Sumário
1.Introdução...2
2.O que é política?...3
3.Onde surgiu a importância das políticas públicas no Brasil...4
4.Políticas públicas...5
4.1.O que são políticas públicas?...5
4.2 Processo de desenvolvimento de políticas públicas...6
4.2.1 Formação da agenda...6
4.2.2 Formulação das políticas públicas...8
4.2.3 Tipos de políticas públicas...9
4.2.4 Modelos de formulação...9
5.Políticas públicas no Brasil...11
5.1 Como era antes: política antes de 1980...11
5.2 Década de 80: Políticas públicas no Brasil...12
5.3 Década de 90: Políticas Públicas...12
6. Políticas públicas atuais...13
6.1 Políticas públicas na habitação...13
6.2.Políticas públicas no desenvolvimento sustentável...15
6.4 Políticas públicas na saúde...16
6.5 Políticas públicas na segurança pública...17
6.5 Políticas públicas na Educação...17
6.5.1 Reune...18
6.5.2 Programa Saúde na escola...19
6.5.3 Brasil profissionalizado...21
6.5.4 Programa Procampo...21
7.Conclusão...22
Índice de imagens...25
Materiais em meio eletrônico...25
1.Introdução
O tema políticas públicas está no dia-a-dia de qualquer cidadão brasileiro, mas a grande maioria se abordado sobre o assunto não saberá explicar exatamente do que se trata. A sociedade não se dá conta que qualquer debate de idéias por algo que represente uma melhoria para sociedade pode se transformar em um projeto de política pública. Na maioria das vezes, o cidadão passa a maior parte do tempo reclamando que as coisas não são como deveriam ser, mas na hora de exercer seu poder de votação não procura conhecer melhor seus candidatos e suas propostas. A grande maioria, nem se lembra em quem votou para deputado estadual ou senador na última eleição.
O nosso intuito com a apresentação deste material é apresentar o conceito de políticas públicas, como teve inicio a utilização destes procedimentos na administração pública e porque são hoje tão utilizadas. Vamos mostrar como nasce um projeto de políticas públicas e como estas são implementadas em algumas áreas: saúde, segurança pública, habitação, desenvolvimento sustentável e educação no cenário federal. Nesta última, vamos detalhar alguns pontos importantes e apresentar alguns exemplos de projetos bem sucedidos e pontos de melhorias. Antes de iniciarmos é necessário ser esclarecer o que é política pública e como são divididas suas etapas. Os exemplos eram citados a todo o momento para que possa ficar claro como é impossível se conviver em sociedade sem participar de algum tipo de política pública gostando o indivíduo de política ou não.
Seu conteúdo é voltado ao aspecto geral do assunto, tendo os exemplos citados o papel de trazer a teoria para realidade do leitor e proporcionar a este a oportunidade de visualizar o tema apresentado com as rotinas do seu cotidiano, sem objetivo de apresentar conteúdo partidário para não dar a entender apoio de qualquer aspecto a quem quer que seja. Inclusive por este motivo não estamos trazendo o tema aos governos estaduais e municipais, podendo assim expor pontos que sejam de interesse didático de todos sem afetar o direito de apoio político de qualquer pessoa. Os exemplos apresentados podem ser consultados no site do governo federal a qualquer momento dando o direito de conhecer mais sobre o assunto e formar suas próprias opiniões.
2.O que é política?
Na definição do dicionário, política é o conjunto dos fenômenos e das práticas relativas ao Estado ou a uma sociedade. É arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos com habilidade no trato das relações humanas.
Segundo professor Marcelo Gonçalves1, política consiste no conjunto de
procedimentos formais e informais que expressam relações de poder e que se destinam à resolução pacífica dos conflitos quanto a bens públicos. Ou seja, todas as sociedades contemporâneas têm valores materiais compartilhados, os quais são resultados dos impostos que seus cidadãos pagam e das riquezas que o país possui. Esses valores são utilizados para a provisão de bens públicos – que nem sempre são destinados a todos os cidadãos – como cada um tem na cabeça sua imagem própria de mundo ideal e não dá para atender a todo mundo, surgem os conflitos sobre as alocações dos recursos e dos bens públicos. É o objetivo da política, resolver esses conflitos alocativos de forma pacífica (conclui o professor).
1 Marcelo Gonçalves, cientista político e gestor governamental (EPPGG). Já atuou em escritório de consultoria em Brasília e ministrou aulas em cursos da Universidade de Brasília e em cursinhos preparatórios para a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). Atualmente é colaborador na
3.Onde surgiu a importância das políticas públicas no Brasil
Segundo Tânia Barcelar2·, entre 1920 e 1980, todos os esforços do governo
brasileiro estavam voltados para o desenvolvimento industrial. O essencial para política pública, era destinado para promover o crescimento econômico, acelerando o processo de industrialização, o que era pretendido pelo Estado brasileiro, sem a transformação das relações de propriedade na sociedade brasileira. O Estado brasileiro era, tradicionalmente, centralizador. A pouca ênfase no bem-estar, ou seja, a tradição de assumir muito mais o objetivo do crescimento econômico e muito menos o objetivo de proteção social ao conjunto da sociedade, fez com que o Estado adquirisse uma postura de fazedor e não de regulador. Nós não temos tradição de Estado regulador, mas de Estado fazedor, protetor; não temos tradição de Estado que regule que negocie com a sociedade os espaços políticos, o que só hoje estamos aprendendo a fazer. O Estado regulador requer o diálogo entre governo e sociedade civil, e nós não temos tradição de fazer isso. O Estado centralizador, em muitos momentos da nossa vida recente, junta-se ao autoritário: tivemos uma longa ditadura no período Vargas e, depois, uma longa ditadura nos governos militares pós-64. Então, o viés autoritário é muito forte nas políticas públicas do país (afirma Tânia Barcelar).
Com Desenvolvimento industrial já estabelecido em meados de 1980, foi visto que o bem-estar social deveria ter uma atenção maior visto que esta visão estava diretamente ligada ao desenvolvimento do país e a forma e ao crescente interesse em trazer investidores internacionais ao país. Assim sendo, naturalmente, a melhor gestão de recursos tributários por meio de discussões sobre a melhor forma aplicação destes recursos trouxeram a possibilidade de investir dentro do orçamento naquilo que seria considerado mais urgente levando em consideração o consenso de todos os envolvidos.
2 ARAÚJO, Tânia Barcelar. Ensaios sobre o Desenvolvimento Brasileiro: heranças e urgências. Rio de Janeiro: Revan; FASE, 2000.
4.Políticas públicas
4.1.O que são políticas públicas?
Existem diversas denominações para políticas públicas. Em pesquisa efetivada pelo professor Marcelo foi feito um levantamento das mais interessantes:
1. Lynn (1980): um conjunto específico de ações do governo que irão produzir um efeito específico.
2. Dye (1984): o que o governo decide fazer ou não.
3. Peters (1986): soma das atividades dos governos, que agem diretamente ou por delegação, e que influenciam a vida dos cidadãos.
4. Lasswel (1936); decisões e análises sobre política públicas implicam responder às seguintes questões: quem ganha o quê, por que e que diferença faz.
5. Lowi: uma regra formulada por alguma autoridade governamental que expressa uma intenção de influenciar, alterar, regular, o comportamento individual ou coletivo através do uso de sanções positivas ou negativas.
No entanto, uma definição que envolve a idéia geral sobre, políticas públicas, é da escritora e professora Maria das Graças Rua3:
“As políticas públicas, são produtos, resultantes da atividade política: compreendem o conjunto das decisões e ações relativas à alocação imperativa de valores. Nesse sentido é necessário distinguir entre política pública e decisão política. Uma política pública geralmente envolve mais do que uma decisão e requer diversas ações estrategicamente selecionadas para implantar as decisões tomadas. Já uma decisão política corresponde a uma escolha dentre um leque de alternativas, conforme a hierarquia das preferências dos atores envolvidos, expressando certa adequação entre os fins pretendidos e os meios disponíveis. Além disso, por mais óbvio que possa parecer, as políticas públicas são ‘públicas’ – e não privadas ou apenas coletivas. A sua dimensão ‘pública’ é dada não pelo tamanho do agregado social sobre o qual incidem, mas pelo seu caráter imperativo. Isto significa que uma das suas características centrais é o fato de que são decisões e ações revestidas da autoridade soberana do poder público” (com adaptações).
Contudo definimos que políticas públicas são ações tomadas pelo poder público seja federal, estadual ou municipal com intuito de assegurar melhorias a população. Estes procedimentos são adotados em todas as áreas da administração pública e são essenciais na tomada de decisões sobre quais as obras de maior prioridade devem ser feitas dentro das verbas dispostas. Estes projetos são feitos em conjunto do poder público com empresas privadas e instituições não governamentais. De certo é que não há uma única definição sobre políticas públicas. Há quem defina o assunto como um campo de estudo para analisar tomada de decisão do governo e há quem enfatize a política pública como um conjunto de ações do governo para produzir um efeito específico. Imagem sobre Processamento pelo sistema político
Este tema passou a ser abordado na administração pública brasileira nos anos 80 quando preocupar-se com o desenvolvimento do país passou a ser uma das pautas mais discutidas no poder público.
4.2 Processo de desenvolvimento de políticas públicas
O processo de criação das políticas públicas podem de confundir conforme sua evolução, tendo esta como sendo a realidade do seu processo evolutivo, mas para que possamos esclarecer suas fases vamos mostrar sua fases como um ciclo tendo suas etapas dividas da seguinte forma:
4.2.1 Formação da agenda
Os assuntos são iniciados em uma discussão pública em forma de problemas que precisam de atenção. A agenda governamental é formada quando uma série de temas chama a atenção de seus formuladores. Os temas que são julgados como prioritários, após terem passado pela agenda governamental vão para agenda decisória, estando a um passo de se tornar uma política pública.
Quando algo gera a insatisfação de um grupo de pessoas é formulado um projeto de resoluções que são apresentadas ao poder legislativo em questão, caso desperte interesse, é incluído na agenda governamental para ser votada, caso contrário, é incluído em um arquivo onde ficam os assuntos que geram uma discussão, mas não chegam a alcançar o nível de aprovação chamado de estado de coisa.
Existem alguns casos em que os assuntos que estão em “estado de coisa”, podem voltar a ser um assunto discutido na agenda governamental. Isso varia conforme ao fluxo a ser seguido:
1. Fluxo de problemas: quando ocorre alguma alteração, social, política ou governamental que obrigue a retornada de determinado assunto. Estas alterações podem ser dividas da seguinte forma:
-Indicadores: uma alteração social, por exemplo, caso de epidemia ou tragédias ambientais pode provocar a retomada do assunto podendo ter um efeito contrário ao causado em outrora;
-Crises, eventos e símbolos: Algo que chame a atenção pública, como por exemplo, crise internacional, onde estudiosos levantam a possibilidade de acontecimento futuro em território nacional. Este tipo de situação são um dos principais motivos para reabertura de uma discussão;
-Ações governamentais: mesmo quando um determinado não recebe a quantidade de votos para se tornar um projeto de política pública mas possui um feedback positivo do poder executivo, pode voltar a ser item na agenda governamental.
2. Fluxo de soluções: onde idéias são difundidas para o bem comum. Como é de conhecimento, nem sempre problemas estão diretamente atrelados a idéias. Indivíduos da sociedade comum, em algumas vezes acompanhados de pesquisadores e empreendedores tratam de difundir sua proposta dentro do seu meio social na intenção de conseguir apoio. Fundamentada sua proposta na sua comunidade, é feita a expansão desta proposta externamente com levantamento de pesquisas com o objetivo de conseguir apoio externamente de várias áreas da
sociedade incluindo muitas vezes parlamentares e burocratas, até alcançar apoio o suficiente para trazer o tema novamente à agenda. Dentre os levantamentos que podem ser feitos estão:
-Viabilidade técnica; -Custos toleráveis;
-Representação de valores compartilhados.
Fluxo político: deixa de seguir a lógica do consenso de acordo com as necessidades de partidos políticos como uma moeda de troca e são influenciadas por três elementos fundamentais:
-O clima nacional: movimentos em massa consistente o suficiente para ganhar apoio da sociedade;
-Forças políticas organizadas: movimentos de oposição dentro do governo, por exemplo;
-Mudanças dentro do governo: a posse de uma nova liderança com uma postura diferenciada da atual.
Como já foram citadas anteriormente, as decisões importantes quando decididas não seguem em vias de regra um fluxo exato de decisão. Podem ocorrer em eventos extraordinários decisões ocasionadas diretamente no executivo, por exemplo, ou simplesmente ocorrem por meio de decisões tomadas com embasamento em estatísticas ou eventos sem o apoio da opinião pública.
Modelo múltiplo de fluxo
Fluxo de Problema Indicadores Crises Eventos Feedback de ações Fluxo de Soluções Viabilidade técnica Aceitação da comunidade Custos toleráveis Fluxo político Humor nacional Forças organizadas Mudanças de governo Oportunidade de Mudança
Convergência dos fluxos pelos empreendedores
Formação da agenda
Acesso de uma questão à agenda decisória
4.2.2 Formulação das políticas públicas
É neste momento que o tema proposto para política pública começa a se moldar. Neste ponto os interesses dos desenvolvedores do projeto são expostos deixando expostos os conflitos gerados em torno do projeto. Agora, o tema já está na agenda decisória e nesta discussão estão envolvidas os levantamentos estatísticos que foram feitos anteriormente, as estimativas de custo x benefícios e as preferências dos autores. São em torno destas preferências que são gerados os pontos de conflitos a serem debatidos no processo de aprovação. Este tipo de debate é comum no processo de formulação das políticas públicas, onde não se trata de destruir o oponente, mas apenas cativar.
Durante este procedimento, os autores envolvidos, usam de acordo com a situação as técnicas que conhecem a atendem os seus objetivos que vão desde persuasão até o exercício de autoridade.
Este processo é de extrema importância para comunidade envolvida que normalmente possuem seu representante defendendo tudo que foi definido quando foi solicitado apoio no momento momento da resolução do que seria apresentado para proposta na agenda governamental. Neste momento, existe a oportunidade de se consolidar a todo um processo de confiança entre a comunidade e seus representantes no poder legislativo.
8
Desde a etapa da formulação da agenda já é possível visualizar algumas características da futura política, mas é na formulação que elas serão destacadas com precisão. Será neste momento que seus itens serão arrematados e tudo que for definido neste momento, de maneira fidedigna, será formalizada. A partir daí, não será mais um projeto e sim uma lei.
4.2.3 Tipos de políticas públicas
As políticas públicas, didaticamente, podem ser exemplificadas de quatro maneiras diferentes:
-Políticas distributivas: entende-se são aquelas que beneficiam uma grande quantidade de pessoas, mas de forma relativamente pequena. São caracterizadas pelo baixo nível de conflito. Exemplo: aprovação de projeto de manutenção de vias públicas no ano. Normalmente este tipo de projeto não é normalmente perceptível pela população em geral, mas beneficia 100% da população;
-Políticas regulatórias: os custos e benefícios não são definidos em sua totalidade logo no início, é um progresso onde seus resultados e seus custos vão surgindo ao decorrer de sua implantação e implementação. Um exemplo, muito forte e atual é a discussão no congresso das novas regras do novo código florestal. Essas novas regras envolvem assuntos fortes que vão desde a construção civil próximo de encostas, um dos motivos que ocasionou a recente tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, até quantos equitares de terras podem ser utilizados para agricultura e pecuária.
-Políticas redistributivas: atinge um maior número de pessoas e possui um âmbito de discussão mais consistente visto que possui uma redistribuição de recursos financeiros, direitos e outros valores de algo já existente dentro de grupos políticos ou camadas sociais. Podemos citar novamente o exemplo anterior do novo código florestal que será reformulado.
-Políticas constitutivas: são políticas modificadoras de regras. Englobam todas as citadas anteriormente, mas com o objetivo de modificar itens ou custos. Seria uma contra proposta que pode substituir algum item ou agregar em uma política pública.
4.2.4 Modelos de formulação
Existem várias maneiras existem várias maneiras de formular um processo de política pública, ao qual podem se adequar conforme o campo em que sua discussão será aberta e abrangência se será formulada para atender as necessidades de um município, estado ou país. Não há nomes definidos concretamente para cada modelo, porém suas características podem ser percebidas na sua atuação ou miscigenação entre elas. O fato é que em uma política pública existe conflito de interesses por envolver vários autores (existe um responsável pela apresentação do projeto, mas se esta se tornar uma política pública envolve sempre vários autores), e por teste motivo, para que seja aprovada passa por alterações para atender os interesses de todos os envolvidos. Em alguns casos, estas alterações transformam tanto o projeto apresentado inicialmente que seu custo para
implantação se torna inviável sendo feito somente o que é possível fazer. Ou seja, o projeto inicial, onde é feito levantamento de custos e estimativas, neste modelo, em certo momento é completamente ignorado e passa a ser moldado e incrementado conforme os interesses políticos de cada um dos envolvidos.
Outra maneira de viabilizar uma política pública é tratando o governo como um todo, onde é avaliada a necessidade, os custos e tudo que está em volta daquela questão. Neste modelo, o governo é uma unidade, uma entidade monolítica que toma as decisões de forma estratégica, estabelecendo quais são seus objetivos, quais as alternativas disponíveis e as estuda de forma exaustiva a ponto de saber quais as consequências de cada uma delas. Em seguida, o Estado escolhe a que produz a melhor consequência e age. Sendo desta forma, o modelo presume que o problema possa ser conhecido de tal forma que seja possível tomar decisões de grande impacto, não apenas incrementais. E que essas decisões são potencialmente capazes de maximizar as preferências do ator “governo”. É importante citar que neste modelo é garantido o pleno conhecimento do governo em questão seja este governo, municipal, estadual ou nacional, sobre o problema suas estimativas e seus resultados futuros. Apesar de sua aparente organização, por esperar excelência de uma única entidade, este modelo acaba se tornando fictício para um regime democrático onde o poder executivo do país, garantido pela constituição federal, divide-se em três poderes: executivo, legislativo e judiciário, sendo estes, representantes do povo.
Há ainda modelos baseados em modelos científicos que envolvem a soma de características apresentadas acima excluindo seus pontos negativos, de um lado, temos um modelo que não apresenta uma formulação positiva por não possuir a capacidade de lidar com mudanças importantes sem prejuízos à idéia inicial, do outro por não levar em consideração a possibilidade de não possuir todas as informações necessárias. Etzioni4, um cientista pesquisador alemão, propõe uma
combinação dos dois modelos, afirmando que existem dois tipos de decisões na área pública: incrementais (ordinárias, do dia-a-dia) e fundamentais (estruturantes estratégicas). Para Etzioni, os tomadores de decisões tendem a engajar-se em uma ampla revisão do campo de decisão, sem se descuidar da análise detalhada de cada alternativa. Esta revisão permite que alternativas de longo prazo sejam examinadas e levem as decisões estruturantes. As decisões incrementais, por sua vez, decorrem das decisões estruturantes e envolvem análise mais detalhada de alternativas específicas.
Seguindo as teorias de Etzioni, neste modelo, é observado o projeto como um todo com todos os seus autores permitindo assim a sua implantação sem grandes prejuízos.
4 Amitai Etzioni 1929 na Alemanha. É um dos autores mais importantes da Abordagem Estruturalista mais precisamente da Teoria Estruturalista da Administração. Sociólogo e professor das Universidades de Columbia e de George Washington (EUA) e membro do Instituto de Estudo de Guerra e Paz. Estudou a integração da organização com a sociedade como um fato social, atuando e agindo na sociedade.
5.Políticas públicas no Brasil
5.1 Como era antes: política antes de 1980
As decisões sobre os projetos junto com seus custos eram de posse exclusiva do poder executivo federal. Não havia nenhuma interferência do governo estadual ou municipal na tomada de decisões cabendo todo levantamento das necessidades, analise de viabilidade unicamente ao governo federal. Após finalização de todos os procedimentos administrativos da política em questão, cabia ao governo municipal ou estadual apenas executá-las. Exposta desta forma dá a falsa idéia que aos governos estaduais ou municipais não há nenhuma forma de poder. Na realidade, sua proximidade com o povo (usuário final das políticas criadas), permite conhecer melhor suas necessidades e se a obras ou projetos realizados estão operando como o estimado e está atingindo o público alvo como o esperado. Assim fica claro que mesmo antes da utilização das normas de políticas públicas atuais, havia a necessidade de parceria com os estados e municípios para gerir os seus protocolos.
É justamente com esta necessidade de colaboração dos sistemas internos que surgiu o poder de barganha entre os poderes. Surgem, então, relações de troca de favores entre as esferas de governo, em que governos locais tornam-se agenciadores de recursos federais para suas localidades.
Esta época é marcada pelo crescimento desordenado de estruturas institucionais de políticas públicas no Brasil foram sendo elaboradas aos poucos e de forma desordenada. Como resultado surgiu, ao longo dos anos, órgãos ou especializados em gerir certas áreas de políticas (saúde, habitação, educação etc.). O Estado cresceu de forma desordenada em todos os seus níveis, contribuindo para não desenvolvimento de um sistema institucional de políticas públicas racionais e articuladas.
Como resultado deste crescimento descontrolado, houve o surgimento de setores especializados que permitiam que as políticas fossem apresentadas de forma mais autônoma sem a interferência de processos de interesses pessoais. Em contrapartida geravam retrabalho com desperdícios e ineficiência, principalmente em políticas relacionadas a realidades interligadas em que a coordenação entre programas é um fator fundamental para o aprimoramento da qualidade de vida do público alvo.
Devido a pouca vivência democrática do país, a população não era diretamente consultada sobre as decisões. Todo o conhecimento que se tinha sobre as políticas públicas implantadas, dependia do nível de relacionamento que o povo possuía com seus representantes regionais mesmo assim, sem nenhuma influência.
Dada a insuficiência das respostas oferecidas pelo mercado e a fragilidade da sociedade civil perante os enormes desafios na área social, cabia ao Estado a provisão de bens e serviços públicos. Nesse contexto, algumas iniciativas da sociedade civil e do mercado chegariam ao extremo de apontarem para a proteção social como responsabilidade exclusiva do Estado. A falta de consenso de recursos poderia levar o sistema ao colapso. Mas mesmo com toda a insatisfação gerada coma as falhas que havia nesta forma de gestão, esta serviram de base para o sistema de direitos social contido na Constituição de 1988.
5.2 Década de 80: Políticas públicas no Brasil
Na década de 80 o país passava por uma grande reforma política e se encaminhava para elaboração de uma nova constituição que seria forma mais viável de normatizar as regras de políticas públicas. Havia dois pontos fortes no auge das discussões decisórias: a democratização da política pública e igualdade de resultados, sendo que era dada toda importância para democratização visto que existia um consenso que indicava que
somente com a democratização seria possível a igualdade de resultados. Esperava-se que estes dois fatores fossem capazes de superar as deficiências das políticas do momento anterior. Com descentralização e participação seria possível programar um sistema de políticas públicas envolvido em um modelo de Estado de bem-estar institucional, marcado por uma concepção desenvolvida por especialista em
direitos sociais. Tratava-se de uma clara aversão ao modelo de governo que existia nas décadas anteriores. Erro o momento de trazer a participação popular para as decisões públicas, fazer com que o povo se sentisse parte de uma nova etapa para o desenvolvimento do país.
Um reflexo dessa extensão da arena pública é a grande quantidade de temas que conseguiram sua constitucionalização em 1988. A alegria da mudança se tornou contagiante de tal forma que tornou turva o peso que tais mudanças representavam para um Estado, surgindo às críticas fiscais e o medo de investimento internacional ao país, trazendo para as próximas décadas, grandes discussões sobre escassez de recursos e uso indevido de verbas públicas.
5.3 Década de 90: Políticas Públicas
Com o continuo crescimento desordenado, o país está diante de uma crise fiscal e a capacidade do Estado para responder às demandas da população torna-se extremamente limitada. Essa constatação faz a agenda de debate das políticas públicas no Brasil, passar por uma reestruturação, de maneira que, a democratização e igualdade de resultados deixaram de ser as maiores preocupações e passaram ser parte de problemas maiores como eficiência, eficácia, fiscalização do estado e responsabilidade com o gasto público. Volta novamente a fazer parte da agenda a necessidade de uma reforma que leve em consideração a responsabilidade com os bens públicos. Nesse momento, o debate de políticas públicas está, como nunca, atrelado à discussão da reforma do Estado como um todo.
Em meio as necessidades de mudanças, surgem as idéias de privatização de empresas públicas para o setor privado, descentralização para atribuir o poder centralizado no executivo federal para estados e municípios e focalização para captar prioridades e tratá-las com maior atenção. Tais mudanças trariam uma maior proximidade da população as políticas públicas, mas também geraram polêmicas como no caso da privatização não aceita até hoje por grande parte da população.
12
6. Políticas públicas atuais
O conjunto do Senado Federal e Câmara de Deputados compõem o Congresso Nacional, formando assim o poder legislativo no Brasil. A iniciativa da lei cabe ao poder legislativo, mas há casos em que a própria Constituição determina que a iniciativa caiba ao judiciário. No Congresso Nacional temos a iniciativa da lei, discussão, votação, aprovação, sanção, promulgação, publicação e vigência da lei. Lembrando que política publica é a discussão articulada de um problema de interesse público e são desenvolvidas por instituições governamentais e seus responsáveis por meio de processos políticos. Um problema é considerado público quando um grupo considerável de pessoas considera que deve receber atenção por parte do governo e o governo passa a prestar atenção no referido problema. Daí o motivo de agora estarmos falando sobre leis. Depois de feita a proposta da lei, há a votação onde os parlamentares manifestam sua opinião se a favor ou contrária a lei por meio de votação. Se obtiver a maioria dos votos a lei está aprovada pelo poder legislativo. Para se tornar lei em definitivo ainda é necessária a aprovação do Presidente (Poder Executivo) a quem se permite o direito de aprová-la ou vetá-la. Existem ainda os casos em que o poder legislativo julga os projetos de lei como inconstitucional ou impõe alterações como o caso da lei da ficha limpa que após apresentação de recurso de um candidato a deputado estadual, teve seu início alterado de 2010 para 2012. Este modelo segue para qualquer modelo de projeto de lei ou se preferir políticas públicas no Brasil. A modelo de estado o que muda que as decisões não são implementadas pelo congresso e sim pela Assembléia Legislativa aonde a aprovação vem do aceite do Governador do Estado e em municípios pela Câmara de Vereadores Municipal tendo sua aprovação final dada pelo prefeito. Este esclarecimento acima não afetará o objetivo deste conteúdo, onde foi esclarecido inicialmente que trataria de apresentar políticas públicas federais.
6.1 Políticas públicas na habitação
O modelo de política habitacional implementado a partir de 1967 pelo Banco Nacional de Habitação baseava-se em um conjunto de características que deixaram marcas importantes na estrutura institucional e na concepção dominante de política habitacional nos anos que se seguiram. Estas características podem ser identificadas a partir dos seguintes elementos fundamentais:
-Criação de um sistema de financiamento que permitiu a captação de recursos específicos e subsidiados (apoiado no Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), chegando a atingir um montante bastante significativo para o investimento habitacional;
-Criação e operacionalização de um conjunto de programas que estabeleceram, a nível central, as diretrizes gerais a serem seguidas, em nível descentralizado, pelos órgãos executivos;
- Criação e operacionalização de um conjunto de programas que estabeleceram, a nível central, as diretrizes gerais a serem seguidas, em nível descentralizado, pelos órgãos executivos;
- Criação de uma agenda de redistribuição dos recursos, que funcionou principalmente a nível regional, a partir de critérios definidos centralmente;
-Criação de uma rede de agências em nível local (principalmente estadual), responsáveis pela operação direta das políticas.
O período BNH, encerrado tragicamente em 1986, deixou como herança algumas concepções ainda hegemônicas, ou pelo menos relevantes, sobre o conteúdo e o formato a ser adotado na política habitacional, como por exemplo, a concepção de que os recursos do FGTS são as únicas fontes para o investimento habitacional, reiterando a dependência dos governos locais em relação à iniciativa do governo federal, e, ainda, a visão de que fazer política habitacional refere-se tão somente a construir conjuntos, que persiste entre muitos técnicos do setor. Por outro lado, permanece ainda de pé, embora em circunstâncias bastante fragilizadas, a estrutura técnico-administrativa burocratizada e com pouca iniciativa dos órgãos estaduais. Em todos estes pontos, pode-se verificar que este modelo revela-se, hoje, completamente inadequado.
Desde que se revelaram os primeiros resultados das ações do BNH, ainda na década de 70, vários autores os avaliaram criticamente, estabelecendo um conjunto de elementos que podem nos auxiliar a construir os princípios relevantes para pensarmos as políticas habitacionais hoje.
Um primeiro elemento diz respeito ao que talvez seja a questão central nas críticas à atuação do BNH: sua incapacidade em atender à população de mais baixa renda (entre 0 e 3 salários mínimos). Essa incapacidade decorria das contradições intrínsecas aos dois grandes objetivos da política habitacional: o de alavancar o crescimento econômico e o de atender à demanda habitacional da população de baixa renda. Ao priorizar o financiamento para as camadas de mais alta renda, que se configuravam como demanda efetiva e que atraíam a preferência dos setores empresariais ligados à área, a atuação do Banco conseguiu de fato produzir um novo boom imobiliário, gerando efeitos multiplicadores relevantes. Já o financiamento às camadas de menor renda revelou-se inadequado para as populações mais empobrecidas (faixas de até 3 salários mínimos) e gerou uma inadimplência sistemática nas camadas de renda que conseguiram acesso aos recursos, comprimido pelo gargalo representado pela ausência de subsídios combinada ao arrocho salarial e à exigência de correção real dos débitos, dado o alto custo da moradia em relação aos níveis de rendimento. A favelização e o crescimento das periferias são apontados como conseqüência do fracasso e da ineficácia da ação do BNH.
A dificuldade de atender aos estratos inferiores da população foi o principal fator que levou à adoção, a partir da Segunda metade da década de 70, dos
14 Figura 4
chamados “programas alternativos”, baseados na autoconstrução, considerada mais eficaz. Essa inflexão acompanha as críticas e sugestões de especialistas internacionais como Abrams e Turner, formuladas ainda na década anterior (Abrams, 1967; Turner, 1968). Esta concepção foi largamente disseminada pelos organismos internacionais de fomento, como o Banco Mundial, ressaltando que estes programas visavam principalmente dar uma resposta política imediata às necessidades habitacionais das famílias de baixa renda.
É preciso não esquecer, todavia, que, à par das necessidades financeiras e da necessidade de aumentar a eficácia da ação do órgão, a adoção de práticas alternativas atendia também a outros objetivos. A experiência de remoção de favelas, por exemplo, além dos custos políticos e sociais envolvidos, não atingiu seus objetivos, já que se identificou uma substituição dos moradores dos novos conjuntos por populações de renda mais elevada e um retorno da população às favelas (Valadares, 1978). Ressaltam-se, nesta crítica, a questão da acessibilidade ao emprego, como fundamental para a manutenção das famílias e, ainda, as redes de sociabilidade popular, que contribuem para a estabilidade social e que se constituem como importante fator auxiliar de subsistência.
Os novos conjuntos construídos sofreram também críticas do ponto de vista de sua adequação às necessidades dos seus usuários, apontando-se a autoconstrução com alternativa mais interessante, já que permitiria uma evolução no tempo, acompanhando as mudanças e os ciclos familiares. Todas essas razões contribuíram para a tendência apontada acima, de valorização das práticas alternativas, que incluíam a urbanização das favelas, a regularização fundiária e os programas de lotes urbanizados.
Apesar disso, a avaliação sobre os resultados quantitativos da ação do BNH, segundo Azevedo, não são inteiramente desfavoráveis. Após duas décadas de política habitacional foram produzidos cerca de 4,5 milhões de unidades, com 48,8% do total destinadas aos setores médios, e 33,5% formalmente destinadas aos setores populares.
6.2.Políticas públicas no desenvolvimento sustentável
Desenvolvimento sustentável está diretamente ligado a sociedade sustentável que é aquela em que seu desenvolvimento integrado ao respeito à diversividade biológica e sócio-cultural do ambiente em que se encontra. É o exercício responsável e consequente da cidadania, distribuição equitativa da riqueza e condições dignas de desenvolvimento.
A discussão sobre desenvolvimento sustentável está presente em diversos setores da sociedade, sendo objeto de reflexões e debates em vários setores do poder público e movimentos sociais.
Assim, a idéia de sustentabilidade implica na premissa de que é preciso definir limitações nas possibilidades de crescimento e um conjunto de iniciativas que levem em conta a existência de interlocutores e atores sociais relevantes e ativos através de práticas educativas e de um processo de diálogo informando o que reforça um sentimento de responsabilidade e de constituição de valores éticos.
Isso também implica que uma sociedade sustentável não pode ignorar nem as dimensões culturais nem as relações de poder existentes e muito menos o reconhecimento das limitações ecológicas sob a pena de manter um padrão predatório de desenvolvimento de uma forma que não seja centralista e autoritária.
A noção de desenvolvimento sustável não é apenas uma nova forma de adjetivação, mas implica em considerar e assumir novos padrões de competitividade e igualdade, significando uma nova incorporação no processo de desenvolvimento daquilo que é público e não somente estatal.
Um projeto que retrata bem a preocupação com desenvolvimento sustentável é o novo código florestal que visa, entre outras, preservação permanente de áreas frágeis como beira de rios e topos de morros e encostas.
6.4 Políticas públicas na saúde
O Ministério da Saúde é o órgão do Poder Executivo Federal responsável pela organização e elaboração de planos e políticas públicas voltados para a promoção, prevenção e assistência à saúde dos brasileiros. Possui vinculada a ela a Agência nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA e a Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS.
É função do ministério, dispor de condições para a proteção e recuperação da saúde da população, reduzindo as enfermidades, controlando as doenças endêmicas e parasitárias e melhorando a vigilância à saúde, dando, assim, mais qualidade de vida ao brasileiro.
Um plano de ação que está em foco no momento é a campanha nacional de vacinação contra a gripe que em conjunto com a secretaria especial de saúde indígena abrange a vacinação a população indígena.
16
Figura 5
6.5 Políticas públicas na segurança pública
Cabe ao Ministério da Justiça prover ações que tragam segurança ao cidadão por meio de suas subdivisões. Segurança pública muito além das medidas de segurança e represália ao crime que a grande maioria imagina. Segurança pública está ligada a ações de prevenção, saúde, justiça e integração com a sociedade. Não é somente retirar o criminoso da rua e sim tomar medidas, em conjunto com outros ministérios, que evitem a existência do mesmo e se não evitar que garantam o seu retorno a sociedade reabilitada. Existem hoje algumas medidas que envolvem segurança pública em foco. Um exemplo é o início da nova campanha de desarmamento com inicio no dia 6/05/2011, segundo o próprio site do Ministério da Justiça. Esta campanha de desarmamento vem segundo Ministério com uma novidade: na entrega do armamento a pessoa recebe um indenização que varia de R$ 100 a R$ 300,00. Com isso, o Ministério pretende ter um número de recolhimento de armar superior ao alcançado na última campanha.
6.5 Políticas públicas na Educação
As políticas públicas no geral, como já foi dito antes, seguem todas o mesmo cronograma de criação, implementação e implantação. Na educação demos em nosso país passos de extrema importância nas últimas décadas. São vários projetos já implantados pelo MEC e o mais interessante: os esforços pela melhoria da educação pública integram com outros ministérios para que seja prestado um serviço de qualidade. Existem m hoje mais de 40 projetos implantados pelo MEC prestando serviços a população. Talvez, a má distribuição de recursos e a falta de fiscalização adequada fazem com que estes serviços se tornem imperceptíveis a toda a população, mas existem alguns bem conhecidos e que aos poucos vão se estruturando de forma adequada as necessidades da população. Um exemplo de que fiscalização e trabalho em conjunto pode trazer resultados é o trabalho do MEC e do Ministério de Desenvolvimento Social e combate à Fome que realizaram o bloqueio do benefício da bolsa família para várias famílias no estado de São Paulo por não cumprir os requisitos para obter o benefício. Entre estes requisitos estão garantir que suas crianças tenham uma boa freqüência escolar. Outro exemplo que reformulação de políticas públicas é o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) que na sua implantação era exigido um fiador para garantir o pagamento do valor financiado e agora após reformulação tornou-se possui regras flexíveis quanto ao fiador. Criado em 1999 financiava apenas cursos de graduação, hoje o Fies também financia curso de pós-graduação e mestrado caso o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) aprove. Não vamos nos estender e detalhar cada um dos mais de 40 projetos implantados pelo MEC. Vamos citar alguns menos conhecidos que consideramos interessantes. Esclarecemos que todos estes dados estão documentados com seus respectivos decretos e verbas destinadas no próprio site do MEC.
6.5.1 Reune
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tem como principal objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior. As medidas adotadas pelo o governo federal possuem o intuito de expandir o crescimento do ensino superior público estas ações do programa contemplam o aumento de vagas nos cursos de graduação, a ampliação da oferta de cursos noturnos, a promoção de inovações pedagógicas e o combate à evasão, entre outras metas que têm o propósito de diminuir as desigualdades sociais no país. O Reuni foi instituído pelo Decreto nº. 6.096, de 24 de abril de 2007, e é uma das ações que integram o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).
O balanço do primeiro ano do Programa comprova que a rede federal de educação superior envidou os esforços necessários para atingir seu principal objetivo institucional que é o de garantir a ampliação do número de vagas no ensino superior público. Além disso, durante esse primeiro período de execução do Reuni, as universidades tiveram condições de reestruturarem-se, garantindo ampliação de suas instalações físicas e ampliando sua presença nas regiões do país que antes não contavam com estruturas universitárias. Outro aspecto que merece destaque são os números referentes aos concursos públicos realizados pelas instituições, tanto para docentes, quanto para técnicos administrativos, fator determinante para a oferta de um ensino de qualidade e para a manutenção das atividades de uma instituição de ensino.
Segundo conclusão do primeiro relatório apresentado sobre o projeto em 2008, “O Reuni encontra-se em pleno processo de execução e o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Superior, tem o desafio de garantir eficiência na alocação dos recursos humanos, orçamentários e estruturais, induzindo a reestruturação física e acadêmica das instituições, possibilitando a ampliação do acesso e assegurando a qualidade da educação superior pública”.
18 Figura 6
6.5.2 Programa Saúde na escola
O Programa Saúde na Escola (PSE) visa à integração e articulação permanente da educação e da saúde, proporcionando melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Como consolidar essa atitude dentro das escolas? Essa é a questão que nos guiou para elaboração da metodologia das Agendas de Educação e Saúde, a serem executadas como projetos didáticos nas Escolas. O PSE tem como objetivo contribuir para a formação integral dos estudantes por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde, com vistas ao enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e jovens da rede pública de ensino.
O público beneficiário do PSE são os estudantes da Educação Básica, gestores e profissionais de educação e saúde, comunidade escolar e, de forma mais amplificada, estudantes da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
As atividades de educação e saúde do PSE ocorrerão nos Territórios definidos segundo a área de abrangência da Estratégia Saúde da Família (Ministério da Saúde), tornando possível o exercício de criação de núcleos e ligações entre os equipamentos públicos da saúde e da educação (escolas, centros de saúde, áreas de lazer como praças e ginásios esportivos, etc.).
No PSE a criação dos Territórios locais é elaborada a partir das estratégias firmadas entre a escola, a partir de seu projeto político-pedagógico e a unidade básica de saúde. O planejamento destas ações do PSE considera: o contexto escolar e social, o diagnóstico local em saúde do escolar e a capacidade operativa em saúde do escolar.
A Escola é a área institucional privilegiada deste encontro da educação e da saúde: espaço para a convivência social e para o estabelecimento de relações favoráveis à promoção da saúde pelo viés de uma Educação Integral.
Para o alcance dos objetivos e sucesso do PSE é de fundamental importância compreender a Educação Integral como um conceito que compreende a proteção, a atenção e o pleno desenvolvimento da comunidade escolar. Na esfera da saúde, as práticas das equipes de Saúde da Família, incluem prevenção, promoção, recuperação e manutenção da saúde dos indivíduos e coletivos humanos.
Para alcançar estes propósitos o PSE foi constituído por cinco componentes: a) Avaliação das Condições de Saúde das crianças, adolescentes e jovens que estão na escola pública;
b) Promoção da Saúde e de atividades de Prevenção;
c) Educação Permanente e Capacitação dos Profissionais da Educação e da Saúde e de Jovens;
d) Monitoramento e Avaliação da Saúde dos Estudantes; e) Monitoramento e Avaliação do Programa.
Mais do que uma estratégia de integração das políticas setoriais, o PSE se propõe a ser um novo desenho da política de educação e saúde já que:
(1) trata a saúde e educação integral como parte de uma formação ampla para a cidadania e o usufruto pleno dos direitos humanos;
20 Figura 7
(2) permite a progressiva ampliação das ações executadas pelos sistemas de saúde e educação com vistas à atenção integral à saúde de crianças e adolescentes; e
(3) promove a articulação de saberes, a participação de estudantes, pais, comunidade escolar e sociedade em geral na construção e controle social da política pública.
6.5.3 Brasil profissionalizado
O programa Brasil Profissionalizado visa fortalecer as redes estaduais de educação profissional e tecnológica. A iniciativa repassa recursos do governo federal para que os estados invistam em suas escolas técnicas. Criado em 2007, o programa possibilita a modernização e a expansão das redes públicas de ensino médio integradas à educação profissional, uma das metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). O objetivo é integrar o conhecimento do ensino médio à prática. Mais de R$ 500 milhões já foram repassados pelo Ministério da Educação para estimular a implementação de ensino médio integrado à educação profissional nos estados. O dinheiro deve ser empregado em obras de infra-estrutura, desenvolvimento de gestão, práticas pedagógicas e formação de professores. Até 2011, o programa investirá recursos da ordem de R$ 900 milhões aos estados e municípios que ofertam educação profissional no país.
O Brasil Profissionalizado leva em consideração o desenvolvimento da educação básica na rede local de ensino e faz uma projeção dos resultados para a melhoria da aprendizagem. Um diagnóstico do ensino médio contém a descrição dos trabalhos político-pedagógicos, orçamento detalhado e cronograma das atividades. O incremento de matrículas e os indicadores sociais da região, como analfabetismo, escolaridade, desemprego, violência e criminalidade de jovens entre 18 e 29 anos também são analisados.
6.5.4 Programa Procampo
O Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo) apóia a implementação de cursos regulares de licenciatura em educação do campo nas instituições públicas de ensino superior de todo o país, voltados especificamente para a formação de educadores para a docência nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio nas escolas rurais.
7.Conclusão
Política pública é a elaboração de um projeto por um representante, que atenda as necessidades de um determinado grupo dentro da sociedade tendo seu apoio. Antes de o projeto ser apresentado, é feito um levantamento estatístico para provar a elegibilidade e viabilidade das idéias apresentadas por este representante junto ao grupo. Para que este tema de política pública passe a ser considerado lei é necessário avaliação do poder legislativo para que possa ser verificado o interesse em se levar o assunto a votação e somente após maioria de votos ela será considerada aprovada para daí então passar para aprovação do poder executivo (Presidente). Após todo este processo que pode definir uma lei ou uma medida provisória, o processo é encaminhado para o órgão ou Ministério correspondente a quem cabe o recebimento de verbas, implantação e através de suas secretarias e subdivisões fiscalizar o que está sendo feito e se aquele projeto de política pública atende as necessidades pelo qual foi criado.
Vendo da forma apresentada acima, mais uma receita de bolo, mas na realidade não é. A maneira com que foi implantado no Brasil de forma democrática, na época em que a constituição de 1988 estava sendo elaborada, deveria ter o objetivo de atender a todos os indivíduos da sociedade de forma organizada, sem causar um “rombo” aos cofres públicos, e com ampla fiscalização já que agora não era repassado ao estado e ao município somente para fazer o que já estava com seus padrões e custos definidos pelo governo federal. Agora os municípios e estados teriam participação ativa neste processo tendo suas próprias políticas públicas que atenderiam suas próprias necessidades e também continuariam implantando as políticas aprovadas pelo governo federal. Na realidade seu processo nunca conseguiu se consolidar de forma eficiente. Existe realmente o relator do projeto, mas na maioria das vezes quando estas questões estão na agenda governamental onde deveriam ser debatidos pontos de melhoria no projeto ou de verificar uma forma de utilizar aquelas questões para atender um percentual maior da sociedade são debatidos apoios políticos, o que seria perfeitamente normal já que este tipo de debate está diretamente ligado ao regime democrático do qual
fazemos parte, mas hoje o que vemos todos os dias é venda de voto, favores políticos como cargos para parentes e o mais intrigante é pelo que as investigações (que são muitas) indicam que neste apoio também é definido a porcentagem que cada um “leva” do desvio da verba destinada aquele projeto caso seja aprovado.
Vendo desta forma fica fácil entender a dificuldade que nós tivemos em conseguir conversar com algum representante do poder público da região sobre políticas públicas. Em todos os casos foi demonstrado desconfiança nas reais intenções da nossa pesquisa. Este foi o principal motivo que nos levou a mudar a idéia inicial de tratar o tema de forma mais direcionada a um município da região. O que nos permitiu conhecer melhor o processo decisório federal com suas divisões e forma de interação. Trazendo para o campo pedagógico o tema ao invés de expor de forma direta o desenvolvimento de projetos da região em que vivemos. O que nos expôs a outro desafio: a escassez de edições que tragam o assunto para o tema para imparcialidade que desejávamos.
Foi possível entender as formulações de processos que estão ligados diretamente a nossa rotina, como por exemplo, a aprovação do salário mínimo deste ano. A proposta foi apresentada pelo Poder Executivo que teve sua aprovação primeiramente na Câmara dos Deputados, em seguida seguiu para aprovação no plenário do Senado (ambos compõem o Poder Legislativo como já especificado). Durante todo este processo, houve a criação de estratégias para obter maioria de votos e o acompanhamento das centrais sindicais que, trazendo para políticas públicas são os representantes do grupo na sociedade, os trabalhadores. Após a aprovação por maioria de votos no Senado a proposta foi enviada para sanção da presidente para ser implantado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério da Fazenda.
Também foi possível perceber que na verdade tudo que envolve políticas públicas faz para de uma peça de um processo visto como um todo. Quando pesquisávamos sobre saúde nos deparamos com saneamento básico que se analisarmos também está diretamente ligado com desenvolvimento sustentável. Saneamento básico é problema muito antigo e que alcançou o limite do insustentável. Saneamento básico é o conjunto de serviços que visam o bem estar da sociedade em relação ao fornecimento de serviços públicos como água tratada, coleta de esgoto, limpeza urbana e controle de pragas. Estes serviços podem ser prestados por empresas públicas ou privados que podem ser escolhidas por processo de licitação, por exemplo. O fato de existir um processo a ser seguido não significa que estes serviços básicos e de extrema importância para saúde pública seja de alcance a todos.
Uma pesquisa feita em 2010 pelo IBGE demonstra quase todos os municípios brasileiros possui os serviços de abastecimento de água, mas falta serviço de ampliação da rede para que este serviço chegue a todas as residências isso quer dizer a aproximadamente 12 milhões de pessoas não tem acesso ao serviço. A situação é mais grave na região Norte onde grande parte da população utiliza água de poço que mal elaborado poder ser contaminado com esgoto que em muitos casos tem contato direto com o solo, ou utiliza água de rio.
Como mostra a pesquisa quando tem o serviço não possui serviço de coleta ou tratamento de esgoto. A pesquisa também mostrou que quase 45% dos municípios ainda não têm rede de esgoto e apenas um terço tem estações de tratamento. Entre os anos de 2000 e 2008, o número de domicílios no país com acesso à rede de esgoto subiu 39,5%. Mas 32 milhões ainda não são atendidos, segundo o IBGE. Outros dados do IBGE: mais da metade dos municípios brasileiros abandona o lixo a céu aberto, e quase 41% das cidades sofrem com inundações.
Tudo isso que foi relatado na pesquisa tem haver exclusivamente com saneamento básico. NÃO! A população pode consumir água contaminada em caso de consumo de águas de poços e rios trazendo doenças graves para dentro de casa gerando um problema de saúde pública. O mesmo ocorre com o esgoto correndo a seu aberto que pode trazer doenças pelo contato ou entrando no ciclo citado acima na contaminação da água que será consumida. Pergunto: Existe desenvolvimento sustentável dentro de um ambiente desses? Não há como.
Outro ponto onde saúde e desenvolvimento sustentável se encontram com saneamento básico é a ocupação desordenada nas áreas urbanas, margens de rios ou encostas de morros que podem causar tragédias como o da região serrana do Rio de Janeiro e enchentes. Hoje o crescimento desordenado em conjunto com a falta de coleta correta de lixo é responsável Poe enchentes em aproximadamente 43% dos municípios brasileiros.
Estes exemplos foram citados acima somente para expor alguns dos grandes problemas que a má manipulação da política pública afeta a população diretamente.. A falta de fiscalização faz com que verbas sejam desviadas todos os dias dos seus destinos sem que os responsáveis sejam punidos. Todo ano acompanhamos denuncias de pessoas com um alto poder aquisitivo sendo beneficiadas com bolsas do PROUNI, programa destinado ao acesso de estudantes de baixa renda terem acesso ao ensino superior em instituições privadas. O processo inicial (seguindo todo o processo de ciclo de política pública) era suprir a ausência de universidades públicas no país.