STIS: Seminários Teóricos
Interdisciplinares na web
Ana Cristina Fricke Matte (FALE/Poslin/UFMG) Adelma Lúcia de O. S. Araújo (FALE/Poslin/UFMG) Elizabeth Guzzo de Almeida (FaE /Poslin/UFMG)
Introdução
• Se, por um lado, presenciamos a difusão das tecnologias de informação e comunicação em toda parte, usada e manipuladas nos mais diversos guinchos e pelas diversas faixas etárias - tanto crianças quanto adolescentes e adultos
conseguem dominá-las com maestria - , por outro lado
constatamos que há ainda uma parte dos professores que
resiste à manipulação das mídias, especialmente quando
relacionadas à sua formação profissional ou à sua prática
Fundamentação teórica
• Uma revisão do BECTA British Educational Communications
and Technology Agency (2004) de pesquisas desenvolvidas
sobre resistências ou barreiras que influenciam o uso da tecnologia pelos professores identifica barreiras externas e internas.
• Nunca tivemos tantas alterações no cotidiano, mediadas por múltiplas e sofisticadas tecnologias, como se tem agora. E essas tecnologias que divulgam o entretenimento também devem servir para propagar o conhecimento acadêmico, fazê-lo transpor os muros da universidade e difundir o acesso ao conhecimento construído dentro das instituições formadoras. Isto, sim, é fazer uso das tecnologias em sua totalidade: tornar
• Desta necessidade de compartilhamento foi desenhado o
STIS, um evento proporcionador do acesso à construção e
propagação do conhecimento a pesquisadores, alunos, professores e outros interessados em interdisciplinaridade na universidade e fora dela. O evento foi concebido pela professora Dra. Ana Cristina Fricke Matte em 2011, quando convidou seus orientandos de mestrado e doutorado, oriundos de cursos diversos como Letras, Comunicação, Ciência da Computação, Fonoaudiologia, e Educação Física para uma primeira reunião a fim de viabilizar o projeto.
• Segundo a fundadora, a ideia deste seminário surgiu em princípio para ser um diálogo aberto de pesquisadores de diferentes áreas, incluindo-se aí os próprios orientandos, e o público interessado em geral sobre o estado da arte de diferentes e específicas áreas do conhecimento desenvolvidas em diferentes pesquisas dentro do laboratório SEMIOTEC, cujo conjunto, até aquele momento, só era acessível pela própria coordenadora do laboratório e orientadora ou executora dessas pesquisas. A ideia pareceu-nos bem instigante uma vez que trazia a possibilidade de diálogo entre diversas áreas e um interesse em comum que é a linguagem e/ou a tecnologia.
• Assim, como previsto na sua concepção inicial, neste mesmo ano, o STIS apresentou trabalhos internos do laboratório e outros convidados cujas pesquisas tinham relação com as propostas desenvolvidas internamente. Os trabalhos apresentados estão parcial ou integralmente disponíveis em
http://stis.lingtec.org/, na seção Artigos.
• Nossos eventos são mensais, on-line, síncronos e realizados por meio de chat escrito. Este formato resultou de diferentes experiências, adotado por ser aquele de acesso mais democrático (passível de acesso até por conexão discada) e de registro mais ágil e completo, com possibilidade de publicação imediata após o evento para consultas por participantes e outros interessados.
• O evento objetiva estimular a troca de conhecimento entre diferentes áreas propiciando um embasamento teórico mínimo em assuntos de áreas específicas e variadas e trazendo questões epistemológicas para o centro da prática da pesquisa acadêmica. Objetiva discorrer sobre tópicos teóricos específicos e fomentar a discussão interdisciplinar não só entre os integrantes do grupo, mas entre alunos, professores e pesquisadores interessados nas temáticas. Destina-se, também, a divulgar pesquisas realizadas no país e além fronteiras.
• Este evento tem contribuído na formação inicial e continuada de professores e pesquisadores em diversos aspectos, dentre os quais citamos a possibilidade de participação de um evento on-line o que pode colaborar com o letramento digital dos participantes e também dos palestrantes, uma vez que muitos deles, ainda não haviam participado de eventos desta natureza.
• Entendemos o letramento digital como “(...) uma variedade de práticas sociais e concepções de engajamento na elaboração de significados. Tal processo se dá mediado por textos que são produzidos, recebidos, distribuídos e compartilhados.” (KNOBEL; LANKSHEAR, 2006. p. 17. Tradução
• Assim, consideramos a participação em um evento on-line como uma prática social de leitura e escrita na web que contribui, de certa forma, como um processo de letrar digitalmente os alunos, professores e pesquisadores que participam do STIS.
• Durante os primeiros meses do evento, as conferências foram realizadas com diferentes formatos e, desde agosto/2011, passaram a acontecer no Chatslide, um software desenvolvido pelo grupo especificamente para eventos dessa natureza.
• O STIS, a Revista Científica Texto Livre, Português Livre e Español Libre, e o Congresso Internacional EVIDOSOL /CILTEC (cf. MATTE, PEREIRA; CANALLI; ALMEIDA; 2010; PEREIRA, 2009) são subprojetos alocados no grupo Texto Livre. Fazendo uma metáfora com um polvo poderíamos dizer que o grupo Texto Livre seria este molusco marinho e os projetos seus braços. Sendo um desses braços do polvo, o STIS.
O STIS tem vários objetivos específicos, tais como:
• (i) oferecer uma conferência mensal realizado por membros do grupo Texto Livre e/ou pesquisadores convidados para discorrer sobre temas relevantes que estejam coadunados aos interesses do grupo;
• (ii) realizar este seminário mensal durante 8 a 10 meses por ano com participação ativa e aberta ao público;
• (iii) fazer a transmissão das conferências online via chat;
• (iv) publicar nos Anais STIS, no início de cada ano, as palestras proferidas no evento no ano anterior
As conferências (2011)
• A primeira conferência que deu início às atividades do STIS aconteceu no dia 25 de março de 2011, no laboratório do SEMIOTEC na Faculdade de Letras da UFMG, e foi proferida conferencista profa. Ana Matte sobre o tema "Epissemiótica:
semiótica e epistemologia". Desde sua inauguração até
dezembro de 2012, mais de 20 palestrantes discorreram sobre variados temas. Dentre as conferências de 2011, destacamos as palestras intituladas "O pensamento Saussureano no Brasil" (Jean Cristtus Portella, UNESP), " A Teoria das catástrofes e a
semiótica" (Ivã Carlos Lopes, USP), "Letramento Visual" (Flávia
Felipe Silvino, UFMG) e “Aprendizagem Situada" (Elizabeth Guzzo de Almeida, UFMG).
As conferências (2012)
• No ano de 2012, nosso seminário contou com a participação de palestrantes pesquisadores brasileiros para discorrer sobre os temas "Língua estrangeira para crianças e (trans)formação
cidadã: Novos Olhares", "Interação e Diversidade em Sala de Aula: Implicações para a Formação de Professores", “As Redes Virtuais e os Movimentos Sociais", "Tecnologias livres na graduação em Letras" dentre outras. Neste ano, o STIS
internacionalizou-se ao trazer o conferencista Brian V. Street renomado estudioso dos Novos Estudos do Letramento para realizar uma conferência sobre "Letramento e multimodalidade" (Literacy and multimodality).
As conferências (2012)
• Na última edição do evento STIS 2012, o software utilizado para a transmissão do evento com chat escrito (ChatSlide) incorporou uma nova possibilidade de transmissão da conferência, com transmissão ao vivo da apresentação via televisão por IP, em parceria com a IPTV USP, mantendo-se o chat para a interação com o público.
Metodologia
• O Seminário acontece no canal de chat IRC da Freenode, uma rede muito popular entre os programadores e ativistas de software livre. O chat é de fácil acesso e permite várias conexões simultâneas (MATTE, PEREIRA; CANALLI; ALMEIDA; 2010).
• O ChatSlide foi criado pelo Texto Livre para permitir a utilização de slides durante a apresentação on-line e, por ser um software livre, pode ser facilmente adaptado para as necessidades da conferência, por exemplo, a implementação de uma área administrativa para envio de slides e a inclusão de outros recursos, como a transmissão direta, acesso a video e páginas da internet.
Palestra “Língua estrangeira para crianças e (trans)
formação cidadã” do prof. Kleber Aparecido Silva (UnB)
Considerações finais
• Dentre as relevantes contribuições do STIS já atestada para o mundo acadêmico podemos citar:
• (i) ser um espaço aberto à divulgação das pesquisas desenvolvida no Brasil e no exterior;
• (ii) aproximar conferencistas e participante, oportunizando-se interagir através de chat;
• (iii) disponibilizar o acesso ao público em geral os logs das palestras e vídeos no seu site.
• (iv) permitir a participação e certificação sem qualquer ônus ao palestrante e ou participante e
• (v) por fim, promover uma cultura de ensino aprendizagem do processo de letramento digital do público em geral.
Referências Bibliográficas
• BECTA. A review of the research literature on barriers to the uptake of ICT by
teachers. 2004. Disponível em:
<http://www.becta.org.uk/page_documents/research/barriers.pdf> Acesso em: 19 de jan. de 2013.
• COSCARELLI, Carla Viana. Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar.3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
• PEREIRA, D. R. M. Experimentando o Texto Livre: professores, alunos e comunidades de software livre em aprendizagem colaborativa. 2009.
• LANKSHEAR, C.; KNOBEL, M. Digital literacy and digital Literacies: policy, pedagogy and research considerations for education. Digital Kompetanse,vol. 1, p. 12-24, 2006.
• MATTE, A. C. F.; PEREIRA, D. R. M. ; ALMEIDA, E. G. ; CANALLI, H. L. . Evidosol semeando cultura livre pelo ambiente digital. EDUSOL, 2010.
• MORAN, José Manuel; MASSETO, José Manuel; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 16. ed. Campinas, SP: Papirus, 2009. (coleção Papirus Educação). Disponível em: