BEM ESTAR ANIMAL
Um abrigo para cães e gatos vítimas de maus-tratos e abandono em Florianópolis
JOANA RECKZIEGEL OURIQUES
BEM ESTAR ANIMAL:
Um abrigo para cães e gatos vítimas de maus-tratos e abandono em Florianópolis.
Trabalho de Conclusão de Curso apresen-tado ao Curso de Arquitetura e Urbanis-mo da Universidade do Sul de Santa Cata-rina como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.
Orientador: Prof. Larissa Carvalho Trindade
Florianópolis 2018
JOANA RECKZIEGEL OURIQUES
BEM ESTAR ANIMAL:
Um abrigo para cães e gatos vítimas de maus-tratos e abandono em Florianópolis.
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julga-do adequajulga-do à obtenção julga-do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo e aprovado em sua forma final pelo Curso de Arquitetura e Urbanis-mo da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Florianópolis, 20 de junho de 2018.
______________________________________________________ Professora e orientadora Larissa Carvalho Trindade
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Prof. Arlis Buhl Peres
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Prof. Carlos Fernando Machado Pinto
Agradeço a Deus primeiramente pois Ele é responsável por tudo que tem ocorrido na
minha vida, pela oportunidade de realizar e concluir esta graduação.
Aos meus Pais que me deram a oportunidade ingressar neste curso, me apoiaram
des-de o início, e sempre tiveram paciência nesta caminhada des-de estudos e longas noites des-de
projeto.
Quero também agradecer ao meu querido noivo, que esteve sempre ao meu lado me
apoiando, me dando suporte e incentivo. Você foi extremamente importante.
E também aos meus pets, em especial à Mila e Julie, que sempre fizeram companhia em
todas as horas de estudo, e fazem a minha jornada cada vez mais especial.
Não poderia esquecer a minha orientadora Larissa Trindade, pelo suporte e atenção
para realização deste trabalho que une minhas duas paixões, a arquitetura e os animais.
Muito obrigada pela disponibilidade e dedicação.
“A compaixão para com os ani-mais é das ani-mais nobres virtudes da na-tureza humana.” (Charles Darwin)
O presente trabalho tem por objetivo fun-damentar diretrizes de projeto para o desen-volvimento da proposta de um edifício pú-blico para abrigo e atendimento de animais vítimas de maus-tratos e abandono na cida-de cida-de Florianópolis.
Neste sentido, será proposto um novo Centro de bem-estar Animal, com intuito de acolher maior número de animais que o atual centro, e possibilitar maior número de atendimentos. As soluções arquitetôni-cas buscarão possiblitar a oferta de serviços adequados, contemplando espaços para a inserção da comunidade, através de eventos solidários, de concientização aos cuidados para adoção dos animais.
Inicialmente, será apresentada a metodo-logia, a qual apresenta estudos teóricos de
livros e artigos para a compreensão da rela-ção entre humanos e os animais, a evolurela-ção deste contato, e estudo de ambientes ade-quados para estes usos.
Em seguida são abordados os referenciais projetuais utilizados para a elaboração da proposta, dos quais são analisados, des-tacando os pontos relevantes para o atual projeto.
Após, é desenvolvida uma análise da área, onde destacam-se os fatores locais que são importantes para a proposta.
Por fim, é apresentada a proposta inicial do projeto, na forma de partido geral demons-trando principalmente as diretrizes adotadas em implantação, volume, tipologia e outros aspectos necessários.
RESUMO
Palavras-chave: Bem-Estar Animal, Institucio-nal, Arquitetura.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Imagem 1 - Estimativa do crescimento de animais por ano.
Imagem 2 - Relação capacidade de visão Homem- Cão/Gato.
Imagem 3 - Relação audição Homem- Gato. Imagem 4 - Relação olfato Homem- Gato. Imagem 5 - Canil individual
Imagem 6 - Canil coletivo Imagem 7 - Gatil individual Imagem 8 - Gatil coletivo
Imagem 9 - Fachada Animal Services Center Los Angeles
Imagem 10 - Canis Animal Services Center Los Angeles
Imagem 11 - Edifício Animal Services Center Los Angeles
Imagem 12 - Esquemas de fluxos e ambientes Animal Services Center Los Angeles
Imagem 13 - Croqui Alameda Canis Imagem 14 - Fachada Palm Springs Animal Care
Imagem 15 - Gatis Palm Springs Animal Care Imagem 16 - Vista externa gatis Palm Springs Animal Care
Imagem 17 - Circulações Palm Springs Animal Care
Imagem 18 - Esquemas e fluxos I Palm Springs Animal Care
Imagem 19 - Esquemas e fluxos II Palm Sprin-gs Animal Care
Imagem 20 - Croquis referência Palm Springs Animal Care 26 30 31 31 32 32 32 32 35 36 36 36 36 37 37 37 38 39 40 40
Imagem 21 - Petaholic Hotel Pet Imagem 22 - Planta Petaholic Hotel Pet Imagem 23 - Canis Petaholic Hotel Pet Imagem 24 - Gatis Petaholic Hotel Pet Imagem 28 - Jardim Botânico de Naples Imagem 29 - Jardim Botânico de Naples II Imagem 30 - Paisagismo Goodman Duque de Caxias
Imagem 31 - Edifício Goodman Duque de Caxias
Imagem 32 - Imagem localização Imagem 33 - Bairros próximos
Imagem 34 - Imagem terreno e condicionan-tes
Imagem 35 - Atendimento região Imagem 36 - Foto DIBEA
Imagem 37 - Centro cirúrgico DIBEA Imagem 38 - Centro cirúrgico DIBEA II Imagem 39 - Imagem aérea de 1938 bairro Itacorubi
Imagem 40 - Imagem aérea de 1977 bairro Itacorubi
Imagem 41 - Imagem aérea de 1994 bairro Itacorubi
Imagem 42 - Imagem aérea de 2003 bairro Itacorubi
Imagem 43 - Imagem aérea de 2009 bairro Itacorubi
Imagem 44 - Imagem aérea de 2018 bairro Itacorubi 41 41 42 42 43 43 44 44 47 48 48 49 50 50 50 51 51 51 52 52 52
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Número de cães e gatos nas famílias do Brasil.
Gráfico 2 - Dados de animais abandonados. Gráfico 3 - Levantamento sobre a castração dos animais.
Gráfico 4 - Levantamento sobre abandono por mudança de endereço.
Gráfico 5 - Levantamento circunstâncias perdeu o animal de estimação.
Tabela 1 - Limite ocupação AMC 6,5
25 26 28 28 29 53 Imagem 45 - Zoneamento da região
Imagem 46 - Áreas verdes e equipamentos Imagem 47 - Sistema viário da região do Itacorubi e bairros adjacentes
Imagem 48 - Linhas e pontos de ônibus na região
Imagem 49 - Imagem frontal terreno de estudo
Imagem 50 - Imagem frontal terreno Imagem 51 - Imagem ponto de ônibus em frente ao CEPON
Imagem 52 - Imagem ponto de ônibus em frente ao Hotel Mercure
Imagem 53 - Cheios e vazios no bairro do Itacorubi
Imagem 54 - Elevações entorno terreno Imagem 55 - Usos no bairro do Itaocrubi Imagem 56 - Estudo aspectos bioclimáticos Imagem 57 - Foto paisagem morro Imagem 58 - Imagem entorno imediato Imagem 59 - Perfil via LI-013
Imagem 60 - Perfil via TR-SC-404(1)
Imagem 61 - Imagem Atingimento Viário e Cur-vas de Nível
Imagem 62 - Croquis estudos iniciais Imagem 63 - Croqui estudo localização Imagem 64 - Croquis estudos desníveis e permeabilidade
Imagem 65 - Elevações estudo volumetria e afastamentos
Imagem 66 - Croqui volumetria proposta
53 54 55 55 55 55 56 56 56 57 57 58 58 59 59 59 60 63 67 68 69 71
Imagem 67 - Croqui volumetria fachada oeste Imagem 68 - Zoneamento
Imagem 69 - Circulações
Imagem 70 - Croqui detalhe brises Imagem 71 - Croqui detalhe claraboia Imagem 72 - Croquis área de convivência Imagem 73 - Croqui área de soltura cães Imagem 74 - Croquis canis individuais
72 73 77 79 80 82 83 84
LISTA DE ABREVIATURAS
ACI - Área Comunitária/Institucional AMC - Área Mista Central
APP - Área de Preservação Permanente CCZ - Centro de Controle de Zoonoses CENTRE - Centro de Treinamento da Epagri CEPON - Centro de Pesquisas Oncológicas DIBEA - Diretoria de Bem-Estar Animal
EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Exten-são Rural de Santa Catarina
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IML - Instituto Médico Legal
IPOBE - Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
LEED - Leadership in Energy Environmental Design - Liderança em Energia e Design Ambiental
OMS - Organização Mundial de Saúde ONG - Organização Não Governamental TELESC - Telecomunicações de Santa Catarina UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina
SUMÁRIO
1.1 PROBLEMÁTICA 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral 1.2.2 Objetivos Específicos 1.3 MÉTODO2.1 A EVOLUÇÃO DO CUIDADO ANIMAL 2.2 ABANDONO ANIMAL
2.3 BEM-ESTAR ANIMAL E NECESSIDADES ESPA-CIAIS
3.1 REFERÊNCIA PROJETUAL DO TEMA 3.1.1 Centro de cuidado animal - Sul de Los Ageles
3.1.2 Centro de cuidado animal - Palm Springs
3.1.3 Petaholic Hotel
3.2 REFERÊNCIAL PROJETUAL ARQUITETÔNICO 3.2.1 Centro de visitantes do Jardim Botânicos de Naples
3.2.2 Goodman Duque de Caxias
4.5 CONDICIONANTES GERAIS 4.5.1 Áreas Livres/Verdes 4.5.2 Equipamentos 4.5.3 Mobilidade Urbana 4.5.4 Uso e Ocupação Territorial 4.6 CONDICIONANTES LOCAIS 4.6.1 Aspectos Bioclimáticos 4.6.2 Paisagem
4.6.3 Terreno e Entorno Imediato
5.1 DIRETRIZES 5.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES 5.3 ESTUDOS INICIAIS 5.3.1 Implantação 5.3.2 Fluxograma 5.4 PARTIDO GERAL
2.REFERENCIAL TEÓRICO
1.INTRODUÇÃO
21 21 21 21 223.REFERENCIAL PROJETUAL
4.1 LOCALIZAÇÃO4.2 ATENDIMENTO ANIMAL EM FLORIANÓPOLIS 4.2.1 Locais de Atendimento em Florianópolis 4.2.2 DIBEA hoje 4.3 HISTÓRICO DA ÁREA 4.4 CONDICIONANTES LEGAIS
4.ANÁLISE DA ÁREA
5.PROPOSTA
6.CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
25 26 30 35 35 37 41 43 43 44 47 49 49 50 51 53 54 54 54 54 55 58 58 58 59 63 64 67 69 70 71I N T R O D U Ç Ã O
1.1 PROBLEMÁTICA/JUSTIFICATIVA 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivos Geral 1.2.2 Objetivos Específicos 1.3 MÉTODO1
Este Trabalho de Conclusão de Curso pro-põe melhorias no atendimento de animais domésticos por meio de um novo Abrigo de Bem Estar Animal da cidade de Florianópolis.
Atualmente os animais domésticos têm cada vez mais se tornado parte das famílias. Porém muitos deles não possuem a oportunidade de ter um lar, alguns vivem nas ruas, muitos animais fogem e acabam se perdendo de seus donos e assim a natalidade de animais nas ruas tem aumentado a cada dia. Para evitar esse cres-cimento populacional dos animais domésticos nas ruas deve-se criar abrigos para recolhimen-to, tratamento quando necessário, e doação. O atual Centro de Zoonoses em Florianópo-lis e a DIBEA¹ realizam atendimento apenas
para famílias de baixa renda, que possuam até três salários mínimos e possuem capaci-dade de acolhimento de 100 cães e 30 ga-tos, não possuindo atendimento emergencial. Florianópolis não possui um Hospital Veteri-nário público, somente unidades particulares. A população, ONG’s², voluntários e veterinários criaram um sistema de castração social, com a intenção de aumentar o número de castrações de animais vítimas de maus-tratos, animais de rua e abandonados, onde tem a intenção de re-duzir o número de criações, consequentemen-te reduzindo o número de animais pelas ruas. Essa ação social é realizada através de al-guns veterinários que se dispõem a realizar as cirurgias com valores mais acessíveis para o público em geral. Também são realizadas castrações no DIBEA, porém são realizadas apenas para o público de baixa renda, sendo feitas apenas 24 castrações por dia atualmen-te por apenas possuir um Centro Cirúrgico.
1.2.1 GERAL
Desenvolver um Projeto de Arquitetura para um novo Centro de Cuidado Animal para re-alizar e atendimento e acolhimento de cães e gatos no bairro Itacorubi em Florianópo-lis-SC, buscando proporcionar maior assis-tência aos animais vítimas de maus-tratos e abandono, assim como atendimento social.
1.2.2 ESPECÍFICOS
Analisar e levantar dados de projetos com temas relacionados e/ou referências proje-tuais para verificar necessidades do projeto em estudo.
Pesquisar e analisar necessidades e deman-da do atual Centro de Bem Estar Animal de Florianópolis.
Compreender as condicionantes e caracte-rísticas específicas da área de estudo. Conceber projeto arquitetônico que contem-ple o tema proposto.
1.1 PROBLEMÁTICA
1.2 OBJETIVOS
DIBEA¹ - Diretoria de Bem Estar Animal de Florianópolis. ONG² - Organização Não Governamental.
1. 2. 3. 4. 21 1.
1.1 Pesquisa em referenciais teóricos e contex-tuais levantando necessidades e requisitos téc-nicos para o processo de composição e implan-tação de um novo centro de Bem Estar Animal. 1.1.1 Analisar dados relacionados ao enrique-cimento ambiental fisico
1.2 Consulta em material de legislação vigente como: Código de Obras, Plano Diretor e nor-mativas relacionadas ao tema.
2.
2.1 Pesquisas e análises das necessidades e de-manda do atendimento do Centro de Bem Estar Animal existente, por meio de questionário re-alizado em visita ao local, buscando compre-ender: -Histórico -Necessidades -Demanda -Possibilidade de melhorias 3.
3.1 Coleta de informações geográficas da área de estudo
3.2 Análise por meio de visita in loco e infor-mações através de mapas e levantamentos da região
3.3 Elaboração de esquemas para leitura da região:
-Acessibilidade -Mobilidade
-Condicionantes ambientais
-Histórico e evolução urbana -Equipamentos urbanos 4.
4.1 Elaboração de diretrizes projetuais
4.1.2 Definição de programa de necessidades 4.1.3 Desenvimento estudo inicial de dimensio-namento
4.2 Elaboração do Partido geral 4.2.1 Estudos de implantação 4.2.2 Criação de croquis 4.2.3 Setorização 4.2.4 Estudos volumétricos 4.2.5 Concepção estrutual 4.2.6 Cortes Esquemáticos 4.3 Elaboração do Anteprojeto SEGUNDA ETAPA 2018/2 - TCC II
4.3.1 Desenvolvimento de plantas, cortes e fa-chadas
4.3.2 Detalhamentos
1.3 MÉTODO
R E F E R E N C I A L
T E Ó R I C O
2.1 EVOLUÇÃO DO CUIDADO ANIMAL 2.2 ABANDONO ANIMAL
2.3 BEM-ESTAR ANIMAL E NECESSIDADES ESPACIAIS
Desde a pré-história os animais têm grande relação com os humanos, e com o passar do tempo foram selecionados grupos de seres vi-vos que possuíam características adequadas para a convivência com os homens.
O tratamento com os animais era apenas comercial, e quando essas mercadorias não tinham mais serventia eram descartados. Não havia preocupação com a vida do animal, e sim somente nos interesses do ser humano. Segundo Araújo (2013), eram realizadas cru-zas seletivas, buscando aperfeiçoar os animais para exercerem as funções desejadas de caça e pecuária, fazendo com que o processo de do-mesticação acompanhasse a história dos seres humanos, adaptando-se com cada período. De início o contato humano-animal passou do seu instinto natural, onde a tendência era que eles se defendessem dos humanos, ou os casassem como predadores, à domesticação onde começaram a ter comportamentos dóceis e de submissão aos homens. Ocorrendo assim um processo de evolução de algumas espécies na convivência e interação com os seres huma-nos.
A ciência do bem-estar animal teve início quando o ser humano criou laços afetivos com os animais domésticos, tornando-os animais de estimação. Ao final do século XX os humanos passaram a compreender a sua responsabilida-de e ligação com as modificações nas espécies felinas e caninas.
Com a crescente urbanização a população tem passado a necessidade de compartilhar hábitos e momentos, e com isso têm convivido e criado laços afetivos com algumas espécies,
sendo mais comum a convivência com cães e gatos, que têm se tornado cada vez mais parte das famílias.
Segundo pesquisa do IBGE¹ de 2013, 44,3% da população brasileira possui algum tipo de animal de companhia, dentro deles 52,2 mi-lhões são cães e 22,1 mimi-lhões de residências possuem gatos. Fazendo com que o Brasil se tornasse o 2 ° colocado mundialmente em nú-mero de cães e outros animais, e o 4 ° colocado como maior número de animais de estimação. Conforme apresentado no Gráfico 1:
2.1 EVOLUÇÃO DO CUIDADO
ANIMAL
25
O desenvolvimento da relação entre o ser humano e o animal de companhia ocorre no âmago de uma mudança comportamental importantíssima da própria sociedade, que passou a cul-tivar vários hábitos, tais como: menor número de filhos e mais recursos em ge-ral; conferir ao animal de companhia o status de membro da família; que passa a viver mais dentro de casa do que fora; o animal de companhia ganha seu es-paço; está previsto no orçamento fami-liar e passa a ser assistido na vida e na morte.(Santana, Oliveira, 2006, p. 3).
IBGE¹ - Instituto Brasileiro de Greografia e Estatística Gráfico 1: Número de cães e gatos nas famílias do Brasil. Fonte: Dados IBGE, ilustração própria.
26 Conforme estudos recentes na área da
medi-cina veterinária, estes animais de companhia proporcionam diversos benefícios para os seres humanos:
a) Efeitos psicológicos: reduz a depressão, estresse e ansiedade; melhora o humor;
b) Efeitos fisiológicos: menos pressão arte-rial e frequência cardíaca, maior expectativa de vida, e se tornam um estímulo para realização de atividades saudáveis;
c) Efeitos sociais: socialização de idosos, de-ficientes físicos e mentais; melhoria no aprendi-zado e socialização com crianças.
Cães e gatos abandonados nos meios urba-nos se tornou uma cena comum, e com o pas-sar dos anos esta população tem crescido cada vez mais.
Apesar da questão do abandono ser conside-rado crime, os animais em situação de aban-dono hoje no Brasil estão sendo considerados problema de saúde pública, pois cães e gatos abandonados, ao relento, em péssimas condi-ções, muitas vezes doentes, transmitem doen-ças aos humanos. Em alguns casos são recolh idos pelos CCZ’s¹, nas cidades que possuem este serviço, mas nem sempre obtém sucesso no tratamento, muitas vezes a falta de recursos leva alguns animais a serem sacrificados. A reprodução entre animais é um fator que contribui para o grande número de abandonos, tanto em animais que moram e se reproduzem nas ruas, quanto em animais com donos que não se preocupam com possíveis cruzas, e com
a chegada da ninhada e o grande número de filhotes acabam sendo abandonandos.
De acordo com estimativa realizada pela OMS² existem mais de 30 milhões de animais aban-donados, dentre eles 10 milhões são gatos e 20 milhões são cães. Em pequenas cidades o nú-mero de animais nas ruas pode corresponder a ¼ da população local, conforme Gráfico 2:
Conforme estimativas uma cadela pode ter até 16 filhotes em um ano, e uma gata pode ter até 12 filhotes, e considerando que estes mesmos filhotes terão anualmente a mesma quantida-de cada a partir dos 6 meses quantida-de vida, gerando assim um aumento populacional desordenado.
Conforme imagem 1 que ilustra a pirâmide de um crescimento populacional animal em até 6 anos:
2.2 O ABANDONO ANIMAL
CCZ¹ - Centro de Controle de Zoonoses OMS² - Organização Mundial de Saúde
Imagem 1: Estimativa do crescimento de animais por ano. Fonte: SOS Bichos de Rua, desenho autoria própria.
1 ano: 16 cães 3 anos: 512 cães 6 anos: 67.000 cães 1 ano: 12 gatos 3 anos: 376gatos 6 anos: 66.088 gatos Gráfico 2: Dados de animais abandonados.
O crescimento desordenado também acontece devido à falta de informação da população que muitas vezes não tem consciência da necessida-de da castração. Fazendo com que se inicie um ciclo vicioso de reprodução, irresponsabilidade, negligência e abandono.
Mas por outro lado os animais têm suas neces-sidades, demandando trabalho para seu dono, com alimentação, acompanhamento veteriná-rio, adestramento, passeios e atenção. Quando as pessoas adotam ou adquirem um animal, muitas vezes não tem noção da responsabili-dade, ou suas expectativas sobre o animal não saem como previsto, o que pode ocorrer quan-do o animal tem certo comportamento, crescem mais que previam e desagradam de modo ge-ral. Esta situação é um dos maiores problemas vivenciados em relação aos animais domésti-cos: o abandono e maus tratos.
O controle da população de animais vítimas de abandono deve ser realizado por meio da esterilização, adoção responsável, e não o extermínio de animais de rua como solução, sendo a esterilização muito benéfica para os animais e seus donos como: reduz o número de abandono de animais, evita a transmissão de doenças venéreas, doenças e infecções ute-rinas e tumores de mama nas fêmeas, tumor de próstata nos machos, faz com que o animal fique mais submisso e pare com a questão de marcação de território e fugas.
Não existe uma Política Pública nacio-nal com diretrizes oficiais para o contro-le populacional de cães não domicilia-dos no Brasil, o que faz com que muitos municípios negligenciem esse tipo de ação, conforme pode ser observado no presente estudo. Apesar de alguns mu-nicípios realizarem algum tipo de ação de controle, estas ações são muitas vezes isoladas e geralmente carentes de avaliação. A situação passa pela má distribuição de recursos públicos e também pela omissão do Poder Público (MOUTINHO, 2015, p. 577).
A falta de um planejamento, pelas pes-soas, orientado sob os princípios da guarda responsável, acarreta vários fa-tores como a compra de animais, pelo mero impulso de consumir, situação esta estimulada por muitos comercian-tes que, desejosos em maximizar seus lucros, os expõe, sob precárias condi-ções, em vitrines e gaiolas para que consumidores mais impulsivos se sintam seduzidos por aquela “mercadoria” ou “objeto descartável”. O problema é que essa relação de consumo não desper-ta, muitas vezes, o vínculo afetivo que deve nortear a relação entre homem e animal, fazendo com que as pessoas acabem descartando seus “animais de estimação”, por ficarem desinteressan-tes depois da empolgação inicial. (SAN-TANA, 2006, p.25).
27
Gráfico 3: Levantamento sobre a castração dos animais. Fonte: Ipobe e Instituto Waltham, Matéria Revista Época (2016), desenho autoria própria.
Pesquisa realizada pelo Ipobe¹ juntamente com o Instituto Waltham apresentado no Grá-fico 3 sobre castração ou esterilização de ani-mais com donos:
A sociedade precisa entender que possui res-ponsabilidade sobre estes animais, que a posse ou adoção responsável é dada com a
cons-cientização da população em relação às ne-cessidades de cuidados e atenção, e garantir o bem estar do seu animal.
As pessoas muitas vezes preferem comprar e não adotar, devido à comercialização desorde-nada de filhotes que não foram esterilizados, associada ao impulso da compra e modismo de determinadas raças.
Conforme apresentado no Grafico 4, pesquisa segundo o Ibope sobre a experiência de ter um animal de estimação:
Gráfico 4: Levantamento sobre abandono por mudança de en-dereço.
Fonte: Ipobe e Instituto Waltham, Matéria Revista Época (2016), desenho autoria própria.
IPOBE¹ - Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
A questão da responsabilidade foi analisada em levantamento do Ipobe e Instituto Waltlam, que questinou também os motivos pelos quais o tutor perdeu ou se desfez do seu animal, con-forme grafico à seguir.
Para o sucesso na questão de controle po-pulacional e redução de animais abandonados é necessário o envolvimento através da cons-cientização da população, além do incentivo e acesso através das mídias sociais, instituições públicas, e também um local para realização de acompanhamento e tratamento veterinário, segundo (MACHADO, s.d).
Gráfico 5: Levantamento circunstâncias perdeu o animal de es-timação.
Fonte: Ipobe e Instituto Waltham, Matéria Revista Época (2016), desenho autoria própria.
A solução para o problema tanto da superpopulação quanto do abandono parte da adoção do método humani-tário pelo Poder Público, caso anseie por reduzir, senão eliminar esses pro-blemas. O método humanitário consiste na realização de amplas campanhas de educação para a posse responsável, além da promulgação de
instrumentos legais que possam efetivar a proteção à fauna, específicos à posse responsável, além da implementação de um amplo programa de vacinação, esterilização dos animais errantes e mesmo daqueles cujos guardiões não desejem ou não possam abrigar mais crias, além de se efetuar o recolhimento visando, também, a adoção e tratamen-to médico-veterinário, e só recorrer à eutanásia humanitária para os casos de animais doentes graves ou, então, mui-to agressivos. (SANTANA, 2006, p. 26).
O bem-estar dos animais está ligado a um estado de harmonia com o ambiente em que habita. Segundo Ferreira (2009) existem fatores que influenciam no bem-estar como a saúde, necessidades e percepção do animal. A quali-dade de vida do animal pode ser afetada por traumas, estímulos físicos quanto ao ambiente, temperatura, luz, som, odor, comida e movi-mento, e estímulos psicológicos como conflitos, eventos ameaçadores, separação e isolamen-to. Estes estímulos podem ser tanto agradáveis ou aversivos, determinando assim o estado do animal, sendo o bem-estar um estado de equi-líbrio.
Para Hurnik (1988, p.170) “bem-estar animal é um estado ou condição de harmonia física e psicológica entre o organismo e seus ambien-tes.”
Por tanto as condições de bem-estar físico e mental segundo Grandin (2010), são:
- livre de fome - livre de desconforto
- livre de dor, maus-tratos e doenças
- livre para expressar seu comportamento ani-mal
- livre de medo e tristeza
Desta forma é importante entender o funcio-namento e compreender o comportamento dos animais com o ambiente. Este conhecimento também é importante para a criação de espa-ços que atendam as necessidades dos animais e dos profissionais envolvidos.
A comunicação dos animais é dada de ma-neiras diferentes, podendo ele se manifestar maior parte através da sua linguagem corpo-ral, que muitas vezes pode mostrar se o animal está com medo, assustado ou ansioso, no caso dos cães é geralmente quando o seu rabo está encolhido, postura abaixada e olhos voltados para baixo. Os gatos se comunicam através da sua cauda, na maior parte das vezes. (GRAN-DIN, 2010).
Os sentidos dos animais são diferentes dos seres humanos, um deles é a visão, sendo bem diferente de como os homens enxergam.
A coloração da visão dos animais é determina-da por células determina-da retina que são denominadetermina-das como cones (células responsáveis pela visão co-lorida), os cães e gatos possuem cones sensíveis para as cores Azul e Amarelo, possuindo uma visão dicromática. Já os humanos possuem sen-sibilidade para as cores Vermelho, Azul e Verde, sendo uma visão tricromática.(Henzel, 2014). Imagem 2, comparativa da visão do Homem com o dos Cães e Gatos:
2.3 BEM-ESTAR ANIMAL E
NE-CESSIDADES ESPACIAIS
“A única orientação que as pessoas têm para julgar se o ambiente é bom é o comportamento do animal, que nos dá uma noção de suas emoções”. (Gran-din;Johnsons, 2010, p.19)
Imagem 2: Relação capacidade de visão Homem- Cão/Gato. Fonte: Site Jungles Pet (2018)
A audição é um outro sentido em que nos animais age de forma diferente dos humanos, possuindo maior capacidade auditiva e sendo o principal meio de orientação da maior parte dos animais.
Segundo Castro (2012), é considerado um som extremamente agudo quando passa de 20 mil hertz, o que para os humanos é pratica-mente inaudível. Os cães podem ouvir até 45 mil hertz, já os gatos ouvem até 60 mil hertz. Imagem 3, comparativa da audição do Ho-mem com a dos Gatos:
É tão importante para os humanos e ainda mais para os animais, o olfato que os auxilia na busca por alimentos, conhecimento do local e também na busca de parceiros sexuais. O olfato dos gatos possuem 200 milhões de células olfativas que podem também auxiliá-los na volta para a casa, os cães possuem 300 mi-lhões de células, valores superiores a células ol-fativas nos humanos que possuem um valor de 5 milhões. Conforme Imagem 4 comparativa do orlfato do homem com o dos Cães:
Os pontos importantes a serem levados em conta quanto ao dimensionamento em um abri-go é um local adequado para o fornecimen-to de alimenfornecimen-to, os cuidados veterinários e de higiene, uma vez que os animais mamíferos, principalmente cães e gatos, possuem emoções e se comunicam através de diversas formas. Os abrigos têm como objetivo fornecer a am-bientação adequada para o animal, onde de-vem possuir espaços físicos compatível com sua rotina e necessidades, sendo elas divididas em 5 categorias:
Imagem 3: Relação audição Homem- Gato. Fonte: Super Interessante (2017) .
Imagem 4: Relação olfato Homem- Gato.
Fonte: Como os animais realmente enxergam o mundo- Super Interessante, Editora Abril, 2017.
Necessidades fisiológicas e
sensoriais
Alimentação adequada e realização de ativida-des promovem estímulos sensoriais através do olfato, visão, audição e tato.
Necessidades físicas e
am-bientais
Espaços que relacionam diferentes atividades como descanso, isolamento, higiêne e alimen-tação, necessitando promover ambientes confor táveis através de adequada ventilação, insola-ção, temperatura e umidade.
Necessidades
sociais Área que promova a interação e socialização entre os animais em sí e com pessoas.
Necessidades
comportamen-tais
Local para que o animal possa brincar e sociali-zar, expressando de forma natural seu compor-tamento.
Necessidades psicológicas e congnitivas
Estímulos sensoriais, psicológicos e sociais atra-vés de atividades de recreação, com a intenção de evitar tédio, ansiedade e frustração.
Devem ser levadas em consideração para o conforto, segurança e proteção dos animais a disposição de certas estruturas no abrigo como canis e gatis individuais e coletivos.
Os canis individuais: devem ser ocupados quando houverem fêmeas gestantes, com ni-nhadas, animais que não se adaptam com outros e possuam comportamentos agressivos, animais em tratamento, com doenças ou feri-mentos. Devendo possuir no mínimo uma área de 2m² coberta, e uma área aberta de no mini-mo 2,5m² para realizar exercicios, banho de sol e com visibilidade para fora do canil.
É necessário que possua área de descanso com cama confortável e espaço para potes para água e alimentação. Para maior conforto o canil individual deve ser localizado de modo a evitar insolação, chuva e vento, necessitando de temperatura mínima de 10°C e maxima de 26°C, e adequada iluminação e ventilação. Os canis coletivos: devem possuir área cober-ta, onde serão localizadas as camas e alimen-tação, servindo também de área de descanso. Possuir área aberta para banho de sol e reali-zação de exercícios.
Os gatis individuais: também devem priorizar o abrigo às fêmeas gestantes e com ninhadas, animais em recuperação, tratamento ou feri-dos. Deve também possuir uma área aberta para banho de sol, e a área fechada devendo possuir 2,2m² e necessitando de camas, pra-teleiras e espaço para alimentação. As caixas ou bandejas onde realizam suas necessidades devem se dispor longe das vasilhas de refeição. Em caso de disposição de gatil individual em corredor, devem possuir uma distância de 2 metros na circulação, e devem ser afastados vi-sualmente e acusticamente dos canis.
Os gatis coletivos: é necessário que possuam as áreas abertas e fechadas, com área de des-canso e de alimentação, e a área onde terão maior contato com a natureza e possam tomar banho de sol, devendo possuir boa ventilação. É importante a existência de objetos interati-vos, prateleiras, caixas, e a bandeja higiênica. Podendo um grupo possuir até 50 animais, ne-cessitando a separação por sexo.
Com as informações das necessidades dos cães e gatos e as possibilidades de ambientes é possivel projetar um local adequado com a intenção de promover o bem estar do animal.
Imagem 5: Canil Individual Fonte: O grito do bicho (2016). Imagem 6: Canil coletivo Fonte: Cachorro gato (sem data).
Imagem 6: Ganil Individual Fonte: Gatil de Treveri (2016). Imagem 8: Ganil coletivo
Fonte: Petaholic Hotel - Achdaily (2014).
R E F E R E N C I A L
P R O J E T U A L
3
3.1 REFERÊNCIA PROJETUAL DO TEMA 3.1.1 Centro de cuidado animal - Sul de Los Angeles
3.1.2 Centro de cuidado animal - Palm Sprin-gs
3.1.3 Petaholic Hotel
3.2 REFERÊNCIA PROJETUAL ARQUITETÔNI-CO
3.2.1 Centro de visitantes do Jardim Botânico de Naples
Uma das preocupações com o projeto, era a eficiência do edifício, o qual possui certificação LEED¹ Silver, tendo sido adotado medidas regu-lando a iluminação, controle de temperatura, ar interno e qualidade ambiental.
Materiais contrutivos reciclados e encontrados na região, áreas envidraçadas com material de baixa emissão. Utilização de painéis solares e clarabóias que facilitam na entrada de luz nos ambientes. O paisagismo foi projetado para que houvesse baixa manutenção, baixo consu-mo de água, e possibilitando sombreamento e insolação adequada em cada área.
A implantação do Centro e fluxos:
3.1.1 Centro de Cuidado Animal
Sul de Los Angeles
South Los Angeles Animal Care Center & Community Center
Arquitetos: RA-DA
Localização: Los Angeles, USA Ano: 2013
Área: 2.500m²
O Centro de Cuidado Animal localizado no Sul de Los Angeles, California, projetado pelos arquitetos do escritório RA-DA no ano de 2013, tem como prioridade criar um local adequado para abrigar animais resgatados, promover o tratamento necessário e dispor estes animais para adoção, para incentivar as adoções de animais é dado maior acesso e contato para a população.
Diferente da linguagem e estrutura de abrigos e canis existentes dispostos lado a lado com um corredor interno, onde muitas vezes gera gran-de estresse ao animal, foram projetados canis dispostos pelo terreno, com acessos pelos jar-dim projetado como uma alameda, com
vege-tação promovendo sombreamento e insolação necessária, e os canis e gatis com vista para esse ajardinamento, que a população percorre, conforme Imagem 10.
Este caminho tem intenção de fazer com que se torne um passeio, promovendo conforto, conta-to com a natureza e com os animais. Disposconta-tos desta forma, os animais possuem um contato com a natureza, com as suas áreas livres dos abrigos individuais ou coletivos, sendo menos estressante para o animal.
A localização do Centro foi escolhida por estar próximo a grande fluxo de pessoas, áreas re-sidenciais na região, de comércio e indústrias.
3.1 REFERÊNCIA PROJETUAL DO
TEMA
DESTAQUES:
CONCEITO DE CANIL
USO DA VEGETAÇÃO
ACESSO A POPULAÇÃO
EDIFÍCIO EFICIENTE
CONCRETO APARENTE
Imagem 9: Fachada Animal Services Center Los Angeles Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 10 Canis Animal Services Center Los Angeles Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 11: Edifício Animal Services Center Los Angeles Fonte: Archdaily, 2018. 16 17 20 12 13 9 8 2 5 4 3 10 11 19 18 14 15 7 3 Boulevar Abrigos individuais Área de socialização Higienização de veículos Área de soltura de filhotes Aviário
Área de soltura de filhotes Abrigos de Isolamento Área de treinamento Interação com o público Fluxo principal de pedestre
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Preparo e Pet shop Animais em quarentena Centro cirúrgico Área de atendimento Área para funcionários Isolamento de cães Estacionamento privativo Sala de eutanásia Transferência de animais Estacionamento ao público Fluxo secundário de pedestre
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 1 6
Imagem 12: Esquemas de fluxos e ambientes
Fonte: Archdaily (2008), com intervenções inseridas pela autora.
LEED¹ - Leadership in Energy and Environmental Design - Lide-rança em Energia e Design Ambiental
Resumo
- Criação de alamedas aos canis na área externa, integração do abrigo do animal à natureza
- Uso de fontes renováveis, edifício eficien-te
- Materiais utilizados, edificação térrea - Amplo acesso ao público, aos canis e áreas de socialização
Imagem 13: Croqui alameda canis Fonte: Autoria própria (2018).
3.1.2 Unidade de Cuidado Animal
Palm Spring
Palm Springs Animal Care Facility Arquitetos: Swatt e Miers Architects Localização: Califórnia, USA Ano: 2012
Área construída: 1.900m²
A Unidade de cuidado animal de Palm Sprin-gs é uma parceria público privada entre os voluntários, a população e a cidade. Era um empreendimento necessário na região, e só foi possível executá-lo devido a iniciativa e arreca-dação de fundos realizada nesta parceria. É um projeto realizado pelo escritório de arquitetura Swatt Miers Architects.
Está alocado em um terreno de 3 hectares na cidade de Palm Springs a 104km de Los Ange-les, no extremo oeste dos Estados Unidos, tem a intenção fazer o controle de animais, realizar o tratamento nos animais encontrados e doá--los. Em suas instalações possui canil interno e externo com áreas ajardinadas sombreadas, e os gatis, que são áreas convidativas e de acesso
ao público. Há também as áreas de socializa-ção, salas de treinamento e a área de atendi-mento médico. Com a intenção de integrar os canis e gatis com a natureza, fizeram janelas nos gatis onde os animais podem visualizar o que acontece na parte externa do edifício atra-vés de seus confortáveis abrigos, e os canis pos-suem contato com as áreas ajardinadas e as áreas de socialização.
O empreendimento possui setorização para diferentes tipos de animais: ala canina, ala fe-lina e animais menores. Esta divisão facilita no atendimento e cuidados dos médicos veteriná-rios, que ficam responsáveis por determinada ala. Com a intenção de atender as necessida-des da população, o centro possui um setor de apoio voltado a conscientização social
DESTAQUES:
CONCEITO DE GATIL
USO ILUMINAÇÃO NATURAL
EDIFÍCIO EFICIENTE
CONCRETO APARENTE
ARQUITETURA
Imagem 14: Fachada Palm Springs Animal Care
Fonte: Archdaily, 2018.
e técnicas de tratamento diversificadas.
O projeto foi realizado pensando na grande eficiência e baixo impacto que poderia ter, atre-lado a isso foi concebido para ser uma instala-ção LEED1, com classificação Silver, enfatizando o reúso e aproveitamento de água, sendo re-ciclada da estação de esgoto, revertida para a higienização das áreas dos animais e irrigar o jardim.
Por se localizar em uma área urbanizada po-rém cercada pelo deserto, sua arquitetura bus-cou uma linguagem que se integrasse com o meio, unindo uma estética árida da região com a modernidade do empreendimento, com a utilização de pilares de aço e fechamento em concreto aparente.
As áreas de abrigo dos animais possuem ma-teriais que proporcionam maior durabilidade, pelo fato de realizarem diversas limpezas. Os fluxos na edificação se dão em momentos de operação com o animal, o que proporcio-na maior privacidade e higiene para os aten-dimentos dos animais: a circulação do público em geral, que é atraída para atendimento ani-mal e para a entrega de animais; a circulação para o público de adoção, que realiza visita para conhecer os animais abrigados; de acesso após as aulas de incentivo ao cuidado animal, que o centro proporcional, conforme indicado na Imagem 17:
Imagem 17: Esquemas de circulações Palm Springs Animal Care Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 15: Gatis Palm Springs Animal Care Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 16: Vista externa gatis Palm Springs Animal Care Fonte: Archdaily, 2018.
Circulação do público
Circulação operacional de animais Circulação para adoção
Ciruclação após período de aula
37 38
LEED¹ - Leadership in Energy and Environmental Design - Lide-rança em Energia e Design Ambiental
A setorização do centro é dividida em áreas que dão suporte aos animais, área clinica de atendimentos e procedimentos, salas de aula onde são dadas instruções no cuidado animal e incentivo ao bem-estar, a área onde são re-alizadas as entregas dos animais, as áreas ad-ministrativas e lounge, e a área de adoção dos animais. Como apresentado na Imagem 18:
A distribuição dos abrigos e demais áreas de cada tipo de animal é separada através da retenção dos gatos e animais menores ou de cães, que estão em tratamento ou observação, a área de assistência de gatos ou de cães, onde são realizados procedimentos necessários, e a área de adoção dos gatos e animais menores e cães, onde recebem visitação para posterior adoção. Como apresentado na Imagem 19:
Imagem 18: Esquemas de fluxos I Palm Springs Animal Care Fonte: Archdaily, 2018.
Área de suporte animal Área médica/Clinica Sala de aula Área de entrega
Administração/Lounge/WCS e Guarda-Volume Adoção público / Recuperação
Imagem 19: Esquemas de fluxos II Palm Springs Animal Care Fonte: Archdaily, 2018.
Retenção/isolamento gatos e animais menores Assistência gatos
Adoção gatos e animais menores Adoção cães
Assistência cães
Retenção/isolamento cães
Imagem 20: Croquis referência Palm Springs Animal Care Fonte: Autoria própria (2018).
Resumo
- Atendimento a cães e gatos
- Gatis coletivos tipo vitrine, possibilitando os animais terem uma visão do exterior através de rasgos na fachada
- Integração dos abrigos à natureza com pro-ximidade à vegetação
- Rasgos na cobertura, integrando a vegeta-ção existente no edifício
- Iluminação natural utilizada a favor, promo-vendo menor consumo energético
-Edifício de baixo impacto, reuso da água plu-vial e tratamento de esgoto
- Fechamento em concreto aparente
- Cobertura ampla com inclinação, uso de pilares próximos às palmeiras, criando uma mescla, dando a impressão de haver vários troncos
- Setorização conforme espécies de animais - Fluxos e circulações variando em acesso ao público em geral, semi-público e privativo - Área didática, onde é promovida aulas de incentivo e aprendizado ao cuidado animal - Arquitetura está inserida no contexto do de-serto, materiais conversam com o entorno
3.1.3 Petaholic Hotel Pet
Petaholic Hotel
Arquitetos: SMS Design
Localização: Tapei City, Taiwan Ano: 2013
O projeto desenvolvido pelos arquitetos SMS Design e Feng-Chi Peng, em Yapei City em Taiwan no ano de 2013. Com a intenção de projetar um hotel para que cães e gatos pu-dessem se sentir em casa, mesmo quando seus donos viajam.
Com uma linguagem geométrica, para que os animais desfrutem da liberdade e brincadeiras com uma composição pop art com visual agra-dável, divertidos e suave.
A disposição dos alojamentos para os animais de estimação são confortaveis, espaçosos e possuem iluminação adequada, porém os ani-mais ficam maior parte do tempo na área de in-teração, onde possuem atrativos, brincadeiras e outros animais, uma espécie de parque infantil.
DESTAQUES:
CONCEITO DE GATIL
CONCEITO DE CANIL
ALUSÃO A MORADIA
ACONCHEGO AOS PETS
Imagem 5: Fachada Animal Services Center Los Angeles Fonte: Archdaily, 2018.
Resumo
Imagem 21: Petaholic Hotel Pet
Fonte: Archdaily, 2018. Imagem 22: Canis Petaholic Hotel PetFonte: Archdaily, 2018. Imagem 24: Gatil coletivo Petaholic Hotel PetFonte: Archdaily, 2018.
Imagem 25: Planta Baixa Petaholic Hotel Pet Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 25: Gatis individuais Hotel Petaholic. Fonte: Pinterest, 2018.
- Composição criativa dos gatis e canis - Busca por conforto ao animal, de manei-ra que se sinta em casa
- Aproveitamento de espaço, por ser um local pequeno e com a necessidade de abrigar cães e gatos separados
Imagem 27: Esquemas de composição Petaholic Hotel Pet Fonte: Pinterest, 2018.
Imagem 26: Croquis referência Pe-taholic Hotel Pet
Fonte: Pinterest, 2018.
42 41
3.2.2 Goodman Duque de Caxias
Refeitório e Área de Convívio Goodman Arquitetos: Paulo Bruna Arquitetos Associados Localização: Duque de Caxias, Rio de Janeiro Ano: 2017
Área: 860m²
O projeto busca oferecer espaços agradáveis para os funcionários dentro de um contexto in-dustrial, com a intenção de ser um edifício du-rável e que obtivesse uma linguagem de design elegante.
Foram criados espaços confortáveis e acon-chegantes com o uso de materiais industriais, mas que fugisse da frieza de uma arquitetura industrial. Foi implantada uma praça no interior do projeto, tornando-a um destaque, obtendo paisagismo agradável e sombreamento ade-quado em toda edificação, tem função também de privar os ambientes do seu exterior.
Foi utilizado estrutura metálica, com coloração da marca do cliente, que acabou criando essa linguagem que tornou a edificação elegante, inserida no contexto mata-industria e conver-sando com as edificações existentes.
DESTAQUES:
ARQUITETURA
ESTRUTURA METÁLICO
LINGUAGEM INDUSTRIAL
PRIVACIDADE PELO PAISAGISMO
3.2.1 Centro de Visitantes do Jardim
Botânico de Naples
Jardim Botânico de Naples Arquitetos: Lake e Flato Architects Localização: Naples, Flórida Ano: 2014
Ärea: 1.300m²
O Centro de Visitantes do Jardim Botânico de Naples foi desenvolvido pelo escritório Lake e Flato Architects, que criou este centro com a in-tenção da conscientização e conservação am-biental.
O centro possui pavilhões com materiais em madeira de cipreste, material local e que possui grande durabilidade, e se inserem no contexto na natureza, possui área para venda de ingres-sos, souvenirs, salas de exposição e lanchonete. Destaca-se a circulação através da natureza e os edifícios, que sobressaem e passam no meio de belos campos de flores, que proporcionam grande contato da população com a natureza. Foram adicionados brises de madeira nas cir-culações, que promovem adequada insolação e ventilação.
DESTAQUES:
USO DE BRISES
CONVIDATIVO
INSOLAÇÃO E VENTILAÇÃO
INSERÇÃO COM O ENTORNO
3.2 REFERÊNCIA PROJETUAL
ARQUITETÔNICO
Imagem 28: Jardim Botânico de Naples I Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 29: Jardim Botânico de Naples II Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 30: Paisagismo Goodman Duque de Caxias Fonte: Archdaily, 2018.
Imagem 31: Edifício Goodman Duque de Caxias Fonte: Archdaily, 2018.
44 43
ANÁLISE DA ÁREA
4.1 LOCALIZAÇÃO
4.2 ATENDIMENTO ANIMAL EM FLORIANÓ-POLIS
4.2.1 Locais de Atendimento em Florianópolis 4.2.2 DIBEA hoje 4.3 HISTÓRICO DA ÁREA 4.4 CONDICIONANTES LEGAIS 4.5 CONDICIONANTES GERAIS 4.5.1 Áreas Livres/Verdes 4.5.2 Equipamentos 4.5.3 Mobilidade Urbana 4.5.4 Uso e Ocupação do Solo 4.6 CONDICIONANTES LOCAIS 4.6.1 Aspectos Bioclimáticos 4.6.2 Paisagem
4.6.3 Terreno e Entorno Imediato
4
1 2 3 6 7 6 7 Lagoa da Conceição SC 401 A B C E F D terreno de estudo Bacia do Itacorubi
4.1 LOCALIZAÇÃO
CEPON¹ - Centro de Pesquisas Oncológicas IML² - Insituto Médico Legal
CCZ³ - Centro de Controle de Zoonoses
UDESC4 - Universidade do Estado de Santa Catarina
Continente Centro Agronômica Itacorubi Trindade Santa Mônica Parque São Jorge Córrego Grande João Paulo CEPON IML Auto Elétrica CCZ Jardim Botânico UDESC4 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B C D E F
A área de estudo situa-se no setor centro-o-este insular da cidade de Florianópolis, San-ta CaSan-tarina, dentro da Bacia Hidrográfica do Itacorubi. Possui proximidade com os bairros João Paulo, Córrego Grande, Santa Mônica e Trindade, os quais juntamente com o Itacoru-bi, Serrinha, Lagoa da Conceição e Pantanal, formam parte da Bacia Hidrográfica do Itaco-rubi.
O local proposto para implementação do projeto possui uma área de aproximadamen-te 7.857m² e peraproximadamen-tence ao governo do Estado. Possui uma vegetação exótica e densa.
Adjacente ao terreno estão o CEPON¹ e uma empresa privada, Auto Elétrica Possenti, e aos fundos o IML². Possui proximidade também com CCZ³ de Florianópolis, o cemitério mu-nicipal e Hotel Mercure no bairro do Itacorubi.
BACIA DO ITACORUBI BAIRRO DO ITACORUBI
FLORIANÓPOLIS
Através da Imagem 33 é possível visualizar os bairros próximos, e as principais instituições e edificações adjacentes ao terreno de estudo no bairro do Itacorubi:
LEGENDA: N
N N
Para a escolha do local, foi levado em consideração a localização, priorizando a proximidade com o centro da cidade e o fácil acesso por estar localizado na Rodovia Admar Gonzaga.
Possui proximidade com o CCZ de Florianópolis, próximo ao Jardim Botânico da cidade e a grande área residencial, e sua dimensão é adequada para suprir a necessidade do projeto que será proposto.
Imagem 32: Imagens localização Fonte: Prefeitura de Florianópolis, 2018.
Imagem 33: Imagem bairros próximos. Fonte: Google Maps, 2018.
Imagem 34: Imagem terreno e condicionantes Fonte: Fonte própria, 2018.
4
5
48 47
Lagoa da Conceição
terreno de estudo
Com o crescimento da cidade e da população em Florianópolis, consequentemente houve o aumento de animais, tanto nas famílias como nas ruas. Na década de 90, diante do número cada vez maior de animais nas ruas, a Prefei-tura da cidade sentiu a necessidade de realizar um controle através do recolhimento dos ani-mais, exterminando-os através da realização da eutanásia e despejo dos animais mortos em locais pouco habitados na Ilha, porém não era a melhor solução.
Em dezembro de 2001 foi criada a Lei Com-plementar Municipal N- 94 - Dispõe Sobre o Controle e Proteção de Populações Animais, com a intenção de dar outras providências no controle de animais de rua e prevenção ao contágio de doenças transmissíveis dos animais aos humanos.
Em 2009 foi criado o Centro de Zoonoses de Florianópolis, com a intenção da prevenção do contágio de doenças dos animais aos humanos, e controle de natalidade de animais de rua.
4.2.1 Locais de Atendimento em
Flo-rianópolis
O atendimento animal em Florianópolis é re-sumido a clínicas veterinárias particulares, ape-nas um hospital veterinário particular localiza-do na área continental, e o DIBEA e o CCZ da cidade que realizam atendimentos ao público, porém só para a população de baixa renda. Próximo ao bairro do Itacorubi podem ser en-contradas poucas clínicas veterinárias, e ape-nas 2 das clínicas dentro da Bacia do Itacorubi possuem atendimento 24horas, somente parti-cular.
Com isso a população possui grande neces-sidade de um local que possibilite atendimento aos seus animais de estimação adequado, 24 horas e público.
Hospital veterinário
4.2 ATENDIMENTO ANIMAL EM
FLORIANÓPOLIS
4.2.2 DIBEA hoje
Atualmente o Centro de Bem Estar Animal em Florianópolis localiza-se junto ao Centro de Zoonoses do município no bairro Itacorubi, onde possui capacidade de abrigo de até 130 animais. São realizados apenas o recolhimento de animais vítimas de maus-tratos, de animais nas ruas em situação crítica e atendimento ve-terinário apenas para a população de baixa renda.
Possui como foco a realização de castração dos animais destas famílias e dos animais de rua, com a intenção de evitar o aumento da natalidade.
Devido à limitação de espaço e de infraes-trutura, o DIBEA conta apenas com um centro cirúrgico, onde pode realizar apenas uma mé-dia de 24 castrações por mé-dia, os canis não são adequados, o setor dos animais em tratamento ou que possuam alguma doença contagiosa não está devidamente separado dos demais, de maneira geral as edificações não são ade-quadas para o uso apesar das adaptações re-alizadas.
Os casos que necessitam maiores cuidados são encaminhados para o Hospital Veterinário Florianópolis, localizado no Estreito, onde pos-suem parceria para estas situações, uma vez que atendimento do Hospital é particular.
Pelo fato do Centro de Zoonoses ser no mesmo terreno, as acomodações do DIBEA são limita-das dificultando assim uma reforma do centro na sua localidade atual, uma vez que o acesso é complicado por se dar por uma via de tráfego intenso.
Imagem 36: Fotos DIBEA Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 38: Foto centro cirúrgico DIBEA Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 37: Foto centro cirúrgico DIBEA Fonte: Autoria Própria, 2018.
LEGENDA:
N
DIBEA/CCZ Clínica veterinária Imagem 35: Imagem atendimentos regiãoFonte: Fonte própria, 2018.
42 No século XVIII os imigrantes chegavam a Ilha
de Santa Catarina, sendo dada a ocupação através da beira do mar para o interior da ilha, desta forma foram sendo criados novos povoa-dos que acabavam delimitando alguns bairros da cidade, um deles seria o Itacorubi.
Com o passar do tempo a região se tornava uma área agrícola, como por exemplo no Mor-ro do Quilombo onde localizavam-se as plan-tações de café e produção de carvão.
A partir de 1925 o bairro começou a sofrer modificações, com a implantação do Cemitério Municipal no Itacorubi. Já em 1960 as carac-terísticas rurais ainda eram presentes, porém com a implantação de órgãos públicos ligados à gestão da agropecuária até 1962 e em segui-da a instalação do CETRE¹ em 1964.
Em meados de 1970 e 1980 o bairro rece-beu a sede da Secretaria de Agricultura, que em 1986 formou a EPAGRI2. No bairro ao lado foi implantada a UFSC, a qual despertou certo movimento de fluxos em direção ao Itacorubi e contribuiu para um intenso processo de ex-pansão e urbanização. Começando assim a atrair interesse de outros órgãos para a loca-lidade, como a TELESC3 em 1976 e a UDESC4 em 1979.
Na década de 80 foram realizadas diversas obras de sistema viário, como o aterro da Baía Sul e a Ponte Colombo Salles, que facilitou o acesso Ilha-Continente, a via de Contorno Nor-te reduziu o Nor-tempo de percurso entre o centro e bairros vizinhos em direção ao Norte da Ilha em 1982.
4.3 HISTÓRICO DA ÁREA
CETRE¹ - Centro de Treinamento da Epagri
EPAGRI² - TELESC³ - UDESC4 - Universidade do Estado de Santa Catarina
1938
1977
1994
2003
2009
2018
1925
Transferência do Cemitério Municipal para o bairro do Itacorubi
1960
Instalação de órgãos públi-cos ligados a agricultura 1958
Implantação do lixão da cidade
1976-79
Inuguração TELESC, CCA - UFSC e UDESC
1982
Conclusão da obra no sis-tema viário de acesso ao norte da Ilha
2000
Início de maior ocupação no bairro do Itacorubi
2016
Inauguração do Jardim Botânico
2010
Período de maior verticalização no bairro do Itacorubi 2008 Implantação do Centro de Controle de Zoonoses no bairro do Itacorubi 1990 Desativação do Lixão e Instalação da CE-LESC
Imagem 39, 40 e 41-Imagem aérea de 1938, 1977 e 1994 do
Itacorubi Fonte: Geoprocessamento (2018) Imagem 42, 43 e 44-Imagem aérea de 2003, 2009 e 2018 do Itacorubi Fonte: Google Earth (2018)
O momento de maior ocupação e construção no bairro foi por volta dos anos 2000 a 2010, como pode ser observado nas Imagens 42 e 43. Foi realizado investimento para acessos ao leste e norte da ilha, o que proporcionou gran-de crescimento e gran-desenvolvimento no bairro do Itacorubi, principalmente no setor imobiliário e da construção civil, além da valorização de terras.
Consequente ao crescimento ocorreram ocu-pações irregulares em APP, em encostas e áreas ciliares próximas ao manguezal.
Segundolevantamento do IBGE de 2010, a população da Bacia do Itacorubi têm número próximo de 45 mil habitantes, e pelo fato de possuir diversos órgãos e atividades adminis-trativas a população flutuante é cerca de 90 mil pessoas/dia.
O plano diretor vigente estabelece a intensa verticalização no bairro, afetando diretamente a mobilidade urbana, saneamento e distribui-ção de recursos da região.
É possível visualizar nas imagens aéreas da porção norte do bairro do Itacorubi retiradas do Geoprocessamento da Prefeitura de Floria-nópolis e Google Earth, a grande ocupação no bairro.
Pode ser notado a divisão dos lotes rurais e construção de novas edificações entre os anos 1938 e 1977. As áreas de encosta sofreram grande ocupação após 1994, onde o bairro ja estava se consolidando.
Devido ao grande número de moradias e pelo bairro ficar localizado próximo ao centro da ci-dade, locais onde pudessem abrigar animais possuem fraca expansão comparado a grande necessidade da região.
A elaboração do projeto será realizada de acordo com o Plano Diretor de Florianópolis em vigência, conforme Lei Complementar Nº 482/2014. Segundo o Plano Diretor, o zonea-mento da área em que encontra-se o terreno é classificado como uma ACI¹ “destinada a todos os equipamentos comunitários ou aos usos ins-titucionais, necessários à garantia do funciona-mento dos demais serviços urbanos” segundo o Plano Diretor da cidade.
Ainda segundo o Plano Diretor Art. 54 “Os li-mites de ocupação das Áreas Comunitárias Ins-titucionais são os definidos pelos zoneamentos adjacentes”.
Sendo assim adotadas as condicionantes para o terreno seguindo os limites dos zoneamentos vizinhos apresentados na Tabela 01, os parâ-metros de AMC² 6.5.
O Plano Diretor propõe melhoria na mobili-dade urbana com ligações sob o Manguezal da Av. Beira Mar Norte, no limite do bairro Santa Mônica em direção à Rod. Admar Gonzaga, e outra ligação da Av. da Saudade e o elevado do Itacorubi com esquina da Rod. Admar Gon-zaga.
Também é estabelecido um novo e necessário acesso entre a Rod Admar Gonzaga e a Rua Pastor William Richard Schisler Filho, que será localizada a lateral Oeste do terreno de projeto. Este novo acesso terá grande importância, e pretende reduzir e facilitar o acesso entre a Rod Admar Gonzaga e a Rua Pastor William Richard, pois atualmente existe somente dois acessos, com distância de 800 metros, e o que dificulta a circulação principalmente para os pedestres.
Deve ser considerado um novo e adequado eixo de acesso, possibilitanto fluxo de veículos, pedestres, ciclistas e principalmente facilite o acesso ao Projeto da proposta e ao atual edifí-cio do IML³. ACI ACI ACI AMC 6,5 ARM 5,5 ARM 5,5 ARP 2,5 APP APL ARM 5,5 APP AMC 6,5 ARM 5,5 ARP 2,5 ACI
4.4 CONDICIONANTES LEGAIS
4.5.1 Áreas Livres/Verdes
A Bacia Hidrográfica do Itacorubi possui algu-mas áreas verdes e parques que não possuem conexão entre si, podem ser visualizados na Imagem 46.
Descata-se o Parque Linear do Corrego Gran-de, o Manguezal do Itacorubi e o Jardim Botâ-nico sendo este último mais próximo ao terreno de estudo.
4.5.2 Equipamentos
Através de análise realizada e demonstrada na Imagem 46, pode-se notar a presença de centros de ensino distribuídas ao longo do bair-ro, também é possível perceber apenas dois pontos onde possui centro de saúde e apenas um posto policial que é localizado próximo ao bairro do Santa Mônica.
4.5.3 Mobilidade Urbana
O sistema viário do bairro é um dos grandes problemas da região, pois é ineficiente para o fluxo de veículos que percorrem o local diaria-mente.
Devido ao crescimento do bairro e seu proces-so histórico de ocupação do interior dos lotes e desmembramentos foram sendo criados de ruas para acesso a estas moradias, possuindo acesso único pelas vias principais.
A calçada em determinadas partes da via prin-cipal possuem larguras adequadas, porém um pouco deteriorados e não estão em um estado de conservação apropriado.
O fluxo de transporte público na região é in-tenso, e possui fácil acesso ao terreno de pro-jeto, possuindo parada aproximadamente 50 metros pela Rod. Admar Gonzaga, em frente ao CEPON¹.
4.5 CONDICIONANTES GERAIS
ACI¹ - Área Comunitária / Institucional AMC² - Área Mista Central
IML³ - Instituto Médico Legal
APP - Área de Preservação Permanente APL - Área de Preservação - uso limitado ARP - Área Residencial Predominante ACI - Área Comunitária/Institucional AMC - Área Mista Central
ARM - Área Residencial Mista
LIMITES DE OCUPAÇÃO DO TERRENO Área Número de
Pavimentos AproveitamentoÍndice de OcupaçãoTaxa de AMC
6.5 6 3,36 50%
Tabela 1 - Limite de Ocupação AMC 6,5
Imagem 45 - Zoneamento da região
Fonte: Informações Geoprocessamento, autoria própria 2018.
Centros de Educação Centros de Saúde Posto Policial Áreas Verdes LEGENDA: LEGENDA:
CEPON¹ - Centro de Estudos e Pesquisas Oncoló-gicas
Imagem 46 - Áreas Verdes e Equipamentos Fonte: Autoria própria, 2018.
N N Via Projetada LI 013 TR - SC 404(1) 54 53 Terreno
Lagoa da Conceição UFSC Santa Mônica Centro Centro Norte da Ilha
4.5.4 Uso e Ocupação Territorial
A ocupação do bairro pode ser analisada no Imagem 53, pode-se verificar que as edifica-ções residenciais se localizam mais na região da encosta do morro, e margeando a Rod. Ad-mar Gonzaga nota-se edificações com maior densidade.
A ocupação da região foi condicionada pelas áreas de preservação, como o manguezal e os morros em APP1, dos quais derivam o traçado irregular da região.
Esta configuração da ocupação se dá devido a histórica evolução de diferentes classes sociais. Sendo as áreas mais próximas da rodovia sen-do mais valorizada, e as áreas de encosta me-nos privilegiadas.
Em análise a região pode se perceber os dife-rentes usos, podendo ser tanto residenciais, ins-titucionais e comerciais que localizam-se mais próximos à rodovia, conforme Imagem 55.
Coletoras Sub coletora Trânsito rápido Arteriais Linhas de acesso ao norte da Ilha n° 233 Linha de acesso ao leste da Ilha n° 330 Linhas de acesso ao centro n°104, 150 e 177 Pontos de ônibus LEGENDA:
Imagem 47 - Sistema viário da região do Itacorubi e bairros ad-jacentes
Fonte: Prefeitura de Florianópolis, alterações próprias, 2018. Imagem 48 - Linhas e pontos de ônibus na regiãoFonte: Prefeitura de Florianópolis, alterações próprias, 2018. N
É possível verificar as áreas de vazios no bairro estão localizadas nos lotes pró-ximos as instituições existentes, o Jardim Botânico e as áreas de encosta. Sendo ao longo da rodovia a ocupação por cons-truções de maior porte, e as conscons-truções menores mais afastadas da rodovia. Os vazios do bairro conforme a Imagem 53 são localizados as áreas de preserv-ção, que são compostas pelo Manguezal do Itacorubi e as áreas de encosta.
Imagem 53 - Imagem cheios e vazios no bairro do Itacorubi Fonte: Autoria própria, 2018.
N
APP¹ - Área Comunitária / Institucional
N
LEGENDA:
Imagem 49 - Imagem frontal terreno de estudo. Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 50 - Imagem frontal terreno. Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 51 - Ponto de ônibus em frente ao CEPON Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 52 - Ponto de ônibus em frente ao Hotel Mercure Fonte: Autoria própria, 2018.
4.6 CONDICIONANTES LOCAIS
4.6.1 Aspectos Bioclimáticos
Os ventos predominantes na região são o ven-to norte e nordeste com maior frequência du-rante o ano, possuindo o vento sul também me-nos frequente porém possui maior intensidade. Conforme analisado, o terreno do projeto possui barreira natural através do morro para os ventos norte e nordeste, e quanto ao vento sul é barrado pelas edificações com maior ga-barito localizadas ao sul do terreno.
A incidência solar é adequada, não possuindo barreiras, tanto no nascer quanto no por-do--sol, as edificações adjacentes possuem poucos pavimentos, não interferindo assim na insola-ção.
4.6.2 Paisagem
O terreno possui alguns desníveis, possuindo um ponto mais alto onde pode chegar à 5 me-tros da lateral do lote que dá acesso a Rod. Ad-mar Gonzaga. Possui vegetação densa, porém não é nativa.
A variação de alturas nas edificações lindeiras ao terreno é pequena, são construções com nú-mero maximo de 6 pavimentos. Ao sul do ter-reno, porém no lado oposto a Rodovia, possui grande número de edifícios com o térreo co-mercial e os pavimentos superiores residenciais, que possuem uma média de 9 pavimentos. A região possui como principal visual o morro do Quilombo, que margeia parte do bairro, e localiza-se próximo ao terreno. Através do ter-reno é possível visualizar pouco o morro, uma vez que a região mais próxima onde o morro fica do terreno possui menor relevo, e sua pai-sagem é interferida devido a alguns empreen-dimentos a leste do terreno que possuem maior gabarito. Comercial Misto Residencial Institucional LEGENDA:
Imagem 55 - Imagem usos no bairro do Itacorubi Fonte: Autoria própria, 2018.
N Imagem 54 - Elevações entorno terreno
Fonte: Autoria própria, 2018.
As edificações na região possuem variações no seu gabarito, mas de modo geral o bairro possui uma média de 6 pavimentos, pois há regiões onde possuem edificações residenciais unifamiliares com até 2 pavimentos, ao longo da Rodovia possui alturas de até 9 pavimentos, porém uma região mais ao sul do terreno de projeto possui um núme-ro de pavimentos maior que maior parte do bairro, possuindo até 12 pavimentos. VENTOS PREDOMINANTES TRAJETO SOLAR ACESSOS PRINCIPAIS Área de Preservação Lazer e Recreação
Com o considerável número de instituições, o bairro possui grande número de área de áreas públicas, onde inclui área institucional e áreas verdes livres, que estão presentes linearmente pelo bairro, sendo classificadas as instituições tanto públicas como privadas e de ensino, e as áreas verdes livres se encontram praças, par-ques e vazios com potencial implantação de áreas de lazer.
Imagem 56 - Aspector bioclimáticos no terreno Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 57 - Imagem paisagem morro Fonte: Autoria própria, 2018.
4,00 3,00 6,00 2,00 3,00 4,00
5,75 3,00 7,00 4,00 7,00 2,00 2,50 3,00 4,25
1,00
TR-SC-404(1) Perfil Via Proposta Trecho 1 Rod. Admar Gonzaga
LI - 013 Perfil Via Proposta Lateral Oeste Terreno
4.6.3 Terreno e Entorno Imediato
O terreno de projeto possui área de 7.857m², e há uma projeção de via em sua lateral oeste, denominada em LI-013, o que ocuparia uma área de 18m necessária para afastamento. Já para adequação da via com a configuração de via TR-SC-404(1) na lateral sul do terreno com a Rod Admar Gonzaga segundo o Plano Diretor de Florianópolis TR-SC-404 (1) , é necessário um afastamento de 8 metros.
59 60
Imagem 58 - Imagem entorno imediato Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 59 - Imagem perfil via LI-013 Fonte: Autoria própria, 2018.
Imagem 60 - Imagem perfil via TR-SC-4040(1) Fonte: Autoria própria, 2018.
CEPON CEMITÉRIO IGP CCZ e DIBEA JARDIM BOTÂNICO
Rod. Admar Gonzaga
Via P rojetada 62m 60m 127m 131m N
Rod. Admar Gonzaga
Via P
rojetada
62m
60m
131m
127m
ÁREA TERRENO
7.857m²
Atingimento viário
Curvas de Nível
Via Projetada
Perfil LI - 013
Rodovia
Perfil TR-SC-404(1)
Imagem 61 - Imagem Atingimento Viário e Curvas de Nível
Fonte: Autoria própria, 2018.