EM UM DESENVOLVIMENTO PLANEJADO, A AMAZON LANCA SEU LEITOR
DE L1VROS ELETRONICOS KINDLE PARA REPLICAR NO MERCADO
EDITORIAL 0 QUE STEVE JOBS FEZ NO SEGMENTO DA MUSICA COM
o
IPOD; SUA BIBLIOTECA NA PALMA DA MAO JA
E
UM SUCESSO
ara explicar 0 pre
sente e vislumbrar 0
futuro, 0 fundador da
Amazon, Jeff Bezos, sempre recorre ao passado. Apreciador de analogias hist6ricas, Bezos com para 0 impacto da internet nos ne
g6cios com 0 periodo cambriano,
cerca de 550 milhoes de anos atras, quando a Terra viveu urn saIto evo lucionario que deu origem
a
maior diversificacao de especies vista ate entao -e tambema
maior taxa de extincao de especies. "Perigoso e nao evoluir", resume Bezos.A evolucao nao e mera teoria na Amazon, e parte de seu projeto. Com origem numa loja unicelular de livros
online, a Amazon evoluiu em seus 14 anos de vida para se tomar urn shop
ping center cibemetico monstruoso, oferecendo milhoes de produtos e alcancando uma capitalizacao de mercado perto de US$ 34 bilhoes. Distribui de tudo, de musicas, filmes e games a roupas, ferramentas de jar dinagem e produtos de beleza, e ate mesmo itens de sex shop.
Nada, porem, estimulou tanto a imaginacao do publico quanta o Kindle, "leitor de livros eletrO nicos", agora ja em sua segunda versao. Embora nao seja 0 primei
ro equipamento a oferecer toda uma biblioteca na palma da mao, 0
Kindle e 0 primeiro sucesso nessa
area, com centenas de milhares de unidades vendidas desde seu lan camento, em novembro de 2007.
Para Bezos, 0 Kindle e a evolucao
l6gica da tecnologia anal6gica de 500 anos de idade, e isso assusta aqueles que hoje atuam no setor de ediCao de livros, que movimenta US$ 24 bi
lhoes anualmente e ja se mostra ner voso com 0 crescimento da Amazon.
Eles ternem nao conseguir sobrevi ver ao ambiente em mutacao, como as primeiras especies que surgiram no periodo cambriano, para usar a comparacao de Bezos.
Jeff Bezos esta tentando realizar no setor editorial 0 que Steve Jobs,
da Apple, fez na industria da musi ca. Com seu iPod e sua loja iTunes Store, a Apple explorou urn merca do bastante virgem tao rapidamen te que ela foi capaz de conquistar o controle da distribuiCao de mu sica digital e, assim, ditar 0 que as
antigo editor da HarperBusiness. "Essencialmente, voce precisa colo car os livros nas lojas e, enta~, levar os compradores para as lojas para compra-los?' Mas 0 Kindle, acredi
ta Maneker, pode ajudar a Amazon a deixar de lado os editores tradi cionais; a empresa poderia fechar acordos com autores de renome sem pagar adiantamento a eles, mi nimizando assim os riscos da publi cacao. Na verdade, a Amazon ja fez isso, com 0 e-book de Stephen King
chamado UR, romance (com preco sugerido de US$ 2,95) que traz uma trama em que aparece 0 pr6prio
AAMAZON FECHOU ACORDO DIRETO COM 0
RENOMADO AUTOR BEST-SELLER STEPHEN KING, SEM
ADIANTAMENTOS. PARA VEICULAR SEU E-BOOK UR, COM
PRECO SUGERIDO DE US$ 2,95. QUE INCLUI 0 PROPRIO
KINDLE NA TRAMA E QUE OSTENTA FINAL FELIZ
gravadoras deveriam fazer. Bezos enxerga uma oportunidade seme lhante, urn momenta em que ele, no melhor estilo Steve Jobs, po de co lonizar esse nicho em crescimento com 0 ecossistema da Amazon. Se
isso realmente acontecer, as edito ras de livros terao mais 0 que te
mer do que apenas ser espremidas. A Amazon seria capaz de lira-las completamente de cena.
No entanto, em uma virada de en redo que poderia fazer parte de urn livro de Dan Brown, ha urn homem que pode salva-las. E esse homem e exatamente Steve Jobs.
o
setor editorial depende fun damentalmente de "distribuicao e publicidade", diz Marion Maneker,Kindle e, diferentemente de outros livros de King, com final feliz.
A industria editorial esta espe cialmente vulneravel porque e baseada em sucessos, com peque no numero de best-sellers (Harry
Potter, por exemplo) subsidiando todo 0 resto. Autores como Dan
Brown, Malcolm Gladwell, Stephen King, Stephenie Meyer e J.K. Row ling seriam bem-sucedidos em urn sistema sem adiantamentos que oferecesse em troca royalties ou direitos autorais mais altos. Em vez de urn autor-estrela receber os
A reportagem
e
de Adam Penenberg, colaborador da Fast Company.POUCOS CONSUMIDORES FALAVAM DE E-BOOKS ATE QUE
o
KINDLE APARECEU. ELE RAPIDAMENTE COMECOU A
AGREGAR UM MERCADO INTEIRO, COMO 0 IPOD FEZ COM
OS MP3 E OS MP3 PLAYERS -APESAR DE 0 MERCADO DE
L1VROS DIGITAIS SER MAIS DESAFIANTE QUE 0 DE MUSICA
15% padrao sobre 0 preeo de capa,
a Amazon poderia simplesmente tirar 20% de taxa de distribuieao e o autor fica ria com 0 restante. Com
isso, caso 0 e-book decole, a Amazon
poderia deixar as editoras sem suas principais fontes de renda.
A Amazon ainda esta longe de conquistar esse nivel de hegemo nia. Para chegar la, Bezos precisa vencer a corrida para acertar defi nitivamente a distribuieao de seus
e-books e transforma-Ios em urn fen6meno de mercado de massa. Ele merece crMito por ter dado 0
primeiro passo, fazendo com que o e-book deixasse de ser objeto de mera curiosidade para se tornar item de consumo. Isso ele conse guiu com a introdueao do Kindle.
Os leitores de livros eletr6nicos, assim como os aplicativos que fa ziam essa funeao, ja existiam havia algum tempo, mas poucos consu midores falavam de e-books ate que o Kindle apareceu. Entiio, ele ra pidamente comeeou a agregar urn mercado inteiro, assim como 0 iPod
fez com os MP3 e os MP3 players. De certo modo, Bezos lidou com uma situaeao mais dificil, uma vez
que musica e livro sao intrinseca mente diferentes. Os usuarios do iPod podiam digitalizar toda sua co leeao de discos e ouvir as musicas quantas vezes quisessem. Os usua rios do Kindle nao podem escanear sua biblioteca e coloca-Ia no equipa mento, e a maio ria das pessoas nao reM seus livros. Alem disso, quem faz download de musicas pode com prar uma por vez, mas a maioria dos compradores de livros nao pagaria por urn capitulo por vez.
Para controlar a distribuieao di gital, Bezos tern de fixar preeos bai xos 0 suficiente para motivar os lei
tores a trocar os volumes de capa dura ou mesmo as edieoes mais ba ratas por versoes no Kindle. A pri meira acao da Amazon nesse senti do foi forear as editoras a aceitar 0
preeo de US$ 9,99. Mas, enquanto a Apple consegue alguns centavos para cada musica que vende (a US$ 0,99), a Amazon na verdade perde dinheiro em muitos titulos, com os editores ganhando entre US$ 12 e US$ 13 por livro. Mas, mesmo tendo lucro, as editoras nao estiio satisfeitas, pois a Ama zon, na prMica, esta redefinindo na
cabeea das pessoas 0 valor de urn
livro, assim como a Apple fez com a musica.
A maior vulnerabilidade da Ama- zon, no entanto, pode estar simples mente no fato de 0 leitor de livros
eletr6nicos nao estar destinado a ser urn equipamento unico, mas sim a reunir funeoes de outros. "Quando chegarmos a urn item tecnol6gico que possamos levar conosco a todos os lugares, espero que ele inclua 0
que 0 Kindle oferece", diz Judith Re
gan, antiga editora da ReganBooks. "Eu 0 adoro. Mas quantas pessoas
querem mais uma coisa para carre gar? Kindle, mais iPod, mais iPho ne, mais laptop, mais BlackBerry, mais carteira, escova e batom. Meu ombro d6i?' Isso, sem contar 0 custo
de todos esses aparelhos separados, acrescenta ela.
It
ai que a Amazon, com bern pouca experi~ncia em projetar e fabricar eletr6nicos, e mais fraca. E e ai tambem que a Apple po de sa botar os pIanos de Bezos.Ra anos circulam rumores de urn tablet (prancheta de midia) do tipo touch screen da Apple, apesar de uma famosa frase de Steve Jobs: "Nao importa se [0 Kindle] e born ou ruim. 0 fato e que as pessoas nao leem mais". Para muitos ob servadores, esse e urn sinal de que Jobs planeja Ian car urn leitor de li vros elet:r6nicos, pois ele
e
mestre em despistar suas intencoes.As especulacoes mais fortes dao conta de que a Apple pretende
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o
grafico abaixo mostra a evolu<;:ao de varias especies de produtos eletronicos: livros, players de musica, computadores e telefones. Sera possivel uni-los em um unico dispositivo?lancar seu tablet multimidia nes
te ano. E urn tablet desse, com 10
polegadas e tela touch screen, Wi-Fi
e talvez conexao 3G, faria com que o Kindle, com sua tela, seu tecla do apertado e sua unica funciona lidade, parecesse tedioso. A Apple tambem poderia usaI' sua existente infraestrutura do iTunes como loja
...
-•
-virtual para distribuir os e-books;ela ja vende audiolivros.
De qualquer forma, e assim que Steve Jobs pode dar urn golpe de jiu-jitsu em Jeff Bezos. Depois de a Amazon enfrentar as dificuldades e os custos de semear a paisagem, introduzindo 0 conceito de e-book
na cabeca das pessoas, criando
urn mercado onde nao existia urn e avancando para controlar 0 sis
tema de distribuicao, a Apple pode entrar nesse setor com urn disposi tivo de midia colorido do tipo touch screen, que nao apenas M livros,
como tambem oferece video, mu sica, navegacao na internet, e-mail
e 0 poder combinado do iTunes e
da Apple App Store. Esse dispositi vo pode ate mesmo se encaixar em uma plataforma que acomode urn teclado de tamanho-padrao. as li vros seriam, entiio, apenas pequena parte do que ele ofereceria, tornan do-o atraente para urn publico bern mais amplo do que 0 do Kindle.
I!; fundamental lembrar que a Ap ple e principalmente uma empresa de hardware que se importa pouco
em ganhar dinheiro com conteudo, desde que possa vender iPods ou
tablets. Bezos, pOl' outro lado, esta
vendendo uma tecnologia razoavel mente primitiva. Para que sua es trategia se pague, ele precisa que 0
Kindle ganhe a corrida do hardware
ou encontrar uma forma de ganhar dinheiro com os titulos, ou mesmo com ambos. Ele nao tern medo de perder dinheiro ao rumar para urn novo nicho -os cinco primeiros anos de existencia da Amazon foram no vermelho-, mas ele nao pode conti nual' assim para sempre.
lnfelizmente para Bezos, nao ape nas a Apple e mais bern preparada para projetar produtos bonitos que as pessoas ficam ansiosas para com prar, como tambem a empresa pode ser urn parceiro rna is desejavel para as editoras do que a Amazon, ate pOl' nao tel' tendencia de querer tirar de las 0 controle sobre 0 conteudo.
Isso nao significa que a Ama zon vai desaparecer do cenario. A evolu\(iio premia aqueles que sao capazes de se adaptar, e tal trans formacao no setor de livros levaria tempo. A Amazon pode alavancar seu poder online e, com 0 pretex to de eliminar 0 retorno dos livros
nao vendidos para as editoras, pres siona-Ias a ado tar a impressao pOl'
HS"''''.nagemenl 78. JANEIRO-FEVEREIRO 2010 hlmmanagemenl.com.br
demanda e, assim, continuar ga nhando dinheiro enquanto prepara sua estrategia para os livros digitais. As editoras de livros, por sua vez, se beneficiam de urn mercado frag mentado, sem uma unica entidade controlando toda a linha de distri bui<;ao. Quanto mais a Amazon e a Apple se baterem, melhor para elas, editoras. No minimo, recebem urn indulto, uma vez que teriam pelo menos duas partes disputan do para ver quem vai distribuir
e-books, e e sempre melhor quando
ha mais de uma oferta na mesa. No longo prazo,
a
medida que os leito res migrarem para os livros digitais, havera uma possibilidade real de que a forma basica do livro mude.E
urn processo que ja estil em andamento, uma vez que a in ternet mudou a forma pela qual as pessoas acessam informa<;ao, con teudo e entretenimento.Evan SchniUman, vice-presidente de desenvolvimento de negocios da Oxford University Press no mundo todo, acredita que a conectividade
constante e uma amea<;a proxima e preocupante
a
experi~ncia de leitura com imersao. "Eu adoro ler, mas sei ler com imersao urn pouco menos agora, e estou no se tor editorial", diz ele. "E-books sao simplesmente os livros impressos na forma digital e minha questao e: sera suficiente?E
isso mesmo 0que vamos querer fazer?"
Se a historia serve de guia, nao. A decad~ncia do mundo impressa e parte do padrao previsivel de de senvolvimento. A incipiente nova tecnologia tende a espelhar 0 que
veio antes, ate que a inovac;ao e a necessidade do consumidor con duzam-na bern rna is aMm de seus predecessores.
Levando em conta as caracte risticas de nossos habitos online atuais e a rapida onda de inovac;ao em telas e microprocess adores, os livros podem se tornar em breve eventos multimidia. Nesse mode 10, 0 setor editorial pode, na ver dade, se posicionar bern. As edi toras podem se juntar a autores e produtores de multimidia para criar urn novo canal para e-books dinamicos, que vao bern mais alem da prosa linear, oferecendo uma combinac;ao de texto, video, entrevistas em audio, mapas em 3D, ou seja, todo urn ecossistema de conteudo desenvolvido a partir do livro. Em breve, urn livro so com palavras vai parecer muito limitado. E isso nao vale apenas para livros, mas tambem para re vistas e jornais.
Tudo contado aqui mostra como evolu<;ao e algo enigmatico. Num minuto, alguem esta no topo da ca deia alimentar e, no momenta se guinte, e 0 lanche de outro. CI
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© Fast Company
© 2009 Mansueto Ventures LLC. Este artigo foi publicado originalmente na Fast Companye distribuido pela Tribune Media Services International.
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NUNCA FOI TAO DIVERTIDO
LER UM LIVRO
POR HEINAR MARACYDe volta para seu Chile natal depois de alguns anos no Brasil, 0 engenheiro Sergio Arevalo olha mara vilhado para 0 Kindle. "Vou ter de deixar a maioria dos meus livros aqui, pois papel e muito pesado para transportar. Com isso eu poderia levar todos na ba gagem de mao."
Levar uma biblioteca inteira nas maos e so um exemplo das vantagens do livro eletronico sobre 0 de papel. Existem outros: a possibilidade de achar ime diatamente um trecho, por exemplo. Quem nunca se exasperou tentando encontrar uma passagem em um livro de papel e procurou inutilmente 0 "Control-F"
que atire 0 primeiro tomo.
A musica se digitalizou, 0 video tambem; auni·
ca forma de entretenimento e cuHura que resistia ate agora era a leitura. amotivo e muito simples:
e
muito chato ler no monitor, mesmo na tela de LCD de um laptop. A luz emitida pela tela cansa a vista. Depois de um dia inteiro trabalhando em frente a um computador, nirnguem quer chegar em casa e fi car olhando por mais a~gumas horas para outra tela antes de dormir.a Kindle, que em outubro de 2009 chegou ao Bra sil, acabou com esse problema. Sua tela dee-paper e reflexiva como papel e tao confortavel de ler quanto. Seu tamanho, peso e aspecto geral sao bem proximos dos de um livro e suas formas e interface foram "bo ladas" para nao intimidar 0 usuario e nao atrapalhar
sua fun~ao princlpal: permitir que 0 leitor merguthe no livro, sem se preocupar se esta lendo em papel analogico ou digital. Da para ler na cama, na rede, no onibus, na praia, com botoes de avan~o de pagina em ambos os Ladas discretos e eficientes.
Podemos dizer que ele chega bem perto de replicar a experi·encia do livro em papel. A imersao 56 nao e to tal devido a uma caracteristica intrinseca do e-paper, que e formado por pigmentos que mudam de preto para branco lou melhor, cinza-claroJ de acordo com o que manda seu processador. Quando voce avan~a
uma pagina, a tela pisca em negativo antes de mu dar para a proxima, 0 que quebra a sensacao de estar
lendo um livro de papel. Mas esse e um pre~o peque no quando comparado com as vantagens.
Ao contrario de telas de LCD, 0 e-paper tem alto contraste sob a luz do sol. Ele poderia ser mais
bran-HSMMlnlgement 78' JANEIRO·FEVEREIRO 2010 hsmmlnlgement.com.br
co, mas mesmo com seu fundo "cinzinha" e possivel ler perfeitamente em condi~oes de pouca luz. 56 nao funciona no escuro porque ele nao tem backlight Ili vros de papel tambem nao tem!' Nada que uma lan terna corujinha nao resolva. Alem disso, e-papers6 gasta energia quando a tela refresca. Enquanto voce le uma pagina, nada e consumido. Assim, a autorw mia do Kindle e de varios dias de usc, nao de horas como qualquer aparelho eletronico.
Alem do conforto e da sensa~ao de ser "quase um livro", 0 Kindle traz todas as vantagens de um produto
tecnol6gico benfeito. Coloque 0 cursor em qualquer
palavra e imediatamente seu significado aparece no pe da tela. Oigite uma palavra e de 'Enter" para en contrar um treclho do livro que voce esta lendo l Fac;:a
anota~oes nas paginas e copie trechos de livros que tudo fica armazenado em um arquivo TXT que pode ser copiado para seu computador. Quantas vezes voce nao desejou ter essas fun~oes e-nquanto lia um livro impresso?
a Kindle ja existe ha dois anos, mas apenas no fi nal de 2009 foi "liberado" para uso em outros cem parses alem dos EUA. Hoje existem dois modelos: 0
Kindle EUA eo internaciOnal. Fisicamente, sao iden ticos, apenas 0 software e diferente, limitando geo graficamente os modelos. Se voce compra 0 Kindle
americano, nao consegue comprar ~ivros na Amazon fora dos EUA; 0 Kindle ihternacional nao permite
navegar na internet, func;:ao ainda em carater expe rimental no aparelho america no. Existe tambem 0
Kindle OX, em formato maior, dirigido ao mercado academico e leitura de jornais. Alem do tamanho, este permite ler arquivos PDF. Por enquanto, 56 esta
a
venda nos EUA.Ainda existem poucos livros em portugues dispo niveis para 0 aparelho, mas varias editoras ja estao
preparando seus primeiros lanc;:amentos em formato digital. Um dos mais aguardados e 0 novo livro de Ru
bem Fonseca, pela Record. a pre~o de um livrodigital na Amazon normalmente e igual ao da versao em pa pel, mas e possivel encontrar boas ofertas de livros de dominio publico e fora decatalogo. Alias, essa e outra vantagem do e-book: livros digitais nunca saem de catalogo.
A experiencia de compra
e
a melhor possivel. Deu~
E v O L U I - - -
vontade de ler um livro?
E
s6 acessar 0 site da Ama zon pelo Kindle, por rede celular, comprar, baixar ecome~ar a ler. Nada mais de esperar semanas ate chegar 0 pacote. Tambem e possive! comprar pelo PC e depois transferir para 0 Kindle pelo USB. Tambem
e possivel transferir para 0 iPhone, que ja possu; um programa leitor de arquivos AZW (0 formate nativo do Ki'ndlel feito pela Amazon. Em breve, deve ser lan~a
do um leitor para PCs tambem.
a
Kindle ainda le os textos em voz alta (em in gles, por enquantol e toca audiobooks e MP3. Pena que a mem6ria de apenas 1 GB limite seu uso como MP3 player. Mas 0 som e bom pelos fones de ou vido.a
Kindle e atraente ainda, gra~as a dois pro gramas que convertem documentos em qualquer formato [PDF, DOC, TXT etc.) para 0 formato Kindle.a
Mobipocket, para PC, e 0 Stanza Des'ktop, para Mac, salvam a patria. Basta ir ao Projeto Gutenberg, ao Google Books ou ao seu site de torrents favorito, baixar alguns e-books e converte-los para 0 Kindle.Da um pouco de trabalho. mas ainda e mais rapi do do que ir ate a livraria.
a
nome Kindle parece perfeito para 0 aparelho que"acendeu" a curiosidade de todo mundo pelos livros digitais. Ainda esta Longe de ser perfeito. Para co
me~ar, e feio. Tem um design que provocaria 0 des
dem de qualquer engenheiro da Apple [se bem que a segunda versao e muito melhor que a primeiraJ.
a
"K,indle OS" parece nitidamente um trabalho em an damento. A funcionalidade basica esta la, mas, se voce come~a a mexer um pouco mais, come~a aver os tapumes e gambiarras. Se voce coloca uma quan tidade consideravel de tivros, ja percebe a dificuldade da interface "listao" do aparelho.E
preciso navegar pagina a pagina para encontrar 0 que quer, a</go bemtedioso.
a
acesso precarioa
internet, a tela mono cromatica e lenta e a falta de touch screen e conexao Wi-Fi sao limita~6es que frustram 0 usuario e pre judicam 0 "fator uau", aquela sensa~ao de deslumbre que faz voce desembolsar R$ 9ClO imediatamente para ter um. Ainda nao e 0 iPod dos livros.
APPLE'S
LATE?
Nos ultimos meses, um boato recorrente de um
e-reader da Apple vem circulando na web, estimula
~·.PERSPECTIVA BRASILEIRA
do por diretores de editoras e jornais que vem dando com a lingua nos dentes apesar dos pesados acor dos de nao divulga~ao que assinam. Aparentemente, a Apple vem consultando 0 mercado editorial para
lan~ar seu proprio leitor de e-books, que, segundo 0
New York Times, chama-se Apple Slate.
Basicamente seria um iPhone avantajado, com tela de 10 polegadas, mas, como nenhuma imagem do aparelho apareceu ainda, e dificil adivinhar seu for mato. A unica coisa que se sa be e que nao serviria apenas para ler livros, mas tambem tocaria musicas e videos em alta defini~ao. Ser'ra a resposta da Ap ple ao Kindle, aos netbooks (a Apple e 0 unico gran de fabricante de computadores que ainda nao entrou nessa ondaJ e traria um modelo de negocio capaz de salvar as reda~6es de jornais e revistas do mundo in teiro da extin~ao. Ah, sim, e seria Lindo.
Como tudo que se refere
a
empresa da ma~a. 0Apple Slate e segredo absoluto e nao se sabe nem se ele existe de verdade. A Apple
e
conhecida por criar centenas de prototipos de produtos que nunca veem a luz do dia. Mas nao existe outra empresa mais ca paz de reconhecer os problemas de um mercado de produtos eletronicos, conserta-los e domina-lo. Foi o que ela fez com a musica digital e com os smartphones.
TAO BOM QUANTO
Mesmo que Steve Jobs decida que 0 mercado de e -books e pequeno demais para a Apple, a evolu~ao
dos e-books cedo ou tarde vai desaguar no leitor perfeito: bom, bonito e barato.
a
mais importante a Amazon ja consegui'u: inventou um suporte digital tao bom quanto 0 analogico, com 0 qual convivemos ha600 anos.
a
livro em papel nao vai acabar, mas cer tamente tera de evoluir, como 0 cinema evoluiu paraenfrentar a televisao. As editoras tambem terso de evoluir para se adaptar a um mercado onde terao me nos poder sobre 0 destino de seus l'ivros, mas tam
bem na,o terao custos de impressao e distribui~ao.
Tempos incertos, em que a unica certeza e que nunca foi tao facil e divertido ler um livro.
Heinar Maracy