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DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

AVM – FACULDADE INTEGRADA

PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

O PAPEL DO ADMINISTRADOR ESCOLAR PARA A

EFETIVAÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO

NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO BÁSICA

Rosemary Mariano da Silva Oliveira

Orientadora:

Professora Ms. Mary Sue Carvalho Pereira

Rio de Janeiro 2016

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

AVM – FACULDADE INTEGRADA

PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

O PAPEL DO ADMINISTRADOR ESCOLAR PARA A

EFETIVAÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO

NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO BÁSICA

Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Administração e Supervisão Escolar. Por: Rosemary Mariano da Silva Oliveira

Rio de Janeiro 2016

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AGRADECIMENTOS

A Deus pela presença em minha vida, à minha família pelo incentivo constante, à minha amiga Jacqueline, companheira de todas as horas, ao meu amigo Rogério, por sua colaboração, e a todos que contribuíram para a realização desta monografia.

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DEDICATÓRIA

Ao meu esposo Sidenir Ramos de Oliveira pelo carinho e pelo incentivo que me encorajaram nesta jornada e também por sua companhia em todos os momentos.

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RESUMO

Este trabalho tem como temática a gestão democrática da escola pública. Aborda a trajetória da administração escolar no Brasil até o exercício democrático, refletindo sobre a legislação pertinente e fundamentando-se em autores reconhecidos que entendem a gestão democrática como a alternativa para a melhoria do ensino público. A gestão democrática só pode ser desenvolvida se rompendo o paradigma tradicional existente nas escolas e, dessa forma, é preciso compreendê-la como uma transformação do processo de organização e convívio de todo um contexto educacional. A prática democrática só se torna concebível com a participação de todos os sujeitos da comunidade escolar nas discussões e decisões com compromisso, definindo a missão e propondo objetivos sobre sua existência. E, para isso, numa escola de educação Básica, o administrador escolar pode ter um papel decisivo. Instituir a democracia, pois, torna-se uma força poderosa na forma de gerir as escolas, assim pode-se colocar a administração escolar em favor da eficácia e da melhoria na qualidade da educação pública.

Palavras-chave: administração escolar; gestão democrática do ensino; escola

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METODOLOGIA

O trabalho – de caráter teórico – foi desenvolvido por meio de pesquisa documental (legislação educacional) e bibliográfica, com a análise de obras relacionadas à administração escolar e à gestão democrática do ensino público.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ...08

CAPÍTULO I AS FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR ESCOLAR SITUADAS HISTORICAMENTE NO BRASIL ...11

CAPÍTULO II A GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO PÚBLICO SEGUNDO A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL E OS PRINCIPAIS AUTORES QUE TRATAM DO ASSUNTO ...20

CAPÍTULO III AS PRINCIPAIS AÇÕES DO ADMINISTRADOR ESCOLAR PARA A EFETIVAÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DE ENSINO PÚBLICO ...29

CONCLUSÃO ...38

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...39

ÍNDICE ...43

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INTRODUÇÃO

A gestão democrática do ensino público está definida na Constituição de 1988, a chamada “Constituição Cidadã”, que, elaborada durante o período de redemocratização do país não podia deixar de observar a democracia nas escolas, adotando como um dos princípios do ensino a gestão democrática do ensino público.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9394/96 – que complementa a Carta Magna no que tange à educação, ratifica o princípio da gestão democrática do ensino público na Educação Básica, considerando ainda que a participação dos profissionais da educação na elaboração do Projeto Político Pedagógico da instituição de ensino e que a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes são os princípios desse tipo de gestão.

Logo, o projeto político pedagógico e os conselhos escolares – que se relacionam ao locus escola – são além de princípios os principais mecanismos desse tipo de gestão que deve marcar as escolas públicas de Educação Básica.

No entanto, diante da gestão democrática do ensino público, o administrador escolar pode, por várias razões, sentir-se desprestigiado. Isso pode ocorrer principalmente por conta desse sujeito não saber qual o seu papel nessa nova configuração de gestão.

Assim, tem-se como problema dessa pesquisa a seguinte indagação: Qual o papel do administrador escolar para a efetivação da gestão democrática do ensino nas escolas públicas de Educação Básica?

Desse problema, foram elencadas algumas questões que auxiliam na investigação desenvolvida, que são:

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- O que é a gestão democrática do ensino público, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os principais autores que tratam do assunto, e quais seus princípios e principais mecanismos?

- Quais as principais ações do administrador escolar para a efetivação da gestão democrática do ensino público?

Esta pesquisa se delimita à investigação da gestão democrática do ensino público na Educação Básica em nosso país.

O administrador escolar não perde a importância com a gestão democrática de ensino, justamente por ser um dos sujeitos organizadores da escola. Com a gestão democrática do ensino, o administrador escolar poderá agir em parceria com a comunidade para realizar as funções que lhe cabem.

Nessa parceria, o administrador escolar pode apresentar grande importância para a gestão democrática do ensino público, em prol de favorecer um melhor desenvolvimento das atividades e da vida da escola.

Desse modo, esta pesquisa se justifica pela importância de se compreender o papel do gestor escolar para a efetivação de tal tipo de gestão na escola pública de Educação Básica.

Sendo assim, a pesquisa tem como objetivo geral analisar o papel do administrador escolar para a efetivação da gestão democrática do ensino nas escolas públicas de Educação Básica.

Do objetivo geral em questão, foram relacionados os seguintes objetivos específicos:

- Descrever as funções do administrador escolar situando-as historicamente no Brasil;

- Caracterizar a gestão democrática do ensino público segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os principais autores que tratam do assunto, observando seus princípios e principais mecanismos;

- Verificar as principais ações do administrador escolar para a efetivação da gestão democrática do ensino público.

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Acredita-se que muitos administradores escolares não possuem uma formação que lhes conceda uma capacidade significativa para atuar numa gestão democrática do ensino público, não permitindo o desenvolvimento de competências e habilidades pertinentes a esse tipo de gestão.

Como hipótese desta pesquisa, acredita-se, por conta de indícios observados, sobretudo, na prática da administração escolar, que o administrador escolar, para efetivar a gestão democrática do ensino público, deve se posicionar em favor da participação da comunidade escolar nas ações da escola de Educação Básica, de modo que os segmentos formadores dessa comunidade contribuam para um melhor desenvolvimento da vida e do trabalho escolar.

O trabalho está organizado segundo a seguinte estrutura:

No Capítulo I constam as principais funções do administrador escolar situadas historicamente no Brasil.

No Capítulo II é caracterizada a gestão democrática do ensino público, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os principais autores que tratam do assunto, e quais seus princípios e principais mecanismos.

No Capítulo III são elencadas as principais ações do administrador escolar para a efetivação da gestão democrática do ensino público.

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CAPÍTULO I

AS FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR ESCOLAR

SITUADAS HISTORICAMENTE NO BRASIL

“Administração Escolar é o complexo de processos, cientificamente determináveis, que atendendo a certa filosofia e certa política de educação, desenvolve-se antes, durante e depois das atividades escolares para garantir-lhes unidade e economia.”

Ribeiro

A administração escolar, mesmo estando em evidência nos dias atuais por causa das várias reformas educacionais, nem sempre foi motivo das atenções para as produções acadêmicas de estudiosos na História da Educação. Num período percorrido por mais de cinco séculos, pode-se dizer que a administração escolar é fruto de estudos acadêmicos há menos de cem anos. Os primeiros escritos teóricos no Brasil remetem-se a década de 1930. Não quer dizer que não havia a prática administrativa na educação brasileira antes deste período. O que acontecia era uma negligência das autoridades daquele tempo que não beneficiavam o desenvolvimento de estudiosos no que se referia à administração educacional. As publicações que existiam até então se fundamentavam em relatórios descritivos de experiências pessoais, exitosas e pautadas no bom senso.

Na escola cientificista havia o interesse do liberalismo econômico onde se defendia o desenvolvimento e a reforma da escola pública e buscava copiar o modelo econômico capitalista, educacional e cultural dos países desenvolvidos. Para essa escola de administração, a garantia dos resultados ia depender da forma correta e eficaz de como executar o trabalho, o que acarretaria na avaliação e estudos minuciosos de todo o processo produtivo, para adequá-lo ao máximo da produção. Para que isso acontecesse a administração precisaria se envolver desde a escolha e preparo do pessoal até a implantação de um sistema de indução econômica passando por controles da supervisão. Essa administração centralizava-se mais nas ocupações do que

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nas pessoas. Assim o administrador não se preocuparia com problemas pessoais daqueles que compunham o ambiente escolar.

A escola cientificista propunha uma liberdade de aprender e de ensinar dos educandos e educadores de acordo com que os objetivos do ensino fossem associados, observando ainda a prática da obediência.

Percorrendo com atenção o caminho da investigação que se refere à gestão escolar, nota-se a tentativa de formulação de uma teoria relacionada a esse campo do conhecimento no Brasil no sentido de tornar técnica a área de administração educacional, que vinha influenciando a formação de pedagogos, principalmente a partir dos anos 20. Neste tempo se buscavam meios para a construção epistemológica da administração escolar de acordo com administração de empresa, ou seja, de forma racional e na divisão do trabalho.

A escola era comparada a uma empresa contendo as complicações das organizações modernas. Tinha como alvo, além da cientificidade educacional, algo buscado pelos profissionais da educação: enquadrar a instituição escolar às necessidades de um mercado social.

Como consequência, transformam-se métodos e processos de ensino, transformação que se reflete nos métodos de administração escolar. A administração deve conseguir uma organização de eficiência uniforme da escola, para todos os alunos – organização e eficiência em massa. (TEIXEIRA, 1997, p. 166).

Em 1932 foi publicado no Brasil um documento muito importante para a educação com o título de Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. O objetivo desse documento era criar uma reforma na educação do país. Escrito por Fernando de Azevedo, teve também a colaboração de outros intelectuais importantes daquele tempo. Havia uma preocupação com as várias transformações que se passavam pelo país, como a econômica, a política e as sociais, acreditando-se que a educação encontrava dificuldades em acompanhar as devidas mudanças. O manifesto tornou-se o ponto mais

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elevado do movimento renovador e era formado por um conjunto de ideias sobre a educação, relatando alguns procedimentos a serem tomados em relação ao papel da educação que se tornava um dos pontos mais importantes do documento.

De acordo com Azevedo (1958), o Manifesto foi um documento muito repercutido e teve como principal inspiração a racionalização das políticas educacionais; não se tratava, pois, apenas de uma bandeira revolucionária, mas de um programa completo de reconstrução educacional para o país, pautado no pragmatismo renovador.

O Manifesto foi assinado por políticos, educadores, cientistas, artistas e outras pessoas de grande influência daquela época.

O que contém nesse documento revela muitas ideias do educador norte-americano John Dewey. Nota-se que há uma harmonia muito peculiar da realidade e da filosofia de educação dele.

Dewey alegava que a escola tinha que estar ligada ao meio social, que respeitasse as capacidades naturais dos alunos, uma educação voltada para a atividade espontânea da criança, que atendesse às exigências de cada um. Enquanto sugeria a importância de um currículo que buscasse a lógica psicológica da criança, o Manifesto reforçava que os professores estivessem afinados com o desejo de reconstruir a ordem social e política por meio da educação e permanecia com a ideia de os educadores conhecerem o indivíduo e a sociedade, proporcionando o agir sobre o estado psicológico do indivíduo e buscando um projeto de sociedade.

Dewey apresentava-se contra o modelo tradicional de ensino. Em seus escritos encontramos palavras que revelam a reprovação do filósofo em relação à escola dita tradicional. Encontram-se no Manifesto pontos importantes que aproximam das ideias educacionais de Dewey. Um deles faz alusão ao caráter biológico da educação. De acordo com Fernando de Azevedo:

Desprendendo-se dos interesses de classes, a que ela tem servido, a educação perde o “sentido aristológico”, para usar a

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expressão de Ernesto Nélson, deixa de constituir um privilégio determinado pela condição econômica e social do individuo, para assumir um “caráter biológico”, com que ela se organiza para a coletividade em geral, reconhecendo a todo o individuo o direito a ser educado até onde o permitam as suas aptidões naturais, independente de razões de ordem econômica e social (AZEVEDO, 1958, p. 64).

O texto do Manifesto apresentou uma ideia de reformar a educação, onde a Escola Nova se apresentava como o movimento educacional que se manifestou com o intuito de promover novos caminhos para uma educação que dava a entender que não estava em harmonia com o mundo das ciências e das tecnologias. Para o manifesto, analisando os problemas nacionais existentes nenhum era tão importante quanto o problema da educação.

A educação pública era responsável por preparar a cultura, o desenvolvimento das habilidades de invenção e os primeiros passos relevantes que acrescentam a riqueza de uma sociedade. Porém todos os esforços que foram feitos para compor uma boa escola foram desagregados.

O Manifesto aponta como importante motivo dessa falta de organização do sistema escolar a uma total falta de espírito filosófico e científico na resolução dos problemas relacionados à administração escolar, uma vez que a mesma se encontrava distante de valores científicos e racionalizantes.

O Manifesto estabelecia-se como um documento iniciado a partir de reflexões dos chamados escolanovistas, associando-se a concepção externa de compreensão dos problemas educacionais. Estes entendiam que a educação era uma forma de decisões técnicas onde o Manifesto tinha como ideia um plano único de ensino, uma saída para a educação, assim as reformas educacionais estariam ligadas às reformas econômicas.

O documento contestava a ideia de ensino existente na escola tradicional com inclinações exclusivamente passivas, intelectualistas e verbalistas, defendendo a ideia de que o que diferenciava o nível de escolarização entre as pessoas deveria ser o das diferenças individuais.

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Paro (1996) observa que embora a Escola Nova tenha sido gerada no seio do meio burguês, inegavelmente rompia com a lógica da escola tradicional, colocando-se ao lado da autonomia do educando.

O movimento da Escola Nova no Brasil, instaurado oficialmente com o Manifesto de 1932, vinha com a influência científica-positivista que pregava uma maior organização da escola e da educação em prol de uma melhor inserção dos indivíduos num mercado de trabalho que começava a surgir no Brasil na década de 1930, quando da industrialização do país.

Por isso, algumas medidas como a criação de legislação específica para a educação brasileira, a criação e um sistema nacional de ensino e, ainda de um plano nacional de educação, eram alguns dos objetivos mais apregoados pelos escolanovistas desde o Manifesto.

E isso tudo, claro, promoveu modificações no que se configurava enquanto administração escolar no Brasil, influenciando seus conceitos e características.

As discussões sobre a administração escolar, na verdade, tem sido motivo de preocupações desde 1960, tendo um impulso maior nos anos 90, em defesa de uma gestão democrática. Esta defende a ideia de tornar mais simples e eficaz a administração educacional, que desde muito tempo vem procurando contribuir para que novos educadores sejam formados.

Drabach & Mousquer (2009), observam que os intelectuais da década de 1980 buscaram superar o pensamento tecnicista que imperava sobre a administração escolar naquele momento no Brasil, pensamento esse que se supunha neutro, visando politizar as práticas de administração escolar e, com isso, contribuir com a transformação da sociedade brasileira, assim, como os Pioneiros pela Educação Nova fizeram na década de 1930 quando se colocaram contra o pensamento e as práticas impostas pela escola tradicional.

No entanto, antes da década de 1980, e mesmo antes da instauração da Ditadura Militar em 1964, houve um período bem mais fértil para que as ideias dos pioneiros pela Educação Nova obtivessem maior sucesso. Isso ocorreu

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quando da aprovação da Constituição de 1946, retornando com vitórias escolanovistas vislumbradas na Carta Magna de 1932 e soterradas pela Constituição do Estado Novo de Getúlio Vargas de 1937.

Dentre essas vitórias, conta-se a aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 4024/61), aprovada pelo Congresso Nacional em meio a uma grande contenda desenvolvida entre os setores que defendiam a educação privada e religiosa e os escolanovistas, que, por sua vez, defendiam uma educação pública e laica.

Havia também uma falta de organização para a educação relacionada à gestão educacional. A LDB de 1961 tinha a função de dar estrutura adequada às bases para que fossem reconhecidos e enfrentados os problemas da educação no país.

Ficou estabelecido no Artigo 42 da LDB de 1961, que o Diretor da escola deverá ser educador qualificado, definição dada no Parecer nº 93/62 do antigo Conselho Federal de Educação (CFE), que por sua vez considerava como educador qualificado aquele que tivesse as qualidades pessoais e profissionais e que o fizessem apto a introduzir na escola a eficiência do instrumento educativo por superioridade e de levar a professores, alunos e a comunidade, sentimentos, ideias e aspirações de vigoroso teor cívico, cristão, cultural e democrático.

Nota-se que o papel do Diretor de Escola no período da Ditadura Militar não deve ser examinado de uma forma separada daquilo que formava a sociedade brasileira da época: capitalista, periférica, dependente e marcada pela omissão dos direitos constitucionais e humanos fundamentada pela doutrina de segurança nacional e por reformas de origem tecnicista no sistema de ensino.

Isso tudo por conta das influências estadunidenses na elaboração tanto da política quanto da educação brasileira, esta marcada pelas leis aprovadas sob a égide do Acordo MEC-USAID, instituindo, principalmente, uma educação de cunho tecnicista no Brasil, pautada no treinamento e na valorização do planejamento escolar, tanto dos professores quanto das direções escolares.

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Toda a educação brasileira durante o período da Ditadura Militar devia contribuir com o chamado “Milagre Brasileiro”, que consistia em fazer do país uma nação competitiva economicamente no cenário internacional.

Assim, segundo Dias (1973), toda escola, sua direção e seus professores deviam estar sintonizados com o programa a ser cumprido, com as especificações técnicas para as ações escolares, com o respeito à ordem instituída por um rigoroso plano de ação construído desde os níveis mais elevados do governo, de modo que a lógica rígida da escola tecnicista contribuísse com esse “Milagre Brasileiro”.

É possível compreender como a escola era percebida numa visão tecnicista. Ao concordar com a semelhança entre escola e empresa no que diz respeito a sua organização passa-se a perceber esta semelhança como algo natural, tornando o ambiente escolar mais rígido, hierarquizado, disciplinado. Isso mostra que a ditadura militar invadiu os espaços diversos da vida das pessoas incluindo a escola como um dos mais importantes.

Com o fim da ditadura militar e com maior acesso aos mercados externos, o Brasil passou por transformações políticas, sociais e econômicas, processos que atingiram outros fatores como a cultura, a educação, o trabalho os movimentos sociais e tudo que faz parte da sociedade e sua dinâmica.

A educação na segunda metade da década de 80 é determinada por financiamentos internacionais que passaria a adequar os objetivos nacionais, para este campo.

Para as escolas é passada aos poucos a autonomia de se tomar decisões, permitindo que os envolvidos tenham a responsabilidade de resolver os problemas que os atingem e moldar o currículo às necessidades de cada realidade. Alguns problemas nem sempre poderão ser resolvidos pela escola por falta de estrutura ou recurso suficiente.

Os diretores escolares neste contexto possuem o fundamental papel de formar opinião dentro do estabelecimento de ensino.

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Na escola, o diretor é o profissional a quem compete a liderança e organização do trabalho de todos os que nela atuam, de modo a orientá-los no desenvolvimento de ambiente educacional capaz de promover aprendizagens e formação dos alunos, no nível mais elevado possível, de modo que estejam capacitados a enfrentar os novos desafios que são apresentados. (LÜCK, 2009, p. 17)

A partir de década de 80, a crise política na sociedade brasileira ajudou aos movimentos sociais em prol do processo de democratização. Aumentava-se a luta por uma educação pública de qualidade no debate político das mobilizações sociais e sociedade civil organizada e preservava-se o pensamento democrático no campo da administração educacional.

Desta maneira, a partir desse período, educadores, procurando ficar longe dos conceitos atribuído ao termo administração escolar passaram a utilizar o termo gestão como um meio de conceder novos significados que pudessem representar melhor a área protegendo o aspecto das relações interpessoais.

Assim, de um modelo hierárquico de produção e um Estado centralizador, passa-se a ter ênfase no trabalho coletivo, na participação, na autonomia e na descentralização. Tais vocábulos, identificados, historicamente, com um projeto democrático de sociedade passam a ser cooptados, adquirindo novos sentidos no âmago do projeto neoliberal. (DRABACH; MOUSQUER, 2009, p. 278)

O termo gestão se enquadra na área da teoria administrativa educacional como uma forma de se adaptar a necessidade de um conceito mais amplo. A teoria administrativa tem como base a preocupação com a eficiência e eficácia: como atingir um excelente resultado consumindo um mínimo de energia, com as mudanças nos conceitos sobre a prática administrativa onde a autoridade do administrador é enfraquecida, a concepção de gestão na área de educação se enquadra numa visão de valorização dos colegiados, das decisões em grupo, do censo comum. Desta forma o termo gestão envolve ações específicas de administração e organização, mas agrega

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também aspectos políticos relativos aos processos de decisão, o que revela uma ideia mais abrangente do que a da administração.

Dessa forma:

a adoção do termo gestão sugere “uma tentativa de superação do caráter técnico, pautado na hierarquização e no controle do trabalho por meio da gerência científica, que a palavra administração (como sinônimo de direção) continha” . A substituição pelo termo gestão significava a tentativa de instaurar uma nova lógica na organização do trabalho, tendo como pressuposto “evidenciar os aspectos políticos inerentes aos processos decisórios” (ADRIÃO; CAMARGO. 2007, p. 68)

A adesão ao termo gestão nas organizações escolares tem ao seu lado a aceitação de conceitos e valores mais democráticos no âmbito escolar, portanto uma maior participação da comunidade no dia-a-dia da escola, possibilitando uma visão mais ampla dos problemas educacionais e da própria escola.

Para finalizar é bom refletir que induzir o uso do termo gestão, pode proporcionar nos profissionais uma ilusão de que a escola concede ou experimenta uma realidade mais dinâmica e democrática, o que com grande chance, acaba por submeter a conflitos educacionais mais complicados como aqueles relativos à introdução de novos princípios em sua realidade.

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CAPÍTULO II

A GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO PÚBLICO

SEGUNDO A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA

EDUCAÇÃO NACIONAL E OS PRINCIPAIS AUTORES

QUE TRATAM DO ASSUNTO

“A escola é uma organização social constituída pela sociedade para cultivar e transmitir valores sociais elevados e contribuir para a formação de seus alunos, mediante experiências de aprendizagem e ambiente educacional condizentes com os fundamentos, princípios e objetivos da educação”

Lück

O Brasil passou por um processo ditatorial desde março de 1964, onde os direitos políticos eram cerceados, a censura imperava, perseguição e prisões políticas assolavam o país e onde se presenciava o desaparecimento de muitas pessoas que lutavam contra o regime imposto pela Ditadura Militar.

Contudo, no final desse período, houve um processo de abertura, incentivado tanto pelas constantes manifestações do povo brasileiro quanto pela conjuntura internacional que vislumbrava a queda do comunismo e a configuração de um novo tipo capitalismo.

Nesse processo de abertura, intensificado no início dos anos de 1980, várias pessoas até então exiladas puderam voltar ao país e muita agitação em prol da democracia pode ser observada, com a criação de associações e de manifestações que lutavam pelos direitos civis e pela restauração uma ordem democrática.

O Movimento pelas “Diretas Já”, que desejava uma eleição direta para a Presidência da República para o ano de 1985 foi o mais expressivo dos movimentos. Mas apesar do forte apelo da sociedade brasileira, não foi bem recebido pelo Governo Militar e nem executado, sendo a eleição presidencial

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de 1985 realizada de forma indireta, assim como todas as outras realizadas desde o Golpe em 1964.

Na eleição indireta para a Presidência da República de 1985, realizada pelo Congresso Nacional, o candidato em favor da democratização do país, Tancredo de Almeida Neves, foi eleito e, apesar de não ter assumido o cargo, devido a problemas de saúde que provocaram seu falecimento, o então Vice-presidente assumiu, José Sarney, que instituiu oficialmente a redemocratização do país, convocando uma Assembleia Constituinte, responsável pela elaboração de uma nova Carta Magna para o país, uma Constituição que devia expressar o desejo da sociedade brasileira de democratização.

Em 1988, a nova Constituição foi promulgada, sendo apelidada de “Constituição Cidadã” justamente por seu apelo democrático. E para a área da educação, trouxe a esperança de se promover a democratização do país por meio da gestão das escolas públicas, de modo a preparar os cidadãos, desde cedo e nos mais distantes rincões brasileiros.

Por isso, como um dos princípios do ensino, a Constituição de 1988 trouxe a “gestão democrática do ensino público” (ARANHA, 2010; GHIRALDELLI, 1990).

De acordo com Dourado,

(...) a gestão democrática é um processo de aprendizado e de luta política que não se circunscreve aos limites da prática educativa mas vislumbra, nas especificidades dessa prática social e de sua relativa autonomia, a criação de canais de efetiva participação e aprendizado do “jogo” democrático e, consequentemente, do repensar das estruturas de poder que permeiam as relações sociais e, no seio dessas, as práticas educativas. (DOURADO, 2000, p. 79).

A Constituição Federal promulgada em 5 de outubro de 1988 caracteriza a “gestão democrática” como um dos princípios orientadores “do ensino público” e “na forma da lei” (Art. 206, VI). Entretanto, ao longo do período pós 1988, Estados e Municípios brasileiros mantiveram compreensões próprias e, por vezes, muito distintas acerca da gestão democrática.

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Ainda assim, a Carta Magna de 1988 trouxe alguns avanços sociais que colaboraram com a ideia de gestão democrática do ensino, como a garantia do acesso ao ensino gratuito e obrigatório consolidado no direito público subjetivo; a gestão democrática do ensino público; e a associação de impostos à educação, pela qual cabe à União aplicar 18% e aos Estados, Municípios e Distrito federal, 25%.

A elaboração e as realizações do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, enquanto espaço de organização e de disputa política em prol de uma educação cidadã e, dessa maneira gratuita, de qualidade social e democrática, foram importantes para a criação de um projeto para a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Algumas solicitações de setores organizados da sociedade civil, principalmente algumas bandeiras do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, foram confirmadas na redação final da Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, e aqui estão alguns exemplos:

• concepção de educação: concepção ampla, entendendo a educação para além da educação escolar, para além da escolarização;

• fins da educação: educação como instrumento para o exercício da cidadania;

• educação como direito de todos e dever do Estado: “garantia” da universalização da Educação Básica (Educação Infantil, Fundamental e Média);

• gratuidade do ensino público em todos os níveis, assegurada pela destinação de impostos vinculados da União, dos Estados, do Distrito federal e dos municípios, repassados de dez em dez dias ao órgão da educação;

• articulação entre os sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

• instituição do Conselho Nacional de Educação (CNE),garantindo a representação de setores organizados da sociedade civil;

• gestão democrática nas instituições públicas e nos sistemas de ensino.

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Julgando esse procedimento e, ainda, percebendo que a gestão democrática não se decreta, mas se forma coletiva e perpetuamente, alguns desafios se sobrepõem para sua realização nos sistemas de ensino. Nesse sentido, os processos formativos escolares divulgam a criação de uma gestão elencada pela execução de meios de participação, de descentralização do poder e assim sendo, de exercício de cidadania.

[...] democracia só se efetiva por ações e relações que se dão na realidade concreta, em que a coerência democrática entre o discurso e a prática é um aspecto fundamental. A participação não depende de alguém que “dá” abertura ou “permite” sua manifestação. Democracia não se concede, conquista-se, realiza-se. (HORA, 1994, p. 133)

A estruturação da gestão democrática é assegurada por alguns princípios relevantes, sejam eles: a participação política; a gratuidade do ensino; a universalização da educação básica; a coordenação, planejamento e a descentralização dos processos de decisão e de execução e o fortalecimento das unidades escolares; a operação dos conselhos municipais de educação, enquanto instância de consulta, articulação com a sociedade e deliberação em matérias educacionais; o financiamento da educação; a elaboração coletiva de diretrizes gerais, definindo uma base comum para a ação e a formação dos trabalhadores em educação e a exigência de planos de carreira que propiciem condições dignas de trabalho.

Foi ainda durante a discussão do Plano Nacional de Educação, que vigora desde 2001, que os setores democráticos da sociedade brasileira definiram a gestão democrática como sendo:

[...] a radicalização da democracia, que se consubstancia no caráter público e gratuito da educação, na inserção social, nas práticas participativas, na descentralização do poder, na socialização de conhecimentos, na tomada de decisões e na atitude democrática das pessoas em todos os espaços de intervenção organizada – condições essenciais para garantir a materialização legal do direito à educação de boa qualidade

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(FÓRUM NACIONAL DE DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA, 2002, p. 04)

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96) estabelece em seus artigos 3°, 14 e 15 alguns pontos importantes em relação à gestão democrática do ensino, a saber:

O art. 3º determina no inciso VIII – “gestão democrática do ensino público na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino” assegurando dessa forma a organização democrática dentro da escola.

O art. 14 da LDB acentua a participação entre a comunidade escolar e local, como também dos docentes na elaboração do projeto pedagógico da escola. Esta é uma inovação que surge pela na legislação educacional brasileira e que define os princípios da gestão democrática do ensino público, observando as diferenças de cada sistema de ensino. Eis o que diz os princípios na letra da Lei: “I – participação dos profissionais da educação

básica na elaboração projeto pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes”.

(BRASIL, 1996).

O art. 15 refere-se à autonomia da unidade escolar, quando determina que:

Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais do direito financeiro público. (BRASIL, 1996, art. 15)

Desde a aprovação da Lei 9394/96, discute-se muito se a eleição de diretores das escolas públicas de Educação Básica deve ser ou não um princípio ou uma determinação da gestão democrática do ensino público.

Nesse sentido, foi apresentado no Senado da república um Projeto de Lei (PL 344/07) de autoria da Senadora Ideli Salvatti propondo que a eleição direta dos diretores das escolas públicas de Educação Básica fosse um princípio desse tipo de gestão, mas depois de cerca de oito anos tramitando no

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Senado, tal projeto foi arquivado em março de 2015 por se entender que uma direção de escola pública pode tanto ser eleita pela comunidade escolar quanto indicada pelo governo de sua esfera administrativa ou mesmo ocupada por servidores concursados especificamente para isso.

Entretanto, a gestão democrática do ensino apresenta apenas dois princípios segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), sendo um associado à elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP), que é o maior documento de uma escola, e outro princípio relacionado à participação em conselhos escolares ou equivalentes.

No que tange ao PPP, a Lei 9394/96 determina que é princípio da gestão democrática do ensino público na Educação Básica a “participação dos

profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola”.

Embora a LDBEN assim determine, vários autores concordam que nessa construção do PPP deve haver uma intensa participação dos demais membros da comunidade escolar, notadamente em escolas públicas.

E, corroborando com isso, podemos observar nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (Resolução 04 CNE/CEB de 2010) afirmam que o PPP deve ser considerado como uma “instância de construção coletiva

que respeita os sujeitos das aprendizagens(...)” (BRASIL, 2010-A), enquanto

que as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de nove anos determinam que:

Será assegurada ampla participação dos profissionais da escola, da família, os alunos e da comunidade local na definição das orientações imprimidas aos processos educativos e nas formas de implementá-las, tendo como apoio um processo contínuo de avaliação das ações, a fim de garantir a distribuição social do conhecimento e contribuir para a construção de uma sociedade democrática e igualitária. (Brasil, 2010-B, Art. 15, § 2º)

Já no que se refere à participação da comunidade escolar e local em conselhos escolares ou equivalente, primeiramente deve-se perceber que toda escola pública deve apresentar um conselho escolar. Desse modo, são

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percebidas várias ações para que tais conselhos existam e funcionem sob a forma de colegiados nas escolas públicas de Educação Básica, sendo paritário geralmente em sua constituição (50% de usuários e 50% de servidores). Contudo, não se percebe ainda o reconhecimento da importância de tais conselhos nas escolas públicas, existindo várias pesquisas acadêmicas que apontam seu funcionamento como “protocolar”, envoltos numa instância burocrática que nada tem relação com a sonhada gestão democrática do ensino público.

Num outro plano, quando se trata da participação das comunidades locais em conselhos equivalentes, nota-se que a gestão democrática do ensino público não deve ocorrer apenas no locus escola: os sistemas de ensino independentemente de sua esfera administrativa, devem ter também a gestão democrática do ensino público como referência. Com isso, os Conselhos de Controle Social do FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização do Magistério), os Conselhos de Alimentação Escolar, de Transporte Escolar e os Conselhos de Educação (sejam municipais, estaduais, distritais ou nacionais) devem ser formados por representantes da sociedade englobada. Assim se pretende pela LDBEN que tanto a elaboração de políticas educacionais quanto sua efetivação e acompanhamento, sejam realizados de modo democrático.

A gestão democrática do ensino público exige que ações e projetos aconteçam claramente, para que todos entendam e participem do processo administrativo da escola, quer dizer, as decisões administrativas precisam ser socializadas e compartilhadas.

Paro (2001, p. 10), tem uma visão não tão otimista sobre a função realizada pela escola na sociedade atual. Para ele a escola “pode contribuir

para a transformação social”, mas isso não quer dizer que ela esteja

desempenhando tal função, partindo da ideia de que ela se define como reprodutora de valores que imperam num sistema hierárquico onde o poder se concentra nas mãos do diretor.

Para Hypólito (2008, p. 63 – 78), ao confrontar as ações no dia-a-dia, o gestor escolar se esbarrava com diversas dificuldades, pois a gestão

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democrática deveria sair do papel e chegar às escolas com práticas distintas. Nesse caso, o gestor necessitava ser o principal responsável para que o processo democrático educacional se realizasse e estabelecesse a construção do Projeto Político Pedagógico (PPP), buscando a garantia da qualidade do ensino.

Cury (2009, p. 23) quis expressar com palavras fortes, a questão da gestão democrática para indicar com compromisso a eficiência no cotidiano escolar. As escolas públicas se deparam neste princípio de gestão democrática com base na “transparência e impessoalidade, autonomia e participação,

liderança e trabalho coletivo, representatividade e competência.”

Já as pesquisas feitas por Souza (2008, p. 51 – 60), ao considerar a visão da gestão democrática nas escolas públicas, certificaram que as tais estão avançando no processo de construção. É importante destacar que este processo prossegue lentamente e que as políticas públicas em vigor estão embasadas numa concepção gerencialista da educação. Nesse ambiente de oposições e determinações, o que se esperava do gestor escolar, nos aspectos da democracia, da coletividade, da participação e do diálogo, ficou inserido nos parâmetros da eficiência e do controle, que se confirma no que é cobrado desse profissional.

Desta forma, caracteriza-se uma escola conduzida de forma democrática com a participação da comunidade, que deve ser responsável, junto com docentes e alunos pela produção de uma qualidade total.

Na escola pública, a gestão democrática deve se estabelecer num exercício constante de formação cultural de novos cidadãos, permeando todos os momentos da vida escolar para prosseguir no desenvolvimento do processo democrático, o qual deve caminhar junto com a sociedade e se aprofundar na liberdade do homem.

Com base nos conceitos considerados pelos autores acima pode-se dizer que a gestão democrática indica um novo modelo de gerenciamento na educação e modifica de forma significativa as dinâmicas das escolas que devem aderir a esse novo modelo.

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O gestor democrático deve trabalhar com regras orientadas legalmente, que determinam o que se espera da educação.

Deve trabalhar, pois, com autonomia e contando com a participação dos demais membros da comunidade escolar, não com independência e centralização.

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CAPÍTULO III

AS PRINCIPAIS AÇÕES DO ADMINISTRADOR

ESCOLAR PARA A EFETIVAÇÃO DA GESTÃO

DEMOCRÁTICA DE ENSINO PÚBLICO

“Repensar a escola como um espaço democrático de troca e produção de conhecimento é o grande desafio que os profissionais da educação, especificamente o gestor escolar, deverão enfrentar neste novo contexto educacional, pois o gestor escolar é o maior articulador deste processo e possui um

papel fundamental na organização do processo de

democratização escolar”.

Alonso

Gestão escolar é a forma usada para substituir o termo administraçãoescolar. Essa mudança não significa apenas uma troca terminológica, mas uma mudança de conceito ou mesmo de paradigmas que têm sido motivo de muitos debates.

Para alguns, esse processo se relaciona com a contraposição do conceito do campo empresarial para o campo educacional, a fim de submeter a administração da educação à lógica de mercado. Para outros, o novo conceito de gestão ultrapassa o de administração, uma vez que envolve a participação da comunidade nas decisões que são tomadas na escola (LÜCK, 2000). Outros, ainda, entendem que o conceito de administração é mais amplo, já que é “utilizado num sentido genérico e global que abrange a política educativa” (BARROSO, 1998), ao passo que o termo ”gestão escolar” refere-se a uma “função executiva destinada a pôr em prática as políticas previamente

definidas” (Idem).

Essa mudança no termo, a qual também trouxe uma mudança no papel do diretor escolar, não está ainda bem delineada e estudada pela comunidade educacional, que apesar de estar efetuando capacitações, ainda não traçou bem o seu papel diante das novas definições e políticas.

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Acredita-se que, ao admitir o termo gestão, a escola aceitou também o papel de passar a ser sinônimo de ambiente autônomo e participativo, percebendo que esse ambiente subentende ser um trabalho coletivo e compartilhado por diversas pessoas para alcançar os mesmos objetivos, tornando-se real e necessário elaborar bem esses objetivos aos quais se pretende chegar e envolver todos nesse processo.

Democratizar os sistemas de ensino e a escola promove, portanto, a aprendizagem e a experiência de exercitar a participação e a tomada de decisão. Este processo será construído coletivamente, devendo levar em conta a realidade de cada sistema de ensino, de cada escola e dos que nela trabalham, estudam, compartilham atividades, momentos políticos e culturais.

É fundamental entender que esse processo não se efetiva por decreto, portaria ou resolução, mas deve ser proveniente, acima de tudo, da ideia de gestão e eficácia da participação dos diversos segmentos em revelar princípios voltados para o bem comum.

Nesse trajeto, definir a concepção, as funções da escola, os seus princípios, valores e, dessa forma o alcance e a natureza política e social da gestão democrática, é de suma importância para a efetivação dos processos de participação e decisão.

Para que a tomada de decisão seja partilhada e coletiva, é preciso que diversos mecanismos de participação sejam realizados, tais como: aprimorar os processos de escolha ao cargo de diretor, criar e consolidar órgãos colegiados na escola – conselhos escolares e conselho de classe, dentre outros – fortalecer a participação estudantil por meio da criação e consolidação de grêmios estudantis, construir coletivamente o projeto político pedagógico da escola, redefinir as tarefas e funções da associação de pais e mestres no ponto de vista da construção de novos meios de partilhar o poder e a decisão nas instituições.

Antes o gestor era visto como alguém autoritário, que estabelecia regras e estratégias, com a pretensão de que a escola tivesse um funcionamento sistemático, mais centralizador e burocrático. Essa hierarquia intransigente acabou mostrando uma função negativista do gestor, na maioria das vezes

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visto como alguém que buscava apenas o interesse dos dominantes. A proposta da gestão democrática veio para derrubar essa figura de poder.

O gestor que atua na gestão democrática tem que incentivar e orientar o processo democrático, não devendo o mesmo ser apresentado como mera teoria dissociada da prática de gestão. Deve agir como um líder que atenta para o desenvolvimento da comunidade escolar e local, proporcionando um ambiente de participação coletiva, compartilhando ideias e dividindo o poder. Sendo o responsável pela escola, adota posturas profissionais consequentes do seu comprometimento na dimensão educacional. Essa postura inclui os aspectos que se referem ao contexto da prática escolar, suas experiências pessoais, a influência das políticas públicas, do entorno onde a escola está inserida, e do grupo de profissionais que integra a escola.

No âmbito pedagógico a função do gestor inclui organizar o trabalho escolar no que diz respeito à elaboração do projeto pedagógico, no planejamento anual, nas reuniões pedagógicas, nos conselhos de classe, na recuperação da aprendizagem dos alunos com menor rendimento escolar, na organização do tempo e do espaço escolar, no reunir as famílias e os alunos, no índice de aprovação e correção da defasagem idade/aprendizagem.

Na dimensão administrativa abrange a organização do trabalho escolar no âmbito administrativo e financeiro. Essa competência exige do gestor conhecimentos para gerenciar os recursos humanos e materiais, para obter recursos e prestar contas dos mesmos, conservar os materiais e o patrimônio público.

No ponto de vista político associa-se a participação e a responsabilidade pessoal de cada membro da equipe escolar.

[...] O gestor coordena, mobiliza, motiva, lidera, delega responsabilidades decorrentes das decisões dos membros da equipe escolar, presta contas e submete à avaliação do grupo o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. (LIBÂNEO, 2003, p. 31)

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Essa dimensão está ligada ao desenvolvimento do trabalho no diz respeito à busca de parcerias, ao vínculo com a comunidade escolar na representatividade dos conselhos escolares, em tudo que envolve o trabalho no cotidiano escolar atraindo a comunidade exterior para dentro da escola, abrindo portas do espaço educacional para a que a comunidade usufrua e participe das decisões resultantes daquele ambiente educacional.

O gestor escolar, politicamente, desempenha o princípio da autonomia que necessita de laços mais estreitos com a comunidade educativa, os pais, as entidades e organizações que caminham junto à escola.

O princípio da autonomia e o princípio da participação são dois importantes pilares da gestão democrática. Considera-se que o grau de autonomia e de participação da comunidade escolar defina o tipo de gestão da escola.

Uma instituição tem autonomia quando tem o poder de decisão sobre seus objetivos, de como se organizar, de permanecer relativamente independente do poder central e de gerenciar livremente recursos financeiros. As escolas públicas não são organizações isoladas, estão subordinadas ao sistema central, às políticas e à gestão pública, possuem uma autonomia relativa. Isso quer dizer que a autonomia de uma escola pública está relacionada ao planejamento, à organização, à orientação e ao controle de suas atividades internas podendo se sujeitar a adequação e aplicação das regras gerais que recebem dos níveis superiores da administração do ensino.

A autonomia é um conceito relacional (somos sempre autônomos de alguém ou de alguma coisa) pelo que a sua ação se exerce sempre num contexto de interdependência e num sistema de relações. A autonomia é, também, um conceito que exprime certo grau de relatividade: somos, mais ou menos, autônomos: podemos ser autônomos em relação a umas coisas e não o ser em relação a outras. A autonomia é, por isso, uma maneira de gerir, orientar, as diversas dependências em que os indivíduos se encontram no seu meio biológico e social, de acordo com as suas próprias leis e os grupos (BARROSO, 1998, p. 16).

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Em outras palavras, levando em conta a realidade da educação brasileira nos nossos dias, onde ainda há um grau elevado de centralização, a autonomia não deve ser usada para quebrar a tão almejada unidade do sistema educacional que, como foi vista, desde a Constituição Federal de 1988, integra também a construção dos sistemas de ensino. É importante assegurar a unidade na diversidade. Para isso é preciso que os órgãos de cúpula dos diferentes sistemas de ensino (federal, estadual e municipal) tornem flexíveis os meios de controle com a consequente desburocratização dos processos administrativos. É importante ficar claro, que num sistema relacional, se um ente administrativo ganha poder, outro, com certeza, perde.

O Projeto Político Pedagógico (PPP) é um instrumento responsável pela organização do trabalho e das atividades da escola e em particular por estabelecer sua própria organização pedagógica. A elaboração do PPP da escola é fundamental no âmbito de uma gestão escolar democrática, pois é com a sua construção feita de forma coletiva que as ideias que ele contém serão efetivadas e examinadas com o propósito de alcançar os objetivos propostos, apontando, acima de tudo, os caminhos para o futuro da gestão democrática, descentralizada e com autonomia nos processos de tomada de decisões da escola. Para desenvolvê-lo, como propõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, pressupõe a participação dos docentes na sua elaboração, assim como preconizam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (Resolução CNE/CEB nº 4 de 2010) que a elaboração do PPP deve contar com a participação de toda a comunidade escolar.

A autonomia administrativa da escola, contudo, é a condição primordial para que se possa introduzir no ambiente escolar a participação da equipe de funcionários e da comunidade, em providenciar soluções para os problemas do dia-a-dia enfrentados pela escola. É preciso, portanto, criar uma cultura de participação, pois a existente, resultante de décadas de decisões centralizadas, é a cultura que espera encontrar pronto o que se deve fazer. A escola precisa errar para construir os acertos. E para que isso aconteça, é preciso refletir em torno do Projeto Político Pedagógico, que pode ser um importante instrumento para a criação dessa cultura de participação.

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Como já foi mencionado anteriormente, com foco na legislação educacional vigente, entende-se que é função da escola elaborar o Projeto Político Pedagógico. No entanto, é necessário o apoio dos órgãos e instâncias intermediárias do sistema educacional, que devem suprir a escola com recursos e orientações, para que a comunidade escolar, compreendida como o conjunto de professores, do pessoal técnico administrativo, dos pais e dos alunos, defina os meios e as maneiras de levar a frente o trabalho educacional, que é de responsabilidade dessa comunidade, tendo em vista que um de seus objetivos é garantir ou construir simultaneamente a identidade da escola. O que se espera é que um processo contínuo de reflexão seja criado por parte da equipe escolar, e isso só é possível por meio de um planejamento participativo.

Entende-se que a eleição para diretor também pode ser um importante instrumento no processo da autonomia e da democratização da escola, por beneficiar a relação da comunidade no cotidiano escolar e a sua participação no processo de tomada de decisão. Porém é bom ressaltar que a gestão democrática não se resume em eleições ou escolha democrática do diretor escolar. É preciso muito mais do que isso. Nesse sentido, dentro da escola podemos criar conselhos ou grupos que colaborem com a efetivação da democracia na escola. Tais instâncias colegiadas devem fazer parte do Projeto Político-Pedagógico, conhecer e construir a concepção educacional que orienta a prática pedagógica.

Estes mecanismos podem ser utilizados para que a gestão democrática seja ministrada de forma eficaz e com qualidade tanto nos sistemas de ensino como nas escolas em particular. São eles que irão contribuir na articulação e no estabelecimento da democracia na gestão escolar dessas instâncias educativas.

O Conselho Escolar é um desses mecanismos que é visto como o local de debate e tomada de decisões. E, como um local de discussão e de reflexão, auxilia todos os segmentos presentes na escola – professores, funcionários, pais e alunos – no esclarecimento de seus interesses, suas reivindicações e crenças. É, então, um canal de participação e também instrumento de gestão da própria escola. Nesse sentido, o Conselho Escolar deve estimular a vasta

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comunicação e a participação nas decisões de assuntos importantes tais como currículo, qualidade de ensino, inclusão, sucesso escolar, dentre outros. Vale lembrar a importância do Colegiado Escolar na construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico – ao participar na sua elaboração, aprovação, acompanhamento e execução – o que faz com que esse documento de fato dê sentido e direcionamento aos rumos da escola.

Durante muito tempo, embora a Lei já existisse, o Conselho Escolar caracterizou-se apenas como um órgão consultivo, como o próprio nome revela a ideia de que ele não tomava decisões, mas apenas era consultado sobre problemas da escola. E nesse ponto de vista, passava a discutir mais assuntos burocráticos, a aprovar prestações de contas e sustentar as decisões já tomadas pela direção. Porém, avançando para uma ideia mais ampla e moderna de conselho, este se tornou deliberativo, podendo a partir daí aprovar questões, elaborar projetos, decidir sobre problemas, garantir o cumprimento das leis, eleger pessoas e deliberar questões da escola. Dessa maneira, o Conselho com função deliberativo possui maior força de atuação e poder na escola.

Outra instância colegiada é o Conselho de Classe. Esse por várias vezes é entendido e aplicado de forma equivocada, incorrendo em sua função, diversas contradições. Se ocorrer só uma troca de informações sobre notas dos alunos, dando mais valor aos aspectos quantitativos e decidindo apenas sobre as reprovações, ficará muito limitado e não cumprirá o seu papel. Portanto, o Conselho de Classe precisa representar um apoio, um plano de ação, onde todos se reúnem visando a melhoria dos resultados do processo de ensino. É importante conhecer o desenvolvimento do trabalho pedagógico e o que fazer para obter sucesso, favorecendo sempre o aluno no seu desenvolvimento e aprendizagem. Por isso, o Conselho de Classe precisa demonstrar interesse em como ocorre o processo ensino aprendizagem, conduzindo a avaliação da aprendizagem do aluno, mas também do trabalho do professor e da equipe escolar.

A participação dos pais também é muito importante. No início, essa participação pode ser tímida, pois eles desconhecem os assuntos

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educacionais, teóricos e pedagógicos, e, de certa forma pode-se dizer que desconhecem qual é o seu papel de cidadão. Percebe-se que é necessário abrir as portas para a comunidade. Sendo assim, instituir a Associação de Pais e Mestres é um bom caminho para incentivar as famílias a participarem da escola, não só nas festas ou com trabalho, mas através de questionamentos, reflexões e na busca de soluções de problemas. No entanto é necessário oportunizar a participação dos pais e convencê-los da importância de tal participação.

O grêmio estudantil torna-se um mecanismo de participação dos estudantes nas discussões do dia-a-dia escolar e em seus processos de decisão, estabelecendo-se num campo de aprendizagem da função política da educação e do jogo democrático. Permite, ainda, que os estudantes se organizem politicamente e aprendam a lutar pelos seus direitos.

Numa escola que tem como objetivo formar indivíduos participativos, críticos e criativos, a organização estudantil adquire importância fundamental, à medida que se constitui numa instância onde se cultiva gradativamente o interesse do aluno, para além da sala de aula (VEIGA, 1998, p. 113).

O grêmio estudantil foi regulamentado por meio da Lei nº 7.398/85, a qual esclarece que a organização e a criação do grêmio estudantil formam um direito dos alunos. Essa lei o define como órgão independente da direção da escola ou de qualquer outra instância de controle e tutela que possa ser reivindicada pela instituição. Vale lembrar que o grêmio é uma entidade representativa, e, como tal, deve ser garantida ao aluno a participação no processo de construção do Projeto Político-Pedagógico. Desse modo ele precisa ser visto como uma prática saudável de reflexão e participação política, contribuindo para o amadurecimento dos educandos perante os seus problemas e a experiência democrática.

No entanto, é importante saber que no meio do caminho serão encontrados obstáculos, entraves, falta de mobilização da comunidade, reflexos de uma cultura opressora e, como consequência disso, a acomodação

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e a passividade frente a uma estrutura que bloqueia e não incentiva o desenvolvimento da participação. Mas pela sua maneira de conduzir, a própria escola, vivenciando e experimentando a democracia, no envolvimento com a comunidade, transformará mentalidades oprimidas e despertará os sujeitos históricos e atuantes, que estão adormecidos em cada cidadão.

No lugar da democracia plena, percebe-se que ainda há um poder sutil, mas ativo, nas relações escolares. Existe um poder que impossibilita, invalida esse discurso sobre o saber. Poder esse que não se vê apenas nas instâncias superiores de censura, mas que entra de forma profunda, bem sutilmente na teia da sociedade. A escola de hoje precisa estruturar-se para formar cidadãos prontos ao questionamento, à problematização, à tomada de decisões, buscando soluções para si e para a comunidade onde se vive.

A realidade brasileira retrata a exclusão social e educacional. A escola não tem cumprido seu papel de ensinar atingindo a diversidade de alunos que existe no seu dia-a-dia. Por isso, a escola pública precisa ter um ensino de qualidade e que atenda às suas expectativas. A democratização da sociedade brasileira e, em especial, da educação, acontecerá não só quando o acesso à escola for garantido, mas quando houver a permanência e o sucesso do educando. É necessário que a escola cumpra sua função social.

A referência da educação do ponto de vista democrático, antidiscriminatório, da qual faz parte uma gestão participativa, empenhada com a formação de uma escola pública de qualidade, procura preparar alunos livres e conscientes que constroem uma relação crítica entre a escola e a vida. Dessa maneira, a cidadania será desenvolvida no momento em que se efetivarem as práticas democráticas e participativas na escola, envolvidas com a emancipação e a autonomia dos sujeitos atuantes, protagonistas de sua própria história.

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CONCLUSÃO

Percebe-se que a gestão democrática da escola pública é um assunto que muito se discute nos vários segmentos sociais e exige que seja revisto o perfil do gestor para que se preencha os requisitos necessários para essa nova prática gestora.

Ao investigar a história da gestão escolar no Brasil, pode-se notar que tivemos avanços significativos em direção ao processo de democratização da gestão escolar pública, seja por meio de mudanças no conceito (de diretor para gestor) através, principalmente, de mudanças nas atitudes (do autoritarismo e centralização para a busca de parcerias e descentralização do poder). Para isso, é preciso entendermos a gestão democrática como um meio administrativo em que todos os membros da comunidade escolar estão comprometidos com a melhoria do ensino. Assim, os entraves e problemas encontrados não são mais do diretor, do professor ou de alguém em particular, mas sim de todos: alunos, pais, funcionários e comunidade.

Fica claro que inserir esta nova conduta gestora fundamentada na democracia e na participação coletiva não é uma missão fácil, uma vez que exige romper com os antigos padrões e práticas que estão estabelecidos no contexto educacional.

No entanto, não devemos olhar para a gestão democrática como um alvo que não poderá ser atingido, pelo contrário, é esse exemplo de gestão que tornará possível verdadeiras mudanças sociais, na medida em que for desenvolvida a articulação entre o discurso e a ação e, ao mesmo tempo, a defesa e a construção de uma sociedade mais justa.

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