Ação de Consignação em
Pagamento
Legitimidade ativa na Repetição do
Indébito
Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos:
I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória;
II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal;
III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador.
§ 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. § 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis.
Sobre o direito de pagar
É o meio pelo qual o sujeito passivo tem condição de exercer o
direito de pagar o tributo e, com isso, obter a extinção do crédito
É causa de Extinção do Crédito Tributário
“... O depósito em consignação é modo de extinção da obrigação,
com força de pagamento, e a correspondente ação consignatória
tem por finalidade ver atendido o direito – material – do devedor
de liberar-se da obrigação e de obter quitação. Trata-se de ação
eminentemente declaratória: declara-se que o depósito oferecido
liberou o autor da respectiva obrigação.” (STJ, AgRg no Ag
Legitimidade ativa da ação
Tem legitimidade ativa para a ação o sujeito passivo da obrigação tributária (contribuinte ou responsável tributário).
O Novo CPC, nos artigos 539 a 549 trata da Consignação e os regramentos do CPC são usados subsidiariamente ao CNT
Não é ação hábil para discussão do
crédito
“AÇÃO CONSIGNATÓRIA. DIREITO A PARCELAMENTO. OFERECIMENTO DE MONTANTE INFERIOR AO EXIGIDO. DESCABIMENTO. O objetivo da consignação em pagamento é liberar o credor, não assumindo eficácia constitutiva do próprio título que fundamente o pagamento parcelado. O cabimento da ação consignatória, em matéria tributária, é restrito às hipóteses previstas no art. 164 do CTN, não se prestando tal via processual à discussão do montante do tributo devido.”
A Recusa do Recebimento
Art. 164, I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória;
“CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO DE TRIBUTO. ART. 164 DO CTN. POSSIBILIDADE... 2. O acórdão a quo julgou procedente ação de consignação em pagamento objetivando efetuar em separado o
pagamento da Taxa de Coleta de Resíduos, cobrada na mesma guia do IPTU, tendo em vista que este tributo foi depositado
judicialmente, em ação declaratória de inconstitucionalidade. 3. É correta a propositura da ação consignatória em pagamento para fins de o contribuinte se liberar de dívida fiscal cujo pagamento seja recusado ou dificultado pelos órgãos arrecadadores – arts. 156, VIII, e 164 do CTN. 4. Tem-se por legítima a consignação em pagamento de tributo que o Fisco se recusa a receber sem que esteja acompanhado de obrigação acessória.” (STJ, 1ª T., AgRg no Ag 767.295/MG, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, set/06)
“CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRECEDENTES. 1. É correta a propositura da ação consignatória em pagamento para fins de o contribuinte se liberar de dívida fiscal cujo pagamento seja recusado ou dificultado pelos órgãos arrecadadores – arts. 156, VIII, e 164, do CTN. 2. Tem-se por legítima a consignação em pagamento de tributo que o Fisco se recusa a receber sem que esteja acompanhado de obrigação acessória. (...).” (STJ, 1ª T., REsp 496.747/SC, Min. José Delgado, abr/03)
Subordinação
Art. 164, II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal;
“... embora, a contrario sensu, o item pareça permitir que a autoridade possa fazer exigências com fundamento legal (no sentido de condicionar o recebimento do tributo), é preciso lembrar que o inciso anterior veda a recusa fundada na exigência de cumprimento de obrigação acessória (que, supõe-se, tenha fundamento legal). Sobrarão, portanto, poucos motivos (legais) para que a autoridade recuse o pagamento, já que eles estarão limitados às formalidades legais inerentes ao pagamento (p. ex., local em que a obrigação deva ser satisfeita, cumprimento de eventual requisito legal para pagamento em cheque, modo de pagamento por selo etc.).” (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. Saraiva, 15ª ed., 2009, p. 394)
Dúvida quanto à cobrança
Art. 164, III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador.
Dúvida quanto à cobrança (ISS x ICMS)
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DÚVIDAS SOBRE O TRIBUTO: ISSQN OU ICMS E SOBRE O ENTE TRIBUTANTE: ESTADO OU MUNICÍPIO. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. 1. "Não obstante o entendimento doutrinário no sentido de admitir a ação de consignação em pagamento, com base no art. 164, III, do CTN, apenas quando houver dúvida subjetiva em relação a entes tributantes que possuam a mesma natureza (Estado contra Estado e Município contra Município) (...), a doutrina majoritária tem admitido a utilização da ação mencionada quando plausível a incerteza subjetiva, mesmo que se trate de impostos cobrados por entes de natureza diversa." (REsp 931.566/MG, 1ª T., Min. Denise Arruda, Dje de 07/05/2009). 2. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, REsp 1160256 – Min TEORI ALBINO ZAVASCKI - PRIMEIRA TURMA. DJe 12/08/2011)
ISS local do serviço x ISS sede do
prestador
“Entendemos ser possível... o ajuizamento de ação consignatória, com o objetivo de que o Judiciário fixe a competência tributária relativa ao ISS sobre os serviços prestados à consulente. Esta iniciativa garantiria que a interpretação dada pela consulente à questão da sujeição ativa do imposto – se do Município do Rio de Janeiro ou do Município em que localizado o prestador – não seja posteriormente desconsiderada por um dos entes tributantes, evitando-se eventuais cobranças em duplicidade...” (FERRAZ, Diogo; FILIPPO, Luciano Gomes. Legalidade/Constitucionalidade do Cadastro de Empresas Prestadoras de Outros Municípios – Cepom/RJ. RDDT 156, set/08, p. 134)
A Consignação não admite discussão
sobre o valor devido
Art. 164, § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar.
Em matéria tributária, a ação não server para discutir o valor do montante devido, uma vez que não consta nas hipóteses do art. 164, CTN
“O § 1º restringe o cabimento da ação, cujo objeto é pagar e não discutir a legalidade ou a constitucionalidade da exigência. A dúvida objetiva, real e atual, sobre ser devido ou não o tributo não cabe na augusta via da ação consignatória fiscal. O caso seria de ação declaratória.” (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro.Liminares e Depósitos Antes do Lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição, 2ª ed., Dialética, 2002, p. 36)
A Consignação não admite discussão
sobre o valor devido
“AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. IPTU. DISSENSO SOBRE O VALOR DO TRIBUTO E NÃO SOBRE A RECUSA OU SEU MOTIVO. VIA JUDICIAL ELEITA INADEQUADA. ART. 164 DO CTN. INTERPRETAÇÃO. [..] 3. No caso presente não se constata a negativa de recebimento dos valores por parte do Fisco nem a imposição de obrigações administrativas ilegais, ou a exigência de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador por mais de uma pessoa de direito público. Trata-se apenas de pretensão de discutir o próprio valor do tributo questionado, socorrendo-se, para tanto, da ação consignatória. 4. Inocorrentes as hipóteses taxativamente previstas no art. 164, incisos I, II e III, do CTN, que dão supedâneo à propositura da ação consignatória, há de se reconhecer a inadequação da via eleita. 5...” (STJ, 1ª T., Resp 685.589/RS/ Min. José Delgado, fev/05)
Procedência e Improcedência
§ 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa
efetuado e a importância consignada é convertida em renda;
julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra-se
o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades
Depósito do valor
O Depósito acaba por ser um requisito na propositura da ação. Art. 542, CPC. Na petição inicial, o autor requererá:
I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de 5 (cinco) dias contados do deferimento, ressalvada a hipótese do art. 539, § 3o;
(...)
Parágrafo único. Não realizado o depósito no prazo do inciso I, o
Cabe tutela?
O depósito tem a função de suspender a exigibilidade (151, II, CTN), tornando desnecessária e descabido o pedido e Tutela, a menos que a ação seja combinada com pedidos de outras naturezas
A contestação
Art. 544. Na contestação, o réu poderá alegar que:
I - não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa devida;
II - foi justa a recusa;
III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento; IV - o depósito não é integral.
Parágrafo único. No caso do inciso IV, a alegação somente será admissível se o réu indicar o montante que entende devido.
Pedidos
- Pedido de Procedência da Ação para extinção do crédito tributário - Pedido de Conversão em renda da Fazenda competente
Contatos
Professor Rubens Kindlmann
@kindlmann