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O paradoxo de Fialho: uma "radiografia" ao teatro finissecular

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O Paradoxo de Fialho: “radiografia” ao teatro finissecular

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Com em ora nd o o na sci m ent o d e Fia lho d e Al me ida , disti nta s v oz e s de finir a m u m per fil u nâ nim e d e extr a or diná rio a rti sta da pa la vra , a inda qu e o s seu s ju ízo s p e ca s se m por «ir r e sistí vel d es en fr ea da ma le volê n cia » , pr onu n ciou d esa bri da m ent e R é gio. Ma is t olera nt e, G a s pa r Simõ e s a tr ibu iu a o tem per a m ent o «d e se qu ilibra do, a pa i xona d o, r o m â n tic o », o t er sid o «víti ma , e m pa r te, da me nta lida de “ fim - de - s écu lo” em qu e co mu ngou , [ p erd en do] mu ito do s eu pr e stígi o qu a ndo no va s gera çõ e s, a r ma da s d e u ma ra zã o cr ítica ma is obj ecti va e d e u m go sto lit e rá rio ma is equ ilibra do, t oma ra m c on ta da cida dela da cu ltu ra , a í impla nta ndo u m códi go liter á r io mu ito ma is de a cord o co m o rea li sm o d e u m E ça de Q u eir ós qu e co m a s e n s ib le r ie e a éc r itu r e a r tis tiq ue do a u tor do Fu n â m bu lo d e Má rm o re » ( Simõ es [ s. d.] : 1 6 4 ) .

Se G a s pa r Sim õe s o r e co nh ec e co mo cro nis ta do s eu te mpo , a tra vé s do co nto, «ú nic o g é ner o d e finid o qu e cu ltiva a o la do do fo lheti m, da cr óni ca , da crítica t ea tra l e lit erá ria , do pa n flet o sa tírico , gé ner o s híbr id os , e d e qu a lqu er ma neira su b sidiá rio s, nã o pr o pria me nte cr ia dor e s » ( ib id .: 1 6 5) , Régio , d e fini nd o -o co m o «u m do s ma is co mpl eto s hu mor a is da no s sa litera tu r a », nega -lh e co mp e tên cia de cr ític o, por qu e o s eu hu mor «n evro pa ta » a pres enta -s e «á ci do, ra ngent e, ver d e e sini str o , […] u ma verda d eir a ob se s sã o, u ma a u têntica fú ria , u m indi sci pli ná v el d elírio: a cu sa r, a m e squ inha r, e nte ne bre cer – p a ra [… ] se vinga r sobr e o s hu ma no s ». E r otu nda m ent e pr ocla ma qu e , a pesa r da s «pe ne tr a nte s intu i çõ es d e s en si bilida d e cr ítica , nã o c he gou Fi a lho a s er u m cr ític o» ( R égi o [s .d.] : 1 6 8 -6 9 ) .

N a ver da de, Fia lho en co ntr a - se pa r a a lém de tu d o o qu e po s sa se r dito a s eu r esp eito . Pert en ce à g era çã o do s di s fru ta dore s d e polé mi ca s, do s qu e o fa ze m p or pr a z er n o e spa ço da s tertú lia s, do s qu e a credita m qu e a a rte serv e pa r a cr ia r ca r a ctere s hu ma n o s, qu e é pro du tora de

1 C o mu n i caç ão ap res en t ad a ao Co n gres s o In t ern acio n al “P o rtu gal no Te mp o d e

F i al h o d e Al me i d a ( 1 8 5 7 – 1 9 1 1 ) , C LE P UL ( C e n t r o d e Li t e r a t u r a e C u l t u r as Lu s ó f o n a s e E u ro p e i as d a F a c ul d a d e d e Le t r a s d a Un i ve r s i d a d e d e Li sb o a )

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r eju ven e sci m ento m ora l e int ele ctu a l, nu ma é po ca d e d ifí c eis con s en so s, em qu e a s ma ioria s sã o du vid osa s . “ A opi niã o pú blica é a liçã o qu e recitam ma ssa s d’i mbeci s, ensi nados por alguma s dezenas de malandros” , expressa Fialho (Al meida 1908 : 48) com um desassombr o idên tic o a o d e St ock ma n , e m U m In im ig o do Po v o , de Ibs en2:

A ma i ori a nunca t e m razã o. E re pit o, nunca ! É uma de ssa s me nt i ras d a soc i edade , c ont ra a s qua i s se de ve re volta r t o d o o home m que ob ra e pe nsa li vre me nt e. Que m é que c onsti t ue a mai oria d os ha bit a nte s de um pa í s? Sã o os home ns i nt e li ge nte s ou os i mbe c i s? Suponho que t od os e st ã o d e ac ord o e m que há i mbec i s e m t oda a pa rte, e que e st e s forma m uma horrí vel ma i ori a. M a s – que d ia bo – i sso nã o pod e rá se r ja mai s uma ra zã o pa ra que os i mbe ci s i mpe r e m sobre os ho me ns d e i nt eli gênc ia ! (a t o IV , ce na 7 )

Em Fig u r as d e D e s ta qu e [FD] , Fia lho de scr ev e o s eu temp o c om o «u ma es pir a l inter es sa nt e [ ...], do s bo émi os m eio lit era tos, mei o tres noita d or e s da ca pita l . A cida d e, co m o s es ca ni nho s, a s ru a s e s cu sa s, a s ca sa s d e víci o, o s la u sper en es, o s fr a de s d e pe dra e os ga leg o s, pr opi cia va a de s env olu çã o de s sa s col ónia s d e ra tos c erebra i s, vive nd o d e ceia s de ba ca lha u e ca r ra scã o » ( Al mei da 1 9 92 a : 31 ) . C onte rtu lia va -se no s e spa ço s d e so cia bilida d e co scu vil heira e r e volu ci oná ria :

[De sfia va -se ] o di a psí qui c o, lit erat ura , pol íti ca, boa s mul he re s, qui ntil ha s e c hala ça s, onde cad a qual da va a be be r d o se u od re , o vi nho i ró nic o, nuns c a pi t oso, noutros e spú me o, e azed o nout ros, c onforme os gé ni os, a s sede s, os fei ti os de se nc ont rad os» (Al meida 1992a: 32 ).

N a teia do s a ntr o s de bo é mia int ele ctu a l , f os s e na l oja de livro s d e Ma tos M or eir a , na ta ba ca r ia do R os sio, o nd e ca va qu ea va a «pú rria de J oã o de D eu s », ou no b ote qu im, d e on de se nã o sa ía a ntes de «t ere m ba tido no Ca rm o a s qu a tr o da a lva » ( ib id .: 3 9 ) , brota va «vida de ima gina çã o, a c orda da na l eitu ra do s r o ma nc e s d e ca pa e e sp a da , Pa u lo Féva l, Ca pe ndu , Pon s on du T er ra il, Xa vier de Mont épi n» ( ib id .: 34 ) . E Fia lho, e nqu a nto b oé mio, fo i «ina da ptá v el, ma i s por efeit o do a nta goni sm o m or a l e me nta l co m o ex ist ent e, d o qu e por inev itá vel

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E s t a p e ç a f oi t r a du z i d a p o r Lu í s Ga l h a r do p a r a a So c i e d a d e Ar t ís ti c a d o Te a t r o N a c i o n al d e D. M a r i a II, e m 1 9 0 0 .

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r es va lo à e s pé cie d e d e sd ém s oc ia l qu e u ma co ndu ta equ ív oca d eter mina » ( ib id .: 40 ) . T a mbém N iet zs ch e f or a filo so fi ca m ent e u m boé m io qu a ndo pr ocla ma ra Rien es t v r a ie , to u t e s t pe r m is !, «contra o ma l do indivi du a lism o tíbi o, d o e spírit o d e ca s erna , da c oba rdia d os ch e fe s per a nt e a mis éria e a dor u niv er sa i s, c om qu e a s gra n de s na ç õe s p olítica s a r ru ina m a sa ú de d o mu nd o» ( Al mei da 1 9 92 a : 41 ) . O Ser b oé m io era u ma «e sp éci e d e r efr a cçã o mor a l ou me nta l» , qu e fa z ia pa rec er a vida «co ntr a ditór ia ou a bsu rda , d e f eito e ca u sa » . Era s er u m «fil ós o fo nega d or, d e vista s a nta góni ca s » , e m na da se m elha nt e co m o s dileta nte s hipó cr ita s bu r gu e se s, «r eb eld e s por in s u fic iên c ia ou e xc e ss o , a viver de co mu nita r is mo de Esta d o co m qu e s on ha m tr ês qu a rtos do s p ortu gu es es dito s a rr a nja dos» ( ib id .: 40 ) . T eófilo B r a ga era u m boém i o do tipo cr ia dor , « m e n eu r de fou les », ta l com o R o dr igu e s Sa m pa io ou B a r jona de Fr eita s, ma s ta mb ém B o ca ge, J oã o d e D eu s, G om e s Lea l e G u erra J u nqu eir o:

Ve rsõe s d o boé mi o poet a nte , a rti sta , d e que fi ca m, a pa r d a obra e scrit a, na di fusã o oral, sobe rba s humora d a s. Sobre t ud o J unquei ro. Que di a bóli ca ó ptic a d e forma nte , a de sse gra vad or de e scá rni os sa ngui ná ri os!» (Al meid a 1992 a: 4 3).

T or na -s e evi de nte qu e o e spír ito bo émi o nort eia a perso na lida d e ob ser va dor a d e Fia lho, d e r etra tista de qu oti dia no s, qu a ndo a fot ogra fia ma r ca nova f orma d e fi xa çã o da rea lida de, su b stitu indo - s e à visu a lida de da ilu stra çã o grá fica , a inda pr óxi ma da com po siçã o pi ct órica , forne ce nd o ba se s pa r a a ela bor a çã o d e te or ia s ver i sta s .

De sde que o nosso t e mpo e ngl obou os home ns e m t rê s ca te gori as d e brut os, o burro, o cã o e o ga t o – i st o é, o a ni mal de t ra bal ho, o a ni mal de at a que , e o a ni mal de humor e fa nt a sia – porque nã o e sc ol he remo s nó s o t ra ve sti d o úl ti mo? É o que se quad ra mai s a o nosso t i po, e a que le que mel hor nos li vra rá da e sc ra vid ã o d o a sno, e da s d e nta da s fa mint a s d o ca c horro» (Al meid a 1991: I, 9 -10 ).

Fia lho se nte - se co m o ta l, pr o cla ma - o c o m hu m or s ent en cio s o na a ber tu r a de O s G a to s - «D eu s fe z o h om e m à su a ima g e m e se m elha n ça , e fe z o críti co à s e mel ha nça d o ga to » -, e e sta bel e ce a s ca ra cterí stica s

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fel ina s fu nda me nta is d o s eu r a ciocín io : «a gra ça on du losa e o a ss opro, o r onr o m e a ga rra », e, so br etu d o, a pa ciê ncia « e m a gu a r da r, ma ns o e a pa ga do, c om u m a r d e m i st ério, hor a s e hora s, a s ortida du m ra to pel os inter stíci o s d o ta pu m e ». So br e ta is ca r a cterí stica s d o b e h a v io u r is m a nima l, tr a ça Fia lho o r etr a to da p sic olo gia fu n da dora do críti c o:

A l í ngua e spi nhosa e a ca line ri e, [.. . ] ne rvoso e á gil , re fl ect i d o e pre guiç oso; a rti sta at é a o re qui nte, sa rca st a at é à t ort ura , e pa ra os a mi gos bom ra pa z , de sc onfiad o pa ra os i ndi fe re nt e s, e te rrí vel c om a gre ssore s e ad versá ri os. Um pouc o la mba rei ro tal vez pe ra nt e a s coi sa s be la s, e um q ua se nada cé ptic o pe ra nt e a s c oi sa s c onsa grada s; ac ha nd o a qua se t od os os d e use s pé s d e ba rro, ve nt re d e j i bóia a qua se t od os o s home ns, e a qua se t od os os t ri bunai s, port a s t ra ve ssa s . Ami go de fa ze r

jong le rie s c om a pri mei ra bola de pa pel que a l gué m l he a ti re , ou se j a

um poe ma , ou seja um t ra tad o, ou se ja um códi go (Al meida 1991 : I, 9 ).

A visã o a na lítica d e Fia lh o j oga a s eu d es fa v or na s a pre cia çõ e s qu e lhe s er ã o feita s, ne m t oda s c o m a b on omia ca rica tu ra l de B or da lo Pinh eir o, na r epr e s enta çã o qu e lh e fa z , tr a nja nd o- o e m ca pot e a lent eja no, er gu en do - o e m a ltiv o c o ch eir o, so bre di minu ta ca rroça , p u xa da por qu a tr o ga tos à d es fila da , a co ça do s pela pe na - chi cot e, en qu a nto figu ra s popu la r e s lhe a tira m flor e s. U m B en -H u r do s pe qu enin o s, qu e J orge d e Sena gl orifi ca , co m o pior d e feit o , o «i m en so ta le nto », ma ni festa d o e m mu ita pr osa e mu ita crítica s obr e o «qu e, co mo t od os os portu gu es e s do seu te m po, nã o e nte ndia pa ta vi na ». N a e steira da g era çã o d e 7 0 , « os Fia lho s i mpr es si oni sta s e de ma go go s da pró pria ra iva , sã o b e m o retra to exa ct o e mer eci do de u ma s oci eda d e e m qu e a ca b eça nã o c onta , a cu ltu r a nã o va le, a ciên cia nã o progri de, e a té a a rte exi ste com o u m dej ect o a be nç oa do e f e stiv o qu e o a rtista e mite ba ba da m ent e, à s h ora s da fla tu lên cia se nti me nta l». Ei s o es píri to d o « fra di qu ism o», ou c onju nto de «fil o so fia s di s po sta s to da s c om o lo çõ es d e Pa ris, nu ma ca sa de ba nh o ime nsa me nte eu r op eia , em qu e vitor ia na me nte a s virtu de s bu rgu esa s s e de se nca r di s se m da po eir a da s c ou r ela s a in da próxi ma s, e fo s s e po s sív el a plica r o s ocia li sm o a o s be ns d e produ çã o e c on su m o, c om o qu e m pa s sa s se a tr a ta r com hig ie ne e si mpa tia a s va ca s l eiteira s e d om ést ica s » ( Sena [ s.d.] : 1 9 8 ) .

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Ab el Bot elh o, dra ma tu r go e ntr e o na tu ra lism o e o d eca d enti s mo , estr eou a co mé dia Ve n c ido s da Vid a , no pa lc o d o G i ná sio, a 2 3 de Ma io de 1 8 92 , em r écita de be ne fí cio d e B ea triz R e nte, a ctri z qu e três a nos a ntes, estr ea r a , na s m e sma s co ndi çõ es, ou tra o bra su a , a J u c und a . Porém, de sta ve z, o b en e fíci o rev elou -s e d esa str o so. A p eça foi pa tea da e su sp en sa pela polí cia , por o fen sa à mor a l pú blica , a tenta nd o con tra a digni da de d o s vi sa d os , so br etu do qu a nd o O liv eira Ma rtin s ocu pa va o mini st ério da s O br a s Pú bli ca s . Ap ela nd o à co mi ssã o de ce nsu r a , o a u tor viu con fir ma da a pr oibi çã o , a tr a vés d e u m «rela tóri o - s ermã o , ond e s e legi sla qu a nto a o s re qu inte s qu e a s obra s d e t ea tro de ve m t er pa ra agradar aos fa miliares da “arte pura ”», refer e Fialho (Almeida 1991: V, 1 90 ] . A c om édia nã o pa s sa va d e u ma « en dró mina dia loga l, [...] u ma ma ça da s e m a rca bou ç o co er e nte, c ontr a dit ória , di scu r si va , ma nca de ver v e, ma nca d e i ntu ito sa tíri co» ( ib id .: ib id .) , qu e fa zia c oinc idir o títu lo co m o de u ma « so cie da de d e ja nta dor e s, con h eci da e m Li sb oa », cr ia ndo u ma situ a çã o de pu blici da de e nga n osa , da ndo -l he «int en çõ es de moli dora s » qu e nã o po s su ía ( ib id .: 19 1 ) . O seu a u tor , pa rtindo d e u ma

visã o su per fi cia l, a ned óti ca , so bre os pol emi sta s do ce ná cu lo

de mo cr á tico, « co nfe cci on ou u ma ca ld eira da ma lu ca , e ntre j a nota s de a lgibe be, mu lher zin ha s d e Al fa ma , e pint or e s da s oci eda d e da s porta s e ja nela s, i nv er o sí m il, co nfu sa , s e m es fu zia da s n e m re ca nto s fla gra nte s d e r idícu lo, [ ...] he sita n do e ntr e o o b sc en o e o fa stidi o so» ( i b id . 1 93 ) . Fia lho d e fe nd e o s Ve n c id o s com ga r r a polida me nte en ver niz a da - el e s sã o u ma «es cola de p ór tic o f eita pa ra cr ia r em Lisboa u ma opin iã o su per i or e de a lto es pa ireci da » ( ib id .: ib id .) -, ma s nã o s e c oibe d e o s pla stici za r s ob o ma nto diá fa n o da fa nta sia tea tra l:

C onsti t ui o grupo um ad mi rá ve l mot i vo d e c omédia sat í rica , de nuanc e s t od a, obse rvada na s me ia s -ti nta s d os ca ra cte re s que se d e fe ndem d o rid íc ul o por fuga s há be i s d e ce pt ici smo e d e moc raci a , ma nuseada s a bom t e mpo – c oméd ia lite rá ria , a fect uosa e pala cia na de a pa rê nci a, c om t e rrí vei s se c ura s de a l ma por d e bai xo, be m ve stida , d ial ogada a o som d e orque st ra s, e c orre nd o e m me i os de l uxo, e nt re a l guma s mul he re s c om ví ci os ma sc uli nos, que fuma m, pi nta m, funda m a si l os e j oga m à bat ota. [. .. ] Da s fi gura s que c ompõ e m a c onfra ri a d os ve nci d os da vida , qua se t od a s se most ra m por uma face i ndi vid ual, que pode se r c a val hei rosa , grot e sca, ou c í nic a, ma s d e ne nhuma ma nei ra ba nal na ba nal idad e

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a mbi e nte , e por i sso me s mo d a nd o o i ndi víd uo di sti nt o, na sé ri e c onte mporâ ne a (Al meid a 1991 : V, 193 ).

A porta a ber ta pela s C o n fer ên cia s D em ocrá tica s d o C a sin o Lisb on en s e pod er ia ter impli ca do a entra da da s mo der na s tend ê ncia s eu r opeia s, s e o s seu s m ent ore s tiv e ss e m tid o e m ma ior co nta o repert ório dr a má tico e o pa nora ma tea tr a l. Ap esa r da s b oa s int en çõ e s, a revolu çã o de 7 0 nã o dei xa ma r ca s pr ofu n da s n e s se ca mpo , me s mo qu e o s s eu s me ntor es, a nti cler i ca is r epu bli ca no s e s ocia li sta s , pret en de s se m o de se nv olvi me nto do r ea lis mo na tu ra lista . Me s mo qu e a c on fer ên cia pr o fer i da por Eça , Re a lis m o n a Ar te , expu se s se a te oria de Prou dho n, r efl ec tida na idea lida de da C o m é d ie Hu ma in e , e dos ro ma nc e s de Sten dha l e Fla u ber t, e qu e Fia lh o pr o cla ma s s e o gru p o d o C ená cu lo c o mo me ntor d o r ea lis mo , en ga ta ndo P or tu ga l «a o formi dá vel co mb oio da Eu r opa a ctiva » ( Al m eida 1 9 9 2 : 89 ) , o o bje ctiv o foi o ro ma n ce, e o dra ma cont inu ou s egu ind o o s m ét odo s r o mâ nti co s , c o m p ers ona g en s du ra s, expr e ssa n do r etori ca m ent e u ma ide olo gia co nv en cio na l de lu ga res -co mu ns. O s pr ópr i o s su ce s so s d e pa l-co , ma is d o qu e de na tu re z a estéti ca , sã o d e na tu r eza m or a l ou políti ca , e co mer cia l, de sti na do s a u m pú bli co a br a ngent e, cu jo go st o s egu e m, a pr es enta n do «e m v e ste s mo derna s o s ca so s e solu ç õe s d e u ma pr obl emá ti ca r etr ó gra da » ( Pic chi o 1 9 69 : 2 79 ) .

T eófil o Br a ga er igiu u m m onu m ent o à lit era tu ra dra má tica , a H is tó r ia do Tea tr o Po r tu gu ês , e es cre veu a lgu ns dra ma s ori gina is no s seu s te mp o s d e C oim br a – U m Au to po r de sa fr on ta e Po e ta po r d e sg r aç a , edita da s em 1 8 6 9 , sob o títu lo ge néri co d e To r r e n te s – , u m dra ma hist ór ic o, G o m e s Fr e ir e , e u ma ópera , O S e r ão da In fan ta , com mú si ca de Ru i Co elh o, r e pre se nta da no T ea tro d e S. C a rlos, e m 1 9 13 . Eça de Q u eir ós, qu e, e m ré ci ta estu da ntil, su biu a o pa lc o d o T ea tro Aca d é mic o de Coi m br a , pa r a interpr eta r G a r çã o, no Po e ta po r d e sg ra ça , de T eófi lo, fe z a lgu ma cr ítica tea tr a l, ma s, pa r a a cena , a pena s tra du ziu Ph ilid o r , u ma com édia -dra ma d e Bou c ha r dy, e e sb o çou u ma ver sã o dra má tica de O s Ma ias ; a s a da pta ções do s seu s r o ma nc e s de ve m - se a terceir os. Ra ma lho O r tigã o d edi cou - se s obr etu do a o en sa io, e mb ora tenha feito a lgu ma s tra du çõe s de dr a ma s fr a nc e se s – o An thon y , de D u ma s, O

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Ma r q ue z d e Ville m e r , de G eorg e s Sa nd, A Es fin g e e O Ac ro ba ta , de O cta ve Feu ille t – , e d e u m dra ma e spa n hol – a Ele c tr a , de Pér ez G a ldó s. D o gr u po da s Co n fer ên cia s D em ocrá ti ca s, a p ena s O liv eir a Ma rtins idea liz ou u m pr ogr a ma tea tra l, qu e nu nca cheg ou a concreti z a r . T ra ta r -se -ia de u ma tetr a lo gia , c o mpo sta por u ma “ tra gédia d e j ogra l ” em qu e “o movimento nacional português de emancipa ção dos servos” espel ha ria toda a I da de M édia , u m Afo n s o VI, “ tr a gé dia hi stóri ca si mb oliza n do o cair do direit o di vino e da autoridade polít ica”; um drama “cont emporâneo”, O Abade, luta confusa de el ementos religiosos, políti cos e económi cos da soci edade actual, e por fim uma “tragédia ideal”, O Mundo Novo, representando a fu são e compenetração do es pír ito co m a ca r ne , da ci ên cia co m a c on sc iê ncia , o en cerr a ment o da I da de Mé dia , a co ntinu a çã o da A ntigu ida d e a la rga da por toda s a s de sc ob er ta s do mu nd o m ora l» ( Pi cc hio 1 9 69 : 2 75 ) .

N ã o f oi só o tea tro qu e deu a z o a qu e Fia l ho ma ni festa ss e «o s eu vis cer a l d es co nte nta m ent o» (R é gio [ s.d .] : 1 6 9) . N em foi só a Fia lho. Ele foi tã o- s om ent e u m do s seu s a na lista s, u m d os s eu s croni sta s, ou mel hor , u m do s s eu s j or na lista s. N o e xa cer ba me nto pa trióti co fi ni ss ecu la r, s er intel ectu a l e qu iva lia a ser ex pr e ssã o da na ci ona lida d e. Sa mp a io B ru no, na G e r aç ão N o va ( 18 86 ) , procla ma va nã o e xist ir na çã o, «no rigor filo s ófi c o d o ter mo, s e m qu e o p ov o qu e ha bita o pa ís ten ha a con s ciê ncia da su a u nida de mor a l e pr ocu re c ontri bu ir pa ra o progre s so da hu ma nida de co m a su a qu ota -pa r te d e e s for ço s c on s cie nt es » ( a p ud Ra mos 2 0 0 1 : 6 9 ) . N a tra nsiçã o pa r a N ove ce nto s, o perí o do tea tra l a na lisa do p or Fia lho, corr es po nd e a u m mo me nto de a p og eu c ria tivo da indú str ia tea tr a l , mu ito em bora a a bu ndâ ncia pr odu tiva nã o tenha ti do equ iva l ê ncia qu a li ta tiva . Ra ma lho O r tigã o re feri -l o -á na ca rta -pre fá ci o, em O Ac to r An tó n io Pe d r o ju lga do pe la A r te e pe las Le tr as :

O ma l que se di sc ute é a nti go. A sorte d o te at ro, c omo a da s e mpresa s e c omo a d os ac t ore s, ac ha -se e m t oda a pa rt e i ndi ssol uvel me nt e l i gada a o de st i no da li te rat ura d ra máti ca. Ora e ste ra mo d a s let ra s port ugue sa s nã o te m feit o se nã o d ec ai r de sde que Ga rret t se reti rou até nossos di a s (Orti gã o 1908 : X ).

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N a segu n da m eta de d e oit oc ent o s, fr u to da p olíti ca reg en era do r a , a Lis b oa G a la n te expa ndiu - s e, «a rd en do nu ma febr e d e gra nde za s, [ se ntin do] a ne ce s sida d e de ou tra s ru a s, e stil os , ou tro s i nteri or es: a lgu ma coi sa co er e nte c om os id ea is , os há b ito s e o s tra ba lho s da su a vida mo der na . E ei -la tr a ns bor da n do do s a cu mu la dos lú gu bre s d os v elh o s ba irr os, Al fa ma , Mou ra r ia , Estr e la , pa rtind o a cintu ra de mu r a lha s nu m c ha r iva r i de cons tr u çõe s p odr es d e c h ic , fa zend o do s a rra ba lde s, c entro s, trepa nd o a o s ou teiro s, ou a la stra nd o -s e co m o u m a ca mpa me nt o n óma da , à beir a -r io » ( Al m eida 1 9 92 b: 14 0 ) . O cita dino u su fru ía de a bu nda nte s es pa ço s d e di ver sã o – tea tros , cir co s e feira s - , e d e gé ner o s es pe cta cu la r es div er si fi ca do s. O territ ório tea tra l tinha c om o e pic entro o T ea tr o de D . Ma r ia , n o R o s sio, a pa r tir do qu a l, se t ra ça u ma cir cu n fer ên cia , cu jo r a io a pr e se nta u ma a mplitu de li mite, a norte, no T ea tr o Av eni da , a na sc ent e no T ea tro d o Prí nci pe R ea l, a o S o corro, e a poe nt e, na c olina d o Chia do , no qu a rteto c éni co do s t ea tros d e S. C a rlos, D . Am élia , G iná sio e T rinda d e. N e ste p erím etro há qu e s e enca stra r a inda o tea tro dos Re cr ei o s, o R ea l C olis eu da rua da Pa lma , e o novo Colis eu de Sa nto Antã o , ou do s R e cr eio s, e m ho me na ge m a o exti nto tea tr o- cir c o d o m e s mo n o me. U ma á r ea fre qu enta da p ela bu rgu esia a per a lta da , c oq ue tte e fra ldi squ eira , qu e a pó s «s ei s a d ez hora s d e tra ba lho diá rio, e m e spa ç o s co n fina d os, es critóri o s, ba lcõ e s, s ecr eta ria s, dep oi s de ja nta r, ch ega da a noite , o qu e de s eja é div ertir - s e e toma r a r» ( Alm ei da 1 99 1 , III: 15 3) , dividin do - se con s oa nte a s po s se s e os g o sto s, pelo s r ep er t ór io s d e fini do s n os di fer ent es t ea tros . Pa ra qu em pre feri s se «o tu mu lto, e li ber da de int eir a de po si çã o, de co nv ersa çã o e to ile tte », ha via o tea tr o de r e vista , a co mé dia - fa rsa , a ópera -c ó mica , no s C olis eu s, no G iná sio ou no T rinda d e, o nd e se o fer ec ia m « es pe ct á cu los d e mo vim ent o [ e] a ma is co mpl eta e d esa bu sa da n on ch a la nc e » ( ibid .: ib id .) . O Pr ínci pe R ea l ir ma na va - se co m D . Ma ria na me s ma «ca sti da de pro fu nda de há bit os e d e in stint os [ ...] e u ma inteira sim pli cida d e de cor a çã o» ( ib id .: 1 55 ) de u m pú blico se n sív el, a prec ia dor d e m elodra ma s. À s s o ir ée s do Princip e Rea l a s sitia «o o pera ria do qu e l ê ro ma nc e s de a ventu r a s, qu e fa z pa r te de s o l- e - dó s e so cie da de s dra má tica s, qu e expr i m e à gu ita rra , pelo fa d o, o a ta vis mo se nti me nta l da s hu milde s

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ger a çõ e s do nd e pr o ce de »; à s m a tiné e s domin gu eira s e m D . Ma ria , «a bu rgu esia rica ou r e me dia da , co m ércio e m gro s so, m erca dor e s, fa brica nt e s, h o me ns d e ca pita l à a nti ga portu gu e sa , g ent e qu e o s eu do min go e qu e o a pr o veita , d e ta rde, a pa ss ea r em tr em da c om pa nhia , co m a fa mília – à n oite, a a s sistir a a lgu m es pe ctá cu lo mora l, qu e, se nd o po ssí vel , e nsi ne a lgu ma co isa » ( ib id : 1 5 5 ) .

Corr ob ora ndo Fia lho, ta mb é m J oã o de D eu s co mp õe po etica me nte , a seu m od o, u m r e tra to da frequ ê nc ia do Th e a tr o de Lis bo a :

Os ve rsos nã o me d ã o ba st a nte s me i os

De me goz a r da s di st rac çõe s que há :

P or i sso, a nú nci os de te at ro, le i o -os,

Ma s lei o a pe na s, porque nã o vou l á . P oré m suce de à s vez e s que um a mi go,

Que te m na moro, ou que o de se ja t e r,

Nã o vai , di z ele , se nã o fô r c omi go E e u vou c om el e.. . pa ra o e nt rete r. Num de sse s c a sos ra ros.. . porque e m suma

O me u forte nã o é o l upa na r, Fui c om um de le s a ssi st i r a uma De ssa s pe ça s que a í c ost uma m d ar. Se o Ba rba A zul , nã o sei: e ra not á vel

Ma s nã o me le mbra; le mbra -me que a o pé

Fic a va uma fa míli a re speitá vel: - M ãe, d ua s fil ha s, pai ou que r que é .

E la s, a s t rê s, a qual mai s e le ga nte; C om t a nta c oi sa , que e u nã o sou c a paz

De de sli nd a r a quil o, só por dia nt e;

E fora o que le va va m por det rá s. E le, c al vo, fi gura maje st osa , Ar d e c a pit ali sta port uguê s, C om se us botõe s d e ped ra c or de rosa

E m punhos post os a pri mei ra ve z. C onte mpla va e u o quad ro,

a rre pe ndid o

De me nã o te r ac had o c om val or De c onqui st a r a s honra s de ma rid o E a gló ri a de se r pai, ou d e o supô r, Qua nd o ve m uma da s c omed ia nt e s E por e sta e ngraç ada e xc la maçã o: « Se você é se u pa i, já mui t o a nte s, e la e ra mi nha fi l ha. .. Sai ba e nt ã o!» E le c omeça a ri r a ssi m de e sgue l ha Pa ra a mul he r que e st a va mui t o sonsa ;

A mãe de sa ta a ri r pa ra a ma i s ve l ha,

Que de sat ou a ri r pa ra a mai s moça . E e u, pa ra t oda s t rê s; por ac ha r gra ça,

Nã o só a o dit o, ma s a i nda ma i s No c hi ste , na pil he ria , na c hala ça Da quela s fil ha s e da quele s pai s. (De us 1908: 97 -9 8)

T oda via , ou tra s es f er a s, qu e Fia lho nã o a bor da , pu lu la va m e m su ce s siva s c or oa s cir cu la res a t é à peri fer ia lisb o eta , c o mp ond o u ma rede

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de pe qu ena s sa la s e t ea tr o s pa rticu la r e s, fre qu enta d os p or cu rios o s dr a má tico s, t ea tr eiro s da s c la s se s l a bor i o sa s e da p equ e na bu rgu esia co mer cia nte, i mita dor es da gra n de repr e se nta çã o , a spira nd o a u m lu ga r

de c om pa rsa , en qu a nto s e nã o m ov es s em i n flu ên cia s qu e os

ca ta pu lt a sse m a u m lu ga r in te r pa r es profi s sio na is. Aí s e fru ía u ma liter a tu ra tea tra l popu la r , de dra ma s e co m édia s, m on ólo g os , c ena s -có mica s e dr a má tica s, ca n ço neta s e r e vi sta s, e scrita por olvi da do s dr a ma tu r gos, divu lga do por br oc hu ra s de bol so , na s col ec çõ e s de tea tro pa r a a ma dor es, d e obj ecti vo s be m cla ro s: T hea tro de Sa la (1 86 0 ) ; T hea tr o e sc olhi do pr ó pr io pa r a sa la s e th ea tro s pa rticu la re s, d a Livra ria Eco nó mica , fu nda da em 1 8 76 , primeira ca sa e sp ecia li za d a e m litera tu ra tea tr a l; Biblioth eca Pr ogr e s so T h ea tra l ( 18 83 ), da Agê ncia T hea tra l Ca listo, Fr a nc o & Vi ctor ia ; B i bliot he ca R e crei o D ra má tic o (1 8 9 5), Biblioth e ca D r a má tica Popu la r (18 90 ) e C olecçã o d e pe ça s th e a tra es pa ra sa la s e t hea tr o s pa rticu la r e s ( 1 8 90 ), na Livra ria Popu la r de Fra ncis co Fr a nco, cu ja long evi da de a tin giu a déca da de 1 9 5 0 . Uma rea lida de d e gr a nde a mplitu d e , na Li sb oa qu e s e e xpa n dia , entr e os O li va is e Bel é m , qu e a Vid a I r ó n ica de Fia lho r etra ta :

O povo que r e nece ssi t a di ve rti r -se, ta nt o ou ma i s d o que a s cl a sse s pre ponde ra nt e s, porque o se u t ra bal ho é mai s á spe ro, e os se us d e sgost os de acç ã o ma i s c ont unde nte s. Que r e nece ssi t a di st rai r -se , porque a di st racç ã o é uma d a s vál vula s d e se gura nça da vida , um tó nic o d o sist e ma a ni mal, i nc ompa rá vel , que re pa ra a ca nse i ra, e a reja e d i spõe pa ra a s l a buta s d o dia i media t o. E é nec e ssá ri o que o povo obt e nha di st rac çõe s se m gra nde e sforç o de i ma gi naç ã o, ne m sa c ri fíc i os [.. . ] e se lhe vá c a nal iza nd o a ate nçã o, qua nt o possí vel , pa ra e spe ctá c ul os d onde o se u e spí rit o re c ol ha al guma s pa rcel a s d e c ult ura e e nsi na me nt o (Ame ida 1992d : 102 -3 ).

E me sm o qu e a tire «a s su a s ver ga sta da s a o pú blic o, a os a u tore s, a os a ctor es, a o s tea tr o s c om seu s r egu la me nto s e co stu m e s» (Ré gio [ s.d.] : 1 6 9 ) , Fia lho a nseia p ela e du ca çã o p opu la r, co mo to da a gera çã o liber a l :

A rude za faz c om que os home n s d o povo t e nha m o e spí rit o e m fra gme nt os, me smo a pe sa r de o c oraç ã o l he s bate r d uma só peça . Pel a qua se c a rê nc ia d e met od iza çã o no pe nsa me nt o, a i ma gi na çã o de le s,

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c omo a raz ã o, te m gra nde s noit e s, e só por i nsta ntâ ne os rel â mpa gos ful gura. É ouvi -l os fal ar, rec onhece r na s c onve rsa çõe s d e mui t os, pont os foc ai s de re ctid ã o, bom se nso e i nteli gê nci a, ra sgos gra nd iosos, fi nura s si ngula re s, i st o pe rd id o num os suá ri o de d i spa rat ad os e c onfuso s sol i ló qui os (Al meid a 1991 : III, 76 ).

Eis o h u m u s qu e va leria a pe na ilu stra r, s obr evi ve nte p os sí ve l d e u ma soci eda d e qu e «e s cor re u ma a g o nia de fin d e la fin , u ma enre ge la da mis ér ia de pa í s c h ar og ne , de pa ís ga sto , de pa í s mort o, d e p a ís podr e» [ ib id .: II I , 16 1 ] , se a ma ior ia da p opu la çã o tra ba lha d ora nã o e stiv e ss e obr iga da a lu ga r es «tã o ma l ilu mina d o s, tã o trist e s, tã o d egra d a ntes, qu e fr e qu entá -lo s é qu a s e u ma a bj ec çã o: nã o se vê na da , a s pa l a vra s do s a ctor e s c he ga m di fu sa s, a ce na vê - se de e sc orço , e o e sp ecta d or e stá a li con stra n gido , ma l s enta d o, a s fixia d o, e ntre o s s eu s c o mpa nheir o s de ma r tír io. [ ...] A ver da de é qu e a f ora os circ o s, nã o há em Lis boa tea tro ond e o p ovo te nha u m bo m lu ga r» ( ib id .: I I I , 1 52 ) . E Fia lho su s pira pel os tã o fa la do s «t ea tros p opu la r es , gra n de s sa la s lig eira s, e m ferro e a lvena r ia , co m pla teia s -fu m o ir s , pr os cé nio s a m plo s, ja rdi ns de j og os , cor r e dor es de t ôm bol a e sa la s d e e xp osi çã o, o nd e p or u m tostã o o oper á r io ti ve s se a su a noite a l egr e, e s e s ent is s e o r ei, v en d o qu a lqu er ba ila do, ó pera bu fa , co mé dia - cha riva ri, ou dra ma hi st óric o de gra n de m is e en s cè ne » ( ib id .: ib id .) .

O Fia lho cr íti co de t ea tr o pre ci sa s e r pro cu ra do - j og o d e ga to e r a to -, na s cr ó nica s, entr e pa n fl eto s e pá gina s d o s p erió dic os , pa ra nele s en con tr a r mo s u m c on vite à si nt es e e for mu la çã o d e u ma prec ep tiva dr a má tico -t ea tra l do seu te m po. O seu es pírito a na líti co é a bra n gent e - da pr odu çã o dr a má tica à r ea liza çã o tea tr a l - , su port a do p or u ma a ná lis e so ciol ógi ca do e sp ecta d or, p os su idor de «u ma cu rio sida d e vi ví ss ima p elo entre c ho, u ma lú ci da críti ca da c oer ên cia d os diá lo go s, e u ma perc ep çã o a r gu ta e ir óni ca da s a lu sõ e s e pil héria s qu e vã o dir eit a s a o a lvo cert o» ( ib id .: I I I , 1 54 ) . A obra dra má tica , d efi nida c o mo a « fixa çã o nu ma obra liter á ria , da média de o pini õe s do pú bli co pa ra qu em a peça foi es crita » ( ib id .: ib id .) , seria u m bom ca mp o de tr a ba lho pa ra es crito res , se o s hou ve s se , cu jo «riqu ís si mo fi lã o tr a dicio na l» a limenta ria os «d ois pú blico s c erto s» : «u m qu e se qu er div ertir, ou tro qu e s e qu er

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impr es si ona r . [...] c u ja s n e ce s s id ad es a r tís tica s s ão fix a s , [e] sob eja m pa r a fa zer pro sp er a r [ ...] tea tro s d e dra ma e d e c o mé dia » ( ib id .: III, 1 56 ) . Por qu e ra zã o se qu eixa va m , entã o, a s co mpa n hia s e os em pre sá r io s do s tea tr o s pú bli co s de t ere m sa la s à s mo sca s ? H a veria a lgu ma «r a zã o ve na l, ra zã o or gâ ni ca e pr ofu n da » qu e de svia s se o pú blic o do t ea tr o pa r a os cir co s , pa r a a lém d os lu ga re s ca ros, ma l situ a dos e incó m od os? O pro ble ma su r gia na e vid ên cia d o « e sta do da a rte» e na a u sência de u ma lit er a tu ra dra má tica digna d es s e n om e, já qu e a diminu ta pr odu çã o origi na l p or tu gu esa , qu e a nu a lme nte su bia à ce na , «pou c o ou na da se d estr i nça , ca pa z d e se a r qu iva r c o mo obra d e a rte».

Em 1 8 91 , Fia lho de dica trê s fol het os de O s G a to s à a ná lise da cr ítica t ea tra l, de fini nd o u ma te oria fu nda m enta da na l eitu ra rec ent e d e du a s obr a s fra nc esa s, d e qu e cita ex c erto s: Étu d e s e t p o r tra its : S oc io lo g ie e t litté ra tur e , de Pau l B ou r get ( Pa ris: H a chette, 1 8 85 ) e Le m o uv e me n t littér a ire au XI Xè m e s iè c le , de G e orge s Pelli s si er ( Pa ris: H a chett e, 1 8 8 9 ) . Ao lon go de u ma vi nte na de pá gi na s, F ia lho e sca lp eli za per sp ecti va s de pr o du çã o dra ma tú rgica , e m pre sa ria l e d e rec ep çã o popu la r , qu e se co mpl e me nta m co m a leitu r a do s a rtigo s pu blica do s n os per ió dic o s Re v is ta Te a tra l (1 895 -9 6 ) , Rev is ta Po r tug ue s a (18 95 ), Pa ís ( 1 89 6 -98 ) , Pá tr ia (18 99 ), O D ia (19 02 ) , O Mund o (19 06 ) e N o v id ad e s ( 1 90 7 ), compila do s po stu ma m ent e so b o títu lo Ac to r e s e Au tor es (1 925 ).

Fia lho pro cla ma a exi stê n cia d e u m « div órcio entre o s h om en s d e letr a s e a vida na ciona l» ( Al m eida 1 9 91 : III , 1 60 ) . Fa lhos de nív el me nta l, « pou c o p ers pica ze s», «i gn or a ntís si mo s», qu a se to do s vi ve nd o «de re mi nis c ên cia s fra n ce sa s , e de le itu ra s de c o m m is vo yag eu r », os a u tor es re du zia m - se a m er o s i mita dor e s d e o bra s qu e i d ola tra va m, inca pa z e s de «a pa ixo na r » o s le itore s ( ib id : III, 16 2 ) . C onde na ndo e sta «liter a tu r a feita por cu r ios o s, m erc ê da s e xigu ida d es, e d a perfeita a bjec çã o qu e é viv er co n sa gra do a o lu ga r de plu mitivo s», esta «a rte ex er ci da , no s i nter va los da re pa rtiçã o, por u n s est éti co s so nâ m bu los, qu e a os pr elo s tra z em a s m oz orr ic es fu n da m enta is da ma n ga de lu strina », Fia lho d ef en de a pro fi s siona li za çã o do dr a ma tu rgo. A s pe ça s de M en de s Lea l ou d e Pi nh eiro C ha ga s, e xe mpl os d e for ma s dra má tica s a ceitá vei s

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no s eu te mpo , repr es en ta va m u m tea tro «r omâ nti c o - ca du co »,

de sa de qu a do a o per í od o mo der n o, de ci ên cia , «a i deia mã e qu e pr ed om ina na s d if ere nte s a plica ç õe s da int eli gê ncia » ( Al m eida 1 9 91 : III, 1 62 ) . T or na va -se for ço s o qu e os a u tor e s de mo nstr a ss e m o «go st o da a nota çã o exa cta », a pr oxi ma nd o « da so ciol ogia o ro ma nc e de c ostu m e s, e da psi col ogia o r oma n ce d e a ná lise » ( ib id .: ib id .) . Espera nd o qu e u ma nova ger a çã o de s en vol v e s se a es téti ca na tu ra lista , c ria nd o n ov o s mét od os de es cr ita na boa lit er a tu r a do tea tro, «a ma is meli ndr osa me nt e a rtifi cia l qu e se c onh e ce » ( ib id .: ib id .) , Fia lho ch ega a de fi nir u m a fór mu la dramática: «o teatro r equer vi vacidades […], e uma intensa vida psíquica de qu e a no ssa pr egu iça cer ebr a l no s pr oíb e ser i ntér pret es . R omâ nti ca ou ex peri me nta l, to da a pe ça d e t ea tro ca rec e d e í mp eto , d e c on ci sã o fa is ca nte , e de i mpla cá vel l ógi ca . N e m u ma c ena a ma is, no co nju nto da s qu e a ca r pinta ria do m é tie r impôs à rá pida evolu çã o de to do o en tre ch o. N em u ma pa la vra a ma is do qu e a s ne ce s sá ria s a o de se nh o in cisi vo da s per so na ge ns. É u m pr obl ema d e á lgebra qu e s e re sol ve » ( ib id .: III, 16 2 -3 ) .

A f or mu la çã o gera l es téti ca , i mpli ca a p oéti ca , a

con s cie ncia li za çã o d o a rgu me nto, da «ima gina çã o », da c a pa c ida de «d e ca r pint eja r o entr e ch o du ma pe ça », e «a lu cide z pa ra introm et er figu ra s concebi das nu m propósit o de sátira ou de tese […] na s três ou quatro cenas mães dessa obra dramática, […] sem a falsear da sua psi col ogia or iginá ria » ( Al mei da 1 9 91 : I I I , 1 65 ) . Fia lho su bdi vid e es sa c a pa cida de ger a l na s vert ent e s de dia lo gis mo e de e nc ena çã o. Pr imeir o, a «ima gi na çã o do s se ntid o s», o « su pr e mo do m de cria çã o p sic ol ógica , qu e fa z c o m qu e o r o ma nci sta ou dr a ma tu r go e nc ontr em se s se nta ou set enta fór mu la s di fer en t e s pa r a a expre ssã o pictu r a l du m m es mo s ent ime nto ou mó vel d e a cçã o int er ior », em qu e Fia lh o rev ela u ma preo cu pa çã o se m elha nt e à qu e Sta ni sla vsk i ma nif e st a r á post erior m ent e. S e gu ndo ele, qu e e nte nd e o a sp ect o so cioli ngu ísti co im plíci to no a ct o dia ló gico , é da co mp etê ncia d o a u tor a cria çã o de ca r a cter es i ndi vidu a liza d os, u sa n do lingu a ge m a de qu a da , pa ra qu e nã o fi qu e m ma rio neta s, n e m s e j a «se m pre o plu miti vo qu e m fa la por tr á s d o s s eu s fa nto ch e s» ( ib id .: ib id .) ; qu e a

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pr o sa seja lim pa , de fr a se ma leá v el, ju sta , be m e nqu a dra da , com o s e r equ er «pa ra a foto gr a fia , du ma a lma , a tr a vés do diá log o cé ni co» ( ib id : I I I , 1 66 ) . Em s egu ida , a en c ena çã o é c on ce bida co mo «i ma gi na çã o d os espaços», «habilidade mecânica da intriga […], o poder de evocar as tá bu a s do pr os cé nio no mo m ent o d e s e esta r rea li za ndo a obra dra má tica , e a s si m, o de r egu la r a s ida s e vi nda s, a s e ntra da s e sa ída s da s fi gu ra s, a a r qu itectu r a dos gr u p os , e a di stribu içã o si métri ca da c ena s p elo s a cto s, de sorte que […] a marcha da peça seja uma progressão matemática que mu ltiplica a ce na p ela ce na , o la nc e pel o la n ce, o a cto p elo a ct o, e qu e se ch ega a o de sf e ch o, co mo u m pr odu to in exor á v el e fa ta l» ( ib id : III, 1 64 ) . Cr itica ndo a r ea lida de li sb oeta , Fia lho de fin e c om ciê ncia « a fórmu la

pr eci sa », do dra ma co nte mp orâ ne o, « do dra ma de a n á lise, da

vivi ss e ca çã o so cia l sa ngr e nta e pa lpita nt e» ( ib id : III, 1 66 ) , qu e a pena s vislu m bra na o br a de H enri B e cqu e, de D u ma s fil ho e e m a lgu ma s co mé dia s de Au gi er .

O bvia m ent e qu e o s a ctore s nã o p odia m fi ca r de fora da su a a pr ecia çã o t eor i za nte. Fia lho fu nda m enta - se em C oqu eli n Aîn é, pa ra qu em o a ctor é u m « es cu ltor de si própri o, u m pint or de retra tos », ma s a su a a ná lise a nte cipa , ma is u ma v e z, S ta nisla v sk i, ou s e qu iser m os, e coa a r efl exã o S ete c enti sta de D ider ot, de En tr e tie n s su r Le Fils N a tu r e l ( 1 75 7 ) e do Pa r a d o xe su r le co mé d ie n (1 77 0 -78 ; pu b. 1 78 0 ) :

O ac t or é um se r d upl o, d e nt ro de c uja c a rca ça algué m c oncebe o pe rsona ge m, tal c omo ele se fez no e spí rit o d o e sc rit or pa ra l ogo out ro a l gué m t rad uzi r e m vult o, a c once pç ã o, se rvi nd o -se pa ra i sso da que la me sma c a rcaç a, c onve nie nt e me nte pla sti ciz ada sob o s se us d ed os de st ros e ma nda d os» (Al meida 1991: III, 196 ).

Fa zen do c orr e sp on der a a ctu a çã o a «doi s la bore s inc on fu ndí v e is: a co mp osi çã o m enta l da fi gu r a , e a modela çã o e re s titu içã o dela a o pú blico , por via d e ma n obr a s ext erior e s» ( ib id .: ib id .) , Fia lho esta b el ec e ba se s b eha vi orista s na a ná lise da «co nc ep çã o me nta l da perso na ge m», nu ma per sp ect iva s oci oló gica , «su b or dina n do - o à s r ela çõ es e a finida d e s do m eio s ocia l qu e a pe ça si nteti za », e nu ma per sp e ctiva p s icol ógi ca , con si dera n do a per so na ge m «e m si e is ola da m ent e», e nqu a nto «pa p el r epr e s enta d o», n o m o me nto em qu e o a ctor r est itu i a figu ra ao pú blic o.

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U m pr oc es s o ba sea d o n o co nh eci m ento gl oba l da pe ça , a pro fu nda do p or leitu r a s e inv e stiga ç õe s t emá tica s pa r a lela s s obr e o s m eio s s ocia is , de for ma a enco ntr a r a a lma da per so na ge m e fa zer d e sa pa rec er a per so na lida de d e a ctor, pa r a qu e se nã o diga «B e m sei, i s so é B ra sã o!» ( ib id .: I I I , 1 98 ) .

Fia lho a ponta , c om o fa ctor d e de fi ciê ncia qu a lita tiva da ma ioria do s a ctor e s do s eu te mp o, a fa lha d e estu d o, ma s ta m b ém a má estr u tu ra çã o da s pe ça s, a fra ca sa pi ên cia d e e n sa ia dore s e de a u tore s dr a má tico s, d o s e mpr esá r io s á vid o s d e bilh et eira s, ou s eja d e fi ne u ma indi sci plina g e ner a liza da , u m «c ha riva ri», em qu e a s c om p a nhia s d e qu a se to do s os t ea tr o s d e Li sb oa s e p er m itia m «a lt era r o text o d os pa péi s, ga gu eja r a s fa la s, p ôr e stribil ho s e tr u c s de s eu inve nto, expl or a nd o a té à ná u sea o se ntid o du vi do so da s ret ic ên cia s, d eforma n do a s inte nç õe s, i nsi sti ndo e m tic s de mí mi ca e ca ra cteri za çã o », e a inda « a cr ítica do s tr a du tor e s lis onj ea nd o qu otidia na m ent e e st es b a ixís sim o s pr oc e ss o s de fa ctu ra » ( Al me ida 1 9 91 : I I I, 20 3 ) C omo resu lta do , veri fica -se a cor r u pçã o d o go sto do pú blic o e o d e sfa v ore ci me nto do esta d o da a r te, me s mo a d mitin do qu e s e vi ve u m « perí od o e m qu e t oda a obra do es pír ito é tr a n sitór ia , p orqu e ela é a o m e sm o t em po o fi m d e u m sé cu lo, e o co me ço d ou tro, be m di fer ent e» ( ib id .: III, 19 1 ) . Eis o pa ra doxo fia lhia no , cu ja co ns ci ên cia m od er n i sta exorta à r eb eldia “ b oé mia ” da r u tu ra com os câ no n es:

[Dei xe m] e nt ra r na lí ngua port ugue sa pel a bi rra dal guns t ra bal hadore s re putad os de nã o que re re m e sc re ve r port uguê s c orrect a me nte , t od o e sse pa nd e mó ni o de te rmos a rre ve sad os, d e e xpre ssõe s t éc nica s ma s se m c a rta de nat ura liza çã o de fi nida s por e nqua nt o, d e fra se s se m e st rut ura gra mat ica l c ol hida nos c roni st a s, porque e sse t ra ba l ho é sa grad o, me smo nã o a grada nd o a os puros gul osos d o port uguê s se m má c ul a ne m mistura. […] Trabalho sagrad o pelas inexauríveis riquezas que introd uz nos t e souros d a e xpre ssã o, pela va ri edade i nsó lit a de ri t mos novos que t ra nsfi lt ra , e fi nal me nt e pel a ma ra vil hosa a gil idade e el e gâ ncia que e m pa rte já c onse gui u met e r no pe rí od o port uguê s, ori gi na ria me nte rí gid o e monó t ono, t orna nd o-o c ola nte c omo uma pe li ca, a t oda s a s c i nze l uras d a id eia , e a pt o, c omo el e da nte s nã o e ra , a t od a s a s mí mi ca s d a a l ma, e a t od a s a s mic rosc opia s d a i mpre ssã o (Al meid a 1991 : III, 191 ).

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Biblio g r af ia ac tiv a

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_ __ _ (1 992 a ) Fig ur a s de D es taq ue . Lisboa : Círcu lo do s Le ito r es, 1 9 9 2 . O br a s c om pleta s d e Fia lh o d e Al mei da . V olu me 1 8 . (1 ª ediçã o, 1 92 3 ). _ __ _ (1 992 b) Lis b oa G a lan te . Lisboa : C írcu lo do s Leit ore s, 1 9 9 2 . O bra s co mpl eta s de Fia lho de Al m eida . Volu m e 5 . (1 ª edi çã o, 1 8 9 0 ).

_ __ _ (1 992 c) Pa s q u ina da s . Lisboa : C írcu lo d o s L e itore s, 1 9 9 2 . O bra s co mpl eta s de Fia lho de Al m eida . Volu m e 4 . (1 ª edi çã o, 1 8 9 0 ).

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Referências

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