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Análise da Gestão do Alojamento em Ter no Concelho de Vinhais

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ANÁLISE DA GESTÃO DO ALOJAMENTO EM TER NO

CONCELHO DE VINHAIS

Dissertação de Mestrado em Gestão Turística

Ana Margarida Murça Alves

(2)

Tese de Mestrado submetido para a obtenção do grau de mestre em Gestão Turística na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – Pólo de Chaves pela candidata Ana Margarida Murça Alves, sob a coordenação do Prof. Dr. Artur Carlos Crespo Martins Cabugueira.

(3)

ÍNDICE

ÍNDICE GERAL ………...………… I ÍNDICE DE FIGURAS ………...………….…………. III ÍNDICE DE TABELAS/DIAGRAMAS/ GRÁFICO………...………. V ACRÓNIMOS ………...……… VII AGRADECIMENTOS ………...………...………… VIII RESUMO ………...…...…...………. IX

ABSTRACT ……… XI

INTRODUÇÃO ………. ………. 1

CAPITULOI – ENQUADRAMENTO TEÓRICO 1-Conceito ………. ………... 4

1.1-Principais objectivos do TER ………. 6

1.2 -Modalidades de TER ………. ………... 7

1.2.1-Casas de Campo ………... 7

1.2.2-Agro-turismo ………... 7

1.2.3-Hotéis Rurais ………. 8

1.3-Actividades de animação turística no TER ………...…. 9

2- Gestão no Turismo em Espaço Rural……… 13

2.1- Conceito de gestão……… 13

2.2- Tipos de gestão………... 19

2.3- Gestão do TER……… 26

CAPITULO II – ENQUADRAMENTO CONTEXTUAL: O TER NO CONCELHO DE VINHAIS 1-Caracterização Sócio - Económica e Cultural de Vinhais ……… 31

1.1-Caracterização Geográfica ……… 31

(4)

1.3-Caracterização Cultural e Patrimonial ………. 33

1.4-Caracterização Económica - Social ……… …..……… 43

2-Turismo no Concelho de Vinhais…………. ……… 46

2.1-Parque Biológico de Vinhais ………. 46

2.2-Centro Interpretativo do Parque Natural de Montesinho – Casa da Vila de Vinhais ………. 49 2.3-Ecomuseu de Vinhais ………. 50

3-Unidades de TER no Concelho de Vinhais …………... ………... 55

CAPITULO III – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO 1-Breve justificação Metodológica……… 73

2-Técnicas de Recolha de dados………... ..……….. 75

3-Trabalho de Campo ……... ……… 77

CAPITULO IV- APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS 4-Apresentação, análise e interpretação dos Resultados de investigação………. ………. 78 4.1-Inquérito efectuados aos proprietários das Casas de Turismo em Espaço Rural ………. 79 5- Reflexão Final sobre os resultados da Investigação……… …………. 98

CONCLUSÃO ………. 99

BIBLIOGRAFIA ………. 103

APÊNDICES ……… 106

(5)

INDICE DE FIGURAS

Figura 1: Mapa do Concelho ………... 32

Figura 2: Castelo de Vinhais ………... 33

Figura 3: Dentro da Vila ………. 34

Figura 4: Brasão ………. 34

Figura 5: Muralhas do Castelo ……… 35

Figura 6: Solar dos Condes ………. 36

Figura 7: Solar de Crespos ………. 37

Figura 8: Solar da Corujeira ……… 37

Figura 9: Solar da Praça do Arrabalde ……… 38

Figura 10: Solar da Quinta ………. 38

Figura 11: Pelourinho …………. ………... 38

Figura 12: Igreja de São Facundo ………. …. 39

Figura13: Igreja de São Francisco ………. …. 40

Figura 14: Igreja do Seminário ………... ………... 40

Figura 15: Claustros …………...………. 41

Figura 16: Igreja Matriz ………. 42

Figura 17: Parque Biológico de Vinhais ………. 48

Figura 18: Casa da Vila de Vinhais ……… 50

Figura 19: Casa da Fonte ……… 55

Figura 20: Casa O Geadas ………... 58

Figura 21: Casa da Flor ………... 59

Figura 22: Quinta dos Castanheiros ……… 61

Figura 23: Casa da Mencha ………. 63

(6)

Figura 25: Casa do Medronheiro ……… 67

Figura 26: Casa dos Picotinhos ………... 68

Figura 27: Casa da Mina ………. 68

Figura 28: Casa da Figueira ……… 69

Figura 29: Casa D’Áfonte ………... 70

(7)

INDICE DE TABELAS/DIAGRAMAS/GRÁFICOS

Tabela 1: Calendário das Festas, Feiras e Romarias ………. 44

Tabela 2: Gastronomia no Concelho de Vinhais ………... 45

Tabela 3: Identificação das casas TER do Concelho de Vinhais ………. 79

Tabela 4: Número de quartos e camas ………... 80

Diagrama 1: O Trabalho dos Gestores ………. 15

Diagrama 2: Componentes da Gestão da Qualidade ………. 22

Diagrama 3: Modelo de Análise de Gestão do Turismo no Espaço Rural …... 26

Gráfico 1: Modalidade e Hospedagem ………. 80

Gráfico 2: Preço quarto simples ……… 81

Gráfico 3: Preço Quarto Duplo ………. 81

Gráfico 4: Preço refeição incluída ………. 82

Gráfico 5: Efectuaram obras de recuperação ………. 82

Gráfico 6: Distância do aglomerado urbano mais próximo ………. 83

Gráfico 7: Existência de placas identificativa……… ……. ………. 83

Gráfico 8: Classificação da localização paisagística do empreendimento……. 84

Gráfico 9: Tipo de turistas (Nacionalidade) ………. 84

Gráfico 10: Tipo de turistas (Jovens/Idosos) ……… 85

Gráfico 11:Tipo de turistas (Grupos/Isolados) ……… … 85

Gráfico 12: Origem clientes ………. 86

Gráfico 13: O que mais procuram ………. 86

Gráfico 14: Duração da Estadia ………. 87

Gráfico 15: Existência de panfletos ………... 87

Gráfico 16: Direito à exploração de propriedade ………. 88

Gráfico 17: Razões de abertura das casas para TER ………. 88

Gráfico 18: Filiado em alguma associação ……… 89

(8)

Gráfico 20: Serviços Prestados ……… 90

Gráfico 21:Actividades de Animação ……… 90

Gráfico 22: Recursos e financiamento para a afecção da casa ao TER ………. 91

Gráfico 23: Especialização na área da Gestão Financeira ……… 92

Gráfico 24: Número de trabalhadores no empreendimento TER ………. 92

Gráfico 25: Habilitações literárias dos proprietários TER ……… 93

Gráfico 26: Habilitações literárias dos trabalhadores TER ………. 94

Gráfico 27: Factores de promoção de empreendimento TER ………... 94

Gráfico 28: Fornecedores de produtos ……… 96

Gráfico 29:Conhecimento, gostos, interesses e expectativas dos clientes …… 96

(9)

ACRÓNIMOS

UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro RLT – Recreação Lazer e Turismo

TER – Turismo no Espaço Rural

OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico PNM – Parque Natural de Montesinho

RTN – Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal CC – Casas de Campo

AT – Agro-Turismo HR – Hotéis Rurais

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AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, estiveram ao meu lado e me ajudaram a ultrapassar todos os obstáculos.

Em primeiro lugar agradeço à minha Mãe e à minha Avó Adelaide, pois foram elas que me possibilitaram chegar até esta etapa da minha vida que é o fim de mais um grau académico. Que sempre me incentivaram nos momentos menos bons da minha vida. Sem elas, sem dúvida não teria conseguido!

Ao Paulo, meu namorado pelo incentivo e pela ajuda que me deu ao longo deste ano, que contribuiu em muito para que eu tivesse sempre força e vontade de fazer mais. À sua amizade incondicional e dedicação. Acima de tudo, ao seu amor!

À minha irmã e gémea Lara pelo seu incentivo nos momentos de desânimo e por me ter ajudado directa e indirectamente para que conseguisse atingir este objectivo.

Como não podia deixar de ser, agradeço ao meu orientador Prof. Doutor Artur Cabugueira, pela ajuda prestada na realização deste trabalho.

(11)

Resumo

Esta dissertação de investigação trata da “Análise da gestão do alojamento em TER no concelho de Vinhais ” onde é feito o desenvolvimento, análise do alojamento existente bem como o potencial turístico que o concelho nos oferece. É no concelho de Vinhais, que pretendo centrar as atenções, pois, não existindo os produtos mais vendáveis – sol e mar, torna-se necessário recorrer aos nossos produtos fortes: o turismo de montanha, o nosso património histórico, natural e cultural, e pensar na melhor forma de combater os pontos fracos existentes, nomeadamente por se tratar de um concelho do interior.

Com esta pesquisa analisamos vários tipos de gestão existentes nos empreendimentos TER, bem como o seu funcionamento e desenvolvimento.

O produto turístico Turismo no Espaço Rural possui efectivas qualidades para apoiar dinâmicas de desenvolvimento a nível regional. Pretende-se neste contexto, obter resposta a diversas questões, que envolvem, relativamente à gestão, à procura, o grau de satisfação dos proprietários dos empreendimentos turísticos englobados nesta tipologia, neste concelho e caracterizar a oferta existente definindo o seu impacto no desenvolvimento turístico do concelho de Vinhais.

Pretende-se, com esta dissertação de investigação, tentar responder à questão colocada no início deste trabalho:

QUAIS AS FORMAS DE GESTÃO DO TER NO CONCELHO DE VINHAIS?

Para a realização do nosso estudo optámos pelo paradigma interpretativo dentro da investigação qualitativa, pois tal permite-nos, a partir do processo indutivo, compreender os fenómenos sociais, nos quais podemos incluir o objecto do nosso estudo.

Para a concretização deste projecto de investigação recorreu-se a métodos para a recolha de informações. Inicialmente começou-se por efectuar pesquisa bibliográfica em bibliotecas, nomeadamente na biblioteca da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e na biblioteca Municipal de Chaves. Recorreu-se ainda a pesquisa bibliográfica através da pesquisa via internet.

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Depois de ser feita a investigação documental, chegou o momento de obter informações de acordo com o meu objectivo. Optei por utilizar um inquérito por questionário.

Procuramos através deste estudo demonstrar que os turistas que requerem este tipo de Turismo (Rural) o solicitam cada vez mais não só como forma de descanso e fuga do mundo urbano mas também para realizar outro tipo de actividades que, apesar de activas, se enquadram na procura de repouso e contacto com a natureza e com as populações locais.

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Abstract

This dissertation research addresses the "Review of the management of housing in the municipality of Vinhais" where it's made the development, analysis of existing housing and the tourism potential that the county offers. It is in the municipality of Vinhais, who wish to focus attention, because there are no more marketable products - sun and sea, it becomes necessary to refer to our strong products: mountain tourism, our historical heritage, natural and cultural, and thinking about how best to tackle the weaknesses exist, such as it is an inland county.

With this research we analyzed several types of existing management in enterprises TER, as well as its functioning and development.

The tourism product Manor has qualities to support effective development dynamics at the regional level. It is intended here, get answers to several questions, which involve, in relation to management, looking for the satisfaction of the owners of tourist developments pertaining to this typology, this county and characterize the existing order defining their impact on tourism development municipality of Vinhais.

We intend, with this dissertation research, try to answer the question posed at the beginning of this work:

WHAT FORMS OF MANAGEMENT HAVE THE MUNICIPALITY OF WINE?

For the realization of our study we chose the interpretive paradigm in qualitative research, as this allows us, from the inductive process, to understand social phenomena in which we include the object of our study.

The achievement of this research project we used the methods for collecting information. Initially we started by making literature in libraries, including the library of the University of Trás-os-Montes and Alto Douro and the Library Council of Chaves. Use has also been a literature search through the internet.

After being made the documentary research, it is time to obtain information in accordance with my purpose. I chose to use a questionnaire.

We seek through this study demonstrate that the tourists who require this type of tourism (rural) the increasingly asking not only as a form of relaxation and escape from the urban world but also to perform other activities that, although active, fit in demand for home and contact with nature and with local populations.

(14)

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento desta tese visa essencialmente o concelho de Vinhais, relativamente à Gestão de Turismo no Espaço Rural (TER).

O TER contribui para o desenvolvimento económico da região, graças à interactividade existente com outras actividades económicas, que muitas vezes surgem em consequência do próprio TER existente, evitando assim, a desertificação local, ao permitir a sobrevivência de pequenos agregados populacionais, com especial relevância para o incremento do papel das mulheres e dos idosos. Esta actividade possibilita aos turistas, conhecimento da fauna e da flora, caminhadas por parques naturais e actividades físicas em plena natureza e sem qualquer poluição.

A procura turística em espaços rurais e naturais multiplica-se sucessivamente ano após ano, em diversos formatos, onde se verifica a conquista de valores culturais e naturais existentes.

O TER é uma actividade que tem como objectivo essencial oferecer aos utentes a oportunidade de reviver as práticas, os valores e as tradições culturais e gastronómicas das sociedades rurais, beneficiando da sua hospedagem e de um acolhimento personalizado. Na perspectiva do desenvolvimento local em áreas rurais, o turismo no espaço rural é uma das actividades mais bem colocadas para assegurar a revitalização do tecido económico rural, sendo tanto mais forte, quanto conseguir endogeneizar os recursos, a história, as tradições e a cultura de cada região. Constituindo não só um factor de diversificação das actividades agrícolas, como um factor de pluriactividade, através da dinamização de um conjunto de outras actividades económicas que se inter-relacionam. É o caso do artesanato, da produção e venda na exploração de produtos tradicionais, dos quais se destacam os produtos agrícolas e géneros alimentícios certificados, dos serviços de transporte, de animação, de guias etc.  

Em termos de actividade turística, o ressurgir do mundo rural tem várias razões de ser. A questão da disponibilidade de espaço, e o seu menor custo, para a promoção das soluções de desenvolvimento integradas e estruturantes de vocação turística, são dois exemplos.

O TER surge como alternativa ao turismo de massas, como fuga ao stress quotidiano, tornando-se apelativo por surgir como refúgio da vida urbana, criando no turista um sentimento de satisfação e de bem-estar.

(15)

A beleza das paisagens, a riqueza arquitectónica, a exuberância da gastronomia e de muitas manifestações culturais são uma realidade incontrolável de muitas regiões portuguesas, como disso dá exemplo o Parque Natural de Montesinho, onde se insere o concelho de Vinhais.

O TER pode-se considerar como uma mais-valia para o desenvolvimento socioeconómico em zonas mais carenciadas, ao criar emprego e evitar de algum modo a desertificação preservando o seu modo de vida, promovendo a herança e culturas locais, o que, por sua vez, atrai cada vez mais visitantes, maioritariamente de zonas urbanas.

O Turismo em Espaço Rural baseia-se em uma aplicação combinada de natureza, contacto humano e cultura, com intenções de benefício mútuo entre turista e residente e baixo nível de impactos, sendo em grande média devedor da implementação de ecoturismo, e turismo étnico e o turismo cultural.

É um estudo pertinente dado que este concelho possui ainda várias potencialidades para descobrir e desenvolver. Ao longo dos cinco anos da licenciatura em Recreação Lazer e Turismo e do mestrado sempre demonstrei mais interesse pelo turismo em espaço rural e tudo que envolvesse a natureza. Sendo esta a minha terra natal, o estudo constante tornou-se muito gratificante. Espero, também, que este estudo possa, de alguma forma, contribuir para o seu desenvolvimento.

O TER não oferece uma solução para todos os problemas sociais e económicos, provocados por uma crescente marginalização de muitas áreas rurais. O desenvolvimento turístico deverá ser acompanhado pelo desenvolvimento de outros sectores, como parte de um modelo integrado de desenvolvimento rural.

Esta dissertação de Mestrado, tem como tema: Turismo no Espaço Rural – “Análise da gestão do alojamento em TER no concelho de Vinhais”. É no concelho de Vinhais, que pretendo centrar as atenções, pois, não existindo os produtos mais vendáveis – sol e mar, torna-se necessário recorrer aos nossos produtos fortes: o turismo de montanha, o nosso património histórico, natural e cultural, e pensar na melhor forma de combater os pontos fracos existentes, nomeadamente por se tratar de um concelho do interior.

O produto turístico Turismo no Espaço Rural possui efectivas qualidades para apoiar dinâmicas de desenvolvimento a nível regional. Pretende-se neste contexto, obter resposta a diversas questões, que envolvem, relativamente à gestão, à procura, o grau de satisfação dos proprietários dos empreendimentos turísticos englobados nesta tipologia,

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neste concelho e caracterizar a oferta existente. (Casares, Fresulfe, Rio de Fornos, Soeira, Travanca e Negreda) e Vila definindo o seu impacto no desenvolvimento turístico do concelho de Vinhais.

Pretende-se, com esta dissertação de Mestrado, tentar responder à questão colocada no início deste trabalho:

QUAIS AS FORMAS DE GESTÃO DO TER NO CONCELHO DE VINHAIS?

Assim, estruturou-se este trabalho em quatro capítulos onde, no primeiro capítulo se faz o enquadramento teórico, Gestão no Turismo em Espaço Rural, no segundo capítulo enquadramento contextual o TER no concelho de vinhais, no terceiro capítulo enquadramento metodológico, finalizando assim com o quarto capítulo, apresentação, análise e interpretação de resultados.

Estes capítulos foram subdivididos por tópicos. No I capítulo, define-se o conceito; principais objectivos do TER; modalidades de TER; actividades de animação turística relacionadas com esta modalidade de turismo e a gestão no Turismo em Espaço Rural, onde se define o conceito de gestão; tipos de gestão e gestão no TER. No II capítulo, caracterização sócio-economica e cultural de Vinhais; o TER no concelho de Vinhais e unidades de TER no concelho de Vinhais. No III capítulo, justificação metodológica; técnicas de recolha de dados e trabalho de campo. No IV capítulo, apresentação; analise e interpretação de resultados.

(17)

CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO

1. Conceito

Neste item do trabalho iremos referir alguns conceitos relacionados com a problemática em análise dos quais destacamos: Conceitos de TER; principais objectivos de TER; modalidades de TER; actividades de animação turística no TER e Gestão no Turismo em Espaço Rural.

Decreto-Lei n.º 228/2009 de 14 de Setembro SECÇÃO VIII, Artigo 18.º

“São empreendimentos de turismo no espaço rural os estabelecimentos que se destinam a prestar, em espaços rurais, serviços de alojamento a turistas, dispondo para o seu funcionamento de um adequado conjunto de instalações, estruturas, equipamentos e serviços complementares, tendo em vista a oferta de um produto turístico completo e diversificado no espaço rural.”

O Turismo surge como uma das novas funções do espaço rural e constitui uma das actuais prioridades estratégicas do desenvolvimento rural pelo papel que poderá ter na preservação do potencial cultural e ambiental das áreas rurais e na promoção do desenvolvimento socioeconómico (Simões e Cristóvão, 2003:98).

O Turismo no Espaço Rural tem características muito próprias, este deve ser considerado como um conjunto de actividades e serviços realizados e prestados mediante remuneração em zonas rurais, segundo diversas modalidades de hospedagem, de actividades e serviços complementares de animação e diversão turística, com vista a proporcionar aos clientes uma oferta completa e diversificada, o turismo rural caracteriza-se por se situar em zonas rurais entendidas como as áreas com ligação tradicional e significativa à agricultura ou ambiente e paisagem de carácter vincadamente rural. Liga-se a estruturas sociais ditas tradicionais, isto é, as que conservam as características gregárias, os valores, modos de vida e de pensamento das comunidades rurais da região e utiliza os recursos locais e os conhecimentos derivados do saber das populações. Nestes locais os turistas são alvo de um acolhimento personalizado e de acordo com a tradição de bem receber da comunidade em que se insere.

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O turismo rural é uma forma de turismo sustentável na medida em que o seu desenvolvimento deve ajudar a manter as características rurais da região, utilizando os recursos locais e os conhecimentos derivados do saber das populações e não ser um instrumento de urbanização. É para além disso um turismo diferenciado tudo dependendo da diversidade do ambiente, da economia e com a singularidade da história, das tradições e da cultura popular dos lugares onde se desenvolve.

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1.1 Principais objectivos do TER:

 Oferecer a quem procura a oportunidade de reviver as práticas, valores e tradições culturais e gastronómicas das sociedades rurais, beneficiando da sua hospedagem e de um acolhimento personalizado.

 Assegurar a revitalização do tecido económico rural, sendo tanto mais forte, quanto conseguir endogeneizar os recursos, a história, as tradições e a cultura da cada região.

 Contribuir para a desertificação das actividades agrícolas (pluriactividade), através da dinamização de um conjunto de outras actividades económicas que dele são contribuintes e que com ele interagem – artesanato, produção e venda na exploração de produtos tradicionais desde os agrícolas e géneros alimentícios certificados, aos serviços de transporte, animação, guias…1

É importante, promovê-lo de forma harmoniosa e sustentada, no respeito pelas diferenças que caracterizam cada região e pelos requisitos de qualidade e de comodidade exigidos pela clientela que o procura.

O cliente TER procura genuinidade, maior qualidade, é possuidor de poder económico superior à média, e é atraído precisamente pela diferença existente entre esta modalidade de turismo e as outras modalidades existentes.

  Para Portugal o Turismo no Espaço Rural é um Produto completo e diversificado que integra as componentes de alojamento, restauração, animação e lazer, baseado no acolhimento hospitaleiro e personalizado e nas tradições mais genuínas da gastronomia, artesanato, cultura popular, arquitectura, folclore e da história

      

1

Ciências Sociais e Humanas. Turismo em espaço Rural. Acedido em 19- 05- 2010 em

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1.2. Modalidades de TER

Segundo o Decreto-lei nº228/2009 empreendimentos de turismo no espaço rural, secção VIII, 18ºartigo, o TER classifica-se em três modalidades:

1.2.1. Casas de Campo (CC)

São casas de campo os imóveis situados em aldeias e espaços rurais que se integrem, pela sua traça, materiais de construção e demais características, na arquitectura típica local.

Quando cinco ou mais casas de campo situadas na mesma aldeia ou freguesia, ou em aldeias ou freguesias contíguas sejam exploradas de uma forma integrada por uma única entidade, podem usar a designação de turismo de aldeia, sem prejuízo de a propriedade das mesmas pertencer a mais de uma pessoa.

Requisitos Necessários:

 Nas casas de campo deve existir, pelo menos, uma instalação sanitária para cada três quartos.

 Nas casas de campo a área mínima dos quartos individuais é de 7 m2 e a dos quartos duplos de 9 m2.

 Deve existir uma casa de banho por cada três quartos.

1.2.2-Agro-Turismo (AT)

São empreendimentos de agro-turismo os imóveis situados em explorações agrícolas que prestem serviços de alojamento a turistas e permitam aos hóspedes o acompanhamento e conhecimento da actividade agrícola, ou a participação nos trabalhos aí desenvolvidos, de acordo com as regras estabelecidas pelo seu responsável.

Requisitos Necessários:

 Nos empreendimentos de agro-turismo deve existir, pelo menos, uma instalação sanitária por cada duas unidades de alojamento.

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 Podem ser instaladas unidades de alojamento fora do edifício principal, em edifícios contíguos ou próximos daquele e que com ele se harmonizem do ponto de vista arquitectónico e da qualidade das instalações e equipamentos.

 As unidades de alojamento previstas no número anterior podem integrar até ao limite de três quartos e devem dispor, no mínimo, de sala privativa com ou sem cozinha ou pequena cozinha (kitchenette), de uma instalação sanitária quando disponha de um ou dois quartos e de duas instalações sanitárias quando disponha de três quartos.

 A área mínima dos quartos individuais é de 7 m2 e a dos quartos duplos de 9 m2.

1.2.3. Hotéis Rurais (HR)

São hotéis rurais os hotéis situados em espaços rurais que, pela sua traça arquitectónica e materiais de construção, respeitem as características dominantes da região onde estão implantados, podendo instalar-se em edifícios novos que ocupem a totalidade de um edifício ou integrem uma entidade arquitectónica única e respeitem as mesmas características.

Requisitos necessários:

 Os hotéis rurais devem cumprir os requisitos comuns aos empreendimentos de turismo no espaço rural previstos na presente portaria e classificam-se nas categorias de 3 a 5 estrelas de acordo com o disposto na portaria prevista na alínea a) do n.º 2 do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de Março, devendo também observar os requisitos nela previstos.

 Os hotéis rurais devem ainda dispor de instalações, equipamentos e, pelo menos, de uma unidade de alojamento que permitam a sua utilização por utentes com mobilidade condicionada.

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1.3- Actividades de Animação Turística no TER

O sucesso do desenvolvimento turístico em espaço rural passa, pela dinamização dos tempos livres dos turistas, através da prática de actividades que respeitam o meio envolvente. Estas deverão abranger um conjunto de vasto de opções, de modo a que os visitantes não se sintam desocupados, dando-lhes a possibilidade de escolher a actividade que lhe dá mais prazer.

Assim e de acordo com as tendências recentes do fenómeno turístico, a opção por um determinado local de férias está dependente não só das instalações de alojamento e restauração, mas também das actividades que cada uma das aldeias oferece para o preenchimento dos tempos livres.

Além do alojamento, a nova procura turística necessita realizar de certo tipo de actividades desportivas, culturais, etc. A qualidade turística de uma zona depende não só do alojamento, porém também das actividades que podem realizar os turistas. Este é o grande repto para o turismo em espaço rural. Isto permite desenhar produtos turísticos completos: alojamento, alimentação e recreação.

De acordo com Bote Gómez (1988: 69-82), os objectivos de estas actividades poderiam ser os seguintes:

 Diversificar as actividades recreativas e de animação, com o fim de dar múltiplas possibilidades ao turista.

 Impulsar a iniciativa local (associações culturais, artesãos, industriais, etc.) com o fim de converter à população residente em gestora e protagonista da animação.  Facilitar o encontro nas actividades entre os locais e os turistas.

 Conservar o meio natural.

 Promover actividades que aumentem a compreensão mútua entre a população não residente e a residente.

Actividades ligadas à natureza

A natureza possibilita variadas utilizações turísticas, desde o passeio à colheita de flores, frutos, bem como a prática de actividades físicas como o cicloturismo, a caça,

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Os passeios e os circuitos pedestres, realizados por espaços paisagísticos, permitem a observação da vegetação, de aves de diferentes espécies, nascentes de água, lagos bem como respirar ar puro e o contacto com as populações e os seus modos de vida. Estes passeios justificam a recuperação dos antigos caminhos rurais e implicam um empenhamento por parte das entidades organizadoras ao nível do arranjo dos mesmos, construção de parques de merendas, traçado de itinerários, sua sinalização e promoção através dos folhetos.

Também o cicloturismo poderá ser praticado com o objectivo de observação da paisagem e contacto com a natureza. Tal como a actividade anterior, necessita de alguma organização, tanto no apoio aos ciclomotoristas como na organização dos circuitos e de folhetos informativos.

A caça é uma actividade muito ligada à natureza, capaz de atenuar a sazonalidade de uma região turística. Para a sua prática são necessários espaços delimitados, onde exista fauna abundante e variada.

Os passeios motorizados são outro tipo de actividade que se poderá promover em espaço rural. No, entanto, há que ter em conta os possíveis impactos negativos que este tipo de desporto poderá causar, nomeadamente o ruído e a poluição atmosférica, pelo que a sua pratica deve ser restringida a determinadas áreas.

Um outro desporto bem adaptado ao meio rural é o equestre, uma vez que permite um contacto respeitador com a natureza, não é poluente, não necessita de grandes equipamentos e pode manter e criar empregos, pelo menos sazonais, não só ligados ao aluguer de animais e ao ensino de equitação, mas também ao cuidado de animais. Esta actividade pode assumir várias formas: o aluguer de cavalos, com ou sem acompanhante, passeios com póneis para crianças ou cursos de iniciação.

Actividades ligadas à água

A água é um produto turístico essencial em espaço rural. Os rios, lagos e até as piscinas naturais, municipais ou particulares permitem a prática de diversas actividades, desde a pesca à canoagem, remo, jet-ski, rafting, natação…

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Estas formas de lazer podem ser praticadas durante todo o ano, mantendo-se os níveis de frequência. Os não praticantes destas modalidades e que o pretendam fazer durante o período de férias necessitam de ensinamentos e equipamentos para a sua prática, cuja oferta assegura um determinado número de postos de trabalho. O jet-ski é uma actividade que terá de ser controlada, uma vez que a poluição sonora e aquática perturba a tranquilidade dos outros turistas e da população autóctone, para além de degradar a qualidade da água.

Desportos radicais

O espaço aéreo poderá ser utilizado para o desenvolvimento de actividades de lazer, como o parapente, voo livre, paraquedismo, apenas acessíveis a uma clientela reduzida e afortunada, uma vez que exigem um grande investimento em material.

Também os desportos de inverno e de montanha exigem algum investimento em equipamento, para além de necessitarem de um conjunto de infra-estruturas, como meios mecânicos de subida, construção de pistas, escolas de esqui, montanhismo e alpinismo.

Desportos e jogos tradicionais

São vários os desportos que se incluem nesta categoria, como o ténis, voleibol, futebol, mini-golfe ou golfe. Todos eles necessitam de grandes investimentos na construção de campos, mais ou menos polivalentes, e na compra de grandes espaços. Estas modalidades podem ser praticadas durante todo o ano, necessitando, no entanto, de um centro de iniciação e informação, gerador de postos de trabalho.

A promoção das actividades tradicionais da região é uma forma de explorar turisticamente, sendo um dos exemplos a visita a unidades de produção industrial e artesanal, observação e até mesmo participação na colheita de azeitona, nas vindimas, no fabrico do vinho, azeite, na extracção do mel, rendas, bordados e tapeçarias, entre muitas outras actividades.

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Organização de actividades culturais, festas e reuniões

A realização de recepções, cocktails, bailes, jantares e jogos facilita a comunicação e o contacto entre os turistas e destes com a população residente. Do mesmo modo, os eventos culturais, como por exemplo exposições de fotografia, pintura ou concertos musicais, que poderão decorrer em teatros, hotéis, salas de espectáculo, museus, bibliotecas, salas de congressos ou de reuniões e até mesmo ao ar livre, possibilitam aos turistas valorizar o seu tempo livre, assistindo a manifestações culturais diversas, ao mesmo tempo que permitem à população local enriquecer a sua vida cultural e social.

As festas, feiras, romarias tradicionais e o folclore são manifestações culturais da população local e favorecem o contacto desta com os turistas. O turismo poderá desempenhar uma função importante no sentido de preservar nestes costumes e mesmo revitalizar outros já em desuso, como é o caso por exemplo dos jogos tradicionais.

As riquezas culturais e arquitectónicas constituem, actualmente, uma das principais motivações na escolha do destino turístico, sendo de todo o interesse a organização de visitas guiadas aos monumentos e aos núcleos históricos existentes em espaço rural.

Gastronomia

A gastronomia é um factor importante de promoção e desenvolvimento de uma região e deve ser preservada e promovida. Deste modo, deve-se procurar incutir um espírito tradicional e regional aos turistas, incentivando-os na confecção e prova de vários produtos regionais e noutras actividades relacionadas:

- Preparação e confecção da sua própria refeição tradicional;

- Estar aberto a sugestões e confecções próprias dos turistas;

- Aprender o fabrico de doçaria regional;

- Participação na arte do “famoso” Fumeiro de Vinhais;

(26)

2- Gestão no Turismo em Espaço Rural

2.1- Conceito de Gestão

Embora não seja possível encontrar uma definição universalmente aceite para o conceito de gestão e, por outro lado, apesar de ter evoluído muito ao longo do último século, existe algum consenso relativamente a que este deva incluir obrigatoriamente um conjunto de tarefas que procuram garantir a afectação eficaz de todos os recursos disponibilizados pela organização, a fim de serem atingidos os objectivos pré-determinados.

Por outras palavras, cabe à gestão a optimização do funcionamento das organizações através da tomada de decisões racionais e fundamentadas na recolha e tratamento de dados e informação relevante e, por essa via, contribuir para o seu desenvolvimento e para a satisfação dos interesses de todos os seus colaboradores e proprietários e para a satisfação de necessidades da sociedade em geral ou de um grupo em particular.

De uma forma relativamente simples mas abrangente podemos começar por classificar gestão “como um processo de se conseguir obter resultados (bens e serviços) com o esforço dos outros. Pressupõe a existência de uma organização, isto é, várias pessoas que desenvolvem uma actividade em conjunto para melhor atingirem objectivos comuns”. (Sebastião Teixeira, 2005: 3)

Basicamente a tarefa de gestão é interpretar os objectivos propostos e transformá-los em acção empresarial, através de planeamento, organização, direcção e controlo de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da empresa, a fim de atingir esses mesmos objectivos.

A gestão tem como principais funções sistematizar a forma como fazemos as coisas e orientar-nos para os objectivos da organização. Isto significa que se pretende fazer as coisas da forma mais eficiente possível, ao menor custo possível, vender ao mais elevado preço possível e, com isso, obter o maior lucro possível, pelo menos nas organizações em que o lucro é a razão da sua existência.

(27)

De facto, o mais importante é saber gerir para obter e aumentar o lucro, seja ele obtido através de melhores margens ou de maior volume de vendas. O que interessa para as empresas é ter lucro e, com ele, compensar em dinheiro os seus investidores, porque é esse o seu objectivo primário aquando do acto de investir.

Por outras palavras, cabe à gestão a optimização do funcionamento das organizações através da tomada de decisões racionais e fundamentadas na recolha e tratamento de dados e informação relevante e, por essa via, contribuir para o seu desenvolvimento e para a satisfação dos interesses de todos os seus colaboradores e proprietários e para a satisfação de necessidades da sociedade em geral ou de um grupo em particular. Compete à gestão actuar através de actividades de planeamento, organização, liderança e controlo de forma a atingir os objectivos organizacionais pré-determinados.

Para desempenhar as funções descritas acima, os gestores recorrem muitas vezes a técnicas já experimentadas e demonstradas cientificamente. Por outro lado, utilizam também conhecimentos de diversas disciplinas científicas tais como a matemática, as ciências sociais e humanas, a economia, o direito, entre outras. Daqui concluirmos que a gestão pode ser considerada uma ciência na medida em que comporta uma acentuada componente científica.

Contudo, a gestão não pode ser considerada como uma ciência na verdadeira acepção da palavra pois as teorias gerais demonstradas cientificamente raramente são suficientes para o processo de tomada de decisões. É também necessário algum conhecimento empírico (alguns chamam-lhe arte) de forma a preencher a distância que separa as teorias gerais da realidade vivida em cada organização. Deriva daqui a importância da experiência e do convívio com as situações concretas vividas diariamente no local onde se desenrola a acção. Esta é uma das principais razões apresentadas pelos defensores da realização de estágios práticos após a aquisição dos conhecimentos técnicos durante o período escolar.2

      

2

Paulo Nunes. Conceitos de Gestão. Acedido em 01-09-2010 em www.knoow.net/cienceconempr/gestao/gestao.htm

(28)

Gestão é uma actividade complexa, envolvendo a combinação e a coordenação de

recursos humanos, físicos e financeiros, para que se produzam bens ou serviços que sejam simultaneamente procurados e que possam ser oferecidos a um preço que possa ser pago, tornando ao mesmo tempo agradável e aceitável o ambiente de trabalho de todos os envolvidos.3

O diagrama que se segue expõe de um modo geral a visão do pessoal, de que forma se é útil e como se pode olhar para as tarefas do gestor.

Diagrama nº1 – O Trabalho dos Gestores O sucesso na

GESTÃO

deve começar com

DEFINIÇÃO DE OBJECTIVOS

e isso então envolve

Estes processos são aplicados às seguintes áreas da empresa

PRODUÇÃO MARKETING FINANÇAS PESSOAL

E tudo tem de ter lugar num

Ambiente económico, político, social e legal. Fonte: http://www.ci.esapl.pt (adaptado pela autora)       

3 Materiais de Economia. Acedido em 01-09-2010 em

http://www.ci.esapl.pt/jcms/materiais/Econ%20Gest/Gestao  PLANEAR para alcançar os objectivos CONTROLAR esforço para atingir os objectivos  IMPLEMENTAR

para converter os planos em acção

(29)

Nenhum diagrama deste tipo pode ser considerado como definitivo. O diagrama visa mostrar ao leitor que a gestão eficiente deve começar com uma cuidadadefinição de objectivos, e que sem eles nenhuma direcção clara pode ser seguida, e nenhuma avaliação significativa da evolução pode ser feita. Assumindo que é possívelidentificar e, preferivelmente, quantificar certos objectivos, então certos rumos tornam-se claramente necessários se aqueles objectivos são mesmo para ser atingidos.

Em primeiro lugar, os planos devem ser desenvolvidos para cada área relevante da organizaçãoou empresa em causa, o que permitirá aos objectivos definidos serem então alcançados.

Esses planos têm então de ser postos ou mantidos em prática, implementados, em resultado das decisões que os gestores têm de tomar. Sem dúvida, muitos autores e gestores têm-se inclinado no sentido de considerarem a tomada de decisões como a tarefa central da gestão. Contudo as coisas não acabam aí. Definir objectivos, desenvolver planos e tomar decisões, tudo pode ser pura perda de tempo se não houver o cuidado de assegurar que aquilo que é suposto acontecer aconteça de facto. Se assim não for, então as razões para tal devem ser conhecidas e compreendidas e sempre que possível uma determinada acção correctiva deve ser tomada. Por outras palavras, deve-se exercer uma acção de controlo.

“Em grande medida, é o ter a responsabilidade sobre estes assuntos – definir objectivos, planear, tomar decisões e controlar – que caracteriza o papel do gestor. A ele se exigirá que exerça aquelas responsabilidades relativamente a cada área ou sector da empresa, e para muitos negócios isto quer dizer: produção, marketing, finanças e pessoal.”4

Necessidade da gestão nas empresas

A gestão nas empresas é essencial, pois uma empresa é considerada um agente económico e como tal, é um dos intervenientes no processo de troca que se desenvolve no âmbito dos diversos mercados em que ela se apresenta como fornecedora ou como cliente, ou seja, como parte integrante da oferta e da procura agregadas que se encontram nesse mercado específico.

      

4 Materiais de Economia. Acedido em 01-09-2010 em

(30)

Como agente económico que é, vai necessariamente ter como objectivo último a optimização do lucro a longo prazo, ou seja, permite-lhe uma situação estável, assegurando a sua sobrevivência e desenvolvimento.

No entanto, é também um agente económico autónomo, capaz de definir com independência o seu vector de objectivos.

Assim, o objectivo estrutural da empresa é a combinação óptima de recursos (inputs) de forma a potenciar a sua capacidade de produção (output). Daqui se deduz que a eficiência, que podemos definir como a forma de optimização do ratio output/input é o critério central da gestão empresarial.

Evidentemente que isto não significa que não possam existir (e geralmente existem) preocupações de eficácia que podemos definir como a satisfação dos interesses dos stakeholders5 por parte da empresa, ou melhor, o grau em que a empresa está a

satisfazer esses interesses.

A empresa é uma organização claramente marcada pelo seu papel enquanto agente económico autónomo, sendo os objectivos de eficiência estruturais, enquanto os de procura de eficácia são conjunturais mesmo que se tornem predominantes numa determinada altura.

Jacobs (cit. por António Sousa, 1990:31) entende que qualquer empresa concorre simultaneamente em cinco mercados, a saber:

 Mercado de matérias-primas e componentes (mercados de inputs);  Mercado de bens e equipamento para o seu processo produtivo;  Mercado de trabalho;

 Mercado financeiro;

 Mercado do produto final da empresa (mercado de outputs).

Nos quatro primeiros mercados, a empresa faz parte da procura e irá tentar obter a combinação de recursos mais eficientes, embora com óbvias preocupações de eficácia, para o seu processo produtivo. Quanto ao último, a empresa é parte integrante da oferta e terá de ser capaz de colocar o seu output de forma (quantidade, qualidade, preço, tempo) a que lhe seja possível manter o seu ciclo de actividade, ou seja, de forma a que o que venha e receber pelo seu output seja, em média, pelo menos igual ao que lhe irão custar os inputs necessários à reconstituição do seu ciclo de actividade.

(31)

Etapas/ Fases de gestão

A tarefa da gestão é interpretar os objectivos propostos e transformá-los em acção empresarial, através de planeamento, organização, direcção e controlo de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da empresa, a fim de atingir esses mesmos objectivos.

A gestão abarca, portanto, quatro funções fundamentais: planeamento, organização, direcção e controlo.

O planeamento pode ser definido como o processo de determinar antecipadamente o que deve ser feito e como fazê-lo. O planeamento tem implícita a ideia de acção a desenvolver para que as coisas aconteçam, o que é diferente de esperar que aconteça o que se previu.

Idealmente, os planos devem ser definidos em termos precisos de tal modo que sirvam de guias claros para os gestores e para o pessoal da empresa.

“Os planos estabelecem a forma como a empresa se irá desenvolver no futuro. Há que definir então quem vai actuar para que isso aconteça, quem são as pessoas, como se relacionam, com que meios, que actividade ou função cabe a cada uma isoladamente ou em grupo. Há que se organizar.”

A organização consiste em estabelecer relações formais entre as pessoas, e entre estas e os recursos, para atingir os objectivos propostos. Um dos aspectos fundamentais desta função é assegurar que a pessoa certa, com as qualificações certas, está no local e no tempo certos para que melhor sejam cumpridos os objectivos. É necessário «fazer com que as pessoas façam», ou seja, dirigir.

“A direcção é entendida como o processo de determinar, isto é, afectar, ou influenciar, o comportamento dos outros. A direcção envolve: motivação, liderança e comunicação.”

“A motivação, em termos gerais, pode ser entendida como o reforço da vontade das pessoas se esforçarem por conseguir alcançar os objectivos da organização. Os colaboradores quanto mais motivados se sentirem a desempenhar as suas funções melhor é o seu nível de desempenho e os resultados conseguidos.”

“Liderança é a capacidade de conseguir que os outros façam aquilo que o líder quer que façam. A liderança é um aspecto da direcção que, por sua vez, é uma função da gestão, a forma como o gestor lidera define, em certa medida, a sua categoria.”

(32)

“Comunicação é o processo de transferência de informações, ideias, conceitos ou sentimentos entre pessoas. Para se ter uma ideia da importância da comunicação na gestão, basta verificar que a maior parte do dia do gestor é passada a comunicar.”

O controlo é o processo de comparação do actual desempenho da organização com standards previamente estabelecidos, apontando as eventuais acções correctivas.

Convém referir que estas quatro funções fundamentais da gestão não devem ser vistas isoladamente, uma vez que entre elas se verifica a existência de uma total interdependência. Não se define uma estrutura para uma organização sem se ter em conta o planeamento efectuado e os objectivos a atingir. (Sebastião Teixeira; 2003:3-5).

2.2- Tipos de Gestão

Na área da gestão, existem muitos tipos, vamos abordar aqueles que mais interessam para o desenvolvimento deste trabalho:

Gestão Comercial

Por gestão comercial (marketing management) entende-se a análise, planeamento, implementação e controlo de programas que visem obter e conservar mudanças desejadas em mercados previamente definidos a fim de se virem a atingir os objectivos da empresa.

A função do gestor comercial consiste em regular o nível, calendário e tipo de procura a fim de contribuir para que a empresa venha a atingir os seus objectivos.

O meio envolvente da gestão comercial compreende os fornecedores da empresa, os seus concorrentes, e os intermediários que se situam entre ela e o mercado consumidor final. (Sousa, 1990: 210)

Gestão Financeira

A gestão financeira consiste no processo de obtenção de recursos financeiros que possibilitem à empresa atingir e manter o seu nível de actividade desejada.

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disposição desta. Capital alheio – recursos financeiros em prestados por terceiros que a empresa tem a obrigação de vir a devolver.

A função essencial do gestor financeiro é a de regular o acesso da empresa aos recursos financeiros essenciais à sua actividade de forma a optimizar o custo em que a empresa irá incorrer pela utilização desses recursos. No curto prazo essa actividade toma a forma de gestão de tesouraria da empresa, no médio e longo prazo a sua função consiste em definir e implementar a estratégia de financiamento da empresa tendo em atenção os objectivos de estabilidade rendibilidade que condicionam toda a gestão financeira de qualquer empresa. (Sousa, 1990: 239)

Gestão de Recursos Humanos

A nível do subsistema de gestão, o papel do gestor do pessoal é regular a interacção com o exterior, função especialmente volátil pois envolve não só uma parte objectiva – angariação de recursos humanos – mas uma outra altamente subjectiva e que tem a ver com a capacidade de se aperceber da mudança nas próprias pessoas.

Os objectivos da gestão do pessoal são por um lado prover o sistema sociotécnico com as pessoas mais capazes profissionalmente, e mais ajustadas psicologicamente, às necessidades desse sistema, e, por outro motivar essas pessoas a fim de que colaborem de forma mais eficiente e eficaz na prossecução dos objectivos da empresa e que o façam de forma consciente, isto é interiorizando esses objectivos.

Gestão de Produção

A gestão da produção é uma actividade que atinge a todos os ramos de organizações (indústria, comércio e serviços); ela está em todos os sectores da organização. A sua dinâmica de operacionalização ocorre através da utilização das funções básicas da gestão (Planear, Organizar, Comandar, Controlar e Coordenar), com o objectivo de promover com êxito as actividades inerentes à empresa.

Gestão da produção ou gestão de operações é a função administrativa responsável pela produção de bens e serviços.

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A actividade conducente à obtenção destes recursos é orientada por dois objectivos que se traduzem em tentar optimizar, em termos económicos, por um lado, a satisfação das necessidades de inputs da empresa e, por outro, o nível de incerteza derivado da necessidade de inputs.

A nível dos mercados de matérias-primas e componentes a actuação estratégica da empresa envolve a definição de opções quanto a: gestão de stocks; concentração ou diversificação de fornecedores; contratos a prazo ou compras spot; inputs standards ou «feitos à medida».

Quanto ao mercado dos bens de equipamento a questão é o grau de dependência que a empresa está disposta, estratégica e economicamente, a aceitar face aos fornecedores concretos dos equipamentos que irá utilizar.

Gestão dos recursos materiais

O processo de transformação interno da empresa não dispensa a gestão dos recursos materiais. Interessa perceber como a empresa gere esses recursos de forma a manter o seu subsistema operacional em bom funcionamento.

Materiais consumíveis no processo de transformação e materiais de utilização permanente são dois grupos de inputs físicos que originam problemas de gestão.

O primeiro caso referido engloba matérias-primas, subsidiárias e de consumo e outros materiais que servem para processamento interno na empresa.

No segundo alberga elementos patrimoniais ditos imobilizações na contabilidade geral. A gestão interna dos materiais consumíveis – gestão de stocks precisa de objectivar a sua gestão, programar e averiguar o lote económico.

Existem dois tipos de investimento: investimento de substituição e de expansão. Estudo de mercado, estudo técnico, quantificação do investimento, estudo financeiro é as componentes de um projecto de investimento.

Capital investido, Receitas e despesas de exploração, período de vida útil, valor residual, custo de capital, entram nos custos e proveitos na análise de investimentos. Os principais critérios de análise de investimentos tem como objectivo permitir ao gestor analisar o interesse económico, em termos absolutos, de um projecto. Tendo

(35)

como critérios o tempo de recuperação do capital, valor actual líquido e taxa interna de rendibilidade

Gestão de qualidade

À medida que a concorrência aumenta, também aumenta o nível de exigência e o conceito de qualidade vai-se impondo na sociedade. Cada vez mais se espera qualidade nas empresas, nos produtos, nas condições de vida, etc. A gestão da qualidade é a área da gestão que estuda e sistematiza os processos de concretizar a qualidade em produtos e organizações. Manter a qualidade, implica, permanentemente, renovar e melhorar os produtos, assimilando todas as vantagens que o cliente assume como adquiridas e introduzindo características novas, se possível, que constituam uma surpresa ou novidade interessante para o cliente.

A gestão da qualidade trata de desenvolver e aplicar técnicas e métodos para concretizar a melhoria e consolidação da qualidade de produtos e organizações. (Marques A. et al., 2006:221)

Diagrama 2- Componentes da Gestão da Qualidade 

Fonte: Sandra Loureiro, 2009 (adaptado pela autora)

“A gestão pela qualidade total implica a vontade, o empenhamento e o exemplo dos proprietários e responsáveis pelos alojamentos rurais; a adesão, a participação e o envolvimento dos diferentes colaboradores; a definição da política e dos objectivos da qualidade tendo presente os gostos e os interesses dos clientes; a melhoria da qualidade pela prevenção dos defeitos e entendida como um processo contínuo; o estabelecimento

(36)

duma relação de confiança com os fornecedores; a definição dos requisitos dos materiais e dos recursos; a atenção à segurança no trabalho e ao meio ambiente; a planificação, a documentação e a avaliação da qualidade.” (Loureiro, 2008:45)

O gestor - Funções e aptidões necessárias de um bom gestor

A função do gestor é de representar a empresa nos mercados de inputs de forma a comprar de uma forma racional, ou seja, optimizando em termos económicos a satisfação das necessidades de inputs do processo produtivo, e como é óbvio ter presente a incerteza decorrente da forma como os inputs são concretizados.

Gerir é coordenar as actividades das pessoas e os recursos de uma organização para definir e prosseguir os objectivos.

As funções instrumentais interagem como um ciclo fechado:

 planeia-se, ou seja, estabelecem-se os objectivos a atingir e delineia-se um conjunto articulado de acções para os atingir;

 seguidamente organiza-se, ou seja, estipula-se quem faz o quê, atribui-se os recursos necessários para o fazer e estabelece-se um sistema de informação para verificar o que está acontecer, aquando da execução;

 quando se passa a fase de execução, controla-se, ou seja, vai-se verificando se as actividades estão a decorrer conforme o planeado ou, pelo contrário, se há desvios significativos; neste último caso, há que perceber a razão desses desvios e que procurar corrigi-los; para o fazer, deve começar-se por verificar se, alterando a organização – os executores, a forma como estão a trabalhar, a adequação dos recursos afectados, etc. – se consegue fazê-lo; se não for possível, então há que reconhecer que não se conseguirão atingir os objectivos planeados, há que estabelecer novos objectivos e há que refazer o planeamento. (Marques A.et al., 2006:221)

Efectivamente o gestor é o indivíduo que vai utilizar o conjunto de técnicas que iremos abordar e que é responsável pela interacção da empresa com o meio ambiente.

(37)

Em síntese, gerir é o processo de trabalho com e através dos outros a fim de atingir eficazmente os objectivos organizacionais usando eficientemente os recursos escassos num contexto em mudança.

O papel do gestor, tal como para a organização, pode ser encarado em duas perspectivas: na relação com o exterior e a nível do sistema interno.

O gestor representa a empresa em todas as suas relações com o exterior. O seu papel é particularmente relevante ao nível do subsistema de gestão e na interacção com o meio ambiente. É a ele que cabe, enquanto decisor, o estabelecimento das relações negociais com todas as entidades que concorrem nos mercados em que a empresa esta presente. É a ele que intrinsecamente, compete levar a cabo a análise de que resultarão as decisões de gestão da dependência da empresa face aos seus stakeholders.

Finalmente, que tipo de produtos produzir, para quem, a que preço, com que qualidade, como abordar o cliente, são questões cruciais que o gestor responsável pela actuação da empresa no mercado dos seus produtos finais tem de definir.

Porém, se o gestor tem um papel primordial a nível da relação com o exterior, ele é o verdadeiro elo de ligação do sistema social que á qualquer organização. Um dos papéis cruciais do gestor é o de líder do sistema social que é a empresa.

Em resumo, o gestor é o elemento aglutinador do sistema social interno e o seu representante e imagem face ao exterior. A ele compete definir a estratégia para atingir os objectivos da empresa, quer no processo de negociação contínuo com os stakeholders quer na necessária articulação com os trabalhadores, ou seja, com as partes do verdadeiro sistema social que, antes de mais, qualquer empresa é.

A actuação dos gestores avalia-se geralmente por padrões de eficiência e eficácia, são dois conceitos diferentes, importa assim fazer a sua distinção:

Eficiência é a relação proporcional entre a qualidade e a quantidade de inputs e a qualidade e a quantidade de outputs produzidos. Assim, quanto maior for o volume de produção conseguido com o mínimo de factores produtivos, maior é o grau de eficiência do gestor responsável.

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Eficácia é a medida em que os outputs produzidos pelo processo se aproximam dos objectivos propostos. Isto é, quanto menores forem os desvios entre o planeado e o realizado, maior é o grau de eficácia do gestor em causa.

Um gestor pode ser relativamente eficaz sem atingir um grau elevado de eficiência se, por exemplo, consegue atingir os objectivos em termos de produtos finais (quantidade e qualidade), mas sem utilizar da melhor forma os recursos disponíveis. E pode ser relativamente eficiente sem ser eficaz se consegue produzir com a máxima combinação de utilização de recursos disponíveis para aquela produção (a melhor relação recursos/produção), mas os desvios em relação aos objectivos finais são muito significativos.

Para ser eficiente e eficaz, o gestor deve possuir e continuamente desenvolver várias aptidões essenciais. Geralmente consideram-se fundamentais três tipos de aptidões necessárias: aptidão conceptual; aptidão técnica e aptidão em relações humanas.

Aptidão conceptual - é a capacidade para apreender ideias gerais e abstractas e aplicá-las em situações concretas. Engloba a capacidade para ver a organização como um todo. Um gestor com capacidade conceptual apercebe-se da forma como as várias funções da organização se complementam umas às outras, como a empresa se relaciona com o seu ambiente e como uma alteração numa parte da organização pode afectar a outra parte.

Aptidão técnica – é a capacidade para usar conhecimentos, métodos ou técnicas específicas no seu trabalho concreto. De modo geral, esta aptidão está relacionada com o trabalho, «com as coisas» (processos ou objectos físicos).

Aptidão em ralações humanas – é a capacidade de compreender, motivar e obter a adesão das outras pessoas. Envolve características relacionadas com as capacidades de comunicar, trabalhar e entender as atitudes e os comportamentos dos indivíduos e dos grupos. (Sebastião Teixeira; 2005: 8).

O grau de desenvolvimento necessário destas aptidões está relacionado com o nível de gestão em que o gestor se situa.

(39)

2.3- Gestão no Turismo em Espaço Rural

Na elaboração do (Diagrama 3), foram estruturados seis passos a serem seguidos numa sequência útil para que se possa realizar a análise da gestão do turismo no espaço rural.

Passo 1: identificação e análise dos meios de apresentação do local e sua oferta; Passo 2: identificação dos agentes envolvidos na actividade de turismo;

Passo 3: análise do processo de selecção dos parceiros;

Passo 4: análise das características dos relacionamentos e as estratégicas; Passo 5: análise dos procedimentos de coordenação;

Passo 6: identificação das práticas essenciais utilizadas e a percepção dos agentes em relação aos impactos gerados pelo turismo sobre o desenvolvimento e a sustentabilidade.

Em cada passo do modelo são apresentadas as variáveis a serem identificadas e as análises a serem realizadas a partir delas.

Diagrama nº3 – Modelo de Análise de Gestão do Turismo no Espaço Rural GESTÃO DO TURISMO NO ESPAÇO RURAL

OFERTA TURÍSTICA

Agentes

História e aspectos gerais Bens turísticos Equipamentos e serviços turístico Infra-estrutura de apoio

Sector Rural Sector do Turismo Sector Comercial Sector Público Comunidade

Propriedades Rurais Transporte; Agências; Acomodações; Alimentação Associação comercial e industrial Municipal   Associações em geral 

Conhecimento Papel Interesse Objectivo MEIOS DE APRESENTAÇÃO DO LOCAL E SUA OFERTA TURISTICA

(40)

Fonte: Maria Mendonça, 2009 (Adaptado pela autora) Em seguida, explicação dos seis passos apresentados no diagrama 3: Passo 1: Meios de apresentação do local e sua oferta

O objectivo desse primeiro passo é demonstrar, de forma geral, os meios utilizados para apresentar a oferta turística do local. Esta pode ser feita por meio de “sites” na internet, revistas, guias turísticos e folhetos.

Mais detalhadamente, os elementos que constituem a oferta nos locais são: HISTÓRIA E ASPECTOS GERAIS

BENS TURÍSTICOS  Naturais.

 Culturais – históricos.

 Instituições culturais de estudo, pesquisa e lazer.  Culturais - manifestações e usos tradicionais populares.  Eventos e acontecimentos programados.

 Culturais.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS TURÍSTICOS INFRA-ESTRUTURA DE APOIO Perfil Essencial Individualista Colectivista Estratégias de agrupamentos e cooperação  Estratégias de agrupamentos e cooperação Coordenação Coordenação 

INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO E SUSTENTABILIDADE 

Ambientais Sociais Culturais Económicas

(41)

Passo 2: Agentes envolvidos com o turismo

O objectivo desse segundo passo é o de identificar os agentes envolvidos com o turismo, relacionados aos bens turísticos, aos equipamentos e serviços turísticos e à infra-estrutura de apoio.

Passo 3: Processo de selecção dos parceiros

No terceiro passo, identificam-se as variáveis consideradas importantes para a selecção dos parceiros e o de avaliar a existência de alinhamento entre o perfil essencial dos agentes identificados no passo 2.

As variáveis consideradas são as seguintes: o conhecimento, o papel, o interesse, o objectivo e as acções cooperativas ou individualizadas, em relação à actividade de turismo no espaço rural. O alinhamento entre essas informações acontece quando as variáveis acima citadas convergem.

Passo 4: Características dos relacionamentos e estratégicas

O objectivo desse quarto passo é o de identificar, entre os agentes, aspectos referentes à organização e à administração dos relacionamentos sugeridos por YOSHINO & RANGAN (1996: 58).

Potencial de conflito: na divisão dos benefícios da aliança e relacionado aos objectivos estáticos e estratégicos entre as empresas envolvidas.

Extensão da integração - refere à quantidade de áreas funcionais e níveis funcionais envolvidos, bem como à intensidade da integração.

Passo 5: Análise dos procedimentos de coordenação

O objectivo a ser alcançado, neste quinto passo, é o de identificar e analisar os procedimentos de coordenação utilizados na gestão da actividade turística. Os procedimentos são: a organização, o controle, a orientação e comunicação.

Passo 6: Práticas essenciais de desenvolvimento sustentável.

No sexto passo o objectivo é o de identificar as práticas de gestão com vistas no desenvolvimento e na sustentabilidade utilizadas pelos agentes entrevistados, além dos

(42)

impactos gerados e percebidos, resultantes da gestão implementada. Alguns exemplos de práticas essenciais e impactos para cada variável são:

 Práticas essenciais e impactos em relação a variável social

Sector público: programas de turismo que satisfação as necessidades básicas da população como: educação, alimentação, saúde e lazer; melhoria da infra-estrutura, instalações e serviços para a comunidade: água canalizada, sistemas de saneamento, estradas, saúde e segurança, desenvolvimento de novos investimentos na região; maiores oportunidades de formação profissional; queda no índice de marginalização e desigualdades; preparação da mão-de-obra da população para absorção no mercado de trabalho do turismo; participação da população no processo; a existência de um plano de sistema social, garantindo: empregos, segurança social, erradicação da miséria, do preconceito.

Sector privado: contratação da mão-de-obra local, investimento em iniciativas socioculturais comunitárias incentivando à participação da mão-de-obra, investimentos e qualificação.

 Práticas essenciais e os impactos em relação a variável cultural

Sector público: programas de turismo que agradem a consciencialização da população em relação a necessidade da preservação e valorização dos aspectos culturais como: preservação da arquitectura, do artesanato, da linguagem, das tradições, da gastronomia, da arte e música, da história, do tipo de trabalho e tecnologia usada, da religião e suas respectivas manifestações, do sistema educacional, das actividades de lazer e tipo de vestuário usado. A participação da população envolvida todos se devem consciencializar da necessidade de conservar a cultura e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal.

Sector privado: incentivar o envolvimento da mão-de-obra em iniciativas culturais comunitárias, valorização, preservação e promoção das tradições da cultura local.

 Práticas essenciais e os impactos em relação a variável ambiental

Sector público: programas de turismo que agradem a solidariedade para com as gerações futuras por meio da preservação do ambiente de modo que elas tenham oportunidade de viver: a acumulação de resíduos, a contaminação das águas, poluição atmosférica, visual e auditiva; destruição da flora e fauna; congestionamento e

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de lazer e, por fim, formação de condomínios. A participação da população envolvida (todos se devem consciencializar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal).

Sector privado: implementação de medidas de controlo de consumo de água, de consumo de energia eléctrica, de geração de resíduos, utilização de fontes de energias alternativas, realização de reciclagem de materiais, compra de materiais reciclados, aplicação de medidas de capacidade de carga, etc.

 Práticas essenciais e os impactos em relação a variável económica

Sector público: impostos, número de empregos, evitar os investimentos por causa da influência sazonal de procura.

Sector privado: elaboração de planeamento e adopção de estratégias contínuas adequadas ao negócio e às variações da procura, avaliação da capacidade da empresa em atender os turistas, realização do controle de taxa de ocupação média (UHs), definição do “break even point” (ponto de equilíbrio), etc.

As informações obtidas podem ser positivas ou negativas indicando que a gestão está a contribuir para o desenvolvimento local de forma sustentável.

Imagem

Figura 1: Mapa do Concelho
Figura 17: Parque Biológico de Vinhais  
Figura 19: Casa da Fonte (Interior e Exterior).
Figura 20: Casa o Geadas (Interior e Exterior).
+7

Referências

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