Evangelina Barbosa Administradora de insolvência
______________________________________________________________________________________________ ---Janeiro/2011--- _______________________________________________________________________________________
Escritório: Urb. Quinta do Aparício / Rua Dr. José António P.P. Machado, nº 213, 1º Andar - Sala nº 4, 4750 – 309 Barcelos Web: www.evangelinabarbosa.pt; E-mail: [email protected]; [email protected]
Telefone: 96 56 18 528 Fax: 253/100590
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Processo nº 3204/10.1 TBBCL – 4º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Barcelos Relatório da administradora de insolvência (art.º 155º do CIRE) Insolvente: Urbipóvoa – Investimentos Imobiliários, Lda.
RELATÓRIO DA ADMINISTRADORA DE INSOLVÊNCIA
(elaborado nos termos do art.155º do C.I.R.E.)
Notas prévias:
Visita efectuada à sede da insolvente em 03-12-2010
Publicação do extracto do anúncio na Imprensa Nacional Casa da Moeda em 20.12.2010 Reunião realizada com o administrador da insolvente e seu Ilustre Mandatário em 22.12.2010
1. URBIPÓVOA – INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS, LDA. NIPC: 501.194.339
DATA CONSTITUIÇÃO: 29-09-1981
NATUREZA JURÍDICA: Sociedade por Quotas
SEDE: Avenida Alcaides de Faria, nº 377, 1º andar, 4750-106 Barcelos.
OBJECTO: Construção Civil, compra e venda de prédios rústicos e urbanos e direitos prediais, bem como a revenda dos
adquiridos para esse fim
CAE Principal: 68100-R3 SÓCIOS
António de Jesus Loureiro Gonçalves – QUOTA: € 3.000,00 Maria José Pedroso de Carvalho – QUOTA: € 500,00 Maria Isabel Carvalho Gonçalves – QUOTA: € 1.500,00
GERÊNCIA
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2. ACTIVIDADE A QUE SE DEDICOU NOS ÚLTIMOS 3 ANOS E PRINCIPAIS CAUSAS DA SITUAÇÃO ACTUAL
- Artigo 155ª, nº 1, alínea a) do CIRE –
- Análise dos elementos incluídos no documento referido no artigo 24ª, nº 1, alínea c) do CIRE-
A – Actividade
A insolvente é uma sociedade comercial, com a natureza jurídica de sociedade por quotas, matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Barcelos, em actividade desde 29 de Setembro de 1981.
O seu objecto consiste na construção civil, compra e venda de prédios rústicos e urbanos e direitos prediais, bem como a revenda dos adquiridos para esse fim, actividade que exerce desde a sua constituição até à presente data, sendo que “ao longo dos anos
passou por fases de desenvolvimento e estabilidade económico-financeira (…) apresentando um crescimento sustentado, chegando a empregar cerca de oito trabalhadores.”
Contudo, “a crise do sector da construção civil começou a fazer-se sentir, levando a subcontratar todas as fases de execução das
obras e rigoroso controlo das despesas, tudo no sentido de a adaptar às novas realidades (…) que não obstante dos esforços feitos, viu-se a empresa confrontada com uma retracção generalizada da actividade imobiliária, nomeadamente, na impossibilidade de vender parte das fracções do imóvel, em fase de construção, a preços de mercado e, também, por parte da banca e dos fornecedores na concessão de crédito.”
Pela leitura dos relatórios de gestão da insolvente referentes aos seus últimos três anos de actividade, conclui-se que a insolvente vem, desde 2007, a acarretar elevados custos, desde logo:
No Relatório de Gestão de 2007 em Apreciação Global de Gestão:
“O exercício de 2007 apresentou um resultado líquido negativo. Na evolução da estrutura de custos destacam-se três grandes
rubricas: Custos financeiros; Mão-de-obra Interna e Subcontratos/Materiais.”
No Relatório de Gestão de 2007 e 2008 em Evolução dos Custos:
“É de salientar o forte acréscimo dos encargos financeiros que resultam de financiamentos bancários assumidos para fazer face à construção do edifício.”
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Embora as expectativas da insolvente fosse de que a evolução dos negócios sociais fosse num sentido positivo, compensando assim os elevados custos que tem vindo a acarrear, conforme o referido no Relatório de Gestão de 2008 “é nosso entendimento
que a evolução dos negócios sociais será num sentido positivo (…) o esforço de redução dos custos será continuado, de modo a que atinjamos os objectivos da sociedade, isto é, melhorar a rentabilidade dos capitais próprios. Para dar cumprimento aos objectivos propostos contamos, para além dos esforços internos, com a evolução da actividade económica nacional” o certo é que
com a forte conjuntura económica que se prostrou sobre o sector da construção civil, aliada à forte concorrência, levou a insolvente a uma situação de ruptura financeira, referindo agora no seu Relatório de Gestão de 2009 no ponto 5. “Evolução
Previsível da Sociedade”, que “é nosso entendimento que a evolução dos negócios sociais será no sentido da estagnação”.
A insolvente, não conseguiu assim compensar os elevados custos financeiros, mão-de-obra interna e subcontratos/materiais, em virtude da retracção generalizada da actividade imobiliária, nomeadamente, na impossibilidade de vender parte das fracções do imóvel em fase de construção, a preços de mercado, o que levou consequentemente a uma situação de ruptura financeira.
Atendendo ao exposto, e de acordo com o relatado na Petição Inicial, “as causas da actual situação de insolvência fundam-se,
em inúmeros factores negativos (…) os quais têm sido, aliás, causa da crise económico-financeira que tem atingido a generalidade do sector da construção civil (…) sendo que assumiram particular relevo, de entre outros, factores como:”
“a) Retracção generalizada da actividade imobiliária, nomeadamente, na impossibilidade de vender parte das fracções do imóvel, em fase de construção, a preços de mercado;
b) Substancial acréscimo dos encargos, designadamente encargos financeiros, agravamento dos preços das matérias-primas, combustíveis, subcontratos, etc.;
c)Impossibilidade de fazer repercutir nos preços de venda dos imóveis os aumentos dos custos, em consequência de uma forte recessão no mercado;
d)Crescentes dificuldades na concessão de crédito por parte da Banca e dos fornecedores; e)Perda abrupta da carteira de clientes.”
“Estas foram algumas das causas motivadoras da actual situação deficitária da insolvente (…) pelo que se vê actualmente numa situação financeira extremamente difícil, pois que impossibilitada de cumprir as suas obrigações vencidas.”
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Nota conclusiva: Da análise dos elementos constantes na petição inicial, bem como das diligências efectuadas pela
administradora de insolvência, conclui-se que a situação de insolvência da insolvente advém da retracção generalizada da actividade imobiliária, nomeadamente, na impossibilidade de vender parte das fracções do imóvel, em fase de construção, a preços de mercado, aliada ao substancial acréscimo dos encargos, designadamente encargos financeiros, agravamento dos preços das matérias-primas, combustíveis, subcontratos, com a impossibilidade de fazer repercutir nos preços de venda dos imóveis, os aumentos dos custos, em consequência de uma forte recessão no mercado.
3. ANÁLISE ESTADO DA CONTABILIDADE DO DEVEDOR E OPINIÃO SOBRE OS DOCUMENTOS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS E DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA
- Artigo 155ª, nº 1, alínea b) do CIRE –
Segundo a análise efectuada aos documentos de prestação de contas anexados à Petição Inicial, têm sido cumpridas todas as disposições legais, em termos de obrigações contabilísticas e fiscais, nomeadamente a elaboração e o depósito das contas anuais, legalmente obrigatórias, dentro dos prazos legais.
4. PERSPECTIVAS DE MANUTENÇÃO DA EMPRESA DO DEVEDOR, NO TODO OU EM PARTE, DA CONVENIÊNCIA DE SE APROVAR UM PLANO DE INSOLVÊNCIA, E DAS CONSEQUENCIAS DECORRENTES PARA OS CREDORES NOS DIVERSOS CENÁRIOS FIGURÁVEIS
- Artigo 155ª, nº 1, alínea c) do CIRE –
Pelo que foi dado a conhecer à administradora de insolvência, decorrente das diligências efectuadas (inclusive pesquisa de informação no site do Ministério das Finanças), verifica-se o seguinte:
1) A insolvente é titular de bens imóveis, nomeadamente três fracções do prédio que se encontrava em construção, sendo que as mesmas necessitam de algumas obras de conclusão;
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2) Apesar de constar da Petição Inicial que “A requerente é titular dos bens constantes da relação do imobilizado corpóreo que se junta, com o valor líquido actual de € 2.246,58 euros.” o certo é, uma vez confrontado o administrador da
devedora, este informou a AI que já não existiam, a não ser os baldes e gamelas que se encontram na obra, estragados, e sem qualquer valor comercial;
3) À data, a insolvente encontra-se encerrada, pelo que não liberta quaisquer recursos financeiros.
O seu encerramento adveio do facto de uma vez que a insolvente se encontrava a laborar à data da insolvência, a administradora de insolvência entrou em contacto com o administrador da insolvente, a fim de apurar o interesse em apresentar plano de insolvência, tendo este manifestado o seu desinteresse por uma possível recuperação. Neste seguimento a administradora de insolvência procedeu cessação de actividade nos Serviços de Segurança Social e às alterações nos Serviços de Finanças em Dezembro de 2011.
Consequentemente:
I. Encontrando-se a insolvente inactiva e encerrada desde, Dezembro de 2010, sem qualquer actividade, sem trabalhadores ao seu serviço, sem clientes, não se verifica qualquer giro comercial, susceptível de gerar proveitos; II. O administrador da devedora não demonstrou à administradora de insolvência qualquer vontade de propor a
recuperação da empresa, e também não há conhecimento de movimentação de grupos de senhores credores que, nos termos do art. 193º do C.I.R.E. façam tenções de apresentar plano de insolvência;
CONCLUSÃO
Nestes termos, e sem qualquer base de apoio, a administradora de insolvência também não apresenta à Assembleia plano de insolvência, pelo que propõe a sua liquidação célere, sendo a única forma de satisfazer parte dos créditos reclamados e apurados.
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5. OUTROS ELEMENTOS IMPORTANTES PARA A TRAMITAÇÃO ULTERIOR DO PROCESSO
- Artigo 155ª, nº 1, alínea e) do CIRE –
Conforme referido anteriormente, foi indicado na Petição Inicial que a “insolvente é titular de dos bens constantes da relação do
imobilizado corpóreo que se junta, com o valor líquido, actual, de € 2.246,58 euros.” Da listagem de imobilizado corpóreo resulta
que a insolvente é titular de:
“Equipamento administrativo: 2 Secretárias + Máquina Escrever no valor global de 2.209,17 euros; Equipamento Básico: Ferramentas (baldes e gamelas) no valor de 37,41 euros.”
Neste seguimento, e a fim de proceder à sua inventariação, a administradora de insolvência dirigiu-se à sede da insolvente, onde, uma vez no local, foi informada pelo administrador da insolvente de que “os bens constantes da sede da insolvente
pertencem à empresa Habibarcelos – Sociedade de Construção de Barcelos, Lda.” tendo ainda informado que “o equipamento administrativo relacionado na Petição Inicial não existe”. Mais informou que “os baldes e gamelas, igualmente relacionados, encontram-se espalhados pela obra, não lhes sendo imputado qualquer valor comercial”, pelo que a administradora de
insolvência não logrou apreender qualquer bem móvel.
A insolvente é detentora de três fracções autónomas, contudo, e segundo o testemunho do administrador da insolvente e da verificação do local efectuada pela AI, duas das referidas fracções - “H” e “K”, necessitam de pequenas obras de acabamento, nomeadamente, “a colocação de louças, pintar e envernizar o chão”.
Por contrato promessa de compra e venda, outorgado em 02.09.2010, a insolvente prometeu vender a Manuel Caetano da Silva Cunha Linhares, livre de quaisquer ónus e encargos, pelo valor global de 240.000,00 euros a fracção autónoma designada pela letra M, habitação do Tipo 4, Nº 3º andar, com o nº32, com garagem fechada na 2ª cave, com o nº 17, fracção esta que faz parte do prédio constituído em regime de propriedade horizontal, sito na Av. Alcaides de Faria, freguesia de Arcozelo, concelho de Barcelos, inscrito na respectiva matriz predial urbana da freguesia de Arcozelo sob o artigo 2475-M e descrito na Conservatória do Registo Predial de Barcelos sob o número 1424/Arcozelo-M.
Neste seguimento, o promitente-comprador entregou à insolvente, a título de pagamento dos valores de venda acordados, a quantia de 48.100,00 euros, pagos de forma fraccionada através de Cheque, bem como a quantia de 4.200,00 euros pagos em
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dinheiro, de acordo com o relatado na Reclamação de Créditos apresentada pelo promitente-comprador ao abrigo do art. 128º CIRE e conforme extracto de conta da insolvente.
Não obstante da situação da insolvência, e pelo que foi dado a conhecer à administradora de insolvência, a referida fracção encontra-se praticamente acabada, pelo que haverá todo o interesse e beneficio para a massa insolvente, providenciar pelo seu cumprimento. Desde logo, se atendermos a que o valor resultante da sua venda forçada dificilmente atingirá o valor de 240.000,00 euros, que corresponde ao valor de venda em virtude do contrato promessa.
Nesta sequência:
A administradora de insolvência encontra-se a diligenciar no sentido de apurar quais as obrigações das partes para o cumprimento de tal contrato promessa.
Muito atentamente, A administradora de insolvência
Anexo: Lista provisória de credores