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Análise ergonômica postural de tatuadores

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE CONSTRUÇÃO CIVIL

ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

FERNANDA BONATO

ANÁLISE ERGONÔMICA POSTURAL DE TATUADORES

MONOGRAFIA DE ESPECIALIZAÇÃO

CURITIBA 2016

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FERNANDA BONATO

ANÁLISE ERGONÔMICA POSTURAL DE TATUADORES

Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista no 31

º

Curso de Pós Graduação em En-genharia de Segurança do Trabalho, Departamento Acadêmico de Construção Civil, Universidade Tec-nológica Federal do Paraná, UTFPR.

Orientador: Prof. M. Eng. Massayuki Mário Hara

CURITIBA 2016

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FERNANDA BONATO

ANÁLISE ERGONÔMICA POSTURAL DE TATUADORES

Monografia aprovada como requisito parcial para obtenção do título de Especialista no Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho, Universidade Tecnológica Fe-deral do Paraná – UTFPR, pela comissão formada pelos professores:

Banca:

_____________________________________________ Prof. Dr. Rodrigo Eduardo Catai

Departamento Acadêmico de Construção Civil, UTFPR – Câmpus Curitiba.

________________________________________ Prof. Dr. Ronaldo Luis dos Santos Izzo

Departamento Acadêmico de Construção Civil, UTFPR – Câmpus Curitiba.

_______________________________________ Prof. M.Eng. Massayuki Mário Hara (orientador)

Departamento Acadêmico de Construção Civil, UTFPR – Câmpus Curitiba.

Curitiba 2016

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RESUMO

O presente estudo analisa ergonomicamente o trabalho do profissional tatuador identificando as posturas prejudiciais, certas posturas adotadas são as principais causas de lesões, distúrbios e doenças do sistema musculoesquelético. O levantamento para realizar a análise foi através de questionários aplicados a esses profissionais como também a verificação in loco compro-vadas por fotos, assim como informações adquiridas pessoalmente e através de redes sociais, após o levantamento foram gerados os resultados e estes obtidos por gráficos e através do

software RULA. Com base nos resultados constatou-se a necessidade de melhoria das

condi-ções de trabalho deste profissional, pois sua postura é inadequada e adotada durante um longo período, algumas sugestões para aperfeiçoamento ergonômico no trabalho destes foram inse-ridas no estudo. As adequações de posto e organização do trabalho geram uma melhoria na saúde dos tatuadores, visando à continuidade da qualidade de seus trabalhos e consequente-mente a otimização do tempo trabalhado.

Palavras-chaves: Posturas Prejudiciais. Condições de Trabalho. Adequação do Posto de

Tra-balho, Organização do Trabalho. RULA

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ABSTRACT

The present study examines the work ergonomically tattoo artist professional identifying harmful postures adopted certain positions are the principal causes of injuries, disorders and diseases of the musculoskeletal system. The survey to perform the analysis was through ques-tionnaires given to these professionals as well as verification in loco proven by photos, as well as information personally acquired and through social networks, after the survey was generat-ed results and those obtaingenerat-ed by graphics and by RULA software. Basgenerat-ed on the results notgenerat-ed the need to improve the working conditions of this professional because your posture is inad-equate and adopted over a long period, some suggestions for ergonomic improvement in the work of these were inserted in the study. The adjustments station and organization of work generate an improvement in the health of tattoo artists, aiming at continuing the quality of their work and consequent mind-optimizing time worked.

Keywords: Postures Harmful. Work conditions. Adequacy of Work. Labor Organization.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Coluna Vertebral ... 20

Figura 2 – Vértebras com disco intervertebral ... 21

Figura 3 – Pressão nos discos intervertebrais na posição sentada ... 22

Figura 4 – posição 1: flexão do pescoço, e posição 2: extensão do pescoço... 27

Figura 5 – posição 1: rotação do pescoço, e posição 2: inclinação lateral do pescoço ... 27

Figura 6 – posição 1: flexão do tronco, posição 2: extensão do tronco, posição3: inclinação do tronco, e posição 4: rotação do tronco ... 28

Figura 7 – Extensão e flexão de coxa, pernas e joelho. ... 28

Figura 8 - posições de ombro, cotovelo e punhos ... 29

Figura 9 – Posições de pega ... 29

Figura 10 – Especificações da altura adequada da superfície de trabalho para operador sentado ... 31

Figura 11 – Campo ótimo de movimentos dos pés ... 33

Figura 12 – posição sentada, ação tatuando ... 41

Figura 13 – posição sentada, ação para abastecimento de tinta... 42

Figura 14 – posição sentada, altura dos mobiliários. ... 43

Figura 15 – Gráfico 1 – sexo ... 44

Figura 16 – Gráfico 2 – dores relacionadas ao trabalho ... 44

Figura 17 – Gráfico 3 – interrupção do trabalho ... 45

Figura 18 – Gráfico 4 – prevenção realizada ... 45

Figura 19 – Gráfico5: dores nos ombros ... 45

Figura 20 – Gráfico 6: dores nos ombros ... 45

Figura 21 – Gráfico 7: dores nos antebraços ... 46

Figura 22 – Gráfico 8: dores nas mãos ... 46

Figura 23 – Gráfico 9: dores no pescoço ... 46

Figura 24 – Gráfico 10: dores no dorso superior ... 46

Figura 25 – Gráfico 11: dores no dorso médio ... 47

Figura 26 – Gráfico 12: dores no dorso inferior ... 47

Figura 27 – Gráfico 13: Alongamento durante o trabalho... 48

Figura 28 – Gráfico 14: Pratica atividade física ... 48

Figura 29 – Banco de dados sistema RULA... 49

Figura 30 – Resultado do método RULA ... 49

Figura 31 – Medidas antropométricas para trabalho na posição sentado ... 50

Figura 32 – Banco de dados do Check List de Couto ... 51

Figura 33 – Análise do resultado do Check List de Couto ... 51

Figura 34 – Cadeira ergonômica para clientes, posição 1 ... 53

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LISTA DE QUADROS E TABELA

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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ... 9 1.1. OBJETIVO ... 10 1.1.1. Geral ... 10 1.1.2. Específicos ... 10 1.2. JUSTIFICATIVA ... 10 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 12 2.1. ERGONOMIA ... 12 2.2. TRABALHO X SAÚDE ... 15

2.3. BIOMECÂNICA OCUPACIONAL (MUSCULOESQUELÉTICA) ... 17

2.3.2. Coluna Vertebral... 20

2.4. DISTÚRBIOS, LESÕES E DOENÇAS ... 22

2.4.2. Lombalgias ... 23 2.4.3. LER/Dort ... 25 2.5. TRABALHO SENTADO ... 26 2.6. NR17 ... 35 2.7. RULA ... 36 2.8. TATUAGEM ... 37 3. METODOLOGIA ... 39

3.1. DESCRIÇÃO DO POSTO DE TRABALHO E ATIVIDADES REALIZADAS .... 40

4. RESULTADO E DISCUSSÃO ... 44

4.1. SUGESTÕES ... 52

5. CONCLUSÃO ... 54

REFRÊNCIAS ... 55

ANEXOS ... 57

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1. INTRODUÇÃO

Atualmente a tatuagem vem se expandindo como uma forma de arte temporal, principalmente sobre os jovens que buscam com isso autenticidade, liberdade e uma forma de expressão aplicada em seu corpo, afirmando, por muitas vezes, suas opiniões e/ou reforçando suas crenças. Com o aumento da procura para a realização das tatuagens houve uma expansão desse serviço oferecido, estes prestadores de serviços são conhecidos como tatuadores ou dermopigmentadores.

Estes profissionais em sua maioria são autônomos e não possuem nenhum apoio ergonômico para a realização de seu trabalho, no mercado existem alguns mobiliários voltados a estes profissionais, porém nenhum com estudo especificado sobre sua eficiência ergonômica para a realização do trabalho deste profissional. Este estudo mostrou-se uma ferramenta inicial para a melhoria do trabalho do tatuador, visto que especifica pontos de melhoria para a execução da atividade baseados em leitura para referências de um melhor posicionamento no ambiente de trabalho.

A ergonomia visa adaptar o trabalho ao trabalhador melhorando a saúde e sua segurança, a fim de levar este a um melhor desempenho e qualidade do serviço prestado. A adaptação do posto de trabalho pode ser feita antecipadamente durante o projeto e instalação, ou ainda realizada após a implantação do estúdio de tatuagem – este é o que ocorre na maioria das vezes dentro do contexto estudado. Porém a despreocupação com a saúde ainda é muito grande, levando estes profissionais a terem jornadas extensas de trabalho e não se preocupando com sua integridade física. Estes profissionais, em sua maioria, não adaptam seus espaços a fim de terem uma melhor qualidade de trabalho, talvez nunca tenham sido orientados corretamente ou por não existir mobiliários e equipamentos pensados para este campo.

A postura incorreta pode ocasionar distúrbios, lesões ou até doenças que em sua maioria podem ser evitadas melhorando a postura do trabalhador ou até mesmo com pequenas mudanças na realização do seu trabalho diário, a conservação da qualidade de vida através de atividades físicas, alimentação adequada para se evitar o sobrepeso e melhorar seu condicionamento, mostra-se muito importante e relevante em situações posturais mais estáticas. A preservação da saúde no trabalho e qualidade de vida do individuo, mostram-se necessárias para que se evitem invalidações e problemas futuros, proporcionando uma vida melhor e saudável.

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Dentro disto, o trabalho vai relatar as diferenças qualitativas destes profissionais, através de programas, questionários, redes sociais, conversas informais e pesquisa de campo, demonstrando os principais problemas encontrados no campo ergonômico.

1.1.OBJETIVO

1.1.1. Geral

O objetivo geral do trabalho é a Análise Ergonômica Postural do Trabalho de Tatuadores na região de Curitiba e Campo Largo, no estado do Paraná.

1.1.2. Específicos

• Analisar a existência de distúrbios, lesões e/ou doenças do sistema musculoes-quelético através de questionário (Anexo I) e avaliação in loco.

• Verificação do posto de trabalho na realização da atividade para averiguar a sua adequação.

• Através dos resultados, descrever melhorias e adequações para estes profissio-nais.

1.2. JUSTIFICATIVA

Dentro do proposto este estudo justifica-se com o intuito de melhorar a qualidade do trabalho promovendo a saúde e segurança ocupacional do profissional tatuador, tendo em vista a falta do estudo ergonômico sobre este setor que cresce demasiadamente nos tempos atuais, a proposta de pequenas melhorias no dia a dia do tatuador terá impacto em seu futuro. Pois os distúrbios, lesões e doenças do sistema musculoesquelético são causadores, em longo prazo, de invalidações e problemas crônicos ao individuo afetado.

Sendo colocado por Pires do Rio e Licínia (2001) que os três campos mais precisos de atuação da ergonomia são: o posto de trabalho – que incluí o mobiliário, máquinas, equipamentos, ferramentas, materiais, layout do local onde o posto está inserido – organização do trabalho – como a tarefa é executada e organizada em relação aos processos gerais e individualmente – e o conforto ambiental – que interfere no bem estar e desempenho

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das pessoas. Este estudo priorizou a estes três princípios para demonstrar um resultado relevante e para efetuar a melhoria do trabalho para o profissional analisado.

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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. ERGONOMIA

Segunda Iida (2005) quando a ergonomia expandiu-se foi aplicada também no setor de serviços (saúde, educação, transporte, lazer e outros), não apenas nas áreas industriais (homem-máquina). Houve mudanças na parte qualitativa, pois antigamente o trabalho exigia maior esforço físico-repetitivo, hoje já depende, também, de aspectos conectivos, como aquisição e processamento de informações.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial houve a mudança de pensamento em adaptar o trabalho ao homem comum, do antigo pensamento de haver sempre um trabalhador certo para o “lugar certo”. A ergonomia preza pela melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida, visando sempre o homem. Também pode ser considerada uma tecnologia ou uma ciência, pois efetua como resposta socioeconômica e também amplia os conhecimentos (KARNAS; VAN LEENPUT, 1990).

Da mesma forma, Rio e Pires (2001), afirmam que a ergonomia evoluiu devido a fatores socioeconômicos e também tecnológicos que vem ocorrendo em relação ao trabalho. Sendo aplicados, ao longo dos anos, princípios na substituição ou transferência de trabalhos mais pesados para animais, por exemplo; invenção de artifícios que facilitam o trabalho; adaptação do posto de trabalho ao homem; aperfeiçoamento para melhorar o posicionamento do corpo humano em atividades excêntricas.

A ergonomia surge na década de 40 já tentando compreender a interação homem-trabalho, sendo ligada diretamente a necessidades da guerra, como a construção de aviões com base nas características médias dos seres humanos, tornando-os manejáveis a uma demanda maior de pilotos (RIO; PIRES, 2001)

A ergonomia segundo Laville (1977) é a disciplina que procura a melhoria das condições de trabalho no sentido global do termo. E com isso Wisner (1994) constata que há o aumento da qualidade e produtividade.

Hoje vemos que a ergonomia abrange muitos produtos utilizados pelo homem, saindo da especificidade do trabalho, como em sapatos, colchões, carros, visando que estes sejam utilizados com maior conforto e adequação anatômica. O aumento da competitividade através da globalização da economia traz novas situações para a ergonomia como: novas exigências de produtividade e desempenho (sendo mais taxativo em relação à saúde e produtividade), o sedentarismo no trabalho (redução de cargas físicas, e ofertas mínimas para a manutenção da

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saúde), intensificação e globalização do estresse psíquico (sem metodologia eficaz na ergonomia tendo que solicitar apoio de outras áreas) (RIO; PIRES, 2001).

Já Iida (2005) defende que a ergonomia estuda as condições prévias, como as consequências do trabalho, assim sendo as interações homem-máquina-ambiente durante a realização do trabalho. Sendo que os elementos interagem entre si continuamente, hoje incluídos os fatores organizacionais, pois muitas decisões são tomadas a níveis gerenciais. A aplicação da ergonomia dá-se nos locais onde se observa problemas ergonômicos mais graves, reconhecidos por sintomas como um grande número de erros, acidentes, doenças, absenteísmos e rotatividade de empregados. Estes sintomas podem ocorrer devido a uma inadaptação da máquina, falha na organização do trabalho ou deficiências ambientais.

Em 1997, Fialho e Santos descreveram que as situações de trabalho não são determinadas apenas por critérios ergonômicos, naquela época a prática da ergonomia era considerada o conjunto de conhecimentos científicos sobre o homem e aplicação destes conhecimentos na concepção de máquinas, ferramentas e dispositivos que o homem utiliza em seu trabalho, não levando em consideração os fatores sociais e econômicos, por exemplo.

Mas as preocupações em adaptar o ambiente natural para atender as conveniências do homem sempre estiveram presentes desde os tempos remotos (pré-história – pedra com melhor forma para adaptação em sua mão e movimentos) (IIDA, 2005).

Atualmente há um respeito maior com a individualidade do trabalhador, o que diminuiu que a tomada de decisão fosse exclusivamente gerencial, mas também passaram a ser do trabalhador e seu grupo, o que trouxe mais liberdade e responsabilidade ao trabalhador, e dando-lhe a oportunidade de manifestar seus talentos e suas individualidades (IIDA, 2005).

Como já confirmado por Fialho e Santos (1997), a intervenção ergonômica resulta uma demanda direta, em relação às condições de trabalho; e uma demanda indireta na segurança do trabalho – diminuição de acidentes; fabricação – melhoria na qualidade do produto; menor rotatividade de trabalhador em determinado posto – adequação da seleção; através da planificação e estudos para implantação de um sistema de melhoria da qualidade e aumento da produtividade. Devem-se analisar problemas ergonômicos para saber qual método será levado a utilizar, em seguida estudam-se os aspectos técnicos, econômicos e sociais da empresa, confrontando estes dados, teremos dados sobre a carga de trabalho e variações intra e interindividuais (condicionantes que variam em função da motivação, competência, capacidades físicas e cognitiva, estado emocional, entre outras) e intergrupos.

Porém a diretriz ética e técnica fundamental da ergonomia, a de que seria adaptar o trabalho ao ser humano, na maioria das vezes, pode ser inviável colocá-la em prática devido a

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dificuldades como insuficiência técnica, questões financeiras ou até mesmo jogos de poder, questões culturais e macroeconômicas e também sociais podem também dificultar essa prática, fazendo com que o homem tenha que se adaptar ao trabalho (RIO; PIRES, 2001)

As adaptações do trabalho para os seres humanos exigem um grande conhecimento, para que o ato do trabalho se torne algo não desgastante, levando em consideração as necessidades e características básicas dos seres humanos, a característica de forma mais objetiva é geralmente vinculada à fisiologia dos processos energéticos e sistemas orgânicos (RIO; PIRES, 2001).

Iida, em 2005, complementa a ideia anterior descrita sobre a adaptação do trabalho ao homem que nem sempre tem uma solução simples e por muitas vezes não é resolvida na primeira tentativa. Pois em situações ideais a ergonomia é aplicada nas etapas iniciais de um projeto, sempre incluindo o ser humano como um dos componentes. E que por muitas vezes as soluções tomadas são dentro das restrições existentes, como: domínio econômico, pequenos prazos ou até atitudes mais conservadoras, porém o requisito segurança como sendo prioridade é onde não se devem fazer concessões, para evitar sofrimentos, mutilações e o sacrifício da vida do trabalhador.

A ergonomia tem como objetivo básico reduzir as consequências nocivas ao trabalhador e que possa influir no processo produtivo. Procurando reduzir a fadiga, estresse, erros e acidentes o que proporciona ao trabalhador satisfação (resultado do atendimento das necessidades e expectativas), segurança (alcança-se através de projetos e organização do posto e ambiente de trabalho) e saúde (exigências não ultrapassam limitações energéticas), durante sua atividade produtiva, sendo que a eficiência (consequência de bom planejamento e organização do trabalho, porém deve ser limitada para não implicar prejuízos à saúde e segurança) possa vir como uma consequência (IIDA, 2005).

Uma análise ergonômica do trabalho apenas existe quando baseada numa situação real de trabalho, comportando três fases: análise de demanda (definição do problema), Análise da tarefa (condições ambientais, técnicas e organizacionais realizadas pelo trabalhador), Análise das atividades (análise do comportamento do homem no trabalho). Sendo que cada análise faz-se por uma descrição, observação e medidas sistemáticas de variáveis em relação às hipóteses mensuradas. As variáveis levantadas dependerão das hipóteses geradas, sendo que através destas hipóteses as medidas serão realizadas sobre as pessoas, atividades desenvolvidas e/ou sobre o meio ambiente. O resultado da análise ergonômica serve para melhorar as condições de trabalho, podendo melhorar também a produtividade e qualidade

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dos produtos ou serviços que são ou serão produzidos ou realizados (SANTOS; FIALHO, 1997).

Iida (2005) afirma que a ergonomia dependendo de sua aplicação é classificada em: • Ergonomia de concepção (se faz durante o projeto – produto, máquina, ambiente ou sistema – melhor situação pela abertura de alternativas a serem examinadas, porém exige-se maior conhecimento e experiência, pois são tomadas em situações hipotéticas);

• Ergonomia de correção (são realizadas em situações já existentes, a fim de resolver problemas como segurança, fadiga, doenças do trabalho. Porém esta alternativa de correção pode tornar-se onerosa para a empresa);

• Ergonomia de conscientização (capacitação dos trabalhadores para identificação e correção dos problemas cotidianos ou emergências, a conscientização se dá por treinamentos e reciclagem);

• E ergonomia de participação (envolve o trabalhador na busca da solução pelo problema, pois se acredita que por ser usuário do sistema têm o conhecimento prático, onde algum detalhe pode passar despercebido pelo projetista ou ergonomista. O que difere da ergonomia de conscientização é que nesta situação há a participação do trabalhador, e não apenas o relato da informação a ele, fazendo com que sejam repassadas as informações para as fases de conscientização, correção e concepção).

Durante muito tempo a ergonomia de correção predominou, mudando essa mentalidade a partir da década de 80 fazendo com que a ergonomia de concepção ganhasse força (SANTOS; FIALHO, 1997).

2.2. TRABALHO X SAÚDE

Trabalho é toda atividade que relaciona o homem e a produtividade, logo a ergonomia é a adaptação deste trabalho ao homem. A ergonomia possui uma ampla visão que abrange atividades de projeto e planejamento, ocorrendo antes, durante e depois do trabalho a ser realizado, tudo para atingir os resultados desejados. Preservação da saúde do trabalhador através de estudo das características do mesmo para então ser realizada a projeção do trabalho. A adaptação sempre ocorre do trabalho para o homem, pois é muito mais difícil a adaptação do homem ao trabalho o que resultaria em condições adversas de trabalho, não aceitável pela ergonomia (IIDA, 2005).

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Rio e Pires relatam em 2001 que a saúde é condicionante do bem estar físico e psíquico o que capacita a interação com o mundo e formas de ações, é a expressão mais evidente para a qualidade de vida.

A motivação, treinamento e comprometimento junto com a saúde compõem um diferencial competitivo, visto que são fatores demonstrativos de desempenho e produtividade ótimos, compondo a otimização do trabalho (RIO; PIRES, 2001).

Tratando-se de características e necessidades do corpo humano a ergonomia tem por base a fisiologia da atividade, o sistema musculoesquelético e o sistema óptico (RIO; PIRES, 2001).

Maslow em 1943 hierarquizou as necessidades psíquicas do nível mais básico até o mais sofisticado, sendo: 1-conservação da vida; 2-domínio do ambiente físico; 3-integração no grupo, 4-reconhecimento do próprio valor; 5-autorealização; que devem ser satisfeitas progressivamente, sendo este modelo o mais acessível para aqueles que não são especialistas na psique humana.

Por dificuldade em propor uma abordagem das necessidades humanas, a ergonomia tem se dedicado mais a prevenção da fadiga e de acidentes, e da prevenção de doenças musculoesqueléticas (RIO; PIRES, 2001).

Existem três campos de mais precisos de atuação da ergonomia, que são os três primeiros níveis propostos pela comissão coordenadora por Wisner, que são: posto de trabalho (local ou locais específicos onde as pessoas trabalham incluindo o mobiliário, máquinas, equipamentos, ferramentas, materiais, layout especifico e do espaço onde o posto está.), organização do trabalho (são diversos fatores que definem como o trabalho é organizado, em termos dos processos, como também ele é executado individualmente e coletivamente), ambiente de trabalho (refere-se a higiene ocupacional dentro dos aspectos físicos, químicos e biológicos) (RIO; PIRES, 2001).

Em uma situação de trabalho, segundo Fialho e Santos (1997), nos proporciona praticamente o mesmo cenário, primeiramente nos proporcionando uma ideia do que se analisará – problemas ou erros de: concepção ou correção de sistemas produtivos, concepção de produtos, introdução de novas tecnologias, organização do trabalho, entre outros – para então colocar em prática a metodologia a ser aplicada.

A organização do trabalho pode trazer benefícios à saúde através de:

• Mudanças de métodos: pois quando o trabalho têm métodos simples e muito repetitivos eles podem causar a fadiga muscular, por trabalharem com o mesmo grupo muscular (IIDA, 2005).

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• Rigidez organizacional: Dejours (1987) demonstra que a rigidez excessiva no ambiente de trabalho, como a imposição de um ritmo, neutraliza a vida mental durante o trabalho, fazendo o trabalhador ficar mais suscetível a doenças, a liberdade em organizar o ambiente de trabalho fazendo o trabalhador adaptar o ambiente a sua necessidade e sua personalidade, proporciona a ele um maior equilíbrio emocional (IIDA, 2005).

• Participação dos trabalhadores: envolver os trabalhadores na solução dos problemas é muito vantajoso, pois eles conhecem muito bem o trabalho executado, podendo especificar até detalhes que especialistas deixaram passar, faz, também, com que os trabalhadores aceitem melhor a proposta de mudanças (IIDA, 2005).

2.3. BIOMECÂNICA OCUPACIONAL (MUSCULOESQUELÉTICA)

A biomecânica é multidisciplinar e estuda a grande variedade de distúrbios do ser humano e limitações de desempenho, assim interpretando e resolvendo estas dificuldades, dentro disso definimos dois tipos de trauma o por impacto e por esforço excessivo. Como por exemplo, uma pessoa que realiza esforços manuais, ocasionais ou repetitivos, o estresse biomecânico gerado for alto, lesões graves e até incapacitantes podem ocorrer a partir de uma deterioração gradual dos tecidos ao longo de semanas ou até de anos (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

Evento Forma de Trauma Resultados Orgânicos

Típicos

Força Súbita Trauma por impacto Contusões, lacerações,

fraturas, amputações, subluxações articulares, concussão, etc.

Atividade Voluntária Trauma por esforço excessivo

Tendinites, tenossinovites, distúrbios miofasciais, compressões nervosas, lesões por traumas cumulativos, distúrbios lombares, etc. Quadro 1 – Mecanismos biomecânicos de lesões comuns no trabalho

Fonte: CHAFFIN, 2001

As capacidades físicas da população normal podem variam imensamente, dependendo dos fatores genéticos, idade, habilidades, entre outros, esses dados em conjunto com os métodos da biomecânica ocupacional fornecem informações sobre os limites do sistema musculoesquelético em relação ao desempenho, e podem ser utilizadas para determinar a

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capacidade de diversas populações para condições de trabalhos diferentes (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

O sistema musculoesquelético tem como funções principais de sustentar e proteger o corpo e seus órgãos, iniciar e manter movimentos. Tendo um dos papéis principais as articulações, pois são elas que permitem os movimentos, também são referidas como unidades funcionais deste sistema (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

Rio e Pires (2001) concordam afirmando que sistema musculoesquelético é utilizado para designar o conjunto de músculos, tendões, ossos, membranas (fáscias), e que entre suas funções estão inclusas a proteção de órgãos e tecidos mais sensíveis, a de sustentação do corpo em diversas posturas possíveis e também a de movimentação do corpo, esta realizada pela capacidade de contração e descontração muscular nos eixos sólidos representados pelos ossos.

As principais subestruturas do sistema musculoesquelético são também conhecidas por tecidos moles (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001):

Ligamentos: conectam um osso a outro, fornecem estabilidade articular;

Tendões: conectam os músculos aos ossos, transmitem forças originadas nos

músculos;

Fáscias: tecido conjuntivo denso que recobre os órgãos ou parte dos órgãos e

os separam.

Cartilagem: recobre superfícies ósseas e também se encontra em alguns órgãos

– orelha, nariz , trato respiratório e nos discos intervertebrais. São três tipos cartilagem hialina (epífises de crescimento, superfícies articulares e trato respiratório), fibrocartilagem (discos intervertebrais) e cartilagem elástica (orelha e epiglote na laringe). É um tecido único desprovido de nervos e vasos sanguíneos, o que acaba por limitar sua espessura e influenciar no tempo de recuperação após uma lesão.

Osso: pode ser considerado um tecido, ou até mesmo osso em sua totalidade –

estrutura composta – onde 99% do cálcio presente no corpo estão armazenadas e 80% de seu peso é composto de minerais. São divididos em dois grupos os ossos longos e os axiais (apendiculares) – ambos constituídos de osso cortical ou compacto e osso esponjoso. A estrutura óssea tem o comprimento e a rigidez como as mais importantes propriedades mecânicas, podendo-se dizer que as fraturas ósseas ocorrem como resultado de forças de flexão, dadas por forças tensionais ou pela combinação de forças a fratura também pode ocorrer no caso de sobrecarga repetitiva.

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Músculos: cada músculo pode compreendido como seu próprio órgão onde é

ligado aos ossos através dos tendões e cruza uma ou várias articulações, estão sob o controle direto do sistema nervoso voluntário (somático). Pode ativamente contrair e encurtar como sua propriedade especifica.

Articulações: é o ponto de união de dois ou mais ossos, possuem as seguintes

classificações, dependendo de sua estrutura: sinovial (existe tecido entre as superfícies articulares), fibrosas (o tecido fibroso atravessa a articulação) e cartilaginosas (a cartilagem atravessa a articulação). À medida que o individuo envelhece as articulações, principalmente as que sustentam peso se degeneram, pois a cartilagem tem capacidade limitada de se regenerar por possuir poucos capilares.

O músculo esquelético é em média 50% do nosso peso corporal e utiliza 50% do metabolismo do corpo, existem 400 músculos em nosso corpo com funções diferentes, porém todos geram momentos em torno das articulações (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

A musculatura é um sistema de transformação de energia química em mecânica, para que seja possível a realização de atividade motora como os gestos, movimentos, exercícios de força e a manutenção da postura. O trabalho muscular local é reconhecido quando a exigência muscular é de menos de 1/3 da massa muscular, como exemplo a aplicação de uma força ou a manutenção da postura no trabalho (SANTOS; FIALHO, 1997).

O músculo através da oxidação, em uma reação química, de hidratos de carbono e gorduras, gera calor e trabalho. São três os tipos de músculos: músculos lisos, músculos do coração e músculos estriados ou esqueléticos (responsáveis pelo trabalho externo realizado pelo corpo) (IIDA, 2005).

A fadiga muscular ocorre segundo Bigland e Ritchie (1995) quando ocorre a redução na da força para exercer um trabalho voluntário. Sendo este tipo de falência como uma adaptação do sistema neuromuscular que ajuda a prevenir lesões graves, as mudanças metabólicas e o sedentarismo contribuem para o declínio da potência muscular o que resulta na fadiga, o que induz ao desconforto e dor, e que em longo prazo contribui para o desenvolvimento de distúrbios e lesões. Por isso é importante quantificar a fadiga e determinar os limites aceitáveis de carga muscular, para isso as informações mais importantes para o contexto ocupacional é o tempo decorrido até a ocorrência da fadiga (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

As atividades dinâmicas e estáticas segundo Fialho e Santos (1997) proporcionam o aparecimento da fadiga, e que este pode ser evitado ao se limitar a força máxima no caso da

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contração estática ou a potência máxima no caso da contração dinâmica dos músculos trabalhados.

2.3.2. Coluna Vertebral

Os distúrbios e doenças relacionados à coluna vertebral são uma das principais causas de afastamento do trabalho, também comprometem a qualidade de vida de muitas pessoas. As funções mais importantes da coluna vertebral são a sustentação, equilíbrio e absorção de impactos do corpo, mobilidade da cabeça e do tronco, proteção da medula e raízes nervosas (RIO; PIRES, 2001).

A coluna vertebral, possuí: 7 vértebras cervicais, 12 vértebras torácicas, 5 vértebras lombares, osso do sacro (junção de 5 vértebras) e cóccix, estas são empilhadas umas sobre as outras onde a coluna vertebral apresenta algumas curvaturas chamadas de lordose lombar, cifose torácica e lordose cervical, que permitem permanecer na posição em pé com o mínimo de esforço (RIO; PIRES, 2001).

Figura 1 – Coluna Vertebral Fonte: Aula de Anatomia (2015)

Para Iida (2005) as 24 primeiras vértebras são flexíveis sendo que as cervicais e lombares são as que possuem maior mobilidade, pois as vértebras torácicas são unidas a 12 pares de costelas formando a caixa torácica e limitando os movimentos. Sendo duas as propriedades da coluna a rigidez que garante a sustentação do corpo e a mobilidade permitindo a rotação para os lados e movimentos para frente e para trás.

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A unidade funcional da coluna é composta por duas vértebras adjacentes, um disco intervertebral e ligamentos. As vértebras são responsáveis pela sustentação corporal e proteção da medula e raízes nervosas, também pela absorção de impactos, pois são seis vezes mais duras que os discos intervertebrais e três vezes mais grossas. Os discos intervertebrais são estruturas elastiformes capazes de amortecer o impacto entre vértebras pois possuí um núcleo pulposo com conformação gelatinosa, são 23 discos intervertebrais para 24 vértebras. A degeneração do disco intervertebral se dá devido ao envelhecimento e ao mau uso da coluna. Os ligamentos funcionam como estabilizadores e direcionadores, mas são elementos extensíveis e que podem apresentar fadiga (RIO; PIRES, 2001).

Figura 2 – Vértebras com disco intervertebral Fonte: Quiropraxia clínica, 2015.

O disco intervertebral é formado por duas estruturas o núcleo pulposo (gel aquoso incompressível que fica dentro da parede elástica) e anel fibroso (lamelas fibrosas são dispostas de formas distintas em suas camadas), estas produzem características de sustentação. Sendo uma carga aplicada sobre o disco o núcleo deforma-se e distribuí a força em todas as direções partindo do centro para as extremidades, sendo que esse estresse tensional axial formado é suportado pelo anel fibroso. O disco é separado dos corpos vertebrais por cartilagem hialina que afetam a sua nutrição devido a pouca vascularização, então a nutrição do disco se dá por difusão. As propriedades de força de deformação dos movimentos dos discos variam bastante entre indivíduos e faixa etária, pois a degeneração também ocorre devido ao processo fisiológico do envelhecimento (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

Para sustentação do corpo a coluna lombar vem a ser a que sofre mais e a que apresenta maior incidência de dor, sendo que a coluna cervical recebe carga a partir do peso da cabeça. Dependendo das posturas corporais varia-se a carga, como na figura 3, que

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apresenta as variações sobre o terceiro disco lombar na posição sentada, onde a pélvis é inclinada para trás formando a lordose lombar reaproximando a coluna de sua conformação anatômica (RIO; PIRES, 2001).

Figura 3 – Pressão nos discos intervertebrais na posição sentada Fonte: Notonus, 2013

2.4. DISTÚRBIOS, LESÕES E DOENÇAS

No sistema musculoesquelético podem ocorrer disfunções que comprometem a sua eficácia, sendo a dor o sintoma mais relatado, e estes distúrbios ocorrem principalmente por causa da fadiga musculo ligamentar. As lesões desse sistema são alterações anatômicas de seus componentes. Sendo os distúrbios e lesões divididos em três grupos a dos membros superiores, coluna vertebral e região dorsolombar, e membros inferiores (RIO; PIRES, 2001).

A coluna é uma das estruturas mais vulneráveis do corpo e por isso fica sujeita a diversas deformações que podem ser congênitas ou adquiridas de várias maneiras como esforço físico, má postura no trabalho, deficiência da musculatura de sustentação, infecções, etc.. Sendo a principal lordose (aumento da concavidade posterior da curvatura cervical ou lombar acompanha a inclinação dos quadris para frente), cifose (aumento da convexidade da região torácica – corcunda) e escoliose (desvio lateral da coluna). Para evitar estas deformações a prevenção deve ser feita através de exercícios para fortalecer a musculatura dorsal e evitando cargas pesadas ou posturas inadequadas (IIDA, 2005).

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2.4.2. Lombalgias

A dorsolombalgia é um termo que se refere a dor nas costas de uma maneira ampla, pois devido a complexidade da estrutura musculoesquelética das costas dificulta a definição precisa do foco da dor. Mas também podem utilizar os termos dorsalgia para dores na região dorsal da coluna ou lombalgia para dores na região lombar, porém nenhum dos termos designa doenças e sim ao sintoma da dor que pode ou não sinalizar doenças. As lombalgias ocorrem mais frequentemente e apresentam consequências significativas na área ocupacional, as dorsolombalgias podem aparecer em um amplo espectro de dor, desde as dores que são facilmente suportáveis até dores agravantes que incapacitam por determinado tempo (RIO; PIRES, 2001).

A lombalgia é provocada pela fadiga da musculatura das costas, como exemplo a lombalgia mais simples é decorrente da permanência na mesma postura com a cabeça inclinada para frente, podendo ser aliviada com mudanças na postura e levantando-se. Casos mais graves provocam fortes dores podendo incapacitar o trabalhador em períodos que podem ser de até meses nos casos mais graves, geralmente são causados pela distensão de músculos e ligamentos das vértebras ou ainda movimentos bruscos de torção. Pessoas com mais de 40 anos e sedentárias podem ter a situação agravada devido a esses fatores (IIDA, 2005).

A coluna lombar e a cervical alteram-se no formato quando temos um individuo em pé e este se desloca para a posição sentado. Existem estudos que a postura sentada e em pé, de formas prolongadas, aumentam os riscos de lombalgias. Afirmando a importância da alteração da postura no trabalho reduzindo assim a fadiga postural e o absenteísmo, esta fixação postural é cada vez maior devido ao aumento de postos de trabalho onde os movimentos são limitados ou estereotipados. Em 1980 o Centro de Controle de Doenças (Centers for Disease Control) pausas de 15 minutos a cada duas horas, para operadores de terminais de vídeo (demanda moderada) e de 10 minutos a cada hora (alta demanda), porém estas diretrizes possuem poucas evidências biomecânicas, pois são baseadas em dados empíricos (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

Os principais tipos de dorsolombalgias podem decorrer de: tumores, sífilis, tuberculose vertebral, osteomielite, entre outras (patologias vertebrais raras); escoliose, cifose e lordoses (deformação da curvatura vertebral); artrite reumatoide, espondiloartrose anquilosante, entre outras (patologias vertebrais reumáticas); hérnia de disco, compreensão/inflamação das raízes nervosas, lesões musculoligamentares e capsulares (causadas por compreensão mecânica e processos inflamatórios); e doenças torácicas e

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abdominais que produzem dor na região dorsolombar (dor referida). As lombalgias podem ocorrer de forma aguda decorrente de um trauma agudo ou crônico que é quando a dor persiste por mais tempo, sendo que a lombalgia aguda pode persistir devido a uma lombalgia crônica (RIO; PIRES, 2001).

A dor ciática pode ocorrer isoladamente ou vir com um quadro de lombalgia, porém a dor ciática está relacionada à compressão ou distensão de uma ou mais raízes nervosa, dependendo da compressão ocorre a dor, sensação de adormecimento, de perda de força ou mesmo ausência de força. A dor irradia-se para um dos membros inferiores podendo chegar ao pé. Já as dores da lombalgia origina-se na musculatura, disco intervertebral, nos ligamentos, nas cápsulas musculares ou até nas raízes nervosas (RIO; PIRES, 2001).

Existem outros fatores que contribuem para o aparecimento de lombalgias, sendo os mais comuns a insuficiência muscular (sedentarismo) onde a musculatura permanece flácida e é incapaz de estabilizar a coluna adequadamente, fazendo com que a posição sentada em grande parte do dia compõe um alto risco de lombalgia; traumas e microtraumas (contusões, mau uso crônico da coluna) causando lesão direta ou microtraumas cumulativos;

posição ortostática onde a posição em pé por tempo prolongado pode ser lesiva a coluna; o envelhecimento enrijece os discos intervertebrais causando a perda da mobilidade e deixando

a coluna vulnerável a lesões; e estresse psíquico causa disfunções posturais e de movimento importantes, e também hipertonia da musculatura lombar (RIO; PIRES, 2001).

A hérnia de disco é o deslocamento do disco intervertebral para fora de seu compartimento, apesar da resistência em suportar pressões o disco é protegido por ligamentos, mas na região lombar esta proteção afila-se à medida que se aproxima do cóccix o que torna o disco mais vulnerável tendendo para o espaço menos protegido. A hérnia evolui ao longo dos anos, nem sempre sendo um evento agudo, mas pode exigir afastamentos prolongados do trabalho (RIO; PIRES, 2001).

O sedentarismo que causa o descondicionamento físico e a flacidez musculoligamentar aumenta a vulnerabilidade para as lombalgias. Mas também existem algumas condições antiergonômicas que causam as dorsolombalgias, no trabalho algumas seriam: levantamento de cargas excessivamente pesadas, levantamento de cargas não pesadas e manuseadas em condições desfavoráveis (carga longe do corpo, movimento de torção/inclinação do tronco, desarmonia do ritmo lombopélvico, utilização de apenas um membro superior), posturas estáticas por tempo prolongado mesmo que em boas condições ergonômicas, vibração de todo o corpo, entre outras (RIO; PIRES, 2001)

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2.4.3. LER/Dort

A LER/Dort (Lesão por esforço repetitivo/ Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho) são denominações adotadas no Brasil pelo Ministério da Saúde (MS) e Ministério da Previdência Social (MPAS). A LER/Dort tem ocorrido em grande número de pessoas que realizam trabalhos considerados leves e isto provocou uma mudança no conceito tradicional de que o trabalho pesado era muito mais desgastante. Ambos são danos ao sistema musculoesquelético devido à utilização excessiva e a falta de tempo para a recuperação. Geralmente ocorrem em membros superiores e pode apresentar mais de um sintoma como a dor, parestesia, sensação de peso e fadiga (BRASIL, 2012).

A LER/DORT não é uma doença ou uma entidade nosológica, mas sim várias afecções heterogêneas do sistema musculoesquelético relacionadas ao trabalho. No Brasil foram adotados graus para distinguir os sintomas de LER/DORT:

Grau I: sensação de peso e desconforto do membro afetado, dor considerada

leve, piorando com a jornada de trabalho e melhorando com repouso, sem sinais clínicos, com bom prognóstico quando tratado adequadamente.

Grau II: dor tolerável, mas persistente e intensa, sendo mais localizada

causando formigamento e calor. Piora com a jornada de trabalho e algumas atividades domésticas, são leves distúrbios na sensibilidade, porém causam redução da produtividade, mas ainda assim seu prognóstico é favorável, sendo a recuperação mais demorada mesmo em repouso.

Grau III: dor persistente e forte, não diminuindo com repouso, tem irradiação

da dor definida, redução de força muscular, perda de controle de movimentos. Diminuição da produtividade ou até mesmo impossibilidade de executar tarefas, o prognóstico é reservado.

Grau IV: dor contínua, insuportável que se acentuam quando exercidos

movimentos, levando o indivíduo ao intenso sofrimento, a dor é irradiada por todo o segmento. Verifica-se a perda de força muscular e sensibilidade apresentando a incapacidade para executar as tarefas, neste grau são comuns deformidades e atrofias, sendo o prognóstico desfavorável (MORAES, 1998).

A amplitude dos movimentos depende da integridade das articulações que possuem em sua estrutura interna os ligamentos, sinoviais, cápsulas articulares e externamente os

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tendões, músculos, fáscias e nervos, esta região é responsável por grande parte das cargas exercidas durante os movimentos e atividades do dia. Sendo que as lesões podem ocorrem devido à diferença das magnitudes de cargas musculares. Os músculos sinergistas agem a favor do movimento, enquanto os antagonistas realizam trabalho contrário a fim de neutralizar o movimento, ou ainda estabilizar a atividade articular, fazendo isso para que não haja atividade incontrolada e danosa à estrutura. O desequilíbrio dos grupos musculares sinérgicos e antagonistas do movimento promovem alterações importantes na estrutura o que vem a gerar as lesões decorrentes de esforços adicionais submetidos (SOUZA, 2007).

A dor é o sintoma mais comum de uma LER/Dort, podendo afetar ou não todo o segmento, ela é gradual evoluindo a intensidade e persistência, a dor pode ser desencadeada ou agravada por movimentos repetitivos, atividades de grande esforço e até mesmo em repouso. Nas fases iniciais estas algias melhoram com a imobilização. Outros sintomas da LER/Dort são edemas, diminuição da amplitude dos movimentos, diminuição da força muscular, hipertonia, parestesia, sensação de peso nos membros, formigamento, choques, palidez ou hiperemia, sudorese nas mãos e desconforto. As manifestações osteomusculares podem se manifestar na forma de Tendinite e Tenossinovite dos músculos do antebraço, Miosite dos músculos Lumbricais e Fasciáte da mão, Tendinite do músculo bíceps, Tendinite do músculo supra-espinoso, Inflamação do músculo Pronador Redondo com compressão do Nervo Mediano, Cisto Gangliânico no punho, Tendinite de Quervain, Compressão do Nervo Ulnar, Bursite de cotovelo e ombro, lombalgia, entre outros (SOUZA, 2007).

2.5. TRABALHO SENTADO

Rio e Pires (2001) apresentam que no trabalho a interação do homem com os objetos é contínua assim também com o processo no ambiente. O posto de trabalho é o conjunto de componentes que constituem o ambiente físico no qual a pessoa trabalha e interage (mobiliário, máquinas, ferramentas, acessórios, materiais, produtos), um bom posto de trabalho apresenta um bom arranjo dos componentes, como uma boa relação de distribuição espacial dos mesmos.

O posto de trabalho é o espaço necessário onde o organismo possa realizar os movimentos requeridos durante sua atividade, por isso é um volume imaginário. Com os avanços da vida moderna, a maioria dos trabalhos é realizada em espaços relativamente pequenos, em pé ou sentado, realizando movimentos com um só membro enquanto o resto do corpo permanece quase que estático, é o caso dos trabalhadores sedentários (IIDA, 2005).

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O design do posto procura se adaptar ao sistema musculoesquelético para possibilitar uma postura principal (postura utilizada na maior parte do tempo) adequada, possibilitando o melhor arranjo biomecânico; permite posturas segundarias (que favorece o descanso musculoesquelético envolvidos na postura principal) que podem ser menos adequadas, mas são adotadas temporariamente; e proporciona os movimentos mais harmônicos permitindo a utilização mais fisiológica possível das estruturas musculoesqueléticas. Sendo assim um bom posto de trabalho contribuí para evitar a fadiga e distúrbios osteomusculares (RIO; PIRES, 2001).

A manutenção da posição sentada por longos períodos pode causar dorsalgia e lombalgia, esta situação causa o aumento de sintomas para aqueles que possuem dores crônicas. A pressão na coluna lombar aumenta quando se assenta sem o apoio lombar apropriado em relação à posição em pé, confirmando isso através de dados sobre pressão discal e eletromiografia, parte da carga é aumentada é devido à perda da lordose lombar, onde os níveis de estresse da coluna lombar podem ser diminuídos através do uso de encostos adequados. Um assento com inclinação livre beneficia pois permite a variação de postura e da carga (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

No estudo da ergonomia procura-se adotar posturas neutras que são as que opõem menor carga possível sobre as articulações e segmentos musculoesqueléticos, mas quando isso não é possível se busca a maior aproximação destas posturas. Estudam-se principalmente as posturas: (RIO; PIRES, 2001).

Pescoço: flexão, extensão, rotação e inclinação lateral;

Figura 4 – posição 1: flexão do pescoço, e posição 2: extensão do pescoço

Fonte: Seven Fisioterapia, 2014

Figura 5 – posição 1: rotação do pescoço, e posição 2: inclinação lateral do pescoço

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Tronco: inclinação lateral, rotação e flexão;

Pernas: flexão da coxa, flexão do joelho, flexão do pé, extensão do pé;

Figura 7 – Extensão e flexão de coxa, pernas e joelho. Fonte: Aula de anatomia (2015)

Figura 6 – posição 1: flexão do tronco, posição 2: extensão do tronco, posição3: inclinação do tronco, e posição 4: rotação do tronco

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Punho, braço e antebraço: desvio ulnar, desvio radial, abdução, adução,

pronação, supinação, extensão, flexão, posicionamento neutro;

Figura 8 - posições de ombro, cotovelo e punhos Fonte: Rio e Pires (2001)

Mão: pinça pulpar, pinça lateral, pinça palmar, pressão com os dedos, pega

pulpar, pega medial;

Figura 9 – Posições de pega Fonte: Rio e Pires (2001)

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Vários fatores podem influenciar sobre a postura como fatores hereditários (alterações musculoesqueléticas, encurtamento de membros, etc.), distúrbios do crescimento (cifose ‘torácica), anomalias estruturais (hemivértebras, spina bífida); hábito e treino (fundamental para a boa postura), doenças da coluna e da região pélvica, solicitação muscular diária excessiva ou insuficiente e fatores psíquicos (tensões musculares e instabilidade postural e de movimentos) (RIO; PIRES, 2001).

As exigências visuais da tarefa determinam a posição da cabeça e pescoço, como para tarefas mais precisas o trabalhador precisa se inclinar anteriormente para obter uma boa área de visão, uma pequena inclinação para frente produz significativas contrações musculares. Quando há o aumento da inclinação do pescoço e consequentemente dos seus músculos extensores cervicais existe a produção de fadiga e dor mais rapidamente, sendo que a fadiga muscular aguda ocasionada por esforços estáticos e mantida por longos períodos de tempo, se constante ao longo de meses e anos pode ocasionar distúrbios musculoesqueléticos crônicos e mais graves. Devem-se adotar períodos frequentes de repouso, mesmo que breves, para permitir que o trabalhador movimente a cabeça para uma postura mais ereta e relaxada, principalmente se o trabalho é realizado em esquemas rígidos ou se exige demanda mental – sendo que a concentração mental tende a resultar tensão estática dos músculos posturais, a “tensão muscular psicogênica”, que posteriormente resulta na fadiga muscular (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

No campo biomecânico a postura sentada impõe carga significativa sobre os discos intervertebrais, principalmente da região lombar. Quando esta posição possibilita pouca margem para movimentação, como consequência pode produzir a fadiga, que é quando certa carga estática ocorre sobre certos segmentos corporais. Logo se permite supor que devem ser oferecidas melhores condições para o posicionamento corporal, chegando ao menos, mais próximo a situação biomecânica ideal, também se deve evitar permanecer por prolongado tempo na posição sentada, sem movimentação corporal mais significativa, ainda que se possuam as melhores condições (RIO; PIRES, 2001).

A inter-relação da coluna vertebral com a pelve é influenciada pela posição sentada, intervindo diretamente na curvatura da coluna. A postura sentada pode ser dividida nas posições anterior, média e posterior, isto depende da cadeira e da tarefa a ser realizada, esta divisão foi baseada no ponto em que é localizado o centro da massa corporal e a curvatura da coluna lombar. Assim sendo os hábitos posturais do individuo também são importantes. Os trabalhos de escritório, montagem de pequenos componentes são exemplos de posturas com inclinação posterior ao tronco, e são adotadas mais frequentemente. A postura sentada é

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influenciada pela altura, inclinação, a posição, a forma da cadeira, por isso é importante providenciar cadeiras que não sejam apenas confortáveis mas que também atendam as funções que serão desenvolvidas (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

Rio e Pires (2001) definem a postura ideal, para o trabalho de interação com TVC seria: pescoço sem flexão, extensão ou torsão; ângulo coxas-pernas, alinhados ao tronco, 90 a 110 graus; braços na posição vertical alinhados ao tronco, com ângulo de 90 a 110 graus com o antebraço; punho com alinhamento natural ao antebraço, sem causar flexão ou extensão; ângulo coxas-pernas de 90 a 120 graus. As condições permissíveis para esta postura seriam as coxas totalmente apoiadas sobre o assento, cadeiras com bordas arredondadas para evitar a compreensão das regiões poplíteas, pés apoiados no chão ou em suporte sem flexão forçada das pernas, distância entre a tela e os olhos do operador de 40 a 70cm, borda superior da tela em cerca de 10 graus abaixo da linha horizontal que parte dos olhos do operador, espaço suficiente para as pernas, cadeira/mesa/acessórios ergonomicamente apropriados.

Figura 10 – Especificações da altura adequada da superfície de trabalho para operador sentado Fonte: ASE (2016)

As vantagens da posição sentada, segundo Chaffin, Andersson e Martin (2001), e também Iida (2005) são as de proporcionar estabilidade nas atividades que exigem maior controle visual e motor, consome menos energia que a posição de pé, causa menos estresse nas articulações, diminuí a pressão hidrostática da circulação dos membros inferiores aliviando o coração e permite o uso simultâneo dos pés e mãos. Logo o posto de trabalho deve

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ser projetado a fim de atingir estas vantagens sem causar estresse excessivo para o dorso, pescoço, ombros e membros superiores.

Não havendo uma única postura ideal e sendo a postura em repouso mantida por pouco tempo é importante que a cadeira permita alterações posturais. A permanência na mesma postura por longos períodos vem se tornando cada vez mais um problema, principalmente em postos de trabalho onde os movimentos são limitados ou estereotipados (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

A posição da superfície de trabalho e de seus componentes em relação ao trabalhador, que exerce a tarefa na posição sentada, é muito importante, pois além de influenciar na coluna lombar, as cargas agem sobre ombros e sobre a parte superior do dorso, que dependem de como os braços são sustentados. Quando se há uma superfície de trabalho acima do nível dos cotovelos normalmente resulta na abdução dos ombros aumentando o estresse nas articulações, também nos músculos da região dos braços e pescoço (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

O espaço de alcance ótimo para o braço pode ser traçada girando os antebraços em torno dos cotovelos, com os braços formando um ângulo reto com os antebraços a área situada em frente ao corpo onde acontece a intersecção com os dois arcos será a área ótima de trabalho para usar com as duas mãos. E a área de alcance máximo é a que se alcança girando os braços estendidos em torno do ombro. A área de alcance máximo deve ser utilizada para colocação de equipamentos, objetos, peças, etc., que se utilizam com menos frequência, o que dor utilizado com maior frequência ou com maior exigência de precisão deve ser colocada na área estimada ótima. A maioria dos controles e comandos é acionada pelos pés, visto que a força exercida é maior e há também a liberação das mãos para outras ações, principalmente as de maior precisão, porém estes pedais devem estar posicionados de forma ergonômica e devem ser providos de antiderrapantes (RIO; PIRES, 2001).

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Figura 11 – Campo ótimo de movimentos dos pés Fonte: Rio e Pires (2001)

Para se aliviar as tensões que as cargas podem exercer sobre o ombro e cotovelo deve-se adotar o uso de suportes almofadados para cotovelo ou antebraço, Através de estudos comprovou-se a eficácia do suporte demonstrando a redução significativa da contração estática do trapézio, a diferença da contração máxima voluntária de um braço com apoio para o sem é de 3% (RIO; PIRES, 2001).

Na posição sentada diminui-se a carga exercida nas nádegas e sobre a região posterior das coxas, os pés devem ficar bem apoiados sobre o piso ou sobre um apoio, havendo pressão na região posterior dos joelhos pode ocorrer inchaço das pernas e pressão sobre o nervo ciático, foi verificado o aumento do inchaço nos pés quando a altura do assento era elevada (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

Os componentes utilizados em posto de trabalho, geralmente são desenhados para proporcional às pessoas a possibilidade de usá-los com maior conforto e eficácia, devem ser desenhados a partir de seu uso , assim também analisados e compreendidos. Assim como os postos de trabalho devem ser posicionados de acordo com movimentos e posturas a serem adotadas pelos usuários (RIO; PIRES, 2001).

As disposições dos mobiliários são descritos por Rio e Pires (2001) para que propiciem situações melhores para o trabalho localizando-se nas áreas de alcance, que não existam quinas vivas que causem desconforto para o usuário e que a relação espacial entre os móveis proporcione um conjunto equilibrado. O mobiliário deve proporcionar a melhor postura principal como possibilitar movimentos e mudanças de posturas, cada trabalho exigirá um estudo específico de um mobiliário adequado. Os equipamentos, ferramentas e materiais devem ser avaliados pelo peso (maior redução possível), forma (mais anatômica possível),

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pegas (aderência adequada à função e tamanho bem relacionado às medidas antropométricas das mãos).

O posto de trabalho na posição sentada não requer apenas o uso de uma boa cadeira como também se deve ter uma boa altura da superfície de trabalho e ter um bom projeto do posto, isto facilita a desempenho do funcionário ao mesmo tempo assegurando uma boa postura que previne o aumento da fadiga muscular e degeneração discal. A cadeira por sua vez varia bastante dependendo do meio e posto de trabalho, mas independente do uso é importante que seja possível ajustá-la para atender as necessidades antropométricas do trabalhador, adequando-se também ao posto. Nas mesas as considerações mais importantes são as suas alturas, a partir da parte superior e inferior do tampo, e a inclinação da superfície de trabalho, ela deve ser largo para acomodar os objetos de trabalho, sendo que a possibilidade de regulagem é positiva assegurando ajuste adequado para a antropometria do trabalhador, e a altura inferior é tida para que se possa oferecer espaço suficiente para as pernas (ANDERSSON; CHAFFIN; MARTIN, 2001).

A organização do trabalho, segundo Rio e Pires (2001), é a maneira de como o trabalho é distribuído no tempo. Dentro dos aspectos abrangentes da organização do trabalho, existem vários fatores que se relacionam a este como as políticas gerais de recursos humanos, metas organizacionais, momento econômico da organização, organograma, cargos e salários, status da função, liderança e autoridade, comunicação dentro da organização, avaliação de desempenho, promoções, recrutamento e seleção, entre outros. Também há os aspectos mais específicos da organização do trabalho que são ligados diretamente a execução das atividades, sendo que os conceitos mais utilizados são:

• Ciclo: alta repetitividade – ciclos com duração menor do que 30 segundos, ou ciclos nos quais mais do que 50% do tempo é ocupado com o mesmo tipo de movimento – e ciclos de baixa repetitividade – duração maior do que 30 segundos ou ciclos que mais de 50% do tempo é ocupado com os mesmo movimentos.

• Ritmo: refere-se à velocidade das ações realizadas durante a atividade, como ritmos lentos tendem a produzir monotonia e ritmos rápidos tendem a gerar sobrecargas. Deve-se procurar um ritmo para aperfeiçoar a saúde e produtividade.

• Carga: quantidade de exigências impostas sobre o trabalhador, sendo subdividida em carga sensorial (quantidade de estímulos sensoriais), carga cognitiva (necessidade de utilização de funções cognitivas), carga afetiva (exigências de interação afetivas próprias do trabalho), carga visual (exigências sobre o aparelho óptico) e carga musculoesquelética (exigência sobre este sistema).

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• Duração: Duração total ou parcial da jornada de trabalho, tempo gasto nas atividades.

• Pausa

• Autonomia: intervenção do trabalhador sobre a utilização de componentes, regulação de ambiente ou até na organização do trabalho.

As soluções que podem ser utilizadas dentro da organização do trabalho possuem como objetivo enriquecer o trabalho reduzindo a fragmentação em atividades que exijam pouca variedade de movimentos e ações, introduzindo diversidade física e psíquica, diminuindo a monotonia e sobrecarga de segmentos musculoesqueléticos – através de enriquecimento das atividades, aumentando os passos a serem seguidos ou aumentando a complexidade e diversidade de exigências, rodízio de atividades, células de produção valorizando o trabalho em equipe; as pausas também são uma solução, e é alternância entre esforço e repouso, estresse e relaxamento, o organismo necessita de períodos de recuperação para manter sua capacidade funcional, quanto mais intenso ou duradouro o esforço maior a necessidade de pausas. As pausas podem ser realizadas como micropausa – com duração mínima, ocorrendo através do próprio processo ou que as pessoas atribuem de forma não consciente – e pausas formais – horários de café e almoço/jantar. A organização ergonômica do trabalho delimitam períodos de pausa de 10 minutos para 50 minutos de trabalho (RIO; PIRES, 2001).

2.6. NR17

A norma estabelece parâmetros para adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, proporcionando um máximo conforto, segurança e desempenho eficiente. Levando em consideração as condições de trabalho em relação ao mobiliário, aos equipamentos, as condições ambientais do posto de trabalho e a organização do trabalho. A norma também impõe ao empregador realizar a avaliação e adaptação das condições ergonômica do trabalho dos seus trabalhadores abrangendo como mínimo o contido na norma (BRASIL, 2015).

Em relação ao mobiliário a norma especifica que quando o trabalho for realizado na posição sentado o posto deve ser planejado e adaptado para esta postura. E em relação a bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis, na posição sentada, estes devem proporcionar condições de boa postura, visualização e operação, atendendo aos seguintes requisitos: de ter altura e características compatíveis com o tipo de atividade, com a distância requerida aos

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olhos do campo de trabalho e com a altura do assento; ter área de trabalho de fácil alcance e visualização do trabalhador; ter características que possibilitem posicionamento e movimentação adequados. E quando o trabalho necessitar da utilização dos pés, os pedais e demais comandos de acionamento pelos pés, deverão ter posicionamento e dimensões que facilitem o alcance dos mesmos, os ângulos deverão estar adequados entre as diversas partes do corpo, em função das características e peculiaridades do trabalho a ser executado (BRASIL, 2015).

Os requisitos para o assento são ter altura ajustável em relação à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida, ser de pouca ou nenhuma conformação na base do assento, possuir borda frontal arredondada e o encosto ter uma forma levemente adaptada ao corpo para a proteção da região lombar. Os equipamentos do posto de trabalho devem estar adequados ao trabalhador e a natureza do trabalho, assim como as condições ambientais do trabalho (BRASIL, 2015).

A organização do trabalho requer as considerações mínimas sobre: normas de produção, modo operatório, exigência de tempo, a determinação do conteúdo de tempo, ritmo de trabalho e conteúdo das tarefas. Sendo assim as atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombro, dorso e membros superiores e inferiores devem observar que: a) todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie deve levar em conta as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores; b) devem ser incluídas pausas para descanso.

2.7. RULA

Este método foi desenvolvido por McAtamney e Corlett em 1993 e serve para avaliar pessoas expostas a posturas inadequadas que contribuam para distúrbios de membros superiores. O RULA (Rapid Upper Limb Assessment) usa observações adotadas pelos membros superiores, como pescoço, costas e braços, antebraços e punhos. Esse método avalia a postura, força e movimentos associados com tarefas sedentárias, como por exemplo, trabalho com computador (STANTON, 2005).

O método RULA pode ser aplicado para: medir a carga aplicada no sistema musculoesquelético, de forma mais genérica, comparar as cargas aplicadas no sistema musculoesquelético através da avaliação posterior à modificação com a atual, avaliar resultados como produtividade ou compatibilidade de equipamentos, orientar trabalhadores sobre riscos musculoesqueléticos criados por diferentes posturas de trabalho (MOTTA, 2009).

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