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Balanço de Energia em Combustão

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Academic year: 2021

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Balanço de Energia em Combustão

O primeira lei da termodinâmica traduzida pelo balanço de energia permite analisar dois conceitos importantes na combustão: temperatura adiabática e poder calorífico que se descrevem de seguida.

Sistema fechado W+Q=∆U=UFinal-UInicial

∆V=0 Æ W=0 e Q=∆U

∆P=0 Æ W=-P ∆V e Q=∆U+ P∆V= ∆H

Sistema aberto (que troca massa com o exterior)

) v gz h ( . m . Q . W Dt DE s e

− + + + + = 2 2

Em regime estacionário DE/Dt=0 e desprezando as variações de energia cinética e potencial:

H Q W h . m . Q . W+ = ∆ ou + = ∆

Num sistema sem variação de volume W=0 e Q=∆H.

h=u+Pv ou H=U+PV pelo que

∆h= ∆u+ ∆(Pv) ou ∆H= ∆U+ ∆(PV).

∆(PV) é muito pequeno para sólidos e líquidos e para gases pode ser relacionado por ∆(PV)=∆(nR0T)

A diferença entre as variações de entalpia e de energia interna depende da variação de número de moles de espécies gasosas na reacção química.

(2)

Casos extremos de evoluções na combustão

Isotérmico Æ Entalpia de combustão

Como a reacção de combustão é exotérmica a entalpia dos produtos é maior que a dos reagentes ou a variação de entalpia de combustão é negativa

No processo isotérmico ∆H = ∆U+∆(n) R0T

Ou ∆H = ∆U + (nProdutos-nReagentes)Gasosos R0T

Quando se considera a reacção com condições iniciais e finais com T=25ºC, P=1 atm, definem-se as entalpias de reacção padrão h0,h0,H0 e de modo equivalente as energias de reacção padrão.

O simetrico das entalpias e energias de reacção permitem definir o Poder Calorífico, respectivamente a pressão e a volume constante Æ Calor libertado.

Definem-se ainda dois tipos de valores inferior e superior dependente de se considerar água no estado de vapor ou líquido respectivamente:

fg f w h m m PCI PCS = +

em base mássica para valores a pressão constante ou

fg f w v v u m m PCI PCS = + a volume constante.

Utiliza-se mais a pressão constante por corresponder a mais aplicações (Excepção nos motores gasolina).

A diferença entre os dois valores é:

(

P R

)

v PCS R T n n

(3)

Adiabático Æ Temperatura adiabática de combustão A temperatura final dos produtos é superior à dos reagentes sendo a entalpia semelhante.

A variação de entalpia de reacção não depende da quantidade de espécies inertes enquanto a temperatura adiabática de combustão depende.

Vamos analisar mais este conceito posteriormente.

Entalpias de formação

Como à mesma temperatura reagentes e produtos têm uma diferença de entalpia, define-se uma base comum para todas as substâncias, convencionando o valor nulo para as condições de referência (T=25ºC) para algumas espécies: C(s), O2, H2, N2, S(s) etc.

Para uma espécie qualquer considera-se a sua formação a partir das espécies de referência e define-se a sua entalpia de formação como a entalpia de reacção para formar o elemento a partir de outras espécies às condições de referência para ambos.

Valores normalmente apresentados em base molar.

Exemplos: CO, CO2, H2O(gas), H2O (liq). Inicial

T H

FAdiabático

(4)

kJ/kmol 110530 2 1 ) ( 2 0 =      + ∆ = h C s O CO h CO o f de CO

(

( ) 2 2

)

393520kJ/kmol 0 2 = ∆h C s +OCO = − h CO o f de CO2 kJ/kmol 241820 ) ( 2 1 2 2 2 0 ) ( 2  = −      + ∆ = h H O H O g h H O g o f H 2O kJ/kmol 285830 ) ( 2 1 2 2 2 0 ) ( 2  = −      + ∆ = h H O H O l h H O l o f H2O

A diferença entre os dois primeiro representa a entalpia de combustão do monóxido de carbono:

kJ/kmol 282990 2 1 2 2 0 =      + h CO O CO

A entalpia de formação de água líquida podia ser obtida do valor de gás - entalpia de vaporização

kJ/kmol 44010 02 , 18 3 , 2442 2 = × = = fg HO fg h M h REFERÊNCIA C(s), H2, O2, N2 CO CO2 -110530 kJ/kmol -282990 kJ/kmol -393520 kJ/kmol H 2O (g) H 2O (l) -241820 kJ/kmol -285830 kJ/kmol hfg

(5)

A entalpia de formação dos combustíveis podem ser definidas a partir da entalpia de reacção do combustível conduzindo à formação dos produtos.

Ex. Metano com poder calorífico inferior 50016 kJ/kg ou em termos molares 50016x16,04=802256 kJ/kmol

(

4 2 2 2 2 2 ( )

)

802256kJ/kmol 0 + + = h CH O CO H O g 4 2 2 2 4 0 0 0 0 0 2 2 CH f O f O H f CO f CH h h h h h = + × − × − ∆ Æ kmol kJ hf CH 74850 / 4 0 =

A entalpia de formação do combustível no estado líquido pode ser definido a partir do valor no estado gasoso, subtraindo a entalpia de vaporização.

Ex: hf0CHOH(g) 200670kJ/kmol 3 = − , hfg = 37900kJ/kmol kmol kJ h h hf CHOH l f CHOH g fgCHOH 238570 / 3 3 3 ( ) 0 ) ( 0 = =

O poder calorífico do combustível no estado líquido também pode ser obtido a partir do valor correspodnente no estado gasoso.

A entalpia para qualquer temperatura para uma espécie é obtida somando à entalpia de formação a parcela ‘sensível’ (h-h298). Existem tabelas com

valores de entalpia sensível em relação à referência (298K) ou com valor nulo correspondente a 0K, quando são obtidos de polinómios (a6i=0)

h/R0= a1iT+ a2iT2/2+ a3iT3/3+ a4iT4/4+ a5iT5/5+ a6i

(6)

Cálculo da temperatura adiabática de combustão

A temperatura adiabática de combustão pode ser obtida a partir de um balanço de energia, calculando a entalpia dos produtos como igual à entalpia dos reagentes.

A partir da aproximação polinomial da entalpia em função da temperatura pode-se calcular a temperatura.

Ex. Temperatura adiabática de combustão estequiometrica de Metano à temperatura de referência (298K) com oxigénio:

(

2 2 2 ( )

)

Re .

(

4 2 2

)

74850kJ Pr CO + H O g = H CH + O = − H od ag

(

)

(

0

)

(

0

)

( ) 2 2 Prod CO 2H O(g) hf h CO2 2 hf h H2O g H + = + ∆ + × + ∆

(

2 2

)

(

( )

)

Prod CO 2H O(g) 877160 hCO2 2 hH2O g H + = − + ∆ + ×∆ Função da temperatura

De onde se pode calcular TAdiabático=

Se considerarmos a combustão com ar em vez de oxigénio o valor da temperatura adiabática vai ser diferente:

(

2 2 2 ( ) 7,52 2

)

Re .

(

4 2 2 7,52 2

)

74850kJ Pr CO + H O g + N = H CH + O + N = − H od ag

(

2 ( ) 7,52

)

(

0

)

2 2

(

0

)

2 ( ) 7,52 2 2 2 2 Prod CO H O g N hf h CO hf h HO g hN H + + = + ∆ + × + ∆ + ∆

(

2 2 2 ( ) 7,52 2

)

877160

(

2 2 2 ( ) 7,52 2

)

Prod CO H O g N hCO hH O g hN H + + = − + ∆ + ×∆ + ∆

(7)

Balanço de energia em sistemas de combustão

Num caso geral a temperatura dos reagentes e a dos produtos são ambas diferenças do estado de referência

Nestes casos para quantificar o calor fornecido (normalmente<0) Q=∆H tem de se quantificar as várias parcelas desde a situação inicial à final:

(

)

(

f

)

j ag j j i f od i i ag od H n h h n h h H Q = − =

+ ∆ −

+ ∆ = = 0 Re 0 Pr Re Pr & &

que também se pode escrever em termos mássicos

(

)

(

)

     ∆ + − ∆ + =

= = j ag f j j i f od i i h h x h h x m Q 0 Re 0 Pr &               − + ∆ − ∆ =

= = = = 0 Re 0 Pr Re Pr fj ag j j fi od i i j ag j j i od i i h x h x h x h x m Q &

No caso de combustão completa (Comb. Gasoso) pode-se obter:

(

)

(

)

[

c T T c T T

]

m PC

m

QTransf = &Gases pReag Reag0pProd Prod0 + &Combustível Inicial T H Final ∆H0 Calor trocado Entalpia de reacção0 = - Poder Calorífico

(8)

Para o caso de combustão incompleta ou quando ocorre mudança de fase de reagentes e/ou produtos tem de se quantificar a variação de entalpia correspondente e incluir na expressão para o calor transferido.

O rendimento de um equipamento de uma caldeira ou câmara de combustão é normalmente representado como a razão entre o calor obtido e a entrada de energia no sistema. A entrada de energia é quantificada pelo produto do caudal de combustível pelo PCS (Poder Calorífico Superior) e a entalpia do ar de combustão (pode ser pré-aquecido)

Existem dois métodos para determinar o rendimento de câmaras de combustão: Método directo e indirecto.

Método Directo: Representa a razão entre o calor obtido na caldeira (do lado da água/vapor) em relação à entrada total de energia.

Método Indirecto: Representa 1 menos as perdas a dividir pela entrada total de energia. As parcelas principais das perdas são:

- Entalpia sensível dos produtos de combustão - Entalpia latente nos produtos de combustão

(vapor de água nos produtos)

- Perda de vaporização da humidade do ar - Perda por inqueimados sólidos e gasosos - Perdas de calor para o ambiente

- Perdas do circuito de água/vapor e outras ...

Existem normas para o cálculo da eficiência de caldeiras que apresentam esquemáticos (DIN, ASME)

Referências

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