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Atividade física regular e autonomia do idoso

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Academic year: 2021

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DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

ATIVIDADE FÍSICA REGULAR E

AUTONOMIA DO IDOSO

RAFAELA PISKE Santa Rosa – RS

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ATIVIDADE FÍSICA REGULAR E

AUTONOMIA DO IDOSO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Educação Física da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para a obtenção do Título de Licenciatura em Educação Física sob a orientação do Prof. Leomar Tesche.

Santa Rosa – RS

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todos que estiveram presentes ao meu lado, fazendo parte dessa caminhada em busca da realização pessoal e profissional.

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Concluindo a jornada desse trabalho, me faz perceber que a minha carreira profissional começa agora, em meio a tentativas e dificuldades, erros e acertos, e além disso muito preocupação acerca do elemento principal desse trabalho, o ser idoso, ao qual devemos total respeito e consideração, e o qual devemos nos orgulhar de termos o convívio presente deles no nosso dia a dia.

Dessa forma quero agradecer, primeiramente a Deus, por possibilitar a minha caminhada até este momento, pois sei que sem Ele, nada seria possível.

Ao meu Professor Orientador Leomar Tesche, pela sua confiança, e por ter atribuído dedicação ao meu amadurecimento pessoal e profissional.

A todos os demais professores, e a instituição, que tiveram indelével participação no meu aprendizado, para seguir essa carreira.

A minha família que sempre me apoiou, e sempre esteve ao meu lado em todos os momentos.

Enfim, aos que fizeram parte nessa minha caminhada, para que fosse possível a conclusão dessa etapa, meu profundo e sincero agradecimento!

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O envelhecimento é uma das grandes preocupações da humanidade, devido á como ocorre esse processo, e quais os fatores que estão ligados a eles. Assim, surgem vários estudos em relação a esse processo, podendo enfatizar como ele acontece, surgindo a figura do idoso, o qual é o indivíduo que sofre com as modificações desse processo, e que é diferente segundo o estilo de vida de cada um, podendo assim manter a autonomia nesse processo. Sendo assim essa autonomia está ligada a atividade física regular, que proporciona uma reflexão, sobre a importância da atividade física para manter suas atividades de vida diária, podendo assim manter a sua autonomia. O estudo é caracterizado como descritivo, tendo como a população, idosos com idade entre 60 e 75 anos, do município de Tuparendi/RS, com o objetivo desse estudo de apresentar o quanto a atividade física regular, traz benefícios para a manutenção da autonomia, como objetivos específicos, o quanto ela é fundamental para a saúde e a qualidade de vida do idoso, sendo que mostrar o quanto o idoso obtém benefícios físicos e também psicológicos nesse processo, diagnosticar a importância da atividade física regular para a realização das AVD e AIVD com mais habilidade motora. Já para a coleta de dados foi contado com dois questionários. Por meio desse estudo foi possível concluir, que o processo de envelhecimento ocorre com qualquer indivíduo a partir de uma idade cronológica, e que esse envelhecimento pode ser alterado, de forma que a atividade física proporciona benefícios para a realização das AVDs e AIVDs, para que o idoso possa manter a sua autonomia no dia-a-dia. Os idosos analisados, constataram significativas melhoras na sua capacidade funcional, apresentando mais força, flexibilidade, equilíbrio e disposição, para as suas AVDs. Sendo isso a atividade física é de fundamental importância para as alterações que ocorrem nesse processo.

Palavras-chave: Idoso; Envelhecimento; Atividades Diárias; Atividade Física

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ABSTRACT

Aging is one of humanity's major concerns, due to how this process occurs, and what factors are linked to them. Thus, there are several studies regarding this process and may emphasize how it happens, resulting in the elderly figure, which is the individual who suffers from the changes of this process, and that is different in the style of life of each, may thus maintain autonomy in this process. So that autonomy is linked to regular physical activity, which provides a reflection on the importance of physical activity to maintain their activities of daily living, and thus can maintain their autonomy. The study is characterized as descriptive, with the population, those aged between 60 and 75 years, the city of Tuparendi / RS, with the aim of this study show how regular physical activity, benefits the maintenance of autonomy, specific objectives, how much it is critical to the health and quality of life of the elderly, and show how the elderly get physical and also psychological benefits that case, diagnose the importance of regular physical activity to perform the ADL and IADL more motor skill. As for data collection was numbered with two questionnaires. Through this study it was concluded that the aging process with any individual from a chronological age, and that aging can be changed, so that physical activity provides benefits to the performance of ADL and IADL, so the elderly can maintain their autonomy in day-to-day. The elderly analyzed, found significant improvements in functional capacity, with more strength, flexibility, balance and available to their ADLs. Being that physical activity is crucial for the changes that occur in this process.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...07-09 1. O IDOSO E O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO...10-15 1.1 Fatores decorrentes do envelhecimento...16-18 2. BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA REGULAR...19-25 3. ESTILO DE VIDA E AUTONOMIA...25-28 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...29-30 5. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS...31-37 CONSIDERAÇÕES FINAIS...38-39 REFERÊNCIAS...40-42 ANEXOS...43-45

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INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é um grande motivo de discussão, e reflete a um fato mundial devido as baixas taxas de natalidade, e a diminuição da mortalidade, com o aumento da tecnologia, e melhora de condições ambientais, estudos projetam para os próximos anos, que a população idosa será a maioria tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento.

Sendo assim é preciso estudar, pensar e trabalhar por essa população, pois assim como quando nascemos vamos adquirindo as nossas capacidades fisiológicas, desde a escola em que aprendemos a realizar a atividade física e a mantê-la no dia a dia, na fase adulta muito disso é perdido, devido ao trabalho a falta de tempo e à preferência por outras prioridades, sendo assim a população acaba se tornando inativa, com tempo apenas para as atividades regradas do dia a dia, sendo que como afirma Nahas1 “existem fortes evidências de que os indivíduos ativos fisicamente têm uma expectativa ampliada de anos de vida produtiva e independente”.

Com isso, desde essa fase o indivíduo idoso vai acarretando problemas de saúde devido a essa inatividade, pois sem a realização de exercício físico vai perdendo as suas capacidades de força, flexibilidade, equilíbrio, além da perda cardiovascular e muscular, fazendo também com que vá adquirindo doenças crônicas, devido a essas disfunções. Assim como afirma Vidmar2 essas mudanças que ocorrem “são acompanhadas por limitações no desempenho funcional que comprometem a participação social dos idosos e, consequentemente, prejudicam a sua qualidade de vida”.

Frente ao que foi exposto acima, surge a questão: a realização de atividade física regular realmente traz benefícios nesse processo de envelhecimento? O

1

NAHAS, Markus V. Atividade Física Saúde e Qualidade de Vida. Conceitos e Sugestões para um Estilo de Vida Ativo. Londrina: Midiograf, 4ª ed. rev. e atual., 2006. p.36.

2

VIDMAR, Marlon Francys; POTULSKI, Ana Paula; Sachetti, Amanda; SILVEIRA, Michele Marinho da; WIBELINGER, Lia Mara. Atividade Física e Qualidade de Vida em Idosos. Revista Saúde e Pesquisa. v. 4, n. 3, p. 417-424, set/dez. 2011. p. 422.

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quanto ela é responsável para o desempenho das Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVDs), e para manter a autonomia do idoso?

O seguinte estudo caracterizou-se como descritivo e é de forma qualitativa, constituído de uma revisão bibliográfica sobre o processo de envelhecimento, a atividade física e qualidade de vida, e os benefícios das atividades físicas para a manutenção da autonomia do idoso para a realização das AVDs e AIVDs. Sendo assim a população pesquisada desse presente estudo consiste em um grupo de 30 idosos com idade entre 60 e 75 anos sendo eles idosos que atualmente praticam qualquer tipo de atividade física, homens e mulheres.

A pesquisa conta com a aplicação de dois questionários, em forma de entrevista sendo eles: Índex de Katz (anexo1) para a avaliação do índice de independência do idoso para a realização das AVDs, e a Escala para a avaliação das incapacidades nas AIVDs (anexo2) ambas para a avaliação da funcionalidade dos idosos e será respondido por esse grupo de idosos, residentes no município de Tuparendi/RS, sendo estes 30 idosos praticantes de atividades físicas regulares, afim de evidenciar os benefícios das atividades físicas.

O objetivo desse estudo foi apresentar o quanto a atividade física regular, traz benefícios para a manutenção da autonomia, como objetivos específicos, o quanto ela é fundamental para a saúde e a qualidade de vida do idoso, sendo que mostrar o quanto o idoso obtém benefícios físicos e também psicológicos nesse processo, diagnosticar a importância da atividade física regular para a realização das AVD e AIVD com mais habilidade motora, e por mais anos de vida sem a dependência de outra pessoa, assim mantendo o idoso em convívio com a sociedade lhe proporcionando um estilo de vida saudável.

Também se tem o intuito de comparar relações da prática regular de atividade física, com a manutenção e autonomia do idoso, sendo que por finalidade mostrar a diferença que a atividade física proporciona nesse processo de envelhecimento, o presente estudo mostrará o quanto a atividade física regular é essencial para a manutenção da autonomia e a independência do idoso, deixando-os mais segurdeixando-os de si mesmdeixando-os e de suas ações no dia-a-dia. Para basear-me na fundamentação teórica deste estudo, contei com os seguintes autores: Markus V.

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Nahas, Sandra Mahecha Matsudo, Silene Sumire Okuma, Marinês Tâmbara Leite, dentre outros autores que apresentam evidências teóricas sobre o envelhecimento e sobre o quanto a atividade física é fundamental para a saúde do idoso, Duarte; Andrade; Lebrão, e Lopes dos Santos e Virtuoso Júnior, ao qual obtive as escalas e o índice de Katz, para que pudesse fundamentar a minha pesquisa através dos mesmos.

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1. O IDOSO E O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

Como podemos observar a população idosa está aumentando nos últimos anos, segundo Carvalho e Garcia3, esse fato acontece, devido ao baixo índice de fecundidade, e as baixas taxas de mortalidade tanto no Brasil como em todo o mundo, sendo assim as pessoas estão envelhecendo, tanto no Brasil como em outros países, o envelhecimento está refletindo-se assunto principal, devido ao fato de estudos que se projetam para os próximos anos, não muito distante que o Brasil será um país envelhecido. Sendo que Schneider4 relata que o Brasil passará a ter 33 milhões de idosos até 2025, ficando em sexto lugar em todo o mundo.

Esse aumento considerável da população idosa, pela lógica se daria em maior proporção em países em desenvolvimento, por possuírem melhor organização, e recursos nos programas de saúde, lazer, esporte, mas Silva Júnior5 afirma que a população idosa corresponderá a dois bilhões até 2050, sendo que desse número, 80% dos idosos irão viver nos países em desenvolvimento, ou seja, precisamos trabalhar por essa população.

Até algumas décadas atrás, os idosos não eram parte ativa na sociedade, eram considerados indivíduos que necessitavam de cuidados especiais, de medicamentos, de auxilio, além de serem muito dependentes de familiares e de cuidadores para que pudessem realizar as suas atividades básicas do dia-a-dia, como fazer suas próprias refeições, limpar a casa, passear, lavar a roupa, sendo que até grande parte desses idosos, eram abandonados por seus familiares, e até maltratados, além de proporcionarem elevados gastos ao governo devido a fragilidade de sua saúde.

3

CARVALHO, José A. M.; GARCIA, Ricardo A. O envelhecimento da população brasileira: um

enfoque demográfico. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3, p.725-733 mai-jun 2003.

p.731. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/csp/v19n3/15876.pdf. Acesso em: 09 ago. 2014.

4

SCHNEIDER, Alessandra R. dos S. Envelhecimento e quedas: a fisioterapia na promoção e

atenção à saúde do idoso. Rev. Bras. De Ciências do envelhecimento humano. Passo Fundo. v. 7,

n. 2, p.296-303, mai-ago 2010. p.296. Disponível em:

http://www.upf.br/seer/index.php/rbceh/article/view/414/pdf. Acesso em: 30 ago. 2014.

5

SILVA JR., Jarbas Barbosa. Envelhecimento Ativo: Uma política de saúde. World Health

Organization; tradução Suzana Gontijo. – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. p.8. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/envelhecimento_ativo.pdf. Acesso em: 20 ago. 2014.

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Devido a essa grande proporção de idosos que já convivem conosco e que se projetam para os próximos anos, constam vários estudos e pesquisas na área de gerontologia, para definir o individuo idoso, e como acontece esse processo de envelhecimento. Camarano et al.6 na tentativa de definir o idoso, esclarece que:

A partir da noção biológica de velhice ou, mais precisamente, de senilidade, é possível, então, demarcar, através do padrão de declínio de determinadas características físicas, o momento a partir do qual o indivíduo pode ser, ou não, considerado como “velho”. Esse momento, quando semelhante em termos de tempo de vida entre diversos indivíduos, permite o uso da idade como critério de demarcação da velhice. Nesta lógica, idoso é aquele que tem a idade correspondente à idade típica de um “velho”. O problema de classificação torna-se aparentemente simples, demandando apenas que se estabeleça a idade-limite que separa a velhice da não-velhice para separar os idosos dos não-idosos.

Já conforme a lei N°10.741/20037 que dispõe do estatuto do idoso ao qual consta que a pessoa igual e acima de 60 anos são consideras idosas, sendo assim estas tem direito assim como qualquer outro ser humano, de ter uma boa saúde, qualidade de vida, uma alimentação saudável, esportes, lazer dentre outras disponibilidades.

Definir uma pessoa como sendo velha pela sua idade pode entrar em contradição ao fato de ela não ser velha de saúde e de aptidão física, o que temos definido é a idade que representa o individuo idoso, que segundo a lei é a partir de 60 anos, mas isso não significa que por ele ter essa idade cronológica, ele apresenta essa idade fisiológica. Para Nóbrega et al.8 o envelhecimento trata-se de um processo contínuo, em que o idoso sofre um declínio de todas as suas capacidades

6

CAMARANO, Ana Amélia; BELTRÃO, Kaizô Iwakami; PASCOM, Ana Roberta Pati; MEDEIROS, Marcelo; CARNEIRO, Isabella Gomes; GOLDANI, Ana Maria VASCONCELOS, Ana Maria Nogales; CHAGAS, Ana Maria Resende; OSÓRIO, Rafael Guerreiro. Como vai o idoso brasileiro? Rio de Janeiro. Dez. 1999. p.3. Disponível em:

http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2810/1/td_0681.pdf. Acesso em: 08 ago. 2014.

7

Lei n°10.741, de 1° de outubro de 2003. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm Acesso em: 15 ago. 2014. 8

NÓBREGA, Antonio Claudio Lucas da; FREITAS, Elizabete Viana de; OLIVEIRA, Marcos Aurélio

Brazão de; LEITÃO, Marcelo Bichels; LAZZOLI, José Kawazoe; NAHAS, Ricardo Munir; BAPTISTA, Cláudio Aparício Silva; DRUMMOND, Félix Albuquerque; REZENDE, Luciano; PEREIRA, Josbel; PINTO, Maurílio; RADOMINSKI, Rosana Bento; LEITE, Neiva; THIELE, Edilson Schwansee; HERNANDEZ, Arnaldo José; ARAÚJO, Claudio Gil Soares de; TEIXEIRA, José Antonio Caldas; CARVALHO, Tales de; BORGES, Serafim Ferreira; ROSE, Eduardo Henrique De. Posicionamento

oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: atividade física e saúde no idoso. Rev. Bras. De Medicina do Esporte. Niterói,

v.5, n.6, Nov./Dez, 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-86921999000600002&script=sci_arttext. Acesso em: 22 set. 2014

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fisiológicas, mas questiona também o fato de que esse declínio que é ocorrido com o passar dos anos, pode ser retardado através de um estilo de vida ativo. Segundo Leite9 “ocorrem modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam perda de capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente”.

Na explicação de Miguel Jr10 o envelhecimento acontece com o passar do tempo, mas na verdade dificilmente alguma pessoa morre pela idade, mas a maioria morre devido a complicações na saúde, o corpo fica doente, devido as perdas que vão se acarretando com o passar do tempo, com a diminuição das capacidades fisiológicas, e com dificuldade de se recuperar de uma agressão advinda do meio ambiente e social em que vive, além do estresse, e da tristeza que vão se acumulando com as perdas afetivas.

Já para Leite11 esse processo de envelhecimento é pessoal, sendo que cada pessoa que está envelhecendo apresenta diferentes declínios de certas capacidades e funções, sendo que umas acontecem mais rapidamente que as outras. Ainda conforme essa mesma autora12 citada acima, caracteriza o indivíduo nesse processo da seguinte forma:

O envelhecimento se caracteriza por perda de capacidade fisiológica dos órgãos, dos sistemas e de adaptação a certas situações de estresse. Tal fenômeno é universal, progressivo, na maioria das vezes irreversível e resultará em um aumento substancial da mortalidade com o passar do tempo tendo, também, maior probabilidade de desenvolver doenças. No entanto, a grande disponibilidade de nutrientes, os conhecimentos sobre uma dieta balanceada, da necessidade de realização de exercícios físicos constantes e das vantagens de se viver em um ambiente saudável, além dos progressos da medicina, têm levado a subverter este conceito e aumentar a longevidade.

Nesse processo de envelhecimento ocorrem modificações, e a intensidade dessas modificações variam de indivíduo para indivíduo, sendo que “O envelhecimento é um processo que afeta todos os indivíduos de forma lenta e

9

LEITE, Marinês Tambara. Envelhecimento Humano: Fundamentos Teóricos para sua Compreensão. Ijuí: Editora Unijuí. Coleção Cadernos Unijuí. 2005. p.16

10

MIGUEL JR., Armando. Envelhecimento- fenômeno de Hayflick. 2007. Disponível em:

http://www.medicinageriatrica.com.br/2007/09/23/envelhecimento-fenomeno-de-hayflick/. Acesso em: 10 ago. 2014

11

LEITE(2005). Op. cit. p.9

12

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gradativa, provocando alterações biológicas e socioambientais” Rigo;Teixeira (2005 apud Vidmar et al.13).

Sabe-se da mesma forma Okuma14 explica que o envelhecimento é um processo biológico, sendo que as alterações que ocorrem nesse processo é que determinam as mudanças no corpo, sendo que por consequência disso modificam as funções, ou seja, o fato de que o corpo vai envelhecendo, alterando os sistemas do nosso organismo, assim acaba alterando a funcionalidade dos idosos.

Para Veras e Lima-Costa15 o envelhecimento da população, é um dos grandes desafios da saúde pública, devido a esse aumento no número de idosos no Brasil e no mundo. Com esse aumento considerável previsto para os próximos anos, Silva Júnior16 explica que é necessário, criar programas e meios para manter o idoso em atividade, para que eles consigam continuar trabalhando, e exercendo suas atividades conforme as suas capacidades funcionais afim de retardar esse processo de envelhecimento. Sendo esse processo inevitável, a intenção de manter a atividade física no idoso, serve afim de proporcionar maiores condições ao idoso, diminuir os gastos públicos com remédio e hospitais.

Assim como quando nascemos obtemos nossas capacidades físicas e psicológicas, nossa aptidão física, massa muscular, flexibilidade, equilíbrio etc. com o passar do tempo, vamos perdendo essas capacidades, dessa forma o idoso vai se tornando um indivíduo dependente, sua saúde se torna frágil, devido aos declínios de suas funções, que ocorrem gradativamente com o passar dos anos, aliados a um estilo de vida sedentário, como também a perda de suas habilidades motoras e as alterações cardiovasculares e respiratórias. Assim Matsudo17 afirma que:

13

VIDMAR et. al.(2011) op. cit. p.418

14

OKUMA, Silene Sumire. O idoso e a Atividade Física. Fundamentos e Pesquisa. Campinas, SP: Papirus, 1998. p. 13.

15

VERAS, Renato; LIMA-COSTA, Maria F. Saúde Pública e envelhecimento. Cad. Saúde Pública, v. 19, n.3, Rio de Janeiro, mai. 2003. Disponível em: http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102-311X2003000300001&script=sci_arttext&tlng=es Acesso em: 08 set. 2014

16

SILVA JR.(2005) Op. Cit. p.11

17

MATSUDO, Sandra Marcela Mahecha. Envelhecimento e Atividade Física. Londrina: Midiograf. 2001. p.23

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À medida que aumenta a idade cronológica as pessoas se tornam menos ativas, e sua capacidade física diminui (ainda mais com as alterações psicológicas que acompanham a idade- sentimento de velhice, estresse e depressão) existindo diminuição ainda maior da atividade física, o que consequentemente facilita a aparição de doenças crônicas, que contribuem ainda mais para deteriorar o processo de envelhecimento.

Sendo assim, a partir dessas definições, o fato é que o que mantém as habilidades da vida diária e as capacidades dos idosos, prolongando a sua qualidade de vida são as atividades físicas. Pires et al.18 explica que para a realização das atividades diária do idoso, requer o mínimo de aptidão física, como força muscular, coordenação, dentre outros, sendo assim a realização de uma atividade traz benefício para a outra, pois com a realização de atividades físicas se obtém aptidão física, e com a realização das atividades da vida diária, as mantém.

Os idosos que até então eram afastados da sociedade, devido as suas incapacidades e funções debilitadas, devido também ao fato de não estarem mais ativos nas comunidades, sendo trabalhando, ou participando, a partir da criação do estatuto do idoso, com aumento da expectativa de vida, e a perspectiva de um considerável aumento no número dos idosos no Brasil e no mundo que é projetado para os próximos anos, isso nos mostra o quanto eles são dignos assim como qualquer outro individuo e merecem o nosso respeito e atenção, além de ser necessário programas que os beneficiem na sua vida diária.

Nas últimas décadas, a realidade dos idosos no Brasil vem mudando, existe hoje em dia idosos que moram sozinhos, o que antes era visto como um sinal de abandono, hoje os próprios idosos buscam viver sozinhos, para que possam ter e manter seu estilo de vida ativo, preservando a sua autonomia, sem a dependência de ninguém, proporcionando assim, além de saúde qualidade de vida, uma auto estima e confiança mais elevada. Sendo assim como se espera que os idosos futuramente sejam a maioria da população tanto nos países desenvolvidos como em desenvolvimento, precisamos pensar mais em programas de educação, saúde,

18

PIRES, Paulo Roberto Lobor; RAMALHO, Maria Helena da Silva; SANTOS, João Otacílio Libardoni dos; NOBRE, Glauber Carvalho, MACHADO, Zenite. Autonomia Funcional de Idosos e sua

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lazer, atividade física, para que eles possam desfrutar dessa longevidade com uma melhor qualidade de vida.

Dessa forma é preciso pensar por essa população, e criar programas que incentivam a prática dessas atividades físicas que visam o fortalecimento muscular, a coordenação, a capacidade cardiorrespiratória, pois mantendo essas habilidades, proporcionamos a independência do idoso, fazendo com que possibilite a ele conseguir realizar as suas atividades diárias. Sendo que é possível elaborar políticas públicas, que seja voltada ao idoso, é de forma que esteja baseado na sua qualidade de vida assim assume papel importante a capacidade funcional, ou seja, como afirma Veras19 como sendo “a capacidade que o idoso tem de manter as suas habilidades físicas e mentais que são necessárias para manter sua vida independente e autônoma”. Da mesma forma Cosme; Okuma e Mochizuki20

definem capacidade funcional como sendo a capacidade que cada indivíduo possui para que ele possa realizar as AVD, para que mantenha sua autonomia.

Com relação ao processo de envelhecimento e com base nos autores do desenvolvimento acima, podemos entender que o envelhecimento é um processo gradual, que não se altera, e varia conforme o indivíduo, e que nesse processo ocorre declínios da capacidade funcional do idoso, fazendo com que as AVDs e AIVDs, se tornem mais difíceis, sendo que esse processo não pode ser alterado, apenas pode ser retardado com a prática regular de atividade física. Com o processo de envelhecimento surgem os declínios da capacidade física e psicológica do idoso, dificultando a realização das AVDs e AIVDs, tema que será abordado no item seguinte.

19

VERAS, Renato. Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafios, e

inovações. Rev Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2009. p.550. Disponível em:

http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v43n3/224.pdf. Acesso em: 10 set. 2014

20

COSME, Renata Garrido; OKUMA, Silene Sumire; MOCHIZUKI, Luis. A capacidade funcional de

idosos fisicamente independentes praticantes de atividade física. Rev. Bras. Ciência e Mov.

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1.1 Fatores decorrentes do envelhecimento

O indivíduo idoso, quando chega a determinada idade cronológica, não quer dizer que está na mesma idade biológica, isso varia de individuo para individuo, devido a decorrência do estilo de vida de cada um, alguns possuem doenças crônicas, desde anos passados, mas que agravam com o decorrer do tempo, e com a fragilidade da saúde, sendo que nessa fase da vida ocorrem diversas mudanças no organismo, ou seja com o passar do tempo a saúde e capacidade funcional do idoso, sofre com declínios, por isso a preocupação com esse indivíduo.

Assim como explica Pont Geis21, acontecem fenômenos no desenvolvimento do ser humano, sendo que a medida que ele se desenvolve, vai aperfeiçoando as suas funções, o que torna o indivíduo mais capaz, assim sendo nesse mesmo ciclo, após o desenvolvimento, ocorre a deterioração das funções, fato que acaba tornando o individuo então, incapaz. Dentre esses, e outros fatores que ocorrem com o envelhecimento, podemos perceber, que a idade nunca vem sozinha, o que cabe a cada um é retardar esse processo, com a realização de atividades físicas.

Como afirma Matsudo22 existe com o tempo e a idade “uma diminuição no nível de atividade física por causa de fatores biológicos e não biológicos” ou seja, o fato de haver além do fator saúde, e aptidão física há também condições do meio ambiente em que vive, da sociedade em que esse idoso está inserido e também razões psicológicas.

As doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, osteoporose muitas vezes já fazem parte do organismo do indivíduo, o envelhecimento inativo, só agrava essas doenças devido a fragilidade da saúde. Além de que com o envelhecimento e a inatividade física, á uma menor estimulação do sistema cardiovascular, sendo que sem essa estimulação, leva a uma perda funcional, e uma debilidade muscular. Esse declínio que acontece na função cardiovascular, segundo Okuma23 implica em “uma diminuição da capacidade do coração em adaptar-se ao estresse imposto pelas

21

PONT GEIS, Pilar. Atividade Física e Saúde na terceira idade: teoria e prática. 5ed. Porto Alegre. Artmed, 2003. p. 23

22

MATSUDO(2001) Op. Cit. p. 65

23

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doenças cardiovasculares. Pont Geis24 confirma essa diminuição da capacidade, denominando de coração senil, sendo que o idoso tem dificuldade para adaptar-se a esforços intensos.

Com o envelhecimento devido a fragilidade do idoso, e com a inatividade, ele vai perdendo a sua capacidade funcional, quando se fala em envelhecimento, e como está relacionado a saúde, qualidade de vida e aptidão física, é fundamental falar em capacidade funcional, pelo fato de que como afirma Matsudo25 “Grande parte da pesquisa na área visa determinar os efeitos do envelhecimento nessa capacidade e o impacto da atividade física e exercício na evolução da mesma.” De forma que possamos entender como ocorre esse processo, o que acontece, quais as alterações físicas e psicológicas, e o que se pode fazer para alterar essas mudanças.

Em relação a sarcopenia, ou seja a perda de massa muscular, que é considerada uma da principais responsáveis pela incapacidade funcional do individuo, para comprovar essa fala Matsudo; Matsudo e Barros Neto26 afirmam que:

A sarcopenia é um termo genérico que indica a perda da massa, força, e qualidade do músculo esquelético e que tem um impacto significante na saúde pública, pelas suas bem reconhecidas consequências funcionais no andar e no equilíbrio, aumentando o risco de queda e perda da independência física funcional, mas também contribui para aumentar o risco de doenças crônicas como Diabetes e osteoporose.

Da mesma forma Okuma27 também esclarece sobre as alterações musculares, como a dificuldade de coordenação, e perda de força muscular, sendo que estas contribuem para que haja uma diminuição da capacidade funcional do idoso, fazendo com que o indivíduo fique cada vez mais incapaz de realizar suas atividades de vida diária.

Já a depressão ocorre no idoso devido ao fato de que, com o envelhecimento e a inatividade o idoso acaba perdendo a sua qualidade de vida, somando a outros fatores como perda de pessoas queridas, e agravamento de

24

PONT GEIS(2003) Op. Cit. p.26

25

MATSUDO(2001) Op. Cit. p.138

26

MATSUDO, Sandra Mahecha; MATSUDO, Victor Keihan Rodrigues; BARROS NETO, Turíbio Leite de. Impacto do Envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da

aptidão física. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília, v. 8, n. 4, p.21-32 set. 2000. p.25

27

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doenças como afirma Matsudo28 é um dos grandes problemas de saúde pública da população, sendo que está relacionada a alteração no trabalho, e das suas habilidades para as atividades da vida diária.

Essa perda de capacidade funcional do idoso, é decorrente de diversos fatores somado a idade avançada, Rosa et al29 afirma que a incapacidade, é definida pela dificuldade do idoso de desempenhar determinados gestos e até mesmo as suas funções.

Essa capacidade funcional é necessária para que o idoso mantenha suas habilidades para as atividades diárias, sendo que o que as mantém, são as atividades físicas, sendo assim o próximo capítulo irá explicar os benefícios que as atividades físicas proporcionam para a manutenção da capacidade funcional para autonomia nas AVDs e AIVDs.

28

MATSUDO(2001) Op. Cit. p. 133

29 ROSA, Tereza Etsuko da Costa; BENÍCIO, Maria Helena D’Aquino; LATORRE, Maria do Rosário

Dias de Oliveira; RAMOS, Luiz Roberto. Fatores determinantes da capacidade funcional entre

idosos. Rev. Saúde Pública. V.37, n.1, p. 40-48, 2003. p. 41 Disponível em:

(20)

2. BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA REGULAR

Após a conceituação do ser idoso, como ocorre esse processo de envelhecimento, e os fatores ligados a saúde que são decorrentes desse processo, é importante ressaltar os benefícios que a atividade física proporciona, sendo esses benefícios de grande significância para a saúde e qualidade de vida do idoso. Segundo Matsudo30 a avaliação e a prescrição da atividade física “depende dos objetivos, necessidades, estado de saúde e condicionamento de cada indivíduo assim como do tempo, equipamento e instalações disponíveis”. Sendo que o que diferencia do adulto para o idoso é a frequência e a intensidade da forma como os exercícios são aplicados, sendo que estes podem ser desde atividades aeróbicas como também força muscular.

As atividades físicas com frequência auxiliam para a independência do idoso, pois elas ajudam a manter a aptidão física que é necessária para as AVD e AIVD, que se definem segundo Silva Júnior31 como sendo as “AVDs incluem, por exemplo, tomar banho, comer, usar o banheiro e andar pelos cômodos da casa, e as AIVDs incluem atividades como fazer compras, realizar trabalhos domésticos e preparar refeições.” Atividades que para nós são simples, mas que quando atingimos certa idade, começamos a ter dificuldade devido as perdas fisiológicas e a imobilidade.

Assim como afirma Stella et al.32 em relação a atividade física regular e a depressão:

30

MATSUDO(2001) Op. Cit. p. 71

31

SILVA JÚNIOR(2005) Op. Cit. p.14

32

STELLA, Florindo; GOBBI, Sebastião; CORAZZA, Danilla Icassatti; COSTA, José Luiz Riani.

Depressão no Idoso: Diagnóstico, Tratamento e Benefícios da Atividade Física. Motriz, Rio Claro. v.

8, n.3, p. 91-98, ago-dez, 2002. p 96. Disponível em:

http://www.conecsat.com.br/apostila/educacaofisica/apostilasvelhas/Artigo%203%20idade.pdf. Acesso em: 13 set. 2014

(21)

A atividade física regular deve ser considerada como uma alternativa não-farmacológica do tratamento do transtorno depressivo. O exercício físico apresenta, em relação ao tratamento medicamentoso, a vantagem de não apresentar efeitos colaterais indesejáveis, além de sua prática demandar, ao contrário da atitude relativamente passiva de tomar uma pílula, um maior comprometimento ativo por parte do paciente que pode resultar na melhoria da auto-estima e auto-confiança.

Conforme Nahas33 afirma, existem diversos benefícios propiciados pela prática regular de atividade física, benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais, sendo eles benefícios imediatos, ou de forma que se adaptam conforme há a prática regular de atividade física. Dentre eles, controle de glicose, estímulo de adrenalina e noradrenalina, sono com qualidade maior capacidade cardiorrespiratória, manutenção da massa muscular, mantendo os níveis de força, resistência, flexibilidade, equilíbrio, coordenação e velocidade no movimento, permitindo maior amplitude de movimentos, prevenindo acidentes. Redução do stress, ansiedade, melhor bem estar, da saúde mental proporcionando menor risco de depressão, melhora cognitiva e relaxamento. Além de manter integração com a comunidade, manter suas funções sociais ativas, e manter uma maior aceitação, estando mais seguros de si mesmos.

Ainda este mesmo autor34 explica que as atividades físicas também trazem benefícios no tratamento e na prevenção de doenças cardiovasculares. Sendo que ao falar em problemas cardiovasculares entra em questão também o beneficio obtido quanto ao sistema cardiorrespiratório, que compreende esse sistema cardiovascular, e mais o respiratório, sendo que como afirma Guedes e Guedes35, “a capacidade do organismo em se adaptar a esforços físicos moderados, envolvendo a participação dos grandes grupos musculares, por períodos de tempo relativamente longo.” Esses benefícios proporcionados pela atividade física ocorrem, porque assim como o organismo mantêm-se ativo, ocorre a manutenção da sua capacidade cardiorrespiratória, devido ao fato de se estar trabalhando com ela.

33

NAHAS(2006) Op. Cit. p. 170-171

34

NAHAS(2006) Op. Cit p.51

35

GUEDES, Dartagnam P.; GUEDES, Joana E. R. P. Atividade física, Aptidão Física e Saúde. Rev. Bras. De Atividade Física e Saúde. v. 1, n. 1, p.18-35, 1995. p.27. Disponível em:

(22)

Segundo Okuma36 que evidencia alguns estudos e explica:

a atividade física está associada à diminuição da ansiedade, da tensão, da depressão, da raiva, da fadiga e da confusão, e ao aumento do vigor. Além disso, a atividade física reduz vários sintomas do estresse físico como frequência cardíaca elevada, hipertensão, obesidade e tensão muscular geral.

Para Meirelles37 a atividade física para o idoso irá contribuir para o prolongamento da vida, sendo que irá promover uma pessoa ativa e em progresso. Já segundo o estudo de Okuma38 a respeito do benefício da atividade física:

Cada vez mais estudos vem evidenciando a atividade física como recurso importante para minimizar a degeneração provocada pelo envelhecimento, possibilitando ao idoso manter uma qualidade de vida ativa. Visto que ela tem potencial para estimular várias funções essenciais do organismo, mostra-se não só um coadjuvante importante no tratamento e controle de doenças crônico-degenerativas (como diabetes, hipertensão, osteoporose), mas é também essencial na manutenção das funções do aparelho locomotor, principal responsável para pelo desempenho das atividades de vida diária e pelo grau de independência e autonomia do idoso.

Ainda o mesmo autor39 citado acima salienta que atividades relacionadas a força, aumentam a força muscular, sendo que também a flexibilidade proporciona aspectos positivos, podendo assim proporcionar ao idoso uma amplitude de movimento maior, além de que as atividades aeróbias, trazem benefícios para a função cardiovascular.

Já Dias; Costa e Schmitz40 reconhecem que a osteoporose que também é uma doença que causa incapacidade e enfermidade em idosos, sendo que é grande motivo da dependência do idoso por outras pessoas, devido ao fato da fragilidade muscular resultante da falta de atividade, faz com que o indivíduo não consiga manter seu equilíbrio, ocasionando assim as quedas, assim salienta que a atividade física relacionada a exercícios que mantém a força muscular, é de grande importância na prevenção de quedas e fraturas advindas da osteoporose. Okuma41

36

OKUMA(1998) Op. Cit. p.102

37

MEIRELLES, Morgana A. E. Atividade Física na Terceira Idade. Rio de Janeiro: Sprint, 2ª ed., 1999. p.88 38 OKUMA(1998)Op. Cit. p.51 39 OKUMA(1998)Op. Cit. p. 63 40

DIAS, Priscilla Marcondelli; COSTA, Teresa Helena Macedo da; SCHMITZ, Bethsáida de Abreu Soares. Influência da atividade física na saúde. Rev. Bras. Ciência e Mov. v. 16, n. 1, p. 107-114, 2008. p. 110

41

(23)

também explica que a osteoporose é grande causa de invalidez de idosos, sendo que a atividade física atribui o aumento da massa óssea.

Assim sendo Vidmar42 explica a importância da atividade física em pacientes que possuem osteoporose, afirmando que:

a prática regular de atividade física possibilita a manutenção ou até mesmo a melhora do estado de saúde física e psíquica de pacientes com osteoporose, que tem como principal consequência a fratura, que frequentemente impõe severas limitações emocionais e sociais, comprometendo a qualidade de vida, em virtude da instalação de um quadro de ansiedade, depressão e mudança de humor.

Além do idoso obter benefícios para o organismo, auxiliando na prevenção de doenças crônicas, a atividade física ajuda a manter o bem estar psicológico do idoso, pois a atividade física ajuda a manter as suas habilidades de vida diária, proporcionando que o idoso exerça suas atividades sozinho, sem precisar de ajuda, como afirma Nahas43, “estudos recentes confirmam que a manutenção de atividades-físicas e mentais, retardam os efeitos deletérios do envelhecimento, preservando a autonomia do idoso.”

Da mesma forma Okuma44 também evidencia que a atividade física pode trazer importantes benefícios quanto a prevenção de doenças crônicas, como também de seu tratamento, além do benefício da capacidade funcional para a realização as AVDs.

Outro fato em que a atividade física é considerada benéfica, é em relação a insônia também advinda do estresse, da depressão, sendo que a insônia é um grande fator contribuinte para a má qualidade de vida, não existe ao certo comprovação de teorias em que a atividade física traz esse benefício, mas segundo Silva e Lima45 incluir atividade física em pessoas que possuem esse problema, tem

42

VIDMAR et al.(2011) Op. Cit p. 419

43

NAHAS(2006) Op. Cit. p. 169

44

OKUMA(1998) Op. Cit. p.65

45

SILVA, Carlos Alberto da; LIMA, Walter Celso de. Exercício físico na melhora da qualidade de

vida do indivíduo com insônia. Rev. Movimento. v. 7, n. 14, 2001. p. 49 Disponível em:

(24)

trazido parte do tratamento para esse distúrbio, trazendo benefícios para sua qualidade de vida.

Para Meirelles46 o principal objetivo da atividade física para os idosos, é que ela retarda o processo de envelhecimento, que é inevitável, mas que é retardado com a manutenção de um estilo saudável de vida, fazendo com que os afaste de fatores de risco. As atividades físicas regulares, podem proporcionar ao idoso, uma melhor qualidade de vida, devido ao fato de que com o exercício o idoso mantém as suas habilidades para as AVDs e AIVDs, fazendo com que por um tempo mais longo de idade mantém a sua vida autônoma e independente. Além de que Okuma47 diz ter efeito muito importante para manter a capacidade funcional do idoso, mesmo ele contando com alguma doença.

Ainda na tentativa de explicar os benefícios da atividade física para a saúde do idoso, Godoy48 explica que apesar das perdas fisiológicas e mentais decorrentes do envelhecimento, o exercício físico pode propiciar ao idoso, uma melhor autossuficiência para que a realização das atividades diárias sejam melhor exercitadas, trazendo melhores condições para as suas relações sociais.

Pont Geis49 explica que ao realizar uma atividade física de acordo com a necessidade do indivíduo, as articulações ganham os determinados movimentos que merecem, assim sendo é reforçado os músculos e ligamentos, a capacidade que o pulmão necessita é aumentada, e o sangue tem circulação mais fácil no organismo, além do que aumenta a capacidade e a resistência física.

É importante também salientar, que dentro de programas de atividade física o idoso se sente valorizado, pois é evidenciado o trabalho em grupo, fazendo com que o idoso participe ativamente do convívio social, um auxiliando ao outro, tendo assim a possibilidade de manter a vida ativa e ter a oportunidade de dialogar com demais idosos sobre as experiências do dia a dia, além de que é uma excelente opção de distração além de todo benefício que é disponibilizado através da atividade física, pois o idoso com as frustrações as perdas de familiares, até mesmo as

46

MEIRELLES(1999) Op. Cit. p. 76

47

OKUMA(1998) Op. Cit. p.54

48

GODOY, Rossane Frizzo. Benefícios do Exercício Físico sobre a Área Emocional. Rev. Movimento. v. 8, n. 2, p. 7-16, mai/ago 2002. p. 12. Disponível em:

http://seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/2639/1265. Acesso em: 17 out. 2014.

49

(25)

doenças que decorrem nesse processo lhe trazem manifestações de tristeza, conforme Okuma50, sendo assim o convívio em um grupo social lhe permite que ele esteja interagindo e participando das atividades, assim fazendo com que se sinta mais seguro para realizar suas atividades de vida diária, além do ambiente lhe trazer alegria e distração.

A atividade física regular, e a adoção de um estilo de vida ativo e saudável, são necessários para uma melhor qualidade de vida e saúde, assim como afirma Matsudo51:

A atividade física regular contribui na prevenção e controle das doenças crônicas não transmissíveis especialmente aquelas que se constituem na principal causa de mortalidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Além disso, a atividade física está associada também com uma melhor mobilidade, capacidade funcional e qualidade de vida durante o envelhecimento. É importante enfatizar, no entanto, que tão importante quanto estimular a prática regular da atividade física aeróbica ou de fortalecimento muscular, as mudanças para a adoção de um estilo de vida ativo no dia a dia do indivíduo são parte fundamental de um envelhecer com saúde e qualidade.

As atividades físicas regulares só trazem benefícios, para a realização das AVDs e AIVDs, sendo que podemos avaliar a funcionalidade de cada uma para a realização das mesmas, através do índice de Katz (anexo 1) ele mede o nível de capacidade e independência para as AVDs, onde a pontuação segue o critério de sim/não, para as tarefas de ir ao banheiro, alimentar-se, transferência, continência, banhar-se e vestir-se, com pontuação de 0 á 6, á qual 6 classifica como independente, 4 dependência moderada, e 2 muito dependente. Já para as AIVDs, que utiliza a escala de Lawton e Brody ( anexo 2) que apresenta 07 questões com pontuação de 1 a 3 para cada pergunta, classificando como dependência total quem fizer igual ou menos que 5 pontos, de 5 a 21, dependência parcial, e total independência 21 pontos.

Através desses dois questionamentos, é possível classificar o grau de independência do idoso que realiza atividades físicas regularmente, enfatizando assim os benefícios que a atividade física proporciona para o idoso.

50

OKUMA(1998) Op. Cit. p.93

51

(26)

Como podemos observar existem várias concepções de diversos autores, que concluem que a atividade física traz benefícios sim para a saúde do idoso, tanto na saúde física como a psicológica, benefícios esses essenciais e fundamentais para uma melhor qualidade de vida, longevidade e manutenção da autonomia para as AVDs e AIVDs, através de um estilo de vida ativo, assunto que será abordado no seguinte capítulo.

(27)

3. ESTILO DE VIDA E AUTONOMIA

A manutenção de um estilo de vida ativo é de grande importância, em todo o decorrer da vida, não apenas no processo de envelhecimento, claro, que é nesse processo que os problemas se tornam mais visíveis, partindo dai a preocupação com a capacidade funcional e preservação da autonomia, mas de certa forma nunca é tarde para se iniciar uma atividade física sendo que como afirma Oliveira-Campos, Maciel e Rodrigues Neto52 a atividade física estando associada com boas condições de vida, tem significativo impacto na melhora da qualidade de vida dos indivíduos. assim podemos comparar como Shephard53 compara, o corpo a uma máquina, sendo que em uma máquina a vida útil pode ser prolongada através da manutenção regular, assim mesmo o nosso corpo pode ser prolongado os anos de vida através de uma regular manutenção, manutenção essa chamada de atividade física.

A qualidade de vida está ligada a fatores sócio ambientais e individuais, Silva Júnior54 diz que esse processo de envelhecimento envolve outras pessoas também, não somente o idoso, mas membros da família, vizinhos. A qualidade de vida diz respeito também ao estilo de vida que se leva, Nahas55 em seu conceito de qualidade de vida explica que:

O conceito de qualidade de vida é diferente de pessoa para pessoa e tende a mudar ao longo da vida de cada um. Existe porém, consenso em torno da ideia de que são múltiplos os fatores que determinam a qualidade de vida de pessoas ou comunidades. A combinação desses fatores que moldam e diferenciam o cotidiano do ser humano, resulta numa rede de fenômenos e situações que abstratamente, pode ser chamada de qualidade de vida. Em geral associam-se a expressão fatores como: estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, salário, lazer, relações familiares, disposição, prazer e até espiritualidade. Num sentido mais amplo, qualidade de vida pode ser uma medida da própria dignidade humana, pois pressupõem o atendimento das necessidades humanas fundamentais.

52

OLIVEIRA-CAMPOS, Maryane; MACIEL, Marcos G.; RODRIGUES NETO, João F. Atividade

Física insuficiente: fatores associados a qualidade de vida. Rev. Bras. De Atividade Física e

Saúde. Pelotas. v.17, n. 6, p. 562-572, Dez. 2012. p.570 Disponível em:

http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/RBAFS/article/viewFile/2357/2258 Acesso em: 05 set. 2014.

53

SHEPHARD, Roy J. Envelhecimento, atividade física e saúde. São Paulo: Phorte, 2003. p. 32

54

SILVA JÚNIOR(2005) Op. Cit. p.13

55

(28)

De acordo com Matsudo et al56, mulheres idosas, independentemente da idade cronológica, que possuem uma vida ativa, obtém uma evolução da aptidão física, e também da capacidade funcional, fazendo assim com que tenham um nível de independência, que lhe beneficia para uma melhor qualidade de vida e saúde.

Segundo Ramos57 uma pessoa idosa que apresenta alguma doença crônica, e por ventura tem total domínio e controle da mesma, podendo assim manifestar sua opinião, e ter domínio de sua vida e suas ações, é considerada uma pessoa saudável, já a mesma pessoa idosa com a mesma idade, e mesmo tipo de doença crônica, pode não ter domínio de sua vida, não podendo realizar suas atividades de vida diária, estando reclusa socialmente. O fato do idoso apresentar uma doença crônica não que dizer que isso vai determinar como será a sua vida, e sim, vai depender do estilo de vida que cada um leva, podendo assim viver com uma melhor qualidade de vida, independente das doenças que possui, apenas utilizando-se de atividades que lhe proporcione uma diminuição dos efeitos que essa doença traz para o organismo.

Sendo assim, uma das formas de manter o idoso em atividade, incentivando e propiciando exercícios, para uma melhor qualidade de vida é através do envelhecimento ativo, pois a atividade física é importante para manter a autonomia do idoso, aplicando-se a qualquer grupo de idosos que como afirma Silva Júnior58:

Permite que as pessoas percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida, e que essas pessoas participem da sociedade de acordo com suas necessidades, desejos e capacidades; ao mesmo tempo, propicia proteção, segurança e cuidados adequados, quando necessários.

A qualidade de vida é um dos grandes objetivos de todos os seres humanos, principalmente quando se chega nesse processo de envelhecimento, e como vimos acima, um fator de grande influência para essa melhoria de qualidade de vida, é a

56

MATSUDO, Sandra Mahecha; MATSUDO, Victor K. R.; BARROS NETO, Turíbio Leite de; ARAÚJO, Timóteo Leandro de. Evolução do Perfil Neuromotor e Capacidade Funcional de

Mulheres Fisicamente Ativas de Acordo com a Idade Cronológica. Rev. Bras. Med. Esporte v. 8,

n. 6, nov-dez. 2003. p.375. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbme/v9n6/18935.pdf Acesso em: 24 set. 2014

57

RAMOS, Luiz Roberto. Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos

residentes em centro urbano: Projeto Epidoso, São Paulo. Cad. Saúde Pública, v. 19, n. 3, p.

793-798, mai-jun. 2003. p.794 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v19n3/15882.pdf. Acesso em: 24 ago. 2014.

58

(29)

atividade física, sendo que como afirma Nahas59, uma das formas de manter uma boa saúde e qualidade de vida é manter um estilo de vida ativo “o estilo de vida ativo passou a ser considerado fundamental na promoção da saúde e redução da mortalidade por todas as causas”.

Ainda o mesmo autor60 considera que a autonomia, o lazer e a disposição para as tarefas do dia a dia, estando aliadas uma com as outras, de certa forma podem ser preservadas, apenas com a manutenção de um estilo de vida físico e mental, ativo. Para Pont Geis61 com a realização da atividade física não se pode simplesmente anular o envelhecimento, pois é algo decorrente de todos os seres humanos, o que se pode afinal evitar os problemas de saúde que são decorrentes dessa fase da vida.

Mantendo um estilo de vida ativo é possível obter uma boa condição muscular que como afirma Nahas62, proporciona uma maior capacidade para as atividades do dia a dia sendo que também esse mesmo autor63 fala que através dessas atividades é possível manter uma boa flexibilidade, sendo assim as pessoas movem-se mais, o que ocasiona uma maior amplitude de movimentos, sendo que dessa forma as pessoas tendem a sofrer menos por motivo de dores.

Com base nos estudos, e considerando que a atividade física é de forte influência para a autonomia do idoso, foi dado inicio a este estudo, com o intuito de evidenciar e relatar que o exercício foi de fundamental importância para o desempenho das atividades diárias dos idosos que participaram do estudo. E estas análises feitas com esse grupo de idosos, serão apresentadas a seguir.

59

NAHAS(2006) Op. Cit. p.21

60

NAHAS(2006) Op. Cit. p166

61

PONT GEIS(2003)Op. Cit. p. 55

62

NAHAS(2006) Op. Cit. p. 72

63

(30)

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O estudo é caracterizado como descritivo, e conta com dois questionários aplicados com perguntas fechadas através de uma entrevista, para melhor identificação, e análise, de diferenças funcionais de determinados idosos, bem como quais são essas diferenças, e através da revisão de autores que foi feita, uma fundamentação do que é e como acontece esse processo de envelhecimento, além dos fatores que são decorrentes da idade, fundamentando também o quanto as atividades físicas trazem diversos benefícios físicos e psicológicos nesse processo de envelhecimento.

Foi realizado com idosos sendo do sexo feminino e masculino, residentes da cidade de Tuparendi/RS com idade entre 60 e 75 anos, sendo eles idosos que praticam atividade física regular. A amostra foi constituída por 30 idosos que frequentam um grupo da terceira idade, e a escolha seguiu o critério de escolha, aqueles que atualmente praticam atividade física.

O instrumento para a coleta dos dados contou com dois questionários, o primeiro foi o Index of Independence in Activities of Daily Living de Katz (2007 apud DUARTE, ANDRADE e LEBRÃO)64, questionário esse que tem finalidade de avaliar as capacidades dos idosos para a realização das AVDs. E um segundo questionário, chamado de Escala para a avaliação das incapacidades nas AIVDs, de Lawton e Brody(1696 apud LOPES dos SANTOS e VIRTUOSO JÚNIOR)65, afim de avaliar as tarefas mais complexas de realização ou seja, as AIVDs.

Observando o grupo de idosos que foram participantes da pesquisa, foi possível constatar algumas diferenças da capacidade funcional de cada um, dessa forma, o estudo foi realizado com a aplicação de dois questionários, como

64

DUARTE, Yeda Aparecida de Oliveira; ANDRADE, Claudia Laranjeira; LEBRÃO, Maria Lúcia. O

Indez de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. Rev. Esc. Enferm USP v. 41, n. 2, p.

317-325, 2007. P.324. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n2/20.pdf Acesso em: 08 ago. 2014.

65

LOPES DOS SANTOS, Roberto; VIRTUOSO JÚNIOR, Jair Sindra. Confiabilidade da Versão

Brasileira da Escala de Atividades Instrumentais da Vida Diária. v. 21, n. 4, p. 290-296, 2008. p.

292. Disponível em: http://ojs.unifor.br/index.php/RBPS/article/viewFile/575/2239 Acesso em: 10 ago. 2014.

(31)

instrumentos da referente pesquisa, podendo assim analisar em que grau de independência o individuo idoso se encontra, frente as Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVDs).

Primeiramente a realização da coleta dos dados, se deu, com a explicação e esclarecimento aos idosos participantes, sobre a pesquisa que estava sendo desenvolvida, e qual era o seu objetivo, assim sendo esses dois métodos de questionários foram explicados, e escolhidos devido ao tema principal do trabalho, que seria avaliar a importância da atividade física para a autonomia do idoso, tendo em vista também, o respeito frente a vontade de cada um ou não de responder os questionamentos.

Individualmente os questionários foram aplicados através de uma entrevista, onde todos que se dispuseram a participar responderam, sendo que o primeiro questionário é composto por 06 (seis) questões, que avalia as AVDs, e cada um tinha 02 (duas) opções de resposta, uma com a alternativa da qual precisava de assistência ou orientação para a realização da tarefa, e outra em que não necessitava de orientação. O segundo questionário é composto por 07 (sete) questões, com 03 (três) opções, em que o idoso deveria responder se exerce a atividade com assistência, sem a assistência, ou não tem nenhuma condição de exercer a atividade.

(32)

5. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

No primeiro questionário que avalia as AVDs (Anexo 1), a classificação é feita por grau de independência, sendo que as 06 (seis) questões tem valor de 0 e 1 ponto, e essa classificação quanto a independência ocorre da seguinte forma:

TOTAL DE PONTOS =_________ ___ 6 PONTOS INDEPENDENTE 4 PONTOS DEPENDÊNCIA MODERADA 2 PONTOS OU MENOS MUITO DEPENDENTE

A primeira questão corresponde a banhar-se, em que relata se o individuo consegue banhar-se sem auxílio, ou se precisa de auxílio para entrar e sair do chuveiro, e para banhar-se em mais de uma parte do corpo. Nesse questionamento, dos 30 idosos praticantes de atividade física diária, 08 relataram que antes da realização das atividades físicas, possuíam certa dificuldade, principalmente para lavar-se os pés, e costas, sendo que o que ocorre atualmente é diferente, eles observam melhora significativa para a realização desses movimentos, o que significa que, aumentaram a sua capacidade de força, equilíbrio, e flexibilidade que é de fundamental importância para a realização de determinado movimento, possibilitando uma maior amplitude, sendo assim não precisarem de auxílio para realizar essa tarefa.

Banhar-se Pontos: ____

(1 ponto) Banha-se completamente ou necessita de auxílio somente para lavar uma parte do corpo como as costas, genitais ou uma extremidade incapacitada

(0 pontos) Necessita de ajuda para banhar-se em mais de uma parte do corpo, entrar e sair do chuveiro ou banheira ou requer assistência total no banho

A segunda questão diz respeito a vestir-se, se o idoso consegue pegar suas próprias roupas e as veste sem receber ajuda, tanto com as roupas externas, como roupas íntimas e cintos, ou se necessita completamente de ajuda para vestir toda a roupa, dos 30 idosos, 08 relataram que tinham dificuldades para amarrar sapatos e colocar cintos, e fechar botões, pois exigem uma maior habilidade motora, essa

(33)

dificuldade acontecia antes de iniciar a prática de um exercício físico, após a realização de atividade física, perceberam uma melhora na força e equilíbrio ao colocar as peças nos membros inferiores, e também as peças que requerem mais habilidade, assim sendo sentem-se mais confiantes em agir sozinhos.

Vestir-se

Pontos: ____

(1 ponto) Pega as roupas do armário e veste as roupas íntimas, externas e cintos. Pode receber ajuda para amarrar os sapatos

(0 pontos) Necessita de ajuda para vestir-se ou necessita ser completamente vestido

A terceira questão diz respeito a ir ao banheiro, se consegue entrar e sair do banheiro, se consegue limpar sua área genital sozinho, ou se precisa de uma acompanhamento, em relação a entrar e sair do banheiro nenhum idoso relatou ter problemas, mas desses, 04 idosos relataram que conseguiam realizar os movimentos de limpar a área genital, mas com dores nos ombros, costas, e com certa dificuldade, após as atividades, relatam uma melhora expressiva na amplitude do movimento, com diminuição das dores. Da mesma forma Meirelles66 enfatiza que o idoso que tem uma vida ativa melhor, através da atividade física, ocorre uma menor incidência de dores corporais.

Ir ao banheiro Pontos: ____

(1 ponto) Dirigi-se ao banheiro, entra e sai do mesmo, arruma suas próprias roupas, limpa a área genital sem ajuda

(0 pontos) Necessita de ajuda para ir ao banheiro, limpar-se ou usa urinol ou comadre

A quarta questão trata da transferência, se o idoso senta-se, levanta-se ou deita-se na cama ou na cadeira sem a ajuda. Dos 30 idosos, todos conseguiam realizar o movimento, mas desses 08 relataram que tinham dificuldades para realizar o movimento, possuindo dores nas pernas, e não tendo força de levantarem sem se apoiarem em alguém ou em algum lugar, sendo que percebem agora uma melhora expressiva de força nas pernas e braços devido ao fortalecimento muscular que é proporcionado pelo exercício, além de possuírem um melhor equilíbrio, e maior capacidade cardiorrespiratória para a realização das tarefas.

Transferência Pontos: ____

(1 ponto) Senta-se/deita-se e levanta-se da cama ou cadeira sem ajuda. Equipamentos mecânicos de

(0 pontos) Necessita de ajuda para sentar-se/deitar-se e levantar-se da cama ou cadeira

66

(34)

ajuda são aceitáveis

A quinta questão diz respeito ao controle de suas eliminações, fezes e urina, sendo que nessa questão nenhum idoso disse ter perda de fezes e urina, tendo completo controle de suas eliminações, sendo que 01 relatou eliminações de gases quando iniciou a pratica de atividades físicas, sendo que isso acontecia durante o exercício físico, fato que mudou após adequação de alimentação antes das atividades físicas, relatou também isso acontecia devido a falta de informação sobre uma alimentação adequada.

Continência Pontos: ____

(1 ponto) Tem completo controle sobre suas eliminações (urinar e evacuar)

(0 pontos) É parcial ou totalmente incontinente do intestino ou bexiga.

Na sexta e última questão desse índice, diz respeito a alimentação, se o idoso consegue preparar sua própria refeição e consegue levar do prato até a boca sozinho. Nenhum dos idosos relatou possuir alguma dificuldade para preparar suas refeições e levar a comida do prato á boca, sem necessitar nenhuma ajuda.

Alimentação Pontos: ____

(1 ponto) Leva a comida do prato à boca sem ajuda. Preparação da comida pode ser feita por outra pessoa

(0 pontos) Necessita de ajuda parcial ou total com a alimentação ou requer alimentação parenteral.

Nesta avaliação podemos relatar que de todos os idosos, os que não exerciam nenhuma atividade física anteriormente, tinham diversas dificuldades para a realização das tarefas, e também dores na realização dos movimentos, sendo que agora com a realização de uma prática regular de atividades físicas se sentem mais aptos tanto de forma física como de forma psicológica, para a realização das atividades de vida diária, sem dificuldades, e com diminuição considerável de dores, sendo que no estudo de Meirelles67 temos confirmação de que idosos que participam de atividades física relatam ter melhor sensação de bem estar, devido ao fato da atividade física aumentar a atividade metabólica do cérebro, fazendo assim com que melhore a função cognitiva.

67

(35)

No segundo questionário que avalia as AIVDs (anexo 2), possui 07 questões, sendo que cada uma dela possui três opções de resposta, com sua determinada pontuação que vai de 0 a 3, e a pontuação segundo as referentes respostas fica da seguinte forma:

Classificação:

( ) Dependência Total...≤5

( ) Dependência Parcial...>5<21

( ) Independência...=21

Na questão ‘a’ que diz respeito ao uso do telefone, 04 idosos relataram ter dificuldade para atender ao telefone celular, sob a explicação de não ter uma boa visão, e de ter dificuldade em memorizar como se utiliza passo a passo, para realizar algo diferente, que não seja fazer ligações e atender ao telefone.

a) Telefone

( )³ recebe e faz ligações sem assistência

( )² necessita de assistência para realizar ligações telefônicas

( )¹ não tem o hábito ou é incapaz de usar o telefone

Na questão ‘b’ trata-se do fato de viajar, dos 30 idosos, todos que viajam em um total de 24 idosos, relatam não ter dificuldades em viajar, apenas 01 fala que não gosta de realizar viagens sozinha, e 05 não tem o hábito de viajar longas distâncias, devido ao fato de não possuírem familiares que moram a longas distâncias para ir visitar.

(36)

b) Viagens

( )³ realiza viagens sozinha

( )² somente viaja quando tem companhia

( )¹ não tem o hábito ou é incapaz de viajar

Na questão ‘c’ relaciona-se as compras sendo que nenhuma possui dificuldades de realizar compras, sendo que 06 idosos homens dizem não terem esse hábito e preferem deixar essa tarefa para suas companheiras.

c) Compras

( )³ realiza compras, quando é fornecido transporte

( )² somente faz compras quando tem companhia

( )¹ não tem o hábito ou é incapaz de realizar compras

Em relação ao preparo das refeições na questão ‘d’ todos os idosos afirmam que planejam e cozinham as suas próprias refeições sem precisar de auxílio.

d) Preparo de refeições

( )³ planeja e cozinha as refeições completas

( )² prepara somente as refeições pequenas ou quando recebe ajuda

( )¹ não tem o hábito ou é incapaz de realizar compras

Na questão ‘e’ trata-se do trabalho doméstico, sendo que 10 idosos homens não tem o hábito de realizar essas tarefas domésticas, como lavar roupa, limpar a casa, já as mulheres, realizam as tarefas mais leves, como lavar sua própria louça, roupa, mas as tarefas que exigem mais esforços preferem deixar para que alguma pessoa lhe ajude, para evitar que aconteça algum acidente doméstico.

(37)

e) Trabalho doméstico

( )³ realiza tarefas pesadas

( )² realiza tarefas leves, necessitando de ajuda nas pesadas

( )¹ não tem o hábito ou é incapaz de realizar trabalhos domésticos

Na questão ‘f’ que faz uso de medicamento, apenas 03 não fazem uso de medicamento contínuo, o restante que necessita de remédios, relata sempre lembrar de usar medicamento, e se preocupa muito com horários e doses.

f) Medicações

( )³ faz uso de medicamentos sem assistência

( )² necessita de lembretes ou de assistência

( )¹ é incapaz de controlar sozinho o uso de medicamentos

Na questão ‘g’ e última, trata-se do manuseio de dinheiro, sendo que todos relatam que não possuem dificuldades quanto a isso, portanto sabem manusear suas próprias contas e dinheiro sem qualquer tipo de assistência.

g) Dinheiro

( )³ preenche cheque e paga as contas sem auxílio

( )²necessita de assistência para o uso de cheques e contas

( )¹não tem o hábito de lidar com o dinheiro ou é incapaz de manusear dinheiro, contas..

Após a realização dos 02 questionários é classificado o grau de independência para as AVDs e AIVDs de cada idoso, eles puderam perceber e relatar como obtiveram melhoras após iniciar um programa de atividades físicas.

(38)

Todos relataram ter maior equilíbrio, força muscular, além de mais disposição e motivação para a realização de suas tarefas, e para uma vida mais saudável, proporcionando um bem estar físico e psicológico, o que mantem a autonomia do idoso, mantendo uma autoestima mais elevada, e melhor convívio social, fatores esses que comprovam o que foi apresentado na literatura que foi utilizada para realização do estudo.

Referências

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