Gestão de Conhecimento
Estudos de caso
-Irina Saur-Amaral
Estudos de caso
1. MKS (consultoria TIC – Índia): importância da cultura de conhecimento
2. Siemens AG: implementação do ShareNet
(sistema de gestão de conhecimento)
3. Siemens AG: outra perspectiva sobre
Antes de começar… quando se
utiliza um estudo de caso?
Estudos de caso
• Estratégia preferida quando:
– se procura responder a questões do tipo “Como?” ou “Porquê?”
– o investigador tem pouco controlo sobre os eventos
– o enfoque da investigação: fenómenos actuais, em contexto real
• Estudos de caso:
– explanatórios, exploratórios ou descritivos – únicos, múltiplos
Estudos de caso
• Ponto forte dos estudos de caso:
– grande diversidade de técnicas e fontes de informação
• documentos, artefactos, entrevistas, observação
• triangulação Æ consolidar ilações
• Essencial desenhar bem os estudos de caso
• Como fazer estudos de caso?
Yin (1994): Case study research: design and methods. Thousand Oaks: Sage.
MKS
• nome fictício - empresa de consultadoria na área das TICs na Índia, serviços de:
– gestão de projectos;
– arquitectura de sistemas. • 120 colaboradores
• “knowledge intensive firm” • “outsourcing”
• 2002 – 2003: projecto de implementação de
Gestão do Conhecimento falhado devido à falta de cultura de conhecimento
O estudo de caso
• 2002 - 2003• unidades de análise:
– equipa de gestão de topo
– responsável tecnológico (Chief Technology Officer)
– equipa de Gestão do Conhecimento
– utilizadores de Gestão do Conhecimento (consultores da MKS)
• entrevistas (questões abertas + formato semi-estruturado), observação directa,
Gestão do Conhecimento: porquê?
• essencial para o crescimento e competitividade da MKS
• para integrar conhecimento avançado sobre:
– desenvolvimento de estratégias de negócio para ↑ a rentabilidade/cliente e a sua fidelidade;
– integrar soluções informáticas com a
arquitectura de SIs existente em cada empresa; – planeamento e gestão de projectos;
– selecção de ferramentas e tecnologias;
– tendências tecnológicas e da indústria; soluções de excelência, etc.
Objectivos do projecto de GC
• desenvolvimento das competências dos colaboradores da MKS;
• reter conhecimento relevante na organização; • facilitar a responsabilização dos colaboradores
aumentando o conhecimento que têm para além da sua posição actual;
• facilitar a formação e acolhimento de novos colaboradores;
• assegurar transferência (rápida) de
Selecção da tecnologia subjacente
• projecto de consultadoria: ∆ documentos que podem ser reutilizados
Æ ferramenta de GC para facilitar captura e partilha • Soluções no mercado: caras e pouco vantajosas Æ integrar soluções free ou shareware
internamente, utilizando a Intranet da MKS. – gestor de GC: estrutura do site.
– administrador de GC: desenvolvimento da solução.
Orçamentação e planeamento
• Total: 80.000 USD / 9 meses– 50% no início;
– 50% depois de ver resultados (demonstração do site).
• Plano:
– construção da demo do site;
– divulgação do projecto na organização;
– avaliação final e proposta de soluções para melhorar a utilização do site pelos
Arranque do projecto
• contratação de:– gestor de GC – colaborador da MKS (4 anos), boa compreensão do contexto da empresa e boa reputação;
– administrador de GC – colaborador júnior, com boas competências técnicas para desenvolver o site.
• criação das categorias para construir o site (2 meses)
• ideia: partilha de documentos pelas equipas/ depts. da MKS; utilização de modelos.
Desenvolvimento do site
• administrador de GC: identificação de soluções freeware e shareware (2 semanas)
– Web content management systems
• integração na Intranet da MKS, criação de um repositório de documentos, criação de modelos para demonstrar funcionalidade do site (1 mês) • estrutura hípertexto e pesquisa
Aquisição de documentos modelo
• Gestor de GC: 20 documentos de projectos em que os participantes no projecto estiveram
envolvidos
• processo muito demorado (2 meses) • revisão e colocação no site
Primeiro milestone: meio projecto
• 90’ demo do site• revisão do plano original e dos acontecimentos • equipa de gestão de topo Æ muito satisfeita Æ
decisão de continuar com o projecto
• inclusão de uma solução que permitisse a
partilha de conhecimento (ex. tipo comunidades de prática) Æ fóruns de discussão no site
• pequenas sugestões de design e taxonomia de documentos
Divulgação do projecto
• mensagem aos colaboradores pelos gestores de topo
• apresentação da iniciativa de GC • formação dos consultores
• aparentemente, muito interesse pela iniciativa Æ muitos acessos ao site (8/pessoa no 1º mês)
• muita satisfação na equipa de GC e de gestão de topo
Mas…o interesse começa a desaparecer…
• passado + 1 mês:– n.º acessos ao site muito reduzido – poucos contributos novos
– fóruns praticamente não utilizados • então, reforça-se a iniciativa
– novo e-mail pela equipa de gestão de topo – prémio para o melhor contributo por mês – mas…continua-se na mesma Æ o projecto
Post-mortem
• O que correu bem:
– gestão de topo apoiou a iniciativa de GC – houve dinheiro e recursos suficientes
– um colaborador sénior liderou a iniciativa – os objectivos foram claros
– foram utilizadas tecnologias baratas, familiares e integradas na Intranet existente
– o site de GC proporcionou as funcionalidades desejadas
• O que correu mal:
Cultura de Gestão do Conhecimento?
• ambiente competitivo entre consultores Æprogressão na carreira e imagem
– a partilha de conhecimento não se enquadrava • falta de recompensas individuais relevantes
– nenhuma ligação entre participação na iniciativa e progressão na carreira ou avaliação
– iniciativa vista como prioridade baixa • participação nos projectos da MKS
– em função do seu conhecimento e experiência Æ porquê partilhar conhecimento?
Cultura de Gestão do Conhecimento?
• segurança do posto de trabalho– a iniciativa permite extrair e codificar
conhecimento –> colaboradores mais fáceis de substituir
• reutilização de conhecimento: uma fraqueza – quem utiliza o trabalho do outro não tem ideias – sinal de incapacidade pessoal
• formas melhores de partilhar conhecimento – sessões “lunch and learn”/”Pizza seminars”
• percepções sobre a qualidade de conhecimento – suspeições sobre conhecimento dos juniores
Ilações interessantes
• um projecto com todas as condições para ter sucesso pode falhar por razões culturais
• atenção às diferenças entre cultura organizacional e cultura individual
• as organizações “knowledge-intensive” não são necessariamente boas a fazer GC
• uma mudança de estratégia de negócio requer uma mudança cultural apropriada
• a cultura é difícil de mudar, seja numa PME ou grande empresa
• pequenos incentivos financeiros não servem para estimular partilha de conhecimento
Factores culturais que inibem a GC
Processos de conhecimento Captura, documentação e armazenagem de conhecimento Distribuição e partilha de conhecimento Reutilização de conhecimento Individual (o que é bom para o indivíduo) Secretismo – “Conhecimento é poder e segurança!” Acumulação – “Porquê partilhar com os outros? O que ganho com isto (ex. progressão nacarreira)”
Egoísmo – “Sou um especialista,
sei tudo que preciso de saber!” Percepção De grupo (o que os outros membros do grupo pensam) Desconfiança – “Não confio neste
conhecimento, nem na pessoa
que o disponibilizou”
Fraqueza – “Não quero pedir
ajuda; os outros vão interpretar isso como uma
fraqueza” Dependência excessiva – “Os outros podem ver-me como dependente do cérebro dos outros”
Recomendações do autor
• eliminar as estruturas baseadas em consultores seniores e juniores Æ estrutura + horizontal
• distribuição dos consultores por projectos de uma maneira mais correcta Æ reduzir
competição
• enfoque na performance do grupo e não exclusivamente do indivíduo
• introduzir a participação na iniciativa de GC no sistema de avaliação do pessoal
• integrar práticas de GC nos projectos de consultadoria
E as nossas recomendações?
…Estudo de caso descrito em…
Lam, W. (2005): Successful knowledge management requires a knowledge culture: a case study,
Knowledge Management Research & Practice, 3, pp.206-217.