Medida e Integra¸c˜ao.
Departamento de F´ısica e Matem´atica. USP-RP. Prof. Rafael A. Rosales
22 de maio de 2007.
As seguintes notas apresentam algumas limita¸c˜oes da integral de Riemann com o prop´osito de justificar a constru¸c˜ao da integral de Lebesgue estudada ao longo do curso. Estas dever˜ao ser lidas ap´os a culmina¸c˜ao das aulas sobre o Capitulo 4: Fun¸c˜oes Integr´aveis, em [Bar]1. λ denota a medida de Lebesgue definida sobre a σ-´algebra de R.
1
A Integral de Riemann
Nesta se¸c˜ao apresentamos brevemente a integral de Riemann. Seja f : [a, b] → R uma fun¸c˜ao limitada definida no intervalo [a, b], para a < b, a, b ∈ R. Seja P = {a0, a1, a2, . . . , an} uma parti¸c˜ao de [a, b], tal que a = a0 < a1 < a2 < . . . < an = b.
Definimos a soma superior Σ e inferior σ de Riemann como Σ(P, f) = n X i=1 Mi∆i, σ(P, f) = n X i=1 mi∆i, onde ∆i = ai− ai−1e Mi = sup ai −16x6ai f (x), mi = inf ai −16x6ai f (x),
para cada i 6 n. Observe que Mi e mi s˜ao n´umeros reais, j´a que f ´e limitada em
qualquer intervalo [ai−1, ai].
Para definirmos a integral de Riemann, primeiro mostramos que para uma parti¸c˜ao P qualquer temos que σ(P, f) 6 Σ(P, f), e ent˜ao para qualquer parti¸c˜ao mais fina P0 ⊃ P, temos que σ(P, f) 6 σ(P0, f ) e Σ(P0, f ) 6 Σ(P, f). Finalmente observamos
que para quaisquer duas parti¸c˜oes P1, P2 temos que P1 ∪ P2 ⊃ P1 e P1 ∪ P2 ⊃ P2,
portanto σ(P, f) 6 Σ(Q, f) para quaisquer duas parti¸c˜oes P, Q. O conjunto©σ(P, f) : P ´e uma parti¸c˜ao de [a, b]ª esta limitado por cima em R, logo o seu supremo ´e chamado da integral inferior de f em [a, b], isto ´e
Z b
a
f = sup
P σ(P, f).
Analogamente para o conjunto ©Σ(P, f) : P ´e uma parti¸c˜ao de [a, b]ª, definimos a inte-gral superior como
Z b
a
f = inf
P Σ(P, f).
Defini¸c˜ao 1. A fun¸c˜ao f ´e Riemann integr´avel em [a, b] se supPσ(P, f) = infPΣ(P, f).
Neste caso a integral de Riemann ´e igual a qualquer um destes limites, e ´e denotada por Z b
a
f (x) dx.
1
[Bar] Bartle, R. G. The Elements of Integration and Lebesgue Measure. Wiley Classics Library, 1995. Wiley & Sons, New York
O seguinte resultado fornece um crit´erio ´util para verificar a integrabilidade de fun¸c˜oes.
Teorema 1 (Crit´erio de Riemann). A fun¸c˜ao f : [a, b] → R ´e Riemann-integr´avel se, e somente se, para qualquer ε > 0 existe uma parti¸c˜ao Pεtal que σ(Pε, f )−Σ(Pε, f ) < ε.
Exemplo 1. O seguinte exemplo ilustra como ´e utilizado o crit´erio de integrabilidade de Riemann para calcular
Z 1
0
√ x dx.
O problema imediato neste caso ´e que resulta dif´ıcil achar ra´ızes quadradas exceto para quadrados perfeitos. Devido a esto consideramos parti¸c˜oes cujas divis´orias s˜ao quadrados perfeitos, mesmo que isto leve a considerar intervalos de cumprimentos vari´aveis2. Seja a seguinte seq¨uˆencia de parti¸c˜oes
Pn= n 0,³1 n ´2 ,³2 n ´2 , . . . ,³i n ´2 , . . . , 1o Dado que f ´e crescente obtemos as seguintes somas de Riemann
Σ(Pn, f ) = n X i=1 ³i n ´n³i n ´2 −³i − 1n ´2o= 1 n3 n X i=1 (2i2− i) σ(Pn, f ) = n X i=1 ³i − 1 n ´n³i n ´2 −³i − 1n ´2o= 1 n3 n X i=1 (2i2− 3i + 1) Logo Σ(Pn, f ) − σ(Pn, f ) = 1 n3 n X i=1 (2i − 1) = n13©n(n + 1) − nª = 1 n.
Ao escolher n suficientemente grande, podemos fazer a diferen¸ca entre as duas somas arbitrariamente pequena, i.e menor que um ε > 0 dado, portanto f ´e integr´avel. A integral ´e 2/3, j´a que ambos σ(Pn, f ) e Σ(Pn, f ) convergem a este valor.
Al´em do crit´erio do Teorema 1 ´e poss´ıvel mostrar que toda fun¸c˜ao mon´otona limitada ´e Riemann integr´avel, assim como tamb´em qualquer fun¸c˜ao continua (limitada) f : [a, b] → R. Estes resultados s˜ao de grande utilidade mas na pratica o calculo da integral geralmente considera em lugar da Defini¸c˜ao 1, o seguinte resultado (essencial nos cursos de c´alculo!).
Teorema 2 (Teorema fundamental do Calculo). Se f : [a, b] → R ´e continua e F : [a, b] → R tem por derivada f, ent˜ao
F (b) − F (a) = Z b
a
Este resultado combina a integral de Riemann com as derivadas sendo que F ´e a fun¸c˜ao primitiva (ou anti-derivada de f ), i.e.
F (x) = Z x
−a
f (x) dx,
justificando as t´ecnicas elementares da integra¸c˜ao que formam parte de qualquer curso de c´alculo.
´
E poss´ıvel prescindir do requerimento da continuidade, primeiramente ao supor que f ´e limitada e n˜ao continua em um n´umero finito de pontos dentro de [a, b]. Neste caso f ainda ´e Riemann integr´avel. Para ver isto, dividimos o intervalo nas partes nas quais f ´e continua, sendo f integr´avel em cada uma destas partes. Por exemplo seja f igual a 0 para todo x ∈ [0, 1] exceto nos pontos a1, . . ., an onde f ´e igual a 1. Neste caso f ´e
integr´avel com integral igual a 0 em [0, 1].
Se intentamos generalizar este argumento precisaremos da integral de Lebesgue: f ´e Riemann integr´avel se, e somente se, f ´e continua em quase todos3 os pontos de [a, b]. Este resultado, nada trivial (veja o Teorema 4 no final destas notas), pode ser aplicado a seguinte fun¸c˜ao em [0, 1] introduzida por K. J. Thomae em 18754
f (x) = (
n−1 se x = m/n ∈ Q
0 se x /∈ Q (1)
A fun¸cc˜ao de Thomae ´e continua em cada irracional mas descont´ınua nos n´umeros ra-cionais. Neste caso f ´e continua λ-q.t.p em [0, 1]: f ´e descont´ınua em um n´umero enumer´avel dos n´umeros racionais em [0, 1], i.e. em [0, 1] \ Qc, logo λ([0, 1] \ Qc) = 0.
Do Teorema 4(i) temos ent˜ao que f ´e Riemann integr´avel. A continuidade da fun¸c˜ao em (1) ´e estudada no apˆendice.
2
Deficiˆ
encias da Integral de Riemann
Abrangˆencia. A integral de Riemann n˜ao inclui varias fun¸c˜oes que aparecem na pratica como por exemplo as fun¸c˜oes reais continuas definidas sobre dom´ınios n˜ao compactos e as fun¸c˜oes n˜ao limitadas. Por exemplo
Z ∞ −∞ e−|x|dx, e Z 1 0 1 √ xdx.
A solu¸c˜ao em ambos casos ´e uma aproxima¸c˜ao por integrais impr´oprias definidas por uma passagem ao limite,
lim n→∞ Z n −n e−|x|dx, lim ε→0 Z 1 ε √ x dx.
O Teorema de Convergˆencia Mon´otona pode ser utilizado para justificar estas
apro-3
mais precisamente: continua λ-q.t.p
4
Bartle, R. G. and Schebert, D. R. Introduction to real analysis. 3a Edi¸c˜ao, 2000. John Wiley & Sons, NY.
xima¸c˜oes5. Para a primeira fun¸c˜ao temos a partir do Teorema 2 que Z n 0 e−xdx = [−e−x]n0 = 1 − e−n, Z 0 −n exdx = [ex]0−n= 1 − e−n, e ent˜ao Z n −n e−|x|dx = 2 − 2e−n. Utilizando o limite acima, isto sugere o resultado
Z ∞ −∞ e−|x|dx = lim n→∞(2 − 2e −n) = 2. De fato, seja fn(x) = ( e−|x| se |x| 6 n, 0 se |x| > n
uma seq¨uˆencia de fun¸c˜oes em L tais que fn(x) → e−|x| pontualmente para todo x ∈ R.
Mais ainda, sejam as integrais Z
fndλ =
Z n
−n
e−|x|dx,
as quais para qualquer n est˜ao limitadas acima por 2. Temos finalmente que Z lim n fndλ = Z lim n→∞e −|x|1 [−n,n]dλ = lim n Z fndλ = lim n Z e−|x|1[−n,n]dλ = lim n Z n −n e−|x|dx = lim n (2 − 2e −n) = 2,
sendo a segunda igualdade, o passo critico, consequˆencia do Teorema de Convergˆencia Mon´otona. A quarta igualdade segue do Teorema 4(ii) no final destas notas.
Sigamos agora com o segundo exemplo. A integral de 1/√x n˜ao ´e limitada para qualquer intervalo que contem a origem. Neste caso consideramos a integral
Z 1
1/n
1 √
xdx. Pelo Teorema 2 esta integral ´e igual a
[2x12]n
1/n = 2(1 − n−
1 2),
o qual converge a 2. Para verificarmos que Z 1
0
1
utilizamos o Teorema de Convergˆencia Mon´otona para a seq¨uˆencia (fn) definida por
fn(x) =
(
x−12 se 1/n 6 x 6 1,
0 caso contrario.
sendo fn(x) → 1/√x pontualmente para todo x ∈ (0, 1], e neste caso todas as integrais
R fn estam limitadas por acima por 2. Finalmente
Z 1 0 1 √ xdx = limn Z fndλ = 2.
Dominio da integral. A integral de Riemann esta definida quando o dom´ınio de integra¸c˜ao ´e um subconjunto ‘simples’ de R. Considere, por exemplo, as somas superiores e inferiores de Riemann para a fun¸c˜ao indicadora dos racionais em [0, 1], isto ´e,
f = 1Q∩[0,1]. (2)
Para qualquer parti¸c˜ao P de [0, 1] cada sub-intervalo contem pontos racionais e irracio-nais, veja o apˆendice, logo σ(P, f) = 0 e Σ(P, f) = 1. Portanto n˜ao ´e poss´ıvel calcular a integral de Riemann de esta fun¸c˜ao, de fato f ´e descont´ınua em um conjunto n˜ao enumer´avel de pontos de [0, 1]6. Mas, diretamente da defini¸c˜ao da integral de Lebesgue
temos que
Z
1Q∩[0,1]dλ = 1 · λ([0, 1] ∩ Q) + 0 · λ([0, 1] \ Q) = 0
j´a que Q ´e um conjunto nulo e portanto o seu ‘cumprimento’ ´e 0. Veja as notas sobre conjuntos nulos em http://dfm.ffclrp.usp.br/∼rrosales/aulas.
Analogamente a integral de f = 1C, onde C ´e o conjunto de Cantor, ´e 0 pois C
tamb´em ´e um conjunto nulo. Este conjunto e descrito em detalhe nas notas sobre conjuntos nulos.
Limites de fun¸c˜oes. ´E de se esperar que se fn ´e uma seq¨uˆencia de fun¸c˜oes
Rie-mann integr´aveis tais que fn converge em certo sentido a f , ent˜ao dever´ıamos ter que
Rn
a fndx →
Rb
af dx. Apresentamos a continua¸c˜ao alguns exemplos onde (fn) converge
pontualmente a f , i.e. fn(x) → f(x) para todo x ∈ R, mas a integral de Riemann n˜ao
esta definida. Tamb´em apresentamos um exemplo onde a convergˆencia ´e uniforme. 1. Suponhamos que o limite n˜ao ´e Riemann integr´avel, portanto a quest˜ao da con-vergˆencia n˜ao faz sentido algum. Seja f = 1Q, fn = 1An onde An = {q1, q2, . . . , qn},
sendo (qn), n > 1, uma enumera¸c˜ao dos n´umeros racionais de forma que fn´e
mon´otona-mente crescente.
2. O limite ´e Riemann integr´avel, mas as integrais de Riemann n˜ao convergem. Sejam f = 0, [a, b] = [0, 1/2] e escolha
fn(x) = 4n2x, se 0 6 x < 1/(2n) 4n − 4n2x, se 1/(2n) 6 x < 1/n 0 se 1/n 6 x 6 1.
Esta fun¸c˜ao ´e continua e tem integral igual a 1 para qualquer n ∈ N. Mas, a seq¨uˆencia fn(x) converge pontualmente a f = 0 dado que para todo x ∈ [0, 1/2], fn(x) = 0 se n ´e
o suficientemente grande.
6
0 2 4 6 8 10 00 00 0 15 14 13 12 f2 f3 f4 f5
Figura 1: exemplo de convergˆencia n˜ao uniforme. Outros exemplos deste mesmo tipo s˜ao os seguintes. Seja fn(x) = n1(0,1
n)(x) definida
em (0, 1). Temos ent˜ao que para qualquer x, fn(x) → 0 (pontualmente), i.e., fn→ f = 0.
Por´em para todo n ∈ N
Z 1 0 fn(x) dx = n ³1 n − 0 ´ = 1.
A convergˆencia uniforme de (fn) a f tampouco permite afirmar a convergˆencia das
integrais de Riemann, como ´e mostrado no seguinte exemplo. Seja fn= n11[0,n]. Segue-se
imediatamente da defini¸c˜ao que fn⇒ f, i.e. a convergˆencia ocorre uniformemente (fa¸ca
um desenho!), e tamb´em que f = 0. Entretanto, para todo n ∈ N Z
fn(x) dx =
1
n(n − 0) = 1.
Os dois ´ultimos exemplos mostram que tampouco ´e suficiente que fn % f (i.e. que
fn seja mon´otonamente crescente e com limite f ), ou que fn& f. Respectivamente:
(i). Seja fn = −n11R. Neste caso fn % f onde f = 0, mas ∀n ∈ N a integral de
Riemann de fn´e −∞.
(ii). Seja fn = 1[n,∞), ent˜ao fn & f e f = 0. Por´em para todo n ∈ N a integral de
Riemann de fn´e +∞.
3
Integrais de Lebesgue e Riemann
A integral de Lebesgue ´e introduzida com o prop´osito de desenvolver uma no¸c˜ao gene-ralizada da integral. Como uma consequˆencia do Teorema de Convergˆencia Mon´otona, esta integral apresenta propriedades de limite superiores a integral de Riemann. Por´em, igualmente a integral de Riemann, o c´alculo especifico das integrais pode ser laborioso. Para relacionar a teoria com algumas t´ecnicas convenientes do c´alculo elementar que permitem resolver integrais, nesta se¸c˜ao provaremos uma vers˜ao do Teorema 2, assim como tamb´em a coincidˆencia da integral de Lebesgue e de Riemann no caso que esta ultima exista (Teorema 4(ii)). Neste processo encontraremos condi¸c˜oes necess´arias e suficientes para a existˆencia da integral de Riemann (Teorema 4(i)).
Teorema 3. Se f : [a, b] → R ´e continua ent˜ao f ´e integr´avel e a fun¸c˜ao F dada por F (x) =
Z x
a
f dλ ´e diferenci´avel em (a, b), e tem derivada F0= f .
Demonstra¸c˜ao. As fun¸c˜oes continuas s˜ao mensur´aveis logo f ∈ L[a, b]7. Fixemos a < x < x + h < b, ent˜ao
F (x + h) − F (x) = Z x+h
x
f dλ,
o qual segue das propriedades da integral desde que f 1(x,x+h] = f 1[a,x+h]− f1[a,x]. Pela propriedade do valor m´edio, o valor da integral esta contido no intervalo [Ah, Bh], onde A = inf{f(t) : t ∈ [x, x + h]} e B = sup{f(t) : t ∈ [x, x + h]}. Os dois n´umeros existem, sendo f continua. Neste caso podemos achar t1, t2 tais que A = f (t1) e B = f (t2) em
[x, x + h]. Logo f (t1) 6 1 h Z x+h x f dλ 6 f (t2).
O Teorema do valor m´edio fornece um θ ∈ [0, 1] tal que f (x + θh) = 1 h Z x+h x f dλ = F (x + h) − F (x) h ,
e ent˜ao no limite h → 0, a continuidade de f garante que F0(x) = f (x).
O pr´oximo Teorema mostra como a integral de Lebesgue ´e uma generaliza¸c˜ao da integral de Riemann.
Teorema 4. Seja f : [a, b] → R. uma fun¸c˜ao limitada.
(i) f ´e Riemann integr´avel se, e somente se f ´e continua em λ-quase todas partes em [a, b].
(ii) As fun¸c˜oes Riemann integr´aveis em [a, b] s˜ao Lebesgue integr´aveis em [a, b]. Ambas integrais s˜ao iguais.
Demonstra¸c˜ao. Seja P uma parti¸c˜ao de [a, b] e ∆i = ai− ai−1, i = 1, 2, . . . , n, com Mi
e mi o sup e o inf de f respectivamente em I = [ai−1, ai]. Sejam Σ(P, f) e σ(P, f) as
somas de Riemann superiores e inferiores associadas a P. Observe que estas somas s˜ao as integrais de Lebesgue das fun¸c˜oes simples
uP = n X i=1 Mi1Ii, lP = n X i=1 mi1Ii.
Escolhamos agora uma seq¨uˆencia (Pn) tal que Pn+10 ⊃ Pn e o cumprimento do maior
subintervalo em Pn se aproxime de 0. Escrevendo un para uPn e ln para lPn temos que
ln6 f 6 un para todo n. Consideremos agora o espa¸co mensur´avel ([a, b], A[a,b], λ[a,b])
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para λ[a,b]= λ a medida de Lebesgue no intervalo [a, b]. Temos que as fun¸c˜oes u = inf un
e l = sup ln s˜ao mensur´aveis e mon´otonas desde que,
l1 6l2 6· · · 6 f 6 u2 6u1. (a)
Neste caso lim un= u e lim ln= l pontualmente, e todas as fun¸c˜oes em (a) s˜ao limitadas
em [a, b] por M = sup{f(x) : x ∈ [a, b]}, o qual ´e integr´avel em [a, b]. Agora, pelo Teorema de Convergˆencia Dominada conclu´ımos que
lim Σ(Pn, f ) = lim Z b a undλ = Z b a u dλ, lim σ(Pn, f ) = lim Z b a lndλ = Z b a l dλ, e a fun¸c˜oes limite u e l s˜ao Lebesgue integr´aveis.
Suponhamos agora que x n˜ao ´e um ponto do limite de qualquer um dos intervalos das parti¸c˜oes (Pn), o qual exclui unicamente um conjunto enumer´avel dos pontos de
[a, b]. Segue-se imediatamente disto que
f ´e continua em x ⇔ u(x) = f(x) = l(x).
Esta afirma¸c˜ao segue da defini¸c˜ao de continuidade, dado que o cumprimento de cada subintervalo se aproxima de 0 e portanto a varia¸c˜ao de f sobre os intervalos que contem a x se aproximam de 0 se, e somente se f ´e continua em x.
A integral de Riemann de f ´e definida como o valor comum do limite lim Σ(Pn, f ) e
lim σ(Pn, f ), sempre e quando os limites sejam iguais.
Para demonstrar (i), suponha primeiro que f ´e Riemann integr´avel, portanto Z b a u dλ = Z b a l dλ. Mas l 6 f 6 u, logo Rb
a(u − l)dλ = 0, o qual implica que u = l = f λ-em quase todas
partes pelo Teorema 4.78. Desta forma f ´e continua em λ-q.t.p. pela caracteriza¸c˜ao da
continuidade de f em x introduzida nesta demonstra¸c˜ao, a qual unicamente exclui um conjunto nulo9 dos pontos da parti¸c˜ao.
No sentido contrario, para mostrar a equivalˆencia, se f ´e λ-em q.t.p. continua, ent˜ao u = f = l, λ-q.t.p., portanto u e l s˜ao Lebesgue mensur´aveis e ent˜ao tamb´em f . Al´em disto, se por hip´otese f tamb´em ´e limitada, ent˜ao f ´e Lebesgue integr´avel em [a, b], uma vez que as integrais s˜ao iguais λ-q.t.p, ent˜ao as integrais (de Lebesgue) de l, f e u coincidem, Z a l dλ = Z a f dλ = Z a u dλ. (b)
Dado que as integrais de l e u s˜ao iguais, isto mostra que por defini¸c˜ao, f ´e Riemann integr´avel.
Finalmente, para provarmos (ii), observamos que se f ´e Riemann integr´avel ent˜ao (i) mostra que f ´e λ-q.t.p. continua, portanto mensur´avel e ent˜ao de (b) a sua integral de Lebesgue coincide com as integrais de l e u, e portanto tamb´em com a integral de Riemann.
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