

universalidade da cobertura e do atendimento

– universalidade signi-

fica o todo, o máximo possível. Assim, a Seguridade Social deverá prote- ger todos os cidadãos e todas as situações de necessidade, sendo esse seu maior objetivo.

uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações

urbanas e rurais – uniformidade refere-se à mesma forma, e equivalência, ao mesmo valor. Não deve, pois, haver discriminação entre a área urbana e a área rural, sendo garantidos os mesmos direitos e os mesmos benefícios, em forma e valor, conforme a necessidade e, em se tratando de Previdência Social, conforme a contribuição de cada segurado.

seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços

– existem vários serviços (ações) e vários benefícios que compõem a pro- teção oferecida pela Seguridade Social, sendo cada um deles aplicável a determinada necessidade. O legislador seleciona as prestações aplicáveis a cada contingência, distribuindo-as de forma adequada para cada situação.

irredutibilidade do valor dos benefícios

– trata-se de manter o valor

real, o poder de compra dos benefícios existentes na Seguridade Social. Na prática, entretanto, os critérios de correção dos benefícios previdenciários concedidos em valor superior ao mínimo nacional têm sido bastante dis- cutidos, posto que os valores têm sofrido verdadeiro “achatamento” a cada ano, se comparados com o salário mínimo ou mesmo com os valores de contribuição vertidos ao sistema.

equidade na forma de participação no custeio

– as contribuições devem

respeitar a capacidade contributiva, ou seja, “quem ganha mais paga mais

e quem ganha menos paga menos”. Trata-se, portanto, de critérios de jus-

tiça na hora de contribuir, “de pagar as contribuições mensais” destinadas

ao custeio da Seguridade Social. Para os empregados, empregados domés-

ticos e trabalhadores avulsos podemos afirmar que esse princípio se aplica,

pois as alíquotas variam, conforme a remuneração aferida, entre 8% (oito

por cento), 9% (nove por cento) e 11% (onze por cento). No entanto, para as

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empresas e entidades a ela equiparadas a contribuição incide sobre a folha de pagamento, com único percentual, não se respeitando, em verdade, o referido princípio constitucional.

diversidade da base de financiamento

– a Seguridade Social não é finan-

ciada por única fonte de receita, mas por diversas delas. Assim, o sistema é custeado pela União, por contribuições sociais devidas por empresas e tra- balhadores, por contribuições devidas por clubes de futebol, concursos de prognósticos, leilões de produtos apreendidos pela Receita Federal, dentre outras.

caráter democrático e descentralizado da administração, mediante ges-

tão quadripartite, com a participação dos trabalhadores, dos emprega- dores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados – esse prin- cípio é cumprido em face da existência dos órgãos colegiados (Conselhos).

Na esfera previdenciária, por exemplo, o Conselho Nacional de Previdência Social é composto por seis representantes do Governo Federal e nove repre- sentantes da sociedade civil (três aposentados, três trabalhadores e três em- pregadores), caracterizando-se, assim, a gestão quadripartite (quatro partes) e o caráter democrático e descentralizado da administração.

Eficácia das normas

Eficácia das normas no tempo

A eficácia das normas no tempo difere conforme o objeto contido na legisla- ção.

Quando a norma se referir ao custeio do sistema, as contribuições instituídas ou majoradas somente serão exigidas depois de decorridos noventa dias da data da publicação da lei (CF/88, art. 195, §6.º), não se aplicando, dessa forma, as dis- posições constantes da alínea “b”, inciso III, do artigo 150 da Carta Constitucional (anterioridade do exercício financeiro).

No entanto, quando a norma não se referir às contribuições, mas sim a assuntos

outros, deverá ser aplicada a Lei de Introdução ao Código Civil, artigo 1.º: quando

a lei não determinar expressamente o prazo de início de sua vigência, aplica-se o

prazo de 45 dias, a contar de sua publicação.

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Eficácia das normas no espaço

Aplica-se o Princípio da Territorialidade, ou seja, as regras são válidas em todo o território nacional, tanto para brasileiros, como para estrangeiros regulares no país. Observar a existência de acordos internacionais de previdência social.

O Brasil mantém acordo firmado com os seguintes países: Ilha de Cabo Verde;

Espanha; Grécia; Chile; Itália; Luxemburgo; Portugal e Mercosul (Argentina, Uru- guai e Paraguai).

Ampliando seus conhecimentos

Curso de especialização em direito previdenciário, coordenação de Daniel Machado da Rocha e José Antônio Savaris, editora Juruá.

Previdência Social: custeio e benefícios, de Cláudia Salles Vilela Vianna, editora

LTr.

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Referências

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