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PRAZER E SOFRIMENTO NO TRABALHO DE ENFERMAGEM: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA 1

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Academic year: 2021

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PRAZER E SOFRIMENTO NO TRABALHO DE ENFERMAGEM: UM RELATO DE

EXPERIÊNCIA

1

SANGOI,Thais Picolin

2

; BECK,Carmem Lúcia Colomé

3

; MAGNAGO,Tânia

Solange Bosi

4

; FREITAS,Natiellen Quatrin

5

; DISSEN,Caliandra

6;

COELHO,

Alexa Pupiara Flores

7

; DONADUZZI, Daiany Saldanha da Silveira

8

RESUMO

Este estudo, que é do tipo relato de experiência, tem por objetivo relatar a experiência de acadêmicas de Enfermagem acerca da temática do Prazer e Sofrimento no Trabalho de Enfermagem com base nos conteúdos ministrados em uma Disciplina Complementar de Graduação (DCG) de uma universidade federal da Região Sul do Brasil. Como resultado, pode-se inferir que esta vivência permitiu uma melhor compreensão das acadêmicas acerca do tema e de que forma o prazer e o sofrimento interferem no trabalho da equipe de enfermagem, tanto em relação ao trabalhador quanto no que diz respeito ao paciente. Pôde-se ainda discutir acerca da implementação de estratégias que pudesPôde-sem minimizar o

1

Relato de Experiência. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 2

Acadêmica do 7º Semestre de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM - RS. Membro do Grupo de Pesquisa “Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem” da UFSM/Brasil. Email: [email protected]

3

Doutora em Enfermagem, Docente Associado do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM-RS. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa “Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem” da UFSM/Brasil.

4

Doutora em Enfermagem, Docente do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM-RS. Líder e pesquisadora do Grupo de Pesquisa “Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem” da UFSM/Brasil.

5

Acadêmica do 7º Semestre de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM - RS. Membro do Grupo de Pesquisa “Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem” da UFSM/Brasil. Bolsista PROBIC/FAPERGS.

6

Acadêmica do 7º Semestre de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM - RS. Membro do Grupo de Pesquisa “Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem” da UFSM/Brasil. Bolsista PIBIC/CNPq.

7

Acadêmica do 5º Semestre de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM - RS. Membro do Grupo de Pesquisa “Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem” da UFSM/Brasil.

8

Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pelo Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM/ Brasil.

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desgaste ocasionado pela atividade laboral, potencializando os prazeres vivenciados no local de trabalho. Conclui-se que é relevante o conhecimento e compreensão desse tema, a fim de reconhecer o trabalhador em sofrimento e tomar as condutas necessárias para modificar essa realidade.

PALAVRAS-CHAVE: Prazer e Sofrimento; Saúde do Trabalhador; Enfermagem.

ABSTRACT

This study, which is type of a reporting experience, aims to report the experience of nursing academic on the subject of Pleasure and Pain in Nursing Work based on the content taught in an Undergraduate Supplementary Discipline (DCG) of a federal university in Southern Brazil. As a result, it can be inferred that this experience allowed a better understanding of the academic on the subject and how pleasure and suffering interfere in the work of nursing staff, both in relation to the employee and in respect to the patient. It was possible to discuss about the implementation of strategies that could minimize wear caused by work activity, enhancing the pleasures experienced in the workplace. It is important the knowledge and understanding of this topic in order to recognize the worker suffering and take the measures required to change this reality.

Keywords: Pleasure and Pain, Occupational Health, Nursing.

1. INTRODUÇÃO

O trabalho é uma atividade estruturante do ser social, pelo seu valor intrínseco à vida humana e pelo conhecimento que ele proporciona na relação dos seres humanos com a natureza e com os demais. Além de ser atividade vital dos seres humanos, incorpora a relação homem-natureza e a relação dos homens entre si e consigo mesmo, que se estabelece pela interação social1. Dessa forma, o trabalho repercute no modo de vida das pessoas e, consequentemente, na sua saúde física e mental.

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Entretanto, o trabalho não é, por si só, fator de adoecimento, mas determinadas condições de trabalho e seus contextos podem causar prazer e/ou desgaste no trabalhador, o que interfere diretamente na qualidade de suas intervenções2.

Em relação ao trabalho em enfermagem, a ação que identifica a Enfermagem como profissão da saúde é o ato do cuidado, sendo este a própria ação transformadora sobre o “objeto”, que é o ser humano que precisa do cuidado em saúde1. Portanto, o trabalho da

enfermagem que tem como atividade central o cuidado ao ser humano e sua família, ao mesmo tempo em que dignifica e trás prazer a esses trabalhadores, pode também causar sofrimento e desgaste. Sendo assim, enfatiza-se a importância de repensar esta atividade laboral no sentido de oferecerem-se oportunidades com vistas a promover o bem-estar e a felicidade desses trabalhadores, o que vem a justificar a realização deste trabalho.

2. OBJETIVO

Relatar a vivência de acadêmicas de Enfermagem, acerca da temática Prazer e Sofrimento no trabalho de Enfermagem com base nos conteúdos ministrados em uma Disciplina Complementar de Graduação (DCG) de uma universidade federal da Região Sul do Brasil.

3. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo do tipo relato de experiência vivenciado por acadêmicas do 6º semestre do curso de Graduação em Enfermagem de uma universidade federal da Região Sul do Brasil.

Este estudo teve como base as aulas teóricas de uma Disciplina Complementar de Graduação intitulada “Trabalho e Saúde do Trabalhador”, com carga horária de 30 horas, durante o segundo semestre letivo do ano de 2011.

Participavam das aulas, acadêmicos de enfermagem de diversos semestres do curso, mestrandos do programa de pós-graduação em enfermagem, profissionais enfermeiros e ainda docentes de enfermagem da referida universidade.

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Neste ambiente eram discutidos diversos assuntos acerca da Saúde do Trabalhador, sempre com embasamento teórico de publicações científicas. Nestas ocasiões todos os integrantes contribuíam expondo suas opiniões e experiências acadêmicas e profissionais.

4. RESULTADOS

Para ilustrar as reflexões das acadêmicas ocasionadas por intermédio da referida DCG, concorda-se que as vivências de prazer-sofrimento formam um único constructo composto por três fatores: valorização e reconhecimento, que definem o prazer; e desgaste com o trabalho, que define o sofrimento3.

Concorda-se que o sofrimento acontece quando há uma falha na intermediação entre as expectativas do trabalhador e a realidade imposta pela organização de trabalho. Sendo assim, o sofrimento atua como um agente de movimentação de recursos para a modificação da realidade e dessa possibilidade de transformação da realidade surge o prazer ao trabalho4.

Sendo assim, durante as aulas teóricas, as acadêmicas puderam refletir e compreender como ocorre a relação do trabalho com o prazer e o sofrimento, e como estes interferem de forma significativa na saúde mental e física dos trabalhadores de enfermagem e no resultado do seu trabalho, ou seja, na qualidade da assistência e do cuidado prestado. Logo foi possível compreender os fatores que podem vir a causar prazer e o que por ventura desencadeiam sofrimento nesta atividade laboral.

Desta forma, acredita-se que uma vez que um trabalhador que sofre em seu ambiente de trabalho, isso acaba por gerar perdas relevantes para a vitalidade de seu psiquismo e para a qualidade do trabalho que realiza5. Já em relação ao prazer no trabalho, as acadêmicas compartilham da idéia de que o mesmo ocorre quando é permitido ao trabalhador desenvolver suas potencialidades, conferindo liberdade de criação e de expressão, favorecendo os laços cognitivos-técnicos com o resultado das atividades realizadas, promovendo a satisfação4.

Especificamente, com relação ao sofrimento no trabalho da enfermagem, a vivência da participação efetiva na DCG proporcionou às acadêmicas a oportunidade de questionar o processo de trabalho da profissão de enfermagem como um todo, sem distinção de categoria. Chega-se ao consenso de que este acarreta aos trabalhadores de enfermagem

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elevada tensão emocional que emerge do contato cotidiano com indivíduos vulneráveis fisicamente e mentalmente. Como se não bastasse, constantemente esses profissionais não são devidamente reconhecidos, tanto socialmente quanto financeiramente, o que pode resultar em desgaste e sofrimento aos mesmos.

Ainda, nessa perspectiva, durante as aulas as acadêmicas puderam contemplar também a questão sobre o prazer no trabalho, que pode ser visualizado por meio da valorização e reconhecimento desses profissionais pela assistência prestada, pelos ganhos em melhorias das condições de trabalho, relação interpessoal, autonomia, entre outros. A

valorização é o sentimento de que o trabalho tem sentido e valor por si mesmo, é importante e significativo para a organização e a sociedade2. O reconhecimento é o sentimento de ser aceito e admirado no trabalho e ter liberdade para expressar sua individualidade6.

Além disso, as aulas fizeram emergir questões como: o coleguismo, a comunicação e o respeito entre os pares, de forma a proporcionar um ambiente favorável ao surgimento do prazer no trabalho, ficando esclarecido que o simples fato de se estabelecer um bom relacionamento interpessoal pode minimizar os desgastes/sofrimentos no ambiente laboral. Este entendimento fez com que as acadêmicas pudessem vislumbrar suas práticas como futuras profissionais no sentido de favorecer o reconhecimento e a satisfação no trabalho de sua equipe.

Sendo assim, as acadêmicas de enfermagem compartilham que o prazer no trabalho facilita o encontro entre o trabalhador de saúde e o usuário, possibilitando nesse processo o estabelecimento de um espaço intercessor, no qual ocorre uma relação mútua de intervenção em ato, surgindo então uma relação de confiança e responsabilidade2.

Portanto, as acadêmicas compreenderam que o trabalho em enfermagem pode ser fonte de prazer ou sofrimento, dependendo das condições em que é realizado; e é na sua organização que devem ser procuradas e encontradas as possibilidades de adaptação entre o que deve ser feito e o desejo dos trabalhadores para que estas condições não se reflitam de forma negativa na qualidade do seu trabalho.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nas reflexões apresentadas, permitiu perceber-se que a temática exposta é de grande relevância para os profissionais de enfermagem, bem como para os futuros

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trabalhadores da área, uma vez que afeta não somente sua saúde como também interfere de forma significativa no resultado do cuidar em enfermagem.

Além disso, o estudo contribuiu de forma significativa para a compreensão da temática do prazer e sofrimento no trabalho e de que forma eles se relacionam e interferem no processo de trabalho da enfermagem.

REFERÊNCIAS

1 Souza SS, Costa R, Shiroma LMB, Maliska ICA, Amadigi FR, Pires DEP et al. Reflexões de profissionais de saúde acerca do seu processo de trabalho. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2010; 12(3): 449-55. Disponível em: <http://www.fen.ufg.br/revista/v12/n3/v12n3a05.htm> Acesso em: 06/12/11.

2 Glanzner CHO, Olschowsky A, Kantorski LP.O trabalho como fonte de prazer: avaliação da equipe de um Centro de Atenção Psicossocial. Rev. esc. enferm. USP [online]. 2011, 45(3): 716-21. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v45n3/v45n3a24.pdf> Acesso em: 27/03/12.

3 Mendes AM, Tamayo A. Valores organizacionais e prazer-sofrimento no trabalho. Psico-USF. 2001, 6(1): p.39-46. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pusf/v6n1/v6n1a06.pdf>. Acesso em: 27/03/12.

4 Prestes FC, Beck CLC, Silva RM, Tavares JP, Camponogara S, Burg G. Prazer-sofrimento dos trabalhadores de enfermagem de um serviço de hemodiálise. Rev Gaúcha Enferm. Porto Alegre (RS) 2010 dez; 31(4): 738-45. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/13358> Acesso em: 27/03/12.

5 Lima Junior JHV, Esther AB. Transições, prazer e dor no trabalho de enfermagem. Rev. adm. empres. [online]. 2001, 41(3): 20-30. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rae/v41n3/v41n3a03.pdf> Acesso: 27/03/12.

6 Ferreira MC, Mendes AM. "Só de pensar em vir trabalhar, já fico de mau humor": atividade de atendimento ao público e prazer-sofrimento no trabalho. Estud. psicol. (Natal) [online]. 2001, 6(1): 93-104. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2001000100010&script=sci_arttext> Acesso: 09/04/12.

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