Maria Andréia Parente Lameiras Técnico de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea. [email protected] Sandro Sacchet de Carvalho Técnico de Planejamento e Pesquisa da Dimac do Ipea [email protected] SEÇÃO VIII
Mercado de Trabalho
NÚMERO 36 — 3 ˚ TRIMESTRE DE 2017 SumárioAo longo do último trimestre, o mercado de trabalho brasileiro iniciou um proces-so de recuperação mais nítido, conjugando a desaceleração da taxa de deproces-socupação e continuada expansão dos rendimentos reais. Esta queda do desemprego, mesmo em um cenário de elevação da taxa de participação, foi possibilitada pelo aumento da população ocupada, que registrou a primeira variação interanual positiva desde o trimestre móvel encerrado em agosto de 2015.
De um modo geral, a melhora recente da ocupação é decorrente tanto de um au-mento no número de pessoas que conseguiram uma vaga no mercado de trabalho quanto de uma queda do número de ocupados que perderam os seus empregos. De acordo com os microdados extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre de 2017, 31,7% dos trabalhadores que estavam desocupados no trimestre anterior, conseguiram retornar ao mercado de trabalho, ou seja, uma expansão de quase 3 pontos percentuais (p.p.) quando com-parada ao observado no mesmo trimestre de 2016. Na outra ponta, o percentual de pessoas ocupadas que perderam seus postos de trabalho recuou de 3,6% no segundo trimestre do ano passado para 3,4% nesse mesmo período de 2017. Embora esse crescimento da ocupação tenha ocorrido no mercado informal, os dados recentes mostram que o setor formal da economia também sinaliza um mo-vimento de recuperação, seja reduzindo o ritmo de demissões, seja expandindo os seus rendimentos a taxas superiores às dos demais. No segundo trimestre de 2017, de todos os trabalhadores que transitaram da ocupação para a desocupação, 32% estavam empregados no mercado formal, percentual este que é 10 p.p. menor que o observado há dois anos. Adicionalmente, a alta de 3,6% dos salários pagos pelo setor privado com carteira assinada é maior que a dos informais, que teve queda de 2,9%, e a dos trabalhadores por conta própria, que recuou 1,2%.
Ainda de acordo com a análise dos microdados da PNADC, os movimentos re-centes do mercado de trabalho brasileiro ratificam a constatação de que a crise econômica enfrentada pelo país vem atingindo com maior intensidade os mais jovens, que têm, simultaneamente, mais dificuldade de conseguir emprego e mais chance de ser mandado embora.
No segundo trimestre de 2017, do total de desempregados com idade entre 18 e 24 anos, apenas 25% obtiveram uma nova colocação no mercado de trabalho, atin-gindo um nível bem abaixo do observado no início da pesquisa em 2012 (37%).
Carta de Conjuntura
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Adicionalmente, em relação aos ocupados que perderam seus postos de trabalho e migraram para o desemprego, o segmento dos mais jovens forma o grupo com maior perda percentual de ocupação. Entre 2012 e 2017, os trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos que estavam ocupados e foram dispensados, passou de 5,2% para 7,2%.
Nesse contexto, os dados salariais revelam que além de receberem as menores re-munerações, o grupo dos trabalhadores mais jovens ainda apresenta queda de sa-lário na variação interanual (-0,5%). Na outra ponta, os empregados com mais de 60 anos elevaram em 14% os seus ganhos salariais, na mesma base de comparação. A expectativa para os próximos meses é de que a taxa de desemprego continue diminuindo lentamente, mesmo em um contexto de melhora no ritmo de cresci-mento da economia, por conta da queda, já iniciada, do desalento e seus impac-tos sobe a População Economicamente Ativa (PEA). Em relação aos salários, as perspectivas são de continuidade da alta dos rendimentos e, consequentemente, da massa salarial – o que deve contribuir positivamente para a retomada do consumo das famílias.
1 Aspectos Gerais
Embora ainda apresente um cenário ruim, os dados mais recentes da PNADC mensal sinalizam uma melhora no mercado de trabalho brasileiro. No trimestre móvel encerrado em julho de 2017, a taxa de desemprego no país ficou em 12,8%, apresentando a quarta queda consecutiva na margem. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, esse processo de recuperação do mercado de trabalho torna-se mais evidente, tendo em vista que a tendência de desaceleração da taxa de desocupação vem se intensificando (gráfico 1).
A decomposição da variação interanual da taxa de desemprego (ver gráfico 2)
GRÁFICO 1
Taxa de Desemprego
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 2
Decomposição da variação interanual da taxa de desemprego
(Em pontos percentuais)
-1,5 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 0 2 4 6 8 10 12 14 16
jan-fev-mar/12 mai-jun-jul/12 set-out-nov/1
2
jan-fev-mar/13 mai-jun-jul/13 set-out-no
v/1
3
jan-fev-mar/14 mai-jun-jul/14 set-out-nov/1
4
jan-fev-mar/15 mai-jun-jul/15 set-out-nov/1
5
jan-fev-mar/16 mai-jun-jul/16 set-out-nov/1
6
jan-fev-mar/17 mai-jun-jul/17
Tx. Desemp. Var. Interanual em p.p.
-0,030 -0,020 -0,010 0,000 0,010 0,020 0,030 0,040
jan-mar/13 mai-jul/13 set-nov/13 jan-mar/14 mai-jul/14 set-nov/14 jan-mar/15 mai-jul/15 set-nov/15 jan-mar/16 mai-jul/16 set-nov/16 jan-mar/17 mai-jul/17
var_OCUP var_PEA var_TD Fonte: IBGE/PNADC
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revela que, no último trimestre, a retração observada só não foi maior por conta da aceleração do ritmo de crescimento da PEA. Na comparação com o mesmo tri-mestre móvel do ano anterior, a PEA registrou alta de 1,6%, anulando os impactos positivos da expansão de 0,2% da População Ocupada (PO), que, pela primeira vez desde agosto de 2015, contribuiu para a queda da desocupação.
Uma análise um pouco mais longa mostra que, desde o início de 2017, a PEA apre-senta uma tendência de aceleração com taxas de variação superiores às observadas na População em Idade Ativa (PIA), gerando uma alta da taxa de participação e, consequentemente, impedindo um recuo mais acentuado do nível de desocupa-ção (ver gráfico 3). Uma das hipóteses para esse comportamento da PEA está relacionada à recuperação, ainda que moderada, da atividade econômica e suas consequências sobre a redução do desalento, ou seja, a diminuição do número de pessoas que desistiram do procurar um trabalho por desestímulo do mercado de trabalho ou pela impossibilidade de arcarem com os custos financeiros da busca de um emprego.
Segundo os microdados extraídos da PNADC trimestral, nota-se que, na margem, já há uma melhora no nível de desalento no mercado de trabalho. No segundo trimestre de 2017, 44,7% das pessoas aptas ao trabalho estavam fora da PEA por acharem que não iriam conseguir um emprego, o que representa uma queda de 2,5 p.p. quando comparada ao percentual do período imediatamente anterior (ver gráfico 4).
Em linhas gerais, nota-se que o recuo da taxa de desemprego no último trimestre se deu de forma generalizada em todas as regiões, embora tenha sido mais intenso fora das regiões metropolitanas (ver tabela 1). Na desagregação por gênero, a queda da desocupação entre as mulheres foi ligeiramente maior que a observada entre os homens. Já a abertura por faixa etária revela que a maior retração, na margem, foi registrada no grupo de pessoas com idade entre 18 e 24 anos (-1,5 p.p.) Simultane-amente, o corte por grau de instrução aponta uma maior queda do desemprego no segmento dos trabalhadores com ensino médio incompleto que retroagiu 2,4 p.p.
GRÁFICO 3
Taxa de Atividade, PEA e PO
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 4
Nível de Desalento
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
20 25 30 35 40 45 50
2012.I 2012.II 2012.III
2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
60,4 60,6 60,8 61,0 61,2 61,4 61,6 61,8 62,0 -3 -2 -1 0 1 2 3 jan-m ar/13
mai-jul/13 set-nov/13 jan-mar/14 mai-jul/1
4
set-nov/14 jan
-mar/15
mai-jul/15 set-nov/15 jan-mar/16 mai-jul/16 set-nov/16 jan-mar/17 mai-jul/17
PE A e PO -Va riaç ão inter anua l TX. ATIV PEA PO
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A tabela A.1, no apêndice, retrata o comportamento do desemprego nas Unidades da Federação (UF), mostrando que a queda da desocupação entre o primeiro e o segundo trimestres de 2017 não se deu em todos os estados brasileiros. Dentre as 27 UFs que compõem o território nacional, seis apresentaram, na margem, um aumento do nível de desocupação, com destaque negativo para Pernambuco e Rio de Janeiro, cujas taxas de desemprego aceleraram de 17,1% e 14,5% para 18,9% e 15,7, respectivamente, nesse período de comparação.
Em termos absolutos, os dados apresentados pela PNADC revelam que do pri-meiro para o segundo trimestre do ano, a população ocupada amentou em aproxi-madamente 1,3 milhão de pessoas, refletindo a dinâmica de três movimentos dis-tintos: a recolocação de desempregados (4,3 milhões); a absorção de trabalhadores que estavam fora da PEA (76 mil) e a dispensa de ocupados (3,1 milhões).
2 Análise de Transições e Dinâmica Recente
Na comparação com os trimestres anteriores, observa-se que a melhora recente da ocupação é decorrente tanto de um aumento no número de desempregados que
TABELA 1
Taxa de Desemprego (Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
2015 2016 2017
3º Trim. 4º Trim. 1º Trim. 2º Trim. 3º Trim. 4º Trim. 1º Trim. 2º Trim.
Brasil 8,9 9,0 10,9 11,3 11,8 12,0 13,8 13,0 Centro Oeste 7,5 7,4 9,7 9,7 10,0 10,9 12,1 10,6 Nordeste 10,8 10,5 12,8 13,2 14,1 14,4 16,3 15,9 Norte 8,8 8,6 10,5 11,2 11,4 12,7 14,2 12,5 Sudeste 9,0 9,6 11,4 11,7 12,3 12,3 14,2 13,6 Sul 6,0 5,7 7,3 8,0 7,9 7,7 9,3 8,4 Masculino 7,7 7,7 9,5 9,9 10,5 10,7 12,2 11,5 Feminino 10,4 10,6 12,7 13,2 13,5 13,8 15,8 14,9 18 a 24 anos 19,7 19,4 24,1 24,5 25,7 25,9 28,8 27,3 25 a 39 anos 8,6 8,5 9,9 10,4 10,9 11,2 12,8 12,0 40 a 59 anos 4,6 4,9 5,9 6,3 6,7 6,9 7,9 7,6 60 anos ou mais 2,7 2,5 3,3 3,8 3,6 3,4 4,6 4,5
Não Chefe Família 12,4 12,3 15,0 15,3 15,8 16,0 18,1 17,1
Chefe Família 4,8 5,1 6,1 6,6 7,0 7,2 8,4 7,9 Fundamental Incompleto 7,9 7,9 9,1 9,7 10,5 11,3 12,3 12,0 Fundamental Completo 9,7 9,8 11,6 12,9 13,4 13,4 15,2 15,0 Médio Incompleto 15,3 16,2 20,4 20,6 21,4 22,0 24,2 21,8 Médio Completo 10,1 10,1 12,7 12,8 13,2 13,2 15,5 14,6 Superior 6,2 6,2 7,6 7,8 7,8 7,6 9,2 8,3 RM 9,7 9,8 11,9 12,6 13,5 13,5 14,9 14,7 NRM 8,3 8,4 10,1 10,4 10,5 10,9 12,9 11,7
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conseguiram uma vaga no mercado de trabalho, quanto de uma queda do número de ocupados que perderam os seus empregos. De acordo com o gráfico 5, no se-gundo trimestre de 2017, 31,7% dos trabalhadores que estavam desocupados no trimestre anterior, conseguiram retornar ao mercado de trabalho, ou seja, houve uma expansão de quase 3 p.p. quando comparado ao observado no mesmo tri-mestre do ano anterior. De maneira similar, o percentual de pessoas ocupadas que perderam seus postos de trabalho recuou de 3,6% no segundo trimestre de 2016 para 3,4% nesse mesmo período de 2017 (ver gráfico 6).
A desagregação por faixa etária revela que, apesar de apontar uma melhora na margem, a parcela dos trabalhadores mais jovens que conseguem transitar da de-socupação para a ocupação recuou consideravelmente ao longo do tempo nos últimos anos. De acordo com o gráfico 7, no segundo trimestre de 2012, do total de desempregados com idade entre 18 e 24 anos, aproximadamente 37% obtive-ram uma nova colocação no mercado de trabalho, enquanto no segundo trimestre de 2017, essa parcela recuou para 25%. Entretanto, no último trimestre, apenas o segmento dos trabalhadores com mais de 60 anos apresentou queda na proporção de desempregados que conseguiram transitar para a ocupação.
Em relação aos ocupados que perderam seus postos de trabalho e migraram para o desemprego, verifica-se que o segmento dos mais jovens continua sendo o grupo com maior perda de ocupação (ver gráfico 8). No segundo trimestre de 2017, 7,3% dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos que estavam ocupados passaram a desempregados, o que representa um aumento de 2 p.p. em relação ao observado no mesmo período de 2017. Na comparação com os demais grupos, observa-se que os ocupados com mais de 60 anos formam o segmento com menor probabi-lidade de perder seu emprego. Quando a comparação é feita na margem, nota-se uma redução na proporção de ocupados que transitaram para o desemprego em todos os grupos de idade.
GRÁFICO 5
Proporção de desocupados que transitaram para a ocupação
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 6
Proporção de ocupados que transitaram para a deso-cupação
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
38,6 39,8 37,9 31,7 28,8 31,7 15 20 25 30 35 40 45 2012.I I 2012.IV 2013.I I 2013.IV 2014.I I 2014.IV 2015.I I 2015.IV 2016.I I 2016.IV 2017.I I 2,4 2,5 2,1 2,7 3,6 3,4 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
2012.II 2012.IV 2013.II 2013.IV 2014.II 2014.IV 2015.II 2015.IV 2016.II 201
6.IV
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Em síntese, os mais jovens têm, simultaneamente, mais dificuldade de conseguir emprego e mais chance de ser mandado embora. Entretanto, ambos os indicado-res apindicado-resentaram melhoras na margem no segundo trimestre deste ano.
Na abertura por grau de instrução, os gráficos 9 e 10 mostram, não apenas que vem aumentando a parcela de trabalhadores mais instruídos que estão conseguin-do sair conseguin-do desemprego, mas também que é neste grupo onde está a menor parcela de ocupados que vem perdendo seus empregos. De fato, no último trimestre, 33% dos trabalhadores com nível superior que estavam desempregados conseguiram voltar ao contingente de ocupados, igualando o mesmo percentual registrado pelo grupo com o ensino fundamental incompleto que, historicamente, forma o seg-mento com maior probabilidade de transição da desocupação para a ocupação. Adicionalmente, o grupo dos mais instruídos é o que apresenta a menor chance de perder seu emprego. No segundo trimestre de 2017, apenas 1,9% dos ocupados com ensino superior foram dispensados, resultado este bem melhor que o apre-sentado pelo grupo dos trabalhadores com ensino médio incompleto, que teve 5,4% dos seus ocupados transitando para o desemprego.
GRÁFICO 7
Proporção de desocupados que transitaram para a ocupação - Por faixa etária
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 8
Proporção de ocupados que transitaram para a de-socupação - Por faixa etária
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
15 20 25 30 35 40 45
2012.II 2012.III 2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
18 a 24 25 a 39 40 a 59 mais de 60 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
2012.II 2012.III 2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016
.I
2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
18 a 24 25 a 39 40 a 59 mais de 60
GRÁFICO 9
Proporção de desocupados que transitaram para a ocupação - Por grau de instrução
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 10
Proporção de ocupados que transitaram para a deso-cupação - Por grau de instrução
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
20 25 30 35 40 45
2012.II 2012.III 2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 201
6.II
2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
Fund incompleto Fundamental completo Médio incompleto Médio completo Superior 0 1 2 3 4 5 6 7 8 2012.I I 2012.III 2012.I V 2013.I 2013.I I 2013.III 2013.I V 2014.I 2014.I I 2014.III 2014.I V 2015.I 2015.I I 2015.III 2015.I V 2016.I 201 6.I I 2016.III 2016.I V 2017.I 2017.I I
Fund incompleto Fundamental completo Médio incompleto Médio completo Superior
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Esses movimentos do mercado de trabalho brasileiro reforçam a constatação de que a crise econômica enfrentada pelo país vem atingindo com maior intensidade os mais jovens e os menos instruídos.
O gráfico 11 mostra que a taxa de desocupação da população entre 18 e 24 anos (27%) se mostra sistematicamente bem superior à apresentada pelos demais grupos etários, principalmente quando comparada à dos mais idosos (4,5%). Em que pese o elevado nível de desemprego, a ocupação dos mais jovens foi a que apresentou melhor comportamento na margem ao intensificar o seu ritmo de desaceleração (gráfico 12). Entretanto, os efeitos positivos desta melhora da ocupação, cuja que-da acumulaque-da em quatro trimestres recuou 2 p.p. entre o fim de 2016 e o segundo trimestre de 2017, sobre a contenção da desocupação vêm sendo anulados pelo crescimento da PEA deste segmento que apresenta, uma expansão de 2,3% nos últimos 4 trimestres (gráfico 13). Este avanço da PEA em relação à ocupação vem ocorrendo em todos os grupos etários, impedindo uma retração mais acentuada do contingente de desempregados. No segundo trimestre de 2017, o país possuía aproximadamente 13,5 milhões de desocupados, dentre os quais 65% apresentam idade inferior a 40 anos de idade (gráfico 14).
GRÁFICO 11
Taxa de desocupação
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 12
PO - Variação acumulado em quatro trimestres
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 13
PEA - Variação acumulado em quatro trimestres
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 14
Composição da desocupação
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
0 5 10 15 20 25 30 35 2012. I 2012.IV 2013.II I 2014.II 2015. I 2015.IV 2016.II I 2017.II
18 a 24 anos 25 a 39 anos 40 a 59 anos Mais de 60 anos
-8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8
2013.IV 2014.II 2014.IV 2015.II 2015.IV 2016.II 2016.IV 2017.II
18 a 24 anos 25 a 39 anos 40 a 59 anos Mais de 60 anos
-4 -2 0 2 4 6 8
2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015
.I
2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
18 a 24 anos 25 a 39 anos 40 a 59 anos Mais de 60 anos
0 5 10 15 20 25 30 35 40
2012.I 2012.IV 2013.III 2014.II 2015.I 2015.IV 2016.III 2017.II
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Já o corte por grau de instrução revela que, na margem, os maiores recuos na taxa de desocupação vieram dos grupos com maior nível de escolaridade (ver gráfico 15). Enquanto a PO de trabalhadores com nível superior - que não teve redução nem nos piores momentos da recessão - e a PO dos trabalhadores com ensino mé-dio apontam expansão, os grupos com menos escolaridade registram perdas con-tínuas dos seus contingentes ocupados (ver gráfico 16). No caso dos trabalhadores que possuem o ensino médio (completo ou não), a taxa de desemprego recuou de 17% para 15,9% entre o primeiro e o segundo trimestres de 2017. Em relação ao mesmo período do ano anterior, embora a taxa de desocupação deste segmento aponte alta de 1,8 p.p., esta expansão é bem inferior à observada no trimestre an-terior (3,1 p.p.), mantendo-se a mesma base de comparação. De maneira similar, o desemprego do grupo com nível superior também apontou queda na margem próxima a 1,0 p.p., atingindo taxa de 8,3%, o que significa um aumento de apenas 0,6 p.p. quando comparado ao segundo trimestre de 2016. Nos grupos de traba-lhadores com ensino fundamental completo e incompleto, a taxa de desocupação manteve-se estável, refletindo a redução simultânea da PO quanto e da PEA (grá-fico 17). Em termos de composição, observa-se que praticamente metade de todo o contingente de desempregados possuem nível médio de instrução (gráfico 18).
GRÁFICO 15
Taxa de desocupação
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 16
PO - Variação acumulado em quatro trimestres
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 2012 .I
2012.IV 2013.III 2014.II 2015.I 2015.IV 2016.III 2017.II
Fund. Incompleto Fund. Complet Médio Superior
-12 -10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10
2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 201
7.I
2017.II
Fund. Incompleto Fund. Complet Médio Superior
GRÁFICO 17
PEA - Variação acumulada em quatro trimestres
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 18
Composição da desocupação
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
-8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10
2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 201
6.IV
2017.I 2017.II
Fund. Incompleto Fund. Completo Médio Superior
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55
2012.I 2012.III 2013.I 2013.III 2014.I 2014.III 2015.I 2015.III 2016
.I
2016.III 2017.I
Carta de Conjuntura
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Por fim, a recuperação do mercado de trabalho no último trimestre é corroborada pelo desempenho da taxa de permanência no desemprego, que mede a proporção dos trabalhadores desocupados que não conseguiram nenhuma colocação no mer-cado de trabalho, que caiu de 48% no primeiro trimestre para 45,8% no segundo trimestre deste ano.
3 Grau de Formalidade
Ainda de acordo com a PNADC, esta melhora do mercado de trabalho no segun-do trimestre de 2017 foi decorrente de um maior dinamismo segun-do mercasegun-do informal, que sozinho respondeu por 1,0 milhão de um total de 1,3 milhão de trabalhadores incorporados à população ocupada. De fato, dentre os trabalhadores que estavam desempregados e conseguiram uma nova ocupação, 43% foram incorporados pelo mercado informal, 28% obtiveram uma vaga formal, 28% se tornaram conta pró-pria e 1% viraram empregadores (gráfico 19).
No entanto, se por um lado, o mercado de trabalho formal vem ao longo dos últi-mos trimestres perdendo dinamismo no que se refere à criação de vagas, por outro, verifica-se que ele vem reduzindo o seu ritmo de demissões. Conforme o gráfico 20, no segundo trimestre de 2017, de todos os trabalhadores que transitaram da ocupação para a desocupação, 32% estavam empregados no mercado formal, per-centual este que é 10 p.p. menor que o observado há dois anos. No caso do setor informal, observa-se uma estabilidade ao longo do tempo – 38% dos ocupados neste segmento perdem seus empregos a cada trimestre –, sinalizando que cabe a este setor a maior movimentação entre trabalhadores que transitam da ocupação para a desocupação ou para a inatividade e vice-versa. De maneira similar, tem se tornado mais intensa a movimentação de entrada e saída do mercado de trabalho dos trabalhadores por conta própria.
GRÁFICO 19
Proporção de desocupados que transitaram para a ocupação - Por vínculo
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 20
Proporção de ocupados que transitaram para a deso-cupação - Por vínculo
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
2012.I 2012.II 2012.III 2012.IV 2013
.I
2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
Formal Informal Conta Própia Empregador
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
2012.I 2012.II 2012.III
2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
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De forma um pouco mais clara, os da-dos do Cadastro Geral de Empregada-dos e Desempregados (CAGED) revelam que o mercado de trabalho formal no país vem dando os primeiros sinais de recuperação. Em julho de 2017, a eco-nomia brasileira gerou liquidamente 35,9 mil novas vagas com carteira assi-nada, alcançando um resultado bem su-perior ao observado nesse mesmo mês de 2016, quando foram destruídos 94,7 mil postos de trabalho. Com a incorpo-ração deste saldo mensal, o número de empregos formais perdidos no país no acumulado em 12 meses recuou de 78,7 mil em junho para 65,6 mil em julho, de 2017. Na margem, essa retomada do emprego formal torna-se mais evidente. De acordo com o gráfico 21, os dados dessazonalizados revelam que, em ju-lho, a conjunção entre estabilização do número de demissões e o leve aumen-to do número de contratações gerou a maior expansão da ocupação formal no país desde agosto de 2014.
Ainda que de modo mais moderado, as estatísticas extraídas da PNADC tam-bém revelam um comportamento mais
favorável do mercado formal nos últimos trimestres. Segundo o gráfico 22, após registrarem uma retração da população ocupada com carteira de aproximadamente 5% no fim do primeiro trimestre de 2016, ambas as pesquisas revelam que vem diminuindo o ritmo de contração do número de trabalhadores formais.
Em termos agregados, o mercado for-mal continua sendo o principal empre-gador do país, com um contingente ocupado de 44 milhões de trabalhado-res (gráfico 23), o que cortrabalhado-responde a 49% de toda a ocupação. Em relação às demais categorias, observa-se que ao longo dos últimos anos, vem crescendo o número de trabalhadores por “con-ta própria” enquanto o contingente de empregados no mercado formal man-tém-se estável. Como consequência, a participação relativa dos trabalhadores
GRÁFICO 21
CAGED: Admissões, demissões e saldo - Fluxos mensais dessazonalizados
(Em milhões de unidades)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
-0,25 -0,20 -0,15 -0,10 -0,05 0,00 0,05 0,10 0,15 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0
jan-14 mar-14 mai-14 jul-14 set-14 no
v-14
jan-15 mar-15 mai-15 jul-15 set-15 nov-15 jan-16 mar-16 mai-16 jul-16 set-16 nov-16 jan-17 mar-1
7
mai-17 jul-17
Saldo (eixo dir.) Admissões (eixo esq.) Desligamentos (eixo esq.)
GRÁFICO 22
CAGED e PNADC - Variação interanual do estoque de empregos formais
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
-6 -4 -2 0 2 4 6
jan/14 abr/14 jul/14 out/14 jan/15 abr/15 jul/15 out/15 jan/16 abr/16 jul/16 out/16 jan
/17
abr/17 jul/17
Caged Pnadc
GRÁFICO 23
População Ocupada - Por posição na ocupação
(Em milhões de pessoas)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
0 10 20 30 40 50 60
2012.I 2012.II 2012.III 2012.IV 2013
.I
2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
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informais no total da ocupação recuou 2 p.p. entre 2012 e 2017 – de 23% para 21%, e a do “conta própria” avançou de 22% para 25%.
Embora os empregados com carteira assinada correspondam a aproximada-mente 50% de toda a população ocupa-da, o nível de formalização da economia brasileira é um pouco mais elevado, com taxas próximas a 65% (gráfico 24). Na desagregação por segmentos, nota-se que há desde o início da pesquisa em 2012, um crescimento percentual de tra-balhadores que passaram a recolher suas contribuições ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) independente do tipo de vínculo. No segundo trimes-tre de 2017, 20% dos trabalhadores sem
carteira contribuíam para a previdência, o que representa um aumento de 5 p.p. em relação ao observado no primeiro trimestre de 2012. No caso dos trabalhadores por conta própria e dos empregadores, este aumento do número de contribuintes é ainda mais intenso. Enquanto no primeiro trimestre de 2012, 23% dos ocupados por conta própria e 66% dos empregadores faziam parte do sistema previdenci-ário, no segundo trimestre de 2017 estes percentuais saltaram para 31% e 76%, respectivamente.
4 Emprego Setorial
Apesar de apresentarem escopos dis-tintos, tanto as estatísticas da PNADC quanto as do CAGED apontam trajetó-rias do emprego setorial similares, indi-cando uma recuperação da ocupação em quase todos os setores da economia. De acordo com o CAGED, desde o início de 2017, os saldos em 12 meses de em-pregos formais nos quatro maiores seto-res da economia vêm reagindo de forma sistemática (gráfico 25), beneficiados pela melhora da ocupação na margem. Em julho desse ano, houve criação líqui-da de empregos em praticamente todos
os setores, com destaque para a indústria, o comércio e os serviços que geraram, respectivamente, 12,3 mil, 10,2 mil e 7,7 mil novos empregos com carteira assinada. Em linha com a pesquisa do Ministério do Trabalho, os dados da PNADC também
GRÁFICO 24
Percentual de trabalhadores que contribuem para a previdência social
(Em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
60 61 62 63 64 65 66
2012.I 2012.II 2012.III 2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 2016.IV 2017.I 2017.II
GRÁFICO 25
CAGED - Saldos setoriais em doze meses
(Em mil unidades)
-800 -600 -400 -200 0 200 400 600
jan-15 mar-15 mai-15 jul-1
5
set-15 nov-15 jan-16 mar-16 mai-16 jul-16 set-16 nov-16 jan-17 mar-17 mai-17 jul-17
Demais s
etores
Indústria Construção Comércio Serviços Fonte: IBGE/PNADC
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apontam uma melhora do emprego em praticamente todos os setores. Por englo-bar o mercado informal, que foi o maior gerador de novos postos de trabalho no último trimestre, encerrado em julho, os dados do IBGE mostram, na comparação interanual, uma expansão da população ocupada em diversos segmentos (tabela 2), com destaque para “alojamento e alimentação” (15,2%), “outros serviços” (7,3%), “transportes e correios” (3,1%) e “indústria” (2,3%).
Na análise por tipo de vínculo, observa-se que praticamente todos os setores apre-sentaram uma expansão da ocupação baseada no aumento do trabalho informal. Segundo a tabela 3, apenas dois dentre 13 setores apresentaram crescimento da ocupação com carteira no segundo trimestre de 2017.
TABELA 2
PNADC - População ocupada por setores (Taxa variação interanual, em %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
1º Trim-16 2º Trim-16 3º Trim-16 4º Trim-16 1º Trim-17 2º Trim-17 Mai-Jul-17
Agricultura -1,1 -1,5 -4,7 -4,5 -8,0 -8,1 -8,0 Indústria -11,5 -11,0 -10,1 -7,7 -2,9 0,8 2,3 Construção -1,2 3,9 -2,3 -10,8 -9,5 -9,2 -8,5 Comércio 0,0 -1,0 -2,8 -0,4 -1,3 0,0 0,5 Adm. Pública/Saúde/Educação 2,4 3,1 2,0 -0,7 -1,9 -1,3 0,4 Transporte e Correios 4,3 5,0 5,2 2,2 0,3 2,9 3,1 Alojamento e Alimentação 4,0 3,8 8,0 5,4 11,0 12,9 15,2
Intermediação financeira, Imobiliária e
Serviços à empresas -6,3 -10,0 -9,3 1,8 2,5 1,4 1,3
Outros Serviços 0,2 -0,5 2,3 4,0 2,0 7,8 7,3
Serviços Domésticos 4,3 5,3 2,8 -3,7 -2,9 -2,9 -2,1
TABELA 3
Ocupação por setor de atividade e posição na ocupação - PNADC segundo trimestre de 2017 (Taxa de variação interanual, em%)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
Com Carteira Sem Carteira Conta-Própria
TOTAL -3,1 4,1 -1,8 Agricultura -8,7 -2,3 -13,9 Indústria Transformação -1,4 9,5 0,6 Indústria Extrativa -8,7 -6,4 -40,8 SIUP 11,6 20,3 32,5 Construção Civil -16,8 -6,1 -8,3 Comércio -3,4 8,5 -1,9
Intermediação financeira, Imobiliária e Serviços à empresas -0,1 6,1 1,4
Transporte -3,5 11,1 6,6 Serviços Pessoais 6,0 11,9 6,3 Administração Pública -4,6 3,9 --- Saúde e Educação -0,8 4,0 -9,3 Alojamento e Alimentação -4,5 26,6 27,0 Serviços Domésticos -9,6 0,4 ---
Carta de Conjuntura
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5 Rendimentos
Ao contrário da ocupação que só recen-temente começou a apresentar sinais de recuperação, os rendimentos do trabalho já mostram, há pelo menos três trimes-tres, uma dinâmica favorável. De acordo com os dados da PNADC mensal, no último trimestre móvel encerrado em julho, o rendimento médio real registou pela oitava vez consecutiva crescimento na variação interanual ao apontar alta de 3,0% (gráfico 26).
O bom comportamento dos rendimen-tos reais ao longo dos últimos trimestres
sinaliza, pelo menos em parte, que os ajustes no mercado de trabalho, provenientes da recessão enfrentada pelo país, se deram, sobretudo, via ocupação. Entretanto, outros fatores ajudam a explicar esse desempenho benigno dos rendimentos. O primeiro deles diz respeito ao efeito composição dos salários, tendo em vista que ao longo da crise, a opção inicial é a dispensa de trabalhadores menos qualificados e, portanto, com salários menores, pois esse contingente é mais fácil de ser recon-tratado no momento da retomada da atividade econômica. Com isso, a média sa-larial se eleva mesmo na ausência de reajustes. Adicionalmente, a acentuada queda da inflação nos últimos meses, vem contribuindo positivamente para essa expansão dos salários reais.
GRÁFICO 26
PNADC - Rendimento Médio Real
Valor absoluto e taxa de variação interanual
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
TABELA 4
PNADC – Rendimento Médio Real por Setores (Taxa de variação interanual – %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
1º Trim-16 2º Trim-16 3º Trim-16 4º Trim-16 1º Trim-17 2º Trim-17 Mai/Jul -17
Brasil -3,2 -4,2 -2,1 0,5 2,5 3,0 3,0
Agricultura -7,9 -5,9 -0,9 1,5 7,2 13,6 11,9
Indústria -3,3 -5,3 -1,0 -4,6 -0,7 0,9 0,0
Construção -0,1 2,3 -1,5 -0,5 -2,9 -3,3 -1,8
Comércio -5,5 -3,8 -1,7 1,7 1,7 1,0 2,3
Transporte, Comunicação e Correios -4,3 -3,2 -2,9 14,2 11,5 15,0 14,9
Alojamento e Alimentação -3,6 -3,3 -7,6 -3,5 -2,1 -2,5 -2,2
Intermediação financeira, Imobiliária e
Serviços à empresas 1,1 -4,0 1,0 3,2 1,0 3,3 3,1
Administração Pública, Saúde e
Educação -1,1 -1,3 -0,8 1,1 3,4 1,4 0,8
Outros Serviços -7,5 -7,6 -4,3 -4,0 3,0 1,5 0,1
Serviços Domésticos -0,3 -0,6 0,6 0,6 0,0 1,2 1,1
Setor Privado com carteira -0,9 -4,0 -1,3 1,1 0,3 3,6 3,6
Setor Privado sem carteira -5,1 5,4 1,3 -3,8 7,7 -2,9 -3,5
Setor Público 0,4 2,1 1,3 2,3 4,3 1,2 0,3 Empregadores -4,3 -10,1 -9,2 7,5 4,0 5,4 7,3 Conta Própria -3,9 -4,6 -1,8 -3,5 -2,1 -1,2 -0,5 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 1.940 1.960 1.980 2.000 2.020 2.040 2.060 2.080 2.100 2.120 2.140 2.160
jan-fev-mar/12 mai-jun-jul/12 set-out-nov/1
2
jan-fev-mar/13 mai-jun-jul/13 set-out-nov/1
3
jan-fev-mar/14 mai-jun-jul/14 set-out-nov/1
4 jan-fev-mar/15 mai-jun-jul/ 15 set-out-n ov/1 5
jan-fev-mar/16 mai-jun-jul/16 set-out-nov/1
6
jan-fev-mar/17 mai-jun-jul/17
R$
rendimento real médio Tx cres. Anual
Tx
Carta de Conjuntura
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A análise dos rendimentos com corte setorial revela que as maiores altas foram registradas na agricultura e nos setores de serviços, em especial, os relacionados a “transportes, comunicação e correios” e a “intermediação financeira” (tabela 4). Em relação à posição por vínculo empregatício, nota-se que, embora tenha demonstrado um menor dinamismo em relação à criação de novas vagas, nos úl-timos meses, o mercado formal vem expandindo seus salários em ritmo superior aos observados nos segmentos dos sem carteira e “conta própria”.
Na desagregação por faixa etária, os dados da PNADC revelam que além de rece-berem as menores remunerações em termos absolutos, o grupo dos trabalhadores mais jovens ainda apresentam queda de salário na variação interanual. De acordo com o gráfico 27, no segundo trimestre de 2017, enquanto os empregados com mais de 60 anos, receberam, na média, R$ 2.881,00 (14% a mais que no segundo trimestre de 2016), o grupo de empregados com idade entre 18 e 24 anos, obteve remuneração média de R$ 1.122,00, valor 0,5% abaixo do observado no mesmo período do ano anterior.
No caso da abertura por escolarida-de, observa-se que a diferença entre as remunerações dos trabalhadores com ensino superior e às demais categorias é expressiva (gráfico 28). No último tri-mestre, os empregados mais qualifica-dos receberam, em média, R$ 4.889,00, acelerando 2,2% na comparação intera-nual (tabela 5). Nos demais segmentos, observa-se um comportamento difuso: enquanto os trabalhadores com ensino fundamental e médio incompletos ob-tiveram ganhos reais de 2,7% e 2,9%, respectivamente, o grupo com ensino
fundamental completo aponta estabilidade nos seus rendimentos (0,4%) e o com
GRÁFICO 27
RendimentoMédio Real - Por faixa etária
(Em reais)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
GRÁFICO 28
RendimentoMédio Real - Por grau de instrução
(Em reais)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
1.000 1.200 1.400 1.600 1.800 2.000 2.200 2.400 2.600 2.800 3.000
2012.I 2012.II 2012.III 2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 2016.III 201
6.IV
2017.I 2017.II
18 a 24 anos 25 a 39 anos 40 a 59 anos 60 anos ou mais
1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 4.500 5.000 5.500
2012.I 2012.II 2012.III 2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV 2015.I 2015.II 2015.III 2015.IV 2016.I 2016.II 201
6.III
2016.IV 2017.I 2017.II
Fundamental incompleto Fundamental completo Médio incompleto Médio completo Superior
GRÁFICO 29
Massa salarial real habitualmente recebida
Valor absoluto e taxa de crescimento
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
-6 -4 -2 0 2 4 6 8 160 165 170 175 180 185 190 195
jan-fev-mar/12 mai-jun-jul/12 set-out-n
ov/1
2
jan-fev-mar/13 mai-jun-jul/13 set-out-nov/1
3
jan-fev-mar/14 mai-jun-jul/14 set-out-nov/1
4
jan-fev-mar/15 mai-jun-jul/15 set-out-nov/1
5
jan-fev-mar/16 mai-jun-jul/16 set-out-nov/1
6
jan-fev-mar/17 mai-jun-jul/17
Tx
Crescimento %
R$ (em bilhões)
Carta de Conjuntura
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ensino médio completo registra queda de 1,7% em relação ao mesmo período em 2016.
A recuperação da ocupação, ao longo do último trimestre, associada à continui-dade da expansão dos rendimentos reais, acentuou ainda mais o crescimento da massa salarial. Na comparação interanual, a massa salarial real apontou alta de 3,1% no trimestre maio-julho de 2017, atingindo o melhor resultado desta série desde o trimestre móvel, encerrado em janeiro de 2015 (gráfico 29) – o que pode explicar parte da retomada do consumo das famílias apontada pelos dados do PIB do se-gundo trimestre deste ano.
6 Perspectivas
Para os próximos meses, a expectativa é de que, com a gradual retomada do cresci-mento da economia, a taxa de desemprego deve manter uma trajetória de redução também gradual. No entanto, a queda do desalento pode exercer pressões adicio-nais sobre a PEA, impedindo um recuo da taxa de desemprego mesmo em um cenário de expansão da ocupação.
TABELA 5
PNADC – Rendimento Médio Real por Segmentos (Taxa de variação interanual – %)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
2016 2017
1º Trim. 2º Trim. 3º Trim. 4º Trim. 1º Trim. 2º Trim.
Brasil -3,2 -4,2 -2,1 0,5 2,5 3,0 Centro_Oeste -5,0 -4,8 -2,1 -0,7 1,9 2,0 Nordeste -4,6 -4,4 -3,6 1,2 4,3 5,2 Norte -8,3 -1,5 -2,8 -1,1 3,0 1,3 Sudeste -2,0 -4,7 -2,5 -1,4 0,5 1,7 Sul -5,7 -4,5 -1,2 1,0 3,6 2,9 Masculino -4,2 -5,8 -2,9 -0,4 2,3 3,8 Feminino -2,6 -2,0 -0,8 0,6 2,5 1,5 18 a 24 anos -6,3 -4,2 -4,5 -1,9 1,1 -0,5 25 a 39 anos -2,3 -3,3 -2,6 1,1 1,3 1,6 40 a 59 anos -4,5 -5,9 -3,3 0,9 1,0 2,0 60 anos ou mais -5,1 -5,8 0,8 0,2 11,5 13,7
Não Chefe Família -1,5 -0,9 1,7 3,7 4,8 4,2
Chefe Família -5,2 -6,5 -4,3 -2,6 0,8 2,2 Fundamental incompleto -6,6 -5,4 -2,9 -1,6 2,2 2,7 Fundamental completo -3,6 -4,0 -1,5 -1,1 -0,7 0,4 Médio incompleto -8,6 -5,4 -5,8 -1,2 4,4 2,9 Médio completo -5,9 -3,9 -2,9 -2,7 -0,1 -1,7 Superior -4,9 -7,2 -5,3 -0,2 0,3 2,2 RM -1,9 -3,5 -1,3 0,3 2,2 2,8 NRM -5,4 -5,3 -3,0 -0,9 1,8 2,6
Carta de Conjuntura
| 36 | 3˚ trimestre de 2017
Em relação aos salários, as perspectivas são de continuidade no avanço dos rendi-mentos, principalmente em um cenário de inflação baixa. Dessa forma, a tendên-cia é que a massa salarial real continue a acelerar, contribuindo positivamente para a continuidade da retomada do crescimento do consumo das famílias.
Carta de Conjuntura
| 36 | 3˚ trimestre de 2017
Anexo
TABELA A.1
Ocupação por setor de atividade e posição na ocupação - PNADC segundo trimestre de 2017 (Taxa de variação interanual, em%)
Fonte: IBGE/PNADC
Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.
UF 2° T. 2014 3° T. 2014 4° T.2014 1° T. 2015 2° T. 2015 3° T. 2015 4° T.2015 1° T. 2016 2° T. 2016 3° T. 2016 4° T.2016 1° T. 2017 2° T. 2017 Rondônia 4,11 4,11 3,58 4,4 4,92 6,68 6,33 7,49 7,76 8,44 7,82 8,04 8,93 Acre 9,56 6,96 6,18 8,72 8,72 8,76 7,65 8,68 11,02 12,08 11,67 15,9 14,91 Amazonas 8,26 6,72 7,71 9,36 9,46 10,05 9,09 12,70 13,21 13,57 14,83 17,71 15,47 Roraima 5,24 6,27 6,31 8,9 7,77 9,3 8,07 8,27 7,98 9,71 9,22 10,34 10,84 Pará 7,02 7,18 6,98 9,17 8,94 8,42 8,61 10,03 10,86 10,96 12,67 13,81 11,39 Amapá 9,91 10,57 9,52 9,63 10,11 11,71 12,69 14,26 15,8 14,86 16,75 18,48 17,1 Tocantins 7,65 7,53 6,35 8,73 7,63 9,2 9,02 10,69 11,18 10,75 13,07 12,61 11,71 Maranhão 7,16 6,69 7,03 8,92 8,78 8,45 8,22 10,83 11,81 11,87 12,95 14,97 14,61 Piauí 7,01 6,10 5,93 7,7 7,66 7,63 7,18 9,56 9,88 9,38 8,83 12,58 13,52 Ceará 7,49 7,41 6,58 7,98 8,81 9,54 9,01 10,77 11,45 13,06 12,41 14,25 13,24 Rio Grande do Norte 11,53 10,54 10,36 11,48 11,57 12,65 12,16 14,35 13,47 14,12 14,67 16,33 15,62 Paraíba 8,77 9,21 8,07 9,15 9,07 10,3 9,51 10,03 10,7 12,77 11,94 13,21 11,43 Pernambuco 7,92 8,31 7,59 8,16 9,07 11,2 11,02 13,27 13,96 15,33 15,61 17,1 18,85 Alagoas 9,65 9,72 9,38 11,07 11,7 10,68 11,3 12,80 13,92 14,76 14,75 17,5 17,82 Sergipe 9,56 9,04 8,91 8,61 9,05 8,59 9,92 11,25 12,64 14,24 14,97 16,08 14,08 Bahia 10,10 9,74 9,74 11,31 12,72 12,83 12,18 15,52 15,38 15,91 16,64 18,56 17,48 Minas Gerais 6,82 6,85 6,24 8,24 7,85 8,63 9,29 11,15 10,93 11,2 11,11 13,67 12,17 Espírito Santo 6,49 5,79 6,05 6,92 6,62 8,15 9,07 11,05 11,5 12,72 13,6 14,45 13,35 Rio de Janeiro 6,44 6,13 5,78 6,55 7,2 8,23 8,53 10,01 11,38 12,11 13,44 14,51 15,65 São Paulo 7,04 7,22 7,08 8,45 8,99 9,57 10,12 11,96 12,18 12,78 12,41 14,23 13,5 Paraná 4,15 4,07 3,70 5,31 6,15 6,13 5,79 8,06 8,19 8,49 8,05 10,33 8,91 Santa Catarina 2,78 2,89 2,66 3,87 3,91 4,35 4,18 5,99 6,66 6,36 6,16 7,87 7,51 Rio Grande do Sul 4,90 5,17 4,50 5,63 5,88 6,85 6,51 7,48 8,72 8,24 8,25 9,14 8,42 Mato Grosso do Sul 3,93 4,03 3,77 6,1 6,22 6,27 5,93 7,78 6,97 7,66 8,16 9,78 8,86 Mato Grosso 3,93 3,74 3,97 5,65 6,16 6,62 5,66 9,09 9,8 8,95 9,49 10,47 8,62 Goiás 5,39 5,14 5,03 6,96 7,34 7,2 7,69 9,95 10,15 10,47 11,2 12,69 11,03 Distrito Federal 9,19 8,86 8,71 10,78 9,63 10,26 9,7 11,20 10,93 12 13,87 14,12 13,15
Carta de Conjuntura
| 36 | 3˚ trimestre de 2017
Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) José Ronaldo de Castro Souza Júnior – Diretor
Marco Antônio Freitas de Hollanda Cavalcanti – Diretor Adjunto Grupo de Conjuntura
Equipe Técnica: Christian Vonbun
Estêvão Kopschitz Xavier Bastos
Francisco Eduardo de Luna e Almeida Santos Leonardo Mello de Carvalho
Marco Aurélio Alves de Mendonça Marcelo Nonnenberg
Maria Andréia Parente Lameiras
Mônica Mora Y Araujo de Couto e Silva Pessoa Paulo Mansur Levy
Vinicius dos Santos Cerqueira Sandro Sacchet de Carvalho Equipe de Assistentes: Augusto Lopes dos Santos Borges Felipe dos Santos Martins Leonardo Simão Lago Alvite Luciana Pacheco Trindade Lacerda
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