R E L A T Ó R I O A N U A L
DATA 24/11/16
COMISSÃO DE ESTUDOS SOBRE ACIDENTE DO TRABALHO
REUNIÕES DAS COMISSÕES
No ano em curso foram realizadas um total de sete reuniões, a saber, 06/04/16, 10/05/16, 21/06/16, 19/07/16, 23/08/16 e 05/10/16 e 08/11/16.
NOVA CARTILHA
A Comissão de Estudos sobre Acidente do Trabalho elaborou a sua segunda Cartilha e que trata sobre a estabilidade provisória de emprego derivada do acidente do trabalho.
Trata-se de tema de grande importância para o trabalhador acidentado eis que, com a cessação do auxílio doença, normalmente são atingidos pela dispensa sumária ao retornarem ao emprego, não bastasse a vicissitude imposta pelo próprio infortúnio.
Além disto, é grande o desconhecimento deste direito entre os trabalhadores, principalmente os mais humildes.
Nessa Cartilha, não só esclarecemos sobre as estabilidades existentes assim como abordamos quais as providências que deverão ser tomadas para que o trabalhador possa efetivamente valer esse direito.
ATIVIDADES DA COMISSÃO
Neste ano fomos surpreendidos pela edição da PEC 127/15, apresentada no Senado Federal, de autoria do Senador Jose Maranhão.
A referida PEC pretende transferir a competência para o julgamento da ação da de acidente do trabalho, que hoje é da Justiça Estadual, para a Justiça Federal. Submetida à apreciação, a Comissão de Estudos sobre Acidentes do Trabalho posicionou-se contrária a PEC. 127/15, à unanimidade.
Deve ser destacado que esta é a quarta PEC apresentada visando a transferência da competência para o julgamento da ação acidentária, ora com a intenção de desloca-la para a Justiça do Trabalho, ora para a Justiça Federal. Nessas pretensões fica evidente que se trata de iniciativa de índole corporativista, longe de trazer qualquer vantagem ao trabalhador acidentado, muito pelo contrário...
Militantes que somos das lides acidentárias há muitas décadas, aprendemos a reconhecer a importância e o valor da manutenção desta competência para o trabalhador, uma vez que na Justiça Estadual a ação de acidente do trabalho ganhou Varas Especializadas na matéria.
Existem Varas especializadas neste tipo de ação na Comarca de São Paulo, Santos, no Rio Grande do Sul (Porto Alegre), Paraná (Curitiba), Bahia (Salvador) e no Estado do Amazonas (Manaus).
Além disto, toda a Jurisprudência existente sobre acidente do trabalho e que abrange também as doenças causadas pelo ambiente de trabalho seria perdida, caso a competência para o julgamento da ação de acidente do trabalho fosse transferida para esta ou aquela justiça.
Pela defesa desta competência vários membros de nossa Comissão se puseram a campo, participando em Brasília de Audiência Pública realizada este ano na CCJ do Senado, ou mesmo agendando encontros com os Senadores Jose Maranhão, autor da PEC, Jose Pimentel, relator da PEC e com o Senador Aloysio Nunes e, também, com o Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá.
Paralelamente, desenvolvemos e apresentamos trabalho sobre a mencionada PEC e que veio a obter a aprovação e apoio do Conselho da OAB-SP.
Assim, com o endosso da OAB-SP, nosso trabalho foi então remetido para apreciação do Conselho Federal da OAB.
Sensível a tal postulação e coroando o nosso trabalho, o Conselho Federal da OAB, não só deu guarida a nossa postulação, como também expediu ofício, agora em nome do próprio Conselho Federal, a todos os Senadores, manifestando-se contrário a aprovação da PEC. 127/15.
Presentemente, a PEC veio a ser retirada da CCJ do Senado Federal, aonde se encontrava, pelo Relator Sen. Jose Pimentel, para “adequações”, aonde se encontra até a presente data.
OUTROS ASSUNTOS
Atualmente, nossa Comissão está envidando esforços e entrando em contato com autoridades judiciárias, diante da paralisação de milhares de ações de acidente do trabalho, cujo andamento encontra-se sobrestado, em razão de recurso interposto pelo INSS em tema ligado ao “porte e remessa”, relacionado ao pagamento de custas.
Dando provimento ao recurso extraordinário, o Supremo Tribunal Federal dispensou o INSS do recolhimento da taxa de poste e remessa, assim como reconheceu a existência de repercussão geral para o tema.
Ocorre que o julgamento da matéria no STF de há muito ocorreu, com transito em julgado datado de 13/05/16 e remessa ao Tribunal de Justiça de São Paulo datado de 20/05/16.
Porém, de lá para cá, os processos afetos a este tema, ainda se encontram imotivadamente sobrestados.
Considerações Finais.
Nesta oportunidade queremos ressaltar o inestimável apoio que a OAB-SP tem nos dispensado, sem o qual não poderíamos levar adiante nossas proposições.
São Paulo, 24 de novembro de 2016.
Márcio Silva Coelho – Presidente